sábado, 23 de fevereiro de 2013

A PALAVRA E O SÍMBOLO



A PALAVRA E O SÍMBOLO

O homem, no início de sua caminhada, tinha dificuldades e limitação para se comunicar e se expressar até mesmo por conta de sua reduzida capacidade cerebral.

Levando-se em conta a Teoria Evolucionista e voltando ao passado remoto encontraremos o homem primitivo semelhante a um símio, emitindo grunhidos e com um vocabulário – se considerarmos grunhidos, como fala – muito pequeno, muito restrito, necessário apenas para sua sobrevivência.

Na medida em que foi evoluindo, formando as idéias e o entrelaçamento entre elas, começou a memorizar coisas, a distinguir sentimentos, a observar o tempo e a definir o espaço.

Nesses primeiros momentos o registro daquelas expressões era feito através de desenhos contendo imagens de pessoas ou animais, armas e instrumentos, conforme podemos ver nas pinturas rupestres. 

Escrita rupestre (pintura)

O homem aprendeu com os acontecimentos, os lugares, o clima, por onde passou e sua memória começou a captar e a registrar situações, a idealizar. Muitas delas se tornaram rotineiras e foram recebendo identificações ou nomes, formando ideogramas.

A palavra passou a representar alguma coisa e tornou-se símbolo tanto pelo som quanto pela escrita, mesmo sendo  primitiva, mesmo sem ter ainda se tornado um alfabeto.

Quando as famílias foram crescendo, formando tribos, clãs, cidades e estados, a necessidade de se comunicar foi aumentando proporcionalmente e, então, a palavra começou a fazer parte de um idioma.

O homem deixou de ser nômade, tornou-se sedentário e passou ao cultivo das terras e a criação dos animais que faziam parte de sua cadeia alimentar. 

Os primeiros registros dessa situação surgem na região da Mesopotâmia, entre os rios Tigres e Eufrates. Ali aparece a civilização sumeriana, que nos deixou como legado as primeiras escritas, vieram também os babilônios e outros povos. A partir de então a humanidade começou a registrar com mais fidelidade os fatos históricos.

Pouco mais adiante encontramos a escrita egípcia e seus hieróglifos e assim por diante.

É bom ressaltar que o conhecimento dessas escritas – que começam a ter forma de alfabeto – era de uns poucos e aqui estamos nos referindo a “palavra escrita”.

Para que tenhamos uma idéia, na Idade Média tínhamos aproximadamente 95% de analfabetos. Imagine isso na Antiguidade.


Ocorre que a palavra nua, pronunciada de um para o outro, era uma herança forte e a tradição do conhecimento era repassada de pessoa a pessoa, de família a família, de povo para povo, mas encerrava também seus segredos e seus mistérios. Daí se falar muito na Arte da Memória.


Entre os judeus, as palavras se aliaram aos números e a Cabala resume todo esse conhecimento.

Entre os Hindus palavras se tornaram Mantras, emitindo em uma constância e tonalidade o seu som. Dizia-se e ainda se diz, com base nos relatos do passado, que há uma “palavra desaparecida” ou uma “letra” faltante na entoação dos Mantras e que se descoberta dará a pessoa o domínio do mundo.

Entre os Obreiros da Arte Real se fala na “Palavra Perdida”, na “Palavra Sagrada”, etc.

Inigo Jones, arquiteto inglês, dizia que tudo o que existia no mundo e fora criado pelo homem, vinha da mente, ou seja, do pensamento, de algo imaterial e que na concepção da idéia se transformava em realidade, ou seja, tudo que existe é criação nossa, mas aquilo que já existia e faz parte da natureza é criação da mente de alguém a que chamamos de Deus ou Grande Arquiteto do Universo.

Analisando resumidamente o texto que estamos escrevendo, podemos notar que as palavras são a expressão de ideias, num primeiro momento, ou seja, a expressão daquilo que está sendo criado, mas é também o plasmar dessa criação, ou um processo de incalculável poder. Talvez, por isso, tenhamos o seguinte ditado popular: “a boca fala o que o coração sente”.

Além de ser uma forma de comunicação, a palavra é também forma de expressão, de criação e de destruição. Com uma palavra se faz a guerra e com uma palavra se faz a paz.

A palavra expressa sentimento, transforma um ambiente, e pode fazer o bem ou o mal. Pode, inclusive, materializar esses sentimentos.

A palavra é, na realidade, a mãe de todos os Símbolos até por que pode conter todos eles.

As palavras ditas produzem vibrações e conduzem sentimentos decorrentes de uma ideia. Assim, a palavra “amor” transmite uma sensação boa, uma vibração positiva, enquanto que a palavra “ódio” significa o contrário e assim por diante.

Muitas vezes falamos na formação de uma Egrégora como se ela contivesse apenas bons sentimentos, mas não é assim. Ela contém sentimentos, energias, vibrações, que podem ser boas ou ruins.


Exemplificação de uma Egrégora

Há uma outra expressão popular que diz que são três as coisas que não voltam atrás: “a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

Na história da Maçonaria a “palavra” carrega toda a força das antigas tradições nos seus aspectos místicos, esotéricos e filosóficos e tem uma importância de imensa relevância em nossa ritualística.

Por tudo isso, podemos notar que a palavra é um bem precioso e que deve ser usada sempre no sentido de se construir um mundo melhor, de transformar o homem velho, no homem novo, de nos conduzir em nossa jornada espiritual.

A palavra pode ser uma chama que alimenta nossa alma, mas pode ser também o fogo que destrói. Pode ser motivo de união e de afeto, mas pode, também, ser a razão de guerras e de ódios. Ela pode ser o frio que faz bem, mas também o frio que mata. É preciso ter sabedoria para se usar as palavras. O seu domínio é a essência de um sábio.

