sexta-feira, 10 de julho de 2015


O ESQUADRO
(Revista Fenix News)



O Esquadro é a materialização da terceira letra do alfabeto grego. Como, pelo menos, três pontos são necessários para criar a figura geométrica simples, 3 tornou-se o símbolo do início de qualquer construção, e, por conseguinte, da iniciação. Para o iniciado se trata, em primeiro lugar, da construção de seu templo interior.

O aprendiz não tem a capacidade de iniciar sua vida com o número 1, já que ele, menos do que qualquer outro obreiro, poderia se aproximar da percepção do todo. Isto não se permite sequer a qualquer outro ser humano.

O número 2, aquele que representa a dualidade e o equilíbrio dos opostos, também está fora do alcance dos aprendizes numa aproximação com o sagrado. Seu conhecimento único, em princípio, é o número 2 do mundo profano, reflexo como muito e segundo os casos: da diversidade, enfrentamento e maniqueísmo.

Se lhe confia o número 3 e com este as primeiras noções de esoterismo e exoterismo que não funcionam sobre os mesmos modelos. Um novo mundo se abre à sua sagacidade, universo que poderá levar-lhe muito longe.

O Esquadro é a ferramenta simbólica de primeiro grau, imagem da combinação da vertical e horizontal, contém tudo o que é conhecido (4 esquadros combinados) e ninguém pode escapar dessa avaliação: a suástica, inscrita ou não em um círculo, é a medida do mundo em sua totalidade desde tempos imemoriais.

O esquadro tem, sem dúvida, uma origem tão antiga quanto a corda de 12 nós de origem egípcia. É necessário para a verificação dos volumes pequenos, à medida que os trabalhos vão requerendo ajustes e precisão (o esquadro de braços desiguais em uma relação 3, 4 e 5, são a perfeita redução da corda de 12 nós que permite verificar o ângulo reto).

Portanto, se trata disso: ajuste e precisão. Muitos preferem estes substantivos em vez de se referir à "retidão" que tem um sentido rígido e rigorosamente imutável, pouco operativo quando falamos do ser humano, pois sabemos que as leis são imperfeitas, os costumes variáveis e evolução das normas se leva a cabo com muita “regularidade”.

Por outro lado, não sendo a perfeição algo deste mundo, referir-se a retidão tem por consequência imediata a garantida de um fracasso programado. Isto jamais pode ser bom para ser que que investiga, mas que tem dúvida, se equivoca e tem que avaliar toda a necessidade de confiança em si mesmo para voltar a abordar sua obra.

Aqui reside a dificuldade da ortodoxia: deve estar a serviço do ser humano, como um farol que esclarece e informa um desvio ou ser braço armado que resolve à distância sem nenhum discernimento? pelas distâncias braço armado sem discernimento?

O Esquadro decora o colar do venerável mestre, o que parece indicar que sua principal preocupação é o respeito à lei, aos regulamentos gerais, aos rituais e aos landmarks. No entanto, em algumas ocasiões ele enfrenta o dilema de usar da espada e do coração para resolver um problema. Na verdade, aqueles com alguma experiência sabem que em certos casos manter e respeitar a lei nem sempre é um reflexo de um compromisso moral, e menos ainda do espírito da iniciação. 

Enquanto a vida de um aprendiz começa com o número 3, esta não se desenvolve naturalmente com o triângulo de Pitágoras. Neste caso é obrigatório marcar os ângulos. O aprendiz leva algum tempo para entender as leis de construção que fazem o suporte em ângulo reto verificado pelo esquadro em um ajuste universal simples, mas sólido

Quando as pedras sustentam umas nas outras com ajuste e precisão, a construção oferece uma estabilidade que supera os séculos e os movimentos das terras. Ela também permite trabalhar com arriscados devaneios estéticos como as abóbadas romanas, vertiginosos cruzeiros de ogivas ou naves (de igreja) gigantescas. É esta consciência profissional e essa grande demanda que, sem dúvida, salvou a Torre de Pisa, exemplo universal de uma linha de comando rigoroso que pode conter alguns erros sem, no entanto, sofrer danos irreversíveis.

No plano individual e profano, a transposição permite-nos compreender que todo ato deve ou devem ser concebidos e verificados de acordo com os preceitos do esquadro e resumir-se nestes: Qual é a consistência do que eu faço aqui e agora?

Embora nosso Esquadro seja uma construção pessoal, onde cada um faz a seleção das regras a serem respeitadas, às vezes com certas omissões ou aproximações, é desejável que este se pareça mais com o esquadro de ajuste do que com um falso esquadro, que e aquele que podemos manipular dando-lhe a forma que queremos.

