sábado, 16 de dezembro de 2017



A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E CONHECER-SE NA MAÇONARIA



O Ser humano distingue-se dos demais animais pela capacidade de processamento de informações através do ato de pensar.
Pensar é formar idéias na mente, é imaginar, considerar ou descobrir. O filósofo René Descartes disse: “com a palavra pensar entendo tudo o que sucede em nós, de tal modo que o percebemos imediatamente por nós mesmos: portanto, não só entender, querer, imaginar, e sim também sentir é o mesmo que pensar”.


Pensar estabelece relações, as conceitua e encontra um significado para elas. Formar relações entre vários conceitos é julgar.

Estabelecer o significado de vários conceitos é raciocinar. Assim o ato de pensar implica três funções básicas: conceituar, julgar e raciocinar.

O pensador mexicano Antônio Caso dizia: “liberdade é pensamento. Pensamento é liberdade. Na essência do pensar está a autonomia.” Partindo dessa última definição de que na essência do pensar está a autonomia, na Maçonaria o ato de pensar está diretamente ligado ao postulado da Liberdade.

Liberdade para desenvolver seus conceitos a partir dos ensinamentos recebidos, porque somos livres e autônomos para falar e assumir posições, sem afastar-nos da filosofia maçônica e de seus princípios.

Filosoficamente, a Maçonaria mostra ao homem-maçom que ele tem um compromisso consigo mesmo, com o seu pensar, o que fazer de sua própria existência. Pois, quando o homem prescinde de si mesmo, de seus deveres, quando o homem abre mão da sua liberdade, da quantificação do seu Eu, quando o homem esquece de si próprio, está a negar-se como Ser.

Como a intenção desta prancha não é a de aprofundar a busca filosófica da arte real, vamos ao objetivo do pensar e o conhecer-se na Maçonaria, especialmente ao Primeiro Grau.

O Primeiro Grau se estereotipa no “conhece-te a ti mesmo”, divisa escolhida por Sócrates. O grande pensador ensina ao maçom-aprendiz que a primeira coisa a fazer é aprender a pensar.

Aprendendo a pensar aprende-se a conhecer, a discernir, a falar. Aprendendo a pensar encontraremos, sem dúvida, meios e modos que facilitam a busca, a procura, a investigação, o ponto de chegada.

Assim, nesse vai-e-vem do pensar, nesse vai-e-vem da busca, o Aprendiz, introspectivamente, passará a conhecer-se melhor.
Conhecer é descobrir o Ser. Assim para o aprendiz, o descobrimento do Ser é o auto conhecimento e deve levá-lo à introspeção, à análise da sua forma de vida antes da iniciação.

Estabelecendo a partir de então os limites entre o profano e o iniciado, corrigindo as eventuais falhas de construção de seu edifício, passando a pensar e agir dentro dos limites estabelecidos, que pode significar simbolicamente o nascimento do novo Ser.

O Maçom estará pronto para a busca dos conhecimentos da Ordem a partir do auto conhecimento e da “morte” dos resquícios contrários à filosofia maçônica inerentes ao profano.

“Conhece-te a ti mesmo” nos leva à conclusão de que se não praticarmos o conhecimento de nós mesmos, se não nos propusermos a esmiuçar o nosso espírito com o objetivo de melhorá-lo, com a intenção de aperfeiçoar nosso intelecto, não projetaremos em nós uma melhoria moral, não conseguiremos desbastar a Pedra Bruta.

O Primeiro Grau é onde utilizamos com maior propriedade os sentidos da visão e da audição. Com eles desenvolvemos o Pensar, estabelecemos relações e comparações que formarão os alicerces do desenvolvimento e nos ajudarão nos passos seguintes da caminhada. Lembrando que todos iniciamos na Ordem pela coluna do Sul, no primeiro grau, e cada um tem seu momento de despertar, porque não existe prazo determinado para o seguimento da jornada.

O que deve acontecer é a maturação do iniciado, uma etapa de cada vez, um degrau após o outro, e mesmo assim sem jamais deixar de ser Aprendiz, sem jamais deixar de utilizar os sentidos da visão e da audição com sabedoria. Cada degrau da escada de Jacob inexiste sozinho, ele sempre será o resultado do somatório do conhecimento adquirido nos degraus anteriores.

Pratique o Pensar para conhecer-se, para então buscar o diferencial, a formatação do novo Eu através do conhecimento, para a transformação, para o renascimento, para a prática da verdadeira maçonaria.

A intenção desta prancha é a de incentivar os irmãos para o Pensar, o conhecer-se, que é na minha opinião a primeira grande instrução do grau, para então desbravar, investigar a verdade através da leitura, da interpretação dos símbolos e alegorias, e da troca de experiências com os outros irmãos.

Ir.’. Gilson Alves MM
Pesq/Web Rimmôn
Fonte: Grupo Memórias e Reflexões Maçônicas


A MISSÃO PERMANENTE DA MAÇONARIA

Autor: Rubi Rodrigues

INTRODUÇÃO

No mundo maçônico, uma notícia comemorada nos últimos anos diz respeito ao advento de estudos acadêmicos sobre a Maçonaria desenvolvidos por estudantes regulares do ensino superior, em diferentes universidades da Europa e das Américas (CASTELLANI; CARVALHO, 2009). A novidade foi festejada no meio maçônico em razão de ampliar o cuidado metodológico dos estudos da história maçônica, tradicionalmente conduzidos por maçons independentes que, em alguma medida, pecavam justamente quanto ao rigor metodológico das pesquisas.

Esse aporte do formalismo acadêmico, embora promissor, também desperta cuidados, tendo em vista as dificuldades que se antepõem a um não iniciado para compreender os arcanos que suportam a doutrina da Ordem e lhe definem o espírito. Não se trata meramente de compreender as razões e as motivações formais da Maçonaria, mas também de saber ler a linguagem simbólica e metafórica dos rituais, tão distante da linguagem conceitual cultivada na Academia e cujo domínio requer tempo e muita reflexão recursiva. E, mesmo assim, depois de o pesquisador ter adquirido familiaridade com os símbolos, volta e meia, surpreende-se com insuspeitos significados que sempre estiveram ali, diante dos olhos, sem serem notados.

De outro lado, a própria comunidade dos maçons, em constante renovação (Ibid., p. 517), encontra dificuldades equivalentes para interpretar e entender tanto a instituição e seus propósitos quanto a doutrina e seus desafios. A proliferação de potências e de ritos constitui evidência eloquente de dificuldades interpretativas e perdas de foco cuja acomodação se fez ao custo da unidade da Ordem. Além disso, o saudosismo recorrente sobre feitos políticos do passado (Ibid., p. 511), e as constantes reclamações e críticas dirigidas às lideranças sobre a passividade da Ordem, diante das mazelas políticas e sociais do momento, também revelam visões tencionadas, predominantemente, por olhares de curto prazo, por circunstâncias que mudam constantemente e que, certamente, não possuem escopo para justificar uma instituição secular como a Maçonaria e, muito menos, para contemplar a tradição milenar que lhe fornece os alicerces.

Compreende-se naturalmente que essa diversidade de visões constitui preço da ampla liberdade de pensar, intencionalmente cultivada (GOB, 2001), como ambiente propício tanto à geração de novos conceitos como ao resgate de significados simbolicamente preservados. Entretanto, em se tratando de um projeto que perpassa os séculos e o próprio milênio, é evidente que nenhum estudioso, seja maçom ou acadêmico, poderá contemplar adequadamente a Maçonaria, desprovido de consistente compreensão sobre as suas razões e motivações secularmente preservadas. Da mesma forma que o labor científico especializado, voltado para um aspecto particular da realidade, não pode ser realizado sem que o cientista tenha em mente as leis gerais da natureza, também a competente contemplação e compreensão da Ordem maçônica requerem a consideração de suas razões essenciais e de suas motivações permanentes.

A par dessas razões eminentemente maçônicas, cumpre destacar o novo alento que os estudos metafísicos têm recebido no meio acadêmico, em decorrência de tese oriunda das escolas de Tübingen e de Milão (SZLEZÁK, 2009), evidenciada em trabalhos filológicos (Ibidem) e historiográficos (REALE, 2004) de grande consistência, segundo os quais se impõe considerar as lições que Platão reservou e tratou exclusivamente na oralidade – identificadas sob o título de “doutrinas não escritas” – para se entender devidamente a sua obra. A força com que essa nova perspectiva vem-se impondo, inclusive no Brasil (PERINE, 2011), prenuncia uma retomada ou um novo ímpeto nos estudos acadêmicos de metafísica, fato que abre preciosa oportunidade de diálogo entre a Academia e a Maçonaria, dado que esta, apesar de valer-se de linguagem simbólica, nunca se afastou da perspectiva metafísica.

Em face dessas circunstâncias, objetiva-se, com o presente trabalho, primeiramente, lançar alguma luz sobre os arcanos que são determinantes do seu espírito e indicativos da sua missão de longo prazo, na expectativa de melhor instrumentalizar o ensino maçônico e de contribuir para que estudiosos, maçons e leigos, possam, nas suas análises, levar em conta o que a Ordem possui de mais valioso e essencial. Secundariamente, objetiva-se postular uma estrutural afinidade entre doutrina maçônica e estudos metafísicos, com base em legados de Platão, cuja doutrina não escrita adquire significados esclarecedores quando contemplada por olhos iniciados, configurando contribuição conceitual importante para todos e, em particular, para os estudos da obra de Patão orientados pelas mencionadas “doutrinas não escritas”.

Para atingir esses objetivos, contextualiza-se, em largos traços, uma tradição de Escolas de Mistério cultivadora de um conhecimento esotérico, cuja orientação ontológica encontrou terreno fértil no espírito grego clássico, empenhado em superar a cultura mitológica – mediante a busca de fundamentos da natureza que pudessem ser suportados pela razão. Esse movimento alcança seu ápice na Academia Antiga que, sintomaticamente, mantém a tradição de um conhecimento esotérico distinto do saber liberado para todos, configurando um fato apenas marginalmente contemplado nos estudos modernos da obra de Platão e que, agora, ganha relevância em razão dos novos rumos que se oferecem para tais estudos.

Uma vez detectada a presença dessa tradição esotérica no berço da filosofia ocidental, ausculta-se a doutrina maçônica a fim de identificar os seus motivos, constata-se que Platão comungava de preocupações semelhantes, tendo se dedicado intensamente à questão – particularmente no mito da caverna e no desafio que coloca ao verdadeiro filósofo. Na sequência, a fim de avaliar a extensão dessa confluência, examina-se a teoria das ideias de Platão, identificam-se limites do modo platônico de ver o mundo e constata-se que a superação de tais limites depende da sua “doutrina não escrita” ou do que Aristóteles vai designar de “teoria dos princípios” de Platão. Finalmente, aportam-se conceitos conquistados na modernidade e, com isso, logra-se alcançar, em alguma medida, os objetivos formais deste trabalho, que apenas abre uma picada no meio da floresta, indicando um percurso promissor que, virtualmente, poderá vir a recepcionar uma civilizadora autoestrada pavimentada de intenso tráfego, mas cuja consecução certamente requer árduos esforços complementares de pesquisa.
Desenvolvimento 

A Maçonaria inscreve-se em uma tradição de Escolas de Mistério de orientação filosófica, cujas raízes são encontradas na mitologia egípcia. Mas, em se tratando da civilização ocidental, isso não constitui prerrogativa da Maçonaria, uma vez que a religião e a filosofia do ocidente também possuem o mesmo nascedouro.

Está demonstrada a origem egípcia das concepções básicas de Pitágoras e de Platão (JÁMBLICO, 1997) que inauguram o pensamento filosófico ocidental bem como a influência egípcia na formação do povo hebreu e na própria composição de certos relatos bíblicos, inclusive na concepção de um Deus único (GADALLA, 2003), de sorte que convém levar em conta que, embora a mitologia operasse uma linguagem simbólica e metafórica, ensejou tanto derivações religiosas de cunho místico quanto derivações filosóficas de caráter racional.

Esse fato, por si só, já evidencia que os relatos mitológicos precisam ser levados a sério e que, apesar de a sua origem ser desconhecida, a riqueza e a densidade de seus conteúdos denunciam a genialidade e a sabedoria dos seus criadores, o que também revela que a história oficial da humanidade está omitindo parte da verdade ou, no mínimo, apresenta instigante lacuna. De qualquer modo, parece perfeitamente interpretável que a mitologia egípcia representou construção pedagógica de cultura superior, visando a impregnar certos valores em uma cultura incipiente, incapaz de preservá-los como tradição racional (CAMPBELL, 1989). De certa maneira, solução similar foi adotada pelos criadores da Maçonaria especulativa, no século XVIII, quando os rituais foram concebidos. Estes registram simbolicamente certos conhecimentos que tendiam a desaparecer ou serem esquecidos, em meio a uma cultura que, inexoravelmente, voltava-se para a materialidade e para a valorização de uma ciência excludente de tais saberes, porquanto confinada ao âmbito do espaço tridimensional.

Aliás, a preservação e o cultivo de conhecimentos julgados essenciais, em contextos culturais hostis, parecem representar motivação base de boa parte das confrarias e Escolas de Mistério de que se têm notícias. Essas iniciativas, que se reproduzem no tempo a partir dos templos do Egito Imperial, passando pela Grécia Clássica antes de assumir as formas Rosa Cruz e Maçônica modernas, precisam ser consideradas seriamente, tal como se requer da mitologia. Tais iniciativas, em boa parte das ocasiões, sobreviveram à revelia do poder político estabelecido, significando que impunham aos seus membros algum grau de risco (PORFÍRIO, 1987). A adoção de um discurso exotérico distinto do conhecimento esotérico praticado na intimidade evidencia cuidados que eram tomados. Na contrapartida, isso torna também evidente que havia convicção, perspectiva de longo prazo e dedicação à causa da cultura humana, de sorte que, quando a Academia, agora, passa a estudar cientificamente a Maçonaria, demonstra que não se pode apreciar simplistamente um fenômeno social dotado de tal persistência e que convém apreciá-lo com formalismo científico.

Em face do acima exposto, entende-se pertinente procurar, no âmbito dos rituais maçônicos, as razões e as motivações permanentes da Ordem. Nesses rituais, a condição de maçom pleno é obtida com a conquista do grau de Mestre, que é conferido em uma cerimônia ritualística própria: a Cerimônia de Exaltação (GOB, 2009). Ora, se essa cerimônia confere ao obreiro a plenitude maçônica, parece justo supor que os projetistas dos rituais tenham definido, nessa ocasião, tanto o papel do Mestre como os propósitos da Ordem, uma vez que aquele somente pode ser estabelecido à luz destes.

Além de fixar, na Cerimônia de Exaltação, o ponto de partida desta investigação, cumpre considerar que se está contemplando conteúdos simbolicamente registrados, dado ser essa a linguagem do ritual que, conforme já vimos, no caso da mitologia, admite derivação tanto no sentido místico-religioso quanto no sentido filosófico-racional.

Obviamente, o presente estudo requer que se siga esta última linha, no sentido da racionalidade, por ser ela que possibilita não apenas a identificação do papel do Mestre, mas também a identificação da missão da Ordem. Curiosamente, como se verá, essa passagem do simbólico para o conceitual demonstrará o caráter essencialmente filosófico da Maçonaria e, para ser mais preciso, o caráter metafísico da Maçonaria (RODRIGUES, 2012).

