quinta-feira, 12 de outubro de 2017


OS MONGES MALDITOS

CAPÍTULO I

SEXTA FEIRA TREZE

João Anatalino Rodrigues.

Naquela sexta-feira, dia 13 de outubro de 1307, o outono em Paris tinha alcançado o seu momento mais deslumbrante. Os belos matizes dos seus lindos parques e florestas, que no verão combinavam uma profusão de cores vivas e brilhantes, haviam se transformado num amarelo pálido e opaco. E à medida que o sol tímido e distante deixava as ruas, e as sombras da tarde ocupavam os lugares que sua luz abandonava, eles iam adquirindo tons de cinza, como se o pintor daquela aquarela estivesse procurando as melhores combinações de tintas para casar a natureza da paisagem com a melancolia que a estação outonal naturalmente inspira nas pessoas. As folhas secas, caídas dos plátanos enfileirados ao longo das ruas do vetusto burgo, como se fossem sentinelas silenciosas a guardá-las, formavam um tapete quebradiço que durante o dia se desmanchava com um crack, crack irritante quando as pessoas pisavam sobre elas. E á tarde, quando o vento do outono soprava os restos das folhas esmigalhadas, elas rolavam como se fosse um exército de insetos em movimento pelas ruas empoeiradas e silenciosas da romântica e misteriosa capital francesa. 

Mas naquela insólita hora da madrugada tudo era silêncio na velha Cité e nenhuma alma viva se aventurava a enfrentar as sombrias vielas da cidade, que ainda dormia a sono solto. O frio já chegara à Paris naquela época e seus habitantes, concentrados em uma compacta mancha urbana espalhada ao longo das duas margens do Sena, que fazia o burgo parisiense se parecer com uma gigantesca aranha com pernas feitas de ruas escuras e mal cheirosas, não teriam deixado, por motivo algum, o calor de suas camas para ver o pelotão de soldados armados, que naquele momento saia pelo grande portão do Hotel de Ville, sede da prefeitura de Paris, em marcha forçada, tomando o rumo do Castelo do Templo. 

O castelo do Templo ocupava um quarteirão inteiro na margem esquerda do famoso rio, para quem olhasse Paris, posicionado em frente ao grande portal da catedral de Notre Dame. Cerca de um quilômetro e meio de uma boa caminhada por ruas estreitas e um tanto soturnas, separava os dois grandes prédios, o Hotel de Ville e o Castelo do Templo; no meio deles a imponente Catedral de Notre Dame, que juntamente com o Palácio do Louvre, residência do rei e sede do governo, eram os quatro maiores edifícios da capital francesa. 

O bairro do Templo constituía um emaranhado de casas e lojas, algumas delas com até quatro andares, dispostas ao longo de um conjunto de vielas, distribuídas em torno de um grande e soturno edifício que se plantava bem no meio daquela compacta e cinzenta massa de construções, construídas, em sua maioria, com paredes-meias, como se tivessem sido erguidas, umas para amparar as outras. Ali viviam cerca de duas mil pessoas ─ os chamados “Homens dos Templários” ─, como eram conhecidas as pessoas que trabalhavam para o Templo de Paris. Assim era chamada a multidão de pedreiros, carpinteiros, estucadores, palafreneiros, ferreiros, tanoeiros e outros trabalhadores que prestavam serviço á formidável organização multinacional que se tornara a Ordem do Templo. 

O gigantesco edifício plantado bem do meio daquele confuso conjunto de construções era o castelo do Templo de Paris, sede da poderosa Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominic, nome latino da maior e mais famosa Ordem de Cavalaria do mundo cristão. Nele habitavam os Cavaleiros Templários propriamente ditos, os homens dos “blanc mantoux”, integrantes da milícia de monges guerreiros que durante os dois últimos séculos haviam construído uma história de lendas, mistério e grandeza jamais vista antes.



Eram as primeiras horas da madrugada da sexta-feira, 13 de outubro de 1307 e nem os passos dos soldados, com suas botas de grossas solas de couro, reforçadas com chapinhas de aço nos calcanhares, ressoando no piso irregular das ruas, ou o som do trotar dos cavalos, golpeando as pedras do calçamento com seus cascos ferrados, como se estivessem tirando fagulhas de pederneiras para acender uma fogueira, teria feito o bom povo parisiense perder o sono e abrir os postigos das suas janelas para ver o que estava acontecendo. Se o fizesse veria uma tropa de cerca de cem arqueiros a pé, comandados em grupos de dez a dez por um sargento à cavalo; e à frente desse vistoso batalhão de soldados, alguns deles portando balestras, outros carregando piques, dois garbosos capitães a cavalo, vestidos com suas cotas de malha e armaduras de combate. E na cabeça os vistosos elmos de cavaleiro, abaixados para o combate. No meio dos dois, um garboso senhor vestido com calça e casaco de veludo preto, com uma túnica longa por cima, trotava altaneiro em um vistoso cavalo branco, como se fosse um rei saindo para uma caçada. Os capitães se chamavam Alan Perreilles e Reinaldo de Roies. O primeiro era o chefe de polícia da prefeitura de Paris e o segundo respondia pelo cargo de capitão comandante dos arqueiros do rei. O importante cavaleiro que se apresentava, imponente, no meio dos dois, era Messire Guilherme de Nogaret, o poderoso chanceler do reino, Guardião do Selo Real de França.

Aonde iria aquele apressado contingente de soldados àquela insólita hora? A neblina que subia do Sena cobria toda a Cité com uma nuvem espessa e úmida. Em contato com as armaduras dos capitães da tropa, o esbranquiçado vapor que impregnava o ar liquidificava e se transformava em espessas gotas de água que escorriam pelas juntas metálicas das armaduras dos cavaleiros, dando-lhes um brilho escamoso e frio, que fazia parecer ainda mais assustador aquele cortejo de soldados armados, perturbando o silêncio da madrugada com o barulho da sola de suas botas e dos cascos dos seus cavalos ferrados. 

O que estaria acontecendo? Paris estaria sendo invadida por um exército inimigo? 

Não foi senão ali pelas seis horas da manhã, quando os vendedores ambulantes começavam a montar suas barracas no Les Champeaux e os comerciantes do Halles de Paris, o seu mercado municipal, estavam abrindo suas portas, que as notícias começaram a correr. Primeiro à boca pequena, nos círculos mais próximos à Corte, depois apregoadas pelas praças, tavernas e casas de comércio e de tolerância, alcançando logo as sedes das guildas, os edifícios públicos e os espantados cidadãos das ruas, que não conseguiam acreditar no que ouviam. 

A cidade foi tomada por um verdadeiro frenesi, que somente as guerras, as grandes tragédias, ou os acontecimentos marcantes, como a morte de um rei ou a eleição de um novo papa, conseguiam eliciar. 

A notícia que convulsionava os habitantes de Paris era simplesmente a seguinte: O Castelo de Paris, sede da poderosa Ordem do Templo, havia sido ocupado pela polícia do rei e um grande número de Cavaleiros Templários encontrava-se, agora, na prisão. O próprio Grão-Mestre da poderosa Irmandade, o monge-cavaleiro Jacques de Molay, juntamente com mais três grandes dignatários da Ordem, o Preceptor da Normandia, Geoffroy de Charney, o Preceptor da Aquitânia, Geoffroy de Gonneville e o Inspetor-Visitador da Ordem, Hugues de Peyrald e mais cento e quarenta Irmãos do Templo, entre cavaleiros, sargentos, monges e outros serviçais, haviam sido detidos e estavam agora sob a guarda dos senescais do rei. 

Essa era uma notícia difícil de acreditar. A Ordem do Templo, Irmandade de monges-guerreiros existente há mais de dois séculos, havia se tornado um poder paralelo dentro do reino da França e seu oficial comandante, uma das figuras mais respeitadas do mundo cristão. Além disso, era considerado amigo do rei francês, protegido do papa e mantinha sob o seu comando um exército de combatentes, mais numeroso e melhor preparado do que as próprias forças armadas do reino de França. 

De fato, a Ordem do Templo era mais rica e melhor organizada administrativamente do que o próprio estado francês. Boa parte da estrutura burocrática do reino era exercida pelos “Homens dos Templários”. A Ordem prestava serviços públicos importantes a população. Dava esmolas aos pobres e mantinha asilos e hospitais. Geria uma boa parte da economia do reino. Eram os principais banqueiros do rei e dos nobres franceses. O que teria levado o rei Filipe, o Belo, a desencadear uma tão ousada e temerária ação contra uma organização que exercia um papel tão importante na vida pública do país? 

No dia anterior, 12 de outubro, o próprio Grão-Mestre geral do Templo, o monge-cavaleiro Jacques de Molay, posara junto ao rei no funeral de Catherine de Courtenay, esposa de seu irmão, o cavaleiro Charles de Valois. Até segurara um dos cordões da mortalha da defunta, durante o cortejo fúnebre da distinta dama. Esse era um direito seu, devido à alta posição que mantinha entre os pares de França. Destarte, nada prenunciava, na atitude do rei, a arrojada ação que ele viria a desencadear no dia seguinte contra a poderosa Irmandade. 

No entanto, o já idoso monge-cavaleiro pressentira alguma coisa na atitude do monarca. Notara que ele evitara dirigir-lhe a palavra e até de se aproximar dele. Permanecera frio e distante, como se fizesse por evitá-lo. Essa era uma atitude inusitada, porquanto, até aquele momento, os dois sempre tinham mantido boas relações, pessoais e diplomáticas. Jacques de Molay gozava inclusive do compadrio do rei, pois tinha sido padrinho de batismo de sua filha Isabel, agora rainha da Inglaterra. A jovem rainha inglesa amava e respeitava o velho monge-guerreiro e sempre o visitava quando vinha a Paris. O mesmo fazia o Grão-Mestre do Templo toda vez que ia a Londres. Assim, os laços de família entre Filipe, o Belo, e o comandante templário pareciam bastante estreitos e afetivos até aquele momento. 

Mas tudo era enganoso, como de Molay logo iria perceber. A mesma frieza ele havia sentido na postura dos dois ministros mais poderosos do reino, Messires Guilherme de Nogaret e Enguerrand de Marigny. Esses dois ministros eram os mais importantes conselheiros de Filipe, o Belo, e segundo se dizia, representavam o verdadeiro poder por trás do trono. Eles eram os dois braços do rei. Exerciam tanta influência sobre o monarca, que chegava a provocar violentos ciúmes em Carlos de Valóis, o irmão caçula do rei. 

Jacques de Molay estava bem informado das manobras desses ministros contra a organização que ele comandava. Era coisa que já vinha de algum tempo. Uma suja campanha de calúnias e difamações tinha sido desencadeada por esses dois ministros com a finalidade de prejudicar a Irmandade. Com esses perigosos indivíduos ele sabia que teria que pisar em ovos. Falar o menos possível, não dar quaisquer declarações que pudessem fornecer munição a eles, evitar até mesmo aproximação com os dois traiçoeiros cortesãos. Assim, de Molay ficou satisfeito pelo fato de nenhum deles ter se aproximado dele naquela ocasião e até evitado puxar conversa com ele. 

O mesmo não acontecia com Carlos de Valois, o irmão mais novo do rei Filipe, o Belo. Este era um cavaleiro valente e audaz, que sempre demonstrara muito respeito pelos Templários. Jacques de Molay tinha afeto e amizade por ele. Os dois eram cavaleiros, antes de tudo. Comungavam dos mesmos ideais. A Cavalaria era, para ambos, uma instituição santificada, depositária das melhores virtudes e praticante das ações mais meritórias. Representava uma tradição reconhecida e amada pelo povo, o núcleo de onde saiam seus heróis. “A Cavalaria”, dizia Valóis, “era a moldura mais perfeita da nobreza”. Todos os nobres eram cavaleiros, embora nem todos os cavaleiros fossem oriundos da nobreza. Mas a própria condição de cavaleiro já dava ao seu possuidor, ainda que não tivesse sangue azul, uma aura de nobreza.

