quinta-feira, 11 de junho de 2020


O SIMBOLO PERDIDO 
O PONTO DENTRO DE UM CÍRCULO

Extraído do Blog Freemasons
Mario Cristino Bandim Vasconcelos


INTRODUÇÃO

A Maçonaria anglo-saxónica adopta um símbolo esquecido pela Maçonaria Brasileira. Trata-se do símbolo que os Maçons de língua inglesa denominam “O ponto dentro de um círculo”, e que é visto nos painéis das lojas.

Muitos estudantes consideram este símbolo como pertencente exclusivamente ao terceiro grau. Mas, se recorrermos à antigos catecismos maçónicos ou até a instruções mais recentes, encontramos este símbolo na explicação do primeiro painel. Ele figura em muitos dos antigos painéis (Publicado em freemason.pt) do primeiro grau e as instruções dizem-nos que “em toda Loja regular e legalmente constituída há um ponto dentro de um círculo, cujos limites (a Virtude e o Amor ao Próximo) o Maçom não deve ultrapassar. ”

Em muitos rituais do Primeiro Grau, editados no Brasil, existe o desenho de um Painel de Aprendiz, no qual são vistas as três colunas arquitectónicas, o Sol, a Lua, A Estrela Flamejante no alto da escada de Jacob e em baixo desta, um altar quadrado repousando sobre um pavimento mosaico. No meio deste altar nota-se um círculo. Comparando-se, entretanto este desenho com a pintura original, observam-se várias diferenças. O desenho original mostra o símbolo completo. O Círculo tem um ponto central e duas linhas verticais paralelas tangenciando a circunferência.

Sendo limitado ao Norte e ao Sul por duas linhas paralelas e perpendiculares, que representam Moisés e Salomão [1], este símbolo indica, dentre outras coisas, que o Maçon deve pautar as suas acções segundo as virtudes que estes dois grandes iniciados representam. O Círculo é também tangenciado no seu topo pelo Livro da Lei, indicando que a via ascensional para o G:. A:. D:. U:. só existe pela obediência à sua vontade e aos misteriosos desígnios da sua sagrada palavra.


O SÍMBOLO

Figura 1 – O Símbolo Maçónico do Ponto dentro do Círculo. Em algumas versões deste símbolo o L:. da L:. figura acima do círculo.

O Círculo com um ponto central é, inegavelmente, um símbolo místico e remonta a mais alta antiguidade. Ele faz parte até das cerimónias e ritos de adoração ao Sol predominante entre os antigos. Este símbolo foi interpretado de várias maneiras. Simbolizou o Sol, o Universo, Deus e o Todo, a Unidade (Publicado em freemason.pt) e o zero, o princípio (o ponto) no centro da eternidade (o círculo linha sem início e fim), porém sempre relacionados a Deus e à criação.

Os corpos celestes foram a base sobre a qual se inspiraram os sábios da Antiguidade para definir as primeiras formas geométricas. Nos primórdios da Humanidade, o Ser Supremo, o Criador, não tinha nome nem símbolo algum que o representasse. O mesmo não acontecia em relação à sua obra, a criação, o Universo, cujo símbolo já era então o Círculo com o Ponto Central.

O Zohar, o Livro do Resplendor, ensina que o Ponto Original e Indivisível se dilatou e, por meio de um movimento constante, expandiu-se e deu vida e forma ao Universo. A Divindade expande-se de maneira ilimitada, e enche continuamente o Universo com as suas obras.

Meus Irmãos, chama-nos a atenção tal afirmativa, feita tantos séculos atrás pois, das modernas teorias sobre a origem do Universo, uma das mais aceitas pela comunidade científica é a do popularmente conhecido “Big Bang” onde, de um ponto de dimensões infinitamente pequenas (uma SINGULARIDADE), toda a matéria e energia surgiu numa fantástica expansão. Esta ocorrência cósmica criou não só matéria e energia, mas o próprio tempo e toda a geometria do espaço. Não é por acaso que vemos o ponto dentro do círculo tangenciado também pelo Livro da Lei (o verbo)… “E no princípio era o verbo” (Bíblia Sagrada). Não só a intuição religiosa, mas também o formalismo matemático e as inferências experimentais da cosmologia moderna levam-nos a ideia de que, antes do “sopro inicial criador” não existia nem espaço nem o tempo [2]. É surpreendente como, nos limites da ignorância humana, ciência e espiritualidade parecem tocar-se.

Na década de 20, observações realizadas por Edwin Hubble, no telescópio do Monte Wilson, revelaram que, quanto mais longe as galáxias estão do nosso planeta maior é a velocidade de afastamento. Isto diz-nos que o Universo está a expandir-se de forma acelerada. Se as galáxias se estão a afastar agora, significa que devem ter estado mais próximas umas das outras no passado. Há cerca de 15 bilhões de anos todas teriam estado “umas sobre as outras”, e a densidade teria sido enorme. Este estado foi denominado ÁTOMO PRIMORDIAL pelo sacerdote católico Georges Lemaître, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de “Big Bang”.

Na Índia, os Vedas ensinam que Deus é um Círculo, cujo centro está em toda a parte e cuja circunferência não está em parte alguma. Outra interessante semelhança entre o pensamento antigo e moderno pois, voltando a falar da geometria do espaço-tempo e da expansão universal, não se concebe esta expansão de forma regular, melhor dizendo, não há, actualmente, um centro determinado desta expansão.

Meus queridos Irmãos, para visualizarmos a situação acima descrita, ainda que de forma rudimentar, imaginemos todas as galáxias do universo espalhadas sobre a superfície de uma gigantesca (e hipotética) “bexiga” de borracha. Se enchemos a bexiga, todas as galáxias se afastam umas das outras mas não há um centro determinado, pelo menos no plano físico. O Ponto no centro do círculo é o Criador dos Mundos, e organizador desta maravilhosa dança cósmica, desde o mais humilde átomo de carbono nos fios das barbas de Aarão até os fantásticos quasares [3] que fulgem dos confins do universo.

O Círculo com o Ponto no Centro também pode ser relacionado com a fórmula alquímica VITRIOL. Nesta acepção, rectificar significa corrigir os erros inerentes à natureza humana. Com a descida ao interior da Terra e a morte do profano, o iniciado, pela meditação e auto-análise, busca as cristalinas fontes do Amor e da Sabedoria que o levarão à posse da Pedra Polida, a almejada Pedra Filosofal.
O círculo

O Círculo, sem começo nem final, é um símbolo da divindade e eternidade e, portanto, o Compasso deve ser tomado como o meio pelo qual esta figura perfeita pode ser traçada. Em toda a parte e em todas as épocas, atribuiu-se ao Círculo propriedades mágicas e, particularmente, o poder de protecção contra o mal exterior de tudo que estivesse nele circunscrito. O folclore traz-nos inúmeros exemplos de pessoas, casas, lugares etc. sendo protegidos pelo simples traçado de um círculo em volta deles. As virtudes do Círculo foram também atribuídas aos anéis, braceletes tornozeleiras e colares usados desde épocas primitivas, não só como ornamentos, mas como meio de protecção contra influências malignas.

O Ponto dentro do Círculo – foi herdado, conscientemente ou não, dos mais antigos ritos pagãos, nos quais ele representava os princípios masculino e feminino e tornou-se, como passar do tempo, o símbolo do Sol e do Universo. A adoração do falo, como símbolo de fertilidade, foi lugar (Publicado em freemason.pt) comum em todo mundo antigo. Povos simples foram inocentemente levados a adoptá-lo como base das suas religiões sob a veste de um grande mistério ou princípio gerador.

L.M Child declarou :

“A reverência pelo mistério da organização da vida levou ao reconhecimento de um princípio masculino e feminino em todas as coisas espirituais ou materiais: a exemplo, o vento (activo) era masculino, a atmosfera, passiva e inerte, era feminina”.

Podemos citar outras diversas leituras para este emblema, quais sejam:
Um antigo esquema do universo, o ponto representa o individuo, ou contemplador, e o círculo o horizonte;
A trajectória da Terra em volta do Sol e as linhas paralelas como os solstícios de inverso e Verão;
Um diagrama astrológico ou astronómico com as linhas verticais representando os Trópicos de Câncer e de Capricórnio;

Gostaria, no entanto de finalizar esta explanação com a sua interpretação geométrica, a qual tem íntima ligação com alguns dos mais bem guardados segredos dos antigos Maçons Operativos: a obtenção de um ângulo recto a partir do traçado do círculo.
Figura 2 – Construção de um ângulo recto com o auxílio do ponto e do círculo

A técnica consiste em traçar uma linha partindo de um ponto qualquer da circunferência (no nosso exemplo, ponto A da figura 2) passando pelo centro e interceptando-a novamente (figura 2, ponto B). Depois, traça-se uma outra linha partindo do mesmo ponto inicial e interceptando a circunferência num outro ponto qualquer (figura 2, ponto C). Agora ligamos este ponto com o ponto B. Obtemos, então, de acordo com o Teorema 12, do Livro III, do “Elementos de Geometria” de Euclides, um triângulo rectângulo. Este teorema diz que “Um ângulo inscrito num semicírculo é um ângulo recto” (vide figura 3).