Ora, sabe-se que, na modernidade, a Filosofia abandonou a linha metafísica, assumiu um caráter subjetivista, converteu-se em Teoria do Conhecimento, realizou estudos de lógica, configurou uma Filosofia da Linguagem e chegou, com Heidegger, a afirmar que Metafísica só seria possível à margem da racionalidade (MORA, 1978; MOLINARO, 2004). Somente nas últimas décadas, a percepção das “doutrinas não escritas” de Platão traz novo alento aos estudos metafísicos e promete recolocar a Filosofia no seu leito original.

Observe-se que a doutrina maçônica manteve-se fiel à perspectiva metafísica e que o desvio da Filosofia por caminhos outros comprova o acerto dos criadores da Ordem tanto no diagnóstico da situação como na solução de preservação adotada, o que indica, de modo bastante efusivo, que a Maçonaria constitui um projeto comprometido com a cultura humana e que os estudos acadêmicos que estão surgindo merecem efetivamente ser festejados.
O que nos diz a Cerimônia de Exaltação

A construção do Templo da Razão ou da mente, em todo o seu esplendor, tanto quanto a libertação do espírito da caverna das ilusões, potencializando os estágios superiores de lucidez e discernimento que a natureza faculta à espécie humana, não pode ser realizada por outro, de fora para dentro, mas apenas pelo ser que possui acesso à razão. Apenas cada um, individualmente, pelo seu próprio esforço e empenho, pode libertar a sua própria mente. Não há a mínima possibilidade de fazê-lo de modo distinto. Portanto, o que a Cerimônia de Exaltação informa-nos é que a Maçonaria constitui um projeto de libertação (SUPREMO…, 2005ª), de libertação do espírito ou da mente humana, para as suas melhores potencialidades e que o desafio do Mestre Maçom consiste, primeiramente, em realizar essa libertação em si mesmo: realizar a sua própria libertação.
A Necessidade de Passar do Simbólico para o Racional

A compreensão da missão da Ordem e do desafio do Mestre inscreve a Maçonaria na condição de promotora do processo civilizatório e de instituição a serviço da humanidade, nos mesmos moldes de outras instituições existentes, tais como escolas, universidades, igrejas, institutos de pesquisa e tantas outras. O objetivo específico, porém, de libertar o espírito das ilusões que o enganam e potencializar a competência cognitiva superior preconizada no projeto humano implica projeto de domínio pleno do ato de pensar, de modo a torná-lo um ato metódico, plenamente formalizado (RODRIGUES, 1999). Ora, saber pensar metodicamente exige um método formal de pensar, e pretender ensinar isso para seus adeptos pressupõe uma instituição que detenha e domine esse conhecimento. Isso diferencia a missão da Maçonaria e a torna uma instituição única no mundo, de vez que, pelo que se sabe, em nenhuma universidade, encontra-se uma disciplina com a pretensão de ensinar a pensar metodicamente. No máximo, encontram-se, em diferentes cursos, estratégias de desenvolvimento de capacidade interpretativa ou, então, estratégias de desenvolvimento de habilidades lógicas e metodológicas gerais.

Impõe-se perceber que libertar o espírito da matéria constitui um projeto ambicioso, caso, efetivamente, vise ao amadurecimento intelectual da espécie e a habilitação do homem para uma compreensão totalizante do universo, da natureza e de si mesmo. Algo claramente diferente e que não se confunde com as formações científicas especializadas de toda ordem que, hoje, são propiciadas nas faculdades e universidades do mundo profano; algo que deveria instrumentalizar todo homem que tenha a pretensão de desenvolver ciência sobre o universo, pois, caso a sua visão de mundo esteja equivocada, o resultado de sua ciência fica comprometido.

A questão é que a especificação conceitual e científica desse método libertador do pensar não consta dos rituais da Maçonaria, embora ele esteja simbolicamente indicado com grande destaque (RODRIGUES, 2009). A especificação formal desse método não consta dos rituais, não por deficiências na sua elaboração, mas porque, até a presente data, não apenas a Maçonaria, mas todas as Escolas de Mistério do mundo não conseguiram produzir uma descrição formal e científica dele.

Certos estudos revelaram que quem mais se esforçou para conseguir essa descrição foi Platão, tomando por base uma solução precária legada por Pitágoras (SZLEZÁK, 2008). Apesar do seu esforço, ele não logrou resolver o problema, embora tenha aportado decisiva contribuição para solucioná-lo, como ainda veremos. Na ocasião, Platão enfrentou dificuldades intransponíveis, representadas pela inexistência de certos recursos conceituais que a humanidade somente desenvolveu na modernidade. Platão e Pitágoras foram os primeiros grandes iniciados que se esforçaram para converter uma convicção, simbólica e metaforicamente descrita, em uma descrição formal, racional e, logicamente, suportada. Esse conhecimento tinha sido recolhido por Pitágoras no seio da mitologia egípcia (PORFÍRIO, 1987; JÁMBLICO, 1997; SCHURÉ, 2011) e, embora fosse absolutamente convincente, tinha apenas descrições simbólicas, possivelmente não muito diferentes daquelas usadas pela Maçonaria de hoje. Isso podia ser suficiente no âmbito de uma confraria unida pela lealdade e pelo desejo de compreender, mas era nitidamente insuficiente para conquistar mentes extramuros e ganhar universalidade.

Atualmente, a situação da Maçonaria não é diferente. Os obreiros estão todos convencidos da necessidade, da utilidade e da conveniência de libertar o espírito da matéria. Apenas não sabem como fazer isso racionalmente. Já se viu que não basta derivar para a religião e o misticismo e apelar para a fé. Esse caminho tem sido tentado pelas religiões. A solução almejada implica derivação para a racionalidade e a razão. A demanda é de elementos conceituais, solidamente amparados pela lógica, que se revelem convincentes e possam ser testados em procedimentos confiáveis, tais como aqueles preconizados pelo método científico. Portanto, impõe-se transitar do simbólico para o conceitual sob o amparo da racionalidade. Capitaliza-se, para tanto, os esforços, no mesmo sentido, desenvolvidos por Platão e, depois, acrescenta-se o que a modernidade ensina.


A TEORIA DAS IDEIAS E A RAZÃO  ÁUREA DE PLATÃO

Platão percebeu que os sentidos orgânicos de percepção que instrumentalizam os homens são especializados. O ouvido ouve sons; o olho vê formas e cores; o tato sente texturas, temperaturas e formas; o gosto percebe sabores; o olfato percebe odores; e a mente compreende. Percebeu, também, ser impossível para o ouvido ver, para o olfato sentir sabor, para o olho compreender etc., sendo apenas possível a cada sentido realizar a percepção de sua própria especialidade, a percepção para a qual o sentido está habilitado. Nesse contexto, percebeu, ainda, que os homens confundiam e não distinguiam, adequadamente, os objetos de percepção do olho e da mente. Os homens acreditavam pensar o que viam, o que contrariava a especialização dos sentidos. Se o olho via o objeto, as cores e a forma da matéria, a mente pensava o que do objeto?

Platão soluciona essa questão com a sua teoria das ideias, segundo a qual a mente entende e tem acesso à inteligência organizativa que constitui a essência modeladora dos objetos. Essa essência ou inteligência organizativa ele designou de ideias ou formas. Essas ideias ou formas determinam a compleição dos objetos e constituem a essência constitutiva deles, conferindo-lhes propriedades que são identificadas como atributos. Em lugar de ideias e formas, prefere-se usar a expressão inteligência organizativa para designar essa essencialidade constituinte, uma vez que, modernamente, sabe-se que os objetos não resultam da junção aleatória de componentes, mas da articulação inteligente de certos e determinados componentes, capazes de se integrar em uma totalidade estável que resultará dotada de propriedades específicas. Nessa perspectiva, Platão encontra uma maneira simples de diferenciar os objetos de percepção da mente dos objetos de percepção do olho: “Os objetos são visíveis, mas não inteligíveis, ao passo que as ideias são inteligíveis, mas não visíveis” (PLATÃO, 2012).

Essa frase sintetiza de forma simples e clara a percepção que suporta a teoria das ideias de Platão: há um mundo inteligível distinto do mundo visível que, ordinariamente, prende a atenção dos homens. Esse mundo inteligível configura uma realidade essencial situada mais além do mundo visível imediato e se compõe de ideias ou inteligência organizativa que cumpre papel determinante da compleição e da forma desse mundo visível. Essa separação entre a instância visível e a instância inteligível proporciona a Platão um poderoso e revolucionário modo de ver o mundo que, juntamente com a sua dialética, explica o poder de sedução e a magnitude da sua obra. Pode-se esquematizar esse modo de ver o mundo da seguinte forma:

Figura 1: Modo platônico de ver o mundo. Fonte: Platão (2012)

Essa figura foi extraída de texto que antecede a apresentação do mito da caverna por Platão, no diálogo A República (Ibidem), em que o personagem Sócrates é desafiado a falar do bem em si que, na teoria das ideias, ocupa a posição de fonte a partir da qual as ideias emanam. Em outros textos, essa fonte primordial é também designada de o belo em si e também de o uno. Esse uno, em Platão, expressa a simplicidade absoluta e indivisível que antecede ao próprio número e à própria unidade quantitativa, sendo assim considerada a origem primeira do cosmos (REALE, 2004). Sócrates recusa-se a falar do bem em si – que está justamente no cerne do que, hoje, está sendo designado de “doutrinas não escritas” de Platão –, mas se dispõe a falar do filho do bem em si, o qual afirma ser muito semelhante ao pai que o gerou e que resulta ser o Sol. Essa semelhança é afirmada por ele em uma frase em que estabelece verdadeira relação áurea, ligando o mundo inteligível ao mundo visível, que exerce função estrutural semelhante à da famosa proporção áurea (1,168) que os gregos também identificaram e que, além de estar sempre presente na natureza, foi usada no Parthenon e também está ou deveria estar presente no retângulo básico que formata os templos maçônicos. Essa razão áurea pode ser expressa nos seguintes termos: “O Sol está para o mundo visível assim como o bem em si está para o mundo inteligível” (PLATÃO, 2012, 508c).

Sócrates explica aos seus ouvintes, mais ou menos, nos seguintes termos: no mundo visível, o olho vê porque possui a propriedade de ver, e o objeto e as cores são vistos porque possuem a propriedade de se mostrarem (Ibid., 507c a 509c). Nada disso pode ocorrer na ausência de luz e, no nosso planeta, a fonte da luz é o Sol. Quando começa a escurecer, a visão também vai se perdendo, até que, em plena escuridão, o olho não consegue ver mais nada.

Quando amanhece, o processo se inverte, as visões vão ficando cada vez mais claras, até que, à plena luz do Sol, tudo torna-se nítido outra vez. Ocorre, porém, afirma Sócrates, que o Sol não apenas fornece a luz que possibilita a visão, mas também é a fonte geradora tanto do olho como do objeto visto.

Atualmente, na modernidade, não se tem mais dúvida disso. O Sol é a fonte criadora não apenas da luz, mas igualmente de todos os planetas do Sistema Solar e também os mantém em órbitas estáveis, o que possibilitou o surgimento da água e de toda a vida presente na Terra e, ainda, moldou todos os sentidos de percepção dos animais e, evidentemente, também tornou os olhos capacitados para ver. Além disso, continua fornecendo a energia que sustenta toda a vida.

O mesmo processo ocorre no mundo inteligível, afirma, ainda, Sócrates. O bem em si não apenas gera a mente e a inteligência organizativa ou ideias que moldam os objetos, mas também fornece a “iluminação” que permite à mente entender essa inteligência organizativa. A diferença é que, em lugar de luz, o bem em si fornece o ser e a verdade que são os elementos com os quais esse entendimento torna-se possível. Pode-se, então, também dizer que a luz está para o ato de ver, assim como o ser e a verdade estão para o ato de entender.

Sobre o mundo visível descrito por Platão, não restam dúvidas. A ciência moderna sanciona, em termos próprios, todas as explicações dadas. Sobre o mundo inteligível, cabem algumas explicações:

A presença do ser, na mente, constitui um fato que apenas cada um pode constatar ao examinar os seus próprios pensamentos. Ao pensar, percebe-se nitidamente que, na raiz de nossos pensamentos, encontra-se o ser que somos e que constitui o operador inteligente que pensa. A presença da inteligência organizativa nos fenômenos, também, não oferece dificuldades. É evidente que um computador resulta da confecção e reunião de peças projetadas pelo homem e registradas, inicialmente, de forma escrita, em documentos/projetos. As peças que integram o computador foram construídas a partir de especificações contidas nesses projetos, e a montagem do computador deu-se em obediência à inteligência organizativa que os engenheiros registraram no projeto. À medida que a montagem realizava-se, essa inteligência organizativa foi sendo incorporada à máquina em construção e, no final, o computador tornou-se uma unidade funcional determinada por essa inteligência organizativa (RODRIGUES; RODRIGUES, 2012), a qual Platão chamaria de a ideia ou a forma do computador.

De outro lado, o bem em si é o uno, o princípio criador, o Deus das religiões e o princípio necessário da metafísica. Na Maçonaria, corresponde ao Grande Arquiteto do Universo que é aceito, aprioristicamente, como princípio (GOB, 2001), de sorte que a demonstração de sua existência, embora possível (SANTOS, 2001), fica aqui dispensada. Resta, então, falar sobre a verdade que tanto imprime inteligência às ideias quanto permite à mente entender essa inteligência organizativa.

O conceito de verdade de Platão está ligado ao conceito de beleza grego e, consequentemente, ao conceito de bem em si e belo em si. O grego entende que nem mesmo Deus poderia criar o mundo de qualquer maneira, pois tinha de obedecer às matemáticas (ARISTÓTELES, 2006), posto ser essa a única maneira da criação configurar um cosmos e não um caos. Ou seja, para os gregos, as leis da forma, do movimento e da quantidade, que correspondem em linhas gerais às ciências hoje designadas de Geometria, Lógica e Matemática, constituíam estruturas inescapáveis da existência, de modo que a criação somente pode ocorrer em âmbito de possibilidades demarcado por essas leis. Nesses termos, tanto a construção da mente e de sua faculdade de pensar como a construção da inteligência organizativa e sua faculdade de ser pensada resultam frutos do ser e da verdade (PLATÃO, 2012, 508e e 509ª). Consequentemente, o ato de entender implica reconhecimento da verdade por parte do ser, isto é, a verdade presente no ser encontra correspondência na verdade presente na inteligência organizativa do objeto e, assim, torna-se compreensão e conhecimento.

Platão ainda esclarece que o ser surge do bem em si ou do uno por transbordamento (Ibid., 508b/c), querendo, com isso, dizer que o ser não se origina do bem em si em virtude de um movimento deste, posto que o bem em si, desde Pitágoras, é concebido como ilimitado (REALE, 2004) e, portanto, necessariamente estático, já que qualquer movimento implica determinação e limitação. Hoje, seria mais adequado dizer que o ser emana do bem em si por transcendência, uma vez que o movimento transcendental encontra-se formalizado (SAMPAIO, 2001) e explica como um fenômeno pode surgir e desaparecer de um dado plano existencial, fato que constitui ocorrência comum na natureza.

