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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017



O LEGADO DOS DEUSES


Por Oliveira Pereira (Oriente de Portugal)

A ESFINGE E A EVOLUÇÃO HUMANA

Ao longo dos tempos, muitos historiadores foram buscar nos ensinamentos do Antigo Egito, a base e os alicerces para as suas teses e os seus saberes. Até mesmo os grandes filósofos Gregos foram buscar as fontes do seu conhecimento ao antigo Egito. Porém, o que mais tem intrigado os pesquisadores até aos nossos dias, para além dos maravilhosos segredos das três grandes pirâmides, certamente é o enigma da esfinge.

A esfinge, como todos vós sabeis, é um grandioso monumento de pedra talhada, que repousa há milénios ao lado da pirâmide de Queóps em Gisé. Este gigante e majestoso monumento de pedra branca é formado por quatro patas de touro, por um corpo de leão, por duas asas de águia e por um rosto humano. A própria palavra “esfinge”, que é de origem grega, significa na sua origem, “animal fabuloso”. E tão fabuloso é este monumento, que mais parece ter sido construído por inteligentes seres de um outro mundo, de outra galáxia, de outra dimensão ou quiçá, construído pelo homem, mas com total inspiração divina, como que para anunciar que quem assistiu ao início da era humana não verá o seu final; e quem estiver no final, por certo, só imaginará como foi o seu começo. É de facto espantosa a simbiose entre a concepção simbólica desta e a evolução humana através das eras. Por isso, através da descodificação da sua representação simbólica, vou desvendar os seus enigmas e por sua vez a mensagem que esconde.

Descodificação da Representação das Patas de Touro – Num tempo mais remoto do desenvolvimento do homem, este dependia essencialmente da terra, tanto para a caça e o seu cultivo, para que desse modo pudesse produzir os alimentos indispensáveis à sua sobrevivência, como também, por necessitar dela para a sua insaciável procura de recursos, indispensáveis à satisfação das suas mais elementares necessidades de sobrevivência. Por esta razão, o homem no início da sua evolução, precisou de conquistar territórios onde fossem abundantes os recursos de que necessitava para sobreviver.

O poder nesse histórico tempo, estava com os que dominavam a arte da guerra, nomeadamente no combate corpo a corpo, os quais, através do exímio domínio desta arte marcial, dispunham de grandes impérios territoriais.

Sem dúvida, que o touro é o animal que mais se identifica com a terra e com a força bruta. Todos nós conhecemos lendárias figuras daquela época que ficaram famosas pela sua desmesurada força física, como foi a lendária figura de Hércules ou a de Ursus em Quovadis. Foi preciso o aparecimento de Moisés, para que o início de uma nova era surgisse, e para isso, foi preciso que este combatesse a adoração ao boi ápis, símbolo da devoção da humanidade daquele tempo aos valores terrenos.

Em suma, esta primeira era evolutiva da humanidade, correspondeu ao elemento terra, ao corpo físico, à força física e às grandes extensões de terra.

Descodificação da Representação do Corpo de Leão – Com os ensinamentos de Jesus, uma significativa parte da humanidade conseguiu afastar-se das crenças antigas, e evoluir para a era dos peixes, ou do elemento água. Como sabeis, os primeiros cristãos tinham como símbolo a figura do peixe, a qual, veio a caracterizar esta era. E como também sabeis, esses mesmos cristãos hostilizaram a sociedade romana de então, com os seus princípios e os seus costumes, principalmente, quando recusaram considerar como seu Deus o imperador romano. Este antagonismo de culturas, fez com que os romanos dessem ouvidos aos boatos de que os cristãos dominavam os “seus leões”, os quais, não passavam de analogias simbólicas às emoções violentas, e ao destempero das atitudes derivadas da fúria e da violência não controlada, e importaram verdadeiros leões da obscura África, para demonstrarem ao seu povo, que os cristãos não passavam de mentirosos e que o seu Deus não tinha qualquer poder para os defender dos leões, que os iriam por isso devorar nos circos romanos.

O nosso livro mais sagrado, a Bíblia, relata-nos que Jesus caminhou sobre as águas para mostrar que era mestre das emoções e que nesses passeios chamou a atenção dos homens para o amor e para a caridade.

O poder nesta era, passou para as Nações que desenvolveram e apuraram as técnicas náuticas, e para essas Nações, os seus impérios atingiram territórios que se estenderam para além mar.

Nesta era, o homem para além de dominar o elemento água dominou também as suas emoções.

Descodificação da Representação das Asas de Águia – Nos nossos dias, a humanidade passou a desafiar o elemento ar, e tudo sobre este elemento está a ser presentemente escrito com o verbo no tempo do presente, como é o caso do atual conflito no Afeganistão, em que se trava uma luta desigual, entre o homem senhor dos céus e o homem senhor das profundas cavernas. E com este contemporâneo exemplo, é fácil a explicação, de que o poder das nações, se encontra naquelas que dominam o espaço.

Nesta era, o conhecimento passou a ser mais importante que as emoções, é o tempo do conhecimento, é o tempo do saber.

Descodificação da Representação da Cabeça Humana – Por fim a quarta era, a era do fogo. A era para a qual o homem se tem vindo a preparar desde o princípio dos tempos, com o desenvolvimento do seu espírito e da sua individualidade. Esta é sem dúvida a era humana no sentido lato da palavra. Como sabeis, a Bíblia, relata-nos também, que enquanto São João batizou com água, Cristo batiza com o fogo do Espírito Santo. E é com o fogo do Espírito Santo que nesta era deveremos seguir sozinhos, mesmo estando em grupo ou até mesmo em multidão. Nesta era, o homem estará no plano absoluto da Harmonia e da Beleza, as quais são o primeiro degrau da espiritualidade. Neste tempo, Deus estará entre os homens, ou melhor, Ele estará em seus corações que é a sua melhor parte.

Apolo, o deus da antiga Grécia, ensinou-nos a máxima, “Homem conhece-te a ti mesmo e então conhecerás o universo e os deuses”. Nós, presentemente estamos a conhecer-nos e estamos a conhecer o Universo, só nos falta então, conhecer plenamente Deus para cumprirmos estes sublimes ensinamentos.

Em suma, a esfinge encerra a história de toda a humanidade desde o seu início até ao seu fim. Ela é um marco para lembrar ao homem que tem uma grande tarefa para cumprir. Ele já aprendeu a harmonizar os três corpos físicos, onde residem os mistérios menores, ou o domínio da vida, que são: a terra, a água e o ar ou: o físico, o emocional e o mental. Por último, o homem terá que saber dominar a sua barbárie, e viver na harmonia com Deus e no apreço pela beleza da sua obra. Esta é a razão porque o homem precisa entender, que se Deus o criou para ser único, não como as abelhas ou as formigas, foi para que ele caminhasse sozinho na senda da harmonia. E para termos a certeza de que somos únicos, basta olharmos para o nosso polegar, as impressões digitais nele gravadas são únicas no universo, e quando olhamos para o espelho, olhos nos olhos, sabemos também que a nossa íris é única no mundo. Por sermos únicos, a Fraternidade entre os homens só é possível com a evolução individual de cada um, mesmo em grupo, nós devemos aprender a respeitar as opiniões alheias à nossa, abandonando a necessidade de convencermos os outros do nosso ponto de vista, pois somos todos diferentes porque Deus assim o quis, para que dessa forma vivamos na quarta era em total paz e harmonia com a humanidade. Esta, de facto ainda está muito longe desta era, uma vez que a maior parte da humanidade caminha em círculos ao redor da estrela da sabedoria, enquanto que somente uma pequena parte dela compreende, que o único caminho para o trono de Deus é o Centro, o Interior. Este é o segredo da esfinge o princípio e o fim da humanidade.

A SELEÇÃO NATURAL

Charles Darwin (1809-1882) concluiu através dos seus estudos, que nem todos os organismos nascidos, sobrevivem ou se reproduzem. Concluiu ainda, que os indivíduos com maiores oportunidades de sobrevivência, têm maiores probabilidades para se reproduzirem e para deixarem descendentes, que garantam a continuação da sua espécie. Pelo que ao longo de um lento e constante processo de seleção, as variações favoráveis tendem a ser preservadas, enquanto que as desfavoráveis serão destruídas. Através deste princípio básico da evolução das espécies, podemos afirmar, que a presença de um gene vantajoso numa determinada população, faz com que esta aumente gradualmente o número de indivíduos, uma vez que esse gene, irá contribuir para que aquele possa sobreviver mais tempo, e desse modo, a probabilidade de poder vir a ter mais filhos será maior. Por exemplo, se a presença de um gene vantajoso num indivíduo, for de carácter a aumentar a sua fertilidade, mesmo que aquele venha a sobreviver menos tempo do que o seu competidor, poderá, no entanto, deixar uma prole em maior número do que aquele. E, se o gene vantajoso proporcionar ao indivíduo uma maior capacidade de proteção, ou de camuflagem, mesmo que este venha a ter menos crias, as probabilidades de vir a atingir a idade de reprodução serão maiores.

Quanto à evolução do Homem, esta regeu-se sob o mesmo princípio da evolução de todas as espécies. Ora vejamos, quando os deuses cosmonautas chegaram à Terra, fizeram deste planeta azul um gigantesco laboratório biotécnico. A génese caldaica descreve a chegada destes “deuses” e os seus propósitos sem grandes mistérios. Pois, relatam de forma eloquente que escravizaram os hominídeos para que estes os servissem. E, para que o fizessem com a maior das eficácias e a maior das humildades, aqueles manipularam o seu código genético. Porém, aqueles “deuses” não hesitaram em destruir a sua obra sempre que aquela não fosse do seu agrado, ou da sua conveniência, como todas as velhas tradições dos povos o assinalam sem equívocos.

Assim, por consequência do contato com os “deuses” os hominídeos foram presenteados com um conhecimento que lhes daria uma grande vantagem sobre os seus diretos competidores. Na medida em que os “deuses” proibiram ao “Homem Primitivo” o incesto, dado que o acasalamento entre irmãos, pais e filhos, para além de degenerar a espécie, colocaria a extinção da espécie humana como um acontecimento quase previsível. Na verdade, o “Homem Cósmico” ao proibir a endogamia entre o “Homem Sapiens”, fez com que estes viessem a dominar os outros hominídeos existentes na Terra, uma vez que aqueles acasalavam sem conhecerem os segredos da genética e da biologia. E, ao enveredarem pelos caminhos do incesto, sem o saberem, estavam a enfraquecer a sua espécie, pois morriam de acordo com a imperiosa lei da “Seleção Natural”.

Por outro lado, para além dos conhecimentos genéticos legados, a união entre o “Homo Sapiens” e o “Homem Cósmico”, conferiu aos primeiros genes mais vantajosos para a sua adaptabilidade e conquista do seu meio envolvente. Pelo que enquanto o “Homo Sapiens” se robustecia cada vez mais, o que lhe permitia adaptar-se melhor ao seu ambiente natural, vencer as forças contrárias da natureza, e ao mesmo tempo encontrar o seu equilíbrio orgânico, os restantes hominídeos enfraqueciam a sua espécie e desapareciam da face da Terra. Razão, porque os “Homens Cósmicos” tanto insistiram para que o “Homem Sapiens” perpetuasse nos séculos as suas recomendações de hábitos e de costumes, o que veio mais tarde a influenciar os códigos, as leis e as teologias dos diversos povos da Terra.

Mas, se duvidas há acerca da união do “Homem Sapiens” com o “Homem Cósmico, basta consultarmos alguns textos sagrados, nomeadamente, o sexto capítulo, do primeiro livro da Bíblia, onde existe um versículo que nos conta como os Homens se multiplicaram e se espalharam sobre a Terra. Pois, aquele versículo revela, “que dos Homens nasceram filhas muito belas e muito formosas, e que os filhos do deus, quando as viram, ficaram fascinados com tal encanto, que as tomaram para si como mulheres”. Pois bem, quem seriam aqueles filhos de deus que a Bíblia refere? Talvez nunca venhamos a saber. Mas, para suportar todo o raciocínio formulado, basta podermos retirar daquele texto, que existe nele uma separação clara entre “os filhos do deus”, e “os filhos dos Homens”, os quais, só poderiam ser filhos de um Ser de um outro planeta, uma vez que se fossem anjos, não faria qualquer sentido a união daqueles com tais mulheres, dado que segundo a concepção Bíblica, os anjos são puros e luminosos, logo, não teriam necessidade de acasalarem com mulheres em estado de animalidade. Por outro lado, a Bíblia deixa evidente, que Adão e Eva não eram os únicos Humanos no planeta, pois já haviam outras mulheres, uma vez que Caim, seu filho, casou-se com uma delas, e teve filhos, dando assim início à miscigenação. Pois, a Bíblia também nos revela, que “saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. ”…”E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz…”. Pelo que podemos concluir, que quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a Terra, e deles nasceram filhas, os filhos dos deuses cosmonautas, vendo que as filhas dos homens eram belas e muito formosas, escolheram entre elas as que bem quiseram para mulheres. E, que dessa união, os filhos dos deuses tiveram filhos, que bem poderiam ter sido os famosos heróis dos tempos remotos e lendários.

Podemos ainda retirar do sexto capítulo, do primeiro livro da Bíblia, que os deuses cosmonautas ordenaram ao primeiro Homem e à primeira Mulher, por eles criados através da manipulação genética, uma vez que a Bíblia também nos diz, que: “o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto aquele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que havia tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e levou-a para junto do homem”, ordenando que crescessem e se multiplicassem, para que no futuro enchessem e dominassem a Terra.