Não era o que pensavam os ministros Guilherme de Nogaret e Enguerrand de Marigny. Para os dois burocratas ─ ambos nascidos no seio da burguesia ─ a Cavalaria não passava de uma instituição superada. Era o resquício de uma nobreza envilecida e corrompida, que perdera a sua importância para a cristandade após o fracasso das cruzadas. Aferrada ás suas tradições, essa nobreza perdulária e inútil defendia com unhas e dentes antigos privilégios que os novos tempos, em que os reinos europeus começavam a se organizar em estados nacionais, não mais podiam suportar. 

Aliás, as Ordens de Cavalaria ainda existentes nos reinos europeus constituíam um poderoso obstáculo à organização de um estado nacional. Especialmente as duas mais poderosas Irmandades constituídas pelos cruzados na Terra Santa: a Ordem do Templo e a Ordem do Hospital de São João. Juntas, essas duas instituições possuíam um quarto das terras no reino de França e geriam uma substancial parte da economia do reino. Nogaret e Marigny pensavam que a Cavalaria poderia subsistir como força militar, desde que controlada pelo Estado, mas nunca como uma organização de poder econômico e político paralelo, como sempre fora desde que Carlos Magno a instituíra e lhe conferira um status de instituição quase religiosa, com leis e fundamentos próprios, que muitas vezes se sobrepunham às próprias autoridades seculares. 

Fora o próprio Carlos de Valois que advertira de Molay sobre as acusações que Guilherme de Nogaret havia feito contra a Irmandade e o aconselhara a procurar o papa Clemente V para pedir a abertura de um inquérito, antes que o próprio Pontífice Supremo tomasse a decisão de fazê-lo, a pedido do rei Filipe. 

Valois não acreditava, segundo ele mesmo dissera ao Grão-Mestre do Templo, nas torpes imputações que estavam sendo feitas aos Templários. 

– Tenho certeza de que são calúnias e difamações, feitas por pessoas que odeiam os Templários e desejam destruí-los – disse ele a de Molay. – Mas, de qualquer modo, eu vos aconselho a tomar muito cuidado, especialmente com Messires Nogaret e Marigny. Eles estão tramando alguma coisa contra o Templo.

─ Agradeço o vosso conselho ─ respondeu o Grão-Mestre. ─ Eu já conversei com o Santo Padre a respeito e estou a par dessas insídias. 

─ Assim mesmo, ficai de olho aberto, pois algo está para acontecer ─ aconselhou Valois.

─ Se estais a par de alguma ação contra nós, agradeceria se pudesse nos informar ─ pediu de Molay. 

─ Não sei bem o que seja ─ respondeu Valóis. ─ Mas, a cerca de um mês atrás o rei despachou ordens cifradas para todas as senescalias do reino. Só ele, Nogaret e Marigny sabem o conteúdo dessas ordens.

Destarte, Jacques de Molay tinha muitos motivos para se preocupar naquele dia, quinta-feira, 12 de outubro de 1307, quando caminhava junto ao esquife de Catarina de Courtenay, segurando um dos cordões da mortalha da esposa de Carlos de Valois, cunhada do rei Filipe, o Belo. 

Não saia da sua cabeça os acontecimentos dos últimos meses. Sentia que alguma coisa estava no ar. Primeiro, a maneira evasiva com que o papa andava respondendo ás suas cartas. 

Depois havia aquele comportamento frio e distante que Filipe o Belo, havia adotado com ele nos últimos tempos. Afinal, ele era o padrinho da filha do rei. Tinha mantido, até então, uma amistosa relação de amizade com ele e uma proveitosa aliança política, militar e econômica, que aproveitava mais ao rei do que a própria Ordem do Templo. Não era segredo para ninguém que o Templo era o principal credor do estado francês e do monarca, pessoalmente. O próprio tesouro pessoal de Filipe estava, nesse momento, sob a guarda do tesoureiro do Templo de Paris, empenhado por conta de dívidas que ele contraíra com a Irmandade. 

Essa era outra questão que preocupava o atormentado Grão-Mestre. A Ordem do Templo, da qual ele era o comandante supremo, se tornara uma organização multinacional, apátrida e independente, que tinha interesses em todos os reinos europeus. Sua política era manter-se acima dos conflitos dinásticos, evitando se envolver diretamente neles. Isso lhe proporcionara, até então, gordos dividendos, pois tendo se tornado o principal banqueiro dos reinos europeus, ela aumentara de tal maneira sua fortuna e a influência política, que a muitos soberanos e também a vários setores da própria Igreja, causava uma ácida inveja. 

Geralmente era ao Templo que os nobres, os soberanos, o clero e o próprio papa recorriam para afiançar os acordos e as tréguas resultantes dos conchavos que se faziam nos bastidores políticos da época. Lugar comum era o Templo figurar como fiador e avalista de resgates e pagamentos das indenizações firmadas nessas ocasiões. Também concedia vultosos empréstimos a nobres, reis, bispos e até aos papas, para financiar projetos de construção civil, saneamento básico, aquedutos, igrejas e outras obras de interesse das autoridades seculares e eclesiásticas. E principalmente para custear as intermináveis campanhas militares, nas quais a nobreza feudal estava sempre envolvida. 

Assim, como maior banqueiro da Europa cristã, a Ordem praticava uma política de neutralidade, evitando se envolver diretamente nos conflitos dinásticos, embora isso nem sempre fosse possível. Seu objetivo visível era e devia continuar sendo a manutenção da luta contra os inimigos da fé cristã, ou seja, no caso, os sarracenos. Em função desse objetivo ela acumulara a imensa fortuna que possuía, constituída principalmente pelas rendas das terras e bens doados por nobres que haviam ingressado nos quadros da Irmandade no passado. 

Uma milícia de monges guerreiros, cuja função era defender o reino de Cristo na terra, eis a razão de existir da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo do Rei Salomão. Para isso fora fundada e dotada pela nobreza de toda a cristandade e referendada pela Igreja. Não obstante, nos últimos cem anos, desde que os reinos cristãos na Terra Santa haviam sido destruídos pelos mamelucos comandados pelo Sultão Saladino, ela se notabilizara por uma atuação mais política e econômica do que militar e religiosa. Militarmente, não participava de nenhuma campanha importante desde 1302, quando o próprio Jacques de Molay tentara, com o apoio inclusive de Filipe, o Belo, costurar uma aliança com os mongóis para recuperar Jerusalém. E quanto á religião, muita coisa, na sua liturgia e nas próprias crenças professadas internamente, havia mudado desde a sua fundação.

Com sua sede militar na ilha de Chipre e a administrativa em Paris, o Templo havia se tornado uma organização multinacional, que em reinos como Portugal, Aragão e Castela, por exemplo, fazia o papel de exército regular e em países como a Inglaterra e França desempenhavam funções estatais de grande relevância. Eles controlavam uma boa parte do aparelho burocrático desses reinos. Arquivos notariais, registros públicos, policiamento de estradas, arrecadação de impostos, comércio exterior e atividade bancária, eram algumas das atividades que os reis dessas nações delegavam ao Templo. Afora isso, os Templários possuíam seus portos particulares, administravam feiras e mercados de sua propriedade, mantinham seus próprios tribunais e possuóa, também, vilas inteiras, com suas aldeias e fazendas. Destarte, o Templo tinha interesses em todos os reinos da Europa e necessitava, por força dessa estrutura multinacional, manter boas relações com os poderes reinantes nesses países. Na estrutura feudal dos reinos europeus, o Templo, juntamente com a Igreja, era um dos maiores suzeranos, e essa relação de suzerania e vassalagem que as duas estruturas mantinham com o poder secular, não raro, era causa de sérios conflitos políticos. Dessa forma, para qualquer monarca que estivesse tentando fazer do seu reino um estado nacional, centrado na autoridade de um soberano, a primeira coisa a fazer seria enfraquecer a autoridade da Igreja; e em segundo, liquidar com a instituição do feudalismo. E por fim, destruir as Ordens militares ─ em especial a Ordem do Templo ─ enquanto organização secular, pois esta, além de representar um braço armado da Igreja ─ e muito bem armado ─ era também a lídima representante da mais importante tradição feudal: a Cavalaria.

A primeira, Filipe já havia conseguido com a eleição do papa Clemente V. A segunda, representada pela sujeição dos barões e a liquidação dos poderes da nobreza feudal era um processo que já estava praticamente concluído. A terceira etapa começava agora, com o assalto á fortaleza do Templo. Aquela sexta-feira, dia 13 de outubro de 1307, ficaria conhecida no imaginário popular como sendo um dia aziago, um dia em que as potências ocultas foram liberadas para desencadear um processo que o mundo nunca mais esqueceria.

domingo, 8 de outubro de 2017


DIÁLOGO ENTRE SIMÃO E FELIPE.


Breves comentários: Pedreiro de Cantaria.

Este diálogo foi editado por D. Knoop, GP Jones e D. Hamer, Early Catecismos maçônicos, Manchester University, 1963 e também por Philippe Langlet (recop.), Les textes fondateurs de la franc-masonnerie, Paris, 2006, pp. 561-583, com comentários. Traduzido para espanhol por JM del Río, "Vários documentos maçônicos", em Symbols, Zaragoza, 1997, pp 247-249.

Nele foi encontrado a inscrição quase ilegível: “Sr. John Page...nº 5...Bristol” e foi recebido posteriormente pelo falecido Ir.´. (Lister) Salisbury do ir.´. Cramphorn, depois de ter entregue este livro à imprensa.

Abro aqui um parêntese para observar que não existe futuro sem passado e que a maçonaria é mais antiga do que muitos pensam, divergindo tão-somente na forma.

Isso quer dizer que a maçonaria especulativa está assentada em um colchão de tradições antigas.

Se voltarmos às mais priscas eras iremos encontrar vestígios da maçonaria, tanto no que diz respeito a um sistema organizado de beneficência, quanto da proteção social e do trabalho. 

No Livro o 12º Planeta de Secharia Sitchin nos traz informações interessantes e dentre elas há o seguinte relato: “.....o profeta Ezequiel foram mostrados planos muito detalhados para o segundo templo "numa visão divina" por "uma pessoa que tinha aparência de bronze e que segurava na mão uma fita de linho e uma vara de medições". Ur-Nammu, governador de Ur, descrevia num milênio anterior como seu deus lhe ordenara que construísse para ele um templo e lhe dera instruções apropriadas, estendendo-lhe a vara de medições e a fita de linho enrolada para a execução da tarefa.


Mil e duzentos anos antes de Moisés, Gudea afIrmou o mesmo. As instruções, registrou ele numa inscrição muito longa, foram-lhe dadas numa visão. "Um homem que brilhava como os céus", ao lado de quem repousava. "um pássaro divino", "ordenou-me que construísse o seu templo". Este "homem" que tinha "uma coroa em sua cabeça" era, obviamente, um deus que foi mais tarde identifIcado como sendo o deus Ningirsu.

Há, em uma passagem bíblica algo muito parecido com o relato acima em Isaias 28 – 16, 17:

16. Portanto assim diz o Senhor Deus. Eis que ponho em sião como alicerce uma pedra, uma pedra provada, pedra preciosa de esquina, de firme fundamento, aquele que crer não se apressará;

17. E farei o juízo da linha de medir, e a justiça o prumo; e a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e as águas inundarão o esconderijo.

Mas o que há tão comum? A linha de medir, o prumo, etc.