Caso o leitor possa reunir um átomo de oxigênio com dois átomos de hidrogênio em condições adequadas, terá criado uma molécula de água que, antes, não existia no plano existencial das moléculas e, fazendo o inverso, fará essa molécula desaparecer da existência. Designar esse movimento de transcendência revela-se perfeitamente adequado, porque a molécula de água apresenta propriedades que não estão presentes nos seus átomos constitutivos, de sorte que a molécula de água constitui uma totalidade que se situa para além da mera soma das partes. Portanto, a ideia básica de surgimento de algo, no âmbito da existência, por transcendência, afigura-se pertinente, razoável e adequada.

Assim, constatam-se perfeitamente justificados todos os elementos usados por Platão para caracterizar e distinguir, na realidade, um mundo visível de um mundo inteligível. Apesar disso, o modelo de mundo inteligível de Platão não está fechado e completo, faltando um elemento-chave para dar-lhe consistência interna.

Platão tinha plena consciência dessa carência, embora não tenha conseguido supri-la. Esse elemento faltante constitui justamente o núcleo central das chamadas “doutrinas não escritas” de Platão, assunto do qual apenas tratou na oralidade. Observe-se que o projeto de computador acima mencionado contempla a inteligência organizativa que faz daquela máquina um computador dotado de certas propriedades e de certas funcionalidades, mas não contempla a inteligência criativa que os engenheiros utilizaram para criar o projeto, isto é, não contempla o conhecimento usado pelos engenheiros para projetar a inteligência organizativa do computador.

Da mesma forma, em se tratando da natureza, uma árvore constitui um fenômeno bem determinado por certa inteligência organizativa. Essa inteligência organizativa da árvore é muito mais sofisticada do que aquela do computador, tanto assim que possui a propriedade de reproduzir-se. Entretanto, por mais sofisticada que essa inteligência organizativa seja, não contempla o conhecimento demandado para a criação da primeira árvore.

Portanto, está faltando, no esquema de mundo inteligível retratado na figura, a indicação de uma inteligência criativa capaz de explicar como é que o ser emanado do uno, contando apenas com o apoio da verdade, consegue criar as inteligências organizativas que moldam os fenômenos existentes. Pode-se também formular essa pergunta nos seguintes termos: como é que o ser que transcende do uno consegue criar fenômenos na existência, contando apenas com as leis naturais da Lógica, da Geometria e da Matemática?

A RAZÃO DE TODAS AS ESCOLAS DE MISTÉRIO

Conseguir uma descrição formal, racional e lógica dessa inteligência criativa foi o sonho acalentado pelos mestres maiores de quase todas as Escolas de Mistério, e perceber o seu potencial enquanto ferramenta referencial ampliadora do discernimento humano, a fonte motivadora da sua construção.

Ao que tudo indica, no Egito Imperial, a percepção disponível dessa inteligência criativa, ao menos em algumas épocas, foi suficiente para gerar uma tecnologia avançada que possibilitou as obras faraônicas conhecidas. Pitágoras recolheu esse conhecimento em expressão simbólica e tentou traduzi-lo e formalizá-lo em termos matemáticos próprios da cultura grega. O resultado foi a famosa dédaca sagrada, expressa na equação 1 + 2 + 3 + 4 = 10, que constituía o cerne da doutrina pitagórica e, sobre a qual, os iniciados da escola místico-filosófica, criada por Pitágoras, juravam fidelidade à Ordem e lealdade aos demais irmãos (SANTOS, 2002; MARTÍN, 2009).

Embora essa equação constituísse um avanço sobre uma descrição meramente simbólica e expressasse o sentido geral do modelo criativo usado pela natureza na geração dos fenômenos, representava uma formalização precária e problemática, tanto assim que esses números foram definidos como números ideais (KLEIN, 1992; ARISTÓTELES, 2006) distintos dos números quantitativos. Esses números ideais não podiam ser operados uns contra os outros, tal como na matemática ordinária, mas cada um inaugurava uma série quantitativa distinta que não se misturava com as demais.

Essa descrição pitagórica da inteligência criativa foi a que Platão recebeu e não conseguiu formalizar de modo mais preciso e racional. Por esse motivo, não escreveu a respeito e tratou do assunto exclusivamente na oralidade. Supõe-se que isso se dava no âmbito privativo de uma Escola de Mistério de orientação pitagórica, que Platão operava na residência que tinha construído no jardim de Academos, onde funcionava a Academia. Nesta, tratava-se de todos os assuntos contidos nos diálogos, no entanto, quando a conversa exigia tratar da inteligência criativa, que, em termos platônicos, seria designada de forma das formas, ele desconversava e transferia para outra ocasião, a qual, supõe-se, ocorria na sua residência, para convidados criteriosamente selecionados, dentre os quais, curiosamente, ao que tudo indica, não constava Aristóteles.

Possivelmente, as descrições que Platão podia apresentar a respeito dessa inteligência criativa consistiam de menções simbólicas, de algum modo, relacionadas à dédaca sagrada em contextos que exigiam a presença de um princípio criador. Provavelmente, a liturgia praticada nessa escola, em virtude da sua orientação pitagórica, derivava fortemente da mitologia egípcia que, em pontos relevantes, confrontava a mitologia grega.

Dado que um ambiente de confraria afastava o risco de denúncia por “heresia”, tal como experimentado por Sócrates, justifica-se, em parte, tratar dessas questões apenas na intimidade. As razões fundamentais eram, porém, segundo entendemos, de ordem técnica. Faltavam conhecimentos e conceitos necessários para viabilizar a formalização desse modelo criativo, tanto assim que Platão chegou a denominá-lo de díada do grande e do pequeno, expressão que menos indicava o que ele era, indicava mais o seu alcance universal: respondia pela existência de todos os fenômenos, independentemente do tamanho e da complexidade.

Apesar dessa carência, o modo platônico de ver o mundo sintetizado na figura apresentada imprimia, nos espíritos, a certeza de que deveria existir solução. Depois de Platão, os esforços de compreensão persistem e caracterizam o movimento filosófico do Neoplatonismo; acomodam-se durante a Idade Média, virtualmente porque a Igreja Católica mantém a perspectiva como Verbo, “que era no princípio”; e, apenas na Modernidade, o despertar de uma perspectiva materialista vai gerar o movimento Rosa Cruz e a Maçonaria. Esta vai designar esse princípio criador de palavra perdida, uma palavra que deve ser buscada e denominar os seus templos de Lojas de São João, razões pelas quais se percebe mantido, na Ordem maçônica, o propósito milenar de todas as Escolas Filosóficas de Mistério: achar a palavra perdida, visando a libertar o espírito do homem preso no mundo visível da matéria.


AS DESCOBERTAS DA MODERNIDADE

O conhecimento hoje disponível permite-nos, finalmente, compreender o que a dédaca sagrada queria dizer.

A equação 1 + 2 + 3 + 4 = 10 indica o modelo matemático segundo o qual toda e qualquer existência estabelece-se como fenômeno presente neste universo. Os números 1, 2, 3 e 4 (a tétrada) indicam, respectivamente, a 1ª dimensão, a 2ª dimensão, a 3ª dimensão e a 4ª dimensão da existência. O número 10 indica a instância da totalidade dos fenômenos, a qual corresponde uma determinada inteligência organizativa.

Desde 1999, esse modelo criativo encontra-se especificado e formalizado com a denominação de logos normativo (RODRIGUES, 2011) e, na condição de estrutura ontológica, de cuja constituição apenas participam as leis naturais do movimento, da forma e da quantidade que, no geral, correspondem às ciências modernas – Lógica, Geometria e Matemática –, conforme já indicado. O título de logos normativo decorre do fato de a estrutura normatizar a existência, e a condição ontológica quer dizer que os fenômenos apenas ganham assento na existência como totalidades, o que implica afirmar que, no universo, não existe um fenômeno de segunda classe chamado parte, mas apenas totalidades (RODRIGUES; RODRIGUES, 2012).

Com isso, a complexidade, nesse modelo, resulta não da reunião de partes, mas da inteligente articulação de totalidades bem constituídas. Tratando-se de um modelo único gerador de toda existência, este possui a propriedade de se replicar ao infinito e, assim, responder pela edificação ordenada do universo em camadas de crescente complexidade, a partir de energias quânticas, passando por partículas atômicas, átomos, moléculas, organismos, sistemas planetários, galáxias até o próprio universo, sempre dentro de espaços de possibilidades determinados pelas matemáticas.

Não cabe, neste trabalho, entrar em detalhes dessa versão moderna da dédaca, pois existem livros tratando disso (RODRIGUES, 1999). Cabe, porém, ressaltar que essa solução torna-se, hoje, viável por ser possível admitir uma geometria dimensional (uma métrica da amplitude?), situada para além das geometrias não euclidianas.

Pode-se igualmente pensar uma ciência de múltiplas lógicas, situada para além da lógica clássica única de Aristóteles e, ainda, ser defensável a possibilidade de uma matemática de múltiplos graus de infinidade demandada pelo modelo. Além disso, a Mecânica Quântica, ao constatar a presença de fenômenos que desobedecem às leis do tempo e do espaço – 4ª e 3ª dimensão, respectivamente –, abre espaço para uma retomada da Metafísica e para a reutilização do conceito de transcendência. A própria Astrofísica, com o convencimento de que o universo teve um começo, enseja modos de pensar impossíveis de serem alcançados na antiguidade grega.

Há, ainda, outras conquistas conceituais que facilitam o entendimento e a formalização dessa inteligência criativa, mas as citadas parecem suficientes para justificar por que Pitágoras e Platão não conseguiram realizá-lo.

CONCLUSÃO

Com o advento do logos normativo formalizando a inteligência criativa, superam-se as críticas de Aristóteles sobre a Teoria das Ideias de Platão (ARISTÓTELES, 2006), e o modo platônico de ver o mundo estabelece-se como modelo completo dotado de rigorosa consistência interna. Basta substituir, no esquema platônico de mundo inteligível, a palavra verdade pela expressão logos normativo, e o modo platônico de ver o mundo torna-se referência adequada para orientar o trabalho maçônico de libertar os espíritos da materialidade. Com essa conquista conceitual, a Maçonaria do século XXI completa a transição do simbólico para o racional que todas as escolas da tradição almejaram, disponibiliza para os homens um método capaz de superar as ilusões do mundo visível e um modo formalizado de pensar a totalidade que, no caso da totalidade da espécie, potencializa um novo padrão civilizatório.

A missão permanente da Maçonaria consiste, sim, como afirmam os rituais, em projeto de libertação da humanidade do mundo ilusório da materialidade. Um espírito preso na matéria significa uma mente estreita cuja visão não ultrapassa o mundo sensível e acredita que o universo está contido no âmbito do espaço tridimensional. Uma mente presa no mundo visível debate-se em uma missão impossível de pensar um visível que não é pensável. Na verdade, esse homem comunga da visão de mundo que todos os demais animais possuem e vive no devir espaço-temporal em constante sobressalto, em face dos conflitos dialéticos com suas circunstâncias. Para esse homem, a civilização é selvagem, os problemas sociais são insolúveis, e a paz e a fraternidade, impossibilidades, em razão do egoísmo estrutural.

Dado que uma sociedade de homens presos ao mundo visível não tem futuro, além daquela pós-modernidade possibilitada pela animalidade, a Maçonaria dedica-se a formar Mestres Maçons, desafiando-os a libertar o seu espírito da matéria, desafiando-os a superar o mundo visível, a abrir os olhos para o mundo inteligível e a descortinar as superiores potencialidades da espécie, o que fez, até o presente momento, invocando imagens simbólicas e argumentos alegóricos. Com os legados da tradição e as descobertas em curso na modernidade, passa a oferecer recursos metódicos e racionais como apoio para essa travessia. A partir de agora, libertar o espírito da matéria constitui procedimento racional plenamente normalizado. Seu pré-requisito: entender e saber operar a inteligência criativa geradora dos fenômenos manifestos na existência. Em outros termos: compreender os axiomas e os modos da existência.

A missão permanente da Maçonaria e de todas as Escolas de Mistério da tradição perante a humanidade implica verdadeiro sacerdócio, na medida em que procura resgatar os homens do mundo das ilusões – da caverna metafórica de Platão – e os colocar no mundo inteligível, em presença do princípio criador e do ser atemporal que edifica o mundo. Constitui um sacerdócio legítimo porque, apesar dos contextos adversos, empenha-se em instrumentalizar os homens e suas mentes para um entendimento superior do mundo e da sua própria existência e, assim, perceber o poder construtivo que despertaria uma humanidade que trabalhasse harmônica e cooperativamente. Para cumprir essa missão – que poderia e deveria ser compartilhada por todos os sacerdotes do mundo –, a Maçonaria exige do Mestre Maçom que se dedique ao estudo e se habilite para esse sacerdócio, o qual se revela superior na medida em que, ao invés de submeter os homens a qualquer doutrina que lhe seja exterior, quer mesmo é que cada um seja capaz de, por si mesmo, encontrar, no seu interior, as leis permanentes do universo e que decida o que é conveniente para si e para a espécie.

A missão da Academia e, em particular, das Faculdades de Filosofia empenhadas na formação de verdadeiros filósofos – segundo a concepção platônica – não é diferente: também objetivam facultar aos homens a saída das cavernas e colocá-los frente do mundo inteligível. Certamente, um Platão iniciado, metafísico e pitagórico enseja estranheza e conflitos em mentes educadas sob princípios científicos que sub-repticiamente criam também preconceitos de linguagem. Superados estes, conclui-se que a tese apresentada retira parte do véu que encobria a teoria dos princípios de Platão, a qual acompanhava Pitágoras na percepção de que os princípios primeiros eram constituídos do ilimitado e do limitante: indicações normativas das naturezas absoluta e relativa que, segundo a razão e a lógica, recepcionam a existência. Nessas condições, resulta que a dédaca pitagórica indica a estrutura dimensional segundo a qual o limitante, condicionando o movimento existencial do ser, constitui e molda toda a existência relativa. A fundamentação última dessa interpretação demanda certamente um exame ontológico que não cabe no plano de um artigo, mas, apesar disso, contabiliza-se uma hipótese de solução teorética para as “doutrinas não escritas” de Platão, em contribuição que se soma às justificativas histórico-hermenêuticas ofertadas pelas escolas de Tübingen e de Milão.

Atendida a racionalidade, conceda-se espaço ao delírio que enriquece a humanidade. Este planeta é um paraíso. É uma ilha-paraíso em meio a uma vastidão galáctica hostil à forma humana de vida. Pensar este planeta como uma maçã cósmica sendo devorada por vermes constitui apenas uma alternativa superável. O homem pode superar o casulo animal e se transformar em jardineiro cioso e orgulhoso de seu jardim. Empenhar-se metodicamente para que isso aconteça constitui oportunidade que se oferece a professores e maçons do século XXI. A estes, a história reservou, como missão ou oportunidade, completar os esforços das escolas de sabedoria de todos os tempos e concluir um projeto virtualmente surgido na mente dos sábios que formularam a mitologia egípcia há mais de cinco mil anos, qual seja, o de preservar, na cultura humana, perspectiva metafísica e ontológica que faculta e conduz naturalmente ao desvelamento dos axiomas da existência.