Desde o princípio de nossa existência formamos parte de um tecido de relações e interpelações cruzadas que se sobrepõe uma as outras e por momentos nos deixam pouco tempo para respirar ao final do dia. Cada qual tem seus próprios exemplos. Todos trabalhamos no mundo profano, todos estamos em movimento, comprometidos em projetos de vida pessoal, com filhos, pais, imposições e limitações de todo tipo, enfim, a vida.

Por que não recuperar e usar a nosso esquadro de vez em quando para verificar se tudo isso está sendo feito e se realiza e se vive de acordo com as regras da arte adequadas a cada situação? As relações com meus filhos são satisfatórias? Meus encontros com tal ou qual vizinho, companheiro de trabalho, conversas com um superior hierárquico são boas? A carreira profissional que escolhi se enquadra numa perspectiva resultante dos meus desejos ou aspirações? Esta ou aquela compra, investimento, emprego, assistência social, viagem, etc., corresponde à própria lógica ajustada do esquadro, esse juiz independente?

A pergunta é simples: nossa vida em geral é apropriada ou alguns aspectos devem ser melhorados? O esquadro nos foi confiado para que possamos saber sobre isso.

Essa ferramenta nos devolve ao ângulo reto, nos convida a coerência. Em sua origem qual foi o ângulo reto íntimo que às vezes nos faz recordar dos nossos sonhos infantis, dos nossos projetos de vida, de nossas aspirações mais profundas?

O uso regular do esquadro lança luz sobre nossas distorções e nos permite retomar as coisas antes que se agravem. Felizmente, nunca é tarde demais em matéria de evolução pessoal, se encontrarmos a vontade para buscar o acordo e afastarmos as contradições que nos são prejudiciais.

Deste modo, o esquadro, testemunha maniqueísta de nossa vida, pode ser o juiz imparcial, o árbitro, o fato fixo e objetivo. Todas estas razões fundamentam a simbologia da Loja Azul, da oficina de primeiro grau do Aprendiz.

O primeiro estágio adota a forma da determinação de nosso ângulo reto de referência, ou seja, nosso plano de vida. Para isso existe um método universal: O “conhece-te a ti mesmo”, que foi enunciado faz mais de 2.500 anos e que cada maçom por conta de seu ofício tem ouvido pelo menos uma vez na vida. Quais são as nossas qualidades, defeitos, talentos, limites? O que fazemos na Terra? O que buscamos? Medimos nossas forças? Que metas pessoais, familiares, profissionais, coletivas, maçônicas, cultural, etc., nos propusemos atingir?

A segunda fase parece ser a do domínio, pelo menos em parte do tempo. O Iniciado tem visto profusamente a ampulheta ou relógio de areia a marcar o tempo num momento de solidão, num reencontro com o próprio tempo. O Iniciado deve se converter em um relojoeiro cronometrando o seu próprio tempo.



O relógio de areia, ou seja, a ampulheta, não entra na armadura do maçom. Talvez apenas o arquiteto se torna consciente de que, uma vez que tem a obrigação de construir, não tem diante de si um tempo indefinido. Ele sabe que quanto mais dura a construção, mais custará a comunidade; que quanto mais lenta, mais tardará em prestar o serviço que se espera dele. Mesmo sabendo o arquiteto o tempo da construção e da transmissão, sabe que necessita passar a seu sucessor um canteiro ordenado e o mais avançado possível, já que tem visto muitas obras inacabadas que jamais foram recuperadas e terminadas.

O Maçom de hoje em dia sabe que quanto mais tempo e menos entusiasmo tiver para investir em retificar sua pedra maiores serão os riscos de abandonar o trabalho e inclusive da obra se desintegrar.

O tempo foi definido, mas o aluno ignora qual é sua duração. Além disso, a consciência que corresponde ao momento da sua aceitação na maçonaria deveria ser aquela em que transitou no início da caminhada. Então você não deve perder nenhum minuto para transformar o tempo restante em longos períodos de equilíbrio e serenidade

A meditação é necessária a quem quer ver se a estrela ainda é visível e verificar onde lhe conduz a perspectiva. Vai experimentar a gravidade, que leva para as mentes mais ousadas ao nível do terreno materialista? Se unirá às gerações partidárias do ter, mais do que do ser? Geometria não é parte da sua educação primaria? O gênio na maçonaria nada mais é do que sinônimo de trabalho ilustrado, da gnose, o estudo esotérico sério e perseverante do simbolismo. Você os deixará para os outros?