A filosofia maçônica nos induz a fazer o bem, a sermos homens justos e de bons costumes, a vencermos os vícios e a construirmos um mundo melhor e, sendo assim, devemos primar pelo bom uso das palavras e pelo cuidado na geração das idéias.

A palavra entre nós, Obreiros da Arte Real, deve simbolizar sempre Sabedoria, Força e Beleza.

Finalizando, a você que terminou de ler esse texto, gostaria de lhe dirigir algumas boas palavras: “Que o Grande Arquiteto do Universo o abençoe, ilumine e cubra de bênçãos”!

Que assim seja!


Ir. José Roberto Cardoso
ARLS Estrela D´Alva nº 16

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Em quem devemos nos inspirar? Aristóteles e a ética.



IIr.´. EM QUEM DEVEMOS NOS INSPIRAR?

Certamente que onde estivermos seremos o retrato do meio em que vivemos, até mesmo na Maçonaria, uma Ordem que se fundamenta nos princípios da Moral e da Razão e que vem sendo vilipendiada por profanos de avental que comungam das idéias dos políticos atuais e até fazem parte delas. Onde está nossa tradição,  nossa inspiração,  nosso dever?

Há muitos anos, um velho amigo me dizia: "a humanidade é podre e canalha"! Se voltarmos no tempo veremos que pouco mudou ou quase nada. As mesmas falcatruas e barbaridades do Senado romano estão ainda hoje presentes. A mesma proposição do Imperador Vespasiano, se referindo a pão e circo estão presentes...

Dá um desânimo danado...

Dá vontade de desistir de tudo, até por que nada mudou e nada vai mudar. Mas ainda assim, posso dizer que não sou como eles, não concordo com eles e vou continuar lutando.

Nós, Obreiros da Arte Real, devemos estar atentos e fazer o nosso papel, construindo um mundo melhor e honrando a letra do nosso Hino! Maçons alerta, tende firmeza!!!

Ir.´. José Roberto Cardoso - Loja Estrela D´Alva 16 - Oriente de Ceilândia - DF (GLMDF)

Como ponto de reflexão transcrevo o texto a seguir:


ARISTÓTELES - ÉTICA A NICÔMANO

Não há, nem poderia haver, a pretensão de publicar neste espaço um resumo que fosse de 'Ética a Nicômaco'. Aqui só pretendemos lembrar que esse tratado mais do que nunca precisa ser lido em nosso país. Ética e Política são inseparáveis em toda a obra de Aristóteles.

O filósofo não negligencia nem a Política, nem a Moral ao desenvolver sua concepção do que deve ser a vida dos cidadãos e se pronuncia sempre em direção à busca da Virtude, que deve ser a essência da Cidade. (Que, é bom recordar, tem na época o sentido de Cidade-Estado).

*A virtude ética é adquirida pelo hábito; não nascemos com ela, mas nossa natureza é capaz de adquiri-la e aperfeiçoá-la. A virtude tem dois aspectos, o intelectual e o moral; a virtude intelectual (sabedoria) provém em sua maior parte da instrução, que lhe é necessária para se manifestar e se desenvolver. Também exige prática e tempo, enquanto a virtude moral (prudência) é filha dos bons hábitos.

*Não nascemos com nenhuma virtude moral; na verdade, nada modifica uma condição que nos é dada pela natureza; por exemplo, a pedra tem um peso que é seu: nada muda essa situação, nem que ela seja jogada ao ar mil vezes ela perderá seu peso; o fogo não saberia descer, só sabe subir; e assim sucessivamente com todos os corpos que não podem modificar suas características originais. Ao nascer, não temos nem virtudes, nem vícios.

*Não é pois por um dom da natureza que uma virtude nasce em nós; somos sim naturalmente predispostos a adquiri-la e vivenciá-la, desde que a aperfeiçoemos pelo costume, assim como acontece com as artes e os ofícios.

*Aquilo que deve ser estudado, aprendemos pela prática: é construindo que nos tornamos arquitetos; é tocando a cítara que nos tornamos citaristas.

*O mesmo acontece com as virtudes. De tanto enfrentar situações perigosas e de nos habituar ao medo ou à audácia, passamos a ser pusilânimes ou corajosos.

*A virtude ética está relacionada com sentimentos e ações. No entanto, agir virtuosamente e ser virtuoso são coisas diferentes. Ser virtuoso requer três coisas: a) que a pessoa saiba o que está fazendo; b) que tenha a intenção de fazer o que está fazendo; c) que tenha essa intenção por saber que é o mais correto e por nenhum outro motivo; d) e que aja com firmeza e determinação.

*Sendo assim, o modo como somos educados desde a infância não tem pouca importância. Que digo? Tem importância extrema, na verdade é essencial. Por isso é importante exercer nossas atividades de modo virtuoso, determinadamente, pois as diferenças de conduta podem criar hábitos diferentes em quem nos cerca.

*Vejamos o que acontece nas cidades: os legisladores, ao bem habituá-los, formam cidadãos virtuosos. E essa deve ser a intenção de todo legislador. Todos aqueles que não se comportam assim, deixam de cumprir seu papel, pois é só por aí que uma Cidade difere da outra, uma boa Cidade de uma cidade má.

Aristóteles nasceu em 384 a.C, em Stagira, na margem norte do Mar Egeu. Seu pai, médico do rei da Macedônia, se chamava Nicômaco, nome que ele depois deu a seu filho. Foi preceptor de Alexandre, o Grande. Quando Alexandre já não precisa mais dele, ele volta para Atenas onde funda o Liceu. É a um seu aluno que devemos a herança de ler o que ele escreveu. Faleceu em Atenas, em 322 a.C.