Assim, através da fecundação cruzada entre a descendência daquela Eva e daquele Adão e o homem primitivo, que hoje, no sistema da taxinomia animal classificamos como “Homo Sapiens”, nasceu o animal superior que está predestinado a ser classificado como o “Homem Cósmico do Futuro”, aquele que no futuro terá a formula do divino, e que dominará todas as ciências, e todas as magias da Terra, porque ao ser o fruto daquele Adão e daquela Eva primitiva, tornar-se-á no legítimo representante da criação das divindades cósmicas, porque tal como eles, no futuro aquele será um “Homem Cósmico”, e, o decisor do universo.

Em suma, a diferença que existe entre o “Homo Sapiens” e o “Homem Cósmico”, é uma diferença que podemos classificar de transcendental, uma vez que aquela diferença é somente a espiritualidade que separa o mundo material do mundo cosmogónico. Ao mesmo tempo, podemos também considerar que a diferença entre eles, é a Sabedoria que existe entre o estado espiritual do “Homem Cósmico” e o estado animalesco e primitivo do Homem, que apesar de ambos fazerem parte do mesmo sistema celestial, a diferença entre estes dois estados será sempre ditada pela “Seleção Natural”.

Por outro lado, a “Seleção Natural” não foi a única lei responsável pela evolução do Homem, uma vez que para os “deuses cosmonautas” terem geneticamente manipulado o “Homo Sapiens”, por certo, foi necessário que aquele tivesse expressado comportamentos que demonstraram aos “deuses”, que tinham condições para poder vir a conquistar o Universo, juntamente com outros seres espirituais e divinos. No entanto, apesar do estado evolutivo ainda primitivo do Homem, podemos profetizar, que num futuro longínquo, os descendentes da primitiva Eva e do primitivo Adão, serão os futuros embaixadores dos hominídeos terrestres na sociedade interplanetária de seres inteligentes, os quais representarão toda a “Via Láctea”, e quiçá a constelação “Virgem” ou outras, numa assembleia universal, onde estarão presentes embaixadores de todas as constelações celestiais. E, quando esse futuro longínquo chegar, seremos finalmente cósmicos e eternos, tais como deuses vivos, porque nesse tempo teremos nas nossas mãos as chaves do reino dos céus e da vida eterna. E tudo isso, porque num passado longínquo os deuses cosmonautas nos permitiram comer os frutos da “árvore da vida”. E, se um dia esta visão se concretizar, a profecia contida no terceiro capítulo do Gênesis não se concretizará de todo, pois os deuses cosmonautas apenas poderão dizer: “Aqui está o homem, que pelo conhecimento do bem e do mal se tornou como um de nós”.

COMO SURGIU O "HOMO SAPIENS"?

Se analisarmos detalhadamente o mito Sumério, sobre “o nascimento do Homem”, chegamos à conclusão de que os “deuses” descritos no mito não eram nem omniscientes, nem omnipotentes, e nem sequer eram entes perfeitos. E, tanto mais que há fortes indícios de que os senhores cósmicos tiveram como motivo primordial para criarem a humanidade, apenas a obtenção de mão-de-obra barata e eficiente para os seus empreendimentos na Terra. Esta convicção toma ainda mais força, quando traduzimos das placas com a escrita cuneiforme, que os “deuses menores” tinham a seu cargo todo o trabalho da criação, e que os “deuses maiores” trabalhavam muito menos do que aqueles “deuses”, dado que literalmente o poema nos diz: que “Quando os deuses agiam como Homens, eles faziam todo o trabalho, e muito trabalhavam. Pois o trabalho era muito, e grande era o esforço, dado que os deuses do céu, os Anunaki, faziam os Igigi, os “deuses” mais jovens da Terra, carregar uma carga sete vezes maior”. Ora esta discrepância de volume de trabalho, na certa, gerou descontentamento e revolta. Pelo que se tornou urgente a substituição desta mão-de-obra descontente.

Assim, o emprego da manipulação genética nos hominídeos torna-se mais evidente. Na verdade, só poderia ter sido pelos ventos da revolta que o “deus” Marduque, filho de Enki, protetor dos Homens, se propôs a criar um ser que faria o serviço dos deuses, enquanto aqueles repousassem, como conta o mito sumério. Aliás, o mito refere claramente a manipulação genética, quando se refere que a criação de tal criatura exigia sangue. Pelo que Quingu, um “deus” que havia sido feito prisioneiro numa das muitas batalhas divinas, fora para aquele fim sacrificado. O que é ainda mais surpreendente, é que o mito também nos diz, que os deuses podiam ser purificados por imersão, e que Nintu deveria então misturar a argila com a carne e com o sangue daquele deus. Então, Homem e “deus” iriam existir juntos na argila. O mito diz-nos também que Marduque vaticinou, que o rufar dos tambores (ou seja, o pulsar do Universo) fosse ouvido para sempre, que o espírito viesse a existir a partir da carne do “deus”, e que a “deusa” proclamasse aquele ser como um símbolo vivo dela mesma. Por isso, Marduque solicitou à deusa, que aquela ensinasse o ser que derivasse daquela grande dádiva, quais tinham sido as suas origens, a fim de que aquele sacrifício não fosse esquecido.

Na verdade, esta é uma das mais impressionantes passagens da literatura Suméria. E, sem querer penetrar nas profundezas da mitologia daquela civilização, por ser muito vasta e muito complexa, gostaria, no entanto, de salientar, que a criação do “espírito/fantasma” a partir do transplante do “deus” sacrificado, para além de conceder transcendência à argila que fora moldada por Nintu, ajudante de Enki, conferiu também aos Homens e às Mulheres criadas a partir da argila, a imortalidade do seu espírito.

Portanto, segundo a mitologia da Suméria, os Homens e as Mulheres foram criados como seres físicos, a partir da argila da Terra e do sangue dos “deuses cosmonautas”, e desde a sua criação, os Homens passaram também a ser detentores de um espírito imperecível e imortal, a fim de servirem com inteligência, tanto os deuses cosmonautas, como os seus irmãos e suas irmãs da criação. Aliás, na génese Bíblica, Eva também fora criada a partir de uma costela retirada a Adão, o qual, também havia sido moldado e criado a partir da argila da Terra. Assim, também neste relato Bíblico, parece testemunhar a existência de métodos de manipulação genética para a criação da humanidade.

Para fortalecer a tese de que houve manipulação genética para a criação do Homem, refiro ainda o Épico de Gilgamesh, o qual nos relata, que este meio homem meio deus “fora levado por Ur-Shanabi até ao local da purificação e que aquela lhe estendeu um vaso com água, para que o rei de Uruk pudesse lavar os seus cabelos sujos. E que em seguida, aquele deitara fora as roupas de pele que lhe cingiam o corpo, e o mar as levou para bem longe. Então, Gilgamesh lavou o seu corpo, até o sentir limpo e puro. Depois, colocou um novo diadema sobre os seus cabelos. Vestiu um robe como sinal de orgulho até chegar a Uruk. E as suas vestes ao longo da jornada de volta, não perderam a cor e permaneceram completamente novas”. Deste mito, podemos retirar que o rei de Uruk, abandonara o traje dos hominídeos, que até então envergava, para adoptar o traje dos deuses, muito provavelmente porque já se considerava um deus, pois por eles lhe fora dada à luz.

Em suma, quase todas as mitologias das civilizações ancestrais nos contam que os deuses eram seres fisicamente semelhantes ao Homem, e que possuíam uma inteligência e uma tecnologia muito evoluída. No entanto, estas mitologias também nos contam, que o Homem era para os “deuses” um ente inferior. Fosse ele digno, ou não, da sua proteção. E, como aqueles “deuses” possuíam um poder absoluto de vida e de morte sobre os seres humanos, os povos ancestrais, que caíram sob o seu jugo e sob o seu domínio, foram para estas divindades meros escravos, e indefesas cobaias para a sua ávida curiosidade científica. Pelos relatos que as ancestrais civilizações nos deixaram, para os “deuses” o Homem também foi um animal de estimação, com a única finalidade de os divertir e de os distrair. Aliás, Homero sintetiza na sua obra literária, “A Ilíada”, o grande desprezo que as divindades tinham para com o Homem, pois aquele escreve… “os que se chamam na linguagem dos homens animais racionais e na língua dos deuses bichos de pé…”

Exatamente como se passa hoje com os Homens, onde encontramos idealistas que se revoltam contra os seus por estes causarem sofrimento aos animais, e não respeitarem os seus direitos, também na história divina existiu quem lutasse pelos direitos do Homem primitivo contra a crueldade e sofrimento causado ao Homem. Razões, porque alguns “deuses” passaram à posteridade como protetores e defensores do Homem, e outros foram por estes catalogados como demónios, apesar de no início da humanidade, terem sido adorados por estes.
– Do Nada ao Todo

“No começo era o Verbo, e o Verbo estava perto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele Estava, no começo, perto de Deus. Tudo foi feito por Ele, e nada do que foi feito o foi sem Ele.

Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos Homens. E a luz Brilhava nas Trevas, e as Trevas não a capturaram, ”

Evangelho s segundo S. João

Este extrato dos Evangelhos segundo S. João transmite-nos o nascimento do Universo “conhecido” através de uma linguagem “teológica”, ora vejamos como o mesmo poderia ser transmitido à sombra de uma linguagem não “teológica”.

Os Cosmólogos atribuem o nascimento do Universo conhecido por um “Big Bang”, o qual fez com que Tudo surgisse a partir de um Ponto, a que estes chamam de singularidade, ou o Universo Criado; as religiões chamam de Deus; os agnósticos chamam de “Nada Absoluto”; os físicos quânticos chamam de “Nada Conceptual”. Em suma, seja qual for a designação que se opte para este Universo, o essencial a reter é que esta teoria se baseia no princípio de que o Universo teve início num Ponto, que se expandiu até tornar-se numa Esfera. Aliás, essa expansão prossegue ainda nos nossos dias. Pois, no final do ano de 1995, o telescópio espacial Hubble, colocado em órbita pela NASA, verificou que nos confins do Universo, estão presentes as vibrações do seu início, na forma de Plasma Cósmico. Por conseguinte, este conhecimento moderno indica-nos que a Ciência confirma o Ocultismo, dado que o Fim e o Início encontram-se. Transformando o Universo na Serpente que come a sua própria cauda. Contudo, para além deste aparente vasto conhecimento, a ciência atual é totalmente incapaz de responder sobre o que existe para além do Universo conhecido, o Nada, quando muito, diz-nos não ser um “Nada Absoluto”.

Todavia, se admitirmos que “a imaginação é mais importante que o conhecimento”, uma vez que esta é o gérmen deste, então atrevemo-nos a conceituar essa origem como sendo a Transcendência, a qual representa a Consciência. Não aquela que nos é definida no sentido de que “se dá conta de”, mas sim a que define o sentido de um Poder Criador de tudo quanto existe, e que sob diferentes aspectos está presente em Tudo, quer na energia, quer nas partículas, nos átomos, nas células, nos Seres estruturados, nos Planetas, nas Estrelas, e nas Galáxias, em suma, está presente em Tudo o que possamos referir como substantivo.

Na verdade, a Transcendência, ou o “Antes da Criação”, sempre existiu nela a Consciência dado que esta se integra na eternidade e, neste sentido podemos considerá-la como sendo ilimitada, embora se manifeste sempre limitadamente no mundo imanente, uma vez que tudo que existe está contido no infinito. Por conseguinte, a Consciência está contida no próprio infinito, aliás como tudo o que existe. Pois, não se pode conceber um infinito com algo a existir fora dele. E, neste princípio básico, podemos considerar este Universo como sendo um dos elementos finitos do absoluto; ou seja, podemos considerar ser este um espaço limitado “dentro” do espaço ilimitado, ou seja, através desta analogia podemos afirmar que na criação o absoluto fez transparecer o seu aspecto relativo como algo limitado. E tanto mais que a própria ciência cosmogónica o confirma, ao dar-nos como certo que aquilo que conceituamos como Universo tem um limite, no qual toda a energia e matéria estão circunscritas dentro dum espaço cujo raio (presumível) mede entre 13 e 20 bilhões de anos luz.

Assim, em face do que se expõe, podemos deduzir, que existe dois níveis cósmicos, um transcendente (o que preexiste à criação) e um Imanente, (conhecido como criação). Enquanto que o Mundo Transcendente é constituído por uma só coisa, por algo indefinível, que não sabemos do que consiste, e que apenas podemos dizer que ali existe a fonte duma consciência pura e ilimitada. No Mundo Imanente, que teve a sua origem no Ponto que se desloca em progressão para a forma de Esfera, que representamos pela Circunferência, e onde magicamente podemos traçar a reta, que a divide, polarizando deste modo as duas metades. Fazendo com que nesta polarização, surja a primeira manifestação da Substância Primordial, ou Genésica, que obedecendo a uma Lei Cíclica, se polariza em Espírito e Matéria, ou em Polo Positivo e Negativo da Manifestação.

Na verdade, sem o poder do Ponto, que trouxe a desordem para o Universo, ou o caos ordenado, a Natureza não teria conhecido a desarmonia, e, por conseguinte, nunca se teria separado das leis prescritas pelos planos Eternos.

Analisemos agora alguns aspectos destes dois “mundos”: o Transcendente e o Imanente. As Doutrinas Tradicionais dizem-nos que no início dos tempos houve o surgimento de uma Luz (tempo cronológico ou, tempo linear, uma vez que o tempo absoluto é eterno e, por conseguinte não tem início nem tem fim), ou seja, que no início deste Universo conhecido, manifestou-se algo que a ciência chama de energia primordial e que as doutrinas chamam de Luz, ou de “Deus Pai”. E, que nós reconhecemos na existência de um dos dois “mundos”, o Imanente. Sendo a transcendência o “nada quântico”, considerado também como sendo a Consciência Suprema, a Consciência Cósmica, que por transcender o ponto de origem do Mundo Imanente podemos considerar ser Una. Pois, não existem duas consciências porque na Transcendência Tudo é Um. Todavia, o Um pode nunca chegar a ser Dois. Mas, pelo Ponto pode-se transformar em Dois e, transformando-se em Dois, certamente que também se pode transformar em Três. E, onde o três é formado o quatro se manifestará (perfeição).


