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domingo, 10 de dezembro de 2017



CATEDRAIS GÓTICAS



Por Oliveira Pereira (Oriente de Portugal)

Por terem um conhecimento secreto, os Cavaleiros da Ordem do Templo, para além de muitos outros feitos, notabilizaram-se na construção das Catedrais góticas, essencialmente, porque tinham o conhecimento de que construir significava muito mais do que edificar uma estrutura física. Na verdade, tanto para a Ordem do Templo como para todo o verdadeiro crente, construir significa ter a capacidade de gerar espaços e lugares que propiciam a união da Terra ao Céu, o que se traduz que através da construção o Homem liga-se ao Divino e ao Sagrado, formando deste modo a Unidade Harmoniosa. Os Cavaleiros Templários tinham a interiorização e o conhecimento necessário para compreender os valores harmónicos que emanam de uma construção religiosa, e em particular de uma Catedral gótica. Porém, não é necessário sermos Iniciados nos mistérios da Ordem do Templo para sentirmos o sagrado de uma Catedral gótica, uma vez que este emana tanto nas suas dimensões e volume, como das imagens que ostenta e da qualidade da luz que é filtrada pelos seus vitrais e que é projetada no seu interior, moldando sombras e criando mistérios.

A CAMINHADA NO INTERIOR DE UMA CATEDRAL GÓTICA

Ao entrarmos numa Catedral gótica, entramos pela porta que dá acesso à nave principal, e por essa via, tanto podemos caminhar com os traços que marcam o nosso sacrifício, como podemos caminhar com satisfação, uma vez que a emoção com que iniciamos a nossa caminhada nesse espaço sagrado, só depende de como foi construída a nossa Catedral interior. Entremos, pois, no interior da Catedral imbuídos de fé e de esperança. Logo à entrada (nas poucas Catedrais góticas ainda existente), podemos encontrar o chamado “Labirinto de Salomão”, por ser o símbolo da Sabedoria, que no mais puro sentido alquímico, tem o mesmo significado que é atribuído ao mito grego de Teseu, o herói que entra num labirinto para combater o Minotauro. E, que após ter vencido o monstro metade homem, metade touro, consegue regressar, graças ao fio que sua esposa Ariadne (aranha) lhe dera. Porém, para o cristão, o labirinto de uma Catedral gótica assume um simbolismo mais consentâneo com a sua filosofia, o qual para ele passa a significar o caminho que une a Terra com o Céu. Assim, ao percorremos os seus labirínticos caminhos, procuramos chegar à nossa salvação eterna e, para que isso seja possível, simbolicamente temos que enfrentar a morte e a ressurreição, até chegarmos à Jerusalém celeste, ao Santo Graal.

Na verdade, ao caminharmos neste labirinto, estamos simbolicamente a caminhar nos caminhos que iremos percorrer em toda a nossa vida. Pois, mais cedo, ou mais tarde, entraremos em contato com o nosso monstro interior, isto é, entraremos em contato com as nossas imperfeições. E, quem consegue combater e vencer os seus próprios defeitos (o Minotauro) e possui o fio de Ariadne (o símbolo do conhecimento iniciático) consegue ver a verdadeira Luz e encontrar o Santo Graal.

Assim, vencido o labirinto, continuamos a caminhar ao longo da nave central, e encontrar tanto à nossa direita, como à nossa esquerda, duas ou mais filas de compridos bancos de madeira, que simbolicamente são as muitas Moradas da Casa de Deus, dado que em cada assento, haverá sempre um lugar para quem o procure.

Nessa caminhada em direção ao trono da Divindade, estamos compenetrados, pelo que não nos distraímos, nem com a estatuária esguia que nos olha por cima, nem com as histórias sagradas que se projetam no chão sagrado. Seguimos sempre em frente, pois sabemos que encontramos o Altar ao fundo dessa comprida nave, no qual se consagra o pão e o vinho, símbolo da matéria e do espírito, e que por essa razão, é o portal da pureza e da perfeição, a partir do qual não existem mais paixões, nem mais mesquinhez humana. Comungando nesse altar, sabemos que purificamos e limpamos o nosso espírito, das impurezas, das imperfeições de carácter, e das culpas que ao longo da vida vamos formando. Contudo, será somente através do nosso puro e sincero arrependimento, que purificaremos o nosso Eu Interior, e com este limpo e purificado, sabemos que somos eternos, dado que estamos imbuídos da pura Perfeição e da Pureza da Luz Sagrada.

Assim, para alcançarmos essa mística Luz branca que vem do Oriente, temos que continuar a caminhar pela comprida nave da Catedral, rodear a fonte dos transeptos, e obrigatoriamente, voltar o nosso rosto para o Oriente, para a direção onde nasce o Sol, para a direção que foi o berço das grandes tradições espirituais. Pelo que ao saímos do transepto das trevas, obrigatoriamente seguimos em direção à Luz. E, nessa direção, poucos passos adiante, sentimos logo a atmosfera que nos convida à introspecção e à reflexão.

Após termos alcançado o altar dos sacrifícios, chegamos pôr fim ao local onde se situa o Coral Gregoriano, local onde cantam os Anjos e todos os Seres Perfeitos e imaculados, que acolhem todos aqueles que abandonam a sua prisão de carne e ossos, para, finalmente, retornarem ao seu verdadeiro Lar Eterno. E, deste local onde pairam os seres perfeitos e imaculados, por fim, avistamos o Altar Mor.

Chegados ao local onde recebemos a luz que vem do Oriente, a direção que simboliza a Luz de Deus, Aquele que foi O Grande Arquiteto de todo o Universo, embora lá esteja a representação do Mestre Perfeito que nos indicou o Seu caminho, mais consentâneo com os escritos gnósticos, que nos apresentam um Jesus mais humano e menos divino do que os evangelhos ditos canónicos. Imbuídos da mais pura Fé, sabemos que no coração deste palácio da Divindade, só terão lugar os que abandonaram todas as paixões e todas as misérias humanas, caso contrário, serão obrigados a percorrer o árduo caminho em direção ao Ocidente, e sair da Paz Eterna, para a confusão do mundo profano, de aprendizagem e evolução.

Uma das sete leis de Hermes diz-nos que o que está em baixo é igual ao que está em cima, o que também é válido para as Catedrais góticas, pois se os pináculos de uma Catedral gótica furam os Céus, as suas criptas perfuram e escondem-se nas entranhas da terra. Lá, que é o paradeiro das ossadas e dos espíritos vagabundos. E, que por estar sempre envolta no eterno manto do silêncio, da humidade e da escuridão, atraem sobre elas densos mistérios, pelo que são poucos aqueles que se aventuram sem secretos medos, por aqueles escuros e húmidos labirintos. Nesses lúgubres lugares, podemos encontrar numerosas colunas, encimadas com atarracados capitéis, onde a elegância e a riqueza cedeu o lugar à solidez e à robustez. Na verdade, nesta parte intima da Catedral gótica, domina o poder das trevas, que no seu escuro manto, abraça e esconde o asilo dos mortos e a necrópole dos ilustres. E, tal como nas catacumbas romanas, que foram na antiguidade o cemitério dos cristãos, neste lugar de mistério e de medos, também existe lajes de pedra, mausoléus de mármore e sepulcros em ruínas, que nos dão a conhecer fragmentos do passado, e que nos profetizam, que neste mundo nada somos, e tal como aqueles que antes de nós viveram e, ali repousam, um dia também ao pó regressaremos. E, porque esta mensagem é uma verdade intemporal, qualquer mortal receia entrar neste mundo de trevas e de fantasmas. E tanto mais que a panóplia de horrendas figuras que decoram as fachadas da Catedral gótica, parecem anunciar, que naqueles escuros labirintos existem cavernas onde vivem os ciclopes, ou quiçá, ainda pior, podem dar acesso ao portal do inferno.