Excertos traduzidos livremente de diversas traduções do original grego.

Extraído do Blog do NOBLAT.

A COLUNA DA HARMONIA




Coluna da Harmonia


Esta é a única Coluna de uma Loja Maçônica constituída por um só Irmão, o Mestre de Harmonia. No passado, a Coluna da Harmonia era composta pelo conjunto dos Irmãos músicos que contribuíam para o brilhantismo dos rituais e dos festejos maçônicos. Com o avanço tecnológico, os músicos foram substituídos pelos aparelhos eletrônicos, operados pelo Mestre de Harmonia.

Em seu sentido mais amplo, a Harmonia é a ciência da combinação dos sons, formando os acordes musicais. A palavra grega MOUSIKE significa não apenas música, mas também todas as formas de expressão que tenham por finalidade a criação da Beleza.

Pitágoras usava a música para fortalecer a união entre os seus discípulos, por entender que a música instruía e purificava a sua mente. Em sua Escola, a música era entendida como disciplina m oral por atuar como freio aos ímpetos agressivos dos ser humanos.

O aprendizado empírico, revelado através dos sentidos, pode ser conseguido não só pela contemplação das belas formas e da beleza das figuras que nos rodeiam, mas também pela audição de ritmos e de melodias que acalmam os ímpetos e as paixões. Deste modo, angústia, anseios frustrados, agressões verbais, stress mental, podem ser eliminados pela audição de músicas suaves e agradáveis.

Em uma reunião maçônica deve-se tocar a música que melhor traduza os sentimentos dos Irmãos em cada momento do ritual.

Muitos compositores, nossos Irmãos, produziram belas músicas que merecem - e devem - ser ouvidas em nossos Templos. Entre essa plêiade, podemos citar: Mozart, Beethoven, Haendel, Sibelius, Franz Lizt, John Philipp Souza (de ascendência portuguesa), Luigi Cherubini, Antonio Salieri, C arlos Gomes (brasileiro), etc.

As primeiras composições maçônicas datam de 1723 e foram publicadas junto com a primeira Constituição de Grande Loja de Londres; São elas:

A Canção dos Aprendizes - Matthew Birkhead
A Canção dos Companheiros - Charles Delafaye
A Canção do Vigilante - James Anderson
A Canção do Mestre - James Anderson 

Esta última, publicada em 1738 juntamente com a segunda edição das Constituições de Anderson.
No Brasil, foram compostas as seguintes obras:

Hino do REAA - M.A . Silveira Neto e Jeronimo Pires Missel
Hino Maçons Avante - Jorge Buarque Lira e Mário Vicente Lima
Hino Maçônico - D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal)
Canto Ritualístico Maçônico - Francisco Sabetta e José Bento Abatayguara
Hino Maçonico para Abertura e Fechamento dos Trabalhos - Otaviano Bastos
A Acácia Amarela - Luiz Gonzaga (o rei do baião)

Além destas, existem também composições maçônicas para os Rituais de Iniciação, de Elevação e de Exaltação, de Reconhecimento Conjugal e de Pompas Fúnebres.

Tendo em vista o caráter universalista da nossa Ordem, o Mestre de Harmonia não deve programar a execução de música religiosa de nenhum tipo. Deste modo será evitado o constrangimento que um Irmão não católico poderá sentir ao ouvir, por exemplo, a Avé Maria de Gounod. Solos de música cantada também devem ser evitados. A música coral, como por exemplo o Hino Maçônico de D. Pedro I ou a Ode à Alegria, de Beethoven, poderá ser programada sem problemas, mas, na maioria das vezes, a música mais indicada é sempre a instrumental.

O Mestre de Harmonia previamente preparará o programa a ser executado, de acordo com o tipo de reunião e de acor do com o Ritual. Em uma Iniciação, no Rito Escocês Antigo e Aceito, podem ser destacados os seguintes momentos especiais, para os quais será programada uma música específica, que listamos a título de exemplo:

Entrada dos Candidatos - “A Criação” de Haydn - trechos que descrevem a passagem do Mundo do Caos para a Ordem e das Trevas para a Luz (Ordo ab Chao)

Oração ao GADU - “Cravo Bem Temperado” - Bach - Melodia que convida à concentração e à meditação

Taça Sagrada - “A Criação” - Trechos da abertura do Oratório que simbolizam a purificação e a ilusão profana

A Primeira Viagem - “Tempestade e Chuva” - Efeitos sonoros com ruídos de chuva, ventania e trovões. Coleção Action! Câmera! Music! Gravação do Reader’s Digest – Distribuição da Borges & Damasceno

A Segunda Viagem - “A Vitória de Wellington” - Beethoven - Adequada para acompanhar o toque “descompassado das espadas”.

Purificação Pela Água - “Música Aquática” - Haendel - música cujos efeitos sonoros acentuam o significado do evento

Terceira Viagem - “Romance Para Violino nº 2” - Beethoven - Melodia que transmite a suavidade emocional do evento.

Purificação pelo Fogo - “As Walquírias - Wagner - Cena do Fogo Mágico que reforça o sentido dramático do ritual.

Tronco de Beneficência - “Pannis Angelicus” - Cesar Frank - marca o profundo significado da solidariedade.

Juramento - “Prelúdio nº 1 em dó maior do Cravo Bem Temperado” - Bach - adequada para a meditação e que marca a solenidade do momento ritual.

