quinta-feira, 24 de outubro de 2013

DIVERSAS GRANDES LOJAS, FRANÇA, ALEMANHA, ETC. - CAPÍTULOS DE HISTÓRIAS MAÇÔNICAS PARTE XIII

PARTE XIII - DIVERSAS GRANDES LOJAS, FRANÇA, ALEMANHA, ETC.

O presente capítulo encerra esta série de artigos do Clube de Estudos. Nenhuma tentativa foi feita para publicar uma história exaustiva e crítica da Maçonaria, mas sim a finalidade foi elaborar um esboço rápido das fases mais importantes da história que os iniciantes podem achar útil. Segundo o costume do Clube de Estudos interromperemos em Julho e Agosto, e retomaremos em Setembro, com uma nova série sobre a história da maçonaria americana, a menos que as circunstâncias tornam necessária uma mudança nos planos quanto ao tema. No capítulo do último mês foram dados breves esboços da Maçonaria na Irlanda e na Escócia e de duas Grandes Lojas da Inglaterra, e agora é o momento de tratar da mesma forma outros países, o primeiro dos quais a ser considerado é 

1. MAÇONARIA NA FRANÇA

Os primeiros protagonistas da Maçonaria na França são figuras quase míticas, e se movem em um nevoeiro de rumores e conjecturas, de modo que é extremamente difícil encontrar o caminho entre eles com qualquer garantia de segurança. As condições não eram tão favoráveis para a Instituição quanto no Reino Unido; o estado político dos assuntos constantemente interferia com o desenvolvimento das lojas; os próprios franceses, com suas mentes Latinas não tinham pela Maçonaria o mesmo instinto que seus irmãos Ingleses. Como todos os homens de seu sangue eram mais apaixonados e mais lógicos e, portanto, mais dados a chegar a extremos; além disso, o espírito aristocrático era forte entre eles, especialmente durante o século XVIII, de modo que muitos deles estavam impacientes com as cerimônias simples da Maçonaria dos Três Graus, e logo começaram a trabalhar para fabricar um sistema de graus após o outro, mais adequados às suas inclinações aristocráticas. 

Alguns escritores, o Irmão Robert I. Clegg entre eles, acreditavam que já em 1721 lojas do tipo Tempos Imemoriais, sem carta constitutiva da Inglaterra foram organizadas na França; o irmão Clegg nomeia uma delas em Mons e outra em Dunquerque. Mas, a corrente principal da tradição conta que a primeira loja foi fundada em Paris em 1725 pelo Conde de Derwentwater e seus companheiros Jacobitas, que haviam fugido da Inglaterra após a queda da dinastia Stuart. Ainda há muita incerteza sobre isso. Gould cita uma “publicação alemã” no sentido de que em 1736, o Conde de Derwentwater foi escolhido Grão-Mestre pelas Lojas francesas para “suceder James Hector Maclean, o Grão Mestre anterior”. Lalande, o astrônomo, foi o responsável pela narrativa de 1725 em seu Franche-Maçonnerie publicado em 1773; Rebold seguiu Lalande nisso, e assim também o fez o Dr. Oliver. O Abade Robin, um dos fundadores da Loja das Nove Irmãs (da qual Voltaire era membro) publicou em 1776, Estudos sobre a Antiga e Moderna Iniciação no qual ele diz que a Maçonaria francesa originou-se em 1720. Clavel diz que a primeira loja em solo francês foi a Friendship and Fraternity, em Dunquerque, fundada pela Grande Loja da Inglaterra em 1721. Hughan, que fez pacientes pesquisas deste assunto, disse que o primeiro registro histórico da fundação de uma loja francesa foi aquele mencionado na Engraved List para 1734 de Pine, como tendo sido fundada em 03 de abril de 1732, e se reunia na taverna Louis d'Argent na Rue des Boucheries, em Paris. 

Mas, quando e por quem quer que tenha estabelecido as primeiras lojas francesas, eles não encontraram facilidade nisso, quer no país ou entre si mesmos; houve falta generalizada de acordo e muitas brigas. Thory, que era um estudante cuidadoso de documentos, nos dá uma imagem disso em seu Historie de la Fondation du Grand Orient: “A Maçonaria estava, então, em tal condição de desacordo que não temos qualquer registro ou relatório oficial de suas Assembleias. Não existiam quaisquer órgãos organizados nos moldes das Grandes Lojas, como eram conhecidos na Inglaterra e na Escócia. Cada loja em Paris ou no reino era propriedade de um indivíduo chamado Mestre da Loja. Ele governava o corpo que ele presidia de acordo com sua própria vontade e prazer. Estes Mestres de lojas eram independentes entre si. Cada organismo não reconhecia outra autoridade que a sua própria. Eles concediam a todos os candidatos o poder de manter lojas e, assim, adicionavam novos Mestres aos antigos. De fato, pode-se dizer que até 1743, a Maçonaria apresentava na França sob o Grão Mestrado de Derwentwater, Lord Harnouester, e o Duque d'Antin um espetáculo da mais revoltante anarquia.” 

De acordo com Thory, o início da primeira Grande Loja legal na França começou em 11 de dezembro de 1743, quando alguns Mestres de lojas se reuniram em assembleia e elegeram Grão Mestre o Conde de Clermont; este corpo adotou o título e Grande Loja Inglesa da França, que em 1756 foi alterado para a Grande Loja National da França. Este novo organismo caiu muitas dificuldades logo no início. Por um lado, os Mestres tinham cargos vitalícios, e as lojas eram organizadas de modo que cada uma era praticamente propriedade privada do seu Mestre, conforme citado acima; isso tornava a supervisão geral das atividades da Maçonaria muito difícil; por outro lado, como resultado do celebrado discurso do Chevalier Ramsay em 1737, novos graus começara a aparecer por todos os lados, e isso provocou uma enorme confusão 

O Conde de Clermont, depois de ter perdido seu interesse, nomeou como Adjunto para atuar em seu lugar em 1744 um certo Baure, que foi negligente com seus deveres, e durante seu mandado a Maçonaria irregular e espúria floresceu. Um Adjunto mais famoso foi Lacorne, um mestre de dança, nomeado em 1761. Após sua eleição, pior confusão se seguiu até que finalmente os assuntos estavam em tal estado de anarquia que em 1767 o governo proibiu novas assembleias da Grande Loja. Com a morte de Clermont em 1771, a Grande Loja foi dividida em duas, com a facção Lacorne fazendo um acordo problemático. O Duque de Chartres - um nome de mau agouro na história da Maçonaria Francesa - foi eleito Grão Mestre, em grande parte pela ação da facção Lacorne. 

É impossível em um limitado espaço fornecer uma narrativa da confusão que existia por alguns anos; é suficiente dizer que, no final a antiga Grande Loja ficou moribunda e sobre suas ruínas foi erguido o Grande Oriente, um nome inventado na época, aparentemente, desde então utilizado em muitos países. O Grande Oriente se comprometeu a garantir o controle de todos os “altos graus”. Ele realizou sua primeira reunião em 05 de março de 1773, e suas Constituições foram aprovadas em 24 de Junho seguinte. A Grande Loja original continuou a existir, mas travou uma batalha perdida. O Duque de Chartres, seu Grão-Mestre, tornou-se também o chefe do corpo rival, o Grande Oriente, algo que amarrou as mãos do antigo Grande Corpo, de modo que ele ficou cada vez mais fraco a cada ano e finalmente expirou em 1792. 

Após a Revolução, o Duque de Chartres assumiu o nome de Philippe Egalité. Em 15 de maio de 1793, em numa carta insultuosa para o Grande Oriente, ele renunciou completamente à Maçonaria. Sua carreira de má reputação chegou a um final sangrento na guilhotina durante o Terror. 

Enquanto isso, em 1782, o Grande Oriente tinha organizado a sua Câmara de Graduação, mediante recomendação da qual foram adicionados às cerimônias originais da Maçonaria os graus de Maçom Eleito, Maçom Escocês, Cavaleiro do Oriente e Cavaleiro da Rosa Cruz, com vistas a colocar sob o controle do Grande Oriente todos os “altos graus”. 

Durante a Revolução, a Maçonaria entrou em dormência, de modo que em 1796 apenas dezoito lojas estavam ativas em toda a França, mas um renascimento veio depois, e com ele o interesse continuou a aumentar em graus mais elevados. Muitos deles foram colocados sob uma obediência, quando, em 1804, e agindo sob uma Constituição concedida pelo Supremo Conselho Mãe, Charleston, SC, o Conde de Grasse Tilly organizou o Supremo Conselho, um Grande Corpo que desde então se manteve independente do Grande Oriente. Nos anos seguintes, foi organizada uma Grande Loja da França sob os auspícios do Supremo conselho, para se encarregar dos graus da Maçonaria. 

Em 1871, o Grande Oriente aboliu o cargo de Grão-Mestre, e desde então as funções do cargo foram desempenhadas pelo Presidente do Conselho da Ordem. Em 14 de setembro de 1877, ele deu um passo ainda mais extraordinário o alterar o Artigo I das Constituições da Maçonaria. O parágrafo originalmente dizia: “A Maçonaria tem por seus princípios a existência de Deus, a imortalidade da alma e da solidariedade da humanidade”. 

Depois de mais ou menos um ano de deliberação, este foi alterado para: 

“CONSIDERANDO que, a Maçonaria não é uma religião, e, portanto, não tem uma doutrina ou dogma a afirmar em sua Constituição, a Assembleia adota o Vaeu IX decidiu e decretou que o segundo parágrafo do Artigo I da Constituição deve ser apagado, e que as palavras do referido artigo o seguinte devam ser substituídas por: I. Sendo uma instituição essencialmente filantrópica, filosófica e progressista, a Maçonaria tem por seu objeto, a busca da verdade, o estudo da moral universal, ciência e das artes e a prática da beneficência. Ela tem por seus princípios, a liberdade absoluta de consciência e a solidariedade humana; ela não exclui qualquer pessoa em razão de sua crença, e seu lema é Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. 

Imediatamente após isso (em Dezembro seguinte), a Grande Loja Unida da Inglaterra nomeou uma comissão para analisar esta inovação; depois de dois meses, a comissão relatou que tendo havido uma afastamento de todos os Landmarks da Maçonaria, ao que a Inglaterra retirava seu reconhecimento fraternal; desde então, a grande maioria das Grandes Lojas, entre povos de língua inglesa tomaram a mesma decisão. Um novo Grande Corpo, conhecido como A Grande Loja Nacional foi organizado em 1914 para construir lojas praticando a Antiga Maçonaria nos mesmos princípios que aquelas que aderiam aos Grandes Corpos de língua inglesa; até hoje ela continua a ser pequena em tamanho e influência. 

II. MAÇONARIA NA ALEMANHA

Em seu Relatório sobre a Correspondência feita à Grande Loja do Alabama, em sua Comunicação Anual, em 1922, um volume de 376 páginas contendo a descrição mais completa dos Grandes Corpos estrangeiros publicada em muitos anos neste país, o Irmão Oliver Day Street dá uma lista dos diversos Corpos Maçônicos na Alemanha da seguinte forma: 

1. A Grande Loja de Hamburgo, fundada em 11 de fevereiro de 1811, com sede em Hamburgo. 

2. A Grande Loja Mãe da União Eclética, fundada em 27 de marco de 1823, com sede em Frankfurt. 

3. A Grande Loja Mãe Nacional dos Estados da Prússia, chamada 'dos Três Globos‟ fundada em 1744, com sede em Berlim. 

4. A Grande Loja Nacional de Todos os Maçons Alemães, ou Grande Loja do País ou Loja dos Grandes Países fundada em 1770, com sede em Berlim. 

5. A Grande Loja da Prússia, chamada Royal York of Friendship fundada em 1760, com sede em Berlim. 

6. A Grande Loja “Sol” ou “Zur Sonne” fundada em 1741, com sede em Bayreuth. 

7. A Grande Loja Nacional da Saxônia fundada em 1811, com sede em Dresden. 

8. A Grande Loja 'Concórdia' fundada em 1846, com sede em Darmstadt. 

9. As cinco Lojas Independentes (1), Minerva das Três Palmeiras, em Leipzig (2); Baldwin de Linden em Leipzig (3); Arquimedes das Três Pranchas em Altenburg (4); Arquimedes da Eterna União em Gera; (5) Karl da Coroa de Rue em Hildburgshausen. 

As cinco lojas independentes nomeadas pelo irmão Street, formadas em 1833, o que eles chamaram de Associação Livre, que funciona muito como uma Grande Loja, e é geralmente reconhecida como regular. 

A existência de tantos Grandes Corpos em um país imediatamente sugere que a Maçonaria na Alemanha passou por muitas transformações, fato que é confirmado pela sua história. A primeira loja alemã a ser constituída foi estabelecida em Hamburgo em 06 de dezembro de 1737. Em agosto do ano seguinte, ela iniciou o príncipe herdeiro da Prússia, que posteriormente tornou-se Frederico, o Grande. Frederico, por sua vez, estabeleceu uma loja privada em Rheinsberg, e mais tarde permitiu a formação de uma loja em Berlim em 13 de setembro de 1740, que tomou o nome de “Dos Três Globos”. Esta loja, depois de criar algumas lojas em outros locais, transformou-se em uma Grande Loja com o título de Grand Loja Mãe Real, que em 1772 foi alterado para Grand Loja Mãe Nacional, o número três na lista do Irmão Street. 