Na verdade, cada parede, cada coluna destes livros de pedra esculpida, contam ao visitante uma surpreendente odisseia humana, ao mesmo tempo que nos ensina qual é o Caminho Reto, que nos permite não nos desviarmos, nem para os bancos da esquerda, nem para os bancos da direita, a fim de podermos atingir a plenitude do Altar Mor, e de lá, jamais retornar, a menos que seja para auxiliar um nosso irmão, que ainda não tenha conseguido encontrar o seu caminho, e que por isso, vagueia perdido entre os bancos das naves laterais. Assim, ao prestarmos esse auxilio, passaremos a conhecer um dos significados dos dois cavaleiros sobre um único Cavalo. Que é sem dúvida, o voluntário que foi amparar o seu Irmão Menor de Armas, que se achava perdido entre as ilusões do mundo, e a hipnose provocada pela luxúria, cumprindo desse modo o seu juramento sagrado.

A CATEDRAL INTERIOR

Se interrogarmos o mais comum dos mortais, para que nos explique o que é uma Catedral gótica? De certo, que ele nos dará como resposta, que uma Catedral é o Palácio de Deus. Mas, se a intensidade da fé desse mortal for imprecisa e pouco segura, então, ele dar-nos-á como provável resposta: que uma Catedral é um lugar destinado à meditação e à oração. Porém, se interrogarmos um herdeiro das herméticas tradições Templárias, provavelmente, responder-nos-á qualquer coisa como: uma Catedral, tanto poderá ser o nosso “Caminho na Terra”, como poderá ser o nosso “Templo Interior”. Pois, tal como aqueles belos livros de pedra rendilhada com os seus pináculos a furar os Céus, escondem e expõem conhecimentos, pois tal como aqueles colossos, o nosso “Templo Interior” também expõe as nossas virtudes, e esconde os nossos erros; mostra as nossas esperanças, e ofusca as nossas decepções.

Assim, o Iniciado consciente da sua Fé, constrói na Terra a sua Catedral Interior para que a sua vida nesta seja correspondente àquela que espera vir a ter nos Céus, e deste modo, o Iniciado parte simbolicamente de Postulante a Escudeiro, e ao concluir a edificação da sua Catedral Interior, chega finalmente ao grau de Cavaleiro. Aliás, no contexto medieval, a Catedral gótica também tinha a imagem de ser o Céu na Terra, dado que oferecia ao crente uma forte impressão do sagrado e do Divino, tanto pelo seu forte simbolismo, que se agarra às paredes, que se esconde nos nichos e que se suspende das abóbadas, como pela majestade e solenidade das imagens dos apóstolos e de Deus a olharem-no de cima para baixo, como que a analisarem o seu verdadeiro íntimo. E, tal como a Catedral de pedra, é erguida de harmonia com o Verbo e, não por consequência de um qualquer racionalismo, também nós erguemos a nossa Catedral interior na mais pura base de uma forte formação moral; nas ações que praticamos no dia a dia; e pela beleza dos nossos pensamentos, os quais poderão conduzir-nos para além do finito, do tempo e do espaço que conhecemos como mortais.

Por outro lado, se a Catedral de Pedra representa nitidamente os dois mundos da vida na Terra: o mundo exterior, onde a história da imortalidade é vivenciada na estatuária e nas histórias que são contadas através dos coloridos vitrais, e a do mundo interior, o qual é representado pelo espaço, pela grandiosidade, pelo silêncio, pela paz, e pela pura luz que vem do alto. Na verdade, o sagrado de uma Catedral Interior, está no nosso pensamento, que nos conduz à imaginação de um Universo transcendente, berço de infinitas vidas. Pelo que tal como a Divindade habita na Catedral de pedra, podemos considerar também, que o nosso “Eu” habita na nossa Catedral Interior, em perfeito silêncio e em harmonia com Esta. Por isso podemos também considerar que o mundo exterior a este Templo Interno, é um mundo profano, confuso e cheio de ruído, que nos impossibilita concretizar a nossa verdadeira missão espiritual, neste minúsculo ponto azul.

Os Cavaleiros Templários, que para além de outros feitos, se notabilizaram na construção das Catedrais góticas, essencialmente, por terem o conhecimento secreto de que construir significava muito mais do que edificar uma estrutura de pedra, uma vez que tanto para eles, como para aquele que é o verdadeiro crente, construir significa ter a capacidade de gerar espaços e lugares que propiciam a união da Terra ao Céu, o que faz com que através da construção, o Homem se ligue ao Divino e ao Sagrado, formando deste modo a unidade. Pelo que através deste conhecimento secreto os Cavaleiros Templários tinham a interiorização e o conhecimento necessário para compreender os valores harmónicos que emanam de uma Catedral gótica.

Todavia, não é necessário sermos Iniciados nos mistérios dos Cavaleiros do Templo, para sentirmos o sagrado de uma Catedral Gótica, uma vez que este está expresso tanto nas suas dimensões e volumetria, como está expresso nas imagens que ostenta e na qualidade da luz que é filtrada e projetada para o seu interior. Agora, que já conhecemos a nossa Catedral Interior, entremos na nossa câmara de reflexão, pelo holograma da porta da Deusa, à semelhança e imagem da porta que nos permitiu entrar nesta nave planetária, para que o nosso recolhimento espiritual seja meditativo e primordial, tal como o faríamos no interior de uma Catedral de pedra. Pois, tal como naquela, quando entramos na nossa Catedral Interior, para além de suspendemos a confusão dos nossos pensamentos, suspendemos também o turbilhão dos nossos apegos e dos nossos anseios, e neste estado de pureza e de leveza absoluta, preparamo-nos para aumentar a pequena Luz que habita no nosso “Eu”, uma vez que é quando com sinceridade nos entregamos à meditação e à reflexão, que aquela pequena e tímida Luz que habita no nosso peito, aumenta de intensidade. Essa tímida Luz que conhece os nossos mais íntimos segredos, não tem comparação com outro qualquer fenómeno, uma vez que apesar de pequena, agiganta-se no nosso coração, toma-o por completo e, propaga-se ao nosso pensamento e a todo o ambiente que nos rodeia e nos envolve, fundindo-se instantaneamente com a Luz que ilumina este minúsculo ponto galáctico.

Agora que conheces a existência de uma Catedral Interior em cada um de nós, quando visitares o teu Templo sagrado, lembra-te deste artigo, pois entraste no palácio de Deus, e por conseguinte, aproveita esse momento para purificar o teu pensamento, por forma a que o teu espírito esteja sempre pronto para integrar essa Luz Eterna, que em cada dia nos ilumina com a sua Sabedoria, com a sua Beleza e que nos dá a sua Força, para continuarmos a nossa viagem galáctica que um dia iniciámos, e que nunca chegaremos a ver o seu término.

