quinta-feira, 11 de junho de 2020


O RITUAL, O SÍMBOLO E AS PALAVRAS


Venerável Mestre, Queridos Irmãos em todos os Graus e Qualidades: venho partilhar convosco algumas impressões, sobre o Ritual, os Símbolos e as Palavras.


Quadro de Loja de Aprendiz, Rito de Adopção, Séc. XVIII

Os trabalhos em Loja geram-se numa matriz espiritual propícia ao pensamento luminoso, à descoberta do que está nas sombras, à unificação do disperso, por outras palavras, abrindo o trajecto para a progressão iniciática.

Num ambiente em que as chamas ardem sobre as três Colunas, em que um magnetismo envolto em música sublime flui das colunas J e B, impulsionando um movimento vital, de Oriente para Ocidente, os Irmãos Maçons deslizam sobre a dualidade da Natureza, representada pelo pavimento mosaico. Centrados nos símbolos desenhados no quadro da Loja, imperceptivelmente vão abrindo o compasso, traçando e recriando a espiral da matriz universal.

Nesse éter, as palavras dos Irmãos nascem, sonoras e inspiradoras como se da superfície das águas soassem, saídas daquele limbo que simultaneamente separa e liga os elementos. Tocando no âmago dos nossos corações, a musicalidade dessas palavras acompanha e modula o nosso caminho.

Queridos Irmãos, uma das definições do Homo Sapiens é a de um Ser que cria para si próprio um caminho espiritual motivado pela busca do Sentido da Vida, isto é, procurando qual é o seu lugar no Universo. As representações plásticas da movimentação humana, dos caçadores e migrantes, africanos e de outras latitudes, ilustram este aflito caminhar. Cada comunidade criou a sua cosmogonia, que servia de suporte narrativo a essa procura de “sentido”.

De modo diverso e inovador, como que expandindo o Homem de Vitrúvio em todas as direcções do pentagrama, os maçons traçam essa busca orientados por um peculiar método, o Ritual, que os guia na descoberta e rectificação da sua natureza.

O Ritual e a linguagem utilizados na Maçonaria não são compostos apenas por lendas, mitos, metáforas e alegorias. Sabedoria, Força e Beleza unidas geram a energia motriz da Luz e a ela conduzem. Aquilo que estas forças motrizes operam no nosso pensamento e coração geram um novo Ser.

As palavras maçónicas são um veículo de significados simbólicos; são simbólicas e operativas pela ressonância e exercem um efeito transformador na mente dos maçons. Metodicamente repetidas, na penumbra do Templo de Salomão, são proferidas solenemente e recebidas pelo Silêncio atento e fecundo. As palavras e fórmulas, à medida que se repetem, ouvidas em mágico recolhimento, vão refazendo os ciclos espiralados do Ritual.

O Ritual não é pois uma narrativa fechada. A linguagem simbólica faz parte da metáfora maçónica, bem diferente das narrativas ficcionais: os seus significados são atribuídos pela interpretação individual de cada obreiro. O símbolo só adquire poder material quando lhe atribuímos um significado. Cada Maçon recria cada símbolo, dando-lhe um significado pessoal.

Concluindo, o ritual Maçónico é um método, através do qual a metáfora da construção opera na nossa mente. O Templo Interior que construímos transforma-nos e transformados, transformamos. Isto é real, pois assim o sinto.

Não se trata porém de reflectirmos o brilho solar, mas de permitirmos que a sua Luz penetre no nosso interior e de lá renasça, fulgurante!

No entanto, que nos não baste pensar que pertencemos a uma elite. Quando a Maçonaria entra no coração de um Maçon, assume-se a consequente condição de responsabilidade. Responsabilidade pela construção de uma Humanidade digna desse nome.

Continuemos pois, Queridos Irmãos Obreiros, fora do Templo a obra que no seu interior começamos, prossigamos propugnando, na sociedade e no mundo dos homens, a nossa consigna de Liberdade, Igualdade, Fraternidade!

Disse.

Texto original escrito por Mozart (Nome Simbólico)

VESTIMENTAS DE UM MANDARIM


Vivemos em momentos de desenfreado consumismo voltado em grande parte para o exterior da pessoa, com a preocupação da imagem física, visando receber elogios pelas vestimentas, pelo corpo bem moldado e pelo uso de produtos de beleza e outros adornos. Isto pode ser positivo quando a parte interna também tem a mesma beleza. Quase sempre esta parte externa reflecte a presença de vaidade no ser humano.

O que é vaidade? No dicionário Aurélio, “é o desejo imoderado de atrair admiração; qualidade do que é vão, ilusório”. Uma pessoa vaidosa deseja criar uma imagem pessoal para transmitir aos outros, com o intuito de ser admirada, o que nos lembra “Narciso”. Narciso, palavra grega derivada do vocábulo “narke”, significa entorpecido. Narciso simbolizava a vaidade e a insensibilidade. A sua parábola tem sido uma grande fonte de inspiração há pelo menos 2 mil anos. Tornou-se símbolo de frivolidade e apego às aparências.

A deusa Némesis condenou “Narciso” a apaixonar-se pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua beleza, ele deitou-se no banco do lago e definhou, olhando-se na água e embelezando-se. A beleza de Narciso era tão incomparável que ele pensava ser semelhante a um deus. Era a consumação perfeita e total da vaidade.

A vaidade é decorrente do orgulho e dele se aproxima. As suas facetas mais comuns são apresentação pessoal exuberante, gestos repetitivos, falar demasiado, evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa ou a algo que realiza. Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais, intolerância para com aqueles mais humildes, às vezes não evitando fazer-lhes referências agressivas e fixado constantemente em ocupar cargos de destaque.

Não reconhece a sua própria culpabilidade nas situações em que a tem e tem forte obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando as suas falhas ou erros e atribuindo à sorte ou azar acontecimentos com ele ocorridos. O vaidoso tem uma estima exagerada de si mesmo.