A Grande Loja Nacional de Todos os Maçons Alemães foi fundada em 27 de dezembro de 1770 por Johann Wilhelm von Zinnendorf, uma das figuras mais impressionantes e dramáticas nos anais da Maçonaria alemã. Ele feito iniciado em Halle em 10 de agosto de 1731, e depois entrou para a Loja dos Três Globos. Quando aquela loja abraçou o Rito da Estrita Observância, Zinnendorf tornou-se Mestre da Loja Escocesa. Ele rompeu com o Rito da Estrita Observância, que o excomungou e que ele, por sua vez, condenou. Imediatamente, ele assegurado através de um amigo seu uma cópia de um dos rituais da Suécia, e a usou como base para um novo Rito, que ele criou, em oposição ao Rito da Estrita Observância. Um número suficiente de maçons seguiu sua liderança para permitir que ele, em 24 de junho de 1770, criasse uma nova Grande Loja, no qual participaram doze lojas. Durante sete anos, esta Grande Loja gozou do reconhecimento da Grande Loja da Inglaterra e, posteriormente, da tutela do Rei da Prússia. Zinnendorf permaneceu Grão-Mestre de 1774 até sua morte em 1782. Apesar de toda sorte de obstáculos - ele foi denunciado pela Grande Loja da Suécia e tornou-se odiado por muitas lojas na Alemanha - ele tinha tanto zelo e muitas das qualidades de liderança que ele foi capaz de triunfar sobre seus inimigos. 

Um nome ainda maior na história da Maçonaria Alemã é o de Friedrich Ludwig Schroeder, que nasceu em Schwerin em 03 de novembro de 1744. Schroeder foi um dos maiores atores que a Alemanha jamais conheceu e era dotado de excelente caráter e uma personalidade forte. Logo após sua iniciação em 1774, ele estabeleceu uma loja sob o regime de Zinnendorf, mas ela não durou muito. Em 1814, quando tinha setenta anos de idade, tornou-se Grão Mestre da Grande Loja Provincial Inglesa da Baixa Saxônia. Essa homenagem veio a ele como resultado do trabalho que tinha feito nos anos imediatamente anteriores, através da reorganização do ritual. Segundo sua visão, a Maçonaria na Alemanha tinha se tornado corrompida pelo crescimento exuberante dos graus superiores e laterais; acreditando que a Maçonaria em sua forma mais pura era a que tinha sido desenvolvido na Inglaterra, ele traduziu uma forma de ritual Inglês para Alemão e a configurou no que veio a ser conhecido como Rito de Schroeder, que consistia apenas em três graus. Este foi adotado pela Grande Loja Provincial em 1801. 

Em parte como resultado da influência de Schroeder e, em parte devido a outras forças em ação, outras Grandes Lojas acompanharam, de modo que das oito Grandes Lojas já existentes, cinco praticam apenas três graus. A Grande Loja Nacional usa dez graus, a Grande Loja Mãe Nacional usa sete, a Grande Loja da Prússia usa um quarto grau, confinada a uns poucos escolhidos. 

III. OUTRAS GRANDES LOJAS

Entre os mais distintos de todos os sistemas de grau é aquele empregado pela Suécia e, geralmente conhecido como o Rito Sueco. A Grande Loja Nacional da Suécia foi fundada em 1759, 24 anos após a primeira loja ter sido fundada em Estocolmo. O Rito Sueco, como ele existe hoje foi criado em 1775, mais ou menos, e é composto de Maçonaria, Estrita Observância e graus do Rito Escocês, com um traço da influência do Swedenborgianismo. Desses, os três primeiros graus correspondem àqueles praticados em nossas Lojas Azuis; o quarto ao sexto graus, inclusive são tão iguais ao Rito Escocês em caráter que os membros dos corpos do Rito Escocês estão autorizados a visitar; os quatro últimos graus são peculiares do Rito. 

A Grande Loja da Noruega foi criada como Grande Loja independente da Suécia em 24 de novembro de 1891. A Loja-Mãe da Noruega foi fundada em 1749 e em 1818 foi unida com a Grande Loja da Suécia. A Grande Loja Provincial da Noruega foi fundada em 1870, e esta, como já foi dito, tornou-se independente em 1891. A Grande Loja Noruega controla onze graus, os primeiros das quais três são Aprendiz, Companheiro e Mestre de São João; os outros pertencem ao Rito Sueco. 

A Maçonaria foi criada na Dinamarca em Copenhague, em 11 de novembro de 1743, sob uma carta patente alemã. As Lojas foram posteriormente credenciadas pela Grande Loja da Inglaterra, e em 1749 o Conde Laurvig recebeu um cargo de Grão-Mestre Provincial por Lord Byron, Grão-Mestre da Inglaterra. A Grande Loja da Dinamarca foi constituída em 1792, quando Príncipe Charles se tornou o chefe das lojas dinamarquesas. Frederico VII reorganizou os graus dinamarqueses de acordo com o sistema sueco, quando ele se tornou Grão Mestre em 1848. 

A Maçonaria se enraizou na Itália em 1735. Desde essa época até 1820, quando todas as lojas maçônicas foram suprimidas, a história da Maçonaria na Itália é ponteada de mudanças repentinas e confusão. A Maçonaria italiana ressurgiu em 1850, mas desde aquela época, devido às constantes mudanças nos assuntos eclesiásticos e políticos italianos, a Maçonaria italiana desenvolveu tal variedade de forma que é extremamente difícil para um maçom americano encontrar o seu caminho em meio ao labirinto de depoimentos conflitantes e fatos desconcertantes. O movimento maçônico que culminou com o Grande Oriente de Itália começou em 1859 em Turim. Em 1861, vinte e duas lojas reuniram-se em Turim, e formaram um Grande Corpo que, em 1 de janeiro de 1862, tornou-se o Grande Oriente de Itália em Turim, reconhecendo apenas três graus. Este Grande Oriente caiu sob a influência de altos graus durante a primeira década de sua existência; ela emergiu dessa luta em 1873, quando todas as facções rivais se uniram no atual Grande Oriente. Em 1875, algumas lojas, lideradas por Saverio Fera, separaram-se do Grande Oriente e se organizaram como Grande Loja de Itália para o Rito Escocês Antigo e Aceito. Em 1919, as Lojas Azuis deste Supremo Conselho cortaram suas relações com ele e, com o seu consentimento expresso, tornaram-se independentes do Rito Escocês. Estas lojas, em seguida, realizaram uma assembleia e se organizaram como a Sereníssima Grande Loja Nacional Italiana. Ela exige de seus membros a crença em uma divindade e exibe a Bíblia em seus altares. Dos dois Supremos Conselhos na Itália, um está ligado ao Grande Oriente, o outro trabalho a Sereníssima Grande Loja Nacional. Há também em existência na Itália, a Grande Loja de Florença. 

A Maçonaria na Espanha sempre existiu em um estado de grande confusão. Quando o irmão R. F. Gould escreveu sua História da Maçonaria, ele listou cinco Grandes Corpos espanhóis. Segundo o Relatório do irmão Street, já citado, há agora pelo menos Grandes Corpos, dois Grandes Orientes Espanhóis em Madrid, a Grande Loja Espanhola em Barcelona, e o Supremo Conselho do Grande Oriente Espanhol. 

Em Portugal, o mais importante Grande Corpo é o Grande Oriente Lusitano Unido fundado em 1872. O Grande Oriente da Holanda foi formado em 1757. O Grande Oriente da Bélgica data de 1832. O Egito tem uma Grande Loja organizada em 1872. A Maçonaria Suíça está sob a Grande Loja “Alpine”, formada em 24 de julho de 1844. 

Uma Grande Loja para a República da Checoslováquia foi formada em Praga, sob carta constitutiva da Grande Loja “Zur Sonne” da Alemanha. A Iugoslávia entrou na posse de uma Grande Loja em 9 de junho de 1919, sob o título “Grande Loja dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, Jugoslavia”, com sede em Belgrado. A Maçonaria foi introduzida na Grécia pelo Grande Oriente da França em 1809. Em 1860, uma Grande Loja Provincial foi criada na Grécia, sob o Grande Oriente da Itália. O atual Grande Oriente da Grécia foi organizado em 1868, o Supremo Conselho do Rito Escocês em 12 de julho de 1872. 

No Canadá, cada província tem uma Grande Loja independente. A Grande Loja do Canadá (Ontario) foi formada em 1855, Nova Scotia, 1866, Nova Brunswick, 1867, Quebec, 1869, British Columbia, 1871, Ilha do Príncipe Edward, 1875; Manitoba, 1875; Alberta, 1905; Saskatchewan, 1906. 

A Maçonaria no continente da África é um mundo em si, com muitas Grandes Lojas e Grandes Lojas Provinciais trabalhando sob constituições inglesas, escoceses, irlandesas, francesas, italianas, etc. 

Na América Central e América do Sul, a Maçonaria foi em sua maior parte formada sob influência do Rito Escocês; é impossível em um parágrafo ou dois transmitir qualquer impressão de grande número de Grandes Corpos existentes, ou da complexidade com que a Maçonaria é organizada ali. 

No México, o irmão Street lista cerca de trinta e dois Grandes Corpos. A chave para a História da Maçonaria no México tem sido a política e também certa quantidade de atrito entre Rito Escocês e as lojas da Maçonaria. 

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES
Mackey's Encyclopedia - (Revised Edition): Acta Latomorum, 13, Africa, 34, Antient and Primitive Rite of Masonry, 62; Austria, 86; Belgium, 102; Buhle, 122; Canada, 131; Clermont, Count of, 156, Cologne, Charter of, 159; Compagnonage, 171, Darmstadt, Grand Lodge of, 197, Derwentwater 206, Des Etangs, Nicholas Charles, 208, Emperors of the East and West, 241; Fessler, Ignaz Aurelius, 262; France, 276; Frederick the Great, 279, French Rite, 285, Germany, 295, Grasse, Tilly, 309; Hamburg, 316; High Degrees, 324; Hund, Baron von, 339; Illuminati of Bavaria, 346; Italy, 358; Jacobins, 359; Krause, 417; Memphis, Rite of, 479; Mexico, 482; Mizraim, Rite of, 487; Morin, Stephen, 492, Naples 507, Netherlands, 509, Nova Scotia 509, Ontario, 530, Orient, 53i Orleans, Duke of, 538 Persia, 558 Peru, 559; Philosophic Scottish Rite, 562; Poland, 5i4; Portugal, 576; Primitive Rite, 584; Prussia, 595; Ramsay, Andrew Michael, 607; Rite, 626; Rose Croix, Prince of, 636, Saxony, 664 Schroeder, 669, Scottish Rite, 671, Spain, 703, Starck, 712 Strasburg, Constitutions of, 729; Stuart Masonry, 730; Supreme Councils, 741; Sweden, 744; Swedenborg, 745; Swedish Rite, 747; Switzerland, 747; Thory, 783, Titles of Grand Lodges, 787; Torgau, Constitutions of, 790; Tschoudy, 805; Turkey, 809, Venezuela, 826; Weishaupt, Adam, 842; Zinnendorf, 876. 

LIVROS CONSULTADOS
Acta Latomorum Thory. Allgemeines Handbuch der Freimaurerei (2 Vol.), A.Q.C. (France), XVI, 181; XX, 15; XXIV, 107; XXVII, 22, 63, 96. A.Q.C. (Germany), I, 17, 161, II 159; V, 192; VIII, 240; IX, 55, 113, 146, 160, XIV, 83. Concise History of Freemasonry, Gould. Early History and Antiquities of Freemasonry, Fort. Four Old Lodges, Gould. Histoire des Trois Grandes Loges, Rebold. Histoire Pittoresque Clavel. Historical Landmarks, Oliver. History of Freemasonry Findel. History of Freemasonry, Gould. History of Freemasonry, Laurie. Mackey's Revised History of Freemasonry Clegg. Origin of the Royal Arch, Hughan. Proceedings Grand Lodge of Alabama, 1922. Proofs of a Conspiracy, Robison. Things a Freemason Should Know, Crowe.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DIVERSAS GRANDES LOJAS: YORK, IRLANDA, ESCÓCIA ETC - CAPÍTULOS DE HISTÓRIAS MAÇÔNICAS -.PARTE - XII

PARTE - XII DIVERSAS GRANDES LOJAS: YORK, IRLANDA, ESCÓCIA ETC.

 
Por Ir.´. H.L. HAYWOOD, Editor - The Builder Magazine  
Tradução – José Antonio de Souza Filardo – M .´. I .´. – GOB/GOSP  
 

Na parte X da presente série de estudos breves, eu fiz um esboço da organização do “Grande Loja Mãe do mundo”, formada em Londres em 1717, e neste departamento, no capítulo passado fiz um comentário semelhante da fundação da Grande Loja Antiga. Essa narrativa não poderia ser completa sem algumas palavras sobre a formação de outras Grandes Lojas, especialmente considerando que duas delas funcionavam na própria Inglaterra. Começarei com a Grande Loja de York, conhecida como 

I. A GRANDE LOJA DE TODA A INGLATERRA

Muitas das primeiras lendas e tradições do grupo da Maçonaria giram em torno da antiga cidade de York, de modo que até nossos dias é um nome reverenciado entre nós, e também familiar, especialmente nos Estados Unidos, onde ouvimos falar todos os dias do (mal-designado) Rito de York. Segundo uma antiga lenda, Edwin convocou uma Assembleia Geral de Maçons em York em 926, mas isso geralmente é posto em dúvida, porque não há registros para provar isso. Mas, sabemos que há pelo menos dois séculos a Maçonaria operativa era mais bem organizada em York do que na maioria dos países, e ainda temos em existência os antigos Rolos de Fábrica em que eram mantidos os registros da construção da York Minster, para nos mostrar que tipo de homens eram os ntigos pedreiros e como eles conduziam seus negócios, estes “Rolos”, ou registros, abrangem os anos de 1350-1639. 