LUZ - “Assim Falou Zaratustra” - Strauss - Parte inicial do poema sinfônico que descreve o nascer do sol e o sentimento do poder de Deus sobre o homem. Aumenta o deslumbramento do momento culminante da Iniciação

Abraço do Venerável - “Marcha Festiva” - Grieg - ( Suite Sigurd Jorsalfar - Opus 56 ).

Entrada dos Neófitos - “Glória aos Iniciados” (Coro final da Ópera a Flauta Mágica, de Mozart) - Coro de Graças a Ísis e Osíris, e de congratulações aos Iniciados, que pela sua coragem conquistaram o direito à Beleza e à Sabedoria

Proclamações - “Ode à Alegria” - Beethoven - Excerto Orquestral da Nona Sinfonia - deve ser tocada após cada uma das Proclamações. É um hino que traduz a alegria dos Irmãos ao receber os recém Iniciados. 

Uma Sessão Econômica, por exemplo, não pode prescindir de dois ou três bons programas para a Harmonia, previamente programados. Isto permitirá variar as músicas executadas, evitando a monotonia da repetição.

A escolha de uma música para uma reunião maçônica exige do Mestre de Harmonia um mínimo de cultura musical, além da necessária sensibilidade para interpretar o significado de cada passagem do Ritual. Repetimos, a música deve estar em perfeita sintonia com cada momento da ritualística, induzindo nos Irmãos presentes a purificação de suas mentes, deixando-os tranqüilos e predispostos à emissão de sentimentos de amor e de fraternidade.

A música promove a exaltação das faculdades intelectuais e espirituais do ser humano. Ela atinge e aperfeiçoa a sensibilidade dos Irmãos, permitindo que eles vibr em em sintonia com os acordes da Harmonia Universal cujas leis tudo governam, e pelas quais a Maçonaria busca o aprimoramento moral e espiritual da Humanidade.

Ir.´. Antonio Rocha Fadista

CIRCULAÇÃO COM A BOLSA DE PROPOSTAS E INFORMAÇÕES OU COM A BOLSA DE SOLIDARIEDADE


CIRCULAÇÃO COM A BOLSA DE PROPOSTAS E INFORMAÇÕES OU COM A BOLSA DE SOLIDARIEDADE

Segundo JOSÉ CASTELANI em seu livro “Curso Básico de Liturgia e Ritualística – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. – Pag. 39, 40 e 4, a Circulação do Tronco de Solidariedade (ou de Beneficênia) e da Bolsa (ou Sacola, ou Saco) de Propostas e Informações (nos ritos que a possuem, como Escocês, Adoniramita, Moderno e Brasileiro, já que nos Ritos de York e Schroeder ela é inexistente), quando feito com as devidas formalidades ritualísticas, deve levar em consideração a hierárquia dos cargos em Loja e os Graus simbólicos. A circulação mais simples é a que começa no Venerável, passa por todos os que se encontram no Oriente, depois pelo Sul e, finalmente, pelo Norte (ou pelo Norte e depois, pelo Sul dependendo do Rito). Essa circulação, todavia, não leva em conta a hierarquia dos cargos e dos Graus simbólicos, além de ser destituída de qualquer sentido esotérico, sempre presente nas práticas maçônicas.
A circulação formal, que leva em consideração todos esses fatores, é a seguinte:
São atendidos, pela ordem: o Ven.´. Mestr.´. , o 1º Vig.´., o 2º Vig.´., o Orad.´., o Sec.´., o Cobr.´. Int.´. (G.´. do Temp.´.), o Cobr.´. Ext.´. (se a Loja o tiver), os IIr.´. postados no Oriente e os MM.´. MM.´. da Coluna do Sul, os mm.´. MM,´, da Coluna do Norte, os Ccomp.´. e, finalmente, os Aap.´..
Pode-se notar que no início dessa circulação é formada pelo Oficial circulante (Mestre-de-Cerimônias, ou Hospitaleiro), uma estrela de seis pontas, com dois triângulos entrecuzados, sendo o de ápice superior, formado pelo Ven.´, e pelos dois VVig.´., enquanto que o de ápice inferior é formado pelo Orad.´., pelo Sec.´. e pelo Cobr.´.. Essa estrela de seis pontas que no Rito de York é chamada de “Blazing Star” (Estrela Flamejante), é um antiquíssimo símbolo, que foi aproveitado pelos hebreus e foi sempre importante no judaísmo, sob o nome de “Magsen David” (Estrela de David). Como símbolo bem antigo, ela tem dupla interpretação esotérica:
a)                     – Os dois triângulos representam as duas naturezas humanas, masculina e feminina, que se interpenentram e se harmonizam, formando uma figura inteiramente nova, embora ambos os princípios originais conservem a sua individualidade. Graças a isso, a estrela (formada por dois triângulos equiláteros) é considerada como o símbolo do matrimônio perfeito e, por extensão, a eternidade, pela perpetuação da espécie, já que simboliza o macho e a fêmea que se unem para formar um novo ser (é a figura interiramente nova, a estrela), sem perder a sua individualidade (os dois triângulos).

b)                    Representa a relação Espírito-Matéria, como segue: o triângulo de ápice superior representa os atributos da espiritualidade, enquanto que o triângulo de ápice inferior simboliza os atributos da materialidade.