Dou continuidade a este artigo, através de um texto que merece profunda atenção, e que me chegou pelo deputado estadual maçónico José Manoel de Brito, da Loja “Capela Aparecidense” de Aparecida de Goiânia. (editado)
Conta-nos a história de um homem que foi nomeado mandarim, uma espécie de conselheiro na China. Envaidecido com a nova posição, pensou em mandar confeccionar roupas novas. Seria um grande homem, agora. Importante.



Um amigo recomendou-lhe que procurasse um velho sábio, um alfaiate especial que sabia dar a cada cliente o corte perfeito. Depois de cuidadosamente anotar todas as medidas, o alfaiate perguntou-lhe há quanto tempo é que ele era mandarim. A informação era importante para que ele pudesse dar o talhe perfeito à roupa.

Ora, perguntou o cliente, o que é que isso tem a ver com a medida do meu manto?

Paciente, o alfaiate explicou:

“A informação é preciosa. É que um mandarim recém-nomeado fica tão deslumbrado com o cargo, que anda com o nariz erguido, a cabeça levantada. Neste caso, preciso fazer a parte da frente maior que a de trás.

Depois de alguns anos, ocupado com o seu trabalho e os transtornos advindos da sua experiência, torna-se sensato e olha adiante para ver o que vem na sua direcção e o que precisa ser feito de seguida. Para esse, costuro um manto de modo que fiquem igualadas as partes da frente e a de trás. Mais tarde, sob o peso dos anos, o corpo está curvado pela idade e pelos trabalhos exaustivos, sem falar na humildade que adquiriu pela vida de esforços. É o momento de fazer o manto com a parte de trás mais longa.

Portanto, preciso saber há quanto tempo o senhor está no cargo para que a roupa lhe assente perfeitamente.”

O homem saiu da loja pensando muito mais nos motivos que levaram o amigo a lhe indicar aquele sábio alfaiate, e menos no manto que viera encomendar.


Um pouco mais preparado, aprendeu que cargos e funções são sempre responsabilidades que nos são oferecidas pela divindade para o nosso progresso. Não há motivo para vaidade, acreditando-se superior ou melhor que os outros.

Lembrou-se da passagem bíblica, quando Pilatos assegurou a Jesus que tinha o poder de vida e morte, e que nas suas mãos estava o destino das suas horas seguintes, o Mestre alertou-o dizendo: “Procurador, a autoridade de que desfrutas não é tua; foi-te concedida e poderá ser-te retirada.” De facto isto veio a acontecer. Apenas poucos anos após a morte de Jesus, o poder de Roma retirou do procurador da Judeia, Pôncio Pilatos, toda a autoridade. Ele perdeu o cargo, o prestígio, e tudo o que acreditava que fosse eterno nas suas mãos.

O novo mandarim aceitou a lição e ao assumir o alto cargo, procurou pautar-se pela orientação do velho sábio, alfaiate especial, de que a autoridade em que nos vejamos investidos deve ser exercida com humildade.

Florbela Espanca poetisa portuguesa nascida em 1894 e falecida em 1930, foi iluminada ao colocar-se diante da vaidade, e expressou-se inspirada na lição do velho alfaiate, casualmente ou não produzindo a poesia intitulada “Vaidade”:

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho… E não sou nada!…

(Florbela Espanca, «Livro de Mágoas», in «Poesia Completa»)

Adaptado de texto de Barbosa Nunes – Grão-Mestre Geral Adjunto do Grande Oriente do Brasil


COMPREENDENDO O USO DO AVENTAL

Celso Ricardo de Almeida

O Avental é a vestimenta emblemática, simbólica e obrigatória de um Maçon, em rigor a única necessária, e o seu uso denuncia o seu grau hierárquico dentro da Ordem Maçónica, podendo ser desde cargos administrativos como o posicionamento nos vários graus existentes, bem como evidenciar também os diferentes ritos e potências. Mas pouco se conhece da história desta humilde vestimenta que tão grande significado possui. Os nossos rituais limitam-se apenas a explicar a simbologia do Avental para o grau do referido ritual, não tecendo informações ou comentários sobre a sua história e significado. Cria-se assim uma grande lacuna para a interpretação desta vestimenta, que como já foi mencionada, é indispensável para o Maçon.

O presente estudo possui a pretensão de explicar como surgiu esta vestimenta e qual o seu significado, seja ele simbólico ou exotérico. Contudo, não entraremos nas questões referentes à sua utilização em Loja, visto que cada grau possui o seu simbolismo e as suas (Publicado em freemason.pt) características próprias. Iniciando o estudo propriamente dito, iremos tecer um breve comentário, sobre a utilização do Avental no mundo profano, e assim, conhecermos melhor as suas utilizações e importâncias profanas, para posteriormente entrarmos na simbologia Maçónica.

É notório que o Avental é utilizado por grande número de pessoas que mesmo não ciente da sua importância, beneficiam desta pequena e até mesmo insossa vestimenta. Mas o que é afinal o Avental? E quando se iniciou a sua utilização?

O Minidicionário de Língua Portuguesa Melhoramentos, Edição 2000, classifica o Avental como:
Peça de pano, couro ou plástico, que se usa sobre a roupa, para protejê-la, ou
Espécie de guarda pó, usado por farmacêuticos, dentistas, médicos e etc.

No mundo profano o Avental é muito utilizado, principalmente por pessoas que têm a necessidade de se protegerem, seja de qualquer partícula sólida ou líquida, que venha a sujar a roupa, ou de substancias, porosas ou não, que possam agredir a pele.

Para alguns escritores, a origem do Avental está ligada há tempos muito remotos, como o Paraíso Terrestre, onde alguns vêem Adão como o inventor do Avental, representado na folha de parreira, o qual, segundo a ilustração bíblica, cobria os seus órgãos genitais. Esta ideia é refutada por outros que a consideram ilusória e especulativa.

Historicamente falando é quase que impossível precisar a data ou o período em que o Avental começou a ser utilizado; há contudo vários registros históricos do seu uso: os Romanos, por exemplo, usavam-no como parte do seu uniforme militar, como também há registros do uso de Avental por Egípcios, Persas e Hindus. Mais contemporaneamente, percebemos que os pintores da renascença, também o utilizavam para proteger as suas roupas dos respingos de tintas.