O ESOTERISMO DE UMA CATEDRAL GÓTICA

Numa Catedral gótica, encontramos bizarras figuras que se agarram aos pináculos, colam-se aos arcobotantes, prendem-se aos muitos frisos de pedra talhada, suspendem-se nas abóbadas, e até se escondem nos mais recônditos nichos e nos mais sombrios recantos, que pela sua profusão e simbolismo, parecem contradizer o fim para que aquelas joias da arquitetura foram edificadas, dado que fazem parte integrante da decoração de uma Catedral gótica, uma panóplia de figuras que bem poderiam ser consideradas sacrílegas, ou no mínimo heréticas, que vão desde as horrendas gárgulas, até aos ameaçadores dragões alados e aos vampiros de aspecto assustador, passando pelos misteriosos ciclopes, até às figuras que entroncam e dão vida aos contos e às lendas da mitologia celta, como sejam as figuras do homem verde e do seu deus “Pan”, que por ter sido apresentado aos cristãos, libidinoso e o principal figurante em ritos considerados por estes de deboche e de libertinagem, durante muito tempo, foi confundido com o próprio demônio cristão.

Todavia, apesar desta figura metade homem e metade bode, semelhante a muitas representações do “Bafomé” dos Templários, causar ao homem medieval calafrios e medos justificados, para nossa grande surpresa, não deixou de ornamentar com grande destaque, os frisos dos pórticos da maioria das Catedrais góticas. Pelo que esta figura de aspecto horripilante, tal como o símbolo Templário de que muito se assemelha, parece ter sido ali colocado, para transmitir ao Iniciado, que transpõe o pórtico da Catedral gótica, de que está a entrar num espaço sagrado, que o transcenderá à essência Divina e, que uma vez catapultado para essa dimensão cósmica, se confundirá com o próprio Deus, uma vez que neste espaço sagrado lhe é transmutado o verdadeiro sentido da humanização.

Para além desta criativa e surpreendente estatuária de aspecto horripilante e sacrílego, convivem lado a lado com estes monstros de pedra esculpida, uma fauna não menos bizarra e peculiar, uma vez que apesar de ser considerada pela cristandade medieval, maldita e pagã, não deixaram de ornamentar estes colossos símbolos da fé cristã. É o caso do grifo, que é uma figura mitológica meio leão, meio águia, e que a antiga Igreja Cristã considerava ser o invólucro do demónio; ou até mesmo o cavalo, que por esta Igreja foi durante muito tempo considerado ser a montada das forças das trevas; e muitos outros animais considerados por esta malditos e impuros, fazem parte integrante da decoração das Catedrais góticas, como é o caso do bode, que para aquela Igreja era o símbolo da luxúria; a loba, que esta considerava ser o símbolo da avareza; o tigre, que considerava ser o símbolo da arrogância; o escorpião, considerado ser o símbolo da traição; o leão, considerado ser o símbolo da violência; o corvo, considerado ser o símbolo da malícia; a raposa, considerada ser o símbolo da heresia; a aranha, considerada ser o símbolo do diabo; o sapo, considerado ser o símbolo do pecado, e muitos outros animais com conotações sacrílegas ou perniciosas para esta.

Para além desta intrigante e peculiar fauna, fazem parte da decoração de algumas Catedrais góticas os símbolos alquímicos, andróginos, hermafroditas e também os símbolos que representam a eterna busca da juventude pelo homem, os quais, pelo menos em duas Catedrais, estão bem explícitos e muito visíveis. Um na Catedral de Chartres, numa gravura, onde está representada a rainha de Sabá exibindo uma barba, e outro na Catedral de Nantes, onde também numa gravura, está representada uma figura de um homem que aparente estar na flor dos anos, a olhar para um espelho, cuja parte posterior da cabeça é a de um homem que já viu e suportou bastantes invernias.

Na verdade, os símbolos alquímicos, que foram muito do agrado dos antigos maçons operativos, em todos os tempos têm sido considerados a fonte inesgotável de conhecimentos que prolongam a vida, e o cerne da longevidade, se não mesmo o segredo da verdadeira imortalidade física. E, por terem sido incluídos na decoração das Catedrais góticas, muitas delas financiadas pelos Cavaleiros Templários, descortinam-nos a pretensão que estes Cavaleiros tinham em quererem alcançar o último poder, o poder da imortalidade.

Um outro elemento patente na decoração de uma Catedral gótica, não menos surpreendente e intrigante, e que por sinal, também foi muito do agrado e apreço dos Cavaleiros do Templo são as misteriosas e enigmáticas Rosáceas, as quais são a primeira representação luminosa da transfiguração, a “roda” para os alquimistas, por representar o tempo necessário para o fogo transmutar a matéria e, o livro pintado para o ensino do sagrado através da arte vitral.


Na verdade, para além de outras possíveis caracterizações, o gótico distingue-se pelo intenso trabalho dos antigos maçons operativos, que com o malho e o cinzel, souberam manifestar fisicamente através destes colossos o seu génio e o seu próprio trabalho interior, dado que estes monumentos refletem a sua obra interna e externa. Pelo que podemos considerar que estes monumentos da cristandade substituíram o pergaminho, uma vez que a ornamentação esculpida, veio a ajudar a divulgar mensagens proibidas na impressão. Provavelmente, uma das principais razões porque foram as grandes Catedrais em pedra decoradas com a diversa, bizarra e sacrílega decoração, a qual ainda hoje, transmite aos crentes uma mensagem exotérica, e aos iniciados, uma mensagem esotérica. Porém, o conhecimento que estes templos emanam a quem os visita, nada poderá ser considerado mais laico, e pela profusão das imagens moldadas pela luz baça que vem do alto, nada poderá ser considerado mais humano.


O VENTRE DA DEUSA

Poucos são os visitantes duma Catedral gótica, que com um olhar crítico e observador, olharam para os portais góticos desses majestosos monumentos da cristandade. Contudo, pelas velhas portas de carvalho já carcomidas pelo tempo, incontáveis gerações de cristãos atravessaram-nas, certamente, imbuídos da mais pura fé. Provavelmente, muitos deles até pararam para apreciar com algum deleite os seus belos frisos de pedra talhada. Todavia, poucos foram aqueles, que conseguiram descodificar o segredo da sua forma ogival. Que sendo arcos de edificações Templárias, na certa, contêm uma mensagem mística e oculta que se destina aos seus Iniciados.

A história diz-nos que os Templários foram grandes devotos do feminino. A literatura de ficção fala-nos de ritos carnais e obscenos entre os dois sexos. Contudo, tanto a história como a literatura dizem-nos que a devoção que os Templários nutriam pela mãe de Jesus Cristo, Maria, era muito profunda, o que não nos surpreende, uma vez que encontramos nesta devoção, muitas semelhanças com a devoção prestada a Maria pela Ordem de Cister, sobretudo, pela figura do abade S. Bernardo, que foi o grande inspirador da Ordem do Templo, e também o grande divulgador do culto Mariano. Assim, através desta conotação podemos deduzir, que a Ordem do Templo nutria também uma grande simpatia pelo culto Mariano e, por sua vez, ao culto da Grande Deusa. Sendo esta a razão, porque aqueles grandes Senhores de manto branco representaram nos pórticos das Catedrais góticas, a parte mais intima da Deusa, a sua vulva.

Na verdade, o culto da Virgem é um dos arquétipos mais fortes de toda a história da humanidade. Desde os mais remotos tempos, que existe uma relação prototípica entre a Virgem e a Lua. Essa Virgem-Lua, que no contexto teológico cristão, dá pelo nome de Maria, e no contexto gnóstico, dá pelo nome de Maria Madalena. Mas, que tanto num contexto, como no outro, é aquela que reflete e difunde na Terra a luz mística do Cristo-Sol.