Mas, isso é assunto para um estudo muito aprofundado, embora existam aqueles que negam a história e o vínculo citado. Vamos ao Diálogo a seguir: 

Diálogo entre Simão, maçom da cidade e Felipe, maçom que estava de passagem:

Simão: senhor, acabo de receber uma carta neste pedaço de papel. Peço-lhe que me diga o que deseja.
Felipe: estou de passagem e procurando uma certa associação e, tendo ouvido que você é um irmão maçom, me é permitido fazer contato congido. 
Simão: sois Maçom?
Felipe: sim, como tal sou tido por todos os companheiros e irmãos.
Simão: s como saberei que sois maçom?
Felipe: s palavra é justa.
Simão: se é justa, dá-me a justa.
Felipe: vou soletrar para você
Simão: dá-me a primeira letra e eu lhe darei a segunda.
Felipe: B
Simão: O
Felipe: A
Simão: Z
Felipe: a palavra é Boaz, mas dado que não vos conheço, e que, por razões de prudência não devemos responder a mais de três perguntas, pois poderíamos ser enganados por um impostor, eu te pergunto: quais são vossos sinais? 
Simão: nossos sinais são todos esquadros, ângulos e perpendiculares
Felipe: quais são vossos toques?
Simão: todos são fraternais apertos de mão e graças aos quais os irmãos se reconhecem entre si.
Felipe: quais são os pontos de vossa recepção?
Simão: ouvir e guardar os segredos de um maçom?
Felipe: como foste recebido maçom?
Simão: por três golpes dados na porta, o último depois de um duplo, dado com um intervalo e com mais força.
Felipe: qual é a primeira pergunta que o mestre faz quando de sua recepção?
Simão: me perguntou se era por minha própria e livre vontade que eu me apresentava para ser maçom. Respondi que sim.
Felipe: que vistes antes de ser feito maçom?
Simão: nada que pudesse compreender.
Felipe: que vistes depois?
Simão: três grandes luzes?
Felipe: como as chamais?
Simão: o sol, a lua e o mestre.
Felipe: onde estava vosso mestre?
Simão: no Oriente
Felipe: por quê no Oriente?
Simão: para esperar o amanhecer, a fim de enviar os homens ao trabalho.
Felipe: onde estavam os vigilantes?
Felipe: por quê no Ocidente?
Simão: para esperar que o sol se oculte a fim de que os homens deixem o trabalho.
Felipe: onde estavam os companheiros de ofício?
Simão: ao Sul
Felipe: por quê ao Sul?
Simão: para receber e instruir a todos os novos irmãos.
Felipe: onde estavam os aprendizes recebidos?
Simão: ao norte, para ouvir e calar e esperar o Mestre.
Felipe: disseste que vistes três grandes luzes: não vistes outra luz?
Simão: sim, uma, que superava em muito ao sol e a lua.
Felipe: o que era?
Simão: a luz do evangelho.
Felipe: porque foste feito maçom?
Simão: pelo amor da letra G
Felipe: o que significa?
Simão: geometria
Felipe: por que Geometria?
Simão: porque ela é a raiz e o fundamento de todas as artes e ciências.
Felipe: diga-me, eu lhe rogo, quanto dinheiro você tinha na sua bolsa, quando foste feito maçom?
Simão: absolutamente nenhum.
Felipe: e como foste feito maçom?
Simão: nem nu, nem vestido, nem 
Simão: nem nu nem vestido, nem de pé ou deitado ou ajoelhado, nem calçado e nem descalço, mas em bom estado.
Felipe: e como era esse estado?
Simão: tinha um joelho descoberto na terra, um compasso aberto em forma de esquadro sobre meu peito. E então, nesta postura, eu prestei o solene e sagrado juramento de maçom.
Simão: eu prometo solenemente, e declaro diante de Deus e diante desta assembléia respeitável, que guardarei o silêncio e nunca revelarei o que ouvi, ou seja, os segredos ou segredos dos Maçons ou da maçonaria que me tenham sido confiados, seja para um homem, mulher ou criança; Não os imprimirei, nem os colarei ou gravarei de qualquer forma que permita descobrir os segredos de um Maçom ou da Maçonaria. Isso, sob pena de ter meu coração arrancado, a língua e a garganta cortadas, meu corpo amarrado, puxado e destruído por cavalos selvagens e enterrado nas areias da praia, onde a maré subiu todas as 24 horas; ou sob pena de meu corpo ser reduzido a cinzas e dsperto para os quatro ventos, de modo que a menor lembrança de mim subsistirá. Que Deus venham em meu auxílio. Logo após, o primeiro Vigilante me colocou um avental branco dizendo-me estas palavras: “eu vos ponho a marca distintiva dos maçons, que é mais antiga e mais honorável que a Ordem dos Cavaleiros da Jarreteira.
Felipe: estou contente de constatar que sois maçom, depois do que me haveis repetido de vosso juramento. Se queres, podeis perguntar-me o que pensais oportuno.
Simão: gostaria de perguntar-te onde está vossa Loja.
Felipe: no vale de Josapha, fora do alcance das fofocas das galinhas, do canto do galo e do ladrar de um cão.
Simão: qual é a altura de vossa Loja?
Felipe: é tão alta como o céu, e tão profunda como a terra.
Simão: quantos pilares tem vossa Loja?
Felipe: três.
Simão: como os chamais?
Felipe: sabedoria, Força e Beleza.
Simão: o que representam?
Felipe: a sabedoria cria, a força sustenta e a beleza adorna.
Simão: de que Loja sois?
Felipe: da muito respeitável loja de São João.
Simão: quantos sinais possuem um maçom?
Felipe: cinco.
Simão: como os chamais?
Felipe: o sinal pedestre, o sinal manual, o sinal
Felipe: cinco.
Simão: como o chamais:
Felipe: o sinal pedestre, manual, peitoral, gutural e oral.


(ww2.uned.es/dpto-hdi/museovirtualhistoriamasoneria/3documentos_fundacionales/dialogo%20entre%20simon%20y%20felipe%201749.htm)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017



MOZART, MAÇONARIA E VIENA


Por Vitor Manuel Adrião
Extraído do blog https://bibliot3ca.wordpress.com/mozart-maconaria-e-viena/


PARAMENTOS MAÇÓNICOS DE MOZART

Na Rua Domgasse, n.º 5, encontra-se a casa em Viena de Mozart, a única que se conserva da dezena que possuiu nesta cidade austríaca. Esta casa (Mozarthaus) onde o compositor residiu com a sua família de 1784 a 1787, consta de seis salas, sendo na terceira que se podem ver objectos maçónicos comprovando a ligação profunda de Mozart à Maçonaria.

Vê-se exposta uma bonita faixa de fundo azul decorada com fios de ouro onde se bordou um triângulo com o Nome de Deus em hebraico, como seja, Yod – He – Vau – Heth = Jehovah, o Grande Arquitecto do Universo. Da faixa pende uma jóia constituída de um pelicano alimentando os seus sete filhotes. São as insígnias do Grau 18 de Cavaleiro do Pelicano ou Príncipe Rosacruz na Maçonaria Escocesa, sendo que o pelicano é a representação simbólica do sacrifício piedoso a favor do próximo em Humanidade, o que confere com a natureza mística deste Grau maçónico de característica essencialmente cristã, onde a mesma ave também aparece na simbologia eclesiástica como indicativa da Paixão de Cristo e da Eucaristia. É, em suma, o símbolo heráldico da piedade. Sob a faixa paramental aparece o avental maçónico do Grau Rosacruz de Mozart, obra bordada à mão com grande mestria onde se vê a Rosa no centro da Cruz, esta expressiva da personalidade e da matéria abrilhantada, iluminada pela flor da individualidade e do Espírito, conferindo a Paz corporal e espiritual que é o que representam os ramos de oliva em volta.


Aparece ainda um outro avental, também bordado à mão ricamente trabalhado. Nele vê-se um Templo ladeado por duas colunas tendo por cima o esquadro e o compasso com o M ao centro, que será indicativa tanto de Maçonaria como de Mozart. Trata-se do avental do Grau 16 de Príncipe de Jerusalém na Maçonaria Escocesa. É um Grau Capitular concedido por comunicação – ao contrário do anterior que é conferido por iniciação – pelo Capítulo Rosacruz ou a Maçonaria Vermelha, cor associada ao sangue do martírio em prol do Bem da Humanidade, da sua evolução moral e intelectual, a favor de uma maior ética e um mais amplo conhecimento que possa transformar o homem de simples profano e neófito em Iniciado e Mestre, assim podendo finalmente penetrar o Templo da Sabedoria Divina que é o que significa o Templo de Salomão retratado no avental.


Johannes Chrysostomus Wolfgang Theophilus Mozart nasceu em Salzburg, Áustria, em 27 de Janeiro de 1756, tendo falecido em Viena em 5 de Dezembro de 1791. Ele preferia ser chamado de Amadeus, pois o nome Theophilus, dado pelo seu padrinho Johannes Theophilus Pergmayr, que significa em grego “amigo de Deus”, tinha na sua forma latina um som mais agradável: Amadeus. Algumas vezes assinava com a forma francesa Amadè. Este incomparável génio da arte musical desde muito cedo andou de proximidades com a Ordem Maçónica, a qual jogou papel importante na sua vida e obra.


Wolfgang Amadeus Mozart foi admitido como Aprendiz na Loja Maçónica vienense Zur Wohltätigkeit (“A Beneficência”), em 14 de Dezembro de 1784. Foi elevado ao Grau de Companheiro em 7 de Janeiro de 1785, como “aumento de salário”, isto é, promoção ao nível imediato ao Aprendiz. E a sua exaltação a Mestre deverá ter acontecido pouco tempo depois, porque em 22 de Abril de 1785 ele figura já como Mestre Maçom nos arquivos da Loja. Mozart também assistiu a reuniões em uma outra Loja, chamada Zur Wahren Eintratcht (“A Concórdia Verdadeira”). Ambas as Lojas praticavam o Rito Zinnendorf, nome do seu fundador Johann Wilhelm von Zinnendorf (1731-1782), e que até hoje é o Rito mais popular no seio da Grande Loja Nacional dos Franco-Maçons da Alemanha (Große Landesloge der Freimaurer von Deutschland), próximo do Rito Sueco e do Rito Escocês Rectificado e da Estrita Observância. Este Rito Zinnendorf é explicitamente cristão e trinitário, pois não admite não cristãos nos seus altos Graus, no que explicita a crença nos Evangelhos como fonte revelada, assim como na Santíssima Trindade.

Segundo Otto Erich Deutsch, escritor e estudioso maçónico, a Loja Zur Wahren Eintratcht “era a maior e mais aristocrática de Viena. Mozart, como o melhor dos irmãos músicos, foi benvindo em todas as Lojas”. Foi apadrinhado pelo minerologista e metalúrgico Ignaz Edler von Born (Kalsburg, Transilvânia, 26 de Dezembro de 1742 – Viena, 24 de Junho de 1791). A própria Loja de Mozart, Zur Wohltätigkeit, uniu-se a outras duas em Dezembro de 1785, sob a reforma imperial da Maçonaria (o Freimaurerpatent, “Decreto Maçónico”) no mesmo mês, e foi assim que Mozart também chegou a pertencer a uma Loja chamada Zur Neugekrönten Hoffnung (“A Nova Esperança Coroada”), todas seguidoras do Rito Zinnendorf.

Após a sua Iniciação Maçónica, Amadeus Mozart compôs um “Cântico Solene para uma Loja de São João” (Lobgesang Auf Die Feierliche Johannisloge) e foi destinado à cerimónia “Cadeia de União”, que segundo o ritual em uso era como se encerravam todas as sessões das Lojas. Os primeiros versos desse cântico são:

Os sagrados laços que unem os verdadeiros irmãos,
Tal como a maior felicidade e delícias do Éden,
Para teus círculos sou sempre atraído,
Pois torna a vida bela e cheia de encantos.

LEOPOLD MOZART, MESTRE MAÇOM

Na casa de Mozart, em Viena, está exposto um singular livro maçónico do século XVIII que pertenceu ao pai do célebre compositor, Johann Georg Leopold Mozart (Augsburg, 14.11.1719 – Salzburg, 28.5.1787), ele próprio ígualmente músico e, afinal, também maçom como o filho.

Esse livro exposto na Mozarthaus é um manual contendo as fórmulas dos ritos maçónicos aprovados pela Grande Loja da Áustria (Grosse Landesloge von Österreich) e praticados pelas restantes Lojas da época, e que é dedicado ao imperador Leopold II que, entre 1790 e 1792, encabeçou um período muito favorável à expansão dos ideais maçónicos e da própria Maçonaria na Áustria.


Terá sido por influência directa do filho, Amadeus Mozart, que Leopold Mozart afiliou-se à Maçonaria, a qual já de si possuía forte influência nos meios culturais dessa época marcada pelo Iluminismo. Sob o malhete do Venerável Mestre Ignaz Edler von Born da Loja Zur Wohltätigkeit (“A Beneficência”), em Viena, Leopold Mozart foi iniciado Aprendiz Maçom em 6 de Abril de 1785, e nesse mesmo mês, no dia 16, passou ao segundo Grau de Companheiro Maçom, tendo o seu filho Amadeus comparecido a ambas as cerimónias. Por fim, em 22 de Abril desse mesmo ano, foi elevado a Mestre Maçom. Dois dias depois, pai e filho estiveram na Loja para uma homenagem ao seu Venerável Mestre, o responsável máximo da mesma, Ignaz Born, tendo Amadeus Mozart composto uma cantata para a ocasião, a K 471. No dia seguinte ao concerto, Leopold partiu para Salzburg. Nunca mais veria o filho.