Em Maçonaria o surgir do uso do Avental pode ter sido iniciado nas Guildas e corporações Medievais. Tais associações, que deram origem à Maçonaria Operária, sendo provável que este deva ser o único sinal externo do período Operativo da Maçonaria, tinham por hábito distribuir entre os seus membros, Aventais para o exercício do ofício ao qual estavam ligados. Estes Aventais apresentavam diferenças com base nos diferentes trabalhos e conhecimento acerca do ofício em questão, tais como sapateiro, ferreiro, açougueiro, pedreiros, entre outros.

Quanto aos pedreiros, tidos como os Maçons de facto na fase Operativa da Maçonaria, a utilização desta indumentária era essencial, pois protegia o corpo do obreiro, e a sua função era evitar acidentes provocados pelas lascas que se desprendiam das pedras brutas que eram trabalhadas com cinzel e malho, e que depois de prontas, viriam a ser partes das edificações. Estes Aventais eram feitos predominantemente de couro de carneiro, um couro espesso, visando proteger os obreiros de labutas muitas vezes perigosas para o corpo humano.

Posteriormente com a transição da Maçonaria Operativa para a Maçonaria Especulativa, houve grandes modificações para a utilização do Avental, que deixou de ser uma peça considerada de protecção para o corpo, transformando-se em verdadeiros brasões ou estandartes, onde o conjunto das tradições cultivadas pela Arte Real era traduzida em emblemas e símbolos representativos de cada conjunto de ensinamentos que se queria transmitir sobre a Maçonaria. Tais símbolos sempre foram ricos em metáforas e conteúdo esotérico, filosófico e histórico.

Deste modo os Aventais transformaram-se em verdadeiras obras de arte, cercadas de emblemas e símbolos que variavam de região para região. O que deverá ter gerado algumas polémicas, pois em 1813, com a unificação das duas grandes Potências Inglesas, houve a edição de uma norma (Publicado em freemason.pt) regulamentando e padronizando os Aventais, de forma a coibir os inúmeros abusos que aconteciam. Ressalta-se também que em 1875, com o Congresso Mundial dos Supremos Conselhos em Lausanne, também se decidiu por uma padronização dos Aventais utilizados pelos seguidores do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Mas independente dos seus emblemas ou da sua padronização, o significado simbólico do Avental continuou o mesmo, pois representa um emblema da dignidade, da honra, do trabalho material ou intelectual, símbolo da inocência do iniciado. É a insígnia do Maçon, a única que lhe que dá o direito de entrar nos templos e participar das reuniões. Representa a prontidão para o trabalho, que nos acompanha desde o meio dia até ao fim da vida, pois constitui-se como um instrumento fundamental e não nos deixa esquecer que a labuta é uma constante, seja em Loja ou fora dela. Recorda-nos também as nossas obrigações e deveres como obreiros da Arte Real, capazes de nos transformar de filhos de mulheres em filhos do homem, auxiliados pelas instruções que são ministradas a todos os filhos da viúva.

Exotericamente o Avental é a vestimenta corpórea da alma, que será pura ou impura conforme os nossos desejos e pensamentos. Representa também a condição imortal da alma, que sobrevive à morte do nosso corpo físico e é símbolo do trabalho na construção do templo interior e nas tarefas de aperfeiçoamento evolutivo.

Notemos que o Avental vem sempre acompanhado por um cinto ou corda, que é um elo que une o Avental ao corpo até à altura dos rins, e que também dividi o corpo de quem (Publicado em freemason.pt) o usa: da cintura para baixo, está a parte procriadora, material; da cintura para cima, está a parte sensitiva, espiritual que guarda os centros de forças ou chakras.

Para os antigos a parte mais importante do Avental era este cinto ou cordão, pois ele é símbolo do cordão umbilical, que liga o homem a terra, ou o cordão de prata, que liga o homem ao espírito; ou até mesmo o cordão de ouro, que liga o espírito ao Eu superior.

Independente da sua origem, do começo do seu uso ou da interpretação que lhe damos, o Avental utilizado hoje é o resultado da união dos Maçons Operativos com os Maçons Especulativos, e o seu uso simboliza o momento espiritual que o Maçon vive dentro da Maçonaria.

Celso Ricardo de Almeida

A ESSÊNCIA DO ESTUDO DA MAÇONARIA


Construir templos implica saber medir as dimensões do espaço e do tempo. Os primitivos construtores-livres ou francos elaboraram bases operativas das quais a moderna franco-maçonaria especulativa conserva hoje a memória e o uso simbólico.

Duas peças fundamentais dessa Arte Real, que se mantêm centrais nos dias de hoje, são o esquadro e o compasso, colocados sobre o volume da lei sagrada, sempre que este está aberto na ara maçónica. Mas, o que medem hoje, em sessões de trabalho especulativas, estes instrumentos operativos?

Ao esquadro, que se considera fixo e ligado à matéria, atribui-se-lhe um carácter passivo, enquanto que ao compasso, instrumento móvel que se considera como símbolo do espírito, se lhe atribui um carácter activo. Em sessão de Loja, o compasso e o esquadro são colocados sobre o altar de três formas diferentes:
No primeiro grau, o de Aprendiz, o esquadro fica por cima do compasso aberto a 45 graus, simbolizando que a matéria se sobrepõe e domina o espírito;
No segundo grau, o de Companheiro, o esquadro é entrecruzado com o compasso, agora aberto a 60 graus, simbolizando o equilíbrio atingido entre a matéria e o espírito;
Finalmente, no terceiro grau, o de Mestre, o esquadro é colocado debaixo do compasso, aberto a 90 graus, simbolizando que o espírito passou a dominar e a transcender a matéria.

Sem dúvida, na actual Maçonaria especulativa, o esquadro e o compasso são os instrumentos com que cada livre-construtor de templos se mede a si mesmo, avalia a acção do seu espírito sobre a matéria do seu corpo e da sociedade exterior, quantifica o grau da sua própria libertação, a sua independência em relação às condicionantes do mundo profano.

Porém, a leitura deste simbolismo deve ser ainda mais aprofundada.