Na administração de uma Oficina, o Ven.´. e os VVig.´. representam o triângulo da espiritualidade, pois a eles compete a condução espiritual da Loja: o Orad.´., o Sec.´. e o Cobr.´. (G.´. do Temp.´.) simbolizam o triângulo da materialidade, pois a eles compete a execução das atividades materiais da Oficina (peças de arquitetura, interpretação da lei, redação dos balaústres, expediente e segurança do Templo). Assim, ao atender, inicialmente, ao Ven.´., aos VVig.´., ao Orad.´., ao Sec.´. e ao Cobr.´. (G.´. do Temp.´.), o Oficial circulante estará atingindo os três ângulos de cada triângulo e formando o antigo símbolo da estrela hexagonal.

Essa forma de Circulação é a praticada no Rito Escocês Antigo e Aceito, no GOB. Nas Grandes Lojas são poucas as diferenças. Troca-se o Cobr.´. Inter.´. (G.´. do Templ.´.) pelo 1º Exp,´,  e faz-se em cada uma das colunas, em primeiro lugar, os ocupantes dos cargos, depois os MM.´. MM.´., Ccomp.´. e Aap.´.. Nesse caso, conforme poderemos observar na sequência da Circulação, a figura esotérica dos dois triângulos fica prejudicada.

Já, na Grande Loja Maçônica do Ditrito Federal, no Ritual de julho de 1996 (anterior ao atual), consta a seguinte forma de Circulação com as Bolsas de Propostas e Informações e de Solidariedade:
“Começa pelo Ven.´. Mestr.´. e todos os que se acham no Trono.
Se o Grão-Mestre e/ou Grão-Mestre-Adjunto estiverem presentes, serão, na respectiva ordem os primeiros.
A seguir: 1º e 2º VVig.´., depois Orad.´. e Sec.´., Port.´. Band.´., MM.´. MM.´. do lado Norte, 2º Diac.´., Port.´. Esp.´. , MM.´. MM.´. do lado Sul e Port.´. Estand.´. , Hosp.´., Chanc.´., 1º Exp.´.. 2º Diác.´., Tes.´., M.´. de CCer.´., MM.´. MM.´. da Col.´. do Sul, 2º Exp.´., M.´. de Harm.´., MM.´.MM.´. da Col.´. do Norte, Ccomp.´., AAp.´., Cobr.´. G.´. do T.´. e, finalmente, o Ir.´. que se acha circulando, entrega a Bol.´. ao G.´. do T.´., coloca a sua proposta ou óbolo, retoma a Bol.´., vai para entre CCol.´. e anuncia.”
Essa é a forma de Circulação nas Lojas Jurisdicionadas à Grande Loja Maçônica do Distrito Federal, em vigor.
Além da beleza há algo mais na ritualística que a simples circulação, e se assim não fosse, documentos e metais poderiam ser entregues diretamente às autoridades da Loj.´. ou ao Tes.´.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


SALA DOS PASSOS PERDIDOS


Charles Evaldo Boller

A designação sala dos passos perdidos foi copiada pela Maçonaria do parlamento inglês, constava de uma ante-câmara onde o cidadão esperava ser atendido, ou recebia decisões e despachos de assuntos de seu interesse. Era quando este perambulava sem destino para descarregar sua ansiedade; algo semelhante à sala de preocupações do tio Patinhas, onde aquele anda em círculos até afundar o piso sob seus pés pelas mesmas razões.

Na Maçonaria este cômodo está localizado antes do átrio e do templo. É a sala de espera para aguardar o inicio dos trabalhos e onde são tratados os mais diversos assuntos. Onde possível, consta de um local confortável, com poltronas ou cadeiras, mesa, e onde se pratica a sociabilização, cada um a sua maneira e de acordo com sua personalidade.

Neste local não existe ordem nem ritualística, as pessoas transitam pela sala em qualquer direção, formam grupos em diálogos de todos os tipos, nada tem rumo, daí a semelhança com a ante-sala do parlamento inglês. 

Aproveita-se o tempo para pagar emolumentos ao irmão tesoureiro. Se houver alguma coleta de recursos para campanhas de caridade da loja, o irmão hospitaleiro faz esta coleta, dá recibo e a registra. Recebem-se recados do irmão secretário de alguma pendência de documentos ou outras providências burocráticas. O irmão mestre de cerimônias faz a distribuição dos colares aos oficiais se o obreiro tiver cargo em loja, mas estes não os vestem. Assina-se o livro de presenças junto ao irmão chanceler. É discretamente feito o telhamento de visitantes. Consulta-se o edital com alguma novidade em exposição. 

Regem as etiquetas e comportamentos profanos, dentro do maior respeito. 

A agitação vai lentamente cedendo lugar ao silêncio, e conforme os arranjos de preparação vão progredindo e a hora de inicio dos trabalhos se aproxima, vai perdendo a influência o mundo profano até adentrar ao átrio, onde toda a agitação cessa.

O mestre de cerimônias convida os irmãos a adentrarem ao átrio. 

O cobridor externo, já devidamente paramentado, portando espada, fecha a porta externa às suas costas. 

Passa a reinar silêncio e o comportamento é formal, ritualístico, silencioso e ordeiro. Consta em uma sala, normalmente de quase a mesma largura do templo e adequada para receber todos os irmãos perfilados. As lojas que possuem átrios de pequenas dimensões, usam a sala dos passos perdidos também como átrio. 

O átrio é o vestíbulo do templo, é onde cada obreiro coloca seu avental e paramentos com a garantia de estar fora de alcance de olhos profanos. 

É preparado o cortejo de entrada em duas filas, uma para cada coluna; os irmãos aprendizes ficam perfilados ao lado norte e os irmãos companheiros ao lado sul; os oficiais das colunas tomam o lado onde ficam locados dentro da Loja. 