O BERÇO DOS TEMPOS

Fechemos os nossos olhos, e na clausura do nosso silencioso Templo Corpo, imaginemos que vivemos em um outro Universo, embora não se situe longe do nosso, está, no entanto, imensuravelmente distante deste. Imaginemos ainda, que neste universo que serve de habitat ao nosso sonho acordado, não ocupamos espaço, e a eternidade é o limite da nossa existência. Assim, vestidos com esse corpo etéreo que nos dá a eternidade e a Luz dourada, imaginemos então, que a dado momento tínhamos a oportunidade cósmica de ver o nosso Universo vazio de Estrelas, vazio de Galáxias, e vazio de Luz, uma vez que nele apenas podíamos somente distinguir, aquela negra mistura de gases primordiais, e nada mais do que aquela misteriosa energia negra. Através da nossa inteligência cósmica e infinita, nós saberíamos que aquele negrume de matéria e aquela invisível energia derivava da grande explosão, que os cientistas dão pelo nome de “Big Bang” e que os crentes pelo “sopro de Deus”, a qual, havia ocorrido somente apenas há um milhão e meio de anos atrás, e que por consequência daquela medonha explosão cósmica, sem necessitarmos de um corpo etéreo, apenas com o conhecimento dos nossos dias sobre deflagrações atómicas e teorias quânticas, saberíamos ter existido uma grande emissão de irradiação cósmica. Aliás, no nosso sonho acordado vestidos de eternidade, ainda poderíamos constatar resquícios daquela imensa irradiação, que por já ser rala, nos dava mostras de estar prestes a findar. Assim, vestidos de tempo cósmico e de espiritualidade, para além de termos assistirmos ao lento arrefecimento do nosso querido Universo, imaginemos ainda, que tínhamos assistido à sua permanência na idade das trevas durante quase meio bilhão de anos, precisamente até ao momento em que com satisfação assistimos ao berço dos tempos, até ao momento em que sucessivos turbilhões e convulsões do Plasma Cósmico, em manifesto conflito com a matéria invisível, alquimicamente fazia com que daquele difuso fluido nascesse aglomerações de matéria nebulosa, que a todo o momento se cindia por si própria, e que a todo o momento se modificava no infinito, para gerar nas regiões incomensuráveis do cosmos, diversos centros de criação de vida e de mistério. Então, teríamos sido testemunhas da construção e da criação do Universo.

Por outro lado, se tivéssemos sido as tais testemunhas privilegiadas, na certa teríamos também chegado à conclusão, que o Plasma Cósmico era o Plasma Divino, uma vez que aquele não fora mais do que o hausto de Deus. E tanto mais, que no espaço de catorze bilhões de anos, aquele Plasma Divino formou as primeiras supernovas, gerou os buracos negros e até criou as galáxias modernas. E por ser o criador desses imensuráveis Mundos Cósmicos, ele é o elemento primordial onde vibram e vivem as Constelações do Universo. É também, o princípio material do Universo donde derivam todas as coisas materiais. E como o Plasma Divino também é o fluido espiritual sensível ao poder do pensamento e da vontade dos Espíritos, por isso é também o gerador e o centro catalisador de toda a espiritualidade do Universo. Assim, podemos considerar que o Fluido Cósmico, ou o Plasma Divino, nos mais variados ângulos da Natureza, é a Força Criadora em que todos vivemos. Razão porque justamente podemos afirmar também, que em Deus nos movemos, e que em Deus existimos.

Do telescópio do Monte Paloma, já foram observados cerca de um bilhão de Galáxias. E na nossa Galáxia existem mais de cem bilhões de sóis, onde invisíveis e incontáveis mundos à sua volta orbitam, que para além de serem as muitas moradas do Eu Sou, são também os berços da Vida e a concha do Universo. Por conseguinte, pela teoria das probabilidades, é muito pouco provável estarmos sós no Universo, como também à sombra da mesma teoria, é muito pouco provável sermos os únicos seres pensantes e inteligentes deste vastíssimo habitat. Por outro lado, por consequência do milagre da Criação, o Universo é a exteriorização do Pensamento Divino, cuja essência partilhamos na nossa condição de futuras partículas de Luz conscientes da Eterna Sabedoria. E como tal, somos possuidores do mágico e hermético conhecimento, de que desde a superestrutura dos astros, até à infraestrutura subatómica da matéria, tudo está mergulhado na substância viva de Deus. E por consequência deste conhecimento metafísico e Iniciático, aceitamos sem muito questionar, que o Universo é uma esfera, cujo centro está em toda parte, e cuja circunferência não está em parte alguma. Como também aceitamos, através do mesmo princípio, que o fim mais elevado do Universo é a transição do caos ordenado à harmonia divina sob todos os seus aspectos, uma vez que se no início foi a expansão deste, o seu fim será a contração e o regresso ao ponto.

Por consequência deste nosso sonho acordado, termos sido testemunhas da criação dos mundos, sabemos que no Universo tudo é efémero. Pois, sabemos que tudo tem um princípio e tudo terá um fim. Um Mundo completamente formado, em qualquer momento, pode desaparecer e disseminar-se de novo no Espaço Cósmico, embora saibamos, que pelo princípio universal, nada se perde e tudo se transforma, por consequência do seu desaparecimento, a matéria que o compunha irá criar outros mundos e gerar outras vidas. No entanto, não deixará de ser uma perda, que deveríamos questionar qual deverá ser a sua absoluta razão de ser.

Do nosso sonho acordado podemos retirar, que Deus renova os mundos com a mesma facilidade com que renova os seres vivos. Através deste sonho alquímico podemos também retirar, que na Criação Infinita existem incontáveis Universos, com as suas incontáveis Galáxias, com os seus incontáveis sóis, e com os seus incontáveis mundos. E todos eles, giram e orbitam um centro divino. Por outro lado, sabemos também, que toda esta cósmica Criação: nasce, cresce, envelhece, contrai-se, explode e renasce, numa repetida e incessante recriação de Deus, desígnio que se prolongará até à eternidade.

Portanto, este sonho acordado serve para meditarmos quanto é a nossa pequenez e quanto é a nossa insignificância neste Universo, ao mesmo tempo, que podemos avaliar quanto a Criação de Deus é maravilhosa e bela, apesar de para nós ser para todo o sempre misteriosa, infinita e insondável.

O CONHECIMENTO ASTROFÍSICO DOS SUMÉRIOS

Há muito que me interrogo: como surgiu o Homo Sapiens à superfície da Terra? Quando era ainda Criança, pensei que encontraria a resposta na Catequese. Enganei-me! Completei a Comunhão sem ter conhecido a resposta que procurava. Porém, quando entrei na juventude madura e atrevida, verifiquei que a Igreja também não tinha uma resposta concreta uma vez que se refugiava em dogmas. Então, de costas voltadas aos dogmas e às verdades absolutas, como peregrino, procurei na literatura as teorias existencialistas, as quais, também não me responderam à questão. Pelo que procurei respostas nas profecias e nas teorias místicas. Mas, por falta de fé, aquelas também não me responderam. Refugiei-me então nos trabalhos de cunho académico e científico. E nesse refúgio, como um eremita li atentamente Charles Darwin, e… aceitei parcialmente a sua teoria da seleção natural e evolução das espécies. Parcialmente, porque não encontrei uma resposta lógica para a transição entre o Homem de Neanderthal e o Homo Sapiens. Li também Isac Newton sobre a mecânica do Universo, Einstein sobre a relatividade, e Max Planck a respeito da teoria quântica, obras que me despertaram para o maravilhoso e infinito Cosmos. Por último, li pesquisas científicas no campo da biotecnologia, e até li tecnologias revolucionárias de manipulação genética e outras monstruosidades da biotécnica, como li ainda autênticos tratados sobre a origem do Homem e da vida. Em suma, li muito sobre as prováveis origens do Homem, nas mais variadas vertentes da ciência e do conhecimento humano. Mas, com todo este saber sedimentado na minha Mente, apenas cheguei a uma conclusão, que todo aquele estudo e pesquisa, só tinha servido para fortalecer o meu universo intelectual, dado que sobre o aparecimento do Homo Sapiens na Terra, continuava a ser para mim um grande mistério. Então, resolvi procurar as respostas ausentes, nas ciências herméticas, nos registos mitológicos e, até nos reservados saberes. E, nesse campo do conhecimento, pude encontrar algumas pistas, que me levaram a ler os Livros Sagrados num outro prisma.

Assim, através da leitura da Bíblia cheguei à conclusão, que o paraíso terrestre se situou muito provavelmente no Médio Oriente, precisamente no território onde mais tarde vieram a florescer povos com maior ou menor grau de civilização. Pois a Bíblia descreve o Éden da seguinte maneira:

“Ora, o Senhor tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o Homem que havia criado. O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Um rio saía do Éden para regar o jardim, e dividia-se em seguida em quatro braços. O nome do primeiro é Fison, e é aquele que contorna toda a região de Evilat, onde se encontra o ouro (O ouro dessa região é puro; encontram-se ali também o obdélio e a pedra ónix). O nome do segundo rio é Geon, e é aquele que contorna toda a região de Cusch. O nome do terceiro rio é Tigre, que corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates. ”

Ora bem, a descrição Bíblica conduz-nos ao território onde se estabeleceu a primeira civilização humana, a Suméria. Reino que veio a ser grandioso em feitos e em descobertas científicas. Por outro lado, desde a formação desta civilização (7000 a.C.), e até à formação do primeiro Império Babilónico (em 2003 a.C.), uma série de outros povos vieram também a ocupar aquela faixa entre os rios Tigre e Eufrates, os quais, contribuíram para a composição do que hoje conhecemos como história da Mesopotâmia. Por sua vez, naquele território foram deixados sedimentos históricos que nos dão conta, ser também a raiz de outras épicas civilizações, tais como: a Egípcia, a Fenícia e a Hebraica. E, até mesmo a civilização Goda, uma vez que em conformidade com a sua mitologia, aquela civilização teve como berço cultural aquele Ocidente mítico.

Então, para poder encontrar as respostas que tardavam, comecei por estudar a história daquelas ancestrais civilizações, e acabei por mergulhar na sua fantástica mitologia. E em boa hora segui este caminho de mistério e de aventura, uma vez que ao contatar com a mitologia sumeriana, para além de ter ficado fascinado com a profundidade e com a riqueza das suas lendas, fiquei também a conhecer quanto aquele povo estava avançada para o seu tempo. E tanto mais, que com a descoberta de uma biblioteca sumeriana, na cidade de Nipur, localizada a 150 km ao sul de Bagdá, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições cuneiformes, veio a contribuir decisivamente para o desvendar de muitos segredos e muitos mistérios daquela antiga civilização.

Assim, pela Arqueologia, descobrimos que a astronomia sumeriana estava muito avançada, dado que os seus observatórios obtinham cálculos do ciclo lunar que apenas diferiam 0,4 segundos dos cálculos atuais. Como também, pelas escavações na colina de Kuyundjick, antiga Nínive, onde foi descoberto um cálculo, cujo resultado final, em nossa numeração, corresponde a 195.955.200.000.000 que nos dá conta do seu grande conhecimento matemático. Um número de quinze casas! … Espantoso para a época! E mais fantástico e espantoso ainda se torna, quando o comparamos com os cálculos dos sábios gregos, os quais, mesmo no auge do seu saber, nunca ultrapassaram o número 10.000, uma vez que para eles, o resultado a partir deste número, estava no domínio do “infinito”.

Na verdade, o mais fantástico da civilização sumeriana, é o facto dos Sumérios terem informações muito precisas sobre os planetas do sistema solar, até ao ponto de conhecerem neste, a existência do planeta Plutão, planeta que na nossa civilização, somente seria descoberto em 1930. Por outro lado, para além dos Sumérios conhecerem a existência deste Planeta, ainda conheciam o seu volume, a sua composição química e orgânica. Aliás, afirmavam até que aquele planeta antes de se ter libertado e de ter ganho uma órbita própria, tinha sido um satélite de Saturno. Este conhecimento astrofísico é tão espantoso, que nos interrogamos, como foi possível há 3.000 anos atrás, obterem este nível de saber?

Por outro lado, através da tradução das placas de barro que faziam parte da biblioteca descoberta na cidade de Nipur, ficamos também a saber, que parte da vida na Terra tivera origem extraterrestre, uma vez que os Sumérios acreditavam que os seus “deuses” tinham vindo do décimo segundo planeta do sistema solar, planeta que segundo a sua informação, tem uma órbita solar de 3600 anos. Aliás, através daquela biblioteca sabemos ainda: que o nome daquele planeta seria “Nibiru”, e era o planeta onde inicialmente residiram os seus “deuses”. Mas, após 35 milhões de anos de existência, aquele planeta acabou por ficar ameaçado de extinção, e como a Terra era o único Planeta com condições favoráveis para sua sobrevivência, aqueles “deuses” tomaram a decisão de a colonizar. Uma decisão óbvia! Porque se hoje soubéssemos que a Terra estava ameaçada de extinção, de certo que procuraríamos também colonizar um Planeta que fosse favorável à vida humana. No entanto, o que é mais surpreendente e mais espantoso na sua literatura, é um dos seus mitos intitulado “a criação do homem”, dado que nos relata que os “Anunaki” vieram das estrelas, ocuparam a Terra, e introduziram as culturas, a tecelagem e o gado, mas como não tinham quem trabalhasse a terra, guardasse o gado e manufaturasse as artes, criaram os Homens para fazerem todo o trabalho, que de outro modo, teria de ser feito pelas próprias divindades cósmicas. Este relato parece-me absolutamente lógico e muito possível de ter acontecido, pois corresponde a algo de muito semelhante ao que os europeus fizeram quando descobriram o continente Americano. Como não conheciam a manipulação genética, e foram incapazes de transformar os índios em trabalhadores suficientemente produtivos e obedientes, não hesitaram em importar escravos da África negra.