Observando-se atentamente a sobreposição e entrecruzamento do esquadro e do compasso, sobressai de imediato a forma da Estrela Flamejante, pentagrama de profundo simbolismo iniciático desde a mais remota Antiguidade. Esta figura alude aos cinco sentidos do Homem e às forças subtis da Natureza. No seu interior, inscreve-se o G , simbolizando o Grande Geómetra ou Grande Arquitecto do Universo.

Onde poderemos chegar com esta comparação? À compreensão de que a Geometria, na verdadeira tradição dos livres construtores de templos, não pode ser considerada uma disciplina como as outras, nem sequer distinta delas, mas sim como o sistema de referência fundamental, o sistema a partir do qual se efetuam todos os percursos intelectuais, morais e espirituais.

No mundo estático da Idade média, a fé implicava confiança absoluta em relação às hierarquias, com a emblemática solidez da afirmação selada pelo magister dixit. Só o pedreiros-livres, estudiosos da Geometria, constituíam uma excepção em relação ao imobilismo do dogmatismo reinante. Um geómetra, quando se inclina perante a palavra do mestre não o faz por ela proceder dele, mas sim por ela ter sido demonstrada. A relação mestre-aluno não assenta nem na confiança nem na submissão, é sim determinada pelo próprio exercício da transmissão de um conhecimento. O mestre diz ao seu aprendiz: «eis o que eu afirmo, eis como eu provo o que afirmo, e tu só o saberás depois de o teres verificado por ti próprio, com os teus instrumentos, o esquadro e o compasso».

De outro modo, não teriam sido erigidos ao longo dos séculos os edifícios majestosos dos templos, cuja perenidade testemunha a correcção das bases operativas usadas na sua construção.

Assim, é pela Geometria e pelo aprofundar do seu estudo que se introduz o espírito de pesquisa e se instala na consciência um modo de actuar que subverte o dogma da fé e conduz ao racionalismo. Reconheçamos que o mesmo pensamento que se desenvolveu a fim de estabelecer os planos dos templos e das catedrais preparou a supremacia da razão.

Partindo desta filosofia operativa dos primitivos construtores-livres, embora trilhando uma via atribulada e cheia de avanços e retrocessos, a moderna Maçonaria especulativa amadureceu a ideia de que um homem pode ser digno de estima sem partilhar a mesma religião do seu irmão. Numa perspectiva dinâmica do mundo que se contrapõe ao imobilismo dogmático, o Maçom, sem renunciar à sua própria fé, toma em consideração todas as ideologias e instala na sua consciência a ideia da tolerância, isto é, a ideia segundo a qual nenhum discurso tem o monopólio do verdadeiro, do bom e do belo, e que cada coisa é o estado transitório de uma perpétua metamorfose.

Pelo esquadro e pelo compasso, pelo estudo da Geometria, o Maçom aprende que o espírito é o estado etéreo da matéria e que esta é o estado sólido do espírito, que as propriedades se diferenciam, mas não a natureza, que a movimentação social se torna fluída e as fronteiras entre as castas pouco nítidas e que a tradição se torna criativa porque cada um faz surgir sentimentos novos dos mesmos textos, caindo os muros que separam os homens.

É por isso que a via iniciática da Maçonaria se mostra capaz de voltar a unir Fé e Razão, Matéria e Espirito, Acção e Meditação e de recriar o homem total que retorna à Unidade Primordial, fazendo desaparecer os guetos e transformando todos os homens em irmãos.

José E.


MAÇONARIA E LINGUAGEM

O PROBLEMA DA LINGUAGEM

João Anatalino Rodlrigues


Há duas formas de conhecer o universo e buscar uma comunicação com ele. Podemos chamá-las de objectiva e intuitiva, material e espiritual, científica ou religiosa, etc. Mas seja qual o for o nome dado a essas formas de abordagens da realidade manifesta ou não manifesta do universo, o que fica é o facto de que não podemos negar a existência de fenómenos que as nossas pobres ferramentas mentais, mesmo acrescidas e poderosamente estendidas por modernos aparelhos científicos, não conseguem detectar. E quando são intuídos, por força da largueza que alguns espíritos bem dotados possuem, esses fenómenos não podem ser organizados de forma epistémica por falta de uma linguagem adequada.

E que a mente humana só consegue entender o que ela pode representar como imagem. Aquilo que a nossa mente não consegue dar forma, não pode ser objecto de conhecimento.

Todavia, a mente humana precisa ser devidamente informada para ter material com o que trabalhar. E toda informação que temos das realidades humanas ou divinas são extraídas do próprio ambiente em que o homem vive. Essa é razão de os povos antigos representarem Deus nas mais diversas formas da natureza. Eles tinham a intuição de que havia um Princípio que gerava e comandava todas as forças e poderes aos quais estavam submetidos, mas nem a imaginação mais fértil entre eles era capaz de dar uma figuração e uma identidade à esse Poder. Por isso eram tantos os deuses e as suas representações as mais variadas, desde figuras de animais até elementos naturais e as próprias criaturas humanas, representativas de vícios e virtudes, acabaram tornando-se entidades do mundo subtil, como são os deuses e demónios da antiguidade. Até os hebreus, que sintetizaram a noção do divino numa entidade única, na hora de dar uma representação mental visual para Ela, o fizeram através da figura do arquétipo situado no mais alto nível da sua hierarquia social, que era o patriarca.

Assim temos a imagem austera e conservadora de Deus, que Israel legou ao mundo. Ela é a representação dos seus próprios líderes, velhos patriarcas de uma sociedade pastoril que neles encarnava o pátrio poder. Essa é a razão de o cronista bíblico, ao descrever a criação do homem, dizer que Deus o formou “à sua imagem e semelhança”, denotando claramente que a imagem que os antigos hebreus tinham de Deus era a projecção do próprio patriarca da sua tribo, ou do pai de família, que na sua cultura detinha o pátrio poder. Essa noção também viria a ser utilizada por Jesus, que via Deus como um Pai, fundamentado no próprio significado que esse arquétipo assumia na estrutura da sociedade judaica [1].