Por quê? Porque o seu conhecimento permite superar a animalidade estrutural da espécie, amadurece as mentes ao revelar as leis constitutivas do universo e, com isso, potencializa uma civilização centrada no ser que, verdadeiramente, constitui-nos. Pode-se, é claro, enquanto espécie, continuar sendo apenas um acidente cósmico, mas pode-se, também, converter a humanidade em caso de sucesso do ser que edifica o universo.

Autor: Rubi Rodrigues

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O TELHAMENTO E A EXPRESSÃO TRÊS VEZES TRÊS



Segundo alguns autores essa declaração advém dos antigos canteiros medievais da Franco-maçonaria que saudavam pelo Sinal o Mestre da Obra por nove vezes – “Eu vos saúdo, eu vos saúdo, eu vos”… (repetia-se o procedimento por nove vezes). O número nove associava-se à unidade de proporção do cubo poliédrico – três partes para a largura somadas as três para a profundidade e ainda mais três partes para a altura.

Três desses cubos compostos por três partes iguais na sua largura, profundidade e altura quando sequencialmente unidos nessa proporção perfaziam geralmente o volume do edifício ou o quadrilongo. Essa harmonia proporcional construtiva mais tarde seria muito usada para determinar os limites simbólicos da Loja (Oficina ou Canteiro) da Moderna Maçonaria – um cubo para o Oriente e dois cubos para o Ocidente, ou ainda, um para o Oriente, um e meio para o Ocidente e meio para o Átrio.

Outro provável aspecto originário do termo T∴VV∴T∴ está na saudação oriunda das Lojas maçônicas inglesas no que se refere ao cumprimento às Três Luzes Maiores, às Três Luzes Menores e aos três principais Oficiais, a saber: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso; O Sol, a Lua e o Venerável (o Sol para governar o dia, a Lua para governar a noite e o Venerável para governar a Loja); os dois Vigilantes e o Guarda do Templo. Assim, o termo T∴VV∴T∴ se reportava também à saudação aos componentes de uma Oficina maçônica daquela época, anterior ao século XVIII e da profusão e aparecimento de Ritos e Trabalhos maçônicos.

Cabe nesse particular uma importante observação: essa conduta não pode ser tomada como exclusividade deste ou daquele Rito, já que a expressão comentada antecede a existência desses na Maçonaria.

Assim o termo T∴VV∴T∴ pela sua importância histórica e dos seus usos e costumes ficaria fazendo parte do complexo ideário maçônico.

Ainda, em se tratando da vertente deísta da Moderna Maçonaria francesa, o termo também se reporta à evolução e aperfeiçoamento da Natureza onde T∴ corresponde a cada ciclo natural (estação do ano) que somados por T∴VV∴ corresponde ao número nove (meses) – a primavera, o verão e o outono. Os três meses de inverno não aparecem por se reportarem a estação em que a Terra fica viúva da Luz. Daí o quadrado de T∴ ou T∴VV∴T∴.

Nesse sentido as tríades se apresentam na Maçonaria em vários aspectos simbólicos, todavia apenas como tríades e não como origem da expressão usada especificamente no telhamento maçônico.

No Real Arco, Arco Real, o Tríplice Tau, Selo de David, etc., são tríades que revelam verdades e lições de ética e moral, entretanto nunca como origem específica da declaração T∴VV∴T∴ no examinador maçônico.

Também nem mesmo Ramsay teria influenciado o REAA nesse particular. O escocesismo simbólico somente tomaria forma a partir de 1.804 na França por influência das Lojas Azuis norte-americanas.

Embora essa influência anglo-saxônica no simbolismo do Rito Escocês, este pela sua origem francesa adotaria em seu arcabouço doutrinário a alegoria da evolução da Natureza acima mencionada – note as nove luzes dispostas em grupo de três em três sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e as mesas dos Vigilantes.

Concluindo, nunca é demais lembrar que entre as duas vertentes principais da Maçonaria – a inglesa e a francesa – as práticas litúrgicas e ritualísticas dos Ritos e Trabalhos (working do Craft) não raras vezes se diferenciam entre eles, principalmente pelos seus costumes culturais, daí práticas como a do Tríplice Abraço e do próprio Telhamento latino (questionário tal qual conhecemos no Brasil) aplicado no REAA, por exemplo, não podem ser generalizados como artifício único para toda a Maçonaria universal. Como dito, há entre eles práticas diferenciadas e muitas vezes desconhecidas conforme a sua vertente maçônica – anglo-saxônica ou latina.

Autor: Pedro Juk

ROSACRUCIANISMO



Dos símbolos iniciáticos que mais excitam a imaginação, o da Rosa-Cruz é, sem dúvida, o mais surpreendente. Seja pela expressão de uma imagem da natureza (uma rosa) unida ao geométrico quaternário (uma cruz); seja pelas interpretações de “espírito” (rosa) unido à “matéria” (cruz), ou da analogia com o esquadro e o compasso, fato é que da comunicação latente nessas imagens surgiram variados entendimentos sobre os rosa-cruzes.

Um deles, ainda presente em nossos dias, é a confusão entre Rosa-Cruz Maçônica e outras Ordens iniciáticas que ostentam os mesmos nome e símbolo. Esse equívoco, bastante comum e próprio do proselitismo, resulta da incompreensão do Grau Rosa-Cruz contido nas preleções superiores da Maçonaria.

O Grau de “Cavaleiro Rosa-cruz”, correspondente ao 18º do Rito Escocês Antigo e Aceito (também existente noutros Ritos), difere das práticas contemplativas e da devoção relacionada ao conceito de divindade – elementos fundamentais do Rosacrucianismo de outras Ordens – não inclui, portanto, a filosofia ou os ensinamentos privativos de outras Ordens.

Além disso, os maçons inseriram na alegoria do Grau a figura do pelicano que alimenta sua ninhada com o sangue do próprio peito dilacerado pelo bico, emocionante alusão ao homem que se sacrifica pelo bem dos seus irmãos.

O Rosacrucianismo na Maçonaria é marcado pelas narrativas bíblicas que remontam ao período de 539 a.C. até 515 a.C., ultrapassa o Antigo Testamento para além da tradição cristã e suas conotações históricas. O Capítulo Rosa-Cruz tem como pano de fundo o pensamento hebraico e a sabedoria cavaleiresca (isto é, o imaginário e as narrativas de cavalaria do século XIII) formadores da identidade histórica e religiosa das nações do Ocidente.

As demais organizações do Rosacrucianismo seguem, na maioria dos casos, uma provável tradição dos antigos egípcios, o misticismo, elementos da gnose de Alexandria e o simbolismo alquímico interpretado à luz da transmutação mental. A transformação da humanidade para melhor é igualmente a meta comum de todos os agrupamentos associados ao Rosacrucianismo: um mundo novo onde homens e mulheres possam viver em liberdade, mais conscientes, mais responsáveis e, por conseguinte, mais felizes e poderosos.

OS INVISÍVEIS DO SÉCULO DEZESSETE 

O movimento Rosa-Cruz desencadeado nas duas primeiras décadas do século XVII foi concebido por pessoas (ou pessoa) de pensamento iluminado, intelectuais de genial entendimento sobre questões sociais, políticas, científicas e religiosas da época.

Três publicações sucessivas, na forma de manifestos, apareceram na cidade alemã de Kassel, a partir de 1614: “Fama Fraternitatis Roseae Crucis oder Die Bruderschaft des Ordens der Rosencreutz” (Notícia da Fraternidade da Rosa e da Cruz ou Irmandade da Ordem dos RosaCruzes) seguida da “Confessio Fraternitatis oder Bekenntnis der Societät und Bruderschaft Rosencreutz ” (Confissão da Sociedade e da Fraternidade Rosa Cruz) em 1615 e da “Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz anno MCDLIX” (Casamento Químico de Christian Rosencreutz ano MCDLIX) em 1616.

Na Alemanha, a suspeita de autoria caiu sobre Johann Valentin Andreae (1586-1654) jovem de uma família de Würtemberg envolvida com a reforma luterana. Outros pesquisadores atribuem a autoria a Francis Bacon. Esta hipótese parece ser a mais plausível embora também não possa ser comprovada.

Mas foi na França que o movimento Rosa-Cruz teve maior impacto. Numa manhã do outono de 1623, Paris acordou surpreendida por cartazes que anunciavam a chegada de uma enigmática irmandade. A tribuna escolhida não poderia ser melhor: a Pont Neuf, construída sobre o local onde, trezentos anos antes, Jacques de Molay, último Grão-Mestre dos Templários, fora queimado numa fogueira. Aponte era o lugar preferido dos artistas de rua e populares. Não houve quem não tomasse conhecimento do anúncio:

“Nós, deputados do Colégio Principal dos Irmãos da Rosa-Cruz, estamos, visíveis e invisíveis, sediados nesta cidade pela graça do Altíssimo, para o qual se voltam os corações dos justos. Ensinamos e demonstramos sem a necessidade de livros, falamos toda espécie de linguagem do país onde estamos, com o objetivo de tirar os homens, nossos semelhantes, de erro e da morte”.

E os “invisíveis” convidavam os interessados a juntarem-se à fraternidade, com a ressalva:

“(…) os que nos procurarem por mera curiosidade, jamais nos encontrarão… mas, se seu desejo for autêntico, nós os encontraremos e nos faremos reconhecer”.

Os analfabetos se contentaram com as especulações truncadas de alguns aventureiros: “deputados de uma corporação… homens invisíveis… falar em línguas… vencer a morte…” Ofertas tentadoras! Quem não desejava tornar-se invisível e bisbilhotar todos os recantos da cidade, entender todas as línguas e se tornar imortal?

Enquanto isso, os responsáveis pelos cartazes permaneciam ocultos numa espessa nuvem de mistério. Quando muito, os textos velavam com as iniciais C.R+C. o nome emblemático de Christian Rosencreutz, mítico fundador da Ordem.

O rei e a Inquisição ficaram imobilizados diante dessa figura, pois Christian Rosencreutzera um nome cristão; havia uma rosa e a salvífica imponência da cruz. A quem pegar? – “onde estaria o Diabo?”

As instruções de Gabriel Naudé à França (1623), a pedido do Rei Louis XIII, apontaram vestígios do protestantismo no movimento dos invisíveis. Havia entre os luteranos um grupo independente que adotava certo grau de misticismo – os pietistas. Essa corrente buscava a salvação tanto na Bíblia quanto nos textos de Jacob Boehme e Sebastian Franck. Quanto ao secreto símbolo – uma cruz e uma rosa concêntricas – Martin Lutero já havia sugerido, como distintivo da Reforma, uma rosa de cinco pétalas com uma cruz no centro.
AS VIAGENS

Os manifestos Rosa-Cruzes estão repletos de enigmas e obscuro simbolismo cuja interpretação demanda o estudo das condições históricas da época e de “chaves” só conhecidas pelos leitores aos quais os textos se destinavam.

Através de uma análise elementar, identificamos as seguintes “chaves”:
A lenda egípcia da peregrinação de Ísis e a ressurreição de Osíris;
Estágios da Arte Real relativos à morte, reencontro e ressurreição de um mestre;
O arquétipo da viagem representado nas “circumambulações iniciáticas”;
O arquétipo do casamento sagrado ou hierosgamos;
Princípios da restauração do cristianismo original inspirado na Reforma Protestante;
O encontro do Ocidente com o conhecimento Islâmico;
Reminiscências da Ordem do Templo e do assassinato de seu último Grão-Mestre, Jacques de Molay.

Essas viagens fundamentavam a esperada reorganização da Ordem (os Cavaleiros de Cristo e outras ordens militares da Idade Média) após o desaparecimento dos Cavaleiros Templários em 1314.

Os Manifestos fazem referência ao ano de 1604, quando o Imperator descobriu o túmulo de C.R+C. numa edificação de sete lados, constantemente iluminada por lâmpadas inextinguíveis. Na parede que obstruía a entrada estava escrito: “post 120 annos patebo” (após 120 anos serei encontrado). No centro da construção havia um altar com a inscrição: “A C.R+C. hoc universi compendium unius mih sepulcrum feci” (a Christian Rosencreutz, compêndio único do universo, fiz este túmulo). Em volta de um primeiro círculo, lia-se “Jesus mihi omnia” (Jesus é tudo para mim); no círculo do meio, quatro figuras com as inscrições: “Nequaquam Vaccum” (em parte alguma o vácuo); “Legis Jugum” (o jugo da lei); “Libertas Evangelii” (a liberdade do Evangelho); “Dei Gloria Intacta” (a Glória de Deus é inatacável), todas elas expressões cristãs, tanto Templárias quanto da predileção reformista.

René Descartes, na primeira parte do Discurso do Método, conta a revelação que teve, em novembro de 1619, sobre os alicerces de uma nova ciência. Após servir à instrução militar na Holanda, Descartes viajou pela Dinamarca e Alemanha, e voltou à França em 1622, onde a leitura dos manifestos Rosa-Cruzes e a popularidade dos cartazes espalhados por Paris, levaram-no a se interessar pelo assunto. Colocou de lado a mixórdia ocultista que rondava a questão e prosseguiu em suas investigações guiadas pela razão.

Descartes procurou os Rosa-Cruzes por todos os lugares, mas suas buscas, segundo ele mesmo disse, foram infrutíferas. Contudo, a “moral provisória” que ele adotou no Discurso do Método – um conjunto de quatro intrigantes regras – pode ser considerada uma justificativa (ou escapatória) do seu silêncio e das tais “buscas infrutíferas”:
Regra nº1 – uma ampliação da consciência sobre a ordem do mundo;
Regra nº2 – uma reflexão moral que visa a adaptação a essa ordem;
Regra nº3 – o respeito às autoridades constituídas, seja pelo critério da maioria, seja pela tradição;
Regra nº4 – o caráter instrumental dessas investigações, tendo como objetivo o estudo constante e o bem viver.

Pode parecer muito simples e… ao mesmo tempo astuto; uma reflexão atenta sobre esses quatro pilares da “moral provisória” de Descartes revelam o puro Rosacrucianismo conforme o que permanece ministrado no vasto universo daquela primitiva sociedade invisível.
CONCLUSÃO

Sobre o Rosacrucianismo, a única “conspiração” que existe – e há de perdurar – é a viagem constante em busca do conhecimento, a jornada do espírito de fraternidade, a defesa da liberdade individual e da dignidade humana. E a esperança daqueles que se empenham no estudo da natureza humana e da realidade que os cerca, até que seja alcançada a Mansão dos Invisíveis, a união dos opostos cantada no Antigo Testamento através dos versos do Rei Salomão:

“Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales”… “Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.” (Cântico dos Cânticos 2:1 e 4:12).

Autor:José Maurício Guimarães

ONDE ESTÃO OS MESTRES?


“O verdadeiro mestre não é aquele que ensina, é aquele que de repente descobre que aprende”. (João Guimarães Rosa)

A comunidade Maçônica sabe não ser possível afirmar que apenas o domínio da ritualística contemplada em nossos Rituais proporciona o acesso ao conhecimento encerrado nos mistérios e simbologia da Ordem. Para compreendê-los e vivenciar a essência desse aprendizado são necessários esforço e dedicação adicionais.