Por outro lado, as “Deusas” e as “Virgens” mediante um processo de sincretismo, todas elas descendem da Grande Mãe. E, as inscrições contendo explicitamente o nome de Isis, numa estátua da “Virgem”, que fora descoberta na Catedral de São Estevam, em Metz, eliminam qualquer dúvida sobre a correspondência entre Maria e a Grande Mãe. Aliás, a própria Catedral de Chartres, uma das Catedrais góticas mais conhecidas no mundo cristão, tal como muitas outras Catedrais cristãs dedicadas à Virgem Maria, ou à outra Maria, foram erigidas num local de peregrinação consagrado à Grande Deusa, antes do cristianismo. Pelo que em Chartres, continua a ser homenageada a Virgem e Mãe, só que, em vez de se chamar Ísis, Ceres, Tara, Deméter ou Ártemis, tem o nome de Maria, ou seja, a Grande Deusa assume uma miríade de nomes. E, para reforçar esta metamorfose, Maria tal como as anteriores grandes Deusas, manifesta também uma ligação arquetípica com a água, o precioso líquido da vida e do baptismo. Aliás, todos os cultos relacionados com a Grande Mãe, invariavelmente, estão relacionados com os poderes regeneradores da água. Para além destes arquétipos e lendas atribuídas às “Deusas”, estas ainda estão associados ao arquétipo feminino da fecundação, o qual desde os tempos pré-históricos está muito associado à fecundidade da terra. Daí as “Virgens” ou as “Deusas” serem geralmente representadas com uma criança ao colo e, muitas delas apresentarem a cor da terra.

Em termos Alquímicos, as “Virgens Negras” simbolizam a matéria no seu estado primordial, uma vez que nessa velha ciência, a cor preta é considerada a primeira fase da Grande Obra, por corresponder ao estado de fermentação, de putrefacção e de ocultamento. Enquanto que a cor branca, pelo contrário, corresponde à iluminação e à elevação espiritual. Pelo que as estátuas da Virgem Maria eram tidas pelos Templários como simples objeto de devoção, enquanto que para estes Iniciados, as imagens de Maria Madalena representavam o princípio cósmico da criação e da regeneração da vida.

Todavia, o culto prestado à Grande Deusa em muitas Catedrais góticas, não se deve essencialmente à influência Templária, como foi o caso da Catedral de Chartes, acima mencionado, deve-se também ao facto de nas localidades onde foram construídas as Catedrais já se praticar há muito o culto à Grande Deusa, ou em outros casos por terem sido edificadas sobre antigos lugares de culto a deusas pagãs. Uma atitude que fora corroborada pelo próprio Papa Gregório, que exortou o clero de então a permitir que os aldeões das províncias pagãs recentemente convertidas, pudessem continuar a celebrar as suas antigas festas e erguer imagens em antigos locais de peregrinação onde foram erguidas igrejas cristãs. Aliás, esta foi uma prática constante da Igreja para a cooptação dos povos recém convertidos à fé cristã.

Na verdade, a Catedral gótica, que secretamente se tornou a casa da Grande Deusa, foi edificada de forma a se assemelhar ao ventre desta, por forma a atrair e prender o crente no seu interior, como a chama bruxuleante atrai e hipnotiza o incesto noctívago, pois a luz espectral e policroma dos altos vitrais que irradia para o seu interior, convida-o ao silencio e à oração, predispondo-o à meditação. Portanto, o ventre da Grande Deusa, é o refúgio hospitaleiro de todos os infortúnios. É o asilo inviolável dos perseguidos, e o sepulcro dos nobres e ilustres. É o centro da atividade pública e a apoteose do pensamento do conhecimento e da arte. É a cidade dentro da própria cidade. O seu aspecto abobadado de ventre fecundo, tal como as grutas e as cavernas, simboliza a vida que se dá ao crente em forma de renascimento espiritual. E, com base nesta simbologia, justifica-se qual foi a razão porque os portais das Catedrais góticas foram construídos de forma afunilada, e porque ostentam uma rosácea por cima destes, à semelhança de um clitóris, o único órgão do corpo humano concebido somente para dar prazer, o que torna a rosácea num ornamento pouco católico.

Na verdade, o feminino está sempre latente nestas grandiosas construções sagradas. A grande Rosácea, que espelha e projeta o pôr-do-sol para o interior do Templo, para além de lhe conferir uma luminosidade rubra, que é a cor da perfeição, está sempre rasgada nas fachadas das Catedrais a Ocidente, a direção tradicionalmente consagrada às divindades femininas. Mas, se dúvidas houvesse ainda quanto ao arquetípico feminino que está associado às Rosáceas, depressa se desvaneceria, uma vez que compõe a grande rosácea aquilo a que se chama de “teia de aranha”, que é uma referência inequívoca à Grande Deusa, na sua plena manifestação de fiandeira e de senhora do destino do homem, o que a transforma em mais um estranho símbolo para um Templo cristão. E, tanto mais quando os mistérios do feminino assentam exclusivamente num conceito carnal, místico e religioso, onde a sua energia e poder provém da sexualidade e a sabedoria do conhecimento da rosa. Rosa que foi também usada pelos trovadores e pelos alquimistas, como anagrama de Eros, ou do amor sexual. Aliás, existe uma lenda atribuída aos Templários que nos diz que “quem ousar erguer o véu de Isis e interpretar com sabedoria e inteligência os seus segredos e mistérios, obterá o baptismo da Sabedoria e será superior em Glória, Poder e Força”. Aliás, os iniciados nos mistérios de Isis reconhecem nesta lenda, a fórmula esotérica muito usada pelos alquimistas espirituais: “A primeira matéria recolhe-se no sexo de Isis”.

Assim, pela magia da vulva, o visitante é atraído ao interior da Catedral gótica, com o respeito que é devido à Grande Deusa. Num profundo silêncio e com disposição à interiorização, de conformidade com o espaço que pisa. Junto a uma pia de água benta, quase sempre representada por uma gigantesca concha octogonal, símbolo da natividade da Deusa, com as pontas dos dedos embebidas nesse precioso líquido da vida, dá início ao ritual da água, e com este se purifica, para poder receber a Luz sagrada.


Oliveira Pereira

quarta-feira, 8 de novembro de 2017


OS ARQUIVOS QUE VIERAM DO FRIO


Tradução J. Filardo

–por Pierre Mollier


Aqueles não familiarizados com elas, muitas vezes pensam que as bibliotecas são lugares entediantes e empoeirados. Eles ignoram quanto a história de alguns livros ou manuscritos pode, às vezes, ser extraordinária. Assim, entre 1940 e 1945, os arquivos maçônicos franceses vão conhecer uma verdadeira epopeia. Uma epopeia que vai levar uma parte deles a atravessar a Europa no meio de bombas, e a desaparecer no turbilhão da história. Depois de serem considerado, por muito tempo, perdidos para sempre, meio século mais tarde, para a surpresa de arquivistas e historiadores, os redescobrimos conservados cuidadosamente em um edifício do antigo da KGB em Moscou. Depois de negociações arriscadas, eles finalmente voltariam para a França no início dos anos 2000. Hoje, depois de anos de investigação, conhece-se melhor a saga dos “Arquivos russos”.

Na véspera da II Guerra Mundial, tudo indica que os arquivos da Maçonaria desde o século XVIII estavam quase completos faltando apenas serem bem inventariados ou explorados. A derrota da França, que colocou o país sob o jugo nazista e permitiu aos seguidores de Maurras liquidar a República e tomar as rédeas do poder abre um período de perseguição à Maçonaria. Desde o Segundo Império e especialmente a partir dos anos 1880, a Maçonaria aparece aos olhos do público francês como “a igreja da República,” a ponta de lança da democracia e dos direitos humanos. Ela é considerada por todos os opositores do regime – esta extrema direita que assume o poder em Vichy – como o inimigo a ser derrotado. Da mesma forma, para Alfred Rosenberg e os teóricos do nacional-socialismo alemão, a Maçonaria é o poder oculto que dirige nos bastidores a vida política das democracias europeias.