Isto porque Deus é uma realidade que a grande maioria das pessoas, em todo o mundo, seja qual for a religião que professem, não ousa negar. Mesmo aqueles que se confessam ateus, na verdade, não o estão a negar, pois para se negar a existência de alguma coisa, primeiro é necessário pressupor a possibilidade da sua existência.

E que o fenómeno da afirmação e da negação é simplesmente um problema de linguagem. Como a nossa mente funciona com comando binário, ela não pode projectar uma acção negativa sem antes ter noção do seu contrário, que é a acção positiva. Dessa forma, podemos afirmar que a negação da existência de Deus é impossível sem primeiro admitir a possibilidade da sua existência. Por isso é que a chamada psicologia da assertividade ensina que toda vez que damos uma ordem negativa ao nosso organismo, a nossa mente tem de representar primeiro o contrário daquilo que lhe está sendo ordenado. Ou seja, se não podemos fazer uma coisa que não sabemos como é, também não podemos deixar de fazê-la, pelo mesmo motivo.

Isto é uma consequência da forma como a nossa mente é estruturada. Por isso, os psicólogos dessa escola dizem que devemos evitar dar comandos às crianças utilizando a palavra não. “Não coloque a mão na tomada” por exemplo, para ser entendida pela mente de uma criança, precisará primeiro formar a imagem do que é colocar a mão na tomada, ou seja, para ela saber o que é não fazer isso, precisa primeiro saber o que é fazer isso. A mente da criança pode escolher a primeira opção, isto é, a sua curiosidade natural levá-la-á a escolher a primeira opção, isso é, saber como é, para depois decidir se gosta ou não. Mas aí o estrago já estará feito [2].
A questão do método

Os cientistas, para exprimir as ideias que eles têm do universo, utilizam uma linguagem organizada, feita de números, figuras, equações, postulados, silogismos e pressupostos, que são frutos de uma actividade consciente do cérebro. Essas representações mentais que eles fazem do universo constitui o método chamado científico.

De forma diferente actua o método iniciático. Enquanto a ciência se socorre da linguagem derivada, consciente, arranjada, desenvolvida pela mente para reconstruir para a nossa sabedoria a fenomenologia universal, a iniciação está vinculada à linguagem primitiva e inconsciente do universo, que só pode ser reconstruída através de um simbolismo que muitas vezes não tem paralelo dentro do arsenal de fórmulas que a nossa mente consciente desenvolveu para explicar o mundo em que vivemos.

No mundo existem realidades que não podemos ver, ouvir ou sentir. Quem consegue ver a electricidade? Ou ouvi-la? Quem consegue ver ou ouvir a actividade de um eléctron, girando em volta do seu núcleo? Quem pode sentir a acção dos átomos impressionando o écran de um tubo de TV para formar uma imagem? Mas, no entanto, podemos ver, ouvir e sentir a actuação dessas forças através das suas manifestações no mundo das realidades sensíveis. A electricidade ilumina as nossas cidades e move as nossas máquinas. A actividade dos átomos transforma-os em elementos químicos e confere-lhes as suas propriedades. A luz decompõe-se em espectros e dá-nos imagens de eventos que estão acontecendo naquele justo momento nos lugares mais distantes do mundo.

Se existe um mundo material é porque existe concomitante uma energia que o gera e lhe dá forma. E não existem leis, mesmo naturais, que não tenham sido promulgadas de alguma forma por Alguém.

O nosso conhecimento do mundo é imperfeito, incompleto e falho porque ele se limita ao território da nossa linguagem. Não está no mundo da nossa mente consciente aquilo que a nossa capacidade de linguagem não consegue representar com os seus parcos recursos. Por isso Wittgeinsten ensina que o “os limites do nosso mundo são os limites da nossa linguagem” [3].

Isto explica por que temos tantas e tão diferentes ideias da realidade espiritual e do mundo das coisas divinas. Algumas tão bizarras que custa a acreditar que um dia tenham sido pensadas e mesmo sustentadas, ao preço de muitas vidas, como verdades incontestes.

Algumas das concepções que fazem parte do acervo do pensamento mágico que habita o inconsciente humano e se manifestam através de símbolos e arquétipos, no mais das vezes, são incompreensíveis ao pensamento racional. E só podem ser transmitidos através do método iniciático, ou seja, aquele que se dirige mais à mente inconsciente do aprendiz do que à sua consciência. Esse é o método utilizado pelas sociedades iniciáticas, através das cerimónias de iniciação e também pelas religiões através dos actos litúrgicos e dos seus rituais.

Assim, podemos dizer que antes da pedagogia existiu o comportamento; antes da religião nasceu o culto e antes da ciência o homem desenvolveu a técnica. Isto significa que o homem primeiro pratica um comportamento, depois preocupa-se em entender por que o faz. Por isso, toda prática cultural tem, na sua origem, um arquétipo, uma noção não criada pela mente humana, a inspirá-la. A maçonaria, como tradição, é, por definição, uma estrutura arquetípica cujos fundamentos estão no Inconsciente Colectivo da Humanidade. Os seus membros nela são recebidos por iniciação e os seus ensinamentos são transmitidos pelo método iniciático. Por isso, maçonaria só se aprende por intuição e sensibilidade e nunca por aprendizado epistémico, pois não há, no acervo cultural dessa tradição, um saber organizado, lógico, estruturado em sistemas, como se pode encontrar nas chamadas universidades do saber social. Daí o facto, muitas vezes curioso, de encontrarmos um aprendiz com mais conhecimento de maçonaria do que um mestre de muitos graus já colados.

João Anatalino Rodrigues
Notas

[1] Veja-se Northrop Frye, O Código dos Códigos Ed. Boi Tempo, 2001.

[2] ALBERTI, R. E.; EMMONS, M. I. Your perfect right: a guide to assertive living. San Luis Obispo: Impact Publishers, 1986

[3] Ludwig Wittgeisnten (1899-1951)-Tratado Lógico Filosófico, 1922.


O SIMBOLO PERDIDO 
O PONTO DENTRO DE UM CÍRCULO

Extraído do Blog Freemasons
Mario Cristino Bandim Vasconcelos


INTRODUÇÃO

A Maçonaria anglo-saxónica adopta um símbolo esquecido pela Maçonaria Brasileira. Trata-se do símbolo que os Maçons de língua inglesa denominam “O ponto dentro de um círculo”, e que é visto nos painéis das lojas.