Inicia-se a preparação espiritual do grupo; mesmo que não existente no rito escocês antigo e aceito, por simples tradição, o mestre de cerimônias recita oração e pede ajuda ao Grande Arquiteto do Universo para que a reunião seja agraciada de bons fluídos, comunicando ao venerável mestre que o templo está devidamente ornamentado e que os trabalhos já podem iniciar. 

O venerável mestre determina que o mestre de cerimônias cumpra com seu dever.
O mestre de cerimônias determina que os irmãos guarda do templo e mestre de harmonia tomem seus lugares dentro do templo. Estes entram e fecha-se a porta do templo atrás deles. 

O mestre de cerimônias aguarda um breve instante e dá uma batida com seu bastão na porta do templo, que é respondida pelo guarda do templo pelo lado de dentro. O guarda do templo abre a porta para entrada do cortejo ao interior do templo. 

O mestre de cerimônias coloca o cortejo em marcha, adentrando primeiro os irmãos aprendizes, seguidos pelos irmãos companheiros, mestres sem cargo seguidos pelos oficiais, o segundo vigilante, o primeiro vigilante, ficando para o final, o irmão venerável mestre, e após este, se presentes, outras autoridades da grande loja, remanescendo apenas o cobridor externo em sua função. 

Pela descrição das funções dos dois ambientes percebe-se que enquanto na sala dos passos perdidos reina o caos do mundo profano no átrio age o sacro, tem regras e ritualística. Num atua o mundano, noutro o sagrado, para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.

A COMPAIXÃO 


(algumas visões) 



Santo Agostinho - “in Confissões” 

“Arrebatavam-me os espectáculos teatrais, cheios de imagens das minhas misérias e de alimento próprio para o fogo das minhas paixões. Mas porque quer o homem condoer-se, quando presenceia cenas dolorosas e trágicas, se de modo algum deseja suportá-las? Todavia, o espectador anseia por sentir esse sofrimento que, afinal, para ele constitui um prazer. Que é isto senão rematada loucura? Com efeito, tanto mais cada um se comove com tais cenas quanto menos curado se acha de tais afectos (deletérios). Mas ao sofrimento próprio chamamos ordinariamente desgraça, e à comparticipação das dores alheias, compaixão. Que compaixão é essa em assuntos fictícios e cénicos, se não induz o espectador a prestar auxílio, mas somente o convida à angústia e a comprazer o dramaturgo na proporção da dor que experimenta? E se aquelas tragédias humanas, antigas ou fingidas, se representam de modo a não excitarem a compaixão, e espectador retira-se enfastiado e criticando. Pelo contrário, se se comove, permanece atento e chora de satisfação. 

Amamos, portanto, as lágrimas e as dores. Mas todo o homem deseja o gozo. Ora, ainda que a ninguém apraz ser desgraçado, apraz-nos contudo a ser compadecidos. Não gostaremos nós dessas emoções dolorosas pelo único motivo de que a compaixão é companheira inseparável da dor? A amizade é a fonte destas simpatias”. 


Texto de Dennis Allan - “A Compaixão de Jesus” 

Jesus estava pregando na Galiléia quando um homem leproso se aproximou dele. Sabendo do poder do Senhor, o leproso pediu que Jesus o curasse. Ao ver o homem no seu sofrimento, Cristo ficou “profundamente compadecido” (Marcos 1:41). Um hino antigo faz a pergunta: “Importará ao Senhor Jesus que eu viva no mundo a ter o meu coração cheio de aflição? Sentirá meu triste viver?” A resposta poderosa do hino, refletindo as afirmações das Escrituras, é: “Oh! Sim, eu sei, Jesus bem vê o que eu estou a sofrer”. 

Lendo o relato de Marcos 1:40-45, podemos observar seis fatos sobre a compaixão de Jesus:  Ele viu a pessoa.  Ele percebeu o sofrimento da pessoa.  Ele ouviu o apelo do sofredor.  Ele sofreu com o homem (assim, a idéia de compaixão).  Ele falou com o leproso.  Ele agiu em favor da pessoa que necessitava de ajuda. Nós devemos mostrar a mesma compaixão em relação aos sofredores ao nosso redor. Precisamos reconhecer que as pessoas existem e que têm problemas reais para podermos falar palavras de conforto ou agir para ajudá-las. 

Jesus se compadece de nós. Ele andou aqui na terra durante mais de 30 anos. Ele sofreu, e viu outros sofrendo. É claro, ele sabe que todas as aflições desta vida são temporárias; mas, mesmo assim, ele sofre conosco. Uma boa ilustração deste fato se encontra em João 11. Jesus demorou, de propósito, em responder ao apelo das irmãs de Lázaro. Quando o Senhor chegou, Lázaro já tinha morrido. Jesus bem sabia do seu próprio poder, e da sua intenção de ressuscitá-lo. Ele sabia que as lágrimas de tristeza, em poucos minutos, seriam substituídas por lágrimas de alegria. Mesmo assim, ele mostrou a sua compaixão quando viu Maria, Marta e outros lamentando a morte de Lázaro. Jesus “agitou-se no espírito e comoveu-se” e chorou (versículos 33 e 35). 

Quando nós sofremos a perda de entes queridos, problemas de saúde ou outras tristezas, Jesus sabe que o nosso sofrimento durará muito pouco. Mesmo assim, ele se compadece de nós. Sim! Ele se importa conosco! 

“Compaixão – Ir.´. KLEBER ADORNO” 

Compaixão é a verdadeira essência de uma vida espiritual e a prática central daqueles que devotaram suas vidas para alcançar a iluminação. É a raiz das Três Jóias Supremas – Buda, Darma e Sanga. 

