sexta-feira, 12 de abril de 2019


A localização das Colunas do Templo, suas Palavras e outras considerações esclarecedoras



Tradução: S.K.Jerez

Por Joaquim Villalta *


O objetivo deste artigo é tentar esclarecer a confusão reinante relativa às Colunas do Templo de Salomão, suas palavras, e outros aspectos tangenciais que foram objeto de interpretações errôneas e degeneradas, por interesse ou ignorância em muitos casos. Agradeço infinitamente as lúcidas e magníficas indicações sobre o assunto que foram contribuição do Querido Irmão e amigo Patrick Négrier, magnífico maçonólogo e filósofo, referência conhecida de todos, e cuja proximidade e atenção segue lado a lado com sua imensidão de conhecimentos.

As palavras B e J só eram transmitidas no grau de Aprendiz, conforme diz o “Edimburgo” de 1696. O ritual da grande loja de Inglaterra se limitou a acrescentar um grau de maestria (no qual mudou a transmissão da palavra MB com o toque dos cinco pontos do antigo grau de companheiro) para poder reservar para o grau de companheiro, agora liberado de seu conteúdo anterior, um conteúdo novo: a transmissão do desenvolvimento na letra G (Samuel PRICHARD, “Maçonaria Dissecada”, 1730).

Muito amiúde, a transmissão dos dois graus era realizada de uma só vez. Apesar de certas leituras certamente fantasiosas e imaginativas, a porta entre as duas colunas estava voltada para o leste e indicava a porta equinocial. A coluna J à direita do nordeste indica a localização do horizonte onde o sol sai no dia do solstício de verão, mais longo; e a coluna B, à esquerda ao sudeste, indica a localização do horizonte onde sai o sol no dia do solstício de inverno, o dia mais curto. Voltar a ler I Reis 7,21.

Para responder a estas perguntas, sempre é necessário voltar ao texto fundador, o “Edimburgo” de 1696, que expõe claramente e sem a mínima dúvida possível: “Q. : Are there any lights in your lodge ? Am\ is, three, the north-east, s.-w., and eastern passage”

O nordeste designava o ponto do horizonte onde o sol sai no dia do solstício de verão, simbolizado pela coluna J (e que se põe a noroeste).

O sudoeste (abreviado como S.-W.) era o ponto no horizonte onde o sol se põe no dia do solstício de inverno, simbolizado pela coluna B (e que se levanta a sudeste).

E entre estas duas posições extremas, devido à eclíptica, está naturalmente a leste, ou seja, o lugar do horizonte onde o sol se levanta em cada um dos dois equinócios, que é onde o sol se eleva nos dois equinócios descritos no texto como “passagem do leste”, a passagem ao final simbolizada no Ulam pela porta do Hêkal (o pôr do sol nos dois equinócios ocorre de forma natural no oeste). Não há nada falso neste catecismo de 1696, que não apenas a pensar o simbolismo dos dois solstícios, mas também no das duas colunas (com seus nomes, seu material, sua altura e seus dois capitéis adornados com lírios e romãs) e a porta do Hêkal – Patrick Négrier dá conta disso no Capítulo IV de seu livro “L’essence da franc-maçonerie a travers ses textes fondateurs 1356-1751”(Oxus, 2018)

Em múltiplas ocasiões temos ouvido dizer ou lido que, no templo de Salomão, a luz vinha da porta dos deuses e no templo maçônico a porta se inverte. Então o maçom entra pelo sol poente, pela porta dos homens. Era lógico para alguns que consideraram assim uma troca de plano entre a casa de Deus, que era o templo de Salomão, e a casa dos homens que caminhavam para a luz, que é o templo maçônico. Este pensamento “guenoniano” é totalmente estranho à tradição da Palavra de Maçom. O Edimburgo de 1696 reporta claramente à porta e às duas colunas a “Nordeste, Sudoeste, e passagem do leste”. Explicação: o nordeste foi a localização da Coluna J (solstício de verão durante o qual o sol sai a nordeste e se põe a noroeste); o sudoeste era a localização da coluna B (solstício de inverno durante o qual o sol sai a sudeste e se põe a sudoeste); e a passagem do leste significava o lugar no horizonte onde o sol sai no dia dos dois equinócios.

É importantíssimo destacar que na origem do grau de companheiro não era comunicadas as Palavras B e J: estas já haviam sido dadas no grau de aprendiz. E é porque o aprendiz já as conhece que ele pode falar delas e já não se necessita voltar a transmiti-las. O Companheiro não é o que recebe B e J, mas o que recebe a letra G. Observando o que diz Prichard, em 1730, no grau de Companheiro, vemos: P- Quando passasteis sob o Átrio, o que visteis?. R- Duas grandes colunas. P- Qual é seu nome? R- J e B, ou seja, Jakin e Boaz. Portanto é falso que ambas palavras são dadas em ambos os graus. Isso é feito somente no grau de aprendiz, conforme diz o “Edimburgo” de 1696.