Por outro lado, tendo vindo aqueles “deuses” das distantes estrelas, logo, teriam que possuir um imensurável conhecimento científico e tecnológico, muito para além do que atualmente a humanidade dispõe. Por isso, não estranho o facto de estarem aqueles deuses cosmonautas na posse de profundos conhecimentos científicos relacionados com a engenharia biotécnica. Assim, por dominarem esta ciência, os “deuses” manipularam com sucesso o código genético dos hominídeas.

Podemos concluir, que foi através da manipulação genética, que os deuses cosmonautas criaram o Homem Moderno. Mais ou menos à sua imagem, como o proclamam e certificam todas as velhas Escrituras.

Aos sépticos do Homem ter sido criado pelos “deuses” cosmonautas, pergunta-se! Como se justifica que os antropóides e hominídeos tivessem trepado às árvores durante milhões de anos, sem aprenderem nada, para de um momento para o outro darem um tremendo salto qualitativo e passarem a construírem cidades.


O CORPO COMO FENÔMENO DE BELEZA E PERFEIÇÃO

O nosso corpo, apesar de ser um fenómeno de beleza e de maravilhosa perfeição, pela cultura ancestral que adquirimos passámos a desprezá-lo. Pois, na verdade, desde crianças que nos ensinaram a criticá-lo, a julgá-lo, e a rejeitá-lo. Por outro lado, quando tivemos essa hilariante idade, os adultos que nos rodearam, não aceitaram nem a nossa alegria, nem tão pouco aceitaram a nossa espontaneidade, pelo que nos distanciámos cada vez mais de nós mesmos. E deste modo, lentamente, acabámos por deixar o nosso verdadeiro modo de ser. Na verdade, tudo o que fora pelos adultos condenado, criticado e rejeitado, a pouco e pouco tornou-se escondido de nós próprios. E, hoje, já não conseguimos ver realmente o que está dentro de nós.

Por outro lado, as religiões monoteístas disseram-nos que se pretendêssemos ser espirituais, tínhamos de nos tornar adeptos do anticorpo. Disseram-nos também, que se quiséssemos alcançar o outro plano da vida, teríamos de renunciar a este.

Em suma, todo o esforço de um todo para nos educarem, foi no sentido de tornar o nosso corpo, desprezível e odiado por nós tanto quanto possível. Quando na realidade, o nosso corpo é um fenómeno de beleza e um centro cósmico por excelência. Por isso, para nós ele terá que ser sempre belo e magnífico, dado que ele é a nossa circunferência, e se o rejeitarmos, ou se o negarmos, como poderemos encontrar o seu centro?

Porque o nosso corpo é único, como construção do nosso Templo corpo, devemos estar sempre investidos e imbuídos de uma atitude absolutamente afirmativa e positiva. E para isso, não devemos negar nada, como também não devemos ignorar a existência duma dualidade sempre presente na sua construção. Assim, para nós Templários, não poderá haver bem, ou mal, como não poderá haver certo, ou errado, feio ou bonito, superior ou inferior, uma vez que no traçado arquitetônico do nosso Templo corpo não poderão jamais constar ideias marginalizantes, ou preconceituosas. Por isso, antes de nos rejeitarmos, teremos antes que nos aceitar tal como nós somos, o que quer que nós sejamos.

Na verdade, o nosso estado de mente pueril, esteve sempre programado para viver em função da vontade e do interesse dos outros, os quais, sempre tiveram um grande poder sobre o nosso bem-estar e sobre a nossa própria felicidade. Na realidade, fomos ensinados a receber aprovação, atenção, amor e respeito dos outros. E passámos a viver ávidos por receber atenções, e até mendigamos afetos e carinhos, comendas e condecorações. Chegamos mesmo a utilizar diferentes estratégias, somente para nos adaptarmos aos outros e por eles sermos aceites. Não são raras as vezes que fazemos concessões do nosso próprio Eu, e acabamos pôr o penhorar em insignificâncias e em futilidades. Até deixamos de ser sinceros, espontâneos e naturais. Mas, apesar do alto preço que pagamos pela atenção dos outros, mais cedo, ou mais tarde, acabamos por não preencher o nosso sonho. Então, passamos a sentirmo-nos vítimas, e como tal, passamos a culpar os outros dos nossos erros, dos nossos azares e das nossas frustrações. E não são raras as vezes que mudamos de campo, e passamos nós a querer modificar os outros. O que nos conduz à frustração e a mergulharmos num teimoso azedume para com todos os que estão próximos de nós, e mantemos uma permanente cólera para com os fantasmas que nos rodeiam.

Em suma, se este espectro atinge o nosso espírito, então como terapia, não nos devemos esquecer que o amor é alquímico, e como tal, se amarmos a nossa parte feia, aquela acabará por ser absorvida por nós, e por nós será transformada em beleza e em perfeição. Por outro lado, não nos devemos esquecer que é através da tolerância que todos os atos e todas as coisas que são chamadas de pecado, simplesmente desaparecerão da nossa mente. Não existem! Por isso, amemos o nosso corpo, pois esta ação será o principal alicerce na construção do nosso Templo corpo.

O UNIVERSO E SUA RELAÇÃO ESOTÉRICA

Citando Hermes o Trimegisto (2.700 a. C):

“Sob as aparências de Universo, de Tempo, de Espaço e de Mobilidade está sempre encoberta a Realidade Substancial – a Verdade Fundamental. ”

Em face desta citação, ficamos com a suspeita de que há mais coisas no Céu e na Terra do que aquelas que conhecemos, ou que podemos algum dia vir a sonhar que existem. E tanto mais, que a visão que a ciência nos transmite sobre a posição insignificante da Terra face a um universo virtualmente infinito, alimenta-nos pensamentos sobre qual é o nosso lugar nesse vasto universo, em que a Terra não passa dum pequeníssimo grão de areia.

Na verdade, esta é uma das mais difíceis lições que o Homem tem que aprender. No Universo não há acontecimentos bons ou maus, cruéis ou simpáticos, mas simplesmente, há acontecimentos insensíveis e indiferentes a todo o sofrimento humano porque se trata do Caos Ordenado. Na posse deste conhecimento, o Homem sabe que está só na imensidão do Universo de onde emergiu, pelo que somente através da sua sabedoria e da força do seu querer, poderá um dia vir a ser cósmico e eterno, como deuses vivos, porque num futuro longínquo terá nas suas mãos as chaves da criação e da vida eterna, dado que a “Humanidade está destinada a atingir a sua perfeição”. Aliás, é este o seu Objetivo Preciso. Pois, a evolução humana tem um sentido muito concreto e muito definido, apesar de aparentemente parecer caótica e por vez regressiva. Contudo, esta evolução levar-nos-á inexoravelmente para a concretização dos nossos valores ideais, ou seja, conduzir-nos-á para o Amor ao Próximo, para a Fraternidade entre todos os Homens, para a Harmonia e Paz Universal e para a Igualdade entre todos os Homens. Contudo, mesmo que um dia o Homem venha a descobrir a fórmula do Princípio Criador, ou seja a fórmula para alcançar o divino, essa fórmula nunca substituirá a sensação sentida por um devoto em êxtase. De facto, apenas um contato íntimo com o divino permite aceder de maneira sensitiva à Verdade absoluta, sendo todas as outras verdades relativas e secundárias.

Todavia nesta projeção, colocasse-nos uma questão pertinente, será que algum dia o Homem descobrirá a fórmula que o conduzirá ao divino? E na posse deste conhecimento transformar-se-á ele num deus em potência e em ação? Ou pelo contrário! Não haverá uma força divina a reger todo o universo, inclusive a mente Humana? Vejamos: através da sabedoria o Homem sabe que a substância é aquilo que subsiste por si, e que a essência, é a natureza das coisas. Desta análise o Homem retira que o substancial é aquilo que existe e que é real. Pelo que a realidade é o estado verdadeiro, permanente, duradouro e atual de um Ente. Sendo assim, e de acordo com o princípio fundamental do Mentalismo, todo o Universo é Mental. Na verdade, aquele que compreender a Verdade existente na Natureza Mental do Universo estará avançado no Caminho para a construção do seu próprio Templo, uma vez que quando o Homem souber dominar a sua própria Mente e, a colocar em sintonia com a Mente Universal, terá o domínio da Verdade absoluta e deste modo será um deus em potência e em ação, uma vez que saberá proteger-se dos seus maus pensamentos.

Todavia, se aceitarmos a ideia de que Deus é infinito, ou seja, que não tem princípio nem fim, que é Omnipresente e Eterno, algumas questões se nos colocam, como sejam: Como criou Deus o Universo? De onde extraiu Ele o material necessário para fazer tudo o que fez? Se Deus extraiu o material de algum lugar, então, Ele não seria nem Infinito nem Omnipresente. Pelo que a única resposta aceitável é que tudo o que Ele criou, criou-o na Sua própria Mente. Ou seja, tudo o que existiu, existe e existirá está incluído em essa grande Mente Universal. Pelo que podemos concluir que o Todo é Espírito e como tal: é incognoscível e indefinível em si mesmo, considerado como uma Mente Vivente Infinita e Universal, sujeita às Leis da Criação (nascimento, amadurecimento e morte), em cuja Mente vivemos e temos a nossa existência. E dado que o homem foi feito à imagem e semelhança do seu Criador, este pode criar utilizando materiais do mundo concreto. Mas, qualquer que seja a sua criação, sempre começará na sua própria Mente. Por esta razão, para alguns a Vida é uma grande oportunidade para crescer e dela desfrutar; para outros, a Vida não passa dum grande sacrifício. A grande diferença entre eles está somente na sua própria mente e na maneira como percebem o mundo onde interagem. Assim, o nosso Universo Pessoal depende somente do nosso Pensamento. Por isso a primeira tarefa daquele que procura a perfeição será aprender a controlar os seus pensamentos.

“O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”. Este é o Princípio da Correspondência, que aplicado ao Universo diz-nos que tudo se corresponde entre si, ou seja, o Microcosmo assim como o Macrocosmo, seguem o seu destino. Pois, se pensarmos que o nosso corpo é apenas um reflexo das manifestações do Universo, como prova a existência dos átomos, tanto no Micro como no Macrocosmos veremos quanta verdade existe neste axioma. Aliás, quando o Homem bebe uma gota de água, sabe que está a beber o próprio universo, pois a molécula da água, o H2O, reúne no seu seio o hidrogénio, que não é mais do que um vestígio da explosão inicial, o “Big Bang” dos cientistas, e o oxigénio, que foi produzido na fornalha das estrelas e por estas foi exalado. Sabemos que as estrelas são as mães dos átomos com que somos construídos, esses átomos que constituem as espécies mortais e pensantes que admiram o Sol como um deus criador. Este princípio contém a Verdade, ao estabelecer que existe uma correspondência entre as leis e os fenómenos dos diversos planos da Existência e da Vida. Aliás, este Princípio é de aplicação e manifestação Universal nos diversos planos do Universo material. Pois, o Princípio da Correspondência habilita o Homem a raciocinar inteligentemente do Conhecido ao Desconhecido.

Assim, podemos concluir que a Vida e a vontade Divina são o centro de todo o Universo, que o controla e o superintende em toda a sua grandeza e magnificência, tal como o Sol é o centro e a fonte de vida de todo o nosso Sistema Solar, do mesmo modo, também o Universo controla e alimenta de vida os planetas que o rodeiam. E tal como no Universo, também na vida humana existe um princípio vital e imortal que controla a sua existência, o qual é um ponto dentro do círculo da sua própria natureza. Porém, vivendo como o Homem vive neste mundo físico, este círculo está limitado por duas grandes linhas paralelas, que representam Moisés e o Rei Salomão, ou seja, o espírito do Homem é controlado pela Lei e pela Sabedoria.

Apesar da sabedoria que o Homem possa ter, não deixa de pensar quanto é a sua infinita ignorância acerca do Universo, como ao mesmo tempo sente-se engolido pela eternidade do antes e do depois, pelo que se espanta de estar neste plano e não noutro; ao mesmo tempo que se interroga porque está presente neste plano agora em vez de antes? Quem o pôs neste plano? Por ordem de quem e em que direção lhe foi este lugar e tempo atribuído? Portanto a sua grande questão princípio fundamental do Mentalismo qual é a sua missão neste Plano?

quarta-feira, 29 de novembro de 2017




LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE 
ORIGEM DO LEMA



Ir∴  José Castellani


As três palavras - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - que se tornaram, praticamente, um lema da Maçonaria contemporânea, não têm origem maçônica. Alguns autores, mais ufanos do que realistas e mais fantasistas do que científicos, afirmam que o lema é maçônico e foi utilizado como divisa da Revolução Francesa de 1789.

A verdade histórica, todavia, é bem outra:

Em primeiro lugar, o lema da Revolução Francesa era “Liberté, Égalité, ou la Mort” (Liberdade, Igualdade, ou a Morte). Só com a 2ª República, em 1848, é que ele iria se transformar em “Liberté, Égalité, Fraternité” (Liberdade, Igualdade, Fraternidade). (Ver nota)

Em segundo lugar, foi a Maçonaria francesa que, na segunda metade do século XIX, adotou o lema da 2ª República, o qual acabaria se vulgarizando entre os maçons que trabalhavam sob influência da cultura francesa, em todo o mundo, a ponto de chegar a ser considerado como uma divisa exclusivamente maçônica, o que não é.