É provável que uma loja organizada por aqueles Maçons Operativos continuou durante muito tempo após seu trabalho ter terminado. De acordo com Hughan, os registros mostram que, pelo menos, já no ano 1643 existia ali uma loja. Esta Loja, como tantas outras, sucumbiu com o passar do tempo à pressão e começou a admitir “maçons cavalheiros”, ou seja, homens que não tinham intenção de praticar a Maçonaria Operativa, e este elemento “Especulativo” veio a dominar com o tempo, de forma que logo após o início do século XVIII, assumiu totalmente o controle. De acordo com um inventário feito em 1779, a loja possuía na época um manuscrito contendo registros que começam com 07 de marco de 1705 - 6, mas este precioso volume foi perdido, e parece agora ser impossível recupera-lo. As atas de loja existentes remontam a 1712, que era cinco anos antes da fundação da primeira Grande Loja. Naquele tempo, parece que havia em York uma “Loja Mãe”, descrita em anos seguintes, mas de maneira imprecisa, como tendo sido uma Grande Loja, e que esta concedia cartas constitutivas a outras; mas mesmo assim, ela evidentemente possuía pouca força, porque a “Loja Mãe” não realizou qualquer reunião, pelo menos até onde mostram os registros, durante os anos 1717-1721. Um despertar ocorreu depois de uma Grande Loja (propriamente dita) ter sido estabelecida em Londres, e depois de um Livro das Constituições ter sido publicado. As assembleias maçônicas de York tinham sido presididas por um Presidente, mas em 1725 o estilo foi mudado para “Grão Mestre”, e Charles Bathurst foi eleito para aquele cargo; o que tinha sido uma loja “particular” se transformou em uma “Grande Loja” e adotou o nome de “Grande Loja de Toda a Inglaterra.” 

Se não havia atrito aberto entre este Grande Corpo e a Grande Loja já formada, havia, aparentemente, pouca ou nenhuma cooperação ativa, e na Grande Loja de Toda a Inglaterra em si, não havia muita força; depois de ter concedido cartas a algumas lojas (nenhuma delas fora da Inglaterra), ela cessou gradualmente de funcionar em algum lugar entre os anos de 1740-1750. Então, depois de ter permanecido adormecida, ela foi despertada em 1761 para nova atividade, da forma como a seguinte ata explica: “A Antiga e Independente Constituição de Maçons Livres e Aceitos, pertencente à cidade de York, foi, neste dia dezessete de março, no ano da graça de Nosso Senhor de 1761, Revivida por Seis dos membros sobreviventes da Fraternidade pela Grande Loja que está sendo aberta, e realizada na Casa do Sr. Henry Howard, em Lendall, na referida cidade, por eles e os outros a seguir designados”. 

Este ressurgimento da extinta Grande Loja tornou possível um episódio interessante possível na história das Grandes Lojas, conforme aparecerá mais tarde, mas provou-se no longo prazo infrutífera, e no decorrer do tempo, a Grande Loja de Toda a Inglaterra deixou gradualmente de existir através de um processo de absorção, talvez, pelas crescentes Grande Lojas, que se tinham estabelecido em 1717 e em 1751. 

Os membros da Grande Loja Antiga, organizada na última data, sobre a qual publicamos uma narrativa no capítulo anterior, desejavam acima de tudo reclamar para si uma antiguidade tão grande quanto possível; foi por esta razão, sem dúvida, que caíram no hábito de descrever-se como “Antigos Maçons de York”; este foi apenas um subterfúgio, sem direito legítimo ou desculpa, e isso causou certa confusão, desde então. Só agora, quando escrevo, li os Procedimentos de uma Grande Loja nos Estados Unidos em que esta Grande Loja reivindica descendência de York porque ela recebeu carta constitutiva dos “Antigos” e estes “Antigos”, assim se alega no volume, eram Maçons de York; eles tinham se chamado assim. Na realidade, a Grande Loja de York não concedeu qualquer carta constitutiva a lojas na América, e o uso do nome “York” é em tais casos, ilegítimo, embora possa ser aceito pela forma de homenagear um centro maçônico antigo, e uma das melhores cidades amadas no mundo. Sobre este assunto, concluirei com uma citação de W.J. Hughan, retirada da História Revista da Maçonaria de Mackey de Clegg, página 1130: 

“Todas as lojas “York” sucumbiram à morte de sua “Grande Loja Mãe” e não havia um representante da Grande Loja Antiga de York em qualquer lugar que seja, ao longo deste século (XIX). Ela nunca, em nenhum momento concedeu carta constitutiva a Lojas para se reunirem fora da Inglaterra e sempre se opôs aos “Maçons de Athol” [ou 'Antigos'] de Londres, embora estes últimos às vezes denominavam-se injustamente 'Maçons Antigos de York', um título afetado desde então por diversos corpos maçônicos, com tão pouca autoridade.” 

II. UMA CRIANÇA ENTRE GRANDES LOJAS

William Preston, um impressor escocês que veio para Londres em 1760, tornou-se membro em 1774 da Loja Antiquity, um “corpo de tempos imemoriais”, que se alinhou (e ainda o faz), sob as Constituições da Grande Loja de 1717 como o mais antiga loja na lista. Devido ao seu zelo, conhecimentos e capacidade, e por causa de sua inauguração das palestras de Preston, bem como seus escritos do famoso Ilustrações da Maçonaria (publicado pela primeira vez em 1772) Preston se coloca com Desaguliers, Anderson, Dermott e um ou dois outros, entre os nomes mais brilhantes da história da maçonaria Inglesa. (Ver nota). 

Antes da admissão de Preston à Loja Antiquity, aquela famosa e antiga loja havia estado em baixa, mas através da sua energia, e porque ele trouxe uma nova infusão de sangue para ela por meio da iniciação de muitos jovens, sua própria liderança logo a levou a um alto grau de eficiência mais uma vez. 

Esse trabalho atraiu a atenção da Grande Loja, de modo que ele se tornou Grande Secretário Assistente, sendo James Heseltine o Grande Secretário. Heseltine acreditava que uma nova edição das Constituições da Grande Loja deveria ser publicada, assim ele contratou Preston para assumir a tarefa. Depois de tê-lo feito, e o livro estar quase pronto para publicação, Heseltine de repente insistiu que Noorthouck, Tesoureiro da Loja Antiquity, devesse receber parte igual na empresa. Preston se ressentiu disso e como resultado entrou em desacordo com ambos irmãos, especialmente com Heseltine, que não era conhecido por uma disposição conciliatória. 

Enquanto estes sentimentos ainda estavam quentes, Preston foi inadvertidamente e inocentemente levado a uma violação das regras da Grande Loja, coisa que aconteceu dessa forma. Em 27 de dezembro de 1777, Preston levou sua loja ao serviço divino na Igreja de St. Dunstan, na rua Fleet; o serviço terminou, ele e seus irmãos, vestidos com seus aventais e luvas, caminharam alguns metros até a Taverna Mitre. Acontece que em 1747 a Grande Loja tinha aprovado uma resolução que proibia todas as procissões públicas, exceto com o consentimento expresso do Grão-Mestre, por conseguinte, a Loja Antiquity tinha-se tornado culpada de uma violação técnica das regras.

Heseltine imediatamente aproveitou isso como um meio de conseguir atacar Preston. Ao dar uma resposta, Preston caiu em uma armadilha ao assumir a posição de que desde que a Loja Antiquity possuía uma carta constitutiva de “tempo imemorial“ e não tinha sido trazida à existência pela Grande Loja, ela tinha o direito de regular seus próprios assuntos internos. Isso forneceu a Heseltine e seus amigos uma nova arma que eles não demoraram a utilizar; Preston foi expulso pela Grande Loja. 

Com base nisso a Loja Antiquity dividiu-se em duas. A parte dirigida por Preston e seus amigos imediatamente solicitou uma representação da Grande Loja de Toda a Inglaterra (em York: veja acima) e então se definiu como uma nova Grande Loja, usando o estilo, Grande Loja de toda a Inglaterra ao Sul do Tio Trent; que foi constituída em 15 de novembro de 1779. 

A história deste Grande Corpo bebê é tão curta quando história de pobres. Preston diz que concedeu carta constitutiva a várias lojas, mas até agora apenas duas de tais cartas foram descobertas. O movimento estava, evidentemente, em descompasso com a época. Depois de alguns anos, durante os quais Preston perdeu em grande parte o interesse pela Maçonaria, ele conseguiu obter um memorial considerado pela Grande Loja e, depois de ter feito seu arrependimento, em maio de 1789 foi restaurado de pleno direito na Grande Loja. Com isso a Grande Loja de toda a Inglaterra ao Sul do Rio Trent deixou de existir. Ela não deixou qualquer marca sobre a evolução da Maçonaria e nunca foi, em momento algum, nada mais que um cisma privado. 

III. A GRANDE LOJA DA IRLANDA

A seguinte em antiguidade à Grande Loja de 1717, e partilhando com ela e com a Escócia a parte do leão da Maçonaria estabelecida no mundo inteiro, está a Grande Loja da Irlanda. Houve uma época em que pouco se sabia sobre a Maçonaria irlandesa, especialmente do século XVIII, mas esse deixou de ser o caso com a publicação de Caementaria Hibernica (“A Maçonaria da Irlanda”) do Dr. WJ Chetwode Crawley, um trabalho magnífico que se compara à maior história de Gould quanto à sua erudição, mas supera em muito a produção maciça em graça e apelo literário - uma coisa em que o Dr. Crawley simplesmente se sobressai entre os maiores historiadores da Maçonaria. 

O Dr. Crawley, a quem somos totalmente gratos por estes parágrafos, mostra que a Maçonaria era bem conhecida na Irlanda, pelo menos já em 1688, e que em uma data muito precoce (comparativamente falando) o tipo de ritual adotado posteriormente pela Grande Loja de 1717 era praticado pelos maçons irlandeses. Uma das provas disso é o registro encontrado da iniciação da Srta. St. Leger, a mais famosa de todas as “senhoras maçons”. Seu caso mostra, primeiro, que uma Loja especulativa estava funcionando em Doneraile em 1710, o segundo, que dois graus eram praticados então e, terceiro, que as cerimônias de iniciação eram bastante semelhantes àquelas utilizadas após o “Renascimento” em 1717. 

Logo no início daquele século, duas Grandes Lojas floresceram lado a lado na Irlanda, uma delas, com sede em Cork, sendo a Grande Loja de Munster; pouco se sabe sobre o início de qualquer uma delas, mas um registro mostra que o corpo Munster estava em ação, pelo menos, já em 1726, e que ele tinha naquela época, pelo menos um órgão subordinado, cujas atas trazem a data de 2 de fevereiro de 1726. Uma característica muito interessante dessas atas é que eles mencionam a nomeação de diáconos, a primeira de tais menções na história da Maçonaria. A Escócia tinha empregado diáconos no século anterior, mas de um tipo diferente. Sobre este assunto o Dr. Crawley escreveu um parágrafo importante que deve ser lido:

“Nós devemos distinguir cuidadosamente entre o Diácono dos primeiros Livros de Atas Escoceses e o Diácono do Ritual Irlandês. O primeiro ocupava quase, se não totalmente, o mais alto posto entre os seus Irmãos, tendo precedência sobre o Vigilante, e presidindo a reunião quando a ocasião exigia. O segundo ocupava um cargo mais baixo na loja, e estava encarregado principalmente do ritual. O primeiro corresponde à Reitor (isto é, Diácono) da Faculdade; o segundo estava em ordem mais baixa no ministério, o Diácono na linguagem eclesiástica. A semelhança não vai além do nome.” 

Em 1733, a Grande Loja de Munster deixou de existir por absorção ou fusão, provavelmente, com a Grande Loja da Irlanda com sede em Dublin. Tão pouco se sabe sobre a fundação deste Grande Corpo que devemos ficar satisfeitos por saber que até 1725 ele estava no auge, porque naquele ano ele teve como Grão-Mestre, Richard I, Conde de Rosse. Parece que as lojas de Munster ficaram sob sua autoridade em 1731 ou por aí e, como resultado da influência do terceiro Grande Mestre da Grande Loja da Irlanda, James, 4 º Barão Kingston. 

Em 1805, Alexander Seton liderou uma revolta, originária de uma divergência que tinha a ver com os Graus mais elevados, e com alguns amigos e seguidores fundou uma Grande Loja do Ulster cismática. Isso desviou as atividades da Irlanda somente por nove anos. 

As estreitas relações entre a Maçonaria Inglesa e a Irlandesa, nessa época são demonstradas pelo primeiro Livro de Constituições publicadas na Irlanda; ele foi compilado por John Pennel, Grande Secretário de Dublin, e era uma contrapartida quase exata das Constituições de Anderson de 1723. Em 1751, um Livro das Constituições, devidamente revisado para os usos irlandeses, foi preparado por Edward Spratt, Grande Secretário; nesta versão, conforme observado no capítulo anterior desta série, serviu de modelo para o Ahiman Rezon de Laurence Dermott. 

Além de ser a primeira seção da Maçonaria geral a empregar diáconos, a Grande Loja da Irlanda também é notável na medida em que foi a primeira a conceder uma carta constitutiva de loja, como entendemos o termo atualmente, quando concedeu tal instrumento à primeira Loja da Irlanda em 1731; e também na medida em que foi a primeira a conceder cartas constitutivas itinerantes, ou seja, cartas para lojas militares e navais, um fato que posteriormente desempenhou um papel inestimável no desenvolvimento da Maçonaria em geral. 

IV. A GRANDE LOJA DA ESCÓCIA

A história da Maçonaria na Escócia é um assunto de valor peculiar para o estudante maçom porque torna mais claro como a Maçonaria Operativa gradualmente evoluiu para o que temos viemos a chamar de Maçonaria Especulativa, porque, na Escócia, mais do que na Irlanda ou na Inglaterra, os registros são menos fracionados. Unindo uma informação a outra a pessoa pode obter uma imagem bastante completa de todo o processo. 