É a raiz de Buda, porque todos os Budas nascem da compaixão. É a raiz do Darma, porque os Budas dão ensinamentos motivados unicamente por compaixão. É a raiz da Sanga, porque é ouvindo e praticando os ensinamentos de Darma, os quais são dados por compaixão, que nos tornaremos membros da Sanga, ou Seres Superiores. 

O que é exatamente compaixão? Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento. 

Às vezes, desejamos que alguém se livre do sofrimento por razões egoístas; isso é bastante comum nas relações que se fundamentam principalmente no apego. Se nosso amigo estiver doente ou deprimido, poderemos desejar que se recupere depressa para desfrutarmos novamente da sua companhia; mas esse desejo é basicamente autocentrado, não é verdadeira compaixão. A verdadeira compaixão baseia-se, necessariamente, na motivação de apreciar os outros. 

Embora já tenhamos algum grau de compaixão, no momento, ela é bastante parcial e limitada. Quando nossos familiares e amigos estão sofrendo, facilmente geramos compaixão por eles, mas é bem mais difícil sentirmos solidariedade por estranhos ou por pessoas que achamos desagradáveis. 

Além do mais, sentimos compaixão por aqueles que estão sofrendo dor manifesta, mas não por aqueles que estão desfrutando de boas condições e menos ainda pelos indivíduos que estão cometendo ações nocivas. 

Se realmente quisermos realizar nosso potencial alcançando a plena iluminação, temos que aumentar o escopo da nossa compaixão até que ela consiga abranger todos os seres vivos sem exceção, como faria uma mãe amorosa que sente compaixão por todos os seus filhos, independente de estarem agindo bem ou mal. 

Essa compaixão universal é o coração do budismo mahayana. Ao contrário da nossa compaixão atual, limitada, que já surge ocasionalmente de modo natural, a compaixão universal precisa ser cultivada por meio de treino durante um longo período. 

Para saber mais sobre compaixão, consulte os livros Oito passos para a felicidade, Compaixão universal, and Contemplações significativas. 

Há em suma apenas três motivações fundamentais das ações humanas, e só por meio do estimulo delas é que agem todos os outros motivos possíveis. 


Elas são: 

A) Egoísmo, que quer seu próprio bem (é ilimitado); 
B) Maldade, que quer o mal alheio (chega até a mais extrema crueldade); 
C) Compaixão, que quer o bem-estar alheio (chega até a nobreza moral e a generosidade)” 


Schopenahuer, Sobre o fundamento da moral 


No ano de 1840, a Sociedade Real Dinamarquesa de Ciências de Copenhague levantou o seguinte questionamento: “A fonte e o fundamento da filosofia da moral devem ser buscados numa idéia de moralidade contida na consciência imediata e em outras noções fundamentais que dela derivam ou em outro principio do conhecimento?”. A fim de respondê-lo o filosofo alemão Arthur Schopenhauer escreveu um tratado filosófico intitulado “Sobre o fundamento da moral”. Pretendo aqui refletir brevemente sobre as idéias schopenhaurianas presentes nesse tratado que apesar de ter sido escrito no século XIX me parece muito útil para se pensar à contemporaneidade. Vivemos em um mundo capitalista de imensas explorações e desigualdades sociais, políticas e econômicas. Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico do último século e a grande capacidade produtora das indústrias o mundo ainda é assolado pela fome e pela miséria. Apesar de todo o acumulo de conhecimento cientifico ainda sofremos de intolerância étnica e religiosa, e os conflitos armados matam milhares de pessoas todos os dias, a exploração descontrolada e irresponsável da natureza cada vez mais se agrava provocando catástrofes em todas as partes. Ao pensarmos essa realidade entendemos um pouco o que Schopenhauer queria dizer quando falava de egoísmo e maldade como formas de motivação da ação humana. Aparentemente tais motivações não só existem de sobra como são o que move o nosso sistema. Mesmo imbuindo de pessimismo a filosofia de Schopenahuer convida-nos a pensar o celebre sentimento da compaixão, o que significa, como se manifesta e principalmente qual é seu papel entres as relações humanas e a moralidade. 

Ao pensar em compaixão lembra-se logo da filosofia cristã e do mandamento bíblico que diz, “amaras a teu próximo como a ti mesmo”. É inegável que apesar de ateu Schopenhauer tem uma enorme influencia da cultura judaico-cristã, porém em sua posição de filosofo e cientista ele busca desvincular a moral e a ética de conceitos teológicos. Comecemos do principio, para falar sobre o fundamento da moral deve-se compreender o que Schopenhauer entende por moral. A palavra moral vem do latim mores e quer dizer costume, filosoficamente falando moral significa conjunto de valores, regras, costumes e hábitos sociais. Assim sendo moral está diretamente vinculada à ação humana, ou seja, ao agir de um individuo para com outros. Como é de se imaginar a moral esteve presente de formas variadas em todas as formações sociais na história dos seres humanos, por isso ela é um campo muito vasto da filosofia estando sua reflexão presente em todos os grandes pensadores da história. A moral só existe no campo dos relacionamentos sociais, assim sendo Schopenhauer afirma que o contrario de uma ação moral e uma ação egoísta. Uma ação egoísta pode ser definida como uma ação vinculada somente às necessidades do eu, e totalmente desinteressada para com as necessidades de um outro. Portanto para uma ação ganhar valor moral, de justiça e caridade ela não pode ter como motivo imediato nenhum interesse egoísta. Uma ação moral deve levar em conta o bem-estar e o mal-estar de um outro como se esse fosse o meu próprio. Schopenhauer ao pensar em nossa condição animal descobre que a auto-preservação e a auto-satisfação são nossos instintos primordiais, assim sendo o egoísmo. A grande pergunta que se apresenta agora é: como negar o egoísmo sendo ele instinto primordial e agir para com outro como se fosse eu mesmo? É ai que começamos a tratar sobre a compaixão, sendo ela também uma motivação primordial nos seres humanos. 