1940 a Maçonaria sob sequestro

No dia 14 de junho de 1940, os alemães entraram em Paris. A polícia militar e os “serviços” ocupam imediatamente os lugares de poder da França derrotada: a presidência do Conselho, os ministérios e partidos políticos. Convencidos do papel essencial da Maçonaria no funcionamento da Terceira República, eles também tomam posse – naquele mesmo dia! – da sede do Grande Oriente. Eles instalam na Rue Cadet o serviço Sicherheitsdienst, a contraespionagem, liderado pelo tenente-Moritz. Em outros lugares, na esteira do exército alemão, a polícia de campo – a Feldpolizei – investe sistematicamente contra instalações maçônicas, que aparecem imediatamente como uma prioridade para o ocupante e abrem uma série de inquéritos sobre os dignitários da Ordem.

A partir de 1 de julho, Alfred Rosenberg – o ideólogo do partido nazista (e ex-membro da Sociedade Thule) – pode informar Martin Bormann – o secretário de Hitler – que “imensos tesouros” foram descobertos nas instalações maçônicas ocupadas e que a Feldpolizei assume a guarda desses importantes espólios de guerra até sua requisição.

A espoliação também afetará o interior do país; assim, em meados de dezembro a Loja de Caen, Themis foi saqueada e todos os seus arquivos roubados pelo serviço IV / 5 da equipe de Rosenberg. As lojas de Lille, La Rochelle, Bordeaux … entre outras sofreriam as mesmas humilhações. O “Marechal do Reich do Grande Reich Alemão”, Goering, pode declarar em 01 de maio de 1942: “A luta contra os judeus, maçons e outros poderes ideológicos que lutam contra nós é uma tarefa urgente do nacional-socialismo […] e é por isso que me congratulo com a decisão do Reichsleiter Rosenberg de criar Einsatzstäbe (equipes especiais) em todos os territórios ocupados, cuja tarefa será a de implantar um lugar seguro e de transportar para a Alemanha todos os bens culturais e material documental das zonas designadas acima. ”

As lojas tentam, com mais ou menos sucesso preservar seus arquivos enterrando-os, ocultando atrás de paredes ou escondendo-os em diferentes esconderijos (para a loja de Auxerre, um túmulo no cemitério!). Muitos arquivos serão destruídos por este tempo mais longo que o esperado sob a terra ou pela umidade de depósitos improvisados ​​insalubres. Além disso, em certos casos, em que os maçons que supervisionavam as operações desapareceram nos eventos, devido à Resistência ou deportação, eles nunca serão encontrados.


Os alemães, Vichy e a luta contra os maçons

Do lado de Vichy, o governo colaboracionista do marechal Petain vai ser implantado gradualmente durante o verão e outono de 1940. Sob os auspícios da “Revolução Nacional”, ele impõe uma política ultraconservadora para destruir a sociedade democrática e liberal da Terceira República. Em meados de agosto de 1940, as potências maçônicas, que já não funcionam mais desde junho, são proibidas oficialmente. As medidas anti-maçônicas também precedem as leis anti-judaicas.

No outono de 1940, as autoridades alemãs de ocupação são confrontadas com um dilema. Por um lado, eles pretendem manter o controle dos negócios na França ocupada. Mas, por outro lado, eles também devem mostrar que eles são leais ao seu aliado Vichy, e jogar a carta dessa “Colaboração” que deveria deixar uma parte da soberania para o governo Pétain-Laval. Quais assuntos eles poderiam transmitir a Vichy sem risco para lhe dar a ilusão de autonomia? É neste contexto que eles, eventualmente, confiarão a Vichy a responsabilidade oficial pela luta contra a Maçonaria. Os alemães o fazem com relutância, porque a luta contra os “poderes ideológicos” opostos ao nazismo continua a ser a prioridade deles. Vichy se empenhava também em transmitir todas as informações de que as autoridades alemãs pudessem precisar nesta área. Como um sinal ostensivo desse acordo, os alemães evacuam a sede do Grande Oriente e permitem que representantes de Vichy se instalem na Rue Cadet.

Em 12 de novembro, o chefe de Estado encarrega Bernard Faÿ – recém-nomeado Diretor Geral da Biblioteca Nacional, no lugar de Julien Caïn brutalmente destituído – de centralizar e inventariar os arquivos maçônicos em nome da Revolução Nacional. Em 11 março de 1941, uma lei ordena a transmissão de todas as apreensões de arquivos maçônicos à Biblioteca Nacional. Em maio, Vichy cria um “serviço de Sociedades Secretas” encarregado de liquidar a Maçonaria.


Os Arquivos “Secretos” dos anos 1940

Mas os Antimaçons de Vichy ignoravam que antes de lhes deixar as chaves da Rue Cadet, ou da rue Puteaux, os serviços alemães tinham se apoderado dos arquivos que achavam ser mais interessantes. Durante os cinco anos sombrios, haverá também uma rivalidade incessante entre alemães e agentes de Vichy para recuperar os arquivos maçônicos confiscados. Eles deviam desvendar os segredos da Ordem e revelar os meandros da conspiração maçônica que durante três séculos, levaram a França e a Europa à decadência do liberalismo e da democracia. Esta parte subtraída à curiosidade de Vichy – que só seria recuperada na Libertação dos “fundos maçônicos” da Biblioteca Nacional – iria, depois de muitas aventuras, constituir o que a história registraria como os “Arquivos russos ” da Maçonaria.

No maior segredo, especialmente às barbas de Vichy, que era roubada de uma parte de seus despojos, as autoridades alemãs transferem, portanto, a Berlim os arquivos relacionados com o funcionamento do Grande Oriente e da Grande Loja dos anos 1930, na véspera da guerra, todos eles relacionados com relações externas das potências desde o século XIX, bem como preciosas coleções de preciosos documentos históricos. Estes arquivos maçônicos “estratégicos” iriam principalmente para o Centro de Estudos da Maçonaria criado pelo chefe da SS, Reichsführer Heinrich Himmler, no antigo edifício das Lojas de Berlim, em Emserstrasse, 12. Desde 1933, este vasto centro de documentação – anti-maçônica já tinha sido alimentado por bibliotecas de Lojas ocupadas na Alemanha e, depois, em toda a Europa seguindo o avanço do exército alemão.

Mas, a partir de 1943, os bombardeios cada vez mais intensos de Berlim pelos aliados levam os gestores da biblioteca maçônica de Himmler a transferir as coleções para regiões menos afetadas, como o Norte da Bohemia ou da Silesia. Por exemplo, cerca de 150.000 livros foram transportados para Sława Śląska em um pequeno castelo, propriedade anteriormente dos Condes Haugwitz. Os volumes permaneceriam ali, um pouco esquecidos, até o fim da guerra. Enquanto a Alemanha estava em colapso em todas as frentes, Rosenberg e seus serviços dedicam até o último minuto toda a sua energia à consolidação e proteção dos arquivos judeus e maçons roubados. Os nazistas finalmente conseguiram colocar em segurança a maior parte dos arquivos roubados em lugares seguros, tais como as minas de sal ou castelos isolados. Outra parte dos documentos maçônicos é assim transferida, com os arquivos socialistas ou judeus para um castelo isolado na Silésia, em Wölfelsdorf (hoje Wilkanow, na Polônia).