Muita da obra musical de Leopold Mozart, com forte influência maçónica na sua composição, veio a perder-se ou a ser esquecida com o passar dos anos devido à sobrevalorização das obras de seu filho Amadeus Mozart, mas a Cassação em Sol para orquestra e a Sinfonia Brinquedo, atribuída no passado a Joseph Haydn, permanecem populares entre as suas sinfonias, assim como o seu Concerto para Trompete.

Leopold Mozart

Como nota de passagem, a letra K, seguida de um ou vários números, que aparece sempre nas obras de Amadeus Mozart, foi a forma que Ludwig von Kochel encontrou para organizar os seus trabalhos em 1862. O K (ou KV em alemão) é a inicial de Kochel, e os números indicam a ordem cronológica das composições. Ainda assim e transpondo o sentido da letra K para o seu significado esotérico, ela também aparece entre os cabalistas e maçons como a inicial hebraica de Kadosh e Kodesh, significando “consagrado” e “eleito”, no que é posta sob a influência sideral de Júpiter, por ser o planeta afim à mais elevada espiritualidade que, afinal, Mozart e seu pai expressaram através da música.

A Viena de Áustria do século XVIII fervilhava de ideais humanistas, nisto tendo a Maçonaria papel destacado. A Loja “A Beneficência” de Viena era uma dentre as 57 que haviam na ocasião (17 na Áustria, 7 na Boémia, 4 na Galícia, 12 na Hungria e 17 nos Países Baixos) filiadas à Grande Loja da Áustria, apoiadas pela poderosa Grande Loja da Alemanha. A Loja “A Beneficência” realizava as suas sessões no templo de uma Loja maior e mais influente, chamada “A Verdadeira Concórdia”. A Ordem floresceu principalmente pelo exemplo dado por Franz Stephen, duque de Lorraine e príncipe-consorte da imperatriz austríaca Maria Thereza. Ele tornara-se maçom em 1731, iniciado em Haia numa Loja ocasional, constituída por Theophilus Desaguiliers (que participara com John Anderson na elaboração da Constituição dos Maçons, por isso chamada Constituições de Anderson) que era Grão-Mestre da Grande Loja de Inglaterra, sediada em Londres.

Atribui-se a Franz Stephen a consolidação da primeira Loja maçónica de Viena, “Os Três Canhões” (Die Drei Kanonen), e também por ter convencido o falecido sogro e imperador, Carlos VI, a não aplicar nos seus territórios a bula papal In Eminenti, sancionada em 1738 por Clemente XII, que condenava os maçons. Desde os primórdios até 1739, a Maçonaria Austríaca desenvolveu-se de forma soberba, tornando-se o principal ponto de encontro da elite intelectual.

O Ritual adoptado para os trabalhos nas Lojas era sobretudo o Rito da Estrita Observância, ou Rito Escocês Retificado, criado em 1761 pelo barão Karl Gathen von Hundt, que compreendia três Graus Simbólicos: Aprendiz, Companheiro, Mestre, e quatro Graus Filosóficos: Mestre Escocês, Neófito, Templário e Cavaleiro Professo. A partir do início do ano de 1785, uma série de éditos desencadeou o ocaso da Maçonaria na Áustria. O Ministério da Polícia e o imperador Joseph II acreditaram nos boatos de que os maçons conjuravam a queda da Casa Real dos Habsburg e que haviam se tornado demasiado influentes, com Lojas cada vez mais ricas e poderosas. Foi então que se coibiu o crescimento acelerado das sociedades secretas e das correntes maçónicas ou paramaçónicas que proliferavam em todo o império austro-húngaro. Publicou-se um decreto de expurgo decretando que cada cidade só poderia ter, no máximo, três Lojas maçónicas.

Reorganizaram-se as nove Lojas de Viena e vários dos seus membros, por temor, afastaram-se. As exigências do imperador sobre listas de membros, cargos e outras informações, é que permitem hoje ter acesso a muitos documentos sobre a Maçonaria Austríaca, Amadeus Mozart, Leopold Mozart e a situação da Ordem no século XVIII.


CENÁRIO ORIGINAL DE “A FLAUTA MÁGICA”

Na Mozarthaus, em Viena, pode apreciar-se a maquete do cenário original da célebre ópera A Flauta Mágica (Die Zauberflöte) K 620, de Amadeus Mozart. Nele vê-se o frontispício de um templo em estilo grego, com as suas colunas, e adiante uma Deusa coroada cercada de estrelas vestida de azul erecta sobre a Lua crescente. Rapidamente pode ser associada ao figurino iconográfico de Nossa Senhora da Conceição, mas é um equívoco: trata-se da representação simbólica da “Rainha da Noite”, a Deusa Ísis, na qual se inspirou a iconografia cristã para criar a imagem tradicional da Virgem da Conceição, esta já de si, tal como Ísis, expressando a concepção ou o conceber do acto de transformação do espesso em subtil, do sólido em ígneo, do profano em iniciado pela conceição da ignorância em Sabedoria.


Essa é a Deusa da Sabedoria diante do Templo dos Sábios, cujo maior nesta ópera iniciática é Sarastro, representação esotérica de Cagliostro ou o itálico Cali Austrus, “Vento Sul” (nisto exposto como Sar Astro, palavra relacionada ao número 5 que os cabalistas afirmam ser afim ao planeta Vénus), o Adepto Maior a quem Mozart terá dedicado secretamente esta obra musical, indo assim retratar os antigos Mistérios Egípcios que, afinal, são reproduzidos na corografia ritualística da Maçonaria, pelo que na mesma ópera observa os seus conhecimentos e a via iniciática para o Conhecimento Superior magistralmente expostos.

Com efeito, a ópera em dois actos de A Flauta Mágica musicalmente é da autoria de Wolfgang Amadeus Mozart, mas o seu libreto alemão é de Emanuel Schikaneder, companheiro de Loja maçónica de Mozart. Estreou no Theater auf der Wieden, em Viena, no dia 30 de Setembro de 1791, ano da morte de Mozart.

A ópera baseia-se na filosofia do Iluminismo, e algumas das suas árias ficaram famosas, como o dueto de Papageno e Papagena, e as duas árias da Rainha da Noite. Os conceitos de Liberdade (livre-arbítrio), de Igualdade (de princípios) e de Fraternidade (universal) que assistiram à Revolução Francesa, transparecem em vários momentos da peça. Por exemplo, quando o valor de Tamino, protagonista da história, é questionado por ser um príncipe, e por tal motivo talvez não conseguisse suportar as duras provas exigidas para entrar no templo, mas vindo Sarastro em sua defesa respondendo: “Mais que um príncipe, é uma pessoa”.

Sarastro (1816)

No Acto I, A Flauta Mágica começa com uma terrível serpente perseguindo Tamino. Em termos ocultistas, trata-se da serpente do Astral ou Mundo Psíquico pondo à prova as emoções e paixões do candidato à Iniciação Espiritual. Cansado, Tamino desmaia. As Três Damas ou Virtudes (Sabedoria, Amor e Justiça) aparecem, dominam a serpente e vão avisar a Rainha da Noite (Ísis, a Verdade) da presença do jovem no seu reino. Ao recuperar os sentidos, Tamino vê Papageno cantar e tocar a sua flauta (expressiva do Som Criador pela Harmonia, Melodia e Ritmo). Papageno (o ser semi-fauno expressivo da Natureza elemental) mente a Tamino dizendo-lhe que o salvou da serpente. Mas imediatamente reaparecem as Três Damas para punir Papageno pela mentira. Elas entregam um retrato de Pamina (contraparte feminina de Pamino) a ele que logo se apaixona. A Rainha da Noite surge e pede para Tamino libertar a sua filha que está prisioneira de Sarastro. As Damas libertam Papageno e eles recebem um carrilhão (simbólico da alegria) e uma flauta com poderes mágicos (simbólica da felicidade). Tês Génios (Fortaleza, Ousadia e Coragem) irão guiá-los nos perigos da jornada (provas iniciáticas). No palácio de Sarastro (o Adepto Superior, o Hierofante), Pamina é vigiada por Monostatos (figuração do Minotauro que vivia no labirinto de Creta, criatura com corpo humano e cabeça de touro feroz). Papageno encontra Pamina e avisa-a que será libertada por Tamino, e saem felizes à sua procura. Os Três Génios guiam Tamino para o templo. No caminho toca a sua flauta, e magicamente os animais selvagens tornam-se mansos (estado edénico). Monostatos (representativo da Besta Astral que os ocultistas chamam Guardião do Umbral) e os seus escravos (os que fracassam na Iniciação e tornam-se vítimas escravas do mesmo Guardião) alcançam Pamina e Papageno, mas ao som do carrilhão eles põem-se a dançar e saem. Ao som de trombetas Sarastro chega imponente e divino, cercado de poderes invisíveis. Pamina (a Alma virgem) conta a Sarastro que fugiu por estar sendo importunada por Monostatos (as paixões ferozes, os vícios que dominam os profanos). Este entra trazendo Tamino preso (em provação). Sarastro expulsa Monostatos da Irmandade (dos Sábios ou Adeptos Perfeitos, os Superiores Incógnitos) e ordena que Pamina e Tamino realizem as provas regulares para entrarem na Irmandade Iniciática.

No Acto II, Sarastro comunica aos sacerdotes os seus planos de iniciar Tamino e pede aos deuses que iluminam o caminho dos jovens na sua demanda da Sabedoria. Pamina, sob a sua protecção deve tornar-se esposa de Tamino (união real da Alma com o Espírito, donde o conceito da Núpcia Filosófica dos antigos Rosacruzes). Pamina adormece (entorpecimento dos sentidos) enquanto Monostatos questiona a sua condição social e racial por não poder ter os mesmos direitos dos outros (alusão velada à condição feminina igualmente tida como apta a receber a Iniciação, independentemente da posição social e racial), mas é detido pela Rainha da Noite (a Sabedoria Divina, Ísis ou Sophia) que aparece. Ela entrega um punhal a Pamina e ordena-lhe que mate Sarastro (alegoria do “discípulo matar o Mestre”, como aconteceu no caso do Arquitecto fenício Hiram Abiff, mas que significa o discípulo tornar-se com o Mestre, fazer-se Adepto Perfeito por seus próprios esforços). Os sacerdotes de Sarastro conduzem Pamino e Papageno para iniciarem a prova do silêncio, onde não poderão conversar com nenhuma mulher (isto é, ceder às paixões). Pamina aparece e Tamino resiste à tentação, deixando-a desiludida. Papageno ao ver Papagena (o aspecto emocional do Mundo Psíquico), não resiste, fala com ela e fracassa na prova. Entretanto, desesperada Pamina resolve matar-se mas é salva pelos Três Génios que lhe explicam a situação (trata-se de “matar a morte”, conquistar a consciência de imortalidade tanto em corpo com em alma). Juntos, Pamina e Tamino realizam as últimas provas: a do fogo (princípio masculino, solar, criador) e a da água (princípio feminino, lunar, criação), sendo então admitidos na Irmandade (dos Filósofos, já de si Andróginos Perfeitos ou que fisicamente uniram a Alma com o Espírito). No final surgem a Rainha da Noite com as Três Damas e Monostatos, este numa última tentativa de apossar-se do poder de Sarastro, mas a Luz da Sabedoria transforma todo o Mal e acaba envolvendo a todos ao som da Flauta Mágica, dando por terminada a peça.