Voltando ao templo de Jerusalém, estava orientado do leste (Oulam, com suas 2 colunas) para o oeste (Devir, frente ao qual o altar dos perfumes simbolizava a morte). Ao olhar para o templo, olhava-se para o oeste e, segundo esta perspectiva, Ulam representava o leste (porta) flanqueado à direita do nordeste (J) e à esquerda do sudeste (B), onde cada coluna tinha seu próprio simbolismo.

Lê-se e se aceita tão alegremente, afirmações e desenvolvimentos como o que diz em seguida: “A separação da expressão em duas palavras distintas e separadas para o aprendiz e o companheiro teve lugar quando o grau de mestre chegou ao redor de 1730. Era necessário individualizar os corpos de três graus distintos. Foram separados os gêmeos significantes e marcadores da porta solsticial. Eram do mesmo nascimento solar e a um lhe foi dada a vontade divina (Jakin) e ao outro a vontade dos homens (Boaz). Esta dicotomia lembra a porta dos deuses e a porta dos homens”. Esta Exegese guenoniana totalmente estranha à tradição da Palavra do maçom, é, além de tudo, falsa. Não era a porta que era solsticial: eram as duas colunas: “O que significam as duas colunas de bronze? R: elas marcam os dois pontos solsticiais “(Rito Escocês Antigo e aceito, 1829 em COLLECTIF, Origem e Evolução dos Rituais, grande loja de França, 1999, 361).
A controvérsia de 1753

Pouco depois da introdução do grau de mestre, um falso problema contamina o raciocínio de nossos antecessores: a controvérsia dos antigos e dos modernos. Os “Anciens”, constituídos na grande loja, acusaram aos “Modernos” de 1717 de haver investido as palavras depois das revelações publicadas. Mas, se analisarmos com calma, vemos que, em 1737, na “Réception d’un frei-maçon”: B e J ainda são comunicadas ao aprendiz. Em 1745, Gabriel-Louis PERAU, em “L’Ordre des francs-maçons trahi”: se comunica J ao aprendiz e B ao companheiro (este é a origem da modalidade do rito francês).

Qual lenda – que se deu como certa apenas por repeti-la sempre – diz que o Rito Escocês Primitivo está presente nas primeiras lojas do regimento em Saint-Germain-en-Laye desde 1688? Isso é uma invenção pura: a Maçonaria da Palavra do Maçom só foi introduzida na França por volta de 1725.

Se a Maçonaria deseja ser lógica consigo mesma, deve basear-se no simbolismo do nordeste/noroeste de J e no simbolismo do sudeste/sudoeste de B: portanto, deve localizar-se ao norte na loja aqueles que recebem JAKIN (não importa se são os aprendizes ou companheiros – cada rito faz o que ele deseja) e, portanto, terão que ser situados no sul os que recebem B (aprendizes ou companheiros, sendo livre cada rito para decidir). Esta evidência seguramente pode fazer com que se rasgue as vestiduras um tanto por ignorância ou por má praxis do entendimento.

Recordemos que, em 1760, no “Três golpes distintos”, B é comunicada ao aprendiz, e J ao companheiro (prática dos Antigos na qual o REAA se abeberou).

Certamente, as festas de solstício maçônico são significativas devido ao simbolismo solsticial das duas colunas, mas em realidade chegaram tarde e têm uma história que deve ser conhecida; caso contrário, se está exposto a cometer uma incongruência. No século XVII, as lojas escocesas recebiam aprendizes no dia de “São João” de inverno, 27 de dezembro. Logo, em 1717, a incipiente grande loja de Londres elegeu seu grande mestre no dia de São João Batista, 24 de junho. Mas cada um destes dois eventos, que, ademais, não têm RELAÇÃO entre si, não tinham a intenção de celebrar os solstícios simbolizados pelas duas colunas: obedeciam exclusivamente a sua piedade religiosa sem nenhuma implicação esotérica: os calvinistas escoceses, pela eleição de São João Apóstolo, e os anglicanos e outras confissões da grande loja de Londres, pela eleição de São João Batista (não há uma implicação hermética na tradição da Palavra do Maçom).

Pretendeu-se rotular que os chamados ritos “modernos” são de natureza estelar (J no Norte, segundo vigilante no Norte). J não era estelar a priori, mas solar: solstício de verão (é só a analogia tradicional entre a saída do sol no dia do solstício de verão até o meio-dia zenital e a elevação do eixo Polar que permite por extensão conectar Jakin ao céu noturno).