De Berlim a Moscou

É nesses diferentes “esconderijos” que o Exército Vermelho descobriria os arquivos roubados pelos nazistas à media que ele avançava sobre o território do Reich. Assim, em maio de 1945, um batalhão ucraniano descobriu um depósito da Gestapo na antiga região dos Sudetos do Reich – hoje a poucos quilômetros da cidade checa de Ceska-Lipa, – em um castelo rural, longe de tudo. Eles foram rápidos em identificar o interesse das 140 toneladas de materiais franceses quel encontraram ali. Tratava-se especialmente de arquivos dos serviços de inteligência e contra-espionagem (o “Deuxième Bureau” e a “Sûreté Nationale”). Em 8 de agosto, um comboio de 25 vagões selados chegou a Moscou. A partir desse momento, oficialmente, os arquivos não existiriam mais.

Em 1945, e durante os anos cinquenta, os arquivos dos partidos políticos, dos sindicatos … ou da Maçonaria durante o período do período entre as duas guerras tinha um interesse político para os soviéticos. Foi principalmente a partir dos arquivos franceses que Beria defendeu a criação de um departamento de “Arquivos especiais centrais do Estado” para gerenciar esses recursos no maior segredo. Além da dimensão política, por exemplo, para os documentos que só tinham interesse histórico, havia também certamente em Stalin aquela satisfação de quem sabe ter elementos que ninguém conhece sobre o lado escuro da história. Ainda é que uma vez chegados a Moscou, os arquivos franceses – incluindo aqueles da Maçonaria – serão conservados por um ramo dos serviços secretos. Sua própria existência era um segredo de Estado. É verdade que, em paralelo, na emoção da vitória, Stalin assinou acordos internacionais com os Aliados, estipulando à restituição de bens culturais saqueados pelos nazistas.


De volta da União Soviética

Foi necessário esperar o colapso do império soviético, e o período bastante caótico que se seguiu, para que se encontrassem vestígios dos arquivos cuja existência tinha sido até esquecida. A partir de 1990, uma pesquisadora veterana trabalhando há anos nas bibliotecas de Moscou, Patricia Kennedy Grimsted, tropeçou em documentos que não deveriam estar ali … Intrigada, ela discretamente investigou e gradualmente descobriu um filão de arquivos oriundos claramente de apreensões durante a guerra. Rapidamente, o filão tornou-se uma verdadeira jazida e a questão dos arquivos saqueados e não devolvidos chegou à imprensa e ao debate público. Patricia Kennedy Grimsted sofre então uma agressiva campanha na imprensa russa que a denuncia como “espiã dos arquivos Grimsted”. É preciso dizer que, só para a França, além dos arquivos maçônicos são quase sete quilômetros de arquivos franceses preciosamente conservados durante cinquenta anos, nos “Arquivos Especiais Centrais do Estado” em Moscou. A partir desse momento, os governos afetados por esta espoliação – França, Bélgica, Holanda, Noruega … – assumiram o caso e iniciam negociações com o governo russo visando sua restituição, prevista desde 1945 nos tratados internacionais do pós-guerra. Um acordo foi assinado com a França em novembro de 1992. As autoridades russas se comprometeram a entregar os acervos franceses. Paris ofereceu, em troca, um acordo de cooperação no domínio dos arquivos, acompanhado de uma ajuda de cerca de 4 milhões de francos, bem como a restituição de acervos russos que os azares da história tinham conservado na França (principalmente acervos consulares). Entre janeiro e maio de 1994, quase três quartos de sete quilômetros de arquivos franceses voltaram a Paris por comboios especiais …, mas não os arquivos maçônicos. Após uma onda nacionalista nas eleições, o parlamento decidiu levar em consideração esses arquivos saqueados como despojos de guerra que compensam o sofrimento do povo russo durante a “Grande Guerra Patriótica”. Tudo foi bloqueado e foi preciso aguardar até o final dos anos 1990 para que as negociações fossem retomadas.

Em 1998, o Grão-Mestre Philippe Guglielmi apelou ao Presidente Jacques Chirac para lembrá-lo da importância que os maçons franceses atribuem à questão da restituição dos seus arquivos. Isso reativou as negociações e, em dezembro de 1999, comboios de arquivos partem novamente de Moscou. Na véspera de Natal, a Direção de Arquivos do Ministério das Relações Exteriores devolveu 750 caixas de arquivo ao Grande Oriente da França, 350 caixas à Grande Loja da França e cinquenta caixas ao Droit Humain. Estas centenas de milhares de documentos maçônicos iriam certamente apaixonar os historiadores. Mas, em outro nível, as potências maçônicas francesas viram, sobretudo, voltar a elas uma parte de seus “documentos de família” que lhes haviam sido despojados em circunstâncias dramáticas. A Segunda Guerra Mundial estava – finalmente – terminada.


Benjamin Franklin nos “Arquivos russos”

Em 23 de dezembro de 1999, a árvore de Natal organizada pelo Grande Oriente para os filhos de seus funcionários. Dia engraçado onde a Rue Cadet é invadida por trinta crianças rindo e onde os paramentos maçônicos foram substituídos por guirlandas! O Grande Secretário para Assuntos Internos veste paramentos … de Papai Noel. Vai demorar mais de uma hora para descarregar o caminhão cheio de centenas de caixas de arquivo pesados. Primeira surpresa, o “acervo 112-2” não inclui 30 …, mas 300 caixas. Feliz erro de digitação, que geralmente provoca problema, e o espaço previsto se reveou estreito demais! Depois que as crianças partiram com seus presentes e a poeira baixou, os funcionários da biblioteca fecharam as portas, contemplaram os 300 metros de arquivos meticulosamente enfileirados sobres as novas prateleiras recentemente instaladas. Chegara a hora de abrir a primeira caixa. Ao azar, a caixa … 113-1-3. Com um golpe seco, rompe-se o pequeno selo que a fechava, retira-se a primeira pasta … Trata-se de uma loja famosa do século XVIII da qual, precisamente, não se tinha mais qualquer arquivo: As Nove Irmãs. A pasta contém maravilhas aos olhos do historiador maçônico: a placa de fundação da Loja, em 1776, uma lista de oficiais tendo como Venerável Mestre Benjamin Franklin, várias correspondências com o Grande Oriente, das quais uma, famosa, sobre a controvérsia sobre o nome da oficina …


A “Ordem Escocesa” em 1742

O aparecimento dos altos graus, sua origem, seu funcionamento e seu papel antes da década de 1750 estão entre os problemas mais obscuros da história maçônica. Antes de 1745, os testemunhos são raros e muitas vezes elusivos. Algumas linhas sobre os “Mestres Escoceses” na Inglaterra em meados da década de 1730. Dois parágrafos curtos na França no início dos anos 1740 … são quase tudo. Ou pelo menos era tudo até que se descobriu nos “Arquivos russos” devolvidos ao Grande Oriente da França, as atas da “Respeitabilíssima Sociedade de Mestres Escoceses da Venerabilíssima e Respeitabilíssima Loja da União, desde a sua fundação em trinta de novembro de 1742.” Trata-se apenas de algumas linhas, mas de um volume de 140 páginas em perfeito estado. Ali se descobre nada menos que muitos itens sobre as circunstâncias da primeira prática do rito escocês, o aparecimento do mais antigo grau de cavalaria praticado na Maçonaria – o Cavaleiro Escocês atestado aqui em 1743 – e a criação por essa verdadeira “Loja-Mãe” de várias outras lojas escocesas em diferentes cidades europeias.