O que York é nas tradições da Maçonaria Inglesa, Kilwinning é para a Escocesa. Segundo um antigo livro “uma série de pedreiros (maçons) vieram do continente para construir um mosteiro em Kilwinning e com eles um arquiteto ou um Mestre Pedreiro para fiscalizar e realizar o trabalho. Esse arquiteto residia em Kilwinning, e era um verdadeiro e bom maçom, intimamente familiarizado com todas as artes e partes da Arte de Construir, conhecida no continente, foi escolhido Mestre das reuniões dos irmãos de toda a Escócia. Ele deu regras para a conduta dos irmãos nessas reuniões, e decidia, em última instância, os recursos de todas as outras reuniões ou lojas na Escócia.” (Citado de História Revista da Maçonaria de Mackey, por Clegg, página 663.) A Abadia de Kilwinning estava no Condado de Ayr, na costa sudoeste da Escócia, cerca de vinte e cinco milhas de Glasgow, e foi fundada em 1140 por Hugh de Morville. 

Esta é a base da “tradição Kilwinning” e como tal foi aceita pelo autor da História da Maçonaria de Laurie; mas D. Murray Lyon, a principal autoridade de História maçônica Escocesa (ver sua História da Loja de Edimburgo) a atacou, e com tanto sucesso que ela foi muito bem abandonada, pelo menos, pelos historiadores em geral. 

As mais antigas Constituições reconhecidamente autênticas usadas para o rascunho escocês são “Os estatutos e preceitos a serem observados por todos os Mestres Maçons dentro do reino; estabelecidos por William Schaw, Mestre de Obra de Sua Majestade e Vigilante Geral do referido Ofício, com o consentimento dos Mestres a seguir especificados:”

Esses Preceitos são encontrados nas atas da Loja de Edimburgo, também chamada St. Mary's Chapel, que preenchem seis volumes, estendem-se desde 28 de dezembro de 1598 até 29 de novembro de 1869, e contêm outros materiais de valor incalculável. Junto com o Estatuto Schaw, deve ser colocado como de importância quase igual, os Estatutos de St. Clair. O primeiro destes dois preciosos documentos foi, evidentemente, escrito em 1600 ou 1601, assinado por William Schaw. Este documento estabelece que considerando que os Senhores da Roslin tinham de “geração em geração” sido considerados os patronos oficiais e os governadores do Ofício (Maçonaria) na Escócia, e considerando que eles haviam se tornado negligentes, o Oficio tinha, por consenso universal de todos os Maçons, concordado que dai para frente William Sinclair deveria se tornar “seu patrono e juiz abaixo do Rei.” O segundo estatuto de St. Clair é largamente confirmatório do primeiro, e foi escrito, assim se acredita, por volta de 1628.

Um quarto documento importante da história escocesa é o “Manuscrito Edinburgh Kilwinning”. Este foi utilizado pela Loja Kilwinning no século XVII, e também por lojas fundadas por Kilwinning, que era uma “Loja Mãe”, concedendo cartas a corpos subordinados em algo como foi mais tarde empregado por Grandes Lojas. O ponto importante sobre este Manuscrito é que ele é uma cópia muito próxima de um Manuscrito de Constituição Inglês, o que implica que mesmo naquela época a influência da maçonaria Inglesa se fazia sentir no Reino do Norte. 

Nos séculos XVI e XVII, muitos não operativos, muitas vezes senhores de alta posição eram admitidos como membros nas lojas escocesas; estes não operativos exerciam uma profunda influência sobre a Arte, conforme foi o caso na Inglaterra; e, além disso, como aconteceu na Inglaterra, este elemento não operativo veio, com o tempo a dominar, de modo que no início do século XVIII, um movimento definido se instalou, em direção a uma transformação completa da instituição. Essa tendência foi, sem dúvida, muito estimulada em 1721, quando o Dr. John Theophilus Desaguliers, que tinha desempenhado um papel tão importante na fundação da primeira Grande Loja em Londres, em 1717, visitou a loja em Edimburgo. Foram realizadas duas reuniões durante a sua visita nas quais não operativos de alta posição foram iniciados e elevados. As atas dessas reuniões, de acordo com Lyon “tornam provável que se aproveitando de sua posição social, ele tenha influenciado a presença do Reitor e Magistrados de Edimburgo e os outros magnatas da cidade que os acompanharam como candidatos à iniciação maçônica, a fim de dar um exemplo prático do sistema com que seu nome estava tão intimamente associado, com vistas à sua recomendação para adoção pelas Grandes Lojas da Escócia”. 

Em 29 de setembro de 1735, a Loja Canongate Kilwinning nomeou uma comissão para “a elaboração de uma proposta a ser submetida a diversas lojas para a escolha de um Grão-Mestre para a Escócia.” Para continuar este projeto, em Agosto do ano seguinte, John Douglas da Loja de Kirkcaldy foi iniciado na Loja Canongate Kilwinning e, em seguida, nomeado Secretário, a fim de criar “um esquema para eleger um Grande Mestre para a Escócia.” Enquanto isso, tinha sido arranjado para que as quatro lojas de Edimburgo se reunissem visando o mesmo fim e como resultado, quatro lojas, a Mary's Chapel, Canongate Kilwinning, Kilwinning Scots Arms e Leith Kilwinning, reuniram-se em Edimburgo em 15 de outubro de 1736. Outras reuniões foram realizadas, e o projeto foi apresentado a todas as lojas na Escócia. Das cerca de cem lojas, trinta e três se reuniram em Edimburgo em 30 de novembro de 1736, e lá formaram uma Grande Loja. 

Segundo a tradição consubstanciada no Manuscrito St. Clair, a principal autoridade da Arte estava incorporada nessa família; mas na Assembleia a que nos referimos acima, William St. Clair apresentou um documento formal, no qual ele renunciava a toda pretensão a qualquer jurisdição. Ele foi imediatamente eleito Grão-Mestre. 

Posteriormente, quase todas as lojas na Escócia solicitaram cartas constitutivas da nova autoridade, apesar de que vários anos depois muitas deles ainda mantinham o seu caráter Operativo. 

A partir deste relato muito breve - breve demais para apresentar uma imagem adequada da fundação da Grande Loja da Escócia - vemos que, na Escócia, a transição da Maçonaria Operativa para a Maçonaria Especulativa foi feita de forma gradual. E, embora a Maçonaria Especulativa Inglesa, sem dúvida, tenha exercido considerável influência nesse processo, nunca houve em qualquer momento qualquer pedido à Grande Loja da Inglaterra de cartas constitutivas oficiais. O Irmão Clegg, em sua revista História Revista da Maçonaria de Mackey, oferece uma declaração sucinta deste fato importante em um parágrafo excelente que citamos: 

“A Maçonaria da Escócia produziu a partir de suas próprias Lojas Operativas a sua Grande Loja Especulativa, precisamente este foi o caso da Maçonaria da Inglaterra. Neste aspecto, foi diferente da Maçonaria de todos os outros países onde o elemento Operativo nunca foi incorporado ao Especulativo. Este último sempre foi uma importação direta e independente da Grande Loja Especulativa da Inglaterra, totalmente distinta da Maçonaria Operativa que existia ao mesmo tempo.

” Nota: Ver artigo no clube de Estudo de abril de 1924; também o artigo sobre Preston na mesma edição. 

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES
(Mackey's Encyclopedia (Revised Edition): Ahiman Rezon, 37; Aitchison's-Haven Lodge, 42; Aitchison's-Haven Manuscript, 42; Bruce, Robert, 121; Burns, Robert, 124; Chapel, Mary's, 142; Deacon, 197; Desaguliers, 207; Drake, Francis, 220; Ecossais, 228; Grand Lodge, 306; Harodim, Grand Chapter of, 319; Ireland, 357; Kilwinning, 381; Kilwinning Manuscript, 382; Lawrie, Alexander, 427; Manuscripts, Old, 464; Preston, William, 579; Ramsay, Andrew Michael, 607; Schaw Manuscript, 666; Schaw, William, 667; Scotland, 671; St. Clair Charters, 715; St. Clair, William, 716; York Constitutions, 866; York Grand Lodge, 867; York Legend, 867. 

LIVROS CONSULTADOS
A.Q.C. (sobre a Irlanda), VIII, 53, 79, 110, 172; IX, 4, 18, 153; X, 58, 111; XI, 190; XII, 164, 167; XIII, 130, 142; XV, 100; XVI, 69, 174; XVII, 93, 137, 230; XXI, 58, 181; XXIV, 68; XXVI, 131, 196. A.Q.C. (sobre a Escócia), I, 10, 139, 193; II, 164; III, 172; VI, 69, 108; VII, 56, 101, 137; VIII, 4, 45; IX, 171; XI, 195; XIV, 131; XIV, 131, 177; XXIV, 30. Caementaria Hibernica, W.J. Chetwode Crawley. Collected Essays on Freemasonry, R.F. Gould. Concise History of Freemasonry, R.F. Gould. Early History and Records of the Lodge, Aberdeen 1 ter, A.L. Miller. Grand Lodge of England, A.F. Calvert. History of Freemasonry, Findel. History of Freemasonry, R.F. Gould. History of Freemasonry, Laurie. History of Freemasonry in York, Hughan. History of the Mother Lodge, Kilwinning, Robert Wylie. Illustrations of Masonry, William Preston. Irish Master Masons Handbook, Fred J.W. Crowe. Mackey's Revised History of Freemasonry, Clegg. Unpublished Records of the Craft, Hughan.

O GRANDE CISMA NA MAÇONARIA: UM RELATO DA GRANDE - CAPITULOS DE HISTÓRIAS MAÇÔNICAS - PARTE XI

PARTE XI - O GRANDE CISMA NA MAÇONARIA: UM RELATO DA GRANDE

Por Ir.´. H.L. HAYWOOD, Editor - The Builder Magazine  
Tradução – José Antonio de Souza Filardo – M .´. I .´. – GOB/GOSP  




LOJA DOS “ANTIGOS”

De todos os capítulos na longa e variada história da nossa Arte nenhum é mais interessante ou mais importante que aquele que relata como uma concorrente cresceu junto com a primeira Grande Loja (descrito no capítulo anterior), como as duas se tornaram rivais, e como finalmente uma união aconteceu. Daí o leitor pode aprender como certas mudanças aconteceram na Ordem que ainda o confundem, e também, em certa medida, por que ascerimônias maçônicas na América diferem daquelas praticadas na Inglaterra, e também entre os diferentes estados americanos. Necessariamente, apenas um resumo rápido de muitos eventos pode ser tentado aqui; aqueles que buscam mais detalhes são encaminhados aos livros listados no final deste artigo e, especialmente a Masonic Facts and Fictions de Henry Sadler, o clássico neste campo. 

I. CAUSAS QUE LEVARAM À DISPUTA

É absolutamente impossível elaborar uma história conectada e detalhada de todas as causas que levaram finalmente à formação de uma nova Grande Loja, e pelas mesmas razões é impossível colocar o dedo sobre certo ano ou lugar e dizer: aqui é onde tudo começou. A coisa se deu gradativamente e a partir de muitas forças em operação. Um dos principais resultados da formação da primeira Grande Loja estabelecida em Londres em 1717 foi que a Maçonaria Especulativa afastara completamente a Maçonaria Operativa. Essa mudança radical na natureza íntima da Arte não podia deixar de suscitar oposição. Supõe-se, por exemplo, que as dificuldades em que caiu Anthony Sayer depois que ele serviu como o primeiro Grão Mestre, podem ter sido devido à sua aversão ao novo regime, já que ele era um velho Maçom Operativo. Quantos problemas a grande mudança provocou, ou quanto tempo durou, é agora impossível determinar, mas parece evidente que um ressentimento contra a nova ordem de coisas durou muito tempo em alguns setores, e que lojas inteiras recusaram-se por muitos anos a consentir um abandono tão completo dos antigos usos. 

Outra causa de problemas nos primeiros anos da primeira Grande Loja foi a adoção do “Parágrafo Relativo a Deus e à Religião “nas Constituições de Anderson. Antes de 1717, as bases dos Maçons tinha sido de religião cristã e a própria Arte, a julgar por suas próprias Constituições, tinha sido francamente Cristã Trinitária. As novas Constituições, agora associadas ao nome de Anderson, mudaram tudo isso; de acordo com sua formulação um pouco ambígua, um Maçom era obrigado a ser apenas daquela religião “na qual todos os homens de bem estão de acordo”. Isso não agradou aqueles que desejavam ver a Maçonaria permanecer especificamente cristã e, consequentemente, eles tinham problemas com isso. 

A partir dos registros da primeira Grande Loja em si, é evidente que nem tudo foi fácil. 

Havia reclamação constante de “iniciações irregulares”, mas pouco foi feito para afastar aquele mal; também parece que os assuntos da Grande Loja eram tratados com desleixo, se não totalmente com simples descaso. Um bom exemplo disso é fornecido no caso de Lord Byron, que foi eleito Grão-Mestre em 30 de abril de 1747. Este cavalheiro, conhecido como “o maléfico Lord Byron”, apareceu diante de seus irmãos, apenas cinco vezes em cinco anos, e parece ter dado pouca atenção às suas responsabilidades. O descuido despertou tantos sentimentos que “era a opinião de muitos maçons velhos ser preciso uma consulta sobre a eleição de um novo e mais ativo Grão Mestre”; eles “se reuniram para aquela finalidade” e o teriam feito se não fosse pela intervenção do irmão Thomas Manningham, M.D. 

A partir desse e de outros casos semelhantes que poderiam ser citados, pode-se julgar que a Grande Loja não mantinha um controle muito grande das rédeas, um fato que ajudará a explicar o que veio depois. 