CRIPTA-CAPELA DE SÃO VIRGÍLIO

A cripta-capela de São Virgílio (cripta Virgilkapelle), próxima da catedral de Santo Estevão, é um dos interiores góticos melhor conservados em Viena, ainda que seja inusitado uma capela da Idade Média encontrar-se sobre uma estação de metropolitano, a Stephansplatz, por onde passam as linhas U1 e U3. Mas o facto é que esta cripta-capela esteve desaparecida durante séculos e só foi redescoberta em 1973 durante os trabalhos de construção de estação do metro, procedendo-se à remoção do entulho, ao seu restauro e finalmente a sua abertura ao público em Dezembro de 2015.

A história desta cripta-capela é ainda muito pouco conhecida. Sabe-se que datará de 1230-1246 e que foi concebida com subestrutura para a posterior construção de uma capela de estilo gótico primitivo. Estando doze metros abaixo da Praça de Santo Estevão (Stephansplatz), tem formato rectangular (aproximadamente seis metros de largura por dez de comprimento) e apresenta seis nichos, que cerca de 1246 foram decorados com pinturas de santos e cenas religiosas nas juntas e com cruzes greco-bizantinas nas absides, apresentando-se o tecto com nervuras simples. O espaço tem como centro o altar dedicado a São Virgílio, que veio a dar o nome ao espaço.


Apesar das crónicas do século XIII não mencionarem esta capela, dando origem à especulação de ter sido um projecto falhado, ainda assim atribui-se a sua construção à iniciativa de Friedrich der Streitbare (1211-1246), o último duque austríaco da Casa de Babenberg, que desejava que Viena fosse sede episcopal e para isso fez construir a cripta consagrando-a a St.º Coloman de Stockerau, destinado a patrono da nova diocese.

Este espaço subterrâneo aparece mencionado em crónicas do século XIV. É dito que no ano de 1307 a piedosa família vienense Chrannest, constituída por comerciantes cuja burguesia (donde burgomestre) detinha o poder da cidade ou burgo, adquiriu esta cripta transformando-a em capela funerária, dizendo-se ainda que o seu altar principal foi consagrado a St.º Vergilius de Salzburgo.


Capela da Madalena de Viena (1609)

Com a construção posterior da capela de St.ª Maria Madalena (Magdalenskapelle), talvez por volta de 1310-15, imediatamente acima da cripta, em 1473 Hans Viereck de Eisner mandou construir um mezanino semi-subterrâneo que se destinou a ossário, passando os serviços fúnebres e respectivas missas definitivamente para a pequena capela gótica da Madalena. Nessa época, o espaço da Stephansplatz era um vasto cemitério público murado ao lado da catedral. Daí a utilidade geral da capela de Santa Maria Madalena e da particular da cripta de São Virgílio, da família Chrannest, imediatamente abaixo daquela, hoje desaparecida mas cujo esboço em cor vermelha está desenhado no pavimento da Stephansplatz, ao lado da catedral de Santo Estevão, enquanto a cripta está esboçada em cor branca, dentro do esquisso da capela.


Com efeito, o cemitério em torno da Stephansplatz foi fechado em 1732, enquanto a capela de St.ª Maria Madalena foi destruída pela fogo em 1781 e não foi reconstruída, presumivelmente porque sem um cemitério não havia necessidade de uma capela funerária, cuja responsabilidade dos serviços e ofícios fúnebres passou a ser responsabilidade da catedral. Com o entulho da capela ardida encheu-se a cripta de São Virgílio e esta desapareceu na obscuridade e no esquecimento, até que com grande felicidade foi novamente redescoberta e mais recentemente aberta ao público como testemunha marcante e rara da cidade medieval, em pleno coração de Viena.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017


Por Luciano R. Rodrigues
Extraído do blog http://www.oprumodehiram.com.br/quando-surgiram-os-pilares-colunas-e-candelabros-na-maconaria/


INTRODUÇÃO

Com a diversidade de ritos praticados no Brasil e a falta de informação sobre alguns elementos que compõem o interior de nossas lojas maçônicas, aliado a definições equivocadas dos criadores de simbolismo sem fontes concretas para apoiar seus argumentos, muitas dúvidas surgem sobre a origem e localização dos pilares, dos globos que encimam estes, assim como os candelabros e etc.

Sendo assim, fomos buscar a origem destes elementos, chegando em nossas pesquisas, até Harry Carr, um dos pesquisadores que muito contribuiu para as publicações da famosa loja de estudos ARS Quatuor Coronatorum. Com base em suas pesquisas, segue abaixo o que a história nos conta, de acordo com a documentação ainda preservada.

PILARES

Uma das explicações sobre os pilares: “…os dois grandes pilares foram colocados na entrada, no lado sul. . . eles eram ocos, para melhor servir como arquivos para a Maçonaria, pois ali foram depositados os rolos constitucionais… Esses pilares foram adornados com dois capitéis… [e] … com duas esferas onde foram delineados, mapas dos globos celestiais e terrestres, indicando a “Maçonaria universal”.

OS PRIMEIROS DOIS PILARES NA MAÇONARIA

A aparição dos dois primeiros pilares na literatura maçônica, é descrita na história lendária que faz parte do Manuscrito Cooke (1410) e muitas versões posteriores de manuscritos chamados de Old Charges. A história diz que os pilares foram feitos pelos quatro filhos de Lamech, de modo que resistissem a temida destruição do mundo por fogo ou inundação. Um dos pilares era feito de mármore, o outro de “latrus” (uma espécie de tijolo de argila seca), porque o mármore não seria destruído pelo fogo e o de “tijolo” não seria destruído pela água. Eles foram criados como um meio de preservar “as ciências conhecidas”, que teriam sido esculpidas ou gravadas nos dois pilares.

Esta lenda remonta aos primeiros escritos apócrifos e, ao longo dos séculos, surgiu uma série de variações nas quais a história dos pilares indestrutíveis permaneceu bastante constante, embora sua construção tenha sido atribuída a diferentes heróis. Assim, Josefo atribuiu-os a Seth, enquanto outra versão apócrifa diz que eles foram construídos por Enoque. Por algum motivo, não explicado com facilidade, as primeiras constituições maçônicas favorecem os filhos de Lamech como os protagonistas desta antiga lenda, que foi incorporada nos textos para mostrar como todas as ciências conhecidas foram preservadas para a humanidade por esta prática inicial do trabalho de pedreiros.

Observamos que nos primeiros manuscritos maçônicos, os pilares não aparecem como tendo conexão com o Templo de Salomão, ligação está que surge algum tempo depois. Nos séculos XIV e XV, os dois pilares de Salomão não tinham nenhum significado especial para o artesão pedreiro (maçom).

PILARES DE SALOMÃO NA MAÇONARIA

A primeira aparição dos pilares de Salomão no ritual maçônico está no Manuscrito Edinburgh Register House, de 1696, em um catecismo associado à “Palavra do Maçom”.

A primeira referência conhecida da “Palavra do Maçom” aparece em 1637, em um registro feito pelo Conde de Rothes (Escócia), e embora nenhum tipo de cerimônia seja descrito nesse registro, é razoável supor que a “Palavra do Maçom” já era uma prática conhecida naquela data. O Edinburgh Register House é o documento sobrevivente mais antigo que descreve o procedimento real das cerimônias. O texto está em duas partes. Uma seção, intitulada “A forma de dar a palavra do maçom”, que descreve o procedimento para a admissão de um aprendiz ingressado, incluindo cerimônias para assustar o candidato, um juramento, uma forma de “saudação” e certos modos físicos de reconhecimento. Há também um procedimento separado e similar para o “mestre maçom ou companheiro do ofício”. (Apenas dois graus eram conhecidos naquele momento). A segunda parte deste texto é um catecismo de dezesseis perguntas e respostas, quinze para Aprendiz e mais dois para o Mestre ou Companheiro. É provável que essas questões, juntamente com o juramento, representem o todo o “trabalho falado” das cerimônias naquela época.

As perguntas são de dois tipos:

1 – Perguntas de teste para fins de reconhecimento.

2 – Perguntas informativas para fins de instrução e explicação.

Entre estes, encontramos pequenas dicas do início do simbolismo maçônico. Uma questão do catecismo de 1696, e em seis dos textos que surgiram logo depois, é a seguinte:

Onde surgiu a primeira loja?

No pórtico do Templo de Salomão.

O Manuscrito Edinburgh Register House é um texto completo, ou seja, nenhuma parte foi perdida ou retirada por mais de 320 anos, desde que foi escrito em 1696. De fato, existem vários textos relacionados nos vinte anos posteriores, o que demonstra amplamente a sua integridade. Vale ressaltar que, em todo esse grupo de textos, os dois pilares anteriores, construídos pelos filhos de Lamech, simplesmente desapareceram. Apenas em um documento eles são mencionados.

No Manuscrito Dumfries Nº 4, de 1710, que é um documento escocês composto por 15 folhas de pergaminho costuradas, onde diversas partes ficaram ilegíveis ou apagadas, em sua primeira parte, tem a referência aos quatro filhos de Lamech e seus dois pilares, e no catecismo, os pilares são novamente mencionados:

Onde a nobre arte ou ciência foi encontrada quando se perdeu?

Foi encontrada em dois pilares de pedra, um que não afundaria, o outro que não queimaria.

Isto é seguido por uma longa passagem de interpretação religiosa, dizendo que Salomão nomeou seus próprios dois pilares em referência a “duas igrejas de judeus e pagãos”.

O curioso é que se cita os dois conjuntos de pilares no mesmo manuscrito, os pilares de Lamech e os pilares de Salomão. Isso sugere que quando as cerimônias foram moldadas para conter as colunas B e J de Salomão, o par “indestrutível” anterior foi abandonado.

Logo após a sua primeira menção nos antigos textos rituais, estes dois pilares tornaram-se uma parte regular do “mobiliário” da loja, e é possível rastreá-los desde a sua primeira aparição até o lugar atual na loja, como segue:

(1) Sua primeira aparição como parte de uma questão no catecismo, com muita evidência de que eles tinham algum significado esotérico. Os primeiros catecismos são particularmente interessantes a este respeito, porque indicam que ambos os nomes dos pilares de Salomão pertenciam à cerimônia de Admissão do Aprendiz.

(2) Eles foram desenhados no chão da loja em giz e carvão, formando parte das primeiras versões dos nossos modernos “Painéis”. Em dezembro de 1733, as atas da Old King’s Arms Lodge nº 28, registram o primeiro passo para a compra de um “Tecido de chão”. Os “Desenhos” no chão da loja, são registrados nas atas da Old Dundee Lodge nº18, a partir de 1748. A Herault Letter de 1737 descreve o “Desenho”, e as exposições francesas posteriores, a partir de 1744, contêm excelentes gravuras que mostram os dois pilares (marcados com J e B) nos desenhos de Aprendiz e Companheiro.

(3) Entre 1760 e 1765, várias exposições inglesas indicam que os Vigilantes tinham, cada um, uma coluna representando um dos Pilares, como parte de seu equipamento pessoal na loja. O parágrafo a seguir é um exemplo: “Os Wardens (Vigilantes) têm cada um deles uma Coluna em sua mão, com cerca de vinte polegadas de comprimento, o que representa as duas Colunas do Pórtico do Templo de Salomão, Boaz e Jachin. O Senior (1º Vigilante) é Boaz ou Força. O Junior (2º Vigilante) é Jachin ou Estabilidade”. (Três Batidas Distintas, 1760).

(4) Finalmente, os dois pilares aparecem como móveis bonitos, talvez de quatro a oito pés de altura, permanecendo normalmente no extremo ocidente da sala da loja. As primeiras descrições do layout da loja nos anos 1700, mostram ambos os Vigilantes no ocidente, de frente para o Presidente da Loja. Os dois pilares foram geralmente colocados perto deles, formando uma espécie de portal, de modo que os candidatos passariam entre eles em sua admissão.

Interessante citar que as lojas que se reuniam em locais alugados, como quartos, hospedarias ou tabernas, não tem registro de tais colunas em seus inventários, já as lojas mais ricas, com local próprio e os “Masonic Halls”, já constam as colunas como parte do mobiliário.

Então, nós rastreamos os dois pilares desde sua primeira aparição, como parte de uma questão no ritual, através de vários estágios de desenvolvimento, até que eles se tornaram uma característica proeminente dos móveis da loja.