Um relatório sobre Martinez de Pasqually

Grande iniciado para alguns, charlatão para outros, Don Joaquin Martinès de Pasqually, “Grande Soberano” da “Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos Cohens do Universo” ainda hoje é uma personagem muito misteriosa. Os “Arquivos russos” trazem vários elementos para uma melhor compreensão da Maçonaria Teosófica e teúrgica do Iluminismo e de seu líder. Eles mostram, em particular, que sua influência sobre a Maçonaria na década de 1760 foi maior que pensavam os historiadores que viam nos “Eleitos Cohens” um movimento, certamente singular e interessante, mas marginal. As Lojas que contavam com discípulos de Martinès eram realmente muito numerosas, especialmente no sul da França. A tal ponto que em 1766, a direção da Primeira Grande Loja da França se perguntava se Martinez possuía as chaves da verdadeira Maçonaria e se era preciso aceitá-lo com reconhecimento, ou se, ao invés, ele devia ser condenado como um vigarista. Ela enviou um de seus dignitários, o Irmão Zambault, para investigar. Este se encontra com Don Martinez de Pasqually e relata suas entrevistas nos jardins do Palácio Real como uma história reportagem. Este testemunho tão vivo e rico de informações sobre o Mestre de Willermoz é uma das peças mais extraordinárias dos Arquivos russos.

Publicado 06 de setembro de 2017 em Revista da Franc-Maçonnerie

sábado, 4 de novembro de 2017


A ASTROLOGIA EGÍPCIA E  SEU SIGNIFICADO




Os conhecimentos da civilização do Antigo Egito, serviram de base à quase todas as religiões e filosofias existentes na atualidade. A herança deixada pelos egípcios, que se debruçaram sobre quase todas as áreas da ciência e do saber é incalculável, dentre esses legados, está a Astrologia Egípcia, um método de auto-conhecimento baseado na posição dos astros no momento do nosso nascimento

Os sábios egípcios eram extremamente hábeis para marcar o tempo, ótimos observadores, sabiam tudo sobre o movimento de rotação da Terra, muito antes que os astrônomos europeus explicassem o fenômeno, e o representavam simbolicamente através do casal Nut e Geb.

Muito obedientes aos sinais dos céus, que eram as imagens e as mensagens de seus deuses, exímios na arte de interpretar os astros e prever os destinos, foram provavelmente, os primeiros astrólogos de que se tem notícia.

Os egípcios consideravam a astrologia uma das ciências mais importantes de suas vidas e era tão fundamental que não saiam de casa sem antes consultar as predições do deus de seu signo. Acreditavam que os nascidos em um dia ruim teriam uma vida muito difícil e que quase nada poderia ser feito para modificar o que estava escrito nas estrelas.


Em Dendera, encontra-se uma das mais antigas representações do zodíaco, pintada no teto do Templo de Hathor. Embora este templo tenha sido construído pelos Gregos Ptolomaicos, por volta de 600 a.C, seus dados astronõmicos refletem "o plano estabelecido nos tempos dos Companheiros de Horus", ou seja antes da primeira Dinastia do Egito, por volta de 3100 a.C. , portanto muito antes dessa ciência surgir entre os Sumérios, na Mesopotâmia.

O Zodíaco de Dendera é diferente do zodíaco tradicional egípcio, uma vez que já estava adaptado ao sistema grego dos signos planetários, representados por formas animais e humanas. Nem todos os aspectos se encaixam no padrão babilônico, mas essas contradições também ocorrem na astrologia tradicional.

Os Astrólogos Egípcios, utilizavam para suas previsões, um calendário muito parecido com o que usamos hoje e que teria sido criado pelo sábio Imhotep, por volta do ano 2769 a.C. Por esse calendário, o ano egípcio iniciava quando a estrela Sírius surgia no horizonte de Mênfis, que corresponde ao dia 16 de julho. A partir do calendário de Imhotep, os astrólogos egípcios criaram um Zodíaco divido em 12 signos, correspondentes aos doze meses do ano.

Na astrologia egípcia, cada signo é representado por um deus; cada divindade regendo durante um período e vibrando suas características próprias sobre as pessoas nascidas sob um determinado signo. Considerado até hoje como um dos horóscopos mais interessantes, a astrologia egípcia ainda é praticada como mais uma ferramenta de auto conhecimento. Conheça o seu signo egípcio e descubra qual é a divindade que rege o seu destino:

 ZODÍACO EGÍPCIO


DATA 
SIGNO 
ATRIBUTOS 
Signo Ocidental

16/07 à 15/08 
Rá 
Deus do Sol 
Leão

16/08 à 15/09 
Neith 
Deusa da Caça 
Virgem

16/09 à 15/10 
Maat 
Deusa da Verdade 
Libra

16/10 à 15/11 
Osíris 
Deus da Renovação 
Escorpião

16/11 à 15/12 
Hathor 
Amor e Adivinhação 
Sagitário

16/12 à 15/01 
Anúbis 
Guardião dos Mortos 
Capricórnio

16/01 à 15/02 
Bastet 
A Deusa Gata 
Aquário

16/02 à 15/03 
Taueret 
Deusa da Fertilidade 
Peixes

16/03 à 15/04 
Sekhmet 
A Deusa Leoa 
Áries

16/04 à 15/05 
Ptah 
Criador Universal 
Touro

16/05 à 15/06 
Toth 
Deus da Escrita 
Gêmeos

16/06 à 15/07 
Ísis 
Deusa Mãe Cósmica 
Câncer



HORÓSCOPO EGÍPCIO - SIGNIFICADO:


Rá (de 16/07 a 15/08)
Rá é a divindade principal do panteão egípcio. Está associado ao Sol e é considerado como o pai de todos os outros deuses. As pessoas nascidas sob o signo de Rá são fortes, determinadas e criativas. Possuem uma energia muito forte e têm habilidade de sobra para lidar com as dificuldades. As únicas coisas que arrasam estes seres tão fortes são a perda e a rejeição, pois não suportam fracassar. Mas, passada a onda inicial de tristeza e depressão, reerguem-se como a Fénix que renasce das cinzas e se dispõem a enfrentar novos e estimulantes desafios.

Neit (de 16/08 a 15/09)
Neit é a deusa da abundância. Cuida dos campos, da colheita e da caça. É a protetora dos deuses e guardiã das almas dos mortos, a quem ela acompanha rumo à morada definitiva. As pessoas nascidas sob o signo de Neit são pacientes, disciplinadas, práticas e objetivas. Não gostam de subterfúgios e não toleram mentiras. Possuem uma inteligência refinada e são capazes de cuidar de tudo detalhadamente. Exigem muito delas mesmas e também dos outros, pois gostam de perfeição e acreditam que a ordem e o trabalho árduo são à base de tudo. Quando traçam uma meta, fazem de tudo para alcançá-la. Cuidadosos, sinceros, bons companheiros e dedicados, os nativos de Neit estão dispostos a oferecer o melhor de si e esperam ser recompensados na mesma moeda.

Maat (de 16/09 a 15/10)
Maat é a deusa da justiça, da verdade e do equilíbrio. As pessoas nascidas sob o signo de Maat não toleram a injustiça. Passam a vida a cultivar relações harmoniosas e esforçam-se para viver sempre em equilíbrio. Em nome dessa filosofia, aprendem a ser diplomáticas e raramente se deixam abalar por intrigas ou fofocas. Por causa dessa força de caráter e de seu charme peculiar, freqüentemente se transformam na "melhor amiga" de seus amigos, na confidente, na conselheira que sempre tem algo bom e útil para dizer. Pena que nem sempre tenham a mesma lucidez para lidar com seus próprios problemas: um tanto inseguros, os filhos de Maat hesitam em tomar decisões e perdem ao colocar o seu destino nas mãos de outras pessoas.