Em terceiro lugar, a idéia de Liberdade, Igualdade e Fraternidade é bem mais antiga.

Podem ser encontrados vestígios dela, quando da criação da primeira seita comunista, dita “Comunismo Cristão”, fundada em 1694, por Johann Kelperès. Para os membros dessa seita, o Messias aguardado não se apresenta como o pescador de almas, mas, sim, através de uma trilogia, onde ele é o “distribuidor de justiça” (igualdade), o “grande irmão” (fraternidade) e o “libertador” (liberdade).

Análise e significado

A análise da divisa, ou da trilogia, pode ser feita através do prisma político-social , ou sob o ponto de vista exclusivamente iniciático. No primeiro caso, teríamos:

A igualdade constitui um ideal da organização social, pela qual lutou a humanidade, à medida que ia avançando no caminho de sua evolução. Essa luta dura até hoje, porque a divisão das nações, em sistemas políticos, das comunidades, em classes sociais, e dos indivíduos, em posições econômicas, morais e intelectuais, prejudicam os esforços em benefício da igualdade irrestrita.

A fraternidade é considerada como a conduta que norteia a vida de um indivíduo. Ela é desejada, reclamada e fixada como objetivo de todas as religiões, instituições sociais, partidos políticos, etc., estabelecendo o altruísmo contra o egoísmo, a benevolência contra a malevolência, a tolerância contra a intolerância, o amor contra o ódio.

A liberdade nasce com o indivíduo, atinge o consciente coletivo dos povos e produz fatos extraordinários. O sentimento de liberdade é o bem mais caro ao coração de um homem; e não há nada que o deprima tanto quanto a opressão da escravidão, o encarceramento da consciência e a privação da liberdade.

Do ponto de vista iniciático, todavia, o conceito é um pouco diferente:

A igualdade repousa sobre a consciência da identidade básica de todos os seres e de todas as manifestações do espírito humano, acima de todas as distinções externas de posição social e de grau de conhecimento e de desenvolvimento intelectual. Essa igualdade, representada pelo Nível, é que proporciona, a todos, uma justa e reta maneira de conduta com todos os semelhantes.

A fraternidade é considerada o complemento da liberdade individual e da igualdade espiritual, das quais representa a adoção prática. Em síntese, é a tolerância, em relação à liberdade, e a compreensão, em relação à igualdade.

A liberdade é definida como uma aquisição individual, íntima, fundamentalmente independente da liberdade externa, que pode ser outorgada pelas leis e pelas circunstâncias da vida. Em resumo, é a liberdade que se adquire buscando a Verdade e realizando esforços para trilhar o caminho da virtude, dominando os vícios, os hábitos negativos e as paixões destrutivas.

A interpretação astrológica

A Igualdade é o símbolo de Libra, ou Balança. Este signo é o símbolo universal do equilíbrio, da legalidade e da justiça, concretizados pelo senso da diplomacia e da cortesia, que o caracterizam, assim como a aversão à agressividade e à violência de Áries, que está diante dele.

Libra significa, em última análise, um caráter afável, um sentido de justiça, harmonia e sociabilidade, que são, todos, atributos da igualdade.

A Fraternidade é perfeitamente ilustrada pelo signo de Gêmeos, em sua dualidade, representado por dois gêmeos, que são os míticos Castor e Pólux, cada um desempenhando seu papel, sem nenhuma proeminência sobre o outro. O signo de Gêmeos é dual, porque simboliza o momento em que a força criativa de Áries e Touro divide-se em duas correntes: uma tem sentido ascensional , espiritual, e a outra é descendente, no sentido da multiplicidade das formas e do mundo fenomênico. Considere-se, também, que, face a Gêmeos, está Sagitário, governado por Júpiter, Zeus, Deus, do qual todos os homens emanam, o que os faz irmãos uns dos outros, com cada um procurando-o, à sua maneira.

A Liberdade é apanágio de Aquário, simbolizado por Ganimedes, pelo anjo derramando, sobre a humanidade, o cântaro do saber; saber, que, se for bem utilizado, pode ser um meio de acesso à liberdade, com a condição de que aceite a superioridade do iniciado. Só o iniciado, o sábio, poderá reconhecer os limites além dos quais não poderá ir, pois esta é a maneira dele chegar ao conhecimento dos mistérios divinos. Essa ligação com o divino, da qual Moisés é um símbolo, o respeito às leis divinas, fundamental para uma existência pacífica e harmoniosa, serão, também, assinalados pelo signo frontal a Aquário: Leão, cujo símbolo é o Sol; o Sol, símbolo do UM, símbolo de Deus.

Esses três signos, Libra, Gêmeos e Aquário, são os signos do ar do zodíaco. E os signos do ar são símbolos do espírito, são símbolos do cosmos, que o iniciado deve procurar conhecer e compreender.

NOTA - Alec Mellor, respeitadíssimo pesquisador francês, afirma que é inteiramente falso que essa divisa republicana seja de origem maçônica. Louis Blanc e outros autores pretendem que seu inventor tenha sido Louis-Claude de Saint-Martin, mas o historiador mais abalizado da vida e do pensamento deste, Robert Amadou, demonstrou que isso não é verdadeiro.

A pesquisadora B.F. Hyslop examinou uma grande quantidade de diplomas maçônicos publicados entre 1771 e 1799, na Biblioteca Nacional de Paris, e não encontrou mais que dois, somente, onde as três palavras estão reunidas. Quase todos registram “Saúde - Força - União”, ou falam do templo onde reina “o Silêncio, a União e a Paz”. O resultado desse estudo está publicado in “Annales Historiques de la Révolution Française” - janeiro, 1951, pag. 7.

A 1ª República conheceu bem a divisa “Liberdade, Igualdade, ou a Morte”, mas tal programa ideológico não foi jamais o da Maçonaria. Foi somente sob a 2ª República que a “tríplice divisa” surgiu. Mas não foi a República que tomou emprestada a divisa à Maçonaria, mas, sim, a Maçonaria é que a tomou emprestada à República (in Dictionnaire de la Franc-Maçonnerie et des Francs-Maçons” - Belfond - Paris - 1971) . 

(Extraído do livro “Maçonaria e Astrologia” - Editora Madras – S. Paulo – 1998)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017



YAKIN E BOAZ - LUZES NA ÁRVORE DA VIDA

Tradução J. Filardo
Por Solange Sudarkis




O texto conta que havia uma árvore de vida onde os nossos primeiros antepassados ​​se tornaram humanos. Tornando-se demasiado humanos e muito gananciosos, eles tiveram que deixar o que parecia ser um paraíso; e devia ser o final de março, quando eles foram expulsos. Guardas sem carne foram contratados para negar-lhes acesso; vamos chamá-los Gabriel e Rafael. Depois de uma investigação, descobrimos essas duas personagens, escondidas sob o nome de Yakin e Boaz [i] as duas colunas na entrada de um edifício, o Templo de Salomão, um outro tipo de paraíso, mais conhecido sob o nome de “pardes”, ou jardim. Ali, os sábios em misticismo consideraram por meio de elaborações espirituais que se poderia conceituar que havia ali uma outra árvore da vida, a árvore das Sephiroth.

Posando como uma constante fundamental, tanto em rituais quanto em lojas, embora muitas vezes tratados em papelão, Yakin e Boaz nos interrogam sobre a sua relação com essa metáfora de árvore. Justificadamente, temos o direito de buscar sua conivência especulativa, porque a famosa árvore da Cabala, a árvore das Sephiroth, se apresenta, de fato, também sob a forma de pilares de onde a comparação com nossas duas colunas, aliás nossos dois pilares, pode parecer evidente para muitos. Por contágio semântico que representa cada um desses dois lados?

Em sua separação: a dualidade e dualismo

Sua separação aparente: a dualidade

– A dualidade se estabelece com base na lateralização, a direita e esquerda [ii]tão precisamente explícita tanto para as colunas do templo maçônico quanto para os dois pilares da árvore das Sephiroth. Yakin está à direita ao sair do templo, Boaz à esquerda. As colunas fazem do termo “dois”, o binário, o princípio fundamental essencial da existência do mundo sensível e da vida do gênero humano.

O Zohar chama Kether “o crânio” Chokmah e Binah, “o cérebro”; o hemisfério cerebral direito é atribuído a Chokmah (a Sabedoria) e o esquerdo a Binah (a inteligência). As colunas do templo, semelhantes a estas duas Sephirotes correspondem a todas as dualidades: Sujeito-objeto, agente-paciente, ativo-passivo, positivo-negativo, pai-mãe, esquerda-direita, dar-receber agir-sentir, espírito-matéria, sol-lua, abstrato-concreto…

– Assim que se introduz qualquer oposição, tanto espacial quanto qualitativa, podemos também considerar a dualidade assim aparente, como uma demonstração de Relações dos princípios arquetípicos do masculino e feminino.

Em J.’. a via ativa da manifestação, o princípio masculino, em B.’., a via passiva, o princípio feminino. Estas colunas pertencem ao mundo da formação (Yetzirah). Os pilares exteriores Yakin e Boaz, são os reflexos claramente diferenciados em macho e fêmea do homem andrógino, aparecido no mundo da Criação (Beriá) e separados em Adão e Eva em Yethsirah.

Os textos não dizem que eles são simétricos nem semelhantes. Uma das colunas é descrita pela sua altura, a outra pelo seu diâmetro [iii]. Seria um erro de interpretação que as tornam iguais. Estabelece-se assim uma correspondência, uma alteridade sem identificação, daquela que é alta daquela que é larga. Isso é afirmar a diferença, manter e deixar livre a dimensão da estranheza e do outro lugar.

Isto significa que o outro não é sempre o mesmo. O outro só é então oposto a seu outro; Boaz e Yakin se contemplam. J.’. e B.’., 10 e 2, em valor gemátrico, onde temos germe e matriz [iv]escolhidos e nomeados obviamente, com uma intenção hermenêutica.

Em todas as tradições antigas, o cilindro delgado é uma representação fálica; assim como a romã está associada ao ovário gerador. A associação desses dois símbolos não poderia ser mais explícita para as Colunas que evocariam, evidentemente, um simbolismo sexual de geração e fecundação.

Da luz original que encheria uniformemente e sem diferença de grau antes do tsimtsum (o recuo divino que permite preencher o Aïn sof), surge uma luz que emana no vazio deixado pelo tsimtsum. Esta luz que emana contém todas as Sefiroth e se divide em dois raios, um interior, a alma, e outro o mundo da separação. Todas as Sephiroth emitem e recebem luz, mas esta luz pode ser mais ou menos intensa. Diz-se que a emissão de luz é de natureza masculina, enquanto a recepção é de natureza feminina. Cada uma das 10 Sephirotes recebe o influxo que lhe chega a partir do Ain Sof e se derrama, por sua vez. Podemos então nos perguntar: como é que algumas Sephiroths são chamadas machos e outras fêmeas, embora todas sejam andróginas? Geralmente, as Sefiroths machos são energias expansivas e criativas, e as Sefiroths fêmeas são restrições e estabilizações dessas forças.

A energia e a matéria são formas andrógenas da unidade que no pleroma hebraico também são consideradas princípios masculinos e femininos. Estes princípios só podem ter uma coexistência dramática onde o princípio feminino é a fonte da vida, mas também de morte para o princípio masculino, é a forma limitando a energia; daí a opor a mulher ao homem não é perigoso? Sim, mas o andrógino original não é a dualidade do hermafrodita, nem a dos híbridos mencionados na introdução. É dizer e repetir que somos macho e fêmea, como imagem da criação. É uma consubstancialidade da unidade vista em seus aspectos diferenciados, mas é a unidade que ainda é uma questão. Assim, na Doutrina Secreta de Blavatsky “em um estado absoluto, o único princípio sob seus dois aspectos de ideação pré-cósmica (energia) e substância pré-cósmica (matéria) é unissexual, incondicional e eterno. Sua emanação é andrógina. Quando esta radiação se irradia por sua vez, a toda a sua radiação é andrógina, mas tornam-se os princípios masculino e feminino em seus aspectos inferiores (criação, formação). Isto é o que diz também Einstein: “Eu prefiro olhar para a matéria e energia não como fatores produzindo os mesmos graus de curvatura do universo, mas como elementos de percepção desse universo.”

– Encontramos esta separação da androginia nas iniciais do nome das colunas.
A letra Yod inicial de Yakin décima Letra-Força alfabeto hebraico sagrado representa um retorno à Unidade; é uma espécie de Alephאinternalizada. A fonte de Vida representado pela letra Aleph, que é a semente de todas as coisas, torna-se Yod uma Força Motriz que estimula a partir de dentro, e que dá a possibilidade de criar. O Yod estabelece a base racional para compreender a mecânica da obra. Yod é um elemento Air criativo e transformador. No mundo material ele representa a fase em que as sementes de Pensamento, transportadas pelo Ar, são aspiradas e incorporadas ao organismo.

De acordo com a Cabala, a letra Yod é um sinal que tem duas determinações: uma é formada e revelada, o signo Yod desenhado (o desenho original do signo é um braço estendido, transformado em um ponto, a direção é uma mão fechada em um punho); o outro não é formado nem revelado, o ponto conceitual propriamente dito. Estes dois aspectos da letra Yod são também chamados “desbloqueado ou implantado” ou real e “bloqueado ou não implantado, conteúdo”, ou irreal.