Por outro lado, não se sustenta o argumento de que o quarto de hora de estudos das sessões de trabalho tem a finalidade de propiciar o tempo suficiente, se e quando utilizados, para as reflexões e apresentação de trabalhos que esgotem as temáticas envolvidas e nivelem informações e conhecimentos filosóficos.

Para suprir essas necessidades complementares de aprendizagem e estudos funcionam, nas dependências da GLMMG, dois excelentes fóruns representados pela Escola Maçônica “Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida”, criada pelo Decreto nº 1.537, de 25.08.03, e pela Loja Maçônica de Pesquisas “Quatuor Coronati” Pedro Campos de Miranda, na forma do Decreto do Grão Mestrado nº 1.713, de 08.11.07. A Escola Maçônica tem o objetivo de “promover e instituir a revitalização de instruções e aprendizagem aos moldes da padronização ritualística”. Por sua vez, a Loja de Pesquisas se dedica a estudos, pesquisas e apresentação de trabalhos maçônicos.

Esses dois centros de estudos são dirigidos por irmãos voluntários, competentes e dedicados, que não medem esforços para proporcionar as melhores oportunidades para estimular a investigação, o debate e o intercâmbio de experiências e informações sobre a essência da Maçonaria.

Ocorre que, em que pese a carga de trabalho e tempo dedicados à preparação dos eventos imprescindíveis ao cumprimento dos objetivos propostos, a receptividade por parte da população maçônica que frequenta semanalmente as Lojas ativas no Palácio Maçônico, em torno de 60, envolvendo mais de 1.000 obreiros, não tem sido satisfatória. Não é raro registrar-se a presença bastante reduzida de interessados em várias sessões, tanto na Escola Maçônica quando na Loja de Pesquisas. E tal situação enseja algumas reflexões.

No que se refere à Escola Maçônica, é divulgada uma programação mensal contemplando a apresentação das instruções dos Graus 1, 2 e 3 do REAA, onde são discutidos e analisados os rituais, a liturgia e o simbolismo maçônico. No decorrer das apresentações são frequentes as oportunidades em que as discussões se aprofundam mesmo com reduzido número de participantes, ensejando sinergias enriquecedoras para gáudio dos presentes.

Nessas oportunidades, são recorrentes as observações dos presentes quanto à falta de interesse dos demais obreiros em participar de eventos da espécie, em face de eventuais conflitos entre a ritualística e a prática nas sessões de trabalho. Mesmo entre aqueles que estão iniciando na senda maçônica ou vem de galgar os degraus da elevação ou exaltação, não se verifica uma constância no cumprimento da programação. Não resta dúvida de que os ciclos de aprendizagem demandam tempo, disciplina e dedicação.

Sabemos todos das responsabilidades dos padrinhos no processo de formação dos seus afilhados na Ordem, no sentido de que se tornem pessoas melhores e mais preparadas Entretanto,a situação se assemelha aos pais que delegam às escolas a educação dos filhos e se mostram negligentes no acompanhamento no processo de desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal, moral e espiritual de seus afiançados e futuros dirigentes da Ordem. Têm-se notícias de que são raros os convites para que um afilhado acompanhe um padrinho nas sessões ou mesmo a ocorrência de uma sutil sugestão de comparecimento.

Não poderíamos deixar de registrar um comentário frequente que se ouve nas instruções do Grau 3, objeto da constatação do reduzido número de Mestres presentes às sessões. Algumas reflexões se resumem no questionamento: “será que os Mestres estão suficientemente repletos de sabedoria que não há nada a aprender?”

Outra observação destacada e também atribuída aos trabalhos em Loja, aborda o entusiasmo inicial com a plenitude alcançada, onde em pouco tempo muitos passam a ter “bode do trabalho” maçônico, adotando ritmo mais lento, quando não desinteressado ou com foco em outros proveitos.

No mesmo diapasão transcorrem as sessões da Loja de Pesquisas. É rara a oportunidade de Templo com plateia numerosa. Por vezes, trabalhos do mais alto gabarito são apresentados para um grupo pequeno. As Lojas que funcionam nas datas dos eventos perdem excelentes oportunidades de incorporar-se aos trabalhos e tirar vantagens dos ensinamentos oferecidos.

Mas tal fato não inibe que se ouça ou que se leia em currículos ou pranchas os vínculos à fundação da Loja ou outra de destaque em cargos de direção. Apenas citar que é membro de uma Loja, seja ela qual for e, efetivamente não participar, não se mostrar, é apenas se beneficiar com o trabalho daqueles que permanecem na senda, é colher o que os abnegados estão cultivando. Fazer parte sem estar presente, onde está o mérito?

Não se pode deixar de dar destaque aos obreiros que honram a Ordem e fazem-na respeitada e valorizada e que são maioria. A presente reflexão visa a estimular aqueles reputados como sábios e referencial para os demais que se doem àqueles que buscam o conhecimento e o debate saudável e enriquecedor. É corriqueiro ouvirmos que determinados irmãos são profundos conhecedores da Ordem, têm muito tempo de lida e são portadores de inúmeros títulos, porém se mostram silenciosos. Mas, como diz o Livro da Lei, “ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou coloca-la debaixo da cama. Ele a coloca no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz”. Observados o protocolo e as exigências da cada Grau, o saber não pode ser egoísta.

É motivo de comentários por vezes irônicos que muitos Mestres quando desafiados a comentar a respeito de determinado assunto devolvem a pergunta ou afirmam que o questionador não está preparado para aquele conhecimento demandado. Muitos interpretam tal comportamento como insegurança, talvez por falta de conteúdo ou por deficiências nos estudos ou medo de demonstrar ignorância. Por isso faz-se mister matutar sobre a dica de Cora Coralina: “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

Nesse sentido, a missão do Mestre no exercício da sua plenitude é transmitir aquilo que aprendeu, compartilhando informações e experiências, estimulando, questionando, provocando e, por vezes, confundindo o Aprendiz, mostrando-lhe vertentes ou caminhos que possam ser exploradas. O verdadeiro Mestre deve dar o seu testemunho e honrar o compromisso de ser um facilitador para os novos Aprendizes e Companheiros, para que os mesmos sejam sempre melhores do que aqueles que os treinaram.

Como reflexão derradeira, porém sem esgotar a temática, merece destaque o comentário do catedrático Philip Kotler, referência no ensino e no planejamento de marketing, autor dos livros e das teorias mais citadas no setor que afirma: “Demora dias para se aprender marketing. Infelizmente leva-se uma vida inteira para ser um mestre”. Sopesadas as diferenças, podemos tirar algum proveito do pensamento.

“A messe é grande, mas poucos são os operários!” (Divino Mestre)

Autor: Márcio dos Santos Gomes

Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017



O LEGADO DOS DEUSES


Por Oliveira Pereira (Oriente de Portugal)

A ESFINGE E A EVOLUÇÃO HUMANA

Ao longo dos tempos, muitos historiadores foram buscar nos ensinamentos do Antigo Egito, a base e os alicerces para as suas teses e os seus saberes. Até mesmo os grandes filósofos Gregos foram buscar as fontes do seu conhecimento ao antigo Egito. Porém, o que mais tem intrigado os pesquisadores até aos nossos dias, para além dos maravilhosos segredos das três grandes pirâmides, certamente é o enigma da esfinge.

A esfinge, como todos vós sabeis, é um grandioso monumento de pedra talhada, que repousa há milénios ao lado da pirâmide de Queóps em Gisé. Este gigante e majestoso monumento de pedra branca é formado por quatro patas de touro, por um corpo de leão, por duas asas de águia e por um rosto humano. A própria palavra “esfinge”, que é de origem grega, significa na sua origem, “animal fabuloso”. E tão fabuloso é este monumento, que mais parece ter sido construído por inteligentes seres de um outro mundo, de outra galáxia, de outra dimensão ou quiçá, construído pelo homem, mas com total inspiração divina, como que para anunciar que quem assistiu ao início da era humana não verá o seu final; e quem estiver no final, por certo, só imaginará como foi o seu começo. É de facto espantosa a simbiose entre a concepção simbólica desta e a evolução humana através das eras. Por isso, através da descodificação da sua representação simbólica, vou desvendar os seus enigmas e por sua vez a mensagem que esconde.

Descodificação da Representação das Patas de Touro – Num tempo mais remoto do desenvolvimento do homem, este dependia essencialmente da terra, tanto para a caça e o seu cultivo, para que desse modo pudesse produzir os alimentos indispensáveis à sua sobrevivência, como também, por necessitar dela para a sua insaciável procura de recursos, indispensáveis à satisfação das suas mais elementares necessidades de sobrevivência. Por esta razão, o homem no início da sua evolução, precisou de conquistar territórios onde fossem abundantes os recursos de que necessitava para sobreviver.

O poder nesse histórico tempo, estava com os que dominavam a arte da guerra, nomeadamente no combate corpo a corpo, os quais, através do exímio domínio desta arte marcial, dispunham de grandes impérios territoriais.

Sem dúvida, que o touro é o animal que mais se identifica com a terra e com a força bruta. Todos nós conhecemos lendárias figuras daquela época que ficaram famosas pela sua desmesurada força física, como foi a lendária figura de Hércules ou a de Ursus em Quovadis. Foi preciso o aparecimento de Moisés, para que o início de uma nova era surgisse, e para isso, foi preciso que este combatesse a adoração ao boi ápis, símbolo da devoção da humanidade daquele tempo aos valores terrenos.

Em suma, esta primeira era evolutiva da humanidade, correspondeu ao elemento terra, ao corpo físico, à força física e às grandes extensões de terra.

Descodificação da Representação do Corpo de Leão – Com os ensinamentos de Jesus, uma significativa parte da humanidade conseguiu afastar-se das crenças antigas, e evoluir para a era dos peixes, ou do elemento água. Como sabeis, os primeiros cristãos tinham como símbolo a figura do peixe, a qual, veio a caracterizar esta era. E como também sabeis, esses mesmos cristãos hostilizaram a sociedade romana de então, com os seus princípios e os seus costumes, principalmente, quando recusaram considerar como seu Deus o imperador romano. Este antagonismo de culturas, fez com que os romanos dessem ouvidos aos boatos de que os cristãos dominavam os “seus leões”, os quais, não passavam de analogias simbólicas às emoções violentas, e ao destempero das atitudes derivadas da fúria e da violência não controlada, e importaram verdadeiros leões da obscura África, para demonstrarem ao seu povo, que os cristãos não passavam de mentirosos e que o seu Deus não tinha qualquer poder para os defender dos leões, que os iriam por isso devorar nos circos romanos.

O nosso livro mais sagrado, a Bíblia, relata-nos que Jesus caminhou sobre as águas para mostrar que era mestre das emoções e que nesses passeios chamou a atenção dos homens para o amor e para a caridade.

O poder nesta era, passou para as Nações que desenvolveram e apuraram as técnicas náuticas, e para essas Nações, os seus impérios atingiram territórios que se estenderam para além mar.

Nesta era, o homem para além de dominar o elemento água dominou também as suas emoções.

Descodificação da Representação das Asas de Águia – Nos nossos dias, a humanidade passou a desafiar o elemento ar, e tudo sobre este elemento está a ser presentemente escrito com o verbo no tempo do presente, como é o caso do atual conflito no Afeganistão, em que se trava uma luta desigual, entre o homem senhor dos céus e o homem senhor das profundas cavernas. E com este contemporâneo exemplo, é fácil a explicação, de que o poder das nações, se encontra naquelas que dominam o espaço.

Nesta era, o conhecimento passou a ser mais importante que as emoções, é o tempo do conhecimento, é o tempo do saber.

Descodificação da Representação da Cabeça Humana – Por fim a quarta era, a era do fogo. A era para a qual o homem se tem vindo a preparar desde o princípio dos tempos, com o desenvolvimento do seu espírito e da sua individualidade. Esta é sem dúvida a era humana no sentido lato da palavra. Como sabeis, a Bíblia, relata-nos também, que enquanto São João batizou com água, Cristo batiza com o fogo do Espírito Santo. E é com o fogo do Espírito Santo que nesta era deveremos seguir sozinhos, mesmo estando em grupo ou até mesmo em multidão. Nesta era, o homem estará no plano absoluto da Harmonia e da Beleza, as quais são o primeiro degrau da espiritualidade. Neste tempo, Deus estará entre os homens, ou melhor, Ele estará em seus corações que é a sua melhor parte.

Apolo, o deus da antiga Grécia, ensinou-nos a máxima, “Homem conhece-te a ti mesmo e então conhecerás o universo e os deuses”. Nós, presentemente estamos a conhecer-nos e estamos a conhecer o Universo, só nos falta então, conhecer plenamente Deus para cumprirmos estes sublimes ensinamentos.

Em suma, a esfinge encerra a história de toda a humanidade desde o seu início até ao seu fim. Ela é um marco para lembrar ao homem que tem uma grande tarefa para cumprir. Ele já aprendeu a harmonizar os três corpos físicos, onde residem os mistérios menores, ou o domínio da vida, que são: a terra, a água e o ar ou: o físico, o emocional e o mental. Por último, o homem terá que saber dominar a sua barbárie, e viver na harmonia com Deus e no apreço pela beleza da sua obra. Esta é a razão porque o homem precisa entender, que se Deus o criou para ser único, não como as abelhas ou as formigas, foi para que ele caminhasse sozinho na senda da harmonia. E para termos a certeza de que somos únicos, basta olharmos para o nosso polegar, as impressões digitais nele gravadas são únicas no universo, e quando olhamos para o espelho, olhos nos olhos, sabemos também que a nossa íris é única no mundo. Por sermos únicos, a Fraternidade entre os homens só é possível com a evolução individual de cada um, mesmo em grupo, nós devemos aprender a respeitar as opiniões alheias à nossa, abandonando a necessidade de convencermos os outros do nosso ponto de vista, pois somos todos diferentes porque Deus assim o quis, para que dessa forma vivamos na quarta era em total paz e harmonia com a humanidade. Esta, de facto ainda está muito longe desta era, uma vez que a maior parte da humanidade caminha em círculos ao redor da estrela da sabedoria, enquanto que somente uma pequena parte dela compreende, que o único caminho para o trono de Deus é o Centro, o Interior. Este é o segredo da esfinge o princípio e o fim da humanidade.

A SELEÇÃO NATURAL

Charles Darwin (1809-1882) concluiu através dos seus estudos, que nem todos os organismos nascidos, sobrevivem ou se reproduzem. Concluiu ainda, que os indivíduos com maiores oportunidades de sobrevivência, têm maiores probabilidades para se reproduzirem e para deixarem descendentes, que garantam a continuação da sua espécie. Pelo que ao longo de um lento e constante processo de seleção, as variações favoráveis tendem a ser preservadas, enquanto que as desfavoráveis serão destruídas. Através deste princípio básico da evolução das espécies, podemos afirmar, que a presença de um gene vantajoso numa determinada população, faz com que esta aumente gradualmente o número de indivíduos, uma vez que esse gene, irá contribuir para que aquele possa sobreviver mais tempo, e desse modo, a probabilidade de poder vir a ter mais filhos será maior. Por exemplo, se a presença de um gene vantajoso num indivíduo, for de carácter a aumentar a sua fertilidade, mesmo que aquele venha a sobreviver menos tempo do que o seu competidor, poderá, no entanto, deixar uma prole em maior número do que aquele. E, se o gene vantajoso proporcionar ao indivíduo uma maior capacidade de proteção, ou de camuflagem, mesmo que este venha a ter menos crias, as probabilidades de vir a atingir a idade de reprodução serão maiores.