Naturalmente, como um ofício secreto, esta técnica deve ter tido um extremo valor para os Antigos Maçons Operativos, e deve ter sido utilizada, dentre outras coisas, para verificar o trabalho dos obreiros e certificar que os mesmos estavam perfeitos. Outras operações gráficas podem ser executadas com base nesta rica figura. Até mesmo o Segmento Áureo [4] (F) pode dela ser obtido. Aos Irmãos que desejarem aprofundar o estudo geométrico do símbolo, sugiro a leitura do artigo citado na primeira referência bibliográfica deste texto.

CONCLUSÃOFigura 3 – Para qualquer ponto “C” escolhido teremos sempre um ângulo reto


Meditemos, meus caros Irmãos, sobre a profundidade e riqueza deste elemento “mágico” da nossa simbologia. Mais que isso, sobre a sua antiguidade e sobre o significado que ele nos traz de eras passadas. Quantos joelhos não se curvaram perante o símbolo do Eterno, do Criador, do Sol? Quantas expectativas não foram neste símbolo depositadas? Quantas magníficas obras arquitectónicas não se ergueram em direcção aos céus com o auxílio deste magnífico emblema? Se este é o símbolo perdido não podemos reencontrá-lo? Se, actualmente, os nossos rituais não fazem jus à carga espiritual e histórica deste símbolo será que não nos cabe rendermos homenagem aos nossos ancestrais que observaram os limites do círculo e renderam graças ao “Ponto Primordial”?

Que o G:.A:.D:.U:. nos ilumine na nossa jornada!

Mario Cristino Bandim Vasconcelos
Notas

[1] Os nossos Irmãos do Rito de York dizem que “em toda Loja bem dirigida existe a representação de um certo ponto dentro de um círculo, e que representa um Irmão, individualmente; o Círculo, a linha divisória da sua conduta, além da qual ele nunca sofrerá danos ou paixões que o traiam”. (…)

Os nossos Irmãos acrescentam que “este círculo é limitado por duas linhas perpendiculares paralelas, que representam São João Batista e São João Evangelista, e no topo estão as Sagradas Escrituras” (um livro aberto). “Ao circundar esse círculo”, dizem eles, “tocamos, necessariamente, essas duas linhas, assim como as Sagradas Escrituras; e enquanto um Maçom se mantém circunscrito aos seus preceitos, torna-se impossível que possa errar”. [iv]

[2] A “nova” teoria do espaço-tempo curvo foi denominada relatividade geral, para distinguir-se da teoria original que não falava sobre gravidade. Ela foi confirmada espectacularmente em 1919, quando uma expedição britânica à África Ocidental observou uma pequena deflexão da luz ao passar perto do sol, durante um eclipse. Foi uma evidencia directa de que o espaço e o tempo são deformáveis. [iii]

[3] Os “quasares” (abreviatura de Quase stelars objectus, do latim Objectos quase estelares) são buracos negros de massa bilhões de vezes maiores que a do Sol. A voracidade com que devoram matéria é impressionante. A aceleração desta matéria “tragada” para o seu interior produz fortes emissões de ondas de rádio e uma colossal luminosidade tornando-os os objectos mais brilhantes do universo.

[4] Segmento Áureo – também chamado “Número de Ouro” ou “Divina Proporção”, consiste em uma relação particular tal que a parte menor esteja em relação à maior assim como a maior em relação ao todo. Isso é o que a geometria clássica chama de divisão de uma recta em média e extrema razão. Esta relação é frequentemente encontrada da natureza: proporções do corpo humano, desenho de flores, traçado das conchas de muitos moluscos oceânicos e, por isso, muitas Lojas a observam na construção do quadrado oblongo dos seus Templos.
Bibliografia
[i] BURKE, Bro. William Steve, 32°. THE POINT WITHIN A CIRCLE – More Than Just an Allusion? : Construction of a Right Triangle Using The “Point Within s Circle”. Sciotto Lodje Nº 6, Chillicote, Ohio. (http://freemasons-freemasonry.com/point_within_circle.html)
[ii] FADISTA, António – “O PONTO DENTRO DO CÍRCULO” – Pesquisa: Ir:. Jaime Balbino – Internet (citar o site)
[iii] HAWKING, Stephen – “O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ” – São Paulo, Arx, 2001, 3ª edição.
[iv] PIKE, Albert – MORAL E DOGMA DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA – GRAUS SIMBÓLICOS – Livraria Maçónica Paulo Fuchs
[v] WATERMAN, S.L – “A POINT WITHIN A CIRCLE” – G.L of Sakatchewan – 1974 – Internet

quarta-feira, 11 de março de 2020



JAMES  VI DA ESCÓCIA, MAÇONARIA E A GENEALOGIA BÍBLICA

Blog Bibliot3ca
Tradução J. Filardo


JAMES VI DA ESCÓCIA
19 de junho de 1566 – 27 de março de 1625


O Rei James era um Rei da Grã Bretanha, França e Irlanda. Ele era negro e a bíblia do Rei James recebeu seu nome em sua homenagem. O Rei James aprovou 54 eruditos para trabalhar na tradução; 47 trabalharam em 6 grupos em 3 locais diferentes por 7 anos, comparando traduções anteriores em Inglês (Bíblia de Genebra) e textos no idioma original (Hebraico e Grego).

A tradução King James teve uma influência significativa sobre o idioma inglês e era amplamente aceita como a Bíblia em inglês padrão. Devido a que o projeto foi supervisionado pelo Rei James e o cuidado e atenção precisa com detalhes durante a tradução por sete anos, a bíblia do Rei James era considerada uma mas mais precisas traduções existentes.

Rei da Escócia (1567-1625) e o primeiro Rei Stuart da Inglaterra (1603-25), os historiadores ingleses tendem a retratá-lo como um covarde e um pedante exigente e tolo: ‘O tolo mais sábio da cristandade’. Na realidade, ele foi razoavelmente bem-sucedido em seus principais objetivos, aumentando a prosperidade nacional, mantendo a paz com a Europa e estabelecendo a igreja. Hoje, ele é lembrado por encomendar a chamada Bíblia do Rei James, ou Versão Autorizada.

Na parede oeste do salão de loja usado pela Loja Scoon and Perth No. 3 em Perth, na Escócia, pode ser encontrado um mural representando James VI ajoelhado em seu altar em sua iniciação. O registro mais antigo da Loja, chamado “O Acordo Mútuo” de 24 de dezembro de 1658, registra que James “foi iniciado Maçom e Companheiro da Loja de Scoon” em 15 de abril de 1601.

James também nomeou William Schaw como Mestre da Obra e Diretor Geral em 1583, com a missão de reorganizar o ofício da construção. Em 1598, Schaw emitiu o primeiro de seus estatutos, estabelecendo os deveres dos pedreiros com sua loja e com o público, impondo penalidades por trabalho insatisfatório e práticas inadequadas de segurança. Schaw elaborou um segundo estatuto em 1599, no qual a primeira referência velada à existência de conhecimento esotérico dentro do ofício de pedreiro pode ser encontrada.

Iniciado: 15 de abril de 1601
Loja Scoon and Perth No. 3, Perth, Escócia.
GENEALOGIA BÍBLICA DO ANTIGO TESTAMENTO

1300-165 a.C. – Primeiros textos hebraicos escritos em papiros e rolos de couro

250-50 a.C. – Septuaginta – Primeiras traduções do hebraico para o grego

Séculos IX a IX – Textos editados na forma atual por Masoretes

400 d.C. – Vulgata de São Jerônimo – tradução para o latim. Padrão católico.

1382 d.C. – A Bíblia de Wycliffe. Primeira tradução para o inglês

1455 d.C. – Bíblia de Guttenberg. Primeira Bíblia impressa, usando texto da Vulgata.

1525-1530 d.C. – Bíblia Tyndale. Primeira tradução impressa em inglês a partir de textos em hebraico.

1539 d.C. – Grande Bíblia. Primeira tradução para o inglês autorizada pela Igreja.

1560 d.C. – Bíblia de Genebra. Publicado por exilados ingleses. Trazida para a América por Peregrinos.

1582-1610 d.C. – Bíblia Douay. Tradução em inglês para católicos trazida para a América.

1611 d.C. – Bíblia do Rei James. Traduzido por 47 estudiosos. A mais famosa Bíblia inglesa.

1663 d.C. – Bíblia Algonquin. Traduzida para os Índios. Primeira Bíblia impressa na América.

1952 – Bíblia da Confraternidade. Primeiras versões católicas dos EUA inteiramente a partir de fontes hebraicas básicas, incluindo os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947. Estes são os textos mais antigos disponíveis, alguns datam de 200 a.C.

1952 – Versão Padrão Revisada. Bíblia protestante

Fontes:
Crawford Smith e William James Hughan, História da Antiga Loja Maçônica de Scoon e Perth (Número 3, A Loja do Scone) Perth: Cowan and Company, Limited, 1898.

Veja também:

Livro do Ano da Grande Loja de Antigos Maçons Livres e Aceitos da Escócia 1990, p. 50. Observe que o Contrato ou Acordo Mútuo é o único registro dessa iniciação, que esse histórico foi encomendado pela loja para estabelecer suas reivindicações de precedência e que não há documentação de fonte primária. Imagem: artista desconhecido ‘detalhe’. Scottish National Portrait Gallery.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020


O SIMBOLO PERDIDO – O PONTO DENTRO DO CÍRCULO


Extraído do Blog Bibliot#ca
Autor: zehfilardo3 Comentários


por Mario Cristino Bandim Vasconcelos



INTRODUÇÃO


A Maçonaria anglo-saxónica adopta um símbolo esquecido pela Maçonaria Brasileira. Trata-se do símbolo que os Maçons de língua inglesa denominam “O ponto dentro de um círculo”, e que é visto nos painéis das lojas.