AHIMAN REZON:

Ou,
Uma ajuda a um Irmão;
Mostrando a
EXCELÊNCIA do SIGILO,
E a primeira Causa, ou Motivo, da Instituição da
MAÇONARIA;
OS PRINCÍPIOS da ARTE,
E os
Benefícios decorrentes da estrita observância dos mesmos;
Que tipo de HOMEM deveria ser iniciado no MISTÉRIO,
E que tipo de MAÇONS estão aptos a governar LOJAS,
Com o seu Comportamento dentro e fora da Loja.
Da mesma forma as
Orações usadas nas Lojas Judaicas e Cristãs,
A Antiga Maneira de
Constituir novas Lojas, com todas as Obrigações, & c.
Além disso, os
NOVOS e ANTIGOS REGULAMENTOS
O Modo de Escolha e Instalação de Grão-Mestre e Oficiais,
e outras Particularidades úteis demasiadamente numerosas para mencionar aqui.
Ao que é adicionado,
A maior Coleção de CANÇÕES DE MAÇONS jamais apresentada ao
Público, com muitos PRÓLOGOS e EPÍLOGOS divertidos;
Juntamente com
O TEMPLO DE SALOMÃO um ORATÓRIO,
Conforme foi realizado em benefício de
FRANCO MAÇONS.
Pelo Irmão LAURENCE DERMOTT, Secretário
LONDRES
Impresso pelo EDITOR, e vendido pelo irmão James Bedford, no
Adro da Igreja de St. Paul.
MDCCLVI

(Acima, um fac-símile, do Livro das Constituições usadas pela Grande Loja dos “Antigos”. Ele foi composto por Laurence Dermott, em 1756) 

INOVAÇÕES TINHAM SIDO FEITAS 

A pior coisa, “pior”, isto é, do ponto de vista dos irmãos conservadores da época era que a primeira Grande Loja deliberadamente fez algumas drásticas “inovações” nas formas antigas, algo que aconteceu da seguinte forma, assim se acredita: após a Maçonaria tornar-se mais ou menos popular em Londres, inúmeros homens desejosos de se achar seu caminho até as lojas sem o custo problemático de uma iniciação. Para atender às suas necessidades certas, assim chamadas, “exposições” foram publicadas, a mais notável das quais foi Masonry Dissected, por certo Samuel Prichard, descrito como um “falecido membro de uma Loja constituída”. Diante disso, o “clandestinismo” tornou tão comum que finalmente a Grand Lodge, em defesa própria, determinou que mudanças fossem realizadas no trabalho esotérico, que permitiria às lojas regulares detectar as fraudes. Agora, é quase impossível saber com certeza exatamente quais alterações foram estas, ms de acordo com os inimigos da Grande Loja de 1717 e referências dispersas em registros da Grande Loja foram mais ou menos o que se segue: A cerimônia de instalação do Venerável Mestre foi suprimida ou passou a ser automática; o Terceiro Grau foi remodelado; o simbolismo da preparação de um candidato foi alterado; um dos segredos mais importantes do Primeiro Grau foi transferido para o segundo, e vice-versa, alguns dos antigos “segredos geométricos” há muito praticados entre os “antigos maçons operativos” ou foram totalmente omitidos ou então mudaram para uma forma irreconhecível, etc. Como prova de que tais acusações de inovações não eram sem fundamento na verdade é um dos itens na edição de 1784 das Constituições da Grande Loja de 1717, que diz: “ Algumas variações foram feitas na forma estabelecida”, e continua para explicar que essas mudanças foram feitas, “mais eficazmente para afastá-los [isto é, os clandestinos] e aos seus cúmplices das Lojas”. 

Ainda outra causa que contribuiu para os novos desenvolvimentos tem a ver com o Arco Real, um assunto particularmente difícil de tratar, especialmente no papel e, além disso, em curto espaço. Laurence Dermott, o gênio criativo da nova Grande Loja (sobre a qual falarei mais em instantes), uma vez escreveu estas palavras:

“Um Maçom Moderno e membro de uma loja sob a Grande Loja de 1717 pode comunicar com segurança todos os seus segredos a um Maçom Antigo, membro de uma Loja sob as Constituições da Grande Loja iniciada em 1751, mas um Maçom Antigo não pode com segurança comunicar todos os seus segredos para um Maçom Moderno sem qualquer cerimônia.”

Depois de citar estas palavras, e algumas outras que não preciso incluir aqui, o Irmão. Fred J.W. Crowe, em sua revisão da História Concisa de Gould, à página 256, observa que, “Há pouca dúvida de que essas diferenças consistem em mudanças no Terceiro Grau e a introdução do Arco Real”. 

O ARCO REAL SE TORNOU UM PROBLEMA

A teoria aqui é que, na sua reorganização do Ritual, Desaguliers e seus companheiros nos primeiros dias da Grande Loja de 1717 deixaram o Terceiro Grau sem a sua conclusão lógica, de modo que certo segredo vital foi perdido, mas não foi encontrado; e que muitos dos irmãos, a fim de completar o simbolismo, ou adaptaram ou criaram uma cerimônia de complementar a reparar o prejuízo. Ao fazê-lo, eles correram contra as práticas da Grande Loja de 1717 e, assim, tornaram-se estigmatizados como “irregulares”. Firmes em sua convicção de que tinham razão e que a Grande Loja estava errada, eles persistiram em seu curso até que finalmente fundaram uma Grande Loja própria. Isto, conforme dito acima, é uma “teoria”, mas há fatos para suportá-la, e é razoável diante das coisas. 

Sejam os fatos o que forem, é certo que após a nova Grande Loja ter-se formado, ela fez uso da cerimônia conhecida como Arco Real e a praticava como uma parte legítima da Maçonaria antiga. Os resultados disso foram sucintamente descritos por W.J. Hughan em uma comunicação citada na página 1185, da História Revista da Maçonaria de Mackey, pelo irmão Robert I. Clegg:

“O Grau do Real Arco não foi iniciado por esses “Antigos” [quando a nova Grande Loja veio a ser criada], mas apenas adaptado por eles como uma cerimônia autorizada. Em autodefesa, os “Modernos” [como a Grande Loja de 1717 foi apelidada], que o tinham trabalhado antes da origem dos “Maçons Atholl” [outro nome para a nova Grande Loja], mas não oficialmente, aos poucos lhe deram mais proeminência. Em 1767, eles formaram um Grande Capítulo do Arco Real, e emitiram Cartas Constitutivas de Capítulos, empurrando o grau mais ainda que o 'Antigos', embora não reconhecido por sua Grande Loja; assim, quando da União das duas Grandes Lojas, em dezembro de 1813, o caminho estava preparado para a inauguração do 'Grande Capítulo Unido” em 1817, a cerimónia sendo adotada como a conclusão da cerimônia do Mestre Maçom, não como um grau separado e independente.” 

A mais importante de todas as teorias sobre a origem da nova Grande Loja é aquela desenvolvida por Henry Sadler, embora a palavra “teoria”, em vista dos muitos fatos reunidos em seu Masonic Facts and Fictions, é muito fraca para sugerir a força e poder de seu raciocínio. Devo me contentar com dar um breve resumo dos resultados a que chegou neste livro notável. 

O resultado mais importante do trabalho de Sadler foi abolir a antiga noção de que a Grande Loja “Antiga” resultou de um “cisma”, ou “secessão” da Grande Loja mais antiga. A teoria “cismática” foi divulgada pela Grande Loja mais antiga, e veio a ser geralmente aceita entre seus apoiantes e defensores; mesmo Gould, que normalmente era tão independente em sua teorização, teimosamente agarrou-se a ela muito tempo após os outros terem se convencido do ponto de vista de Sadler, razão pela qual foi considerado prudente fazer uma revisão de sua História Concisa. Sadler deixou claro que a Grande Loja “Antiga” cresceu, não de uma cisão da Grande Loja de 1717, mas devido a causas independentes, e que, em uma época antes da doutrina da competência exclusiva ter sido adotada não havia ilegalidade em tal medida. 

O próximo resultado mais importante de suas pesquisas foi que a principal inspiração para a fundação da Grande Loja “Antiga” veio dos maçons irlandeses que haviam se estabelecido em Londres, e que não haviam sido reconhecidos pela Grande Loja de 1717. Sadler mostra que a maioria dos membros da primeira loja autorizada pelos “Antigos” eram irlandeses, e que eles copiaram os usos e costumes da Grande Loja da Irlanda, e que, nas conversas da época eles eram devidamente apelidados de “maçons irlandeses”. A maioria destes homens eram de classes “baixas”, pintores, alfaiates, mecânicos, operários, e assim por diante, estando, assim, em nítido contraste com os membros das lojas que trabalhavam sob a Grande Loja de 1717. 

OS “ANTIGOS” ESTAVAM MAIS PRÓXIMOS DA G.L. DA IRLANDA

Os “Antigos” diferiam muito em suas práticas da Grande loja mais antiga e, ao mesmo tempo, e diferenciando-se, ficaram próximos aos costumes da Grande Loja da Irlanda: O próprio resumo isso por Sadler pode ser dado: 

“É suficiente, sem dúvida, que eu apenas mencione os pontos principais remanescentes de conexão e da mesma forma, sem maiores comentários: O Livro das Constituições e os Estatutos para lojas privadas; Cartas Constitutivas reconhecendo o grau do Arco Real; Selos da Grande Loja, bem como o método de afixa-los com as mesmas coloridas [as mesmas, isto é, como as da Grande Loja da Irlanda], que tanto quanto sei não eram utilizadas por qualquer outra Grande Loja; Certificados em Latim e Inglês; Constituição de uma loja somente para os Grandes Oficiais, e os nomes dos membros inseridos na frente do cadastro; Sistema de registro nos livros da Grande Loja; o fato de que os “Antigos” eram designados “maçons irlandeses”, suas lojas “Lojas irlandesas”, e suas cartas constitutivas 'cartas constitutivas irlandesas “por escritores independentes e não oficiais em diferentes períodos, de cerca de quinze anos após a sua organização em 1751 até o final do século passado” [isto é, do século XVIII]. 

Depois que a nova Grande Loja estava sendo organizada e depois que ela tinha começado a entrar em conflito com o corpo mais antigo, é claro, os defensores dos “Antigos” começaram a criar argumentos para defender suas próprias posições; em grande parte, tais argumentos eram apenas um apelo special, e não para serem agora levados muito a sério. Isso, a título de exemplo, era o argumento de Dermott de que a primeira Grande Loja tinha sido constituída de forma ilegal. Em seu Ahiman Rezon, edição de 1778, ele diz que “para formar uma Grande Loja são necessários Mestres e Vigilantes de cinco Lojas regulares”, e afirma que “isto é tão bem conhecido de todos os homens familiarizados com as antigas leis, usos, costumes e cerimônias de Mestres Maçons, que é desnecessário dizer mais.” Dermott devia saber na época que tal declaração era infundada; nunca houve tal lei. Conforme o tempo passou, este argumento foi substituído por outro no sentido de que os “Antigos” tinham montado uma loja para si, porque a Grande Loja mais antiga era culpada de inovações, que, embora fosse, sem dúvida, verdade, não poderia muito bem se sustentar porque os próprios “Antigos” eram culpados de muitas inovações próprias; porque eles tinham trazido para o sistema um grau maçônico inteiramente novo, uma inovação de primeira linha, seria de se supor. 

II. FORMAÇÃO DA GRANDE LOJA “ANTIGA”

Chegou a hora de dar um relato de como surgiu a Grande Loja “Antiga”. 

Antes, porém, direi uma palavra sobre Laurence Dermott, que apareceu muito em tudo o que aconteceu, recomendando ao leitor desde já que folheie as Notes de W.M. Bywater sobre Laurence Dermott e Sua Obra, publicado em Londres em 1884. Dermott nasceu na Irlanda em 1720, vinte e dois anos antes do nascimento de William Preston, que primeiro viu a luz do dia em Edimburgo, em 28 de julho de 1742, e que é o único de todos os luminares da Maçonaria daquela geração a compartilhar com Dermott uma fama igual. Dermott foi iniciado na Irlanda em 1740, e passou pelas cadeiras da Loja n º 26, na Irlanda, onde ele foi instalado Venerável Mestre em 24 de junho de 1746. Parece que ele foi muito bem educado para aqueles dias, e Gould é de opinião que ele provavelmente conhecia um pouco de hebraico, que seria responsável pelo carinho que ele tinha por cobrir seus trabalhos com caracteres hebraicos, aquele idioma antigo e difícil! Ele mudou-se para Londres, provavelmente quando jovem, com pouco dinheiro no bolso, mas muitos esquemas fervendo em sua cabeça; ele era incansável, alerta, inteligente, sarcástico e muitas vezes um pouco sem escrúpulos na guerra contra seus inimigos, que ele tinha aos montes. Parece que ele se engajou como pintor jornaleiro (Preston tornou-se um impressor jornaleiro, será lembrado), e que ele prosperou de forma que nos anos seguintes, ele gastou muito dinheiro em caridade e em suas atividades maçônicas. Em registros tardios ele era descrito como um comerciante de vinhos, e parece que sofria de gota. Uma vez iniciado ele nunca descansou, mas dedicou-se a ela como se fosse uma amante, com sinceridade apaixonada, não se permitindo desanimar, e sempre na linha de frente da batalha. Além de sua genialidade em colocar uma Grande Loja em curso, sua maior conquista foi a composição de sua Ahiman Rezon (que significa “Digno Irmão Secretário”), as Constituições da nova Grande Loja, e depois adotada por muitas outras Grandes Lojas, a nossa própria em Pensilvânia, Maryland e Carolina do Sul entre elas. 