O ponto importante é o resultado do recuo divino chamado “tsimtsum” a partir do qual é criado o universo. Na árvore da vida, este ponto Yod, colocado no nível da Sabedoria (Chokhmah) emite duas luzes das quais uma, infinita, se desvanece em direção ao alto. A luz acaba por descer e revela o sinal Yod explícito, graças ao qual o universo e seu conteúdo existem e são tornados tangíveis. É coluna Yakin, que também é traduzida como: o estabelecido.

Segundo a tradição, o ponto inicial é implantado como uma linha para baixo, num signo Vav, em seguida, em uma segunda linha para formar um plano, o sinal Daleth. E de fio em agulha, o ponto inicial é a origem de todas as letras e da escrita.

Mas, por outro lado, o Yod se revela em sua escrita explícita “yod-vav-daleth” para nos confirmar sua implantação progressiva.

O significado da letra Yod é o braço e, por extensão, a mão. As duas mãos entrelaçadas formam um local de encontro; ambas as mãos cerradas, um vínculo de fraternidade; as mãos abertas, a imagem de um apoio, de uma compreensão; a mão é um sinal da ação e da reação. A mão indica, materializa e faz existir um conceito ou ideia.

O valor da letra Yod é dez, volta à unidade através da dualidade e multiplicidade. Há dez palavras criativas do mundo e dez mandamentos para mantê-lo.

A letra Beth, inicial de Boaz representa uma condensação da aquisição, internalização da luz. Para que a energia possa se manifestar em qualquer nível, ele deve passar por uma fase de interiorização e de condensação. Esta condensação da Força Primordial produz o Amor. Em nível humano é um amor não revelado, mas que, agindo a partir do interior faz avançar no caminho da obra. A letra Beth simboliza a casa, o receptáculo da força criativa do Yod. De acordo com o simbolismo das letras, o iniciado deveria primeiro passar por Yod, entidade masculina, força produtiva, racionalidade no conhecimento e, então, quando ele souber ler e escrever, ele poderá se aproximar de Beth elemento feminino, despertando o amor não mais passional e construir sua Casa, seu templo interior no qual o trabalho da força criadora se desenvolverá facilmente.

O sentido principal de Beth é a casa, um edifício, uma construção. “É através da Sabedoria que se edifica uma casa, e é pelo discernimento que ela se consolida” (Provérbios 23: 3). Beth está no caminho de discernimento na Árvore da Vida. Esta letra tem a forma de um abrigo fechado por três lados e aberta para a esquerda. Beth é igualmente o Templo, o palácio divino, a manifestação do absoluto. De acordo com a mesma Tradição, os três lados de sinal Beth representam o que é revelado, o quarto lado não traçado é o segredo ou o selo divino. De acordo com a tradição da Cabala, a abertura de Beth para o Norte, de onde sopra o vento fresco, a riqueza, mas também as más intenções. Colocado à esquerda ao sair do templo, ao norte, Boaz é consistente com sua inicial.

Vindo do exterior, o rigor pode encontrar no interior de “Beth” o calor da misericórdia. A abertura de Beth é a liberdade de escolha, seja a tentação da inclinação para o mal, seja a compaixão e o amor. Cabe ao homem de escolher o caminho certo.

Outro significado desta letra é a mulher, o feminino. Beth é uma preposição que denota tanto a interioridade quanto o acompanhamento. Mulher e casa sugerem a suavidade de um lar ao abrigo das vicissitudes, mas para passar de uma ao outro, de “bat”, a mulher para “beyt”, a casa, é preciso adicionar a letra Yod, imagem da lei moral, através dos dez mandamentos (veja Yod, acima). A construção de um interior não pode se identificar com o feminino cujo fundamento é a lei moral; então, o espírito que prevalece é uma alma superior.

O valor de Beth é dois. Beth é o batente de uma porta. Em aramaico, “bab” com um duplo Beth é uma porta dupla: a primeira letra das Escrituras, esta letra foi escolhida para criar o universo. As duas primeiras palavras da Bíblia começam com um Beth: a primeira palavra é um recipiente, interior oferecido, o de um Começo (bereshit). A segunda palavra “criada” (bara), onde Beth é a filha da unidade, a diferenciação e o discernimento sendo o prelúdio de toda a criação. Dupla, a letra Beth é a primeira manifestação do múltiplo.

No plano divino, Beth é o paradoxo de paradoxos: o universo tem uma realidade fora do divino? Se o divino é a singularidade e a totalidade, existe um lugar para o homem? Daí a impressão íntima de ser e não ser ao mesmo tempo, o sentimento que vai vem da onda existencial. A realidade é dual: na tradição bíblica, cada coisa é (ou tem) seu oposto, Beth é tanto interior quanto exterior.

Em hebraico, pai e mãe começam com aleph, filho e filha começam por Beth: Beth é assim a segunda geração, aquela que já recebeu o ensinamento de seu mais velho, Aleph. No entanto Beth é também a casa do estudo, o abrigo da Torah, a nova geração também aprende por ela mesma. O ensino deve ser sempre repetido duas vezes: aprender em aramaico é repetir duas vezes.

Beth é, portanto, um abrigo precário da dualidade existencial, a porta aberta para o exercício da responsabilidade do homem e seu livre arbítrio, abrigo consolidado pelo julgamento e o estudo da lei.

– As cores de Yakin e Boaz, o vermelho e o branco, participam de sua dualidade. As duas colunas de bronze, em nossos templos, coloridas, e Yakin, macho em branco e Boaz fêmea em vermelho[v]. O Zohar atribui uma cor específica a cada uma das Sefiroth: branco a Chokhmah; vermelho a Binah [vi]; verde a Tiphereth e negro a Malkhuth. Este sistema de cores é paralelo ao dos 4 mundos, a que também são atribuídas cores; em particular, o mundo de Atziluth está associado ao branco, o mundo da Briah ao vermelho; no entanto, estas atribuições variam segundo os cabalistas e os sistemas.

As cores que são visíveis ao olho, ou que são representados em espírito, podem ter um efeito sobre o espiritual, embora as próprias cores sejam físicas “(Moses Cordovero, Pardes Rimonim “porta de cores”). Yakin está, portanto, associado à sephira da sabedoria Chokma [vii]e Boaz, com a da inteligência, Binah [viii].

Quando se diz, I Reis 7, 14, que Hiram estava “cheio de sabedoria, de inteligência e de saber [ix]“(tomando também essas mesmas qualidades que tinha recebido Bezalel [x] o mestre de obras do primeiro templo nômade sob Moisés), é, também, tornado muito claramente uma junção semântica das duas colunas com os dois Sephiroths, o a sabedoria, Chokma, e o da inteligência, Binah (também chamado Tébouna).

Sabemos que, para os hebreus, a Lei (aquela das tábuas de mesmo nome) e a justiça, a equidade em sua aplicação (que pode ser encontrado sob os nomes de mishpat e tsedeq) foram fundadoras da governança desse povo e das relações entre eles. “Ai daquele que constrói sua casa pela injustiça, e seus aposentos pela iniquidade [xi]!”.

Neste sentido, Lei e justiça poderiam naturalmente ser entendidos como rigor e misericórdia. O julgamento vermelho e a misericórdia branca, porque o branco e o prata são as cores tradicionalmente associadas à gentileza; o vermelho e o ouro associados ao julgamento; Yakin. tsedeq e Boaz mishpat!

Entretanto, note-se: em alquimia, as cores não são as mesmas. Yakin, porque é a energia criativa masculina, a força expansiva que parte do centro de todo o ser, o enxofre que representa o coagula, o Fixo, isto é, o estado condensado e corpuscular da matéria, sua cor é o vermelho.

Quanto a Boaz, é a receptividade feminina, é a energia proveniente do exterior que penetra tudo: o é o mercúrio, a “mãe cura”, o Solve, o Volátil, ou seja, o aspecto vibratório e ondulatório da matéria; sua cor é o azul.

O templo maçônico escolheu para suas colunas a cor de sua correspondência com os pilares da árvore da vida, o vermelho e o branco.

O entrelaçamento de sua natureza: o dualismo

O dualismo da aparente oposição nos leva à coincidência dos opostos. Inseparáveis, indivisíveis, as colunas formam uma espécie de diálogo; o equilíbrio de suas forças de luz é uma estrutura da criação.

Boaz traduz a força, mas não a força física, ela evoca uma força superior, a força espiritual da consciência da indestrutibilidade do ser real, o Espírito.

Yakin expressa a solidez, a estabilidade; ela significa que o iniciado passou a fase de flutuações humanas e alcançou o estado de Ser parado no eterno presente.

Diz-se que a união das duas colunas gera uma terceira, no meio, que representa de um ponto de vista esotérico, homem e a humanidade. A combinação das duas forças opostas produz o pilar central: o homem perfeito. Diz-se também que o Templo, localizado entre as duas colunas seria então Kether, a coroa, o Pai-Mãe.

O trabalho de iniciação consistirá em equilibrar essas duas polaridades, para dar nascimento à Beleza, que não será estética, mas a sublime Harmonia criada pela Força e guiada pela Sabedoria.

Em sua inter-relação: a Luz

As duas colunas trazem em seus significados toda árvore sefirótica. A sabedoria é uma árvore da vida para aqueles que a abraçam aqueles que se apoiam nela estão em marcha [xii].

Chokhmah e Binah, Yakin e Boaz, como acabamos de ver são associados à Sabedoria e Inteligência; necessário é agora compreender o alcance da associação Sabedoria-Inteligência.

Embora seja útil considerar as sephiroths separadamente, é preciso ter em mente que eles estão constantemente interagindo. Suas influências se derramam continuamente na realidade.

Este fluxo constante garante a estabilidade da Árvore. Por sua vez, as Sephiroths desempenham um papel de emissor e de receptor. Assim Chokhmah é passiva em relação a Kether e ativa em relação a Binah. Além disso, uma sephira é influenciada pelas Sephiroths que estão diretamente ligadas a ela, mas também de todas aquelas que a precedem.

A primeira sephira, esfera de manifestação, é colocada mais alto do que as outras no pilar do meio. Ela se une com a segunda sephira do pilar à direita e ela própria se une sobre o mesmo plano à terceira Sephirah no pilar esquerdo formando assim um triângulo, dito triângulo supremo. Esta triangulação surgida do nada, da origem, é muito especial. É o começo. É como uma frase ou ideia em germe, mas que só encontrará a realização, em uma fase posterior: uma ideação do universo.

Kether, se traduz por coroa, a primeira Sephirah é colocada, assim, no cume, no início da manifestação primordial. Ela representa um tipo de cristalização primitiva daquilo que até agora não foi manifestado e permanece incognoscível por nós.

Não existe em Kether nenhuma forma mais exclusivamente da intenção pura, que ela pudesse ser: é uma existência latente separada por um grau da origem, do não-ser; do Aïn-sof. Esta sephira contém tudo o que foi, é, e será, ao mesmo tempo. Ela é o que está se tornando. É com a existência manifestada nos pares de opostos que esta unidade terá um sentido acessível, mas em Kether ainda não há diferenciação alguma. Ela permanece ela mesma nela mesma. Essas diferenciações no-la fazem parecer inteligível somente quando Chochmah e Binah, nomes da 2ª e 3ª Sephiroth, terão sido emanados.

Kether é a mônada existente sem atributos perceptíveis, mas apesar de tudo contendo-os todos. Por isso, ela contém as potencialidades de todas as coisas. Não podemos definir Kether, só podemos nos referir a ela. A experiência espiritual atribuída a Kether é chamado União com Deus: objetivo e fim de toda a experiência mística ou alquímica. Não é surpreendente localizar aqui como virtude, aquela da realização, da conclusão da grande obra alquímica, o retorno final. O ponto porque ele não tem dimensão é naturalmente associado a ela como um símbolo referente. Mas encontraremos outros títulos para ela, tais como Existência das existências, o ponto primordial, o ponto no círculo, o macroprosopo inicial, a luz interna, Ele, a cabeça branca e seu arcanjo é Metatron.

A energia de Kether se desdobra e este dinamismo primeiro, este ponto em movimento traça uma linha que vai em direção à segunda sephira chochmah: a Sabedoria. Esta expansão da força não-organizada e não compensada seria, antes, uma energia incontrolável: o grande estímulo do Universo. Mas é impossível compreende-la sem associa-la a Binah terceira sephira da árvore e primeira sephira organizadora e estabilizante, Binah: a compreensão. Se os títulos dados a Chochmah são Ab, o Pai Supremo, Tetragrammaton, IHVH, Yod do Tetragrama (muitas vezes representada em francês ela letra J) e se os símbolos ligados a ela são o falo, o lingam, a pedra que mantém de pé, a torre, a vara do poder que se veste, não ficaremos surpreso ao ver e entender em Binah (a compreensão), ima, a mãe sombria Elhoim, a brilhante mãe fértil, o Grande Mar, Mara, raiz de Maria e reconhece-las na taça, o cálice, o Yoni, a roupagem exterior de dissimulação (termo Hindu e gnóstico que designa os órgãos sexuais da mulher).

Assim, Kether é o ser puro, todo-poderoso, mas não ativo. Quando uma atividade dela emana, o que chamamos Chochmah é um fluxo descendente de atividade pura, que é a força dinâmica do universo e que se estabiliza em Binah. Ele então toma forma em Binah. A Unidade de Kether é uma mônada dando a si mesmo a ver em duas Sephiroths. Elas formam assim a tríade Suprema. A unidade do início, em seus dois aspectos diferenciados pode ser representada por um triângulo: Kether, Chokmah, Binah. Os cabalistas chamam a primeira tríade KaHaB כחב, sigla composta pelos nomes originais dessas Sephiroths.