Muitos estudantes consideram este símbolo como pertencente exclusivamente ao terceiro grau. Mas, se recorrermos à antigos catecismos maçónicos ou até a instruções mais recentes, encontramos este símbolo na explicação do primeiro painel. Ele figura em muitos dos antigos painéis (Publicado em freemason.pt) do primeiro grau e as instruções dizem-nos que “em toda Loja regular e legalmente constituída há um ponto dentro de um círculo, cujos limites (a Virtude e o Amor ao Próximo) o Maçom não deve ultrapassar. ”

Em muitos rituais do Primeiro Grau, editados no Brasil, existe o desenho de um Painel de Aprendiz, no qual são vistas as três colunas arquitectónicas, o Sol, a Lua, A Estrela Flamejante no alto da escada de Jacob e em baixo desta, um altar quadrado repousando sobre um pavimento mosaico. No meio deste altar nota-se um círculo. Comparando-se, entretanto este desenho com a pintura original, observam-se várias diferenças. O desenho original mostra o símbolo completo. O Círculo tem um ponto central e duas linhas verticais paralelas tangenciando a circunferência.

Sendo limitado ao Norte e ao Sul por duas linhas paralelas e perpendiculares, que representam Moisés e Salomão [1], este símbolo indica, dentre outras coisas, que o Maçon deve pautar as suas acções segundo as virtudes que estes dois grandes iniciados representam. O Círculo é também tangenciado no seu topo pelo Livro da Lei, indicando que a via ascensional para o G:. A:. D:. U:. só existe pela obediência à sua vontade e aos misteriosos desígnios da sua sagrada palavra.


O símbolo

Figura 1 

O Símbolo Maçónico do Ponto dentro do Círculo. Em algumas versões deste símbolo o L:. da L:. figura acima do círculo.


O Círculo com um ponto central é, inegavelmente, um símbolo místico e remonta a mais alta antiguidade. Ele faz parte até das cerimónias e ritos de adoração ao Sol predominante entre os antigos. Este símbolo foi interpretado de várias maneiras. Simbolizou o Sol, o Universo, Deus e o Todo, a Unidade (Publicado em freemason.pt) e o zero, o princípio (o ponto) no centro da eternidade (o círculo linha sem início e fim), porém sempre relacionados a Deus e à criação.

Os corpos celestes foram a base sobre a qual se inspiraram os sábios da Antiguidade para definir as primeiras formas geométricas. Nos primórdios da Humanidade, o Ser Supremo, o Criador, não tinha nome nem símbolo algum que o representasse. O mesmo não acontecia em relação à sua obra, a criação, o Universo, cujo símbolo já era então o Círculo com o Ponto Central.

O Zohar, o Livro do Resplendor, ensina que o Ponto Original e Indivisível se dilatou e, por meio de um movimento constante, expandiu-se e deu vida e forma ao Universo. A Divindade expande-se de maneira ilimitada, e enche continuamente o Universo com as suas obras.

Meus Irmãos, chama-nos a atenção tal afirmativa, feita tantos séculos atrás pois, das modernas teorias sobre a origem do Universo, uma das mais aceitas pela comunidade científica é a do popularmente conhecido “Big Bang” onde, de um ponto de dimensões infinitamente pequenas (uma SINGULARIDADE), toda a matéria e energia surgiu numa fantástica expansão. Esta ocorrência cósmica criou não só matéria e energia, mas o próprio tempo e toda a geometria do espaço. Não é por acaso que vemos o ponto dentro do círculo tangenciado também pelo Livro da Lei (o verbo)… “E no princípio era o verbo” (Bíblia Sagrada). Não só a intuição religiosa, mas também o formalismo matemático e as inferências experimentais da cosmologia moderna levam-nos a ideia de que, antes do “sopro inicial criador” não existia nem espaço nem o tempo [2]. É surpreendente como, nos limites da ignorância humana, ciência e espiritualidade parecem tocar-se.

Na década de 20, observações realizadas por Edwin Hubble, no telescópio do Monte Wilson, revelaram que, quanto mais longe as galáxias estão do nosso planeta maior é a velocidade de afastamento. Isto diz-nos que o Universo está a expandir-se de forma acelerada. Se as galáxias se estão a afastar agora, significa que devem ter estado mais próximas umas das outras no passado. Há cerca de 15 bilhões de anos todas teriam estado “umas sobre as outras”, e a densidade teria sido enorme. Este estado foi denominado ÁTOMO PRIMORDIAL pelo sacerdote católico Georges Lemaître, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de “Big Bang”.

Na Índia, os Vedas ensinam que Deus é um Círculo, cujo centro está em toda a parte e cuja circunferência não está em parte alguma. Outra interessante semelhança entre o pensamento antigo e moderno pois, voltando a falar da geometria do espaço-tempo e da expansão universal, não se concebe esta expansão de forma regular, melhor dizendo, não há, actualmente, um centro determinado desta expansão.

Meus queridos Irmãos, para visualizarmos a situação acima descrita, ainda que de forma rudimentar, imaginemos todas as galáxias do universo espalhadas sobre a superfície de uma gigantesca (e hipotética) “bexiga” de borracha. Se enchemos a bexiga, todas as galáxias se afastam umas das outras mas não há um centro determinado, pelo menos no plano físico. O Ponto no centro do círculo é o Criador dos Mundos, e organizador desta maravilhosa dança cósmica, desde o mais humilde átomo de carbono nos fios das barbas de Aarão até os fantásticos quasares [3] que fulgem dos confins do universo.

O Círculo com o Ponto no Centro também pode ser relacionado com a fórmula alquímica VITRIOL. Nesta acepção, rectificar significa corrigir os erros inerentes à natureza humana. Com a descida ao interior da Terra e a morte do profano, o iniciado, pela meditação e auto-análise, busca as cristalinas fontes do Amor e da Sabedoria que o levarão à posse da Pedra Polida, a almejada Pedra Filosofal.
O círculo

O Círculo, sem começo nem final, é um símbolo da divindade e eternidade e, portanto, o Compasso deve ser tomado como o meio pelo qual esta figura perfeita pode ser traçada. Em toda a parte e em todas as épocas, atribuiu-se ao Círculo propriedades mágicas e, particularmente, o poder de protecção contra o mal exterior de tudo que estivesse nele circunscrito. O folclore traz-nos inúmeros exemplos de pessoas, casas, lugares etc. sendo protegidos pelo simples traçado de um círculo em volta deles. As virtudes do Círculo foram também atribuídas aos anéis, braceletes tornozeleiras e colares usados desde épocas primitivas, não só como ornamentos, mas como meio de protecção contra influências malignas.

O Ponto dentro do Círculo – foi herdado, conscientemente ou não, dos mais antigos ritos pagãos, nos quais ele representava os princípios masculino e feminino e tornou-se, como passar do tempo, o símbolo do Sol e do Universo. A adoração do falo, como símbolo de fertilidade, foi lugar (Publicado em freemason.pt) comum em todo mundo antigo. Povos simples foram inocentemente levados a adoptá-lo como base das suas religiões sob a veste de um grande mistério ou princípio gerador.

L.M Child declarou :

“A reverência pelo mistério da organização da vida levou ao reconhecimento de um princípio masculino e feminino em todas as coisas espirituais ou materiais: a exemplo, o vento (activo) era masculino, a atmosfera, passiva e inerte, era feminina”.

Podemos citar outras diversas leituras para este emblema, quais sejam:
Um antigo esquema do universo, o ponto representa o individuo, ou contemplador, e o círculo o horizonte;
A trajectória da Terra em volta do Sol e as linhas paralelas como os solstícios de inverso e Verão;
Um diagrama astrológico ou astronómico com as linhas verticais representando os Trópicos de Câncer e de Capricórnio;

Gostaria, no entanto de finalizar esta explanação com a sua interpretação geométrica, a qual tem íntima ligação com alguns dos mais bem guardados segredos dos antigos Maçons Operativos: a obtenção de um ângulo recto a partir do traçado do círculo.


Figura 2 – Construção de um ângulo recto com o auxílio do ponto e do círculo

A técnica consiste em traçar uma linha partindo de um ponto qualquer da circunferência (no nosso exemplo, ponto A da figura 2) passando pelo centro e interceptando-a novamente (figura 2, ponto B). Depois, traça-se uma outra linha partindo do mesmo ponto inicial e interceptando a circunferência num outro ponto qualquer (figura 2, ponto C). Agora ligamos este ponto com o ponto B. Obtemos, então, de acordo com o Teorema 12, do Livro III, do “Elementos de Geometria” de Euclides, um triângulo rectângulo. Este teorema diz que “Um ângulo inscrito num semicírculo é um ângulo recto” (vide figura 3).