A “GRANDE COMISSÃO” É FORMADA

Já chega de Dermott. A extensão das “iniciações irregulares” tantas vezes denunciadas nos registros da Grande Loja de 1717 pode ser demonstrada pelo fato de que devido a isso, a Grande Loja apagou de sua lista pelo menos quarenta e cinco lojas entre 1742 e 1752. Irmãos lidavam com isso, junto com muitos freelances e também alguns independentes, ou “Lojas de São João” (sobre as quais muitas coisas interessantes podem ser escritas) se reuniram e formaram uma “Grande Comissão” da “Antiga e Honorável Fraternidade de Maçons Livres e 

Aceitos”; esta Comissão transformou-se na “Grande Loja da Inglaterra, de acordo as Antigas Constituições”, Grande Loja esta posteriormente chamada de Grande Loja “Antiga”, em oposição à “Moderna”, como a Grande Loja mais antiga ficou apelidada. O registro mais antigo da Grande Comissão é datado de 17 de julho de 1751; naquele dia, as Lojas Nº. 2, 3, 4, 5, 6 e 7 foram autorizadas a conceder Dispensas e Cartas Constitutivas e agir como Grão-Mestre.” O cargo de Grão-Mestre foi deixado vago até que um “irmão nobre” pudesse ser encontrado para aceitar o cargo; e local da Loja Nº 1 foi deixado para ser ocupado pela Loja do Grão-Mestre, uma coisa sem dúvida sugerida pelo Grande Loja da Irlanda que tinha feito a mesma coisa. John Morgan foi eleito Grande Secretário em 1751, mas parece que ele foi negligente em seus deveres; portanto, Laurence Dermott foi eleito para ocupar o seu lugar em 5 de fevereiro de 1752, após o que os mais amargos inimigos do Grande Secretário não puderam reclamar de qualquer negligência, porque Dermott assumiu o espírito de liderança em tudo os que seseguiu, e foi ao seu gênio que um grupo de descontentes, originários daquilo que naquele tempo eram as classes mais baixas ou a classe média, foram capazes de avançar e crescer mais rapidamente, considerando o tempo que levou, que sua Grande Loja rival. 

Um dos expedientes empregados por Dermott foi conceder cartas constitutivas a lojas militares, algo que não havia sido feito antes, e que foi responsável pelo rápido crescimento da Maçonaria Antiga nas colônias americanas, graças à concessão de cartas constitutivas a lojas do exército nas forças britânicas que se tornaram missionários maçônicos neste continente. A Grande Loja Moderna depois seguiu este exemplo. Outro expediente foi franco e aberto incentivo ao Grau do Arco Real; é fácil entender que um sistema oferecendo quatro graus teria mais apelo em geral que outro oferecendo somente três. Também os Antigos foram capazes de assegurar os apoios formais das Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia, e além disso certa quantidade de um apoio ativo daqueles corpos influentes. 

Em uma lista dos Grandes Secretários da Grande Loja Antiga nota-se que Dermott serviu por dezoito anos: 

1751, John Morgan. 1752-70, Laurence Dermott. 1771-76, William Dickey. 1777-78, James Jones. 1779-82, Charles Bearblock. 1783-84, Robert Leslie. 1785-89, John McCormick. 1790-1813, Robert Leslie. Ainda mais instrutivo é a lista dos Grãos Mestres eleitos: 

1753, Robert Turner. 1754-56, Edward Vaughan. 1756-59, Earl of Blesington. 1760-66, Earl of Kelly. 1766-70, Hon. Thomas Mathew. 1771-74, John, terceiro Duque de Atholl (também grafado Athol, Athole). 1775-81, John, quarto Duque de Atholl. 1783-91, Earl of Antrim. 1791-1813, John, quarto Duque de Atholl. 1813, Duke of Kent. 

Pode-se observar que dos sessenta anos durante os quais os Antigos tiveram um Grão-Mestre, um duque de Atholl ocupou o trono durante 31 anos; por esta razão que os Antigos eram frequentemente chamados de “Maçons de Atholl”, e por uma razão correspondente que os Modernos eram, por vezes chamados de “Maçons do Príncipe de Gales”. 

ELES CRESCERAM RAPIDAMENTE

O zelo e a energia dos líderes Antigos, além da atratividade superior do seu sistema de graus, são demonstrados pela rapidez com que a nova Grande Loja progrediu. Em 1753, uma dúzia ou mais de lojas estavam na lista; durante os próximos quatro anos, e em grande parte devido à atividade de Dermott, vinte e quatro foram adicionadas; entre 1760 e 1766, enquanto o Conde de Kelly era nominalmente o Grão-Mestre, sessenta e quatro mais foram assumidas. 

Até 1813, quando a União foi efetuada, os Antigos reivindicavam um total de 359 lojas, mas é certo que em muitos casos, os nomes de lojas extintas ainda apareciam. 

Os Antigos adotaram como seu Livro das Constituições o Ahiman Rezon, em grande parte o trabalho de Dermott, embora ele seguisse de perto as principais linhas das Constituições da Grande Loja da Irlanda e, ao mesmo tempo, emprestasse com liberdade as Constituições de Anderson usadas pelos Modernos, publicada pela primeira vez em 1723; a primeira edição do Ahiman Rezon apareceu em 1756. Ao acompanhar de perto as Constituições já em uso, Dermott foi capaz de evitar um afastamento demasiado grande da Maçonaria como já era praticada, e ao mesmo tempo, embora involuntariamente, preparou o caminho para a União que veio depois, um fato de feliz presságio para a Maçonaria em geral. 

A existência de duas Grandes Lojas, ambas com sede em Londres, naturalmente, causou uma grande confusão e desentendimento entre os maçons comuns. Em muitos casos, tais irmãos não defendiam qualquer uma das partes, de modo que, em alguns casos, é de se registrar que havia lojas que seguiam ambas as constituições; mas na maioria das vezes havia uma boa dose de amargura entre os partidários, embora se deva dizer que os Antigos eram mais ávidos de controvérsia que os Modernos, e que, em quase todos os casos, quando todos os ramos de oliveira eram estendidos, era sempre do campo desses últimos. Um exemplo da atitude conciliatória dos Modernos é oferecido por Preston, que diz que em 1801 quando acusações eram proferidas contra irmãos sob os Modernos por suas atividades em lojas Antigas, o assunto era abandonado. 

Em 1797, um movimento foi feito com vistas à união, mas o projeto fracassou. Dois anos depois, porém, os dois Grão-Mestres, o Conde de Moira pelos Modernos e o Duque de Atholl pelos Antigos, agiram em conjunto para que a Maçonaria fosse isentada da Lei de Prevenção de Sociedades Secretas na Inglaterra. Além disso, como outra etapa que abriu caminho para uma fusão, a Grande Loja Moderna conseguiu garantir os endossos das Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia de forma a colocar os Antigos em uma posição um pouco duvidosa, algo que reverteu completamente a situação original, até onde esses dois Grandes Corpos estavam envolvidos. 

A UNIÃO ACONTECE

Já em 1809, comissões se reuniram para considerar a “propriedade e praticidade da união”. Em 26 de outubro daquele ano, o Conde de Moira (pelos Modernos) concedeu carta a uma loja especial para servir como um meio para se chegar a uma fusão; esta loja realizou sua primeira sessão em 21 de novembro e, em seguida, resolveu chamar-se “Loja Especial de Promulgação”. Em 10 de abril do ano seguinte, o Conde de Moira informou sua Grande Loja que tanto ele quanto o Grão Mestre dos Antigos” eram ambos totalmente de opinião, que seria um evento verdadeiramente desejável consolidar, sob um só chefe as duas Sociedades de Maçons que existiam neste país”. Estes resultados foram transmitidos à Grande Loja dos Antigos, onde esta confissão franca de um desejo de união foi recebida com cordialidade sincera, de modo que, após concessões terem sido feitas por ambos os lados, embora mais calorosamente pelos Modernos, acordou-se por todo lado que as diferenças devessem ser resolvidas, e uma união ser feita. “A Grande Assembleia de Maçons para a União das Duas Grandes Lojas da Inglaterra”, foi realizada em 27 de dezembro de 1813. Com as devidas cerimônias solenes, a tão desejada fusão foi consumada, todos os Grandes Oficiais demonstrando, quase sem exceção, um espírito fino e estadista. Durante o mês anterior, o Duque de Atholl tinha renunciado Grão Mestrado dos Antigos em favor do Duque de Kent, este último sendo instalado em 01 de dezembro; na época da União, este último nomeou o Duque de Sussex como “Grão-Mestre da Grande Loja Unida de dos Maçons Antigos da Inglaterra” e ele foi eleito por unanimidade. 

Cada uma das duas Grandes Lojas participantes nomeou uma comissão de nove Mestres Maçons ou Ex-Veneráveis especialistas e estes formaram uma Loja de Promulgação, cujo objetivo era elaborar uma espécie de ritual aceitável por todos. Este alojamento continuou o seu trabalho de 1813 até 1816, muitas vezes contra a oposição; mas embora seu trabalho fosse consequente e oficial, a fusão real entre os dois sistemas continuou de acordo com as circunstâncias nas lojas privadas, de modo que a influência da Loja de Reconciliação era mais acadêmica que real. 

O trabalho de preparação de um novo Código de Regulamentos para a Grande Loja Unida foi encaminhado a uma Câmara de Finalidade Geral; o seu trabalho foi aprovado pela Grande Loja Especial em 23 de agosto de 1815. Neste meio tempo, e para estabelecer relações mais próximas possíveis entre a nova Grande Loja Unida e as Grandes Lojas da Escócia e da Irlanda, uma Comissão Internacional foi criada que começou suas deliberações em 27 de junho de 1814, continuando até 2 de Julho do ano seguinte. Como resultado, foi declarado que “as três Grandes Lojas estavam perfeitamente em uníssono em todos os grandes pontos essenciais do Mistério e da Arte, de acordo com as tradições imemoriais e uso ininterrupto dos Maçons Antigos”; oito resoluções, o chamado Pacto Internacional, foi adotado. 

IV. A GUISA DE CONCLUSÃO

O efeito de toda essa reorganização sobre o ritual foi muito bem resumida pelo irmão W.B. Hextall que citarei seu parágrafo integralmente de Ars Quatuor Coronatorum, vol. XXIII, página 304: (o leitor deve consultar aquele volume inteiro).

“A conclusão a que eu, pessoalmente, chego é que por muitos anos após a União - falando aproximadamente, até por volta de 1825, uma grande quantidade de” dar e receber” relacionada com o ritual ocorreu não oficialmente em Londres, assim como nas províncias, e que nossas Cerimônias do Ofício, conforme praticadas a partir de 1830, e anteriormente, se desviaram consideravelmente daquelas que foram acordadas na Loja de Promulgação entre 1809-1811; trabalhadas na Loja da Reconciliação, 1813-1816, e aprovadas pela Grande Loja em 05 de junho de 1816. O material de onde temos de fazer inferências é ligeiro, mas ao mesmo tempo convincente; e quando (para citar apenas alguns pontos) encontramos deveres originalmente atribuídos ao Primeiro Diácono transferido para o segundo; confiar os meios de prova satisfatória levando à pratica do segundo grau de outra forma; e a admissão de um membro ou visitante 'por meio de prova de ele ter se identificado nos termos do grau em que a loja está aberto em uma inspeção pelas três grandes luzes na entrada' (atas da Loja de Promulgação, 05 de janeiro de 1810) caídos em completo desuso; é difícil evitar perceber que, em grande medida, o assunto do trabalho da Maçonaria deve ter sido colocado no cadinho, e que independentemente do meio de instrução disponibilizados oficialmente em 1813.” 

A fim de ajudar os irmãos a encontrar seu caminho para sair desta confusão, as Lojas de Instrução surgiram, algumas das quais chegaram a ser instituições permanentes; e foi como resultado da influência destas que os diferentes “trabalhos” entram em uso na Inglaterra “emulação”, “Estabilidade”, “Oxford”, etc. 

Se se assume uma visão suficientemente ampla da história da maçonaria Inglesa de 1717 até que a União tivesse sido aceita em todos os lugares, ver-se-á que todo o período assume o caráter de uma grande transição, e que nesta perspectiva, os meros detalhes e mecanismos do Grande Corte, juntamente com o ato oficial subsequente da União caem para segundo plano como eventos, grandes em importância, mas da natureza de incidentes. A mudança de Maçonaria Operativa para Maçonaria Especulativa oficialmente feita em 1717 foi profunda, além da nossa compreensão habitual da mesma; e tal mudança só pode ser realizada completamente após muitos anos, muita experimentação e uma longa evolução. Nessa visão, o grande resultado da União é que ela trouxe, finalmente, a completa cristalização e solidificação da Maçonaria Especulativa, fixou seu caráter para as gerações vindouras, estabeleceu no Reino Unido, o princípio da Jurisdição Territorial Exclusiva, e tornou possível o estabelecimento dentro da Maçonaria daqueles Poderes e Autoridades que hoje impedem a dispersão de suas energias e a divisão de suas forças. Mesmo até agora aquela influência está atuando; e vai continuar a atuar, por conta de sua lógica inevitável, uma maneira será encontrada para unir e unificar a Maçonaria em todo o mundo, cuja consumação todos nós podemos dizer sinceramente:

Assim Seja ! 

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES
Mackey's Encyclopedia - (Revised Edition): Ahiman Rezon, 37; Ancient, or Antient, or Atholl Masons, 55; Antiquity, Lodge of, 65; Book of Constitutions, 112; Christianization of Freemasonry, 148; Dermott, Laurence, 206; Grand Lodge, 306; Grand Master, 307; Innovations, 353; Ireland, 357; Lectures, History of the, 430; Preston, William, 579; Prichard, Samuel, 583; Ramsay, A. M., 607; Reconciliation. Lodge of, 611; Royal Arch Degree, 643; Schisms, 668; SymbolicDegrees, 752; United Grand Lodge of England, 815; York Grand Lodge, 867. 