Mas as práticas modernas não são uniformes em relação aos pilares. Em Londres, por exemplo, há muito poucas lojas que possuem os pilares B e J como uma coluna no interior da loja, mas elas são sempre retratadas no painel do grau de Companheiro, além de aparecer em miniatura nos pedestais dos Vigilantes.

CAPITÉIS, DECORAÇÕES E GLOBOS

As descrições bíblicas dos pilares de Salomão originam muitos problemas, especialmente no que se refere às suas dimensões e ornamentação. Para nós, os capitéis, decorações ou globos que os encimam, são de particular interesse, por causa do desenvolvimento dos rituais durante o século XVIII.

Neste problema em particular, uma grande parte depende da interpretação do texto original em hebraico. Os capitéis aparecem em 1 Reis, VII, 16: “…e ele fez dois capitéis…”. A palavra é Ko-thor-oth = capitéis ou coroas. Mais tarde, no versículo 41, sem mencionar outras obras, o texto fala de “…as duas colunas e os globos dos capitéis…”. O hebraico lê Gooloth Ha-ko-thor-oth, e a palavra Gooloth é um problema. Goolah (singular) significa uma bola ou globo; também, uma tigela ou vaso, e várias formas da mesma raiz são usadas de forma bastante livre para descrever algo redondo ou esférico.

Nossos contatos com painéis modernos, nos acostumaram com a idéia de que os dois pilares de Salomão foram encimados por capitéis, com um globo descansando em cada um, mas isso não está comprovado. Os primeiros tradutores e ilustradores da Bíblia não foram unânimes sobre este ponto, e os vários termos que eles usaram para descrever os capitéis e etc., mostram que eles não estavam absolutamente certos quanto à aparência dos pilares.

Para dar um exemplo, a Bíblia de Genebra, de 1560, uma Bíblia ilustrada muito bonita e popular, que forneceu a interpretação de alguns dos nomes próprios e parece ter sido muito usada pelos homens que moldaram o ritual maçônico.

Em Reis, VII, v.16, “…e ele fez dois capitéis…”, há uma nota de rodapé, “Ou pommels”, ou seja, de características globulares. Nesta fase, a Bíblia de Genebra indica claramente que os capitéis eram globos ou esferas, e não as cabeças em forma de coroa para os pilares, como entenderíamos ser.

Entre as ilustrações deste capítulo da Bíblia de Genebra, existem várias gravuras interessantes do Templo e seus equipamentos, incluindo um esboço de um pilar, superado por um capitel raso, com um globo ornamental no topo. Uma nota marginal para esta ilustração diz “A altura do capitel ou bola redonda sobre o pilar de cinco côvados…” Então o capitel era uma bola redonda.

Em II Crônicas, IV, v.12, a mesma Bíblia dá uma nova interpretação “… dois pilares, e os globos, e os capitéis no topo dos dois pilares…”. Aqui é evidente que os “globos” e os “capitéis” eram duas características separadas.

Quer se incline para vasos ou globos, existe ainda outra interpretação que excluiria ambos. Os relatos em ambos os livros de Reis e Crônicas, referem-se à decoração da romã que foi anexada aos “globos” ou capitéis (I Reis, VII, v. 41, 42 e II Crônicas, IV, v. 12, 13) e, a partir dessas passagens, é uma inferência perfeitamente apropriada que os capitéis fossem “em forma de tigela”, e que não haviam vasos nem globos acima deles.

Embora os globos fossem finalmente adotados em móveis e decorações maçônicas como peças chave para os Pilares de Salomão, eles chegaram muito devagar, e durante uma grande parte do século XVIII não havia uniformidade de prática nesse ponto. O Trahi, uma das primeiras exposições francesas, contém várias gravuras que pode ser u, “Painel” de uma Loja de Recepção; na verdade, eles são Painéis para o 1º e 2º graus combinados, e outro para o terceiro grau. O Painel do Aprendiz contém ilustrações dos dois pilares, marcados com as letras J e B, ambos os pilares na arquitetura Corinthian. Há também, entre uma enorme coleção de símbolos, um rascunho que é descrito no Índice como uma “esfera armilar”, uma espécie de globo usado na astronomia para demonstrar os cursos das estrelas e dos planetas.

A Lodge of Probity nº 61, Halifax (fundada em 1738), estava em declínio sério em 1829, e um inventário de suas posses foi registrado naquele momento. Um item se lê: “Caixa com Globos e Suportes”. A Phoenix Lodge nº94, Sunderland (fundada em 1755), tem um par de globos do século XVIII, cada um montado em três pernas, de pé à esquerda e à direita do pedestal do mestrado. All Souls ‘Lodge, no 170 (fundado em 1767), teve até 1888 um belo par de globos, cada um montado em uma base de tripé, claramente do estilo do século XVIII, similarmente colocado à esquerda e à direita do Venerável Mestre. A Lodge of Peace and Unity nº314, Preston (fundada em 1797), em um recente esboço de sua sala da loja, mostra um par de globos em suportes de três pernas, colocados no chão da loja, à esquerda e a direita, um pouco a frente do 1º Vigilante.

Entre a coleção única de equipamentos de lojas conhecida como “Bath Furniture”, há um par de globos, “celestiais e terrestres”, em suportes de quatro pernas e as atas que foram apresentados a Royal Cumberland Lodge em 1805. É interessante observar que o equipamento também inclui um belo par de pilares de latão, cada um com cerca de 5 pés e 9 cm de altura, como sempre no ocidente, e cada um deles encimado por uma grande tigela de latão. Estes datam do final do século XVIII.

Neste caso especialmente, como em todos os casos citados anteriormente, não há evidências de globos em cima dos pilares de B e J.

O frontispício das Constituições de Nooryouck de 1784 é um desenho simbólico em que a parte arquitetônica representa o interior do então Free Masons Hall. Ao pé da imagem, em primeiro plano, há uma mesa longa com várias ferramentas e símbolos maçônicos, com dois globos em suportes de tripé e a descrição da imagem refere-se a “…Globos e outros Móveis Maçônicos e Implementos da Loja”.

Tudo isso sugere que os globos começaram a desempenhar algum papel na loja ou no ritual, embora ainda não estivessem associados aos pilares. Mas, mesmo depois de os globos ou tigelas terem começado a aparecer nos pilares, ainda havia dúvidas consideráveis ​​sobre o que estava correto. Isso é particularmente notável nos primeiros painéis e em aventais decorados, alguns com “vasos” e outros “globos”.

Resumindo:

(1) No período de nossos primeiros documentos rituais, 1696 a 1730, não há evidências de que os globos formaram parte do catecismo ou do ritual, e é razoavelmente certo que eles eram desconhecidos como parte do mobiliário das lojas.

(2) Por volta de 1745, é provável que a esfera ou o globo tenham sido introduzidos como um dos símbolos nos “desenhos de chão” ou nos Painéis. Não há evidências para mostrar que apareceu nos catecismos. Existem vários catecismos altamente detalhados pertencentes a esse período, 1744 e mais tarde, mas os globos não são mencionados em nenhum deles. A aparência da esfera na exposição de 1745 é a única evidência que sugere que ela tenha desempenhado algum papel nas explicações mais ou menos importantes do simbolismo, que provavelmente entrou em prática neste tempo ou pouco depois.

(3) Nos anos 1760 e 1770, as Colunas de Salomão com globos, aparecem frequentemente em ilustrações de equipamentos de loja e em aventais, mas não há uniformidade de prática. Em algumas lojas (como vimos e veremos abaixo), os globos já eram uma parte reconhecida do mobiliário da loja; Em outro lugar, eles encimam os pilares, e provavelmente eram “explicados” nas “instruções da loja”. Em outros lugares, os globos eram praticamente desconhecidos.


MAPAS: MAÇONARIA UNIVERSAL

A tradição de que os globos dos Pilares de Salomão estavam cobertos de mapas celestiais e terrestres é certamente pós-bíblica, e parece ser uma parte do enfeite do ritual no século XVIII. Podemos nos perguntar como esse interesse em mapas terrestres e celestiais surgiu e parece não haver resposta segura. Os catecismos iniciais, de 1700 a 1730, todos indicam um crescente interesse no assunto, como por exemplo:

Quão a altura de sua loja?

…chega ao céu …o céu material e o firmamento estrelado.

Quão profundo?

…ao centro da Terra.

Há também as questões mais relacionadas ao Sol, Lua e o Mestre Maçom, com variações e expansões subsequentes. Estas questões pode ser que sejam as primeiras indicações para o interesse posterior em mapas, e a esfera armilar de 1745, citada acima, leva o assunto a um novo estágio.

A Summons of the Old Dundee Lodge, datado de 1717, mostrou três pilares, dois deles encimados por globos que retratam mapas do mundo e o firmamento. Um certificado emitido pela Lodge of Antiquity em 1777 exibia, um par semelhante de mapas. Uma edição de 1768 de Jachin and Boaz tem um frontispício gravado que mostra os móveis e os símbolos da loja, incluindo dois pilares superados por globos – um com marcas de mapa bastante vagas e o outro claramente marcado com estrelas. Os vários conjuntos de globos geográficos em pares descritos acima (não “globos-pilares”), indicam um profundo interesse maçônico nos globos celestial e terrestre durante o século XVIII.

Preston, em suas “Ilustrações da Maçonaria”, edição de 1775, na seção que trata das Sete Artes e Ciências Liberais, falou um pouco sobre os globos e sobre a importância da astronomia e, claro, sobre as lições espirituais e morais a serem aprendidas deles.

Tudo isso parece sugerir que os mapas começaram a aparecer neste momento, nas partes verbais do ritual.

A introdução de mapas, “celestiais e terrestres”, levou a um desenvolvimento adicional que acabou por dar à Maçonaria, uma expressão que se tornou uma espécie de marca da Maçonaria em todos os lugares. A primeira sugestão dessa expressão apareceu na “L’Ordre des francs-maçons Trahi”, em 1745, que acrescentou uma nova pergunta a essas passagens do catecismo:

E sua profundidade?

Da Superfície da Terra ao Centro.

Por que você responde assim?

Para indicar que os Maçons estão espalhados por toda a Terra, e todos juntos formam, no entanto, apenas uma Loja.

Em 1760, o Três Batidas Distintas (o ritual dos Antigos) alterou a resposta final de forma muito eficaz:

Por que sua Loja é dita da Superfície ao Centro da Terra?

Porque a Maçonaria é Universal.

Foi assim que adquirimos o slogan “Maçonaria Universal”.

Entretanto, o primeiro texto que indica claramente os mapas como parte do ritual é o Browne’s Master Key, datado de 1802, com referência à “…os globos celestes e terrestres”.


OS PILARES COMO ARQUIVOS

Os relatos bíblicos do modelo dos pilares não fazem menção de serem vazados, embora isso possa ser deduzido do fato de que, se tivessem sido sólidos, sua remoção de Zeradatha e sua construção final em Jerusalém, teria sido uma façanha excepcional da engenharia. Em Jeremias 52 v.21, se afirma que eles de forma oca, o metal tinha a espessura de “quatro dedos”, mas não há nenhuma sugestão de que isso foi feito para que os pilares possam servir como “arquivos”, ou recipientes de qualquer tipo, ou que Salomão os usou, armazenando os rolos constitucionais.

Sem dúvida, a definição dos pilares vazios, foram projetados para atender a um propósito peculiarmente maçônico.


TRÊS LUZES, TRÊS PILARES, TRÊS CANDELABROS

Dezessete documentos maçônicos sobreviveram, datados de 1696 a 1730, e fornecem a base para o nosso estudo da evolução do ritual. O primeiro deles é o Edinburgh Register House, datado de 1696, com uma descrição valiosa do sistema de dois graus daqueles dias. O último da série é o Maçonaria Dissecada, que contém o ritual mais antigo dos três graus, e a versão mais antiga da legenda de Hiram. Em todos esses textos iniciais, o ritual era principalmente na forma do catecismo, e nós fazemos uma idéia do seu desenvolvimento durante esses trinta e cinco anos quando comparamos esses dois documentos. O primeiro contém quinze perguntas e respostas para a Aprendiz, e duas para o “Mestre ou Companheiro”. O Maçonaria Dissecada tem 155 questões ao total, ou seja, noventa e dois para Aprendiz, trinta e três para Companheiro e trinta para o Mestre Maçom.