Naturalmente, como um ofício secreto, esta técnica deve ter tido um extremo valor para os Antigos Maçons Operativos, e deve ter sido utilizada, dentre outras coisas, para verificar o trabalho dos obreiros e certificar que os mesmos estavam perfeitos. Outras operações gráficas podem ser executadas com base nesta rica figura. Até mesmo o Segmento Áureo [4] (F) pode dela ser obtido. Aos Irmãos que desejarem aprofundar o estudo geométrico do símbolo, sugiro a leitura do artigo citado na primeira referência bibliográfica deste texto.
Conclusã

Para qualquer ponto “C” escolhido teremos sempre um ângulo recto

Meditemos, meus caros Irmãos, sobre a profundidade e riqueza deste elemento “mágico” da nossa simbologia. Mais que isso, sobre a sua antiguidade e sobre o significado que ele nos traz de eras passadas. Quantos joelhos não se curvaram perante o símbolo do Eterno, do Criador, do Sol? Quantas expectativas não foram neste símbolo depositadas? Quantas magníficas obras arquitectónicas não se ergueram em direcção aos céus com o auxílio deste magnífico emblema? Se este é o símbolo perdido não podemos reencontrá-lo? Se, actualmente, os nossos rituais não fazem jus à carga espiritual e histórica deste símbolo será que não nos cabe rendermos homenagem aos nossos ancestrais que observaram os limites do círculo e renderam graças ao “Ponto Primordial”?

Que o G:.A:.D:.U:. nos ilumine na nossa jornada!

Mario Cristino Bandim Vasconcelos
Notas

[1] Os nossos Irmãos do Rito de York dizem que “em toda Loja bem dirigida existe a representação de um certo ponto dentro de um círculo, e que representa um Irmão, individualmente; o Círculo, a linha divisória da sua conduta, além da qual ele nunca sofrerá danos ou paixões que o traiam”. (…)

Os nossos Irmãos acrescentam que “este círculo é limitado por duas linhas perpendiculares paralelas, que representam São João Batista e São João Evangelista, e no topo estão as Sagradas Escrituras” (um livro aberto). “Ao circundar esse círculo”, dizem eles, “tocamos, necessariamente, essas duas linhas, assim como as Sagradas Escrituras; e enquanto um Maçom se mantém circunscrito aos seus preceitos, torna-se impossível que possa errar”. [iv]

[2] A “nova” teoria do espaço-tempo curvo foi denominada relatividade geral, para distinguir-se da teoria original que não falava sobre gravidade. Ela foi confirmada espectacularmente em 1919, quando uma expedição britânica à África Ocidental observou uma pequena deflexão da luz ao passar perto do sol, durante um eclipse. Foi uma evidencia directa de que o espaço e o tempo são deformáveis. [iii]

[3] Os “quasares” (abreviatura de Quase stelars objectus, do latim Objectos quase estelares) são buracos negros de massa bilhões de vezes maiores que a do Sol. A voracidade com que devoram matéria é impressionante. A aceleração desta matéria “tragada” para o seu interior produz fortes emissões de ondas de rádio e uma colossal luminosidade tornando-os os objectos mais brilhantes do universo.

[4] Segmento Áureo – também chamado “Número de Ouro” ou “Divina Proporção”, consiste em uma relação particular tal que a parte menor esteja em relação à maior assim como a maior em relação ao todo. Isso é o que a geometria clássica chama de divisão de uma recta em média e extrema razão. Esta relação é frequentemente encontrada da natureza: proporções do corpo humano, desenho de flores, traçado das conchas de muitos moluscos oceânicos e, por isso, muitas Lojas a observam na construção do quadrado oblongo dos seus Templos.
Bibliografia
[i] BURKE, Bro. William Steve, 32°. THE POINT WITHIN A CIRCLE – More Than Just an Allusion? : Construction of a Right Triangle Using The “Point Within s Circle”. Sciotto Lodje Nº 6, Chillicote, Ohio. (http://freemasons-freemasonry.com/point_within_circle.html)
[ii] FADISTA, António – “O PONTO DENTRO DO CÍRCULO” – Pesquisa: Ir:. Jaime Balbino – Internet (citar o site)
[iii] HAWKING, Stephen – “O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ” – São Paulo, Arx, 2001, 3ª edição.
[iv] PIKE, Albert – MORAL E DOGMA DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO DA MAÇONARIA – GRAUS SIMBÓLICOS – Livraria Maçónica Paulo Fuchs
[v] WATERMAN, S.L – “A POINT WITHIN A CIRCLE” – G.L of Sakatchewan – 1974 – Internet

Publicado no excelente blog FREEMASON.PT em 6/8/2019

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020


A Fixação da Ritualística no Inconsciente do Maçom Data: 
Extraído do blog Bibliot3ca
por Eduardo Albuquerque Rodrigues Diniz **




Muitas vezes são imperceptíveis, mas as pessoas estão cercadas de Ritos. Eles, inclusive, ontribuem para o bem-estar dos indivíduos. “Os ritos e rituais vêm da antiguidade com a mesma função: servem acima de tudo para facilitar o encontro com nós mesmos, para não nos desviarmos dos nossos objetivos e metas que traçamos com sinceridade; são uma ferramenta para nos lembrar quem somos, o que estamos fazendo e como estamos fazendo”, segundo España (2017).

Utilizados de forma equilibrada, os ritos ajudam o ser humano a ter mais autocontrole, a estar mais centrado nas ações que desempenham, impedindo-o de desconectar dele mesmo, e por isso, podem e devem ser criados e respeitados, como forma de trazer um ganho geral, melhorando sua motivação e consequentemente tudo ao seu redor.

Por exemplo, a estratégia utilizada para chegar ao trabalho diariamente pode ser considerada um hábito próprio que condiciona uma pessoa a sair sempre no mesmo horário, seguir pelos mesmos trajetos e alcançar o destino sem maiores problemas. Assim, desde o simples escovar dos dentes até a forma de encarar e resolver problemas complexos podem ser reflexo de um acúmulo de experiências próprias.

Entretanto, o que torna essas ações cotidianas em ritos são os significados que se dão a elas. Se escovar os dentes depois da alimentação ou antes de dormir traz uma sensação de bem-estar que supera simples fato de manter a higiene bucal, influenciando na sua concentração, pode-se estar diante de uma ritualística. Quando uma alteração no transcorrer dessas ações cotidianas, como a mudança no trajeto para o trabalho, influencia no desempenho de uma pessoa ou a fazer crer que gerou um descontrole na sua performance rotineira, e até chega a atrapalhar todas as demais atividades que serão desenvolvidas em seguida, pode-se constatar que houve a quebra de um rito. O grau de importância e significação que se atribui a determinados atos é que os tornam ritualísticos.

Além das experiências pessoais, destacam-se as cerimônias grupais, como as festas, tradições, funerais e outros comportamentos sociais, que desempenham importante papel na vida de um grupo. A ausência de uma solenidade nessas ocasiões pode ser encarada como um desrespeito e anulando a importância da passagem ou transição, reduzindo a ocorrência de um acontecimento que estabelece distinções muitas vezes entre estilos e modos de vida, o antes e o depois. Além disso, a ritualística assume uma “importância simbólica no processo de elaboração e assimilação de uma realidade subjetiva, mas com implicações de ordem prática, uma vez que envolve valores e posturas, na forma de se ver e se colocar no mundo” (Diário de Antropóloga, 2009).

A identificação entre os membros de um grupo pode estar ligada a prática de ritos predeterminados, que são realizados muitas vezes sem entendimento de seus significados, como forma de aceitação pela coletividade e permanência nela. Todavia, é importante compreender os ritos sugeridos e alcançar seus significados, até como forma de solidificação da inserção coletiva. “Quando a integração não acontece a contento, o grupo se enfraquece, assim como o ritual. Antes que afete sua identidade como um grupo, a coesão entre os membros é impactada e seus laços sociais e afetivos não são reforçados. A experiência ritual favorece os laços sociais e a coesão do grupo” afirma Ritter (2015), que leciona ainda que:

É na necessidade humana de simbolização que os ritos encontram o caminho para existir, quer na repetição de rituais estabelecidos, quer pela atualização ou construção de novos. O simbólico é funcional na medida em que propicia a expressar e compreender uma experiência, ou conferir sentidos às vivências e à existência, ou ainda para olhar além de si mesmo e conviver na esfera coletiva. Mesmo que se valha de hábitos ou comportamentos repetitivos, com frequência e insistência nascem rituais que nos levam além do nosso comportamento e além de nossa individualidade, agregando sentidos e significados à nossa existência.

Os seres humanos atribuíram ao longo da história importâncias e significados a determinadas ações, e se sentem bem em repeti-las individual ou coletivamente, criando os mais diversos ritos para eventos grandes, formais, pequenos, públicos ou privados. Para Aristóteles “somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito”.

Conceitualmente, rito é um método utilizado para transmitir ensinamentos, funciona como uma lei, e segundo Ismail (2013) “é um conjunto de preceitos e obrigações gerais que produz efeitos sobre aqueles que estão sob seu alcance. Assim como uma lei, um Rito reflete princípios que o orientam, possui elementos históricos, além de buscar um objetivo específico”.

O ritual “é como uma instrução normativa, um manual de procedimentos que determina e regulamenta como essa lei deve ser praticada e observada” (ISMAIL, 2013), um livro que contém tudo referente ao rito, ou seja, um conjunto de regras, a ordem e a forma das cerimônias, religiosas ou não, com as palavras e orações, que orientam os praticantes do rito.