LIVROS CONSULTADOS
Ahiman Rezon, all eds., Laurence Dermott. Ars Quatuor Coronatorum, V, 166; VI, 44, 65; VIII, 233; XI, 190, 202; XXIII, 37, 162, 215; XXIV, 268. Atholl Lodges, R.F. Gould. Book of Constitutions, edtd. by Entick. Book of Constitutions, edtd. by Noorthouck. Builders, The, Joseph Fort Newton. Century of Masonic Working, F.W. Golby. Concise History, R.F. Gould. Grand Lodge of England, A.F. Calvert. History of Freemasonry, Findel. History of Freemasonry, R.F. Gould. History of the Lodge of Edinburgh, Murray Lyon. Illustrated History of the Lodge of Improvement, Henry Sadler. Illustrations of Masonry, Wm. Preston. Mackey's Revised History of Freemasonry, R.I. Clegg. Masonic Facts and Fictions, Henry Sadler. Memorials of the Masonic Union, W.J. Hughan. Military Lodges, R.F. Gould. Minutes of the Grand Lodge of England, W.J. Songhurst, Ed. Notes on Lau. Dermott, W.M. Bywater. Origin of the English Rite, W.J. Hughan. Short Masonic History, Fred Armitage. Story of the Craft, Lionel Vibert. 




A PRIMEIRA GRANDE LOJA - CAPÍTULOS DE HISTÓRIAS MAÇÔNICAS - PARTE X

PARTE X - A PRIMEIRA GRANDE LOJA

 
Por Ir.´. H.L. HAYWOOD, Editor - The Builder Magazine
 
Tradução – José Antonio de Souza Filardo – M .´. I .´. – GOB/GOSP  

As assembleias populares de todos os cidadãos do sexo masculino para a finalidade fazer cumprir leis eram uma antiga instituição saxã na Inglaterra. Cada cidade ou condado tinha a sua; a assembleia (mais tarde, tribunal) do condado reunia-se duas vezes por ano; a Witanagemote, em que todos os homens do reino deviam se reunir, era convocada uma vez por ano. No decorrer do tempo estas assembleias vieram a ser constituídas por representantes, mas originalmente esperava-se que cada cidadão do sexo masculino estivesse presente pessoalmente. As corporações de Maçons Operativos, como todas as outras corporações do período, também tinha suas próprias assembleias. 

Muito se fala disso nas Antigas Obrigações (Old Charges) mas as referências nela contidas são tão escassas e às vezes tão confusas que até hoje não foi possível saber como as assembleias maçônicas eram organizadas e gerenciadas. R.F. Gould era de opinião que as “assembleias” referidas nas Antigas Obrigações nada mais eram que as assembleias gerais acima referidas, mas G.W. Speth e outros de associados de Gould não podem concordar com ele porque eles encontraram tantas evidências para mostrar que Maçons tinham suas próprias assembleias do ofício como outras corporações. Pode muito bem ser que os maçons tinham suas próprias assembleias, mas as realizavam ao mesmo tempo e local que a assembleia geral dos cidadãos, a fim de economizar tempo e inconveniência. Para o presente efeito, não é necessário discutir a questão; o fato é que os maçons em tempos antigos tinham algum tipo de assembleia geral, ou central, reunida a intervalos fixos em que os assuntos relativos ao Ofício eram tratados. 

Conforme a população aumentou e a máquina do governo se tornou mais complicada, essas assembleias foram interrompidas, em todo caso é o que se pode inferir com base nos escassos registros disponíveis. Na época em que as lojas começaram a ser constituídas por membros especulativos parece que não foram realizadas quaisquer assembleias, e que as lojas existiam independentemente umas das outras, sem qualquer autoridade central que as governasse. Cada uma dessas lojas autônomas poderia iniciar maçons, a seu critério, e de acordo com as regras antigas, de modo que não era necessário, como é hoje, que um grupo de maçons primeiro garanta uma carta constitutiva antes de se organizar em uma loja. 

Este é o quadro que devemos ter diante de nossos olhos quando pensamos na Maçonaria como ela era no início do século XVIII. Aqui e ali, espalhadas pelo Reino, estava lojas independentes; em alguns casos, a adesão era totalmente Operativa, de modo que cada membro se dedicava à atividade da construção; em outros casos, membros não operativos constituíam uma parte do quadro, e em alguns casos, todo ele. A unidade geral do Ofício era mantida pela adesão aos velhos costumes e pelo uso das Antigas Obrigações (Old Charges), que, em muitos casos pode-se supor, funcionava de forma parecida com as cartas constitutivas atuais. 

A PRIMEIRA GRANDE LOJA É ORGANIZADA

Foi em meio de tais circunstâncias que a primeira Grande Loja foi organizada em Londres em 1717. William Preston, cujas Ilustrações da Maçonaria fizeram tanto para moldar a concepção popular da história maçônica, diz que após o incêndio de Londres, várias lojas maçônicas foram organizadas em Londres e que Sir Christopher Wren era uma espécie de Grão-Mestre de todas elas, e quando Wren ficou velho demais para cuidar dos assuntos do Ofício, um movimento foi criado para organizar uma Grande Loja. Na medida em que os registros mostram que Wren era membro da Loja Antiquity e, portanto, pertencia à Maçonaria, não há nada de improvável no relato de Preston, mas Preston tinha deixado em tamanha dúvida por sua precisão em matéria de fato que se deve deixar o assunto em suspenso. 

Quase a única fonte de conhecimento que possuímos da formação da primeira Grande Loja são as páginas das Constituições de Anderson, edição de 1738. Ali se pode ler o relato que se segue, cujas palavras são tão familiares a todos os estudantes da história maçônica:

“Depois que a Rebelião terminou, em 1716 d.C., as poucas Lojas de Londres “... acharam adequado cimentar sob um Grande Mestre como centro de União e Harmonia, entre outras as lojas que se reuniam, 

1. Na cervejaria Goose and Gridiron no adro da Igreja de St. Paul. 

2. Na cervejaria Crown em Parker's-Lane, perto de Drury Lane. 

3. Na Taverna Apple Tree em Charles Street, Covent Garden. 

4. Na Taverna Rummer and Grapes em Channel Row, Westminster.  
“Eles e alguns antigos Irmãos se reuniram na referida Apple Tree, e tendo eleito o mais antigo Mestre Maçom para presidir (agora o Mestre de uma Loja), eles se constituíram como uma Grande Loja pro Tempore, na Forma Adequada, e em seguida reviveram a Comunicação Trimestral dos Oficiais de Loja (chamada a Grande Loja), resolveram realizar a Assembleia e Banquete Anual e, em seguida, escolher um GRANDE MESTRE entre eles, até que tivessem a Honra de um Nobre Irmão como seu Chefe. 

Dessa forma, 

No dia de São João Batista, no 3º Ano do rei George I, 1717 d.C., a ASSEMBLEIA e Banquete dos Maçons Livres e Aceitos foi realizada na referida cervejaria Goose and Gridiron. 

“Antes do Jantar, o mais antigo Mestre Maçom (agora o Mestre de uma Loja) na Presidência, propôs uma lista de Candidatos adequados; e os Irmãos, por Maioria de Mãos elegeram o Sr. Anthony Sayer, Cavalheiro, Grão-Mestre dos Maçons, que, sendo em seguida investido com as insígnias do Cargo e do Poder pelo referido mais antigo Mestre, e instalado, foi devidamente cumprimentado pela Assembleia que lhe rendeu Homenagem.” 

Sr. Jacob Lamb, Carpinteiro e Capt. Joseph Elliot, Grandes Vigilantes 

AS QUATRO LOJAS ANTIGAS

Havia, sem dúvida, diversas lojas de Tempo Imemorial em ou perto de Londres, mas ou apenas quatro delas foram convidadas a participar na formação da Grande Loja, ou então por algum motivo, os nomes das outras lojas participantes foram omitidos dos registros. De acordo com a Lista Gravada de 1729, a loja que se reunia no Goose and Gridiron foi constituída em 1691. Esta antiga loja fez várias mudanças depois de 1717, e uma ou duas vezes mudou seu nome; ela se mudou para a Taverna Mitre em 1768 e começou a se chamar Loja Antiguidade, No. 1. Esta loja não era nem grande nem influente até que em 1774 ela teve a sorte de eleger como seu Venerável o famoso William Preston, que lhe deu prestígio e poder. Quando todas as lojas foram renumeradas após a União dos “Antigos” e “Modernos” a Antiquity foi injustamente numerada Nº 2, a primazia sendo concedida a uma loja formada sob uma carta constitutiva “Antiga” em 1735. 

À segunda das “quatro lojas antigas”, que se reunia na Taverna Crown em 1717, faltou vitalidade desde o início; depois de se mudar de um lugar para outro, ela desapareceu completamente cerca de 1736, e foi riscada da lista gravada em 1740. Em 1752, alguns irmãos, nenhum deles tendo sido membro da Loja originalmente, pediram que ela fosse ressuscitada, mas na medida em que a Grande Loja não os considerou capazes de continuar, seu pedido foi rejeitado. 

A terceira loja entre as quatro antigas se reunia na Taverna Apple Tree, onde a primeira Grande Loja foi planejada. O Sr. Anthony Sayer, primeiro Grão-Mestre, era membro desta loja. Ela também se mudou, e em 1723, assim nos é contado por Anderson, recebeu uma nova carta constitutiva; por que, é impossível dizer. Por alguma razão, talvez por isso, em 1729 ela passou na lista para o décimo primeiro lugar. Em 1740, ela foi transferida para o décimo lugar, e em 1756 recebeu o sexto lugar. Em 1768 ela mudou seu nome para Lodge of Fortitude, e em 1818, após unir-se com a Cumberland Lodge (organizada em 1753), adotou o título Fortitude and Old Cumberland Lodge, n. º 12. 

Da n º 4 original, o Irmão A.F. Calvert, a cujo livro “The Grand Lodge of England” sou especialmente grato neste contexto particular, nos oferece este interessante relato condensado: 

“A partir de 1717 até 1736, a n º 4 original, que se tornou Nº 3 em 1729, e Nº 2 em 1740, era a primeira Loja do período do Renascimento. Considera-se provável que os membros das números 1, 2 e 3 eram compostos em sua maior parte de pedreiros trabalhadores e irmãos da classe dos artesãos, e aquelas lojas eram lojas operativas, enquanto a n º 4 pode ser considerada especulativa ou loja de cavalheiros por excelência, e todos os homens de liderança da Ordem nos primeiros dias vieram dela. Enquanto os irmãos pertencentes a outras três lojas antigas não eram imponentes tanto quanto ao número e posição social, a n º 4 tinha um quadro de setenta membros, e entre as pessoas de posição e eminência Maçônica pertencentes à sociedade estavam o Duque de Richmond, que estabeleceu a Comissão de Caridade; Lord Paisley, o Duque de Queensberry, Lord Waldegrave, Sir Richard Manningham, Conde La Lippe, Barão des Kaw, Sir Adolphus Ongleton, Earl de Loraine, Sir Thomas Prendergast, Lord Carmichael, Conde Walzdorf, Marguis des Marches, Sr. William Cowper, Grande Secretário e os irmãos George Payne, Desaguliers e James Anderson.” 

As outras três Lojas, com seus quadros de cerca de quinze cada, contavam pouco em comparação com a Old Horn Lodge, que durante os primeiros 20 anos da existência da Grande Loja pode-se dizer que foi responsável por sua política e desenvolvimento. Então, ocorreu o declínio que foi experimentado por tantas Lojas antigas, após um período de excepcional destaque e prosperidade, e após cerca de 1735 uma queda perceptível de seus quadros, sua participação na Grande Loja e sua contribuição para a Caridade que tinha sido em grande parte fundamental na fundação. Em 1746, os membros da “Loja n º 2 em Horn, em Westmr”. foram intimados a dar suas razões para se ausentarem das assembleias gerais da sociedade “por um tempo considerável”, e em 03 de abril de 1747, foi decretado que a Loja fosse “apagada do Livro de lojas”. Durante quatro anos, a ordem esteve em vigor, mas em 4 de abril de 1751, lemos em atas da Grande Loja: 

“O Irmão Lediard informou aos irmãos que Venerável Mestre Irmão Payne, LGM, e vários outros membros do Lodge recentemente reunida na Horn, Palace Yard, em Westminster, tinham sido muito bem sucedidas em seus esforços para reviver a referida Loja, e que eles estavam dispostos a pagar 2 shillings para uso da Grande Caridade e, portanto, solicitavam que, por respeito ao irmão. Payne e diversos outros LGMs que eram membros dela, a referida Loja fosse restabelecida, e tivesse sua posição e colocação anterior na Lista de Lojas, o que foi devidamente providenciado.”

“Mas a Loja Old Horn restaurada como corpo independente não conseguiu recuperar seu antigo prestígio e prosperidade, e após mais 23 anos de atividade infrutífera, parecia estar à beira da extinção. Mas, em 1774, a Loja Somerset House, que havia sido formada pelo irmão Dunckerley no HMS Prince em 1762, removido para o HMS Guadalupe em 1764, revivida em uma «Sala particular, Somerset House “em 1766 e numerada como 279 na Lista de 1767, estava em uma condição florescente. Sua lista de membros incluía os nomes de maçons notáveis como James Heseltine, William White, James Galloway, Rowland Berkeley, Rowland Holt, o Exmo. Charles Dillon, o Duque de Beaufort e o Duque de Buccleuch. Ela era um assinante liberal e regular das Caridades da Grande Loja, sua influência era poderosa na Loja dos Grandes Vigilantes, e seu fundador, Dunckerley, exerceu um gênio positivo na generalização e organização da maçonaria. Em 1774, a Loja possuía todos os atributos invejáveis, com exceção da antiguidade, e aquela vantagem ela adquiriu através da absorção do número original e constituição imemorial da Loja Old Horn, que, com seu quadro reduzido a quinze membros, estava, então, arrastando-se para o colapso” .