TRÊS LUZES

Doze dos rituais mais antigos contêm uma pergunta sobre as “luzes da loja”: “… Há luzes na sua loja, sim três…” [Edinburgh Register House, 1696]. As luzes logo adquirem um personagem simbólico, mas originalmente eram provavelmente velas ou janelas, com posições específicas atribuídas a eles, por exemplo, “NE, SW e passagem do oriente”, ou “SE, S e SW”, e etc., até chegar ao Maçonaria Dissecada em 1730, que diz que as luzes são três janelas no E (Leste), S (Sul) e W (Oeste) e seu objetivo é “Para iluminar os Homens para, e em seu trabalho”. M. Dissecada distingue entre luzes simbólicas e “luzes fixas”, explicando que estas são “grandes velas colocadas em altos castiçais”.

Simbolicamente, vários textos dizem que as luzes representam “o Mestre, o Vigilante e o Companheiro”. Quatro versões dizem “Pai, Filho e Espírito Santo”. Três outros dizem ser doze luzes: “Pai, Filho, Espírito Santo, Sol, Lua Mestre Maçom, Esquadro, Régua, Prumo, Linha, Maço e Cinzel”. Todos estes são do período 1724-26.

Maçonaria Dissecada diz “Sol, Lua e o Mestre Maçom” e depois da pergunta “Por que? ”, ele responde: “Sol para governar o Dia, Lua da Noite e Mestre Maçom sua Loja”. Mestre maçom neste caso se refere ao presidente da loja ou o atual Venerável Mestre.

Então nós rastreamos as luzes da sua primeira aparição em nosso ritual até o ponto em que elas adquirem o seu simbolismo moderno.

TRÊS PILARES

Uma definição moderna: Nossas lojas são apoiadas por três grandes pilares. Eles são chamados de Sabedoria, Força e Beleza. Sabedoria para construir, Força para sustentar e Beleza para adornar, mas como não temos ordens nobres em arquitetura conhecidas pelos nomes de Sabedoria, Força e Beleza, nos encaminhamos para as três mais célebres, que são, a Jônica, Dórica e Coríntia.

Os problemas relacionados ao mobiliário da loja, não terminam com os dois pilares de Salomão. Já em 1710, um conjunto inteiramente diferente de três pilares faz sua aparição nos catecismos e exposições. Eles aparecem pela primeira vez no Manuscrito Dumfries Nº4, datado de 1710:

Quantos pilares estão em sua loja?

Três.

Quais são esses?

O esquadro, o compasso e a Bíblia.

Estes três pilares não aparecem novamente nas onze versões dos catecismos entre 1710 e 1730, mas surge a questão, com uma nova resposta, na Maçonaria Dissecada:

O que apoia uma loja?

Três grandes pilares.

Como são chamados?

Sabedoria, força e beleza.

Por quê?

Sabedoria para contruir, Força para sustentar e Beleza para adornar.

Perguntas quase idênticas apareceram no Manuscrito Wilkinson, de 1727 e em toda uma série de exposições inglesas e europeias ao longo do século XVIII, invariavelmente com a mesma resposta: “Três. Sabedoria para construir, Força para sustentar e Beleza para adornar”. Mas as descrições do mobiliário da loja no início dos anos 1700, não mencionam nenhum conjunto de três, e parece evidente que essas questões pertencem a um período bastante longo, antes que houvesse alguma ideia de transformá-las em móveis reais na sala da loja

Os primeiros inventários de loja são escassos demais para nos permitir tirar conclusões definitivas da ausência de referências a itens específicos de mobiliário ou equipamento da loja. Embora seja bastante certo, portanto, que as lojas operativas iniciais eram pouco decoradas, e fica evidente, nos registros sobreviventes do século XVIII, que na década de 1750, já havia uma série de lojas razoavelmente bem equipadas.

Um conjunto de três pilares foi mencionado nos registros da Nelson Lodge em 1757, e a Lodge of Relief, Bury, comprou um conjunto de três pilares, para o Mestre da Loja e seus Vigilantes, em 1761. Até hoje, a antiga Lodge of Edinburgh (Mary’s Chapel), Nº l, agora com quase 400 anos, usa um conjunto de três pilares, cada um com cerca de três metros de altura. O pilar do Mestre fica no Altar, quase no centro da Loja, os outros dois ficam no chão à direita do 1º e 2º Vigilantes, respectivamente. (Lá, os três principais oficiais não têm pedestais).

A Maçonaria Dissecada permaneceu a principal influência do ritual inglês até 1760, quando uma nova série de exposições inglesas começaram a aparecer, exibindo uma expansão substancial nas cerimônias e na sua interpretação especulativa. Três Batidas Distintas apareceram em 1760, e J. & B. em 1762, alegando expor os rituais das Grandes Lojas rivais, dos “Antigos” e “Modernos”. Ambos agora incluíram várias perguntas e respostas novas sobre “Os três grandes pilares”, concordando que “eles representam… O Mestre no Oriente, o 1º Vigilantes no Ocidente e o 2º Vigilante no Sul”, cheio explicações de seus deveres individuais nesses cargos.

Parece provável que essas questões tenham sido originalmente destinadas apenas a marcar as posições geográficas dos pilares, mas nesse período de desenvolvimento especulativo, as explicações foram quase inevitáveis.

TRÊS CANDELABROS

Além da nota de Prichard na década de 1730 em “grandes velas colocadas em castiçais altos”, a primeira evidência de uma combinação desses dois conjuntos de equipamentos está nos registros da Lodge of Felicity nº 58, fundada em 1737, quando o Loja pediu “Três castiçais a serem feitos de acordo com as seguintes ordens, 1 Dórica, 1 Jônica, 1 Coríntia e de mogno…”. No inventário da loja em 1812, eles se multiplicaram e foram listados como “Seis castiçais grandes. De mogno com suportes de latão, feitos pelas três ordens”. Em 1739, a Old Dundee Lodge fez um conjunto similar, que está em uso ainda hoje.

A conexão talvez não seja imediatamente óbvia, mas estes foram os estilos arquitetônicos associados aos atributos dos três pilares pertencentes ao Mestre e Vigilantes, “Sabedoria, Força e Beleza”. O simbolismo maçônico dos três pilares tinha sido explicado por Prichard em 1730, e é quase certo que estas duas lojas estavam colocando suas palavras em forma prática quando tiveram seus castiçais feitos nesses três estilos.

Esses dois exemplos iniciais podem servir de ponteiro para o que estava acontecendo, mas ainda não era uma prática geral, e as evidências iniciais de seu uso combinado são escassas. Mas podemos traçar os conjuntos de três pilares desde a sua primeira aparição no ritual como uma questão puramente simbólica, na qual eles apoiam a Loja, e são chamados de “Sabedoria, Força e Beleza”. Mais tarde, eles representam os três principais oficiais, no Oriente, Sul e Ocidente. A partir do momento em que foram explicados desta forma, de 1730 a 1760, é bastante seguro assumir que eles estavam começando a aparecer nos desenhos, tapetes de chão ou painéis. Sabemos, é claro, que eles apareceram regularmente nas versões posteriores, mas o padrão geral de sua evolução parece indicar que quase certamente foram incluídos em muitos dos primeiros desenhos que não sobreviveram.

Na década de 1750 e 1760, temos evidências definitivas, que conjuntos de três candelabros (ou pilares) já estavam em uso como mobiliário em várias lojas, e isso acrescenta um forte apoio à visão de que eles já haviam aparecido nos Painéis (Tracing Boards). Quando, no final do século XVIII, as salas das lojas e os Masonic Halls estavam sendo criados para uso frequente ou contínuo, os três candelabros tornaram-se uma parte regular dos móveis, ocasionalmente por vontade própria, mas com mais frequência como bases ornamentais para as três “luzes menores”, combinando assim as duas características separadas com a que é frequentemente vista hoje.


O DESENVOLVIMENTO DO SIMBOLISMO MAÇÔNICO

O crescimento do número de símbolos, como ilustrado nas exposições francesas da década de 1740, e nas versões inglesas da década de 1760, merece algum comentário. No Grand Lodge Museum, há uma coleção de modelos de metal pintado, pertencendo aparentemente a vários conjuntos diferentes. Existem pilares com globos, um conjunto de dois pequenos pilares sem globos e um conjunto separado de três pilares. Há também um conjunto de modelos de “Capitéis”, ou seja, apenas a parte superior dos pilares, claramente projetados para adicionar os globos.

Todos estes, com muitos outros símbolos, foram utilizados nos desenhos feitos no chão da loja. Era parte do dever do Mestre explicar os “desenhos” ao candidato, imediatamente após ter sido ingressado. Parece que não houve nenhum ritual definido para este propósito, e as explicações eram, sem dúvida, improvisadas.

A partir de 1742, há evidências substanciais de que o número de símbolos aumentou consideravelmente, e isso parece indicar uma expansão real nas “explicações”, todo um fluxo de exposições inglesas que começaram a aparecer a partir de 1762, possuem algum tipo de dissertação semelhante aos símbolos contidos nos painéis.

Muitos desses símbolos antigos, que aparecem frequentemente nos painéis dos graus do século XVIII e em gravuras contemporâneas, agora desapareceram de nosso funcionamento moderno, entre eles a Trolha, a Colmeia, a Ampulheta, etc.

Neste breve texto, confinei-me apenas a alguns itens simbolizados de nossa loja atual, cujas origens podem ser obscurecidas devido à padronização, mas existe todo um mundo interessante na simbologia remanescente da maçonaria.

Um ritual do REAA em utilização hoje no Brasil nos dá a seguinte ideia: “Sustentam nossas lojas três colunas denominadas Sabedoria, Força e Beleza. Sabedoria de Salomão para construir (Jônica), Força de Hiram Rei de Tiro para sustentar (Dórica) e Beleza de Hiram Abiff para adornar (Coríntia).

Logicamente, devido a diversidade de estrutura organizacional das potências brasileiras, teremos muitas variações do simbolismo destas três colunas, mas todas convergindo para o mesmo propósito.

Bibliografia

Manuscrito Cooke – 1410
Manuscrito Edinburgh Register House – 1696
Manuscrito Dumfries Nº 4 – 1710
Manuscrito Wilkinson – 1727
Maçonaria Dissecada – Samuel Prichard – 1730
Herault Letter – 1737
Le Catéchisme des Francs-maçons – 1742
L’Ordre des francs-maçons Trahi – 1745
Three Distinct Knocks – 1760
Jachin and Boaz – 1762
Ilustrações da Maçonaria – William Preston – 1775
Browne’s Master Key – 1802
The Two Earliest Masonic MSS – Knoop, Jones and Hamer – 1938
The Early Masonic Catechisms – Knoop, Jones and Hamer – 1943
Transactions of Quatuor Coronati Lodge Nº 2076, UGLE, Vol 64 – Harry Carr – 1962

domingo, 24 de setembro de 2017



AS INICIAÇÕES DOS DRUÍDAS

Revista Hiram Abif - Edição 65 - julho de 2005
Tradução: Pedreiro de Cantaria

Desde a minha iniciação tem sido uma constante preocupação estudar as diferentes formas e representações das iniciações da antiguidade e sua relação com a Maçonaria. Em outras ocasiões, mostrei-lhes as iniciações de Eleusis, dos essênios, dos egípcios e de algumas culturas pré-hispânicas no nosso país.

No presente trabalho tenho por objetivo apresentar o que pude recompilar sobre as iniciações dos druidas, pois é importante saber sobre o nascimento e o desenvolvimento deste culto, tanto por causa da influência tão decisiva que tiveram no desenvolvimento civilizatório das hordas selvagens que perambulavam pelo norte da Europa, bem como o caráter iniciático do dito culto, que em suas origens está intimamente relacionado com o Egito e a Grécia e também pela afinidade de seus ritos e mistérios com a maçonaria moderna.

A religião e os mistérios druídicos foram importados para a Europa pelos Kimris ou Cimbres que viveram na Crimeia e que, em 600 aC. invadiram as regiões do norte e do oeste.

Gradualmente, eles se estabeleceram no vasto território que fica entre a Escandinávia e as cadeias montanhosas dos Alpes e dos Pirenéus.