Já ritualística é a prática do rito segundo o ritual, isto é, a ritualística é o desdobrar do rito e precisa ser sempre fiel a ele e ao que está contido em determinado ritual. O rito em ação é a ritualística, com o exercício continuado dos mistérios observando os símbolos, princípios, preceitos e representações.

Analisando a questão sob o aspecto maçônico, destaca-se o ensinamento de Mackey (1869): A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este caráter peculiar de instituição simbólica e também a adoção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade de sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo engenho humano. É o que lhe confere a forma atrativa que lhe tem assegurado sempre a fidelidade de seus discípulos e a sua própria perpetuidade.

Neste sentido, afirma Figueiredo (1998) que A Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e acessível somente ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo.

Além disso, como a Maçonaria é uma sociedade iniciática adotou uma linguagem simbólica e ritualística para registro de seus ensinamentos, através de ritos, anotados em rituais, para que somente os iniciados em seus mistérios possam praticá-los, o que pode ser constatado desde os primeiros registros como o Manuscrito Regius de 1390 (FILARDO, 2015).

Constata-se, portanto, a importância pessoal, social e iniciática, especialmente para a Maçonaria, dos ritos e ritualísticas, mas “o mundo moderno, entretanto, rejeita os rituais”, afirma Freitas Neto (2016), e complementa que: Vemos com grande frequência o desdém com que os mais jovens e os mais velhos tratam os rituais maçônicos como meras fórmulas vazias, lidos e repetidos automaticamente, sem força e vitalidade.

Destaca-se as observações de Mckay e Mckay (Apud FREITAS NETO, 2016): A superficialidade estéril do mundo moderno tem seu fundamento em muitas questões, como o consumerismo irrefletido, a falta de desafios significativos e a perda de valores e normas compartilhados, ou mesmo de tabus compartilhados contra os quais se rebelar.
(…)
Nosso mundo moderno está quase vazio de rituais – ao menos no modo em que tradicionalmente pensamos neles. Aqueles que restam – como os que estão nos entornos dos feriados religiosos – perderam boa parte do seu poder transformativo e são hoje mais suportados do que propriamente apreciados, dos quais participamos mais por convenção do que por convicção. Ritual, hoje, é algo associado ao que é podre, vazio, sem sentido.

O fato de que toda cultura, em toda parte do mundo, em todas as eras, tem seus rituais é sugestivo de que o ritual é parte fundamental da condição humana. Os rituais já foram chamados, inclusive, da forma mais básica de tecnologia; são um mecanismo pelo qual coisas podem ser mudadas, problemas podem ser resolvidos, certas funções podem ser desenvolvidas e resultados tangíveis, atingidos. A necessidade é a mãe da invenção, e rituais surgiram da perspectiva límpida de que a vida é intrinsecamente difícil e que uma realidade “pura” pode, paradoxalmente, parecer irreal. Por eras os rituais foram os instrumentos pelos quais os homens puderam liberar e expressar emoções, construir sua identidade pessoal e a identidade da tribo, trazer ordem ao caos, orientar-se no tempo e no espaço, produzir transformações reais e construir camadas de significado e consistência para suas vidas. Quando os rituais são arrancados de nossa vida e esta necessidade humana não é satisfeita a apatia, inquietação, alienação, tédio, a perda das raízes e a anomia são o resultado.

Na atualidade, para muitas pessoas a prática de ritualísticas tornou-se ultrapassada, e em muitos casos é vista com preconceito e desdém. A observação dos ritos, inclusive maçônicos, é realizada de forma superficial, e a ritualística realizada de forma mecânica, sem qualquer preocupação com o significado e importância das mensagens e conceitos que os símbolos, palavras e gestos acumulados ao longo de séculos de atividade, decorrente de uma exagerada racionalidade e cientificidade, que terminou por destacar o lado consciente do homem moderno, o que termina por acarretar consequências desastrosas para o desenvolvimento do inconsciente humano.

Conforme Tavares (2018, informação verbal)[1] os ritos, mitos, símbolos são importantes no desenvolvimento da Psique, que segundo os psicanalistas está envolvida com o inconsciente, e responsável pelo crescimento e libertação do homem, ajudando-o a se encontrar interiormente. Deve-se considerar que a Simbologia é uma das ciências mais antigas do mundo, que possui seus sinais e efeitos sobre a humanidade. O homem e seus símbolos tem uma relação profunda que consistem em metáforas e na construção de compêndios de um conhecimento sensivelmente elevados, externados e expressados através de arquétipos.

Um arquétipo rege um símbolo (TAVARES, 2018). O grande imã que une os arquétipos aos símbolos e seus significados é o próprio homem, sendo necessário praticar sempre, para evoluir e continuar a crescer intimamente como indivíduo, gerando uma situação de satisfação interna, pois os símbolos e gestos funcionam como catalizadores das ações humanas como uma força psicológica, em um processo contínuo que leva o indivíduo a um avanço moral e ético, buscando estar bem e fazer o bem. O rito é uma forma de transmitir ensinamentos básicos e organizar as solenidades, especialmente maçônicas, através de um processo de troca de energia e renovação, sendo necessário tocar o símbolo e ser tocado por ele. No rito maçônico há três estágios, sendo no 1º grau do Simbolismo, o aprendizado, no 2º estágio, o desenvolvimento do caráter, e no grau de Mestre, encontra-se a plenitude, auxiliando o iniciado a lidar com a ambivalência entre o consciente e o inconsciente. A ritualística auxilia no desenvolvimento do caráter, auxilia “o outro” que existe dentro do indivíduo, já identificado como Psique, envolvido com o inconsciente e o instinto, e que ajuda o sujeito a lidar com seu consciente.

A racionalização do mundo atual, que reduz a importância da ritualística, termina por causar prejuízo ao inconsciente, e contribuindo para que o ego, ligado ao consciente, enfraqueça e adoeça. Para Jung (2017): O homem moderno não entende quanto o seu “racionalismo” (que lhe destruiu a capacidade de reagir a ideias e símbolos numinosos) o deixou à mercê do “submundo” psíquico. Libertou-se das “superstições” (ou pelo menos poensa tê-lo feito), mas nesse processo perdeu seus valores espirituais em escala positivamente alarmante. Suas tradições morais e espirituais desintegraram-se e, por isso, paga agora um alto preço em termos de desorientação e dissociação universais.

Os antropólogos descreveram, muitas vezes, o que acontece a uma sociedade primitiva quando seus valores espirituais sofrem o impacto da civilização moderna. Sua gente perde o sentido da vida, sua organização social se desintegra e os próprios indivíduos entram em decadência moral. Encontramo-nos agora em condições idênticas. Mas na verdade não chegamos nunca a compreender a natureza do que perdemos, pois os nossos líderes espirituais, infelizmente, preocuparam-se mais em proteger suas instituições do que em entender o mistério que os símbolos representam. Na minha opinião, a fé não exclui a reflexão (a arma mais forte do homem); mas, infortunadamente, numerosas pessoas religiosas parecem ter tamanho medo da ciência (e, incidentalmente, da psicologia) que se conservam cegas a essas forças psíquicas numinosas que regem, desde sempre, os destinos do homem. Despojamos todas as coisas do seu ministério e da sua numinosidade; e nada mais é sagrado.

Em épocas remotas, quando conceitos instintivos ainda se avolumavam no espírito do homem, a sua consciência podia, certamente, integrá-los numa disposição psíquica coerente. Mas o homem “civilizado” já não consegue fazer isso. Sua “avançada” consciência privou-se dos meios de assimilar as contribuições complementares dos instintos e do inconsciente. E esses meios de assimilação e integração eram justamente os símbolos numinosos tidos como sagrados por um consenso geral.
(…)
À medida que aumenta o conhecimento científico, diminui o grau de humanização do nosso mundo. O homem sente-se isolado no cosmos porque, já não estando envolvido com a natureza, perdeu a sua “identificação emocional inconsciente” com os fenômenos naturais. E estes, por sua vez, perderam aos poucos as suas implicações simbólicas (…). Acabou-se o seu contato com a natureza, e com ele foi-se também a profunda energia emocional que esta conexão simbólica alimentava.

A racionalidade e a cientificidade não são prejudiciais ao desenvolvimento humano, mas não devem ser encarados de forma maniqueísta, anulando o lado mítico e simbólico da humanidade, até mesmo porque a acompanha desde sua fase embrionária, e ainda está presente nos dias atuais, apesar de mitigada sua importância. Os ritos tradicionais que alimentavam o inconsciente humano perderam espaço e deram lugar a novos que “não dão sustança ao espírito e não satisfazem”, como uma “cultura do confete” (MCKAY; MCKAY, apud FREITAS NETO, 2016).

Desta forma, a sociedade “moderna” está carente dos mecanismos que antes ajudavam a lidar com a morte e situações difíceis de perda e dificuldade, bem como auxiliavam no desenvolvimento individual e na descoberta interna e do mundo, por novos “rituais” que eliminam os problemas e somente apresentam o lado lúdico, “brilhante e colorida, que facilita o consumo passivo e rejeita o exame aprofundado das assunções” (MCKAY; MCKAY, apud FREITAS NETO, 2016). Destarte, não é difícil encontrar pessoas com complicações na vida pessoal e no enfrentamento dos problemas sociais e de relacionamento, em proporções maiores que em tempos mais remotos.