O Delta de nossos templos é um triângulo deste tipo? Sim, nós ainda diríamos que fixamos aqui a tríade suprema, mas é também a mônada pitagórica. Nosso Delta é a consubstancialidade do Espírito manifestado (a energia), a matéria (a forma) e do universo seu filho. Ele é colocado no lado dos mundos superiores, quer dizer para nós no oriente. No outro extremo, no mundo da formação, considerado inferior porque mais distante da origem, temos o mesmo simbolismo. Sob uma outra forma, J\ e B\ representam, na fase do mundo da dualidade, os dois aspectos diferenciados, mas separados da unidade ideal do Delta que os contém em ideação onde eles se ainda se encontram reunidos na perfeição andrógina. Pode-se dizer que a partir do topo do Delta passando pelos seus pontos baixos, ligado às colunas do Templo são traçados os pilares da árvore da vida, ao mesmo tempo as esferas de luz e os caminhos pelos quais se atualiza a transcendência.

Porque existe “e” na androginia inaugural, a gênese nos propõe, a partir deste “e”, uma categoria de pensamento. O que se propõe, não é que Deus existe ou não; é que é preciso que ali exista “e” para que exista relacionamento de natureza, caso contrário é o caos, o magma. Este “e” nos diz para tornar o masculino e o feminino, o Eu e o Você, o individual e o coletivo harmonizados em uma unidade. É preciso rigor e misericórdia. Para que haja o filho ou a filha é preciso haver realmente pai e mãe, ab e ima, caso contrário é o magma psíquico, social, sem o “e” é a desintegração da sociedade. É a barbárie do politeísmo que oferece seus monstros que tem por nome estupro, crime, incesto, eliminação do outro. Quando não há mais conjunção, mesmo quando há indiferença, não há realidade, existem apenas humanidades sem relacionamento de natureza Humana. Não há mais a presença da transcendência humana que é a humanidade na justiça ou a benevolência.

Apresentação das Sephiroths




Kether: a Coroa

o ponto primordial, a grande face, a cabeça branca, a existência de existências, o Ancião dos Dias

A primeira Sephira começa a Árvore e não tem começo. Ela encarna a própria centelha divina. Esta “encarnação” é desprovida de forma, mesmo mental e só pode ser entendida, de acordo com a Cabala, tornando-se um com ela, tornando-se deus. A máxima “Ninguém pode contemplar o rosto de Deus e continuar a viver” parece aplicar-se particularmente a Kether.

Nas tradições e religiões, ela representa o Deus Supremo, o Pai hermafrodita, o Criador. Em um sistema de pensamento, ela pode ser comparada à premissa, o conceito-chave que não tem antecedente e que permite ao sistema se implantar.

A imagem do ponto, objeto sem dimensão é frequentemente associada a Kether. Ela é Coroa, pois confere todo o poder ao homem enquanto ser distinto do seu ser, colocado “acima” dele.

O ponto, o ponto no círculo, o crânio, a centelha divina, o lótus de mil pétalas

Chochmah: a Sabedoria

O pai supremo, o Yod, o Tetragrama, o transbordamento

A segunda Sephira é expansão, um caldo no qual tudo existe de forma indiferenciada. Ela é movimento: o ponto se anima e se torna linha e adquire a primeira dimensão. Chochmah representa o primeiro impulso, o fluxo inexorável, o conceito pai que contém potencialmente todos os outros, o princípio masculino. Ela é sabedoria na medida em que incorpora o estado final antes da fusão total com Deus (consciência cósmica).

A linha reta, o lado esquerdo do rosto, o falo, a pedra de pé, a torre, o bastão de poder, um rosto barbado

Binah: a Compreensão

A mãe sombria, a mãe estéril, a mãe luminosa, a mãe fértil, trono, o grande mar, o reservatório

A terceira Sephirâh se adensa e concentra o fluxo de Chochmah. Binah é associada ao princípio feminino. Ela é a Mãe em toda a sua ambiguidade: aquela que dá a vida, isto é, que molda o ímpeto primeiro para lhe dar forma, mas também aquela que causa a morte, toda limitação do divino sendo condenada à destruição. Esta restrição de Chochmá em Binah marca o nascimento dos Tempos. A linha, canalizada, é moldada e se torna um triangulo. A segunda dimensão aparece e com ela, as premissas da finitude.

Binah é Compreensão, o que já induz uma certa dualidade: entendemos algo (que nos era estranho), desde que se seja sábio (síntese, união).

o corte, o lado direito do rosto, a Vesica Pisces, a vulva, o cálice, uma mulher madura

Chesed: a Misericórdia

Gedulah, bondade, amor, majestade

A quarta Sephira é inteligência coesa e receptáculo de todos os poderes. As formas possibilitadas por Binah são mantidas e alimentadas com Chesed. Ele assegura sua perenidade. Chesed é coesão e multiplicidade. Ela está associada aos princípios da ordem, da síntese e da assimilação. No corpo humano, podemos associa-la ao anabolismo. Em termos de atitude, ela é compaixão e magnanimidade.

a figura geométrica, o braço esquerdo, o tetraedro, a pirâmide, o orbe, a cruz de braços iguais, o cetro, um rei coroado sentado em seu trono

Geburah: a Severidade

Din [justiça], Pa’had [medo], rigor, força

A quinta Sephira é a inteligência radical. Ela é discriminatória: ela vai ao encontro do processo de coesão de Chesed. Ela é força porque dispersa, guerra porque se opõe, caos porque destrói. Ela é coragem, porque vai testar as criações de Chesed. Ela é frequentemente associada ao princípio do Mal e Satanás, o Adversário, “aquele que semeia a discórdia”. Isso não significa que Geburah seja “maléfica” (ver qualidades das Sephiroths). Ordem e Caos são dois princípios essenciais ao equilíbrio do mundo. Deste ponto de vista, não é de se estranhar que a matemática e a física moderna também lhe façam eco.

No corpo humano, Geburah é semelhante ao catabolismo (parte destrutiva do metabolismo levando à transformação da matéria viva em dejetos). Geburah é às vezes chamada Din, a Justiça, por isso a qualificamos de “severa”. Justiça seria mais a ação conjugada do par Chesed, Geburah. Esta última Sephira pode ser então percebida como o equilíbrio que permitirá emitir o julgamento final (decidir).

o pentágono, a espada, a lança, o chicote, um guerreiro sobre seu carro

Tiphereth: a Beleza

O equilíbrio, o rosto pequeno, o filho do rei, o homem

A sexta Sephira é inteligência mediadora e união das influências. Ela é beleza, harmonia de formas e de ideias. É um ponto de equilíbrio, mas também uma encruzilhada: o lugar onde a transmutação das energias é possível. Nesse sentido, ela é associada ao sacrifício (desistir a um bem para alcançar um estado de consciência maior).

O sol que se consome permanentemente para brilhar é o símbolo usado para designar Tiphereth.

O cubo, o peito, o coração, a cruz do calvário, a rosa-cruz, a pirâmide truncada, o sol, uma criança, um deus sacrificado

Netza’h: a Vitória

Firmeza, poder, síntese

A sétima Sephira é inteligência oculta, união do intelecto e da fé. Netza’h está associada à beleza em todas as suas formas. Netza’h é ímpeto místico, confiança e entusiasmo.

Ela é a esfera das emoções, dos sentimentos e, mais geralmente dos ímpetos, das tentativas de compreensão imediata. As andanças de Netza’h então se tornam relâmpagos ou projeções (no sentido de Jung: nós atribuímos cegamente ao ser amado as qualidades que esperamos nele encontrar).

Netza’h é vitória porque ela é meta alcançada, adequação. Ela nutre as tentativas de entendimento em que tentamos entrar em ressonância com o objeto que buscamos entender.

Os rins, as ancas, as pernas (em movimento), a lâmpada, a cintura, a rosa, uma mulher nua

Hod: a Glória

A oitava Sephira é a inteligência absoluta. Hod está associada ao formalismo, à lógica, aos sistemas formais, ao racionalismo. Ela é Glória porque exprime o reconhecimento do saber dominado, codificado e entregue a todos. Hod disseca os impulsos de Netza’h, analisa e contrasta, desmonta e argumenta. O fluxo de Netza’h, canalizado por Hod, engendra uma bulimia de saber, uma versatilidade, uma inventividade extrema. Aquele que procura saber tudo, que “devora” as informações se encontra frequentemente na esfera de Hod. Sob a influência dessa Sephirah, o homem tenta compreender um objeto analisando-o.

Hod é o receptáculo dos conhecimentos fixado (os livros), na medida em que ela é a guardiã dos segredos, do conhecimento e da memória do mundo.

Os rins, as pernas, as nomas, o avental, um hermafrodita, a linguagem

Yessod: o fundamento

fundação, tesouro de imagens

A nona Sephira é inteligência purificadora. Ela projeta o molde das formas, as esculpe, e garante a sua integridade. Ela molda o rio da vida resultante de Netza’h em estruturas complexas desenvolvidas por Hod. Ele seleciona as imagens resultantes da união desses dois princípios para manter apenas os esboços puros e equilibrados. Estas imagens, esses planos, essas arquiteturas se tornarão matéria em Malkuth.

Assim Yesod é a base de toda coisa encarnada. Enquanto união de dois princípios, ela é prazer e gozo. A lua, que regula os ciclos menstruais nas mulheres, está intimamente ligada à Yesod.

Os órgãos genitais, os perfumes, as sandálias, a lua, um homem nu

Malkuth: o Reino

Kallah [a noiva], o limiar, o limiar da morte, o limiar de lágrimas, o limiar do Jardim do Éden, a Shekinah, a mãe inferior, a rainha, a virgem

A décima Sephira é inteligência resplandecente. Ela é o receptáculo de todas as influências. Malkuth representa o último estágio da forma, denso e palpável, incapaz de existir mais concretamente. Ela é nosso universo, nosso planeta, nossos corpos e todas as coisas animadas e inanimadas ao nosso redor.

Malkuth é o Reino das formas imaginadas finalmente realizadas. Malkuth é também o lugar onde os vínculos entre força e forma se degradam e se rompem, o limiar em que “entregamos a alma”, quando o não pode ser assimilado se torna excremento. O desafio humano é, sem dúvida poder ser capaz de controlar um dia a miríade de ​​energias e influências que se agitam em seu reino.

O círculo, os pés, o ânus, o altar do cubo duplo, o diadema, a cruz de braços iguais, uma jovem coroada sentada em seu trono.



NOTAS

[i] Yakin (com substantivo final) + Boaz = 816, em valor reduzido = 9

Gabriel גבריאל Rapha +el ראפאאל: em valor total depois reduzido (aparição, dissimulação) = 73+412+510+20+11+74 = 1180 e 510+111+81+111+111+ 74 = 998, ou seja 1180 + 998 = 3178, em valor reduzido = 9

Yakin e Boaz são semelhantes a Gabriel e Rafael. Eles marcam a entrada do paraíso espiritual, o pardes. Diz-se que somente no templo se poderia realizar a elevação espiritual através dos 4 níveis de estudo do Pardes, domínio reservado do Conhecimento esotérico da Torá.

1 – Pshat: sentido literal do texto que trata o mundo sensível.

2- Remez: Alusão, “Insinuação”. Este é o mais alto nível do estudo, de onde a raiz ram que significa ‘elevado’.

3 – Derash: Interpretação figurativa. É a parábola, a lenda, o provérbio, etc.

4 – Sod: Segredo. Este é o nível esotérico relativo à teosofia, a metafísica e a revelação das coisas sobrenaturais, secretas e misteriosas.

O Pardes é uma referência aos quatro níveis de compreensão da Torá e os quatro ramos de ensino da Torah: Mikrah (versículos) (ensinamentos jurídicos) Talmud (ensinamentos desenvolvidos da Mishná) e Cabala (explicação esotérica da Torá).

[ii] No rito Escocês Antigo e Aceito

Ven.´.: Qual é o seu lugar em loja Primeiro [depois o Segundo] vigilante?

1o. Vig.’. à esquerda da entrada do templo …

2º Vig.’. ..à direita da entrada do templo…

[iii] I Reis 7, 15. Ele moldou os dois pilares de cobre, um dos quais tinha dezoito cúbitos de altura, e uma linha de doze cúbitos media em torno do outro.

[iv] O “Iod” inicial de Yakin representa a masculinidade por excelência. Beth, inicial de Boaz, é considerada essencialmente feminina porque o nome desta letra significa lar, daí a ideia de recipiente, de caverna, de útero.

[v] Glossário teosófico Por Helena Blavatsky. Obra teosófica publicada por Edições Adyar;

[vi] Sobre o simbolismo da cor, nós mantemos esta passagem de Gikatila: o Branco é a substância da Chochmá, que é Misericórdia ao lado da Brancura, e uma parte de Din e de aniquilação do lado de Binah vermelha. Ao contrário, sobre Binah, o segredo da volta, sua substância é vermelha, e o branco é auxiliar para ela. Esta é a razão pela qual, a partir de Chochmá, o atributo Rah’amim (Misericórdia) se derrama do lado direito, que é Abraão“. (Segredo da cor de Gikatila).

[vii] Chochmah.חכמה

Chochmah é um termo hebraico que significa “sabedoria”; e a Kabbalah é a maneira de realizar a “Hockmah nitsarah” a “sabedoria oculta”. Para o cabalista, a Chochmá não é um puro conceito filosófico abstrato, mas uma realidade primordial cuja experimentação leva à reintegração divina, através da união do mundo do Alto e o mundo de Baixo.

A Chochmá é assim a Sabedoria, a Sapientia, a onisciência e onipotência divina.

Tradicionalmente, o lugar de Chochmah na Árvore da Vida é no topo do Pilar da Misericórdia, Misericórdia que se torna evidente considerando este jorro vindo de Kether como um presente tão forte e tão cheio da própria Energia que seu efeito se faz sentir até os planos mais escuros e mais densos dos mundos inferiores.