Geometria, não é parte de sua educação primária? O gênio na Maçonaria, que nada mais é do que um sinônimo de trabalho ilustrado e da Gnose, o estudo esotérico sério e perseverante dos símbolos será deixado para os outros?

Mesmo que se oponha a este tempo cronófago[1], no qual deveríamos estar permanentemente disponíveis para o mundo, devemos nos convencer da necessidade de pedir o tempo para que suspenda seu voo, já que para fazermos pesquisa é necessitamos parar, observar e ter um mínimo de coragem é necessário para interromper um momento desse voo inexorável e escolher a confrontação consigo mesmo. Mas para isso é preciso a clarividência.

Não há alternativa. Não busquemos desculpas, não há outra forma, outra maneira. A programação e a preservação de momentos de isolamento, donde estamos sós, frente a nós mesmos, onde possamos, sem pressa ou pressão para avaliar, medir nossas ações é absolutamente fundamental para o maçom, ao ser humano que quer progredir, ao que quer acender a uma regeneração; não falamos daqueles que enxergam como o tempo lhes escapa do controle, pois onde poderiam ir sem uma bússola?

A vida só é interessante se tem sentido, se desenvolveu na direção certa, e usar o esquadro frequentemente é essencial verificar isso. É muito útil reservar-se tempos de folga, não para nos deixarmos conduzir pelo ócio, mas para encontrarmos com nós mesmos e reaprender o gosto pelo essencial.

O esquadro contém uma noção de precisão, exatidão. Tomar consciência da utilidade de carregar conosco o esquadro enquanto esperamos integrar completamente esse costume, poderemos ir materializando pequenas decisões tais como: deixar de chegar atrasado em um encontro quando estão esperando por nós; praticar um ato de solidariedade; pagar algum imposto ou cotização, ser exato com sua consciência e descobrir o respeito ao outro de forma individual ou coletiva. Querer ser correto conduz necessariamente a antecipação, a previsão, a retomar progressivamente avida em nossas mãos e manter uma boa parte das incertezas à distância.

Com base nesta noção de precisão, exatidão, continuamos nossa evolução que leva progressivamente à noção de justiça. Nossas ações podem, sem dúvidas, serem justas e no que tem de subjetivo, aperfeiçoar-se no dia a dia, ou seja, acercarmo-nos do próprio ideal gravado no mármore dos Grandes Princípios.

Enquanto perfeição está além daquilo que pode ser abordado, nossas ações sem dúvida pode se aproximar da Justiça, pois tem menos subjetiva, dia perfeito, que está mais perto de seu próprio ideal ou gravados no mármore dos grandes princípios.

Mais uma vez, a ferramenta nos falará sobre o progresso alcançado, uma vez que as mesmas situações são constantemente repetidas, mas tratemos de ignorá-lo e creamos que não nos inquietam as verdadeiras razões. O Esquadro pode, também, como se fosse uma varinha mágica, fazer desaparecer uma série de fontes de discrição recorrentes que prejudicam nossa harmonia vital, para poder recuperá-la.

O esquadro é, afinal de contas nossa consciência, e não devemos jamais entende-lo como fator que nos acusa. Em lugar de mantê-lo em um canto escuro, deixemos que apareça em plena luz, dando-lhe um papel importante, já que se é bem compreendido se revelará uma ferramenta benevolente, eminentemente útil e esclarecedora sobre nossa construção e progresso no caminho.

Deixá-la aparecer em plena luz do dia, dando-lhe um papel importante, porque se for bem compreendido que irá revelar-se como uma ferramenta benevolente, eminentemente útil e esclarecedor para nossa construção e progressão na estrada.

No nível coletivo, e em particular no da Loja, se o esquadro aponta algum mal funcionamento – como não poderia ser de outra maneira em um espaço antes de tudo humano - longe de nós a ideia de denunciá-lo com força e vigor. Isso seria uma atitude profana. A maestria nos ensina a serenidade, a reflexão, a análise nos orienta a compreensão, a relatividade nos ensina a moderação e a superação convida-nos a questionar as suscetibilidades e a olhar mais além.

O esquadro é uma ferramenta sem concessões, portanto devemos utilizá-lo com circunspecção. Cada qual em nossa volta está sujeito a suas imperfeiçoes, portanto, devemos verificar quem necessita de ajuda e mostrar-lhes o esquadro estendendo-lhes as mãos com fraternidade.