Quanto à evolução do Homem, esta regeu-se sob o mesmo princípio da evolução de todas as espécies. Ora vejamos, quando os deuses cosmonautas chegaram à Terra, fizeram deste planeta azul um gigantesco laboratório biotécnico. A génese caldaica descreve a chegada destes “deuses” e os seus propósitos sem grandes mistérios. Pois, relatam de forma eloquente que escravizaram os hominídeos para que estes os servissem. E, para que o fizessem com a maior das eficácias e a maior das humildades, aqueles manipularam o seu código genético. Porém, aqueles “deuses” não hesitaram em destruir a sua obra sempre que aquela não fosse do seu agrado, ou da sua conveniência, como todas as velhas tradições dos povos o assinalam sem equívocos.

Assim, por consequência do contato com os “deuses” os hominídeos foram presenteados com um conhecimento que lhes daria uma grande vantagem sobre os seus diretos competidores. Na medida em que os “deuses” proibiram ao “Homem Primitivo” o incesto, dado que o acasalamento entre irmãos, pais e filhos, para além de degenerar a espécie, colocaria a extinção da espécie humana como um acontecimento quase previsível. Na verdade, o “Homem Cósmico” ao proibir a endogamia entre o “Homem Sapiens”, fez com que estes viessem a dominar os outros hominídeos existentes na Terra, uma vez que aqueles acasalavam sem conhecerem os segredos da genética e da biologia. E, ao enveredarem pelos caminhos do incesto, sem o saberem, estavam a enfraquecer a sua espécie, pois morriam de acordo com a imperiosa lei da “Seleção Natural”.

Por outro lado, para além dos conhecimentos genéticos legados, a união entre o “Homo Sapiens” e o “Homem Cósmico”, conferiu aos primeiros genes mais vantajosos para a sua adaptabilidade e conquista do seu meio envolvente. Pelo que enquanto o “Homo Sapiens” se robustecia cada vez mais, o que lhe permitia adaptar-se melhor ao seu ambiente natural, vencer as forças contrárias da natureza, e ao mesmo tempo encontrar o seu equilíbrio orgânico, os restantes hominídeos enfraqueciam a sua espécie e desapareciam da face da Terra. Razão, porque os “Homens Cósmicos” tanto insistiram para que o “Homem Sapiens” perpetuasse nos séculos as suas recomendações de hábitos e de costumes, o que veio mais tarde a influenciar os códigos, as leis e as teologias dos diversos povos da Terra.

Mas, se duvidas há acerca da união do “Homem Sapiens” com o “Homem Cósmico, basta consultarmos alguns textos sagrados, nomeadamente, o sexto capítulo, do primeiro livro da Bíblia, onde existe um versículo que nos conta como os Homens se multiplicaram e se espalharam sobre a Terra. Pois, aquele versículo revela, “que dos Homens nasceram filhas muito belas e muito formosas, e que os filhos do deus, quando as viram, ficaram fascinados com tal encanto, que as tomaram para si como mulheres”. Pois bem, quem seriam aqueles filhos de deus que a Bíblia refere? Talvez nunca venhamos a saber. Mas, para suportar todo o raciocínio formulado, basta podermos retirar daquele texto, que existe nele uma separação clara entre “os filhos do deus”, e “os filhos dos Homens”, os quais, só poderiam ser filhos de um Ser de um outro planeta, uma vez que se fossem anjos, não faria qualquer sentido a união daqueles com tais mulheres, dado que segundo a concepção Bíblica, os anjos são puros e luminosos, logo, não teriam necessidade de acasalarem com mulheres em estado de animalidade. Por outro lado, a Bíblia deixa evidente, que Adão e Eva não eram os únicos Humanos no planeta, pois já haviam outras mulheres, uma vez que Caim, seu filho, casou-se com uma delas, e teve filhos, dando assim início à miscigenação. Pois, a Bíblia também nos revela, que “saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. ”…”E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz…”. Pelo que podemos concluir, que quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a Terra, e deles nasceram filhas, os filhos dos deuses cosmonautas, vendo que as filhas dos homens eram belas e muito formosas, escolheram entre elas as que bem quiseram para mulheres. E, que dessa união, os filhos dos deuses tiveram filhos, que bem poderiam ter sido os famosos heróis dos tempos remotos e lendários.

Podemos ainda retirar do sexto capítulo, do primeiro livro da Bíblia, que os deuses cosmonautas ordenaram ao primeiro Homem e à primeira Mulher, por eles criados através da manipulação genética, uma vez que a Bíblia também nos diz, que: “o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto aquele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que havia tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e levou-a para junto do homem”, ordenando que crescessem e se multiplicassem, para que no futuro enchessem e dominassem a Terra.

Assim, através da fecundação cruzada entre a descendência daquela Eva e daquele Adão e o homem primitivo, que hoje, no sistema da taxinomia animal classificamos como “Homo Sapiens”, nasceu o animal superior que está predestinado a ser classificado como o “Homem Cósmico do Futuro”, aquele que no futuro terá a formula do divino, e que dominará todas as ciências, e todas as magias da Terra, porque ao ser o fruto daquele Adão e daquela Eva primitiva, tornar-se-á no legítimo representante da criação das divindades cósmicas, porque tal como eles, no futuro aquele será um “Homem Cósmico”, e, o decisor do universo.

Em suma, a diferença que existe entre o “Homo Sapiens” e o “Homem Cósmico”, é uma diferença que podemos classificar de transcendental, uma vez que aquela diferença é somente a espiritualidade que separa o mundo material do mundo cosmogónico. Ao mesmo tempo, podemos também considerar que a diferença entre eles, é a Sabedoria que existe entre o estado espiritual do “Homem Cósmico” e o estado animalesco e primitivo do Homem, que apesar de ambos fazerem parte do mesmo sistema celestial, a diferença entre estes dois estados será sempre ditada pela “Seleção Natural”.

Por outro lado, a “Seleção Natural” não foi a única lei responsável pela evolução do Homem, uma vez que para os “deuses cosmonautas” terem geneticamente manipulado o “Homo Sapiens”, por certo, foi necessário que aquele tivesse expressado comportamentos que demonstraram aos “deuses”, que tinham condições para poder vir a conquistar o Universo, juntamente com outros seres espirituais e divinos. No entanto, apesar do estado evolutivo ainda primitivo do Homem, podemos profetizar, que num futuro longínquo, os descendentes da primitiva Eva e do primitivo Adão, serão os futuros embaixadores dos hominídeos terrestres na sociedade interplanetária de seres inteligentes, os quais representarão toda a “Via Láctea”, e quiçá a constelação “Virgem” ou outras, numa assembleia universal, onde estarão presentes embaixadores de todas as constelações celestiais. E, quando esse futuro longínquo chegar, seremos finalmente cósmicos e eternos, tais como deuses vivos, porque nesse tempo teremos nas nossas mãos as chaves do reino dos céus e da vida eterna. E tudo isso, porque num passado longínquo os deuses cosmonautas nos permitiram comer os frutos da “árvore da vida”. E, se um dia esta visão se concretizar, a profecia contida no terceiro capítulo do Gênesis não se concretizará de todo, pois os deuses cosmonautas apenas poderão dizer: “Aqui está o homem, que pelo conhecimento do bem e do mal se tornou como um de nós”.

COMO SURGIU O "HOMO SAPIENS"?

Se analisarmos detalhadamente o mito Sumério, sobre “o nascimento do Homem”, chegamos à conclusão de que os “deuses” descritos no mito não eram nem omniscientes, nem omnipotentes, e nem sequer eram entes perfeitos. E, tanto mais que há fortes indícios de que os senhores cósmicos tiveram como motivo primordial para criarem a humanidade, apenas a obtenção de mão-de-obra barata e eficiente para os seus empreendimentos na Terra. Esta convicção toma ainda mais força, quando traduzimos das placas com a escrita cuneiforme, que os “deuses menores” tinham a seu cargo todo o trabalho da criação, e que os “deuses maiores” trabalhavam muito menos do que aqueles “deuses”, dado que literalmente o poema nos diz: que “Quando os deuses agiam como Homens, eles faziam todo o trabalho, e muito trabalhavam. Pois o trabalho era muito, e grande era o esforço, dado que os deuses do céu, os Anunaki, faziam os Igigi, os “deuses” mais jovens da Terra, carregar uma carga sete vezes maior”. Ora esta discrepância de volume de trabalho, na certa, gerou descontentamento e revolta. Pelo que se tornou urgente a substituição desta mão-de-obra descontente.

Assim, o emprego da manipulação genética nos hominídeos torna-se mais evidente. Na verdade, só poderia ter sido pelos ventos da revolta que o “deus” Marduque, filho de Enki, protetor dos Homens, se propôs a criar um ser que faria o serviço dos deuses, enquanto aqueles repousassem, como conta o mito sumério. Aliás, o mito refere claramente a manipulação genética, quando se refere que a criação de tal criatura exigia sangue. Pelo que Quingu, um “deus” que havia sido feito prisioneiro numa das muitas batalhas divinas, fora para aquele fim sacrificado. O que é ainda mais surpreendente, é que o mito também nos diz, que os deuses podiam ser purificados por imersão, e que Nintu deveria então misturar a argila com a carne e com o sangue daquele deus. Então, Homem e “deus” iriam existir juntos na argila. O mito diz-nos também que Marduque vaticinou, que o rufar dos tambores (ou seja, o pulsar do Universo) fosse ouvido para sempre, que o espírito viesse a existir a partir da carne do “deus”, e que a “deusa” proclamasse aquele ser como um símbolo vivo dela mesma. Por isso, Marduque solicitou à deusa, que aquela ensinasse o ser que derivasse daquela grande dádiva, quais tinham sido as suas origens, a fim de que aquele sacrifício não fosse esquecido.

Na verdade, esta é uma das mais impressionantes passagens da literatura Suméria. E, sem querer penetrar nas profundezas da mitologia daquela civilização, por ser muito vasta e muito complexa, gostaria, no entanto, de salientar, que a criação do “espírito/fantasma” a partir do transplante do “deus” sacrificado, para além de conceder transcendência à argila que fora moldada por Nintu, ajudante de Enki, conferiu também aos Homens e às Mulheres criadas a partir da argila, a imortalidade do seu espírito.

Portanto, segundo a mitologia da Suméria, os Homens e as Mulheres foram criados como seres físicos, a partir da argila da Terra e do sangue dos “deuses cosmonautas”, e desde a sua criação, os Homens passaram também a ser detentores de um espírito imperecível e imortal, a fim de servirem com inteligência, tanto os deuses cosmonautas, como os seus irmãos e suas irmãs da criação. Aliás, na génese Bíblica, Eva também fora criada a partir de uma costela retirada a Adão, o qual, também havia sido moldado e criado a partir da argila da Terra. Assim, também neste relato Bíblico, parece testemunhar a existência de métodos de manipulação genética para a criação da humanidade.

Para fortalecer a tese de que houve manipulação genética para a criação do Homem, refiro ainda o Épico de Gilgamesh, o qual nos relata, que este meio homem meio deus “fora levado por Ur-Shanabi até ao local da purificação e que aquela lhe estendeu um vaso com água, para que o rei de Uruk pudesse lavar os seus cabelos sujos. E que em seguida, aquele deitara fora as roupas de pele que lhe cingiam o corpo, e o mar as levou para bem longe. Então, Gilgamesh lavou o seu corpo, até o sentir limpo e puro. Depois, colocou um novo diadema sobre os seus cabelos. Vestiu um robe como sinal de orgulho até chegar a Uruk. E as suas vestes ao longo da jornada de volta, não perderam a cor e permaneceram completamente novas”. Deste mito, podemos retirar que o rei de Uruk, abandonara o traje dos hominídeos, que até então envergava, para adoptar o traje dos deuses, muito provavelmente porque já se considerava um deus, pois por eles lhe fora dada à luz.

Em suma, quase todas as mitologias das civilizações ancestrais nos contam que os deuses eram seres fisicamente semelhantes ao Homem, e que possuíam uma inteligência e uma tecnologia muito evoluída. No entanto, estas mitologias também nos contam, que o Homem era para os “deuses” um ente inferior. Fosse ele digno, ou não, da sua proteção. E, como aqueles “deuses” possuíam um poder absoluto de vida e de morte sobre os seres humanos, os povos ancestrais, que caíram sob o seu jugo e sob o seu domínio, foram para estas divindades meros escravos, e indefesas cobaias para a sua ávida curiosidade científica. Pelos relatos que as ancestrais civilizações nos deixaram, para os “deuses” o Homem também foi um animal de estimação, com a única finalidade de os divertir e de os distrair. Aliás, Homero sintetiza na sua obra literária, “A Ilíada”, o grande desprezo que as divindades tinham para com o Homem, pois aquele escreve… “os que se chamam na linguagem dos homens animais racionais e na língua dos deuses bichos de pé…”

Exatamente como se passa hoje com os Homens, onde encontramos idealistas que se revoltam contra os seus por estes causarem sofrimento aos animais, e não respeitarem os seus direitos, também na história divina existiu quem lutasse pelos direitos do Homem primitivo contra a crueldade e sofrimento causado ao Homem. Razões, porque alguns “deuses” passaram à posteridade como protetores e defensores do Homem, e outros foram por estes catalogados como demónios, apesar de no início da humanidade, terem sido adorados por estes.
– Do Nada ao Todo

“No começo era o Verbo, e o Verbo estava perto de Deus, e o Verbo era Deus. Ele Estava, no começo, perto de Deus. Tudo foi feito por Ele, e nada do que foi feito o foi sem Ele.

Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos Homens. E a luz Brilhava nas Trevas, e as Trevas não a capturaram, ”

Evangelho s segundo S. João

Este extrato dos Evangelhos segundo S. João transmite-nos o nascimento do Universo “conhecido” através de uma linguagem “teológica”, ora vejamos como o mesmo poderia ser transmitido à sombra de uma linguagem não “teológica”.

Os Cosmólogos atribuem o nascimento do Universo conhecido por um “Big Bang”, o qual fez com que Tudo surgisse a partir de um Ponto, a que estes chamam de singularidade, ou o Universo Criado; as religiões chamam de Deus; os agnósticos chamam de “Nada Absoluto”; os físicos quânticos chamam de “Nada Conceptual”. Em suma, seja qual for a designação que se opte para este Universo, o essencial a reter é que esta teoria se baseia no princípio de que o Universo teve início num Ponto, que se expandiu até tornar-se numa Esfera. Aliás, essa expansão prossegue ainda nos nossos dias. Pois, no final do ano de 1995, o telescópio espacial Hubble, colocado em órbita pela NASA, verificou que nos confins do Universo, estão presentes as vibrações do seu início, na forma de Plasma Cósmico. Por conseguinte, este conhecimento moderno indica-nos que a Ciência confirma o Ocultismo, dado que o Fim e o Início encontram-se. Transformando o Universo na Serpente que come a sua própria cauda. Contudo, para além deste aparente vasto conhecimento, a ciência atual é totalmente incapaz de responder sobre o que existe para além do Universo conhecido, o Nada, quando muito, diz-nos não ser um “Nada Absoluto”.