Os chefes destes foram chamados Drotes na Escandinávia e DRUIDAS na Gália, e foram divididos em três classes: os Vates, os Bardes e os Eubages. Os Vates eram os guardiões dos dogmas secretos da religião e da filosofia, e preenchiam os papéis dos sacerdotes e dos juízes; sem eles os sacrifícios não podiam ser feitos aos Deuses, nem a justiça para os homens.

Os bardos eram poetas que compunham hinos e cantaravam nas cerimônias de adoração os atos heróicos da nação e os dos seus grandes homens.

Os Eubages eram os augures ou adivinhos; descobriam o futuro nas entranhas das vítimas sacrificadas, tinham a seu cargo o governo civil e da agricultura, e também organizava os calendários. Os druidas não tinham templos, pois consideravam o Universo como o único templo digno da glória de Deus e da admiração do homem. Na morte do grande sacerdote, eles escolhiam entre eles, pela pluralidade de votos, quem deveria sucedê-lo. Isso está relacionado ao costume que se tem nas Lojas atuais a respeito de quem sucede o Venerável.

Saídos das florestas, faziam suas assembleias no campo aberto; Alí eles ofereceram seus sacrifícios e realizavam suas cerimônias religiosas em torno de uma coluna de pedra ou uma grande árvore, escolhendo de preferência os carvalhos aos quais tinham uma veneração especial; não se apresentavam diante do povo a menos que tivessem algum negócio público que tornasse sua presença indispensável.

Reconheciam, também, outros deuses subalternos dependentes do Supremo Criador; acreditava na imortalidade da alma e na Metempsicose, mas o principal objetivo de seus cultos era a natureza. Como no Egito, eles comunicavam a instrução sagrada através da iniciação a todos aqueles sujeitos que pareciam aptos e dignos de recebê-la.

Para adquirir a soma do conhecimento preparatório exigido aos discípulos, era necessário, pelo menos, 20 anos de estudo profundo e contínuo; sem livros, nenhuma tradição escrita ajudou a sua memória, porque eles não queriam se expor por acaso ou por qualquer situação imprevista a um olhar profano que pudesse penetrar no segredo de seus mistérios. Após testes e exames muito rigorosos, eles concediam a iniciação aos alunos.

Desde o momento em isso acontecia, os neófitos tornavam-se iguais aos seus professores e assim como aqueles foram objeto de uma maior veneração entre as pessoas. As florestas de Dreux foram consideradas como residência e foco principal da iniciação e na Grã-Bretanha eles estabeleceram seu colégio supremo na Ilha de Man, que na época era conhecido pelo nome de Mona.

Embora existam poucas notícias sobre suas cerimônias secretas, é sabido, no entanto, que eles tinham um altar triangular, a espada de Belino (deus de sol de Belém) e um baú místico. Quando os romanos se instalaram na Gallia e na Bretanha, César ficou irritado com os druidas, e Cláudio acabou aniquilando-os com uma perseguição feroz, mas no século IV ainda havia vestígios que testemunhavam sua existência, preservando-se em todo seu vigor na Germania e na Escandinávia, onde todos os que haviam escapado do extermínio geral haviam se refugiado, de modo que, no século XII, ainda viviam lá em um estado florescente

Por essas datas, os encontramos misturados com outros ritos e é por isso que perderam sua antiga pureza. Esses ritos foram importados do Oriente pelos habitantes da tribo de Asi (asiáticos). No último século foi encontrado o EDDA, ​​livro sagrado dos escandinavos, contendo detalhes sobre as iniciações desses povos. Aqui está um trecho do que o irmão Clavel nos contou sobre isso em seu livro "A História Secreta da Maçonaria”:

“O EDDA” principia com um canto que tem por título “Os Presságios de Har”, e que sem dúvida contém uma descrição das cerimônias tradicionais para a recepção do profano. O postulante se chama GILFE, ou seja, lobo iniciado.

Ele é instruído nas ciências dos Asi (asiáticos), que ocultam o maior mistério. Os Asi, eram uma espécie de videntes e viam aparentes prodígios, eles viam um palácio cujo teto subiu até que se perca de vista, está coberto de escudos dourados. À entrada deste palácio, ele encontra um homem que se exercita no ar jogando sete floretes de cada vez.

Se reconhece, em tudo isso, um emblema comum a todas as iniciações: o palácio é o mundo; o teto é o céu; os escudos dourados, as estrelas do firmamento e os sete floretes, os sete planetas que cercam o espaço que forma o sistema ao qual pertencemos (não devemos esquecer que apenas sete corpos celestes eram conhecidos naquele momento) Se pergunta ao candidato qual é o seu nome e ele responde ser chamado Gangler, isto é, aquele que dá uma volta e distribui no caminho os objetos necessários aos homens. Assim, já vemos o candidato representando o Sol.

Este sabe que o palácio em que se encontra pertence ao Rei, título que os antigos mystagogos davam ao chefe do sistema planetário (o sol).

Em seguida descobre três tronos elevados, um em cima do outro. Ele é informado de que o personagem sentado no trono inferior é o rei e se chama HAR (sublime); que o segundo é FAFUHAR (igual ao sublime), e que o mais alto é chamado TREDIE (o número 3). Todos esses personagens são os mesmos que o neófito viu na iniciação eleusiana: o hierofante, o daudoque ou daudoco e o epibamo, que também são os mesmos que são vistos na maçonaria simbólica ou azul: o Venerável (o hierofante), o 1º Vigilante (daudoque) e o segundo Vigilante (epibano) imagens simbólicas o sol, a lua e do Grande Arquiteto do Universo.

Entre as instruções dadas ao neófito, ensina-se que o primeiro ou mais antigo dos deuses é chamado ALFADER (Pai de todos, é o Tentat dos Gauleses). Dizem que este deus tem doze nomes, que se refere aos doze atributos do sol e aos doze grandes deuses dos egípcios e romanos. Completa suas instruções, com a exposição da Teogonia e a Cosmogonia dos escandinavos.

No número de deuses desta mitologia, particularmente Balde o Bom, que morreu aos golpes do espírito maligno. É plausível que este mito funerário tenha sido posto em prática no cerimonial da iniciação escandinava, de acordo com o uso invariável de todos os mistérios antigos e modernos.

Uma circunstância que não deve ser esquecida, é que na EDDA é uma alegoria que tem uma relação especial com a lenda maçônica. Lê com efeito, no canto 21: GANGGLER a pergunta: de onde vem o cavalo SLEIPNER do qual você me fala? HAR responde: um dia um certo arquiteto, ofereceu-se aos deuses, edificar-lhes, no espaço de duas estações, uma cidade muito bem fortificada, de modo que sem medo ele estaria perfeitamente protegido de incursões de qualquer tipo de gigantes, mesmo que tivessem chegado a penetrar no recinto de MIDGAR (a morada do centro).

Mas, em recompensa, o arquiteto pediu a deusa FREYA (a Vênus escandinava, a natureza) e mais o sol e a lua. Depois de uma longa deliberação, os deuses concordaram com ele na condição de que todo o trabalho fosse concluído, sem a ajuda de qualquer pessoa, no espaço de um único inverno, e que se, durante o primeiro dia do verão, restasse algo a ser feito, ele perderia sua recompensa. Ao ouvir isso, o arquiteto pediu permissão para usar seu cavalo, e os deuses, com a proposta de LOKE (o princípio do mal), concordaram com sua demanda.

Este trato foi confirmado por muitos juramentos e deposições de muitas testemunhas, pois sem essa precaução, um gigante nunca poderia ter acreditar estar seguro entre os deuses, especialmente se THOR estivesse de volta das jornadas que ele havia realizado para o leste para derrotar os gigantes . Desde o primeiro dia, o trabalhador fez seu cavalo conduzir durante a noite, pedras de extraordinária magnitude e peso, e os deuses viram com surpresa que este animal trabalhava muito mais do que seu mestre.

No entanto, o inverno estava se aproximando e, como o arquiteto estava perto de terminar seu trabalho, a construção daquela cidade tocava também a sua perfeição e, finalmente, quando faltavam apenas três dias, o trabalho foi concluído, com exceção das portas que ainda não tinham sido colocadas.

Os deuses se encontraram no conselho e se perguntaram quem deles poderia propor que FREYA se casasse na terra dos gigantes e deixasse o céu e os espaços na Escuridão, permitindo que fossem levados ao sol e à lua , todos concordaram que LOKE era o autor de tão mau conselho e que era necessário fazê-lo sofrer uma morte cruel, encontrar alguns meios que frustrariam a recompensa prometida ao trabalhador. No momento, eles tomaram LOKE, e ele ficou assustado, e ele prometeu fazer o que quisesse, seja lá o que custasse.

Na mesma noite, o arquiteto, como de costume, levava pedra em seu cavalo; quando de repente um burro saiu da floresta chamando o cavalo com suas tranças. Nem bem tivessem acabado de perceber o cavalo, ele entrou em fúria, quebrou os freios e correu atrás do burro; o obreiro quis correr atrás do seu cavalo e não tendo conseguido encontra-lo durante toda a noite, a obra foi adiada até o dia seguinte.

Convencido, no entanto, o arquiteto de que não havia outro meio de completar a tarefa, ele tomou sua forma natural e, vendo claramente os deuses que eram, de fato, um gigante com quem eles fizeram o acordo, ignoraram seus juramentos e chamou o deus THOR, que veio imediatamente e pagou ao trabalhador seu salário, golpeando-o com o maço na cabeça, deixando-o em pedaços e depois o mergulhou em NIFTHEIM (inferno). Um pouco depois, LOKE voltou, dizendo que o cavalo do arquiteto produziu uma galinha que tinha 8 pernas.

No canto 12, se lé, ainda, que Balder possuía um palácio, onde colunas foram encontradas em que os RUNES (sinais característicos da escrita escandinava) foram gravados para evocar os mortos. Além disso, essa alegoria não é peculiar à mitologia de Odin, pois nela se encontram muuitos traços das fábulas do paganismo ".

Até aqui, o resumo feito por Clavel, mas como comentário a margem é necessário observar com respeito ao descrito acima, como quando na passagem que o burro chama com suas tranças o cavalo, a alusão é feita a chegada da primavera; e nas 8 pernas do frango, o número de sucessões das gerações.

É necessário esclarecer que as DRUIDESAS eram sacerdotisas druidas, uma espécie de magas que pertenciam a Ordem deles, mas sem suas próprias prerrogativas e divididas em três classes: as sibilas ou magas, que davam os oráculos e anunciavam o futuro. Elas deviam permanecer virgens e ter o mais escrupuloso cuidado no exercício de suas funções sacerdotais, pois o menor descumprimento era severamente punido. Muitos viveram nas selvas e em lugares remotos onde exerciam seu ministério, tendo um predomínio misterioso sobre os povos que cuidavam de sua subsistência, deixando comida para elas no lugar que designavam com toda antecipação.

As do segundo grupo podiam se casar, mas quase não tinham tempo desocupado já que a maior parte do dia e às vezes da noite, elas o ocuparam nos recintos sagrados, no serviço ao culto. Os últimos eram aqueles que desempenhavam as funções mecânicas nos Colégios Sagrados.

Após a destruição das Galias e dos Colégios Druídicos por Julio Cesar, as iniciações antigas acabarram. Sobreveio um longo sono secular. A maçonaria filosófica que não existia de fato ou de nome, foi concebida e registrada em três rituais em 1646 por Elias Ashmole, que foi quem encontnrou as bases destas antiguas iniciaiações e nelas se baseou para elaborar as liturgias dos três graus azuis, que com muito poucas variações chegaram até nossos dias nossos dias.

Em geral, é a informação coletei sobre os Druidas, no entanto, ao analisar esta informação, podemos conhecer alguma coisa sobre as origens dos nossos rituais e iniciações, para os meus IIr.´. Mestres não lhes deve deixar passar a similitude de alegorias e para meus IIr.´. Aprendizes se com esta obra lhes desperto a curiosidade pelas iniciações antigas e sua similitude com a Maçonaria Moderna, então, este trabalho cumpriu sua missão. 

Blog PEDRA BRUTA – ARLS Plutarco – Elias Calles nº 94 – GLM do Valle do México e das listas maçônicas na Web.