O Aprendiz recebe um esquadro para verificar o tamanho de sua pedra. Aprende de imediato a necessidade de evoluir. Utiliza a ferramenta com mais frequência do que imagina: quando caminha, quando percorre o templo, quando faz a saudação, quando contempla o colar do venerável mestre, o altar, a disposição das luzes em torno do pavimento mosaico e os lugares dos vigilantes e do venerável no REEA, só para citar alguns exemplos.

Aqui estão maneiras de gravar em sua mente que o progresso está feito, mas da ordem do que do caos e que só a retidão moral e respeito podem permitir-lhe construía sua vida de forma resoluta, descartando ambientes que lhe colocam em perigo constantemente e de forma aleatória.

Estamos no 1º grau, na primeira etapa.






[1] Cronofagia – contradição do tempo e espaço. Comedor do tempo.

quinta-feira, 9 de julho de 2015



OS SOLSTICIOS NA MAÇONARIA

 E AS LOJAS DE SÃO JOÃO

Revista Fenix News
29 Jun 2015

As culturas antigas tinham particular respeito e dedicação a astronomia e de maneira especial ao Sol, a cujo estudo e oferenda dedicaram grande quantidade de seus templos. Por isso, eles receberam atenção especial para os solstícios, uma vez que é precisamente a época do ano quando o sol atinge o seu ponto mais distante balanço entre o Sul e o Norte, em junho (Câncer) e dezembro (Capricórnio); ou seja, no momento em que o Astro Rei tem sua declinação sul máxima (sul) ou norte (norte), fingindo parar (daí a palavra latina Sol - Stitium) para iniciar o pêndulo caminho de volta para a outra extremidade.

Desde as épocas mais remotas e praticamente em todas as civilizações se tem festejado as datas em que os solstícios ocorrem: em Roma, se dedicava ao deus Janus, representando o Sol, que presidia o início, iniciações (Latin Initium, INITIARE) e em particular a entrada do Sol nos dois hemisférios celestes.

O mito de Janus aparece nas tradições gnósticas e iniciáticas da mais remota antiguidade, definindo-se como um dos principais símbolos da Ciência Sagrada. Para entender o significado da adoção desse mito na Maçonaria, devemos nos lembrar que é em torno do sol (do mito solar), modelo de escala da grande dinâmica do Logos no universo, que gira a estrutura simbólica integral da maçonaria.

Quanto à recorrência da tradição juanítica primitiva com o esoterismo cristão, cabe assinalar que há uma estreita relação, manifestada em muitos trechos das escrituras, na qual se inclui Jesus, nascido no solstício de inverno e João Batista nascido no solstício de verão, relacionamento dissolvido por razões teológicas muitos séculos após o início da era cristã, transpondo esta relação entre Jesus e João Batista a João Evangelista.

O Cristianismo, conhecido receptáculo das doutrinas anteriores a ele, adaptou a tradição juanítica primitiva e a assimilou a mitologia Crística, ocupando um lugar importante e preponderante para anular as festas “do burro”, no verão, e das “saturnálias” no inverno, trocando-as pelas festas de “São João Batista” e São João Evangelista”, respectivamente. Na Idade Média, então, o São João dos cristãos foi adotado como “santo patrono” dos Collegia Fabrorum de artesãos e logo depois, dos construtores, maçons operativos, de onde passou a maçonaria especulativa desde seu surgimento no início do século XVIII.

Desde então e até hoje, a Maçonaria assimilou Janus na sua estrutura simbólica e celebra em sua honra as festas solsticiais que marcam alguns de seus cerimoniais. Aqui, em tempo, surge uma indagação: por que dizem os maçons pertencer a uma Loja de São João?

Do ponto de vista histórico, segundo uma acreditada versão a que faz referência vários autores maçons, a utilização material do termo “Loja de São João” dentro da maçonaria, remonta ao tempo das Cruzadas, quando alguns cavaleiros maçons se uniram a seus similares da Ordem de São João de Jerusalém, melhor conhecidos como Templários, e em um gesto de solidariedade, aceitaram os princípios destes últimos. Conta-se que daí em diante todas as Lojas Maçônicas passaram a se chamar “Lojas de São João”

Apesar desta explicação, que poderia ser satisfatória e suficiente aos olhos dos profanos, deixa aos praticantes da Arte Real uma lacuna, que precisa ser preenchida para regar algumas gotas do vasto manancial da ciência sagrada tradicional. Aqui, alguns estão alguns resultados:

- O nome JANUS ou JANO tem uma semelhança muito grande com a de João e não é por acaso que foi colocado pela tradição judaico-cristã em sua substituição.