Na Maçonaria, os ritos ainda sobrevivem às mudanças da “atual civilização”, e sua prática constante reforça o lado inconsciente do Maçom, que deve ser trabalhado segundo seus preceitos filosóficos, auxiliando-o na convivência da Psique com a consciência, através da preservação dos conceitos éticos e morais gerais e iniciáticos, que devem reger sua vida como homem livre e de bons costumes, devendo encarar a simbologia de forma mais intensa.

Não cabe a este texto discutir as teses de como se chegou a este estágio social, mas fazer um alerta para o fato da racionalidade ampliar o consciente em detrimento do conhecimento íntimo, com reflexo estrutural da personalidade do profano ou iniciado, alterando seu amadurecimento e na forma de encarar a vida em comunidade, e para despertar sobre a importância do rito e da ritualística maçônica para o inconsciente do Maçom e conhecimento próprio.

REFERÊNCIAS

CARR, Harry. O Ponto Dentro do Círculo. Seis Séculos de Ritual Maçônico – 1ª Parte, traduzido por FILARDO, José. Publicado em 2 de outubro de 2015. Disponível em: <https://opontodentrodocirculo.wordpress.com/2015/10/02/seis-seculos-de-ritual-maconico-1a-parte/&gt;. Acesso em 28.12.18.
Diário de Antropóloga – Diversidade Cultural. Cidadania. Cultura Popular. Semiótica e Interpretação. Rituais da Vida e Ritos do Cotidiano. Publicado em 3 de junho de 2009. Disponível em: <http://diariodeantropologa.blogspot.com/2009/06/rituais-da-vida-e-ritos-do-cotidiano.html&gt;. Acesso em 28.12.18.
ESPAÑA. Danilo. Ritos no dia a dia trazem motivação!. Publicado em 18 de novembro de 2017. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/blog/o-que-te-motiva/ritos-no-dia-a-dia-trazemmotivacao/&gt;. Acesso em 28.12.18.
ISMAIL, Kennyo. No Esquadro. O que é rito e o que é ritual. Publicado em 18 de fevereiro de 2013. Disponível em: <https://www.noesquadro.com.br/termos-e-expressoes/o-que-e-rito-e-o-que-eritual/&gt;. Acesso em 28.12.18.
JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos, traduzido por PINHO, Maria Lúcia. 3ª Edição Especial. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil. 2016.
MACKEY, Albert Galatin. Encyclopedia of Freemasonry. New York: Clark and Maynard, 1869.
MCKAY, Brett; MCKAY, Kate. O poder do Ritual, parte 1 – A necessidade do homem por rituais e os ritos de masculinidade, traduzido por FREITAS NETO, Edgard Costa. Publicado em 21 de fevereiro de 2016. Disponível em: <http://york.blog.br/poder-ritual-parte-1-a-necessidade-do-homempor-rituais-e-os-ritos-de-masculinidade/&gt;. Acesso em 28.12.18.
Riter, Ettore. Ritos e Rituais da vida diária – PensarAção. Publicado em 12 de Fevereiro de 2015. Disponível em: <http://www.pensaracao.com.br/ritos-e-rituais-da-vida-diaria/&gt;. Acesso em 28.12.18.
[1] Palestra proferida pelo psicólogo Lázaro Tavares, com o tema: Psique e Rituais Maçônicos: efeitos e sinais, na SESSÃO CONJUNTA DAS LOJAS MAÇÔNICAS DO PALÁCIO DA ARTE REAL, em Teresina – PI, no dia 04 de outubro de 2018, conforme registrado em Ata da Sessão Conjunta da Aug e Resp Loj Simb Liberdade Teresinense, nº 1314.
** M. M. da Aug. Resp. Loj. Simb. Liberdade Teresinense nº 1.314 – Oriente de Teresina

A Sequência de Fibonacci no Templo de Salomão




Anderson Lupo Nunes *
Extraído do blog Bibliot3ca

INTRODUÇÃO

A Maçonaria possui um simbolismo oculto, o qual o irmão deve se debruçar no estudo e meditação acerca do aspecto ritualístico para desvendar o seu significado. Há, de certa forma, uma Maçonaria velada e que nem todos os irmãos têm acesso. Isto é natural, pois apesar de toda a abertura do conhecimento e o aprimoramento dos meios de comunicação, a Maçonaria continua sendo profundamente mística e esotérica. Efeitos psicológicos acerca do simbolismo maçônico são apresentados em Guimarães (2013).

Segundo Janotta (2013), boa parte do simbolismo maçônico é fundamentado no Templo de Salomão, apresentado na Bíblia Sagrada (2012) em Êxodo cap. 26 até 29 como uma tenda que deveria abrigar o Senhor durante a peregrinação dos judeus que eram guiados por Moisés até a Terra Santa. Com a sua fixação na região da Palestina, houve uma época de muitos conflitos que se acentuaram durante o reinado de Davi. Após a sua morte sobe ao trono o seu filho, Salomão. Segue-se um período de paz e prosperidade, que o motivou a construir o Templo de Deus na Terra Prometida, de acordo com I Reis no capítulo 1 e capítulos 5 até 7.

Buchanan (2013) realiza uma busca arqueológica ao Templo de Salomão contestando o senso comum de que ele ficava originalmente na Cúpula da Rocha, afirmando que quando foi totalmente destruído pela primeira vez em 516 A.C. ele ficava perto da fonte de Siloé. A importância dessa busca reside no fato de que o Templo não é apenas simbólico e mitológico, mas também uma realidade histórica inserida em um contexto atual sócio-político bastante complexo.

A construção do Templo de Salomão começou no ano 480 após o êxodo, segundo I Reis, cap. 6 vers. 1 e levou um período de 13 anos até o término da obra. Segundo Durão (2003), Salomão era um grande artista e um alquimista, tendo desenhado a maior parte dos enfeites do Templo e também teria manufaturado, por meios alquímicos, parte do ouro utilizado na sua construção. Vale ressaltar a carência de referências nas afirmativas de Durão (2003). Ismail (2012) ressalta que a Maçonaria sempre teve uma relação com o Templo de Salomão. Adoum (1972) trata de aspectos simbólicos do Tabernáculo no deserto que seria o símbolo do corpo físico no deserto da matéria. O Tabernáculo, ou o corpo físico, foi dado ao homem para que ele encontre Deus. Williams (2004) também destaca os mesmos aspectos relatados por Adoum (1972) e ainda trata de relações com os sólidos platônicos e os chakras.

A proposta do presente trabalho consiste em relacionar aspectos simbólicos do Templo de Salomão com a sequência de Fibonacci. O manancial de símbolos acerca de ambos é muito rico e a interseção entre eles é a matéria prima desta obra. A relevância do tema se justifica pela importância dos aspectos simbólicos relacionados. A sequência de Fibonacci aparece nas mais diversas manifestações da vida no planeta Terra. Da quantidade de pétalas das flores até as espirais do caracol e da própria via Láctea são alguns exemplos de aplicação desta sequência.

Uma notável descoberta revelada por Tattersall (2013) consiste no fato de que os períodos das órbitas de todos os planetas o sistema solar, incluindo os dois planetas anões, possui uma estreita correspondência com os vinte primeiros termos da sequência de Fibonacci. O erro médio entre os vinte e oito pontos de dados é demonstrado estar sob 2,75%.

Um número que surge naturalmente no estudo matemático da sequência de Fibonacci é a chamada Razão Áurea, também chamada de Divina Proporção ou mesmo Proporção Áurea. O seu estudo é relevante para este trabalho.

A Razão Áurea

Trata-se de um número irracional que pode ser obtido a partir de certas proporções do ser humano e da Natureza em geral. Por unir macrocosmo e microcosmo assume um aspecto divino, daí também ser conhecido como Divina Proporção. Existe mais de uma maneira de deduzir a Razão Áurea, conforme pode-se verificar em Queiroz (2010), Conte (2008) e Lawor (1997). Na verdade usarei um método pessoal, partindo dos conceitos apresentados nas três referências.

Considere um seguimento de reta definido pelos pontos A e B abaixo: Marque um ponto C qualquer entre A e B.


Marque um ponto C qualquer entre A e B. Tanto faz se o ponto está mais próximo de A ou de B.


Quando a razão (divisão) entre o maior trecho (AC) e o menor trecho (CB) é igual a divisão entre o seguimento de reta completo (AB) e o maior trecho (AC) o resultado da divisão é um número irracional chamado de Divina Proporção ou Razão Áurea. Matematicamente a afirmativa acima pode ser escrita:


A letra grega (Phi) representa a própria Razão Aurea. Para deduzir o valor de , vamos chamar o trecho AC de x e o trecho CB de y. A equação acima pode ser reescrita:


Multiplicam-se os denominadores cruzados pelos numeradores:


Em seguida, aplica-se a propriedade distributiva ao termo da direita:


O termo passa para o lado esquerdo da equação:


A equação acima, considerando o x como a incógnita, torna-se uma equação do segundo grau.


Note que se escolhêssemos o y como incógnita a equação seria exatamente a mesma. Foi por conta desta simetria que afirmei acima que tanto a menor distância ser AC ou CB. A equação do segundo grau é resolvida pela fórmula de Báscara.


Aplicando a fórmula de Báscara à equação , segue:


É possível simplificar a equação acima. Primeiro, soma-se os termos de dentro da raiz quadrada.