Ao nos percebermos como indivíduos, ganhamos facilmente a noção empírica da diferença entre o eu e o outro, é inegável que os seres humanos carregam muitas diferenças entre si, o que aumenta a separação entre cada um. Isso dificulta ainda mais a pergunta feita no parágrafo anterior, como é possível frente a essa inegável diferença entre os indivíduos agir com o outro como se esse fosse eu mesmo? Para solucionar esse dilema Schopenahuer aponta para a compaixão. Para o filosofo alemão a compaixão está ligada exatamente à destruição dessas diferenças que percebemos entre os indivíduos, ou pelo menos uma diminuição. A compaixão é o sentimento de identificação com a dor alheia, de tal forma que a dor alheia passa a ser sentida como a minha própria dor. Ao sentirmos a dor do outro como nossa própria, diminuímos essa diferença entre o eu e o outro e é ai que surge o verdadeiro valor moral como uma entrega desinteressada ao outro, suprimindo mesmo que parcialmente o egoísmo. 

A compaixão é o fundamento de toda moral e, portanto, de toda a justiça livre e de toda caridade genuína. A compaixão não pode por sua vez ser induzida artificialmente e externamente, ela provem do interior da alma é um sentimento que se manifesta naturalmente em qualquer ser humano, apesar de que não se manifesta sempre. 

Disso pode vir a surgir outro interessante questionamento: porque somente a dor do outro é que gera a compaixão e não o prazer ou a felicidade? Schopenhauer ficou conhecido pelo seu profundo pessimismo existencial, que apesar de ser um tanto quanto radical é muito coerente, se não vejamos. Ele afirma que a dor e o sofrimento são as características principais da existência humana. Como diz o personagem Agamêmnon na tragédia “Ifigênia” de Eurípedes: “Não há entre os mortais um só cuja existência seja perenemente próspera e feliz. Nunca existiu alguém imune ao sofrimento”. Assim sendo Schopenhauer diz que a dor alheia desperta a compaixão porque a dor e o sofrimento são sentimentos positivos que se fazem sentir imediatamente. Enquanto o prazer e a felicidade consistem simplesmente na supressão temporária de alguma carência, portanto sentimentos negativos. É nisto que consiste o fato de que somente a dor, o sofrimento e carência despertam a compaixão e a necessidade de participação frente ao outro, enquanto a felicidade e a satisfação nos são indiferentes por serem estados negativos. 


A noção de compaixão como uma forma de perceber a igualdade entre os seres humanos vem na historia da filosofia do pensamento de Jean-Jacques Rousseau, filosofo iluminista muito apreciado por Schopenhauer. Além disso, toda essa fundamentação da moral na compaixão tem muito haver com a visão cosmológica de Schopenhauer, que acredita que tudo no universo provem de uma força metafísica irracional denominada Vontade. Se tudo que existe não passa de fenômeno dessa Vontade então no fundo todos os seres tem a mesma essência, inclusive os seres humanos. Essa é a fundamentação metafísica que Schopenhauer da a moral e a compaixão, isso é o que marca definitivamente sua ética. 

Se pensarmos os dias atuais percebemos que a realidade contradiz os dizeres do velho filosofo. Em nosso sistema capitalista a moral se tornou materialista, e seu fundamento esta na busca de lucro e no acúmulo de capital. Nossos principais valores como a competição, o individualismo e o consumismo geram um sentimento de total egoísmo, o que obviamente só agrava mais ainda a desigualdade entre os seres humanos. A ética schopenhauriana nos serve principalmente para pensarmos a relação com o outro. Se grande parte de nossos problemas vem do fato de termos nos tornado tão diferentes a compaixão surge como alternativa para tentarmos perceber o que nos faz iguais e nos uni. As teses de Schopenhauer são compostas por conceitos e idéias de filosofias antiguíssimas dos primórdios da humanidade como o cristianismo primitivo, o hinduismo e o budismo. Todas elas repletas de sabedoria milenar que de uma forma ou de outra sempre valem para as reflexões. 

“A multiplicidade e a separabilidade pertencem somente ao mero fenômeno, e é uma e mesma essência que se apresenta em todos os viventes. Assim, a apreensão que suprime a diferença entre o eu e o não-eu não é a errônea, mas sim a que lhe é oposta. Encontramos esta última indicada pelos hindus pelo nome de ‘Maja’, quer dizer, ilusão, engano, fantasma. Aquele primeiro aspecto é o que encontramos como sendo aquilo que está no fundamento do fenômeno da compaixão e mesmo como a expressão real dele. Seria portanto a base metafísica da ética e consistiria no fato de que um indivíduo se reconhece a si próprio, a sua essência verdadeira, imediatamente no outro”. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

As Romãs


                                                                        
AS ROMÃS

       As romãs pela divisão interna mostram os bens produzidos pela influência das estações, representam as Lojas e os MMaç.´. espalhados pela superfície da Terra, suas sementes, intimamente unidas nos lembram a fraternidade e a união que devem existir entre os homens. 
O nome em latim da romã é: ‘pomum’ (maçã) mais ‘granatus ‘ (com sementes). 
Arquivos cuneiformes na Mesopotâmia, três mil anos antes de Cristo, já faziam referências às romãs. 
Mas a Bíblia também nos diz que as romãs são Símbolos de Retidão ou Honradez.