Todavia, se admitirmos que “a imaginação é mais importante que o conhecimento”, uma vez que esta é o gérmen deste, então atrevemo-nos a conceituar essa origem como sendo a Transcendência, a qual representa a Consciência. Não aquela que nos é definida no sentido de que “se dá conta de”, mas sim a que define o sentido de um Poder Criador de tudo quanto existe, e que sob diferentes aspectos está presente em Tudo, quer na energia, quer nas partículas, nos átomos, nas células, nos Seres estruturados, nos Planetas, nas Estrelas, e nas Galáxias, em suma, está presente em Tudo o que possamos referir como substantivo.

Na verdade, a Transcendência, ou o “Antes da Criação”, sempre existiu nela a Consciência dado que esta se integra na eternidade e, neste sentido podemos considerá-la como sendo ilimitada, embora se manifeste sempre limitadamente no mundo imanente, uma vez que tudo que existe está contido no infinito. Por conseguinte, a Consciência está contida no próprio infinito, aliás como tudo o que existe. Pois, não se pode conceber um infinito com algo a existir fora dele. E, neste princípio básico, podemos considerar este Universo como sendo um dos elementos finitos do absoluto; ou seja, podemos considerar ser este um espaço limitado “dentro” do espaço ilimitado, ou seja, através desta analogia podemos afirmar que na criação o absoluto fez transparecer o seu aspecto relativo como algo limitado. E tanto mais que a própria ciência cosmogónica o confirma, ao dar-nos como certo que aquilo que conceituamos como Universo tem um limite, no qual toda a energia e matéria estão circunscritas dentro dum espaço cujo raio (presumível) mede entre 13 e 20 bilhões de anos luz.

Assim, em face do que se expõe, podemos deduzir, que existe dois níveis cósmicos, um transcendente (o que preexiste à criação) e um Imanente, (conhecido como criação). Enquanto que o Mundo Transcendente é constituído por uma só coisa, por algo indefinível, que não sabemos do que consiste, e que apenas podemos dizer que ali existe a fonte duma consciência pura e ilimitada. No Mundo Imanente, que teve a sua origem no Ponto que se desloca em progressão para a forma de Esfera, que representamos pela Circunferência, e onde magicamente podemos traçar a reta, que a divide, polarizando deste modo as duas metades. Fazendo com que nesta polarização, surja a primeira manifestação da Substância Primordial, ou Genésica, que obedecendo a uma Lei Cíclica, se polariza em Espírito e Matéria, ou em Polo Positivo e Negativo da Manifestação.

Na verdade, sem o poder do Ponto, que trouxe a desordem para o Universo, ou o caos ordenado, a Natureza não teria conhecido a desarmonia, e, por conseguinte, nunca se teria separado das leis prescritas pelos planos Eternos.

Analisemos agora alguns aspectos destes dois “mundos”: o Transcendente e o Imanente. As Doutrinas Tradicionais dizem-nos que no início dos tempos houve o surgimento de uma Luz (tempo cronológico ou, tempo linear, uma vez que o tempo absoluto é eterno e, por conseguinte não tem início nem tem fim), ou seja, que no início deste Universo conhecido, manifestou-se algo que a ciência chama de energia primordial e que as doutrinas chamam de Luz, ou de “Deus Pai”. E, que nós reconhecemos na existência de um dos dois “mundos”, o Imanente. Sendo a transcendência o “nada quântico”, considerado também como sendo a Consciência Suprema, a Consciência Cósmica, que por transcender o ponto de origem do Mundo Imanente podemos considerar ser Una. Pois, não existem duas consciências porque na Transcendência Tudo é Um. Todavia, o Um pode nunca chegar a ser Dois. Mas, pelo Ponto pode-se transformar em Dois e, transformando-se em Dois, certamente que também se pode transformar em Três. E, onde o três é formado o quatro se manifestará (perfeição).


O BERÇO DOS TEMPOS

Fechemos os nossos olhos, e na clausura do nosso silencioso Templo Corpo, imaginemos que vivemos em um outro Universo, embora não se situe longe do nosso, está, no entanto, imensuravelmente distante deste. Imaginemos ainda, que neste universo que serve de habitat ao nosso sonho acordado, não ocupamos espaço, e a eternidade é o limite da nossa existência. Assim, vestidos com esse corpo etéreo que nos dá a eternidade e a Luz dourada, imaginemos então, que a dado momento tínhamos a oportunidade cósmica de ver o nosso Universo vazio de Estrelas, vazio de Galáxias, e vazio de Luz, uma vez que nele apenas podíamos somente distinguir, aquela negra mistura de gases primordiais, e nada mais do que aquela misteriosa energia negra. Através da nossa inteligência cósmica e infinita, nós saberíamos que aquele negrume de matéria e aquela invisível energia derivava da grande explosão, que os cientistas dão pelo nome de “Big Bang” e que os crentes pelo “sopro de Deus”, a qual, havia ocorrido somente apenas há um milhão e meio de anos atrás, e que por consequência daquela medonha explosão cósmica, sem necessitarmos de um corpo etéreo, apenas com o conhecimento dos nossos dias sobre deflagrações atómicas e teorias quânticas, saberíamos ter existido uma grande emissão de irradiação cósmica. Aliás, no nosso sonho acordado vestidos de eternidade, ainda poderíamos constatar resquícios daquela imensa irradiação, que por já ser rala, nos dava mostras de estar prestes a findar. Assim, vestidos de tempo cósmico e de espiritualidade, para além de termos assistirmos ao lento arrefecimento do nosso querido Universo, imaginemos ainda, que tínhamos assistido à sua permanência na idade das trevas durante quase meio bilhão de anos, precisamente até ao momento em que com satisfação assistimos ao berço dos tempos, até ao momento em que sucessivos turbilhões e convulsões do Plasma Cósmico, em manifesto conflito com a matéria invisível, alquimicamente fazia com que daquele difuso fluido nascesse aglomerações de matéria nebulosa, que a todo o momento se cindia por si própria, e que a todo o momento se modificava no infinito, para gerar nas regiões incomensuráveis do cosmos, diversos centros de criação de vida e de mistério. Então, teríamos sido testemunhas da construção e da criação do Universo.

Por outro lado, se tivéssemos sido as tais testemunhas privilegiadas, na certa teríamos também chegado à conclusão, que o Plasma Cósmico era o Plasma Divino, uma vez que aquele não fora mais do que o hausto de Deus. E tanto mais, que no espaço de catorze bilhões de anos, aquele Plasma Divino formou as primeiras supernovas, gerou os buracos negros e até criou as galáxias modernas. E por ser o criador desses imensuráveis Mundos Cósmicos, ele é o elemento primordial onde vibram e vivem as Constelações do Universo. É também, o princípio material do Universo donde derivam todas as coisas materiais. E como o Plasma Divino também é o fluido espiritual sensível ao poder do pensamento e da vontade dos Espíritos, por isso é também o gerador e o centro catalisador de toda a espiritualidade do Universo. Assim, podemos considerar que o Fluido Cósmico, ou o Plasma Divino, nos mais variados ângulos da Natureza, é a Força Criadora em que todos vivemos. Razão porque justamente podemos afirmar também, que em Deus nos movemos, e que em Deus existimos.

Do telescópio do Monte Paloma, já foram observados cerca de um bilhão de Galáxias. E na nossa Galáxia existem mais de cem bilhões de sóis, onde invisíveis e incontáveis mundos à sua volta orbitam, que para além de serem as muitas moradas do Eu Sou, são também os berços da Vida e a concha do Universo. Por conseguinte, pela teoria das probabilidades, é muito pouco provável estarmos sós no Universo, como também à sombra da mesma teoria, é muito pouco provável sermos os únicos seres pensantes e inteligentes deste vastíssimo habitat. Por outro lado, por consequência do milagre da Criação, o Universo é a exteriorização do Pensamento Divino, cuja essência partilhamos na nossa condição de futuras partículas de Luz conscientes da Eterna Sabedoria. E como tal, somos possuidores do mágico e hermético conhecimento, de que desde a superestrutura dos astros, até à infraestrutura subatómica da matéria, tudo está mergulhado na substância viva de Deus. E por consequência deste conhecimento metafísico e Iniciático, aceitamos sem muito questionar, que o Universo é uma esfera, cujo centro está em toda parte, e cuja circunferência não está em parte alguma. Como também aceitamos, através do mesmo princípio, que o fim mais elevado do Universo é a transição do caos ordenado à harmonia divina sob todos os seus aspectos, uma vez que se no início foi a expansão deste, o seu fim será a contração e o regresso ao ponto.

Por consequência deste nosso sonho acordado, termos sido testemunhas da criação dos mundos, sabemos que no Universo tudo é efémero. Pois, sabemos que tudo tem um princípio e tudo terá um fim. Um Mundo completamente formado, em qualquer momento, pode desaparecer e disseminar-se de novo no Espaço Cósmico, embora saibamos, que pelo princípio universal, nada se perde e tudo se transforma, por consequência do seu desaparecimento, a matéria que o compunha irá criar outros mundos e gerar outras vidas. No entanto, não deixará de ser uma perda, que deveríamos questionar qual deverá ser a sua absoluta razão de ser.

Do nosso sonho acordado podemos retirar, que Deus renova os mundos com a mesma facilidade com que renova os seres vivos. Através deste sonho alquímico podemos também retirar, que na Criação Infinita existem incontáveis Universos, com as suas incontáveis Galáxias, com os seus incontáveis sóis, e com os seus incontáveis mundos. E todos eles, giram e orbitam um centro divino. Por outro lado, sabemos também, que toda esta cósmica Criação: nasce, cresce, envelhece, contrai-se, explode e renasce, numa repetida e incessante recriação de Deus, desígnio que se prolongará até à eternidade.

Portanto, este sonho acordado serve para meditarmos quanto é a nossa pequenez e quanto é a nossa insignificância neste Universo, ao mesmo tempo, que podemos avaliar quanto a Criação de Deus é maravilhosa e bela, apesar de para nós ser para todo o sempre misteriosa, infinita e insondável.

O CONHECIMENTO ASTROFÍSICO DOS SUMÉRIOS

Há muito que me interrogo: como surgiu o Homo Sapiens à superfície da Terra? Quando era ainda Criança, pensei que encontraria a resposta na Catequese. Enganei-me! Completei a Comunhão sem ter conhecido a resposta que procurava. Porém, quando entrei na juventude madura e atrevida, verifiquei que a Igreja também não tinha uma resposta concreta uma vez que se refugiava em dogmas. Então, de costas voltadas aos dogmas e às verdades absolutas, como peregrino, procurei na literatura as teorias existencialistas, as quais, também não me responderam à questão. Pelo que procurei respostas nas profecias e nas teorias místicas. Mas, por falta de fé, aquelas também não me responderam. Refugiei-me então nos trabalhos de cunho académico e científico. E nesse refúgio, como um eremita li atentamente Charles Darwin, e… aceitei parcialmente a sua teoria da seleção natural e evolução das espécies. Parcialmente, porque não encontrei uma resposta lógica para a transição entre o Homem de Neanderthal e o Homo Sapiens. Li também Isac Newton sobre a mecânica do Universo, Einstein sobre a relatividade, e Max Planck a respeito da teoria quântica, obras que me despertaram para o maravilhoso e infinito Cosmos. Por último, li pesquisas científicas no campo da biotecnologia, e até li tecnologias revolucionárias de manipulação genética e outras monstruosidades da biotécnica, como li ainda autênticos tratados sobre a origem do Homem e da vida. Em suma, li muito sobre as prováveis origens do Homem, nas mais variadas vertentes da ciência e do conhecimento humano. Mas, com todo este saber sedimentado na minha Mente, apenas cheguei a uma conclusão, que todo aquele estudo e pesquisa, só tinha servido para fortalecer o meu universo intelectual, dado que sobre o aparecimento do Homo Sapiens na Terra, continuava a ser para mim um grande mistério. Então, resolvi procurar as respostas ausentes, nas ciências herméticas, nos registos mitológicos e, até nos reservados saberes. E, nesse campo do conhecimento, pude encontrar algumas pistas, que me levaram a ler os Livros Sagrados num outro prisma.

Assim, através da leitura da Bíblia cheguei à conclusão, que o paraíso terrestre se situou muito provavelmente no Médio Oriente, precisamente no território onde mais tarde vieram a florescer povos com maior ou menor grau de civilização. Pois a Bíblia descreve o Éden da seguinte maneira:

“Ora, o Senhor tinha plantado um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o Homem que havia criado. O Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores, de aspecto agradável, e de frutos bons para comer; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal. Um rio saía do Éden para regar o jardim, e dividia-se em seguida em quatro braços. O nome do primeiro é Fison, e é aquele que contorna toda a região de Evilat, onde se encontra o ouro (O ouro dessa região é puro; encontram-se ali também o obdélio e a pedra ónix). O nome do segundo rio é Geon, e é aquele que contorna toda a região de Cusch. O nome do terceiro rio é Tigre, que corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates. ”

Ora bem, a descrição Bíblica conduz-nos ao território onde se estabeleceu a primeira civilização humana, a Suméria. Reino que veio a ser grandioso em feitos e em descobertas científicas. Por outro lado, desde a formação desta civilização (7000 a.C.), e até à formação do primeiro Império Babilónico (em 2003 a.C.), uma série de outros povos vieram também a ocupar aquela faixa entre os rios Tigre e Eufrates, os quais, contribuíram para a composição do que hoje conhecemos como história da Mesopotâmia. Por sua vez, naquele território foram deixados sedimentos históricos que nos dão conta, ser também a raiz de outras épicas civilizações, tais como: a Egípcia, a Fenícia e a Hebraica. E, até mesmo a civilização Goda, uma vez que em conformidade com a sua mitologia, aquela civilização teve como berço cultural aquele Ocidente mítico.

Então, para poder encontrar as respostas que tardavam, comecei por estudar a história daquelas ancestrais civilizações, e acabei por mergulhar na sua fantástica mitologia. E em boa hora segui este caminho de mistério e de aventura, uma vez que ao contatar com a mitologia sumeriana, para além de ter ficado fascinado com a profundidade e com a riqueza das suas lendas, fiquei também a conhecer quanto aquele povo estava avançada para o seu tempo. E tanto mais, que com a descoberta de uma biblioteca sumeriana, na cidade de Nipur, localizada a 150 km ao sul de Bagdá, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições cuneiformes, veio a contribuir decisivamente para o desvendar de muitos segredos e muitos mistérios daquela antiga civilização.

