sábado, 16 de dezembro de 2017

O TELHAMENTO E A EXPRESSÃO TRÊS VEZES TRÊS



Segundo alguns autores essa declaração advém dos antigos canteiros medievais da Franco-maçonaria que saudavam pelo Sinal o Mestre da Obra por nove vezes – “Eu vos saúdo, eu vos saúdo, eu vos”… (repetia-se o procedimento por nove vezes). O número nove associava-se à unidade de proporção do cubo poliédrico – três partes para a largura somadas as três para a profundidade e ainda mais três partes para a altura.

Três desses cubos compostos por três partes iguais na sua largura, profundidade e altura quando sequencialmente unidos nessa proporção perfaziam geralmente o volume do edifício ou o quadrilongo. Essa harmonia proporcional construtiva mais tarde seria muito usada para determinar os limites simbólicos da Loja (Oficina ou Canteiro) da Moderna Maçonaria – um cubo para o Oriente e dois cubos para o Ocidente, ou ainda, um para o Oriente, um e meio para o Ocidente e meio para o Átrio.

Outro provável aspecto originário do termo T∴VV∴T∴ está na saudação oriunda das Lojas maçônicas inglesas no que se refere ao cumprimento às Três Luzes Maiores, às Três Luzes Menores e aos três principais Oficiais, a saber: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso; O Sol, a Lua e o Venerável (o Sol para governar o dia, a Lua para governar a noite e o Venerável para governar a Loja); os dois Vigilantes e o Guarda do Templo. Assim, o termo T∴VV∴T∴ se reportava também à saudação aos componentes de uma Oficina maçônica daquela época, anterior ao século XVIII e da profusão e aparecimento de Ritos e Trabalhos maçônicos.

Cabe nesse particular uma importante observação: essa conduta não pode ser tomada como exclusividade deste ou daquele Rito, já que a expressão comentada antecede a existência desses na Maçonaria.

Assim o termo T∴VV∴T∴ pela sua importância histórica e dos seus usos e costumes ficaria fazendo parte do complexo ideário maçônico.

Ainda, em se tratando da vertente deísta da Moderna Maçonaria francesa, o termo também se reporta à evolução e aperfeiçoamento da Natureza onde T∴ corresponde a cada ciclo natural (estação do ano) que somados por T∴VV∴ corresponde ao número nove (meses) – a primavera, o verão e o outono. Os três meses de inverno não aparecem por se reportarem a estação em que a Terra fica viúva da Luz. Daí o quadrado de T∴ ou T∴VV∴T∴.

Nesse sentido as tríades se apresentam na Maçonaria em vários aspectos simbólicos, todavia apenas como tríades e não como origem da expressão usada especificamente no telhamento maçônico.

No Real Arco, Arco Real, o Tríplice Tau, Selo de David, etc., são tríades que revelam verdades e lições de ética e moral, entretanto nunca como origem específica da declaração T∴VV∴T∴ no examinador maçônico.

Também nem mesmo Ramsay teria influenciado o REAA nesse particular. O escocesismo simbólico somente tomaria forma a partir de 1.804 na França por influência das Lojas Azuis norte-americanas.

Embora essa influência anglo-saxônica no simbolismo do Rito Escocês, este pela sua origem francesa adotaria em seu arcabouço doutrinário a alegoria da evolução da Natureza acima mencionada – note as nove luzes dispostas em grupo de três em três sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e as mesas dos Vigilantes.

Concluindo, nunca é demais lembrar que entre as duas vertentes principais da Maçonaria – a inglesa e a francesa – as práticas litúrgicas e ritualísticas dos Ritos e Trabalhos (working do Craft) não raras vezes se diferenciam entre eles, principalmente pelos seus costumes culturais, daí práticas como a do Tríplice Abraço e do próprio Telhamento latino (questionário tal qual conhecemos no Brasil) aplicado no REAA, por exemplo, não podem ser generalizados como artifício único para toda a Maçonaria universal. Como dito, há entre eles práticas diferenciadas e muitas vezes desconhecidas conforme a sua vertente maçônica – anglo-saxônica ou latina.

Autor: Pedro Juk

Nenhum comentário:

Postar um comentário