- Filologicamente o nome JUAN, Johan hebraico, em grego Joanes, em persa Jehan em Salio Janes, francês Jean, John Inglês, alemão Johann, é a voz radical semítica JAN. Também tem uma estreita relação com o deus hindu GANESHA, o “senhor das duas vias” (ou da dualidade).

- Agora, se tomarmos o nome hebraico JEHOHANNAN, a tradução literal é "gracioso ou favorecido por Deus", ou seja, iluminado, iniciado. Portanto, o fato de se reconhecer como irmão um discípulo de João dentro de nossa organização é o mais correto, dado nosso caráter iniciático e tendente ao aperfeiçoamento.

JANO e o tempo:

Por outro lado, a partir de um aspecto temporal, a imagem de Janus é geralmente interpretada como um símbolo do passado (o perfil de um velho) e do futuro (o perfil de um jovem). A interpretação correta, embora incompleta, já que desde o passado que deixa de existir e o futuro que ainda não chegou, ´há uma terceira via que é o rosto invisível de Janus, olhando para essa condição e demonstrando que a manifestação temporária é apenas um “tempo inatingível”. No entanto, a manifestação transcendente do espaço-tempo é eterna, contendo toda a realidade. Esta terceira face reflete na tradição hindu o terceiro olho de Shiva, também invisível e simbólica do “senso de eternidade”, cujos olhos, por um lado reduz tudo a cinzas, destruindo tudo o que disse, mas por outro lado, quando

Além disso, a partir de um aspecto temporal, a imagem de Janus é geralmente interpretada como um símbolo do passado (o perfil de um velho) e futuro (o perfil de um jovem). A interpretação correta, embora incompleto, já que desde o passado que não é mais e o futuro ainda não existe, é uma terceira e verdadeiro rosto de Janus, invisível, olhando para isso, que a manifestação temporária é apenas um tempo inatingível. No entanto, a manifestação transcendente do espaço-tempo é eterna, contendo toda a realidade. Este terceiro rosto corresponde na tradição hindu ao terceiro olho de Shiva, também invisível e simbólico do "senso de eternidade", cujos olhar reduz tudo a cinzas, destruindo o manifestado, mas por outro lado, quando a sucessão (linha) se torna a simultaneidade (círculo), vê todas as coisas que habitam no "eterno presente".

Assim, Janus, como Shiva, é "Senhor do triplo tempo", enquanto "Senhor da Eternidade".

Entretanto, e neste sentido, a partir do ponto de vista esoterismo cristão, O Cristo domina o passado e do futuro; co-eterno com seu Pai, é como ele, "o antigo dos dias" ("in principium erat Verbum", como disse São João, com o que JANO se associa simbolicamente a Palavra Eterna) e, ao mesmo tempo que vive e reina no futuro "pelos séculos” (ciclos) há a recorrência do eterno retorno. Mas deve ser notado que o "Senhor do Tempo", obviamente, não pode se sujeitar ao tempo, assim como dizia Aristóteles, o princípio do movimento universal é necessariamente imóvel.

Etimologicamente, a palavra Juan se relaciona com o vocábulo latino JANUA, em castelhano "porta”, do que por sua vez deriva da palavra JANUÁRIUS ou janeiro, começo. Neste contexto, é interessante ressaltar o significado da palavra “porta” também existente na letra grega “DELTA”, que tem a forma de um triângulo e era usado pelos antigos simbolizando a porta de acesso aos templos iniciáticos.

JANO é o representante do ideal iniciático. Simboliza o mesmo que o “delta grego”, ou seja, a porta de entrada à verdadeira iniciação e indica perfeitamente que na Maçonaria temos e tomamos como Pedra Fundamental nossos antigos usos e costumes através dos quais desenvolvemos nossas atividades; porém, ao invés de ficarmos presos no passado devemos e temos a obrigação de utilizar essa porta com um olhar no futuro para sermos cada vez melhores e beneficiarmos nossas famílias, nossa comunidade, nossa nação e o mundo.

Portanto, a expressão "Loja de São João” – Loja do Sol, da Luz criadora – torna-se o apelido de todas as associações de iniciados, ou seja, seres humanos que cruzam o caminho para a autotranscedência através da iniciação, termo que aplicado em seu sentido mais amplo serve para designar a todos os que tem sido admitidos nos mistérios iniciáticos e mais perfeitamente, segundo o próprio Mestre, aplicado “aos verdadeiros irmãos de São João: aos mestres da sabedoria que constituem a Grande Loja Branca, a mais justa e perfeita Loja de São João na qual devemos buscar a inspiração e a origem profunda e verdadeira de nossa ordem”.