Segundo, aplica-se a propriedade do produto de raízes:


Seguem duas opções de simplificações para a equação. A primeira é:


Note que , logo:


Este resultado é falso uma vez que x e y são positivos e assim a Razão Aurea não pode ser negativa. Resta, portanto a outra alternativa:


Logo,


O número é chamado de Razão Áurea ou Divina Proporção. É irracional porque resulta de uma divisão em que o resultado não é exato, ou seja, após infinitas etapas de divisões o resto nunca se anula. O seu simbolismo é muito rico, o infinito presente no finito, o eterno expresso e limitado no tempo.

Aspectos naturais da Razão Áurea

A Divina Proporção está presente em diversas relações do corpo humano, segundo Queiroz (2010) e Melchizedek (2009): ·
A altura do corpo e a medida do umbigo até o chão.
A medida da cintura até a cabeça e o tamanho do tórax
O tamanho dos dedos e a medida da dobra central até a ponta.
A altura do crânio e a medida da mandíbula até o alto da cabeça.
A medida do quadril ao chão e a medida da mandíbula até o alto da cabeça.

Também encontramos a Razão Áurea no comportamento da refração da luz, nos átomos, nas espirais das galáxias, nas ondas dos oceanos, nos furacões. Ela já era conhecida dos antigos egípcios que construíram suas pirâmides utilizando a Divina Proporção nos blocos de pedra e nas câmaras internas de seus monumentos.

Segundo Melchizedek (2009) as dimensões da Razão Áurea no corpo humano nunca são exatas em uma pessoa. Quando um bebê nasce o seu umbigo se situa exatamente no centro geométrico do corpo. À medida que a criança cresce a posição do umbigo começa a se mover na direção da cabeça até chegar exatamente na Razão Áurea, mas continua subindo. Depois vai descendo e assim, sucessivamente, oscilando em torno da posição correspondente à Divina Proporção. Quando chega a idade adulta se estabiliza em um ponto um pouco acima ou abaixo da Proporção Áurea, na maioria dos homens ligeiramente acima e na maioria das mulheres ligeiramente abaixo. Na média da humanidade fica exatamente no ponto correspondente à Razão Áurea. Lawor (1997) também cita a oscilação da posição do umbigo em relação à Razão Áurea e o fato de que nos homens é acima e nas mulheres, abaixo.

Lawor (1997) afirma que a Proporção Áurea é uma razão constante derivada de uma relação geométrica que tal qual o π e outras constantes deste tipo é irracional em termos numéricos. Acima de tudo deve ser apresentada como uma proporção sobre a qual se funda a experiência do conhecimento. Assim, a Proporção Áurea pode ser considerada como suprarracional ou transcendental.

Foi Pitágoras, segundo Conte (2008), quem descobriu que a Razão Áurea representava uma lei biológica que regula o crescimento de todas as coisas vivas. Chegou a esta conclusão ao medir e analisar uma belíssima concha marinha (Nautilus pompilius), bastante comum nas praias da ilha de Samos.

Mas Pitágoras tinha a convicção de que a Natureza era regida pelo número quatro. Assim, pode representar a perfeição da espiral da concha por uma sequência de quadrados, começando com um quadrado de lado igual a um e ajustando os quadrados seguintes ao crescimento da espiral. O mesmo exercício geométrico feito com a perfeita espiral de uma concha pode ser feito com a Via Láctea. Esta sequência numérica é muito especial e parece ser a chave para explicar a Razão Áurea.

Figura 1: 
Homem de Vitruvio de Da Vinci (1485-90, Veneza)

A Sequência de Fibonacci

Leonardo Da Vinci se notabilizou, entre diversas outras obras, por um esboço chamado de o Homem Vitruviano ou Homem de Vitrúvia, apresentado na Figura 1. Melchizedek (2009) e Lawor (1997) comentam que é possível traçar uma espiral sobre o desenho que tem uma importante relação com Razão Áurea. A espiral é construída a partir de um quadrado 1×1, seguido de outro quadrado idêntico. Os dois primeiros quadrados formam o lado do terceiro quadrado 2×2 e assim sucessivamente. A Razão Áurea presente no esboço de Da Vinci revela a espiral abaixo feita pelos lados sucessivos de quadrados, formando a sequência de Fibonacci.

Figura 2: A Espiral de Fibonacci





A sequência numérica presente na espiral da figura 2 foi revelada por Leonardo Fibonacci (11701250) em sua obra Liber Abaci, embora não tenha sido ele que descobriu a sequência, ela recebeu o seu nome após a sua morte. Fibonacci foi o primeiro e um dos mais importantes matemáticos europeus da Idade Média, segundo Eves (1990).

Considere o número 1, representa o Todo, o Grande Arquiteto do Universo. Ele cria uma imagem de si mesmo, ou seja, outro número 1. Soma-se os dois primeiros números da sequência o que resulta no 2. Soma-se o 2 com o anterior o que resulta o 3. Repete-se sempre a soma do número com o anterior sucessivamente e obtém-se a Sequência de Fibonacci.

1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89…

A sequência de Fibonacci apresenta muitas propriedades que, segundo Kalman & Mena (2003), podem ser classificadas como maravilhosas. As somas ou as diferenças entre números da sequência de Fibonacci resultam em números que também são da sequência. Quaisquer quatro números seguidos de Fibonacci podem ser combinados para formar um terno pitagórico, ou seja, dos quatro números é possível tirar três que formam os catetos e a hipotenusa de um triângulo retângulo (onde vale o Teorema de Pitágoras). Estas e outras propriedades da sequência de Fibonacci são descritas por Kalman & Mena (2003) com maiores detalhes.

A relação entre a Sequência de Fibonacci e a Razão Áurea é bastante simples. Basta dividir um número da sequência pelo seu antecessor. Quanto maior for o número, mais o resultado se aproxima da Razão Áurea. Vejamos a seguinte tabela:

Tabela 1: Termos consecutivos da sequência de Fibonacci convergindo para a Razão Áurea


Representando a aproximação da divisão dos termos seguidos em relação à Razão Áurea observa-se um comportamento oscilatório, que já havia sido comentado neste trabalho por meio do exemplo sobre a posição do umbigo do bebê até chegar à idade adulta. Observe o comportamento oscilatório no gráfico da Figura 3.


Figura 3: Gráfico que mostra a oscilação dos termos da sequência de Fibonacci em torno da Razão Áurea produzido pelo autor no aplicativo Microcal (TM) Origin versão 6.0

A sequência de Fibonacci, vinculada à Razão Áurea, está associada a uma miríade de fenômenos biológicos, atômicos e estelares. Melchizedek (2009) mostra a presença da sequência na quantidade de pétalas das flores, a distribuição das folhas e das sementes. Também aparece nas espirais presentes na anatomia humana, nos caracóis, etc. Tashtoush & Darwish (2012) utilizam a sequência de Fibonacci na construção de um protocolo que melhora em até 21% a transmissão dos dados em uma rede. Mishra et al. (2012), por sua vez, utilizam a sequência para criar um novo modelo de criptografia de imagem. A sequência de Fibonacci revela uma ordem natural subjacente a todo o Universo.

Relações com o Templo de Salomão

A Maçonaria revela aspectos simbólicos do Templo de Salomão que são velados e segundo minha análise e inspiração tem uma relação direta com a sequência de Fibonacci, e por contiguidade, à Razão Áurea. Morrison (2008) revela a metáfora arquitetônica do Templo de Salomão correlacionando sua geometria com o corpo humano e demais elementos naturais a partir do estudo acerca de uma obra de Juan Battista Villalpando publicada em 1604.

O início do ingresso no Templo de Salomão se faz pela antessala, que pode ser simbolizada pelo número 1, é Princípio no sentido cosmogônico do termo, portanto, o início da sequência de Fibonacci.

Queiroz(2010), Melchizedek (2009) e Lawor (1997) relacionam o simbolismo do número 1 à unidade e ao princípio organizador do Universo. Goswami (2007) afirma que a consciência necessária, segundo uma interpretação idealista da Física Quântica, é única.

Um referencial absoluto e necessário para que todo o Universo se manifeste. Na verdade ele adota o conceito de mônada, criado por Leibnitz e o amplia, definindo a mônada quântica.

O Aprendiz Maçom está ainda no pavimento térreo do Templo do Rei Salomão, segundo Adoum (1972). Este pavimento simboliza o próprio Aprendiz e é o reflexo do princípio. Logo é o segundo termo da sequência de Fibonacci, ou seja, o segundo 1. Na Bíblia Sagrada (2012), Livro da Gênesis, cap. 1 vers. 26 está escrito: “Deus disse: Façamos o ser humano a nossa imagem e segundo nossa semelhança,(…)” A consciência humana é um reflexo da consciência cósmica. Este ponto do estudo é relevante porque se do Princípio não surgisse a sua imagem ou reflexo não existiria a Criação. Se não fosse o surgimento do segundo 1 na sequência de Fibonacci ela simplesmente não existiria. Hurtak (1996) afirma que o Homem é feito na imagem e similitude, onde o “na” indica que a evolução é um contínuo assimilar de Luz. Ubaldi (1999) que cada fenômeno só existe porque há movimento de um ponto de partida para um ponto de chegada. O surgimento do segundo número 1 da sequência de Fibonacci mostra, portanto, o primeiro movimento da Criação.