OS PRIMEIROS GRÃO-MESTRES

ANTHONY SAYER

O Sr. Anthony Sayer, o primeiro irmão jamais eleito para o distinto cargo de Grão-Mestre, como agora entendemos esse termo, é uma figura fraca e patética que, em lampejos que pudemos ter dele através da névoa do tempo, apela mais para nossa simpatia do que nossa admiração. Em 1717, ele foi instalado Grão Mestre “pelos referidos velhos Mestres Maçons presentes”; dois anos depois, Desaguliers o nomeou Grande Vigilante, de modo que, qualquer que tenham sido seus defeitos, ele era evidentemente um homem de certa posição. Cinco anos depois, ele apelou por caridade à Grande Loja sobre a qual ele havia presidido, mas não há nenhum registro para que mostre o auxílio que ele recebeu, se houve algum. Em 1730, ele foi convocado perante a Grande Loja para explicar por que ele tinha ajudado na constituição rregular de lojas. Em 21 de abril do mesmo ano, ele novamente pediu ajuda e recebeu 115 s da Caridade Geral. Mas, em Agosto do mesmo ano ele foi novamente convocado para responder a denúncias contra sua conduta irregular; atas da Grande Loja contêm a seguinte entrada com data de 15 de dezembro de 1730: 

“O Irmão Sayer igualmente compareceu para responder à Acusação feita contra ele, e depois de ouvir ambas as partes, e alguns dos irmãos sendo de opinião que o que ele tinha feito era clandestino, outros que era apenas irregular, e a Loja foi de opinião que era apenas irregular; sobre isso o Grão Mestre Adjunto disse ao irmão Sayer que ele foi absolvido das Acusações contra ele e recomendou-lhe nada fazer tão irregular no futuro.”

A estrela do Irmão Sayer estava, evidentemente, em eclipse. Durante ou logo após 1733 ele se tornou Cobridor da Loja Old King's Arms, Nº 28. Pouco tempo depois, ele recebeu caridade desta loja. Ele morreu em 1742, recebendo um enterro maçônico o qual muitos maçons distintos estiveram presentes. Há conjecturas de que o irmão Sayer possa ter sido um dos antigos Maçons Operativos que nunca se tornaram defensores sinceros do novo regime; em caso afirmativo, isto pode explicar suas irregularidades. Em todo caso, sua conduta revela que nos primeiros anos, a nova Grande Loja enfrentou muitas dificuldades a partir de dentro e também de fora, e que a nova ordem das coisas tinha que ganhar seu caminho contra o sentimento de que sua própria existência era uma inovação aos métodos antigos da Ordem. 

O Irmão George Payne, o segundo Grão Mestre proclamado em 24 de junho de 1718, era um homem de estofo diferente; a partir de suas atividades pode-se supor que, ao contrário de Sayer, ele era um dos líderes mais zelosos no trabalho da reorganização da Ordem a partir de uma base operativa para outra especulativa, e não há dúvida, mas que a Maçonaria está mais endividada com ele do que se pode dizer. Da sua vida privada pouco se sabe, exceto que ele era um Secretário do Escritório de Impostos e tinha alguns recursos. Sua popularidade entre os irmãos é mostrada por sua eleição como Grão-Mestre para um segundo mandato em 1720, sucedendo o Dr. Desaguliers, de quem falaremos mais a seguir. 

Segundo o Dr. Entick, foi Payne quem primeiro interessou a aristocracia Inglês e a nobreza na Ordem, e que, se a afirmação tem fundamento, era em si suficiente para lhe dar um grande nome em nossos anais, tendo em conta os resultados de longo alcance que se seguiram quando um “irmão nobre” foi colocado “à testa” da Grande Loja. Payne estava especialmente interessado, parece, em reajustar as antigas constituições aos novos usos da Fraternidade reorganizada, e foi ele quem realizou, em 1720, o primeiro projeto de Regulamento Geral posteriormente incorporado, com algumas alterações, às Constituições de Anderson de 1723. Ele foi fiel e ativo até ao final de sua vida e serviu como membro da comissão designada para se encarregar da revisão das Constituições feita em 1756. 

DR. JOHN THEOPHILUS DESAGULIERS

Mas, o mais influente dos primeiros Grãos Mestres foi o terceiro, Dr. John Theophilus Desaguliers (ver o artigo do irmão Dudley Wright em outra página), cuja influência era tão grande que Mackey lhe deu o crédito por criar a Maçonaria Especulativa, que, mesmo sendo uma declaração excessiva, não exagera muito a nossa dívida para com este homem notável.

Ele era filho de um refugiado francês protestante que fugiu da perseguição religiosa após a Revogação do Édito de Nantes. Desaguliers tornou-se, em 1714, um membro da Royal Society, a cujo corpo erudito ele deu contribuições tão valiosas que se tornou amigo pessoal de Sir Isaac Newton e em pelo menos duas ocasiões, foi chamado para falar perante o rei. De suas atividades maçônicas, o Irmão Calvert oferece este relato: 

“No ano do Grão Mestrado de Desaguliers (1719-1720), 'vários irmãos de mais idade que tinham negligenciado a Ordem retornaram à sua fidelidade maçônica; alguns Nobres foram iniciados na Ordem, e algumas lojas novas foram constituídas.' O próprio Grão-Mestre 'reviveu os antigos Brindes e Saúdes regulares e peculiares dos Maçons Livres'. Em 1721, por ocasião do Festival, Desaguliers fez 'um discurso eloquente sobre os Maçons e a Maçonaria', e sete anos depois, ele obteve o consentimento da Grande Loja para sua proposta de que, 'a fim de realizar a grande festa da melhor maneira, certo número de administradores deveria ser escolhido, que deverão cuidar e dirigir a referida festa, juntamente com os Grandes Vigilantes.' Inventando discursos após os jantares, introduzindo orações maçônicas, e revivendo a figura dos Stewards era prestar serviço para a prática do Ofício, e garantindo a presença de muitos maçons eminentes e recrutando alguns nobres como membros, Desaguliers foi fundamental para colocar a nova autoridade em uma base mais ampla e popular. 

Sayer era uma nulidade a quem a sorte elevou ao Supremo Malhete; Payne era um homem de substância e de inteligência, que era zeloso com o avanço da Ordem; o próprio Desaguliers, dos três, emprestou uma verdadeira distinção ao cargo de Mestre. E o fato permanece que a Maçonaria definhou até que o terceiro Grão Mestre alistou o interesse de alguns nobres irmãos pela Sociedade e, em 1721, quando o Duque de Montagu aceitou o Grão-Mestrado, a Maçonaria “subiu com um salto para o destaque e estima.” 

Naquele ano, Desaguliers visitou a Loja de Edimburgo, e foi filiado como membro da Fraternidade Escocesa. Sobre este evento memorável, lemos na história da Loja da Escócia de Lyon: 

“Na Marie's Chapell, em 24 de agosto do ano de 1721 - presente James Wattson, Diácono dos maçons de Edimburgo. Presentes Neste dia o Doutor John Theophilus Desaguliers, membro da Royal Society, e Capelão da Ordem de sua graça James Duque de Chandois, último Mestre Geral das Lojas Maçônicas na Inglaterra, estando na cidade e desejoso de ter uma conferência com o Diácono, Vigilante e Mestres Maçons de Edimburgo, o que lhe foi devidamente concedido, e encontrando-se ele devidamente qualificado em todos os pontos da Maçonaria, eles o receberam como um Irmão em sua Sociedade:'“ 

DR. JAMES ANDERSON

Do Dr. James Anderson, cujo nome é conhecido, sempre que os maçons se reúnem, e que compartilha com Desaguliers o lugar mais proeminente ao sol da fama Maçônica, pouco se sabe com certeza, apesar de Thorpe, Vibert, Robbins e vários outros irmãos inglese terem buscado para cima e para baixo cada pedaço de informação possível. Ele nasceu em Aberdeen, Escócia, mas se mudou para Londres, onde serviu por muitos anos como um pastor presbiteriano, e onde era capelão do Conde de Buchan. Não se sabe quando ou onde Anderson foi iniciado maçom, mas foi, talvez, na Escócia, pois que ele estava, evidentemente, familiarizado com a terminologia da Ordem Escocesa, alguns termos dos quais ele introduziu nas lojas inglesas. Sua fama maçônica se assenta em suas Constituições, a primeira edição das quais foi publicada em 1723, a segunda em 1738. De acordo com a última edição, sua própria narrativa desta operação aparece desta maneira:

29 de Setembro de 1721. “Em Culto a Sua Graça e A loja constatando falhas em todas as cópias das antigas Constituições Góticas, o Irmão James Anderson, A.M. ordenou redigir a mesma de um método novo e melhor.” 

27 de dezembro de 1721. “O Duque de Montagu nomeou 14 irmãos eruditos para analisar o Manuscrito do irmão de Anderson, e preparar um relatório”. 

25 de março de 1722. “A Comissão de 14 relatou que tinham lido o Manuscrito do irmão Anderson, entre outros, a História, Obrigações, Regulamentos e Canção do Mestre, e depois de algumas alterações o aprovaram; Sendo assim, Loja desejava que Grão-Mestre desse a ordem para que fosse impresso.”

A maneira na qual, e as razões pelas quais, ele produziu uma segunda edição em 1738 são dados pela Ata da Grande Loja da Inglaterra, 24 de fevereiro de 1735: 

“O Irmão Doutor Anderson, ex-Grande Vigilante apresentou um memorial estabelecendo que, considerando que a primeira Edição da Constituição Geral da Maçonaria, compilada por ele mesmo fora completamente vendida, e uma segunda edição era muito desejada, e que ele havia dedicado alguma reflexão a Algumas alterações e acréscimos que possam muito bem ser feitos na mesma, que estava agora pronta para ser colocada diante da Grande Loja para a sua aprovação, se eles estivessem satisfeitos em recebê-las. 

“Foi resolvido que um comitê a ser nomeado, consistente nos atuais e ex-Grande Oficiais, bem como outros Mestres Maçons que eles achassem adequado convocar para rever e comparar a mesma, e quando terminado eles poderiam colocar a mesma diante da Grande Loja solicitando sua aprovação. 

“Ele ainda declarou que um William Smith, conhecido como maçom, tinha sem o seu consentimento pirateado uma parte considerável das Constituições da Maçonaria citada em prejuízo ao referido Irmão Anderson, sendo ela sua Exclusiva Propriedade. 

“Ficou então resolvido, e ordenado que todos os Mestres e Vigilantes presentes tudo farão em seu poder para interromper prática tão injusta, e evitar que os referidos livros de Smith fossem comprados por qualquer dos Membros das suas respectivas Lojas.

” Neste tempo remoto é quase impossível para nós evitar a leitura naqueles eventos iniciais de nossas próprias ideias de Maçonaria, mas é quase certo que os poucos irmãos que se reuniram pela primeira vez informalmente na Taverna Apple Tree, em 1716, e depois novamente de maneira mais formal na Taverna Goose and Gridiron no ano seguinte, não tinham planos de tão longo alcance de trazer à existência uma fraternidade de nível mundial. Alguns deles, como Sayer, talvez, não tinham pensado a não ser em colocar a Arte antiga em bases mais seguras, deixando-a inalterada em sua natureza; e outros podem ser, tinham planos para uma nova ordem das coisas; mas é mais provável que a maioria estivesse interessada apenas no assunto do momento e se contentavam em deixar as coisas seguirem o seu curso. 

Em todo caso, aqueles irmãos, a quem olhamos para trás com um interesse que os surpreenderia hoje, se pudessem saber disso, fizeram melhor do que sabiam, de modo que, como resultado de seus esforços, existem hoje alguns milhões de nós no mundo ligados pelo Vínculo Místico. A antiga Maçonaria, em que havia desde muito tempo uma mistura de elementos Operativos e Especulativos, foi de uma vez por todas transformada inteiramente em especulativa, embora muitos dos usos antigos tenham sido mantidos. Uma nova forma de organização foi planejada que com o tempo foi plenamente testada; e a partir de algumas fontes ainda desconhecidas de genialidade foi trazida ao mundo uma arte e uma filosofia de vida que atrai hoje os melhores e mais sábios. 

Dessas coisas podemos estar certos, mesmo se o curso atual dos acontecimentos permaneça obscuro, e dessas coisas podemos nos orgulhar, pois houve poucos eventos que marcaram época nos últimos 500 anos além do estabelecimento da primeira Grande Loja em Londres, em 1717. 

REFERÊNCIAS SUPLEMENTARES
Mackey's Encyclopedia - (Revised Edition): Accepted, 10; Anderson, 57; Antiquity, Lodge of, 65; Book of Constitutions, 112; Desaguliers, 207; England, 242; Freemasonry, Early British, 283; Gilds, 296; Grand Lodge, 306; Grand Master, 307; Hall, Masonic, 314; Lodge, 449; London, 452; Preston, William, 579; Revival, 622; Speculative Masonry, 704; Wren, Sir Christopher, 859. 

LIVROS CONSULTADOS
Ars Quator Coronatorum. Author's Lodge Transactions, I, II, III. Builders, The, Newton. Concise History of Freemasonry, Gould. Constitutions of the Freemasons, Anderson, 1738 edition. Evolution of Freemasonry, Darragh. Four Old Lodges, Gould. Grand Lodge of England, The, Calvert. History of Freemasonry, Gould. History of Masonry, Findel. Mackey's History of Freemasonry, Clegg. Minutes of the Grand Lodge of England, edited by Songhurst. National Dictionary of Biography. New Encyclopedia of Freemasonry, Waite. Origin of the English Rite, Hughan. Preston's Masonry, Oliver. Short Masonic History, A, Armitage. Story of the Craft, Vibert. Tradition, Origin and Early History of Freemasonry, Pierson.