Osíris (de 16/10 a 15/11)
Osíris é o rei dos deuses. Acima dele, existe apenas Rá, o Sol. Foi o primeiro faraó do Egito. As pessoas nascidas sob o signo de Osíris são justas, sábias e profundas. Possuem um poder espiritual muito forte, trata-se de um "presente" oferecido pela deusa Ísis aos protegidos do seu esposo. Caracterizam-se pelo seu temperamento forte, por vezes explosivo, pela sensualidade acentuada e pela persistência. Lutam com garra e energia pelas coisas que querem, e nunca se acomodam a uma situação pouco satisfatória. Quando contrariadas, podem tomar medidas extremas, pois Seth, o irmão mau de Osíris, por vezes lança o ciúme e a agressividade no coração. Ouvir a intuição e respeitar os próprios instintos são atitudes fundamentais para que os filhos de Osíris conquistem a felicidade e o sucesso.

Hathor (de 16/11 a 15/12)
Hathor é a deusa da alegria. Os seus domínios são a arte, a beleza, a dança e a música, assim como as viagens e o conhecimento superior. Protege os corações apaixonados e concede fertilidade às mulheres. É retratada como uma mulher bela, mas na sua cabeça existe um par de chifres, símbolo da parte animal que há em cada ser humano. As pessoas nascidas sob o signo de Hathor são generosas, sensuais, exuberantes, sinceras e encantadoras. Possuem muita vitalidade e perseguem os seus sonhos com garra e idealismo. Às vezes, ficam a perder devido ao exagero e excessiva boa-fé – por isso, aliás, são alvos constantes dos aproveitadores, e necessitam de estar atentas para não se deixarem enganar ou explorar. Quando enfrentam dificuldades, ficam mal-humoradas e descarregam a sua irritação em cima de quem for mais próximo.

Anúbis (de 16/12 a 15/01)
Anúbis é o deus que julga os seres humanos no momento da morte. O seu instrumento de trabalho é a balança da verdade, na qual coloca as almas dos mortos e avalia se merecem castigo ou salvação. As pessoas nascidas sob o signo de Anúbis são inteligentes, perseverantes e determinadas. Lutam com afinco pelo sucesso financeiro e profissional, mas geralmente demoram a colher os frutos dos seus esforços. Tudo porque têm uma missão importante: trabalhar! E, se por acaso alcançassem as suas metas cedo demais, poderiam acabar desviando-se dessa rota. Quando deparam com alguma coisa que consideram "errada", podem assumir o papel de juizes e agir de forma implacável, sem permitirem o diálogo ou a justificação.



Bastet (de 16/01 a 15/02)

Bastet é a deusa-gata, uma das esposas de Rá. Representa o poder benéfico do Sol e a força selvagem que dá coragem e ousadia. Era invocada nas alturas de dificuldade e o seu culto era um dos mais difundidos no Antigo Egito. As pessoas nascidas sob o signo de Bastet são extremamente bondosas, costumam aderir a grandes causas, pois o seu desejo é servir à humanidade. Amigas leais, fazem esforços surpreendentes para ajudar aqueles que amam. No entanto, gostam de sentirem-se livres e, tal como os felinos, preferem ser acariciados apenas quando sentem vontade. O lado negativo da sua personalidade deve-se a uma certa rebeldia, que às vezes assume grandes proporções, levando-as a atitudes insensatas e até irresponsáveis.


Taueret (de 16/02 a 15/03)

Taueret é a deusa da fertilidade. Protege as parturientes e as crianças, bem como as fêmeas prenhes de todas as espécies. As pessoas nascidas sob o signo de Taueret são liberais, generosas, compreensivas e tolerantes. Têm uma energia espiritual muito forte e podem manifestar dons mediúnicos. Sensíveis ao extremo, magoam-se com facilidade, podendo inclusive fazer verdadeiras tempestades em copo d'água quando percebem que o seu amor e dedicação não estão a ser retribuídos com a mesma intensidade. Podem enfrentar dificuldades materiais porque são pouco hábeis para lidar com dinheiro.

Sekhmet (de 16/03 a 15/04)

Sekhmet é a deusa da guerra. Possui força e coragem e tem como missão proteger o deus Rá e o faraó. Certa vez, Rá ordenou a Sekhmet que castigasse a humanidade devido à sua desobediência. A deusa executou a tarefa com tamanha fúria que o deus Rá necessitou de a embebedar com cerveja para que ela não exterminasse a raça humana. Desta forma, as pessoas nascidas sob o signo de Sekhmet são ousadas e corajosas. Adoram enfrentar novos desafios, mas pecam pela falta de obstinação. Aliás, é comum iniciarem um projeto de forma animada e abandonarem-no precisamente quando começa a dar frutos, isto é, quando deixa de ser um risco e a torna-se previsível. Isso também se aplica aos relacionamentos: a paixão é a sua grande procura. Exuberantes, enérgicas, um tanto quanto autoritárias, as pessoas de Sekhmet necessitam de aprender a arte da diplomacia e da tolerância, e a controlar a agressividade.

Ptah (de 16/04 a 15/05)

Ptah é o grande mago, senhor da serpente e das criaturas da água, símbolo supremo da fertilidade feminina. É ele quem dá vida aos homens e a todos os seres da Terra. As pessoas nascidas sob o signo de Ptah são pacientes e perseverantes. Apreciam o conforto material e procuram a estabilidade a todos os níveis. Na vida amorosa, nas finanças, no sector profissional. Quando colocam uma idéia na cabeça, não há nada que as faça desistir, e essa teimosia por vezes transforma-se num obstáculo ao seu crescimento pessoal. Isso porque não admitem os seus próprios erros e deixam de aprender com a experiência alheia. Contudo, quando um nativo de Ptah exercita bem o seu lado espiritual, transforma-se numa pessoa única, especial.


Toth (de 16/05 a 15/06)

Toth é a divindade que simboliza a inteligência aguda e a sabedoria. Foi Toth quem inventou todas as ciências, bem como a fala e a escrita. As pessoas nascidas sob o signo de Toth são comunicativas, inteligentes, mentalmente ágeis e ativas. Cultivam os mais diferentes relacionamentos e aprendem um pouco com cada um deles: tiram lições da sabedoria dos mestres, da racionalidade dos cientistas, da simplicidade dos humildes. Não toleram sentir-se presas ou controladas, e isso as leva a uma certa inconstância no amor. Habilidosas, têm talento para executar trabalhos artesanais ou que exijam atenção aos detalhes. São boas professoras, embora se mostrem um tanto impacientes.

Ísis (de 16/06 a 15/07)

Ísis é a deusa egípcia mais importante. As pessoas nascidas sob o signo de Ísis são sensíveis, amorosas, sinceras e incapazes de guardar rancor. Possuem um forte instinto maternal e costumam cultivar um relacionamento bastante intenso com a família, além de serem "mães e pais" de todos os amigos. Têm imaginação fértil e talento para as artes e para a escrita, pois conseguem captar e traduzir as sutilezas do amor, da vida, da existência. Fiéis, tolerantes, gostam de saber que são amadas e sacrificam-se por aqueles que lhes são caros. Apreciam o conforto e a tranqüilidade, inclusive, preferem um amor estável aos arrebatamentos da paixão.

Colaboração: Carlos Roberto ( Amon Sol )

Ilustração: Ir Daniel Martina