Muitos estudantes consideram este símbolo como pertencente exclusivamente ao terceiro grau. Mas, se recorrermos à antigos catecismos maçónicos ou até a instruções mais recentes, encontramos este símbolo na explicação do primeiro painel. Ele figura em muitos dos antigos painéis (Publicado em freemason.pt) do primeiro grau e as instruções dizem-nos que “em toda Loja regular e legalmente constituída há um ponto dentro de um círculo, cujos limites (a Virtude e o Amor ao Próximo) o Maçom não deve ultrapassar. ”

Em muitos rituais do Primeiro Grau, editados no Brasil, existe o desenho de um Painel de Aprendiz, no qual são vistas as três colunas arquitectónicas, o Sol, a Lua, A Estrela Flamejante no alto da escada de Jacob e em baixo desta, um altar quadrado repousando sobre um pavimento mosaico. No meio deste altar nota-se um círculo. Comparando-se, entretanto este desenho com a pintura original, observam-se várias diferenças. O desenho original mostra o símbolo completo. O Círculo tem um ponto central e duas linhas verticais paralelas tangenciando a circunferência.

Sendo limitado ao Norte e ao Sul por duas linhas paralelas e perpendiculares, que representam Moisés e Salomão [1], este símbolo indica, dentre outras coisas, que o Maçon deve pautar as suas acções segundo as virtudes que estes dois grandes iniciados representam. O Círculo é também tangenciado no seu topo pelo Livro da Lei, indicando que a via ascensional para o G:. A:. D:. U:. só existe pela obediência à sua vontade e aos misteriosos desígnios da sua sagrada palavra.


O SÍMBOLO

Figura 1 – O Símbolo Maçónico do Ponto dentro do Círculo. Em algumas versões deste símbolo o L:. da L:. figura acima do círculo.

O Círculo com um ponto central é, inegavelmente, um símbolo místico e remonta a mais alta antiguidade. Ele faz parte até das cerimónias e ritos de adoração ao Sol predominante entre os antigos. Este símbolo foi interpretado de várias maneiras. Simbolizou o Sol, o Universo, Deus e o Todo, a Unidade (Publicado em freemason.pt) e o zero, o princípio (o ponto) no centro da eternidade (o círculo linha sem início e fim), porém sempre relacionados a Deus e à criação.

Os corpos celestes foram a base sobre a qual se inspiraram os sábios da Antiguidade para definir as primeiras formas geométricas. Nos primórdios da Humanidade, o Ser Supremo, o Criador, não tinha nome nem símbolo algum que o representasse. O mesmo não acontecia em relação à sua obra, a criação, o Universo, cujo símbolo já era então o Círculo com o Ponto Central.

O Zohar, o Livro do Resplendor, ensina que o Ponto Original e Indivisível se dilatou e, por meio de um movimento constante, expandiu-se e deu vida e forma ao Universo. A Divindade expande-se de maneira ilimitada, e enche continuamente o Universo com as suas obras.

Meus Irmãos, chama-nos a atenção tal afirmativa, feita tantos séculos atrás pois, das modernas teorias sobre a origem do Universo, uma das mais aceitas pela comunidade científica é a do popularmente conhecido “Big Bang” onde, de um ponto de dimensões infinitamente pequenas (uma SINGULARIDADE), toda a matéria e energia surgiu numa fantástica expansão. Esta ocorrência cósmica criou não só matéria e energia, mas o próprio tempo e toda a geometria do espaço. Não é por acaso que vemos o ponto dentro do círculo tangenciado também pelo Livro da Lei (o verbo)… “E no princípio era o verbo” (Bíblia Sagrada). Não só a intuição religiosa, mas também o formalismo matemático e as inferências experimentais da cosmologia moderna levam-nos a ideia de que, antes do “sopro inicial criador” não existia nem espaço nem o tempo [2]. É surpreendente como, nos limites da ignorância humana, ciência e espiritualidade parecem tocar-se.

Na década de 20, observações realizadas por Edwin Hubble, no telescópio do Monte Wilson, revelaram que, quanto mais longe as galáxias estão do nosso planeta maior é a velocidade de afastamento. Isto diz-nos que o Universo está a expandir-se de forma acelerada. Se as galáxias se estão a afastar agora, significa que devem ter estado mais próximas umas das outras no passado. Há cerca de 15 bilhões de anos todas teriam estado “umas sobre as outras”, e a densidade teria sido enorme. Este estado foi denominado ÁTOMO PRIMORDIAL pelo sacerdote católico Georges Lemaître, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de “Big Bang”.

Na Índia, os Vedas ensinam que Deus é um Círculo, cujo centro está em toda a parte e cuja circunferência não está em parte alguma. Outra interessante semelhança entre o pensamento antigo e moderno pois, voltando a falar da geometria do espaço-tempo e da expansão universal, não se concebe esta expansão de forma regular, melhor dizendo, não há, actualmente, um centro determinado desta expansão.

Meus queridos Irmãos, para visualizarmos a situação acima descrita, ainda que de forma rudimentar, imaginemos todas as galáxias do universo espalhadas sobre a superfície de uma gigantesca (e hipotética) “bexiga” de borracha. Se enchemos a bexiga, todas as galáxias se afastam umas das outras mas não há um centro determinado, pelo menos no plano físico. O Ponto no centro do círculo é o Criador dos Mundos, e organizador desta maravilhosa dança cósmica, desde o mais humilde átomo de carbono nos fios das barbas de Aarão até os fantásticos quasares [3] que fulgem dos confins do universo.