O aprendiz no início de seu movimento para o pavimento superior do Templo de Salomão fica entre as duas colunas, B. e J., que juntas elas dão a ideia da dualidade. Simbolizam o terceiro termo da sequência de Fibonacci, ou seja, o número 2. Na Bíblia Sagrada (2012), Livro da Gênesis, cap. 1 vers. 27 está escrito: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea ele os criou.” Note que é só no cap. 2, vers. 21, 22 e 23 que está escrito que Deus criou a mulher a partir da costela de Adão.

Qual seria então o significado da afirmativa que Deus criou o ser humano, à sua imagem, macho e fêmea? Parece ser uma referência ao princípio de Dualidade.

Na Bíblia Sagrada (2012), Livro I Reis , cap. 6 vers. 21 trata da construção do Templo de Salomão, onde aparece a figura do artífice Hiram Abiff que teria construído as colunas. Está escrito: “Em seguida ele ergueu as colunas na frente do vestíbulo do templo: levantou a coluna do lado direito dando o nome de Jaquin; em seguida levantou a coluna do lado esquerdo, chamando-a de Booz.” A seguir, vem a escada em forma de caracol.

Note que o caracol, por si só é uma referência a Pitágoras e o formato perfeito das conchas que tanto inspiraram esse Venerável Mestre. Os três primeiros degraus aludem ao princípio ternário, representado no altar pelas Três Grandes Luzes da Maçonaria. Representam também as virtudes Sabedoria, Força e Beleza. É cabível também uma relação com os pilares da Árvore da Vida, segundo Marques (2011). Chega-se ao quarto termo da sequência de Fibonacci, o número 3.

Os cinco degraus seguintes representam às cinco ordens clássicas da Arquitetura, ou seja, Dórica, Jônica, Coríntia, Toscana e Compósita. As informações acerca da Arquitetura Clássica foram preservadas através da obra de Vitrúvio, que viveu no século I A.C. , segundo Maciel (2009). Aludem também aos cinco sentidos humanos e aos cinco elementos alquímicos, a saber, Terra, Ar, Água, Fogo e Éter. Uma descrição sucinta dos cinco elementos alquímicos é feita por Cotnoir & Wsserman (2009), que relacionam o quito elemento com o campo, ou seja, a fonte de tudo o que existe. Nota-se que a referência às cinco colunas da Arquitetura Clássica passam uma ideia de ordem ou mesmo simetria, conceito fundamental da Razão Áurea. Surge o quinto termo da sequência de Fibonacci, o número 5.

Em seguida vem sete degraus que aludem a todo o simbolismo do número sete. Os sete dias da semana, as sete cores do arco-íris, os sete planetas, os sete orbitais atômicos, as sete notas musicais, entre outros, são aspectos naturais relacionados ao número sete segundo Marques (2011) e Queiroz (2010).

Os sete degraus simbolizam as sete artes ou ciências liberais: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. As três primeiras, ou seja, Gramática, Retórica e Lógica, eram as disciplinas da Universidade conhecidas como Trivium e que tinham como objetivo o provimento da mente para encontrar expressão na linguagem, segundo Joseph (2008). Ainda em Joseph (2008), as quatro últimas, ou seja, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia, eram conhecidas como Quadrivium e o seu objetivo era o provimento de meios para o estudo da matéria.

Mas eis que surge um problema, o sexto número da sequência de Fibonacci é 8 e não 7. Mas imagine, ao terminar de subir os sete degraus o Aprendiz chega à câmara do meio do Templo do Rei Salomão. O término da escada não é no sétimo degrau, e sim no próprio piso da câmara do meio. São oito passos, portanto. Mas haveria um simbolismo para o piso da câmara do meio? A câmara do meio é onde os obreiros recebem o pagamento. Nela observa-se a letra G. Poderia se pensar que a letra G representa a Geometria, mas esta ciência já foi verificada em um dos sete degraus.

Segundo Adoum (1972), desde os mais antigos rituais a letra G simboliza o Grande Arquiteto do Universo, merecendo, portanto, uma deferência especial. Assim, os sete degraus (sete ciências) somadas ao próprio Grande Arquiteto do Universo, simbolizam o número 8. Note que o número 8 simboliza o duas vezes quatro, a manifestação perfeita. O octanário é o número da realização da Divindade no Homem. Note que o oito é o símbolo do infinito voltado para cima. Chega-se ao sexto termo da sequência de Fibonacci, o número 8.

O que seriam das sete ciências sem a conexão com o Grande Arquiteto do Universo? Conclui-se com o sexto termo da sequência de Fibonacci. Segue com um quadro comparativo dos termos da sequência e seus aspectos relacionados ao Templo de Salomão, considerando o seu simbolismo.

Tabela 2: Termos da sequência de Fibonacci relacionados com o Templo de Salomão e o seu simbolismo


Fonte: Elaborada pelo autor.

Considerações Finais

Todo o simbolismo do qual o presente artigo investiga encontra-se em um esquema que pode ser relacionado com diversos aspectos do macrocosmo e do microcosmo. Arola (1986) descreve diversos aspectos do simbolismo relacionado ao templo. Ismail (2012) também trata do simbolismo contido na Maçonaria, mostrando que nada está ali por acaso. Um símbolo pode ter tantos significados quantos sejam aqueles que dedicam ao estudo e meditação acerca do seu significado. Arola (1986) considera que o Templo é a interseção entre o Céu e a Terra, entre o Homem e Deus, porque um templo exterior e tangível é simplesmente o reflexo de um templo interior e intangível.

O Templo de Salomão apresenta aspectos de seu simbolismo que foram relacionados com os seis primeiros termos da sequência de Fibonacci. O próximo termo seria número 13 que por si só carrega todo um simbolismo. Foi em um dia 13 de Outubro de 1307 que Jacques de Molay foi preso, de acordo com Read (2001). A carta que representa a morte no Tarô Mitológico é exatamente a carta 13. Seu simbolismo está associado à transformação e a transmutação. Na Bíblia Sagrada (2012), Livro I Reis, cap. 7 vers. 1, está escrito: “Quanto ao palácio, Salomão levou treze anos para construí-lo de todo.” Note que a referência é ao palácio. No versículo anterior (I Reis, cap. 6, vers. 38) está escrito que o Templo levou sete anos para ser construído.

O fato de não ter encontrado relações do Templo de Salomão com o número treze não significa que tais relações não possam existir. Mas lembre-se que foram seis dias da Criação, e foram os seis primeiros termos da sequência de Fibonacci que foram relacionados com o Templo de Salomão. Ele simboliza tanto o microcosmo, representado pelo corpo humano, quanto o Universo, ou seja, o macrocosmo. A sequência deve terminar em algum dos termos.

É possível traçar mais relações entre o Templo de Salomão e a Cabala. Segundo Marques (2011), a Cabala é um sistema que permite compreender a similitude oriunda da unidade em todas as partes da Criação. É evidente que o Templo pode ser também esquematizado pelo viés da Cabala. A princípio todo modelo é incompleto e revela um ponto de vista acerca de um fato. Fica difícil definir qual seja o melhor. Isso não diminui a importância da comparação que foi feita com a sequência de Fibonacci. Pelo contrário, a sequência de Fibonacci ganha mais relevância com seus aspectos cabalísticos.

A existência de diversos artigos recentes relacionados à sequência de Fibonacci e ao Templo de Salomão demonstra que ambas as temáticas são atuais e inseridas em um contexto científico ou acadêmico. Guimarães (2013), Janotta (2013), Kalman & Mena (2003), Mishra (2012), Morrison (2008), Tashtoush & Darwish (2012) e Tattersall (2013) são exemplos de artigos recentes e que foram citados no presente artigo.

Conclui-se que o simbolismo acerca da sequência de Fibonacci é muito mais rico do que aparentava. O Grande Arquiteto do Universo transcende a mente e a compreensão humanas, mas seria possível ousar supor que a linguagem que está mais próxima da Mente Cósmica é a Matemática. Na Matemática está contida tudo o que existe, mas também o que não existe. Um exemplo de algo que não é mensurável na Natureza, mas existe na Matemática são os números complexos.

Ao traçar estas relações nossa mente se expande a vai de encontro à Mente Cósmica. Foi a partir daí que, segundo Conte (2008), Pitágoras concluiu estupefato: “Tudo no Universo são números”.



*** Anderson Nunes é Doutorando em Engenharia Nuclear pela UFRJ, Mestre em Engenharia Nuclear pela UFRJ, Especialista em Educação Tecnológica pelo CEFET-RJ, Graduado em Física pela UFRJ e em Formação Docente para o Ensino Fundamental e Médio pela Universidade Cândido Mendes. É membro da Loja de Pesquisas “Rio de Janeiro” – GOIRJ. E-mail: professorlupo@gmail.com


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[1] Anderson Nunes é Doutorando em Engenharia Nuclear pela UFRJ, Mestre em Engenharia Nuclear pela UFRJ, Especialista em Educação Tecnológica pelo CEFET-RJ, Graduado em Física pela UFRJ e em Formação Docente para o Ensino Fundamental e Médio pela Universidade Cândido Mendes. É membro da Loja de Pesquisas “Rio de Janeiro” GOIRJ. E-mail: professorlupo@gmail.com


Publicada na Excelente revista FRATERNITAS IN PRAXIS Vol.1, Número 2, Set/Dez 2013