Esta emanação é chamado de Sabedoria, porque “ela é escondida e misteriosa, uma realidade que não tem limites nem fim, ela é o segredo da Sabedoria, porque ela é uma coisa inatingível que reside no Pensamento” (Moisés de Leon, Fragmento sem título). A partir dela, o Bahir nos diz: “A segunda palavra é Chochmá pois está escrito “יהוה me foi adquirida no início do seu caminho, antes de suas obras mais antigas” (Prov. 8, 22.); e não há ponto de “começo” fora de Chochmah, pois está escrito: “O início da Chockmah é o medo de יהוה” (PS 111, 10). O medo é Yrah – יראה – um dos nomes da Chochmá de acordo com o Shaarei Orah de Gikatilla.

A tradição qualifica assim Chochmá no texto dos Trinta e Dois Caminhos da Sabedoria: “O segundo caminho é o da inteligência Iluminadora: é a Coroa da Criação, o Esplendor da Unidade, igualando este aqui, e ela é exaltada acima de cada cabeça, e os cabalistas a chamam de Segunda Glória“.

Este texto nos mostra claramente que o poder jorrando de Kether (Coroa Suprema) em ação positiva é recebido por Chochmá que o transmite em Ação Positiva dinâmica à Criação. Eis porque Chochmah é chamada a Segunda Glória. Porque dela mesma nada se faz, ele somente agem com Kether onde ela redistribui a Luz às outras Sephiroths. Enquanto Kether é a Vontade Divina, o “eu”, Ani אני da Criação, este deve ainda ser realizado o “Eu” deve se tornar um “Eu sou”, Ehyeh אהוה e isso é realizado em Chochmah.

A Sabedoria de Chochmá revela um conhecimento subjetivo e íntimo que é conhecido como interno e sem recurso a um ensino externo. Chochmah é o reino do Espiritual absoluto que manifesta a Essência. É Chochmá que dá forma ao poder latente e dormente de Kether e é por isso que é nela que o “eu” se torna “Eu sou”. A Luz original emanada de Kether desce ao nível de Chokhmah e a penetra. Em seguida, a Luz de Kether junta-se à Luz da Chokmah, e juntas eles descem sobre as outras Sephiroths.

Em nível de Gematria, podemos deduzir o seguinte:

Heth ח – 8, Kaph כ – 20, Mem מ – 30, He ה – 5; ou seja = 63.

Na análise da grafia das letras, podemos discernir imediatamente que a inicial de Chochmá é Heth, a Barreira, o que deve impedi-la de ir mais longe. Trata-se também do papel desta Sephira, ser uma barreira para o acesso de Kether que é inacessível ao mortal. A este respeito, o Tomer Dévorah (Palmeira de Debora) nos diz “A sabedoria tem duas faces: uma face superior virada para a Coroa (Kether), que não olha para baixo, mas recebe de cima; uma segunda face, inferior, é virada para baixo para vigiar as Sefiroth” (Moses Cordovero, Tomer Devorah, p.83, edições Verdiers).

Ali se diz que não se lê “Chochmá”, Sabedoria, mas “Rosh Mah”, “Cabeça de quem”, este Quem, este Mah מה é o mundo Inferior. Assim, a Sabedoria é o princípio do nosso mundo, a linha que deve ser diretora “. O que responde um pouco ao: ” Que significa ” sabedoria ” (חכמה)? Esperar (‘hakeh – חכ) alguma coisa (mah – מה) ” (O Shekel do Santuário Moisés de Leon).

Chokmah, Sabedoria, é igualmente “o palácio” (hekh, חך) do “qual” (Mah, מה), os segredos do mundo (representados por Mah) estão na Sabedoria divina como se diz: “יהוה me concedeu o princípio do seu caminho, antes de suas obras para sempre“(Prov. 8, 22).

Para entender bem o lugar da Chochmah no ciclo de Emanações divinas, é útil citar aqui o versículo 54 do Sefer ha-Bahir: “Isso se compara a um rei que tinha uma filha boa, agradável, bonita, perfeita. Ele a casou com um príncipe, a vestiu ricamente com ornamentos e coroa. Deu-lhe um grande dote. Pode o rei agora viver fora de sua casa? Você disse: Não. Pode ele ficar o dia todo com ela? Você disse: Não. O que ele fez? Ele colocou uma janela entre ele e ela, e cada vez que a garota precisa de seu pai ou o pai de sua filha, eles se comunicam através desta janela …“.

O Rei representa neste texto a Chokmah (Sabedoria), e a filha, a Malkuth (Reino), o arquétipo do feminino, o lugar da Presença Divina, a Shekhinah. Ela é a garota que deu à luz a todas as coisas. O rei se retira e se restringe a deixar uma “janela” através da qual ele pode se comunicar com sua filha; esta janela limita o espaço, mas pode ser aberta à vontade. É a letra He ה do Tetragrama יהוה, da qual se diz que ela representa os cinco níveis da Alma; elas são veladas, mas servem de ” janela” para Deus.

Estas personificações: pai, mãe, filha são representativas da doutrina do Zohar, porque, tradicionalmente, cada Sephira designa assim uma “pessoa” divina: Chochmah é Abba אב, o Pai. O nível da alma correspondente situa-se no mundo de Atsilouth e se chama Hayah, a vitalidade. Chochmah enquanto imagem do “Pai” divino é o Pai de todos, o Pai Supremo, a força viril e masculina. E Chochmah é o Pai de todos os existentes como se diz: “Que tuas obras são grandes, ó יהוה tu as fizestes todas com sabedoria“(Salmos 104, 24).

Os nomes de Chochmah.

Chochmah também é chamada “A Raiz do Fogo”.

Nomes divinos de duas letras Yah (יה), El (אל); Nome de quatro letras YHWH (יהוה).

Aqui é instrutivo refletir sobre esta transformação do Nome divino em Kether, que é Ehyeh (אהוה) em nome Divino יהוהo Tetragrama em Chochmah. A passagem de Aleph א, 1, Yod י10. A passagem do mundo arquetípico para o mundo da Formação.

Chochmah ainda é chamado de “A Roupa Interior da Glória”, que se pode entender como a luz interior.

Esta Sephira também é chamada Mah’shavah, Pensamento, מחשבהquer dizer o ponto do pensamento secreto do começo da expansão de Kether. A raiz ‘Hashab, חשב significa ” pensamento”. Podemos então ler essa palavra como Mah ‘hashab, מה חשב, ” Que pensamento” o sujeito do Pensamento incognoscível de Kether. Uma outra leitura seria Mach Shahbah, מח שבה, Shahbah significa ” capturar ” e Mach “cérebro”. O que poderia significar que a Sabedoria é a captura de ou pelo cérebro.

A Kabbalah também chama assim a Chochmá: “Moh’a” מח, o cérebro, porque o cérebro é um reflexo da Sabedoria. Com efeito, o cérebro é um receptáculo que se preenche, como a Chokhmah, de Luz do intelecto superior, enquanto beneficia o mundo inferior. O cérebro é uma potencialidade que pode ou não ser usada. Este desenvolvimento deve, naturalmente, ter lugar no trabalho e esforço, a fim de realizar o potencial. E Virya nos diz sobre isso: O desenvolvimento da esfera espiritual que é a Chochmah é conseguido através de esforço; na mística essa vontade é chamada de “Hishtadlouth”. Este termo vem da raiz “shidél” cujo significado é “exortar”, “encorajar”. Permutando-os, a palavra se torna “Lishé”, “revigorar”, “subir a seiva.” A permutação em um outro sentido dá “shéléd”, o “esqueleto”, a estrutura sobre a qual repousa a existência. O Hishtadlouth é o esforço que serve de estrutura para nossa força vital e espiritual.

Segundo o Shaarei Orah de Joseph Gikatila, os seguintes nomes estão associados à Chochmá:

Yesh – יש; Ratson – חצון; Yod rishonah shel Shem (Premier point du Nom) -יוד ראשונה של שם; Aba – אבא; Eden – עדן.

[viii] Binah. בינה

“O que Binah? Binah é produzido pela união de Yod י e de He ה, como seu nome ‘indica (Ben Yah בן יהFilho de Deus); é a perfeição de tudo” (Zohar: Idra Zouta Kadischa). Seu outro nome é Tébouna(תבונה) que se traduz como “Prudência”. A qualidade atribuída a Binah é o Silêncio. O silêncio segue a Sabedoria e se nutre dela! Silêncio – חשה, Hassah em hebraico- onde tudo é elaborado. O Silêncio e a Sabedoria que são mãe da inteligência, a inteligência que é o nome de Binah. A raiz “Bene” בין em hebraico significa “compreender”, “discernir” e בינה significa “compreensão”, “discernimento”. Esta Sephira é assim chamada porque ela é uma expansão do Pensamento. “Agora, graças à continuação da implantação, o praticante chega a discernir uma determinada coisa ou ter alguma compreensão do oculto e dissimulado, o que ele não tinha nem suspeitado, nem discernido antes, porque ele não se ocupava do que está oculto“(Haguiga 13a).

Binah é o poder feminino arquetípico: “No princípio feminino estão ligados todas as criaturas aqui abaixo. É dele que eles derivam sua alimentação e seu saber“(Zohar). Enquanto poder feminino, Binah é a matriz da vida e nela a Kabbalah e a teoria dos Parzufim, distinguem dois aspectos: ama (אמא), A mãe sombria estéril; aima (אימא), a mãe fértil radiante. – Binah é Imma, A mãe. aima dá vida; sua ação faz com que a força originária de Chochmah (que está nos Parzufim, Aba אבא o Pai) não se perde, mas pode cumprir seu caminho harmoniosamente na Manifestação, a inteligência sendo a manifestação da sabedoria, como se diz sobre ele: “O princípio da Sabedoria é adquirir a sabedoria (Chokmah) e com todos esses bens adquirir o a inteligência (Binah)” (Provérbios 4: 7).

Se Chochmah, raiz do Fogo é o princípio masculino, ativo, o Pai Supremo, Binah, quanto a ela, raiz da Água é o princípio feminino, passivo, a Mãe Suprema. Da união do Pai e da Mãe nascem as Sephiroths inferiores.

Como diz Moises de Leon no Livro da Granada: “A Chochmah é a dimensão da santidade chamada Santa, e quando a Chochmá se instala em sua Binah, de acordo com o segredo dos caminhos juntando a ela a Binah leva o nome de Santo dos Santos“.

A posição de Binah na Árvore da vida: no topo do pilar do Rigor, se explica considerando seus aspectos de gestão e limitação. Binah limita o poder penetrante da Chokhmah, e suaviza os efeitos a fim de transmitir às Sefiroths subsequentes e Binah transmite em nível emocional a Sabedoria da Chokhmah.

Em nível de Gematria, temos: 67 (beth, 2 + Jod, 10 + noun, 50+ he, 5): 13 por redução. Ora, 13 é a numeração de Échad, Un, אחד. Por ali vemos assim que, embora começando por Beth que é a letra da Criação e, portanto, da divisão, Binah contém, em seu nome, a Unidade divina intrínseca.

Binah também é chamada Marah, מרה, o grande Mar (Note-se que מרה = Amargura). Aqui encontramos as grandes Águas matriciais pelo Mem מ, inicial de Mayim, as águas.

Binah é ainda Khorsia, o Trono, a sede do poder divino. É o trono onde Malkuth, a Noiva do Microprosopo, é chamada a se sentar. Esta Sephira é intitulada “A roupagem exterior da dissimulação.” É ela que recobre Chochmah, a roupagem Interior da glória, como a substância contém a energia, então formulada. Esta imagem nos inspira a ir ao coração das coisas, a ignorar a aparência exterior.

A Palmeira de Débora diz de Binah: “Como o homem pode se acostumar com à medida do Discernimento (Binah)? Trata-se de retornar pelo arrependimento (teshuvá), nada é mais importante porque este repara todo dano ” (p. 88). Segundo Cordovero (ou Yaqar), aquele que medita sobre o arrependimento leva e recebe o Discernimento.

O Shekhel ha-Qodesh de Moisés de Leon dá os seguintes nomes para Binah: Palácio do Santo, Interioridade, Quinquagésimo Ano (uma pista para as 50 portas da Inteligência), Shofar, o Devir (Olam ha-Ba – עלם הבא). Tradicionalmente, o nome divino associado à Binah é יהוה Elohim. No entanto, no Shekhel ha-Qodesh, a Binah está associada a Eloha, אלה. O Shaarei Orah de Gikatilla nos dá os nomes seguintes que estão associados à Binah: Yovel – יובל; Teshouvah (retorno, arrependimento) – תשובה; Lashon (língua) – לשון; Nadir – נדר; Kipourim (perdão) – כפירים; Anoki (eu) – אנכי; Hayyim (vivo) – חיים.

[ix] תעַהַדַּ–וְאֶת הַתְּבוּנָה–וְאֶת הַחָכְמָה–אֶת וַיִּמָּלֵא

Ele a encheu de sabedoria, de inteligência e de conhecimento, Chochmah, Tabouna (outro nome de Binah) e Daat.

[x] Êxodo 31.3: Sobre Bezalel, “Eu [Deus] o enchi com o espírito de Elohim em sabedoria, em inteligência e em saber”וּבְדַעַת וּבִתְבוּנָהבְּחָכְמָה,

[xi] Jeremias 22, 13.

[xii] Provérbios 3, 13 e 18. Feliz o homem que atingiu a sabedoria, o mortal que implementa a razão … Ela é uma árvore de vida para aqueles que se tornam mestres dela: ligar-se a ela é garantir a felicidade.



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