O Círculo com o Ponto no Centro também pode ser relacionado com a fórmula alquímica VITRIOL. Nesta acepção, rectificar significa corrigir os erros inerentes à natureza humana. Com a descida ao interior da Terra e a morte do profano, o iniciado, pela meditação e auto-análise, busca as cristalinas fontes do Amor e da Sabedoria que o levarão à posse da Pedra Polida, a almejada Pedra Filosofal.
O círculo

O Círculo, sem começo nem final, é um símbolo da divindade e eternidade e, portanto, o Compasso deve ser tomado como o meio pelo qual esta figura perfeita pode ser traçada. Em toda a parte e em todas as épocas, atribuiu-se ao Círculo propriedades mágicas e, particularmente, o poder de protecção contra o mal exterior de tudo que estivesse nele circunscrito. O folclore traz-nos inúmeros exemplos de pessoas, casas, lugares etc. sendo protegidos pelo simples traçado de um círculo em volta deles. As virtudes do Círculo foram também atribuídas aos anéis, braceletes tornozeleiras e colares usados desde épocas primitivas, não só como ornamentos, mas como meio de protecção contra influências malignas.

O Ponto dentro do Círculo – foi herdado, conscientemente ou não, dos mais antigos ritos pagãos, nos quais ele representava os princípios masculino e feminino e tornou-se, como passar do tempo, o símbolo do Sol e do Universo. A adoração do falo, como símbolo de fertilidade, foi lugar (Publicado em freemason.pt) comum em todo mundo antigo. Povos simples foram inocentemente levados a adoptá-lo como base das suas religiões sob a veste de um grande mistério ou princípio gerador.

L.M Child declarou :

“A reverência pelo mistério da organização da vida levou ao reconhecimento de um princípio masculino e feminino em todas as coisas espirituais ou materiais: a exemplo, o vento (activo) era masculino, a atmosfera, passiva e inerte, era feminina”.

Podemos citar outras diversas leituras para este emblema, quais sejam:
Um antigo esquema do universo, o ponto representa o individuo, ou contemplador, e o círculo o horizonte;
A trajectória da Terra em volta do Sol e as linhas paralelas como os solstícios de inverso e Verão;
Um diagrama astrológico ou astronómico com as linhas verticais representando os Trópicos de Câncer e de Capricórnio;

Gostaria, no entanto de finalizar esta explanação com a sua interpretação geométrica, a qual tem íntima ligação com alguns dos mais bem guardados segredos dos antigos Maçons Operativos: a obtenção de um ângulo recto a partir do traçado do círculo.
Figura 2 – Construção de um ângulo recto com o auxílio do ponto e do círculo

A técnica consiste em traçar uma linha partindo de um ponto qualquer da circunferência (no nosso exemplo, ponto A da figura 2) passando pelo centro e interceptando-a novamente (figura 2, ponto B). Depois, traça-se uma outra linha partindo do mesmo ponto inicial e interceptando a circunferência num outro ponto qualquer (figura 2, ponto C). Agora ligamos este ponto com o ponto B. Obtemos, então, de acordo com o Teorema 12, do Livro III, do “Elementos de Geometria” de Euclides, um triângulo rectângulo. Este teorema diz que “Um ângulo inscrito num semicírculo é um ângulo recto” (vide figura 3).

Naturalmente, como um ofício secreto, esta técnica deve ter tido um extremo valor para os Antigos Maçons Operativos, e deve ter sido utilizada, dentre outras coisas, para verificar o trabalho dos obreiros e certificar que os mesmos estavam perfeitos. Outras operações gráficas podem ser executadas com base nesta rica figura. Até mesmo o Segmento Áureo [4] (F) pode dela ser obtido. Aos Irmãos que desejarem aprofundar o estudo geométrico do símbolo, sugiro a leitura do artigo citado na primeira referência bibliográfica deste texto.

CONCLUSÃOFigura 3 – Para qualquer ponto “C” escolhido teremos sempre um ângulo reto


Meditemos, meus caros Irmãos, sobre a profundidade e riqueza deste elemento “mágico” da nossa simbologia. Mais que isso, sobre a sua antiguidade e sobre o significado que ele nos traz de eras passadas. Quantos joelhos não se curvaram perante o símbolo do Eterno, do Criador, do Sol? Quantas expectativas não foram neste símbolo depositadas? Quantas magníficas obras arquitectónicas não se ergueram em direcção aos céus com o auxílio deste magnífico emblema? Se este é o símbolo perdido não podemos reencontrá-lo? Se, actualmente, os nossos rituais não fazem jus à carga espiritual e histórica deste símbolo será que não nos cabe rendermos homenagem aos nossos ancestrais que observaram os limites do círculo e renderam graças ao “Ponto Primordial”?

Que o G:.A:.D:.U:. nos ilumine na nossa jornada!

Mario Cristino Bandim Vasconcelos
Notas

[1] Os nossos Irmãos do Rito de York dizem que “em toda Loja bem dirigida existe a representação de um certo ponto dentro de um círculo, e que representa um Irmão, individualmente; o Círculo, a linha divisória da sua conduta, além da qual ele nunca sofrerá danos ou paixões que o traiam”. (…)

Os nossos Irmãos acrescentam que “este círculo é limitado por duas linhas perpendiculares paralelas, que representam São João Batista e São João Evangelista, e no topo estão as Sagradas Escrituras” (um livro aberto). “Ao circundar esse círculo”, dizem eles, “tocamos, necessariamente, essas duas linhas, assim como as Sagradas Escrituras; e enquanto um Maçom se mantém circunscrito aos seus preceitos, torna-se impossível que possa errar”. [iv]

[2] A “nova” teoria do espaço-tempo curvo foi denominada relatividade geral, para distinguir-se da teoria original que não falava sobre gravidade. Ela foi confirmada espectacularmente em 1919, quando uma expedição britânica à África Ocidental observou uma pequena deflexão da luz ao passar perto do sol, durante um eclipse. Foi uma evidencia directa de que o espaço e o tempo são deformáveis. [iii]

[3] Os “quasares” (abreviatura de Quase stelars objectus, do latim Objectos quase estelares) são buracos negros de massa bilhões de vezes maiores que a do Sol. A voracidade com que devoram matéria é impressionante. A aceleração desta matéria “tragada” para o seu interior produz fortes emissões de ondas de rádio e uma colossal luminosidade tornando-os os objectos mais brilhantes do universo.