Assim, pela Arqueologia, descobrimos que a astronomia sumeriana estava muito avançada, dado que os seus observatórios obtinham cálculos do ciclo lunar que apenas diferiam 0,4 segundos dos cálculos atuais. Como também, pelas escavações na colina de Kuyundjick, antiga Nínive, onde foi descoberto um cálculo, cujo resultado final, em nossa numeração, corresponde a 195.955.200.000.000 que nos dá conta do seu grande conhecimento matemático. Um número de quinze casas! … Espantoso para a época! E mais fantástico e espantoso ainda se torna, quando o comparamos com os cálculos dos sábios gregos, os quais, mesmo no auge do seu saber, nunca ultrapassaram o número 10.000, uma vez que para eles, o resultado a partir deste número, estava no domínio do “infinito”.

Na verdade, o mais fantástico da civilização sumeriana, é o facto dos Sumérios terem informações muito precisas sobre os planetas do sistema solar, até ao ponto de conhecerem neste, a existência do planeta Plutão, planeta que na nossa civilização, somente seria descoberto em 1930. Por outro lado, para além dos Sumérios conhecerem a existência deste Planeta, ainda conheciam o seu volume, a sua composição química e orgânica. Aliás, afirmavam até que aquele planeta antes de se ter libertado e de ter ganho uma órbita própria, tinha sido um satélite de Saturno. Este conhecimento astrofísico é tão espantoso, que nos interrogamos, como foi possível há 3.000 anos atrás, obterem este nível de saber?

Por outro lado, através da tradução das placas de barro que faziam parte da biblioteca descoberta na cidade de Nipur, ficamos também a saber, que parte da vida na Terra tivera origem extraterrestre, uma vez que os Sumérios acreditavam que os seus “deuses” tinham vindo do décimo segundo planeta do sistema solar, planeta que segundo a sua informação, tem uma órbita solar de 3600 anos. Aliás, através daquela biblioteca sabemos ainda: que o nome daquele planeta seria “Nibiru”, e era o planeta onde inicialmente residiram os seus “deuses”. Mas, após 35 milhões de anos de existência, aquele planeta acabou por ficar ameaçado de extinção, e como a Terra era o único Planeta com condições favoráveis para sua sobrevivência, aqueles “deuses” tomaram a decisão de a colonizar. Uma decisão óbvia! Porque se hoje soubéssemos que a Terra estava ameaçada de extinção, de certo que procuraríamos também colonizar um Planeta que fosse favorável à vida humana. No entanto, o que é mais surpreendente e mais espantoso na sua literatura, é um dos seus mitos intitulado “a criação do homem”, dado que nos relata que os “Anunaki” vieram das estrelas, ocuparam a Terra, e introduziram as culturas, a tecelagem e o gado, mas como não tinham quem trabalhasse a terra, guardasse o gado e manufaturasse as artes, criaram os Homens para fazerem todo o trabalho, que de outro modo, teria de ser feito pelas próprias divindades cósmicas. Este relato parece-me absolutamente lógico e muito possível de ter acontecido, pois corresponde a algo de muito semelhante ao que os europeus fizeram quando descobriram o continente Americano. Como não conheciam a manipulação genética, e foram incapazes de transformar os índios em trabalhadores suficientemente produtivos e obedientes, não hesitaram em importar escravos da África negra.

Por outro lado, tendo vindo aqueles “deuses” das distantes estrelas, logo, teriam que possuir um imensurável conhecimento científico e tecnológico, muito para além do que atualmente a humanidade dispõe. Por isso, não estranho o facto de estarem aqueles deuses cosmonautas na posse de profundos conhecimentos científicos relacionados com a engenharia biotécnica. Assim, por dominarem esta ciência, os “deuses” manipularam com sucesso o código genético dos hominídeas.

Podemos concluir, que foi através da manipulação genética, que os deuses cosmonautas criaram o Homem Moderno. Mais ou menos à sua imagem, como o proclamam e certificam todas as velhas Escrituras.

Aos sépticos do Homem ter sido criado pelos “deuses” cosmonautas, pergunta-se! Como se justifica que os antropóides e hominídeos tivessem trepado às árvores durante milhões de anos, sem aprenderem nada, para de um momento para o outro darem um tremendo salto qualitativo e passarem a construírem cidades.


O CORPO COMO FENÔMENO DE BELEZA E PERFEIÇÃO

O nosso corpo, apesar de ser um fenómeno de beleza e de maravilhosa perfeição, pela cultura ancestral que adquirimos passámos a desprezá-lo. Pois, na verdade, desde crianças que nos ensinaram a criticá-lo, a julgá-lo, e a rejeitá-lo. Por outro lado, quando tivemos essa hilariante idade, os adultos que nos rodearam, não aceitaram nem a nossa alegria, nem tão pouco aceitaram a nossa espontaneidade, pelo que nos distanciámos cada vez mais de nós mesmos. E deste modo, lentamente, acabámos por deixar o nosso verdadeiro modo de ser. Na verdade, tudo o que fora pelos adultos condenado, criticado e rejeitado, a pouco e pouco tornou-se escondido de nós próprios. E, hoje, já não conseguimos ver realmente o que está dentro de nós.

Por outro lado, as religiões monoteístas disseram-nos que se pretendêssemos ser espirituais, tínhamos de nos tornar adeptos do anticorpo. Disseram-nos também, que se quiséssemos alcançar o outro plano da vida, teríamos de renunciar a este.

Em suma, todo o esforço de um todo para nos educarem, foi no sentido de tornar o nosso corpo, desprezível e odiado por nós tanto quanto possível. Quando na realidade, o nosso corpo é um fenómeno de beleza e um centro cósmico por excelência. Por isso, para nós ele terá que ser sempre belo e magnífico, dado que ele é a nossa circunferência, e se o rejeitarmos, ou se o negarmos, como poderemos encontrar o seu centro?

Porque o nosso corpo é único, como construção do nosso Templo corpo, devemos estar sempre investidos e imbuídos de uma atitude absolutamente afirmativa e positiva. E para isso, não devemos negar nada, como também não devemos ignorar a existência duma dualidade sempre presente na sua construção. Assim, para nós Templários, não poderá haver bem, ou mal, como não poderá haver certo, ou errado, feio ou bonito, superior ou inferior, uma vez que no traçado arquitetônico do nosso Templo corpo não poderão jamais constar ideias marginalizantes, ou preconceituosas. Por isso, antes de nos rejeitarmos, teremos antes que nos aceitar tal como nós somos, o que quer que nós sejamos.

Na verdade, o nosso estado de mente pueril, esteve sempre programado para viver em função da vontade e do interesse dos outros, os quais, sempre tiveram um grande poder sobre o nosso bem-estar e sobre a nossa própria felicidade. Na realidade, fomos ensinados a receber aprovação, atenção, amor e respeito dos outros. E passámos a viver ávidos por receber atenções, e até mendigamos afetos e carinhos, comendas e condecorações. Chegamos mesmo a utilizar diferentes estratégias, somente para nos adaptarmos aos outros e por eles sermos aceites. Não são raras as vezes que fazemos concessões do nosso próprio Eu, e acabamos pôr o penhorar em insignificâncias e em futilidades. Até deixamos de ser sinceros, espontâneos e naturais. Mas, apesar do alto preço que pagamos pela atenção dos outros, mais cedo, ou mais tarde, acabamos por não preencher o nosso sonho. Então, passamos a sentirmo-nos vítimas, e como tal, passamos a culpar os outros dos nossos erros, dos nossos azares e das nossas frustrações. E não são raras as vezes que mudamos de campo, e passamos nós a querer modificar os outros. O que nos conduz à frustração e a mergulharmos num teimoso azedume para com todos os que estão próximos de nós, e mantemos uma permanente cólera para com os fantasmas que nos rodeiam.

Em suma, se este espectro atinge o nosso espírito, então como terapia, não nos devemos esquecer que o amor é alquímico, e como tal, se amarmos a nossa parte feia, aquela acabará por ser absorvida por nós, e por nós será transformada em beleza e em perfeição. Por outro lado, não nos devemos esquecer que é através da tolerância que todos os atos e todas as coisas que são chamadas de pecado, simplesmente desaparecerão da nossa mente. Não existem! Por isso, amemos o nosso corpo, pois esta ação será o principal alicerce na construção do nosso Templo corpo.

O UNIVERSO E SUA RELAÇÃO ESOTÉRICA

Citando Hermes o Trimegisto (2.700 a. C):

“Sob as aparências de Universo, de Tempo, de Espaço e de Mobilidade está sempre encoberta a Realidade Substancial – a Verdade Fundamental. ”

Em face desta citação, ficamos com a suspeita de que há mais coisas no Céu e na Terra do que aquelas que conhecemos, ou que podemos algum dia vir a sonhar que existem. E tanto mais, que a visão que a ciência nos transmite sobre a posição insignificante da Terra face a um universo virtualmente infinito, alimenta-nos pensamentos sobre qual é o nosso lugar nesse vasto universo, em que a Terra não passa dum pequeníssimo grão de areia.

Na verdade, esta é uma das mais difíceis lições que o Homem tem que aprender. No Universo não há acontecimentos bons ou maus, cruéis ou simpáticos, mas simplesmente, há acontecimentos insensíveis e indiferentes a todo o sofrimento humano porque se trata do Caos Ordenado. Na posse deste conhecimento, o Homem sabe que está só na imensidão do Universo de onde emergiu, pelo que somente através da sua sabedoria e da força do seu querer, poderá um dia vir a ser cósmico e eterno, como deuses vivos, porque num futuro longínquo terá nas suas mãos as chaves da criação e da vida eterna, dado que a “Humanidade está destinada a atingir a sua perfeição”. Aliás, é este o seu Objetivo Preciso. Pois, a evolução humana tem um sentido muito concreto e muito definido, apesar de aparentemente parecer caótica e por vez regressiva. Contudo, esta evolução levar-nos-á inexoravelmente para a concretização dos nossos valores ideais, ou seja, conduzir-nos-á para o Amor ao Próximo, para a Fraternidade entre todos os Homens, para a Harmonia e Paz Universal e para a Igualdade entre todos os Homens. Contudo, mesmo que um dia o Homem venha a descobrir a fórmula do Princípio Criador, ou seja a fórmula para alcançar o divino, essa fórmula nunca substituirá a sensação sentida por um devoto em êxtase. De facto, apenas um contato íntimo com o divino permite aceder de maneira sensitiva à Verdade absoluta, sendo todas as outras verdades relativas e secundárias.

Todavia nesta projeção, colocasse-nos uma questão pertinente, será que algum dia o Homem descobrirá a fórmula que o conduzirá ao divino? E na posse deste conhecimento transformar-se-á ele num deus em potência e em ação? Ou pelo contrário! Não haverá uma força divina a reger todo o universo, inclusive a mente Humana? Vejamos: através da sabedoria o Homem sabe que a substância é aquilo que subsiste por si, e que a essência, é a natureza das coisas. Desta análise o Homem retira que o substancial é aquilo que existe e que é real. Pelo que a realidade é o estado verdadeiro, permanente, duradouro e atual de um Ente. Sendo assim, e de acordo com o princípio fundamental do Mentalismo, todo o Universo é Mental. Na verdade, aquele que compreender a Verdade existente na Natureza Mental do Universo estará avançado no Caminho para a construção do seu próprio Templo, uma vez que quando o Homem souber dominar a sua própria Mente e, a colocar em sintonia com a Mente Universal, terá o domínio da Verdade absoluta e deste modo será um deus em potência e em ação, uma vez que saberá proteger-se dos seus maus pensamentos.

Todavia, se aceitarmos a ideia de que Deus é infinito, ou seja, que não tem princípio nem fim, que é Omnipresente e Eterno, algumas questões se nos colocam, como sejam: Como criou Deus o Universo? De onde extraiu Ele o material necessário para fazer tudo o que fez? Se Deus extraiu o material de algum lugar, então, Ele não seria nem Infinito nem Omnipresente. Pelo que a única resposta aceitável é que tudo o que Ele criou, criou-o na Sua própria Mente. Ou seja, tudo o que existiu, existe e existirá está incluído em essa grande Mente Universal. Pelo que podemos concluir que o Todo é Espírito e como tal: é incognoscível e indefinível em si mesmo, considerado como uma Mente Vivente Infinita e Universal, sujeita às Leis da Criação (nascimento, amadurecimento e morte), em cuja Mente vivemos e temos a nossa existência. E dado que o homem foi feito à imagem e semelhança do seu Criador, este pode criar utilizando materiais do mundo concreto. Mas, qualquer que seja a sua criação, sempre começará na sua própria Mente. Por esta razão, para alguns a Vida é uma grande oportunidade para crescer e dela desfrutar; para outros, a Vida não passa dum grande sacrifício. A grande diferença entre eles está somente na sua própria mente e na maneira como percebem o mundo onde interagem. Assim, o nosso Universo Pessoal depende somente do nosso Pensamento. Por isso a primeira tarefa daquele que procura a perfeição será aprender a controlar os seus pensamentos.

“O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”. Este é o Princípio da Correspondência, que aplicado ao Universo diz-nos que tudo se corresponde entre si, ou seja, o Microcosmo assim como o Macrocosmo, seguem o seu destino. Pois, se pensarmos que o nosso corpo é apenas um reflexo das manifestações do Universo, como prova a existência dos átomos, tanto no Micro como no Macrocosmos veremos quanta verdade existe neste axioma. Aliás, quando o Homem bebe uma gota de água, sabe que está a beber o próprio universo, pois a molécula da água, o H2O, reúne no seu seio o hidrogénio, que não é mais do que um vestígio da explosão inicial, o “Big Bang” dos cientistas, e o oxigénio, que foi produzido na fornalha das estrelas e por estas foi exalado. Sabemos que as estrelas são as mães dos átomos com que somos construídos, esses átomos que constituem as espécies mortais e pensantes que admiram o Sol como um deus criador. Este princípio contém a Verdade, ao estabelecer que existe uma correspondência entre as leis e os fenómenos dos diversos planos da Existência e da Vida. Aliás, este Princípio é de aplicação e manifestação Universal nos diversos planos do Universo material. Pois, o Princípio da Correspondência habilita o Homem a raciocinar inteligentemente do Conhecido ao Desconhecido.

Assim, podemos concluir que a Vida e a vontade Divina são o centro de todo o Universo, que o controla e o superintende em toda a sua grandeza e magnificência, tal como o Sol é o centro e a fonte de vida de todo o nosso Sistema Solar, do mesmo modo, também o Universo controla e alimenta de vida os planetas que o rodeiam. E tal como no Universo, também na vida humana existe um princípio vital e imortal que controla a sua existência, o qual é um ponto dentro do círculo da sua própria natureza. Porém, vivendo como o Homem vive neste mundo físico, este círculo está limitado por duas grandes linhas paralelas, que representam Moisés e o Rei Salomão, ou seja, o espírito do Homem é controlado pela Lei e pela Sabedoria.

Apesar da sabedoria que o Homem possa ter, não deixa de pensar quanto é a sua infinita ignorância acerca do Universo, como ao mesmo tempo sente-se engolido pela eternidade do antes e do depois, pelo que se espanta de estar neste plano e não noutro; ao mesmo tempo que se interroga porque está presente neste plano agora em vez de antes? Quem o pôs neste plano? Por ordem de quem e em que direção lhe foi este lugar e tempo atribuído? Portanto a sua grande questão princípio fundamental do Mentalismo qual é a sua missão neste Plano?