[4] Segmento Áureo – também chamado “Número de Ouro” ou “Divina Proporção”, consiste em uma relação particular tal que a parte menor esteja em relação à maior assim como a maior em relação ao todo. Isso é o que a geometria clássica chama de divisão de uma recta em média e extrema razão. Esta relação é frequentemente encontrada da natureza: proporções do corpo humano, desenho de flores, traçado das conchas de muitos moluscos oceânicos e, por isso, muitas Lojas a observam na construção do quadrado oblongo dos seus Templos.
Bibliografia
[i] BURKE, Bro. William Steve, 32°. THE POINT WITHIN A CIRCLE – More Than Just an Allusion? : Construction of a Right Triangle Using The “Point Within s Circle”. Sciotto Lodje Nº 6, Chillicote, Ohio. (http://freemasons-freemasonry.com/point_within_circle.html)
[ii] FADISTA, António – “O PONTO DENTRO DO CÍRCULO” – Pesquisa: Ir:. Jaime Balbino – Internet (citar o site)
[iii] HAWKING, Stephen – “O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ” – São Paulo, Arx, 2001, 3ª edição.
[iv] PIKE, Albert – MORAL E DOGMA DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA – GRAUS SIMBÓLICOS – Livraria Maçónica Paulo Fuchs
[v] WATERMAN, S.L – “A POINT WITHIN A CIRCLE” – G.L of Sakatchewan – 1974 – Internet

quarta-feira, 11 de março de 2020



JAMES  VI DA ESCÓCIA, MAÇONARIA E A GENEALOGIA BÍBLICA

Blog Bibliot3ca
Tradução J. Filardo


JAMES VI DA ESCÓCIA
19 de junho de 1566 – 27 de março de 1625


O Rei James era um Rei da Grã Bretanha, França e Irlanda. Ele era negro e a bíblia do Rei James recebeu seu nome em sua homenagem. O Rei James aprovou 54 eruditos para trabalhar na tradução; 47 trabalharam em 6 grupos em 3 locais diferentes por 7 anos, comparando traduções anteriores em Inglês (Bíblia de Genebra) e textos no idioma original (Hebraico e Grego).

A tradução King James teve uma influência significativa sobre o idioma inglês e era amplamente aceita como a Bíblia em inglês padrão. Devido a que o projeto foi supervisionado pelo Rei James e o cuidado e atenção precisa com detalhes durante a tradução por sete anos, a bíblia do Rei James era considerada uma mas mais precisas traduções existentes.

Rei da Escócia (1567-1625) e o primeiro Rei Stuart da Inglaterra (1603-25), os historiadores ingleses tendem a retratá-lo como um covarde e um pedante exigente e tolo: ‘O tolo mais sábio da cristandade’. Na realidade, ele foi razoavelmente bem-sucedido em seus principais objetivos, aumentando a prosperidade nacional, mantendo a paz com a Europa e estabelecendo a igreja. Hoje, ele é lembrado por encomendar a chamada Bíblia do Rei James, ou Versão Autorizada.

Na parede oeste do salão de loja usado pela Loja Scoon and Perth No. 3 em Perth, na Escócia, pode ser encontrado um mural representando James VI ajoelhado em seu altar em sua iniciação. O registro mais antigo da Loja, chamado “O Acordo Mútuo” de 24 de dezembro de 1658, registra que James “foi iniciado Maçom e Companheiro da Loja de Scoon” em 15 de abril de 1601.

James também nomeou William Schaw como Mestre da Obra e Diretor Geral em 1583, com a missão de reorganizar o ofício da construção. Em 1598, Schaw emitiu o primeiro de seus estatutos, estabelecendo os deveres dos pedreiros com sua loja e com o público, impondo penalidades por trabalho insatisfatório e práticas inadequadas de segurança. Schaw elaborou um segundo estatuto em 1599, no qual a primeira referência velada à existência de conhecimento esotérico dentro do ofício de pedreiro pode ser encontrada.

Iniciado: 15 de abril de 1601
Loja Scoon and Perth No. 3, Perth, Escócia.
GENEALOGIA BÍBLICA DO ANTIGO TESTAMENTO

1300-165 a.C. – Primeiros textos hebraicos escritos em papiros e rolos de couro

250-50 a.C. – Septuaginta – Primeiras traduções do hebraico para o grego

Séculos IX a IX – Textos editados na forma atual por Masoretes

400 d.C. – Vulgata de São Jerônimo – tradução para o latim. Padrão católico.

1382 d.C. – A Bíblia de Wycliffe. Primeira tradução para o inglês

1455 d.C. – Bíblia de Guttenberg. Primeira Bíblia impressa, usando texto da Vulgata.

1525-1530 d.C. – Bíblia Tyndale. Primeira tradução impressa em inglês a partir de textos em hebraico.

1539 d.C. – Grande Bíblia. Primeira tradução para o inglês autorizada pela Igreja.

1560 d.C. – Bíblia de Genebra. Publicado por exilados ingleses. Trazida para a América por Peregrinos.

1582-1610 d.C. – Bíblia Douay. Tradução em inglês para católicos trazida para a América.

1611 d.C. – Bíblia do Rei James. Traduzido por 47 estudiosos. A mais famosa Bíblia inglesa.

1663 d.C. – Bíblia Algonquin. Traduzida para os Índios. Primeira Bíblia impressa na América.

1952 – Bíblia da Confraternidade. Primeiras versões católicas dos EUA inteiramente a partir de fontes hebraicas básicas, incluindo os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947. Estes são os textos mais antigos disponíveis, alguns datam de 200 a.C.

1952 – Versão Padrão Revisada. Bíblia protestante

Fontes:
Crawford Smith e William James Hughan, História da Antiga Loja Maçônica de Scoon e Perth (Número 3, A Loja do Scone) Perth: Cowan and Company, Limited, 1898.

Veja também:

Livro do Ano da Grande Loja de Antigos Maçons Livres e Aceitos da Escócia 1990, p. 50. Observe que o Contrato ou Acordo Mútuo é o único registro dessa iniciação, que esse histórico foi encomendado pela loja para estabelecer suas reivindicações de precedência e que não há documentação de fonte primária. Imagem: artista desconhecido ‘detalhe’. Scottish National Portrait Gallery.