A invenção do sistema hermético, metafísico e militar sob a influência cultivada dos cavaleiros de Saint-Lazare e Saint-André inoculado nas lojas, tem sua origem no pensamento de Ramsay, que continua sendo para alguns a vergonha da Maçonaria porque nem sequer se deu conta de que, ao tomar literalmente a brincadeira de Jonathan Swift na ficção dos cavaleiros maçons da loja de São João de Jerusalém em sua Lettre da Grande Maîtresse des Franc-maçones, à M. Harding, imprimeur, de 1724, foi totalmente enganado. Ante a consideração de que os membros destas duas ordens cavalheirescas presentes em loja foram reconhecidos como “Mestres escoceses”, cabe destacar que ao alto grau de “Mestre Escocês” não era de origem Escocês mas francês, ainda que esta atitude pouco cômica de Ramsay fez que se atrevesse a unir a Maçonaria a uma cavalaria estabelecida na Escócia, em Kilwining, sem dar-se conta de que sua fonte, Swift, era um gracejo, porque Kilwining não teve uma participação católica cavalheiresca: era uma loja presbiteriana calvinista que fundou a Palavra de Maçom. Muito se discutiu a respeito, mas ainda estamos esperando que nos expliquem essa coisa de “rito estuardista” do qual, até o momento, não aparecem fontes sólidas nem fundamentadas.

Para finalizar, e voltando às Colunas, creio que é necessário recomendar, com relação ao elemento bíblico descritivo, que nunca podemos trabalhar com traduções, porque são falsas. Assim, o texto hebreu especifica em I Reis 7,39 e II Cr. 4.10 que o mar de bronze era imanit (“à direita”) qedemah (“em frente” ao Oulam) mimoul negev (“orientado ao sul” ou, caso se prefira, “frente ao sul” e, portanto, ao norte e mais precisamente ao nordeste, já que Ulam representa o leste, e o oeste está representado por Devir).

Quando estamos frente à fachada do templo, o que percebíamos era um mar de bronze à direita (muito perto da coluna J ao nordeste) diante do Ulam (quer dizer, diante e ao lado da coluna J do Ulam), que olha para o sudeste, ou seja, está, muito precisamente, a nordeste.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A FORMAÇÃO DA PRIMEIRA GRANDE LOJA DE MAÇONS NA ALEMANHA





Irmão Henning A. Klövekorn


Com a difusão do cristianismo por toda a Alemanha e a exigência de que bispos romanos erguessem catedrais, os colégios maçônicos na Alemanha prosperaram. Geralmente designado como Steinmetzen ou Canteiros, estas fraternidades maçônicas levantaram igrejas e catedrais por toda a Europa continental. A sociedade de canteiros tinha dentro de si uma grande variedade de classes e ocupações. Estas incluíam Steinmaurer ou assentadores de pedras, Steinhauer ou cortadores de pedra, bem como Steinmetzen, uma palavra derivada de Stein ou pedra e Metzen, um derivado da palavra Metzel ou entalhador, uma arte mais detalhada e refinada que os cortadores de pedras. A construção de Bauhütten ou Lojas, situadas junto às igrejas em construção, serviu como estúdio de projeto, local de trabalho e quarto de dormir.

Um dos mais antigos registros de Lojas maçônicas se encontra na cidade alemã de Hirschau (agora Hirsau), no atual estado de Baden-Württenberg. As Lojas Maçônicas instituídas na cidade de Hirschau, no final do século 11, trabalhavam sob a ordem beneditina da Alemanha e foram as primeiras a estabelecer o estilo gótico de arquitetura.

Já em 1149, as primeiras Zünftes alemãs ou sindicatos de pedreiros se desenvolveram em Magdeburg, Würzburg, Speyer e Straßburg. Em 1250, a primeira Grande Loja dos Maçons formou-se na cidade de Colônia (Köln), Alemanha. A Grande Loja foi formada como parte do imenso empreendimento para erguer a catedral de Colônia.

O primeiro congresso maçônico ocorreu na cidade de Straßburg, na Alemanha no ano de 1275. Ela foi fundada pelo Grão-Mestre Erwin von Steinbach. Este também foi o primeiro uso registrado do símbolo dos Maçons, o compasso e o esquadro. Embora Straßburg fosse considerada a primeira Grande Loja de seu tempo, outras Grandes Lojas maçônicas já haviam sido fundadas em Viena, Berna e a acima mencionada de Colônia; estas foram chamadas Oberhütten ou Grandes Lojas. Diversos congressos maçônicos foram realizados na cidade de Straßburg, incluindo os anos 1498 e 1563. Nesta época, as primeiras Armas de Maçons, registradas na Alemanha, foram registradas representando quatro compassos, posicionados em torno de um símbolo do sol pagão, e dispostos em forma de suástica ou roda solar ariana. As Armas Maçônicas da Alemanha também exibiam o nome de São João Evangelista, santo padroeiro dos Maçons alemães.

A Oberhütte (Grande Loja) de Colônia, e seu Grão-Mestre, era considerada a cabeça das Lojas maçônicas de toda a Alemanha do norte. O Grão-Mestre da Straßburg, na época uma cidade alemã, era chefe de Lojas Maçônicas de todo sul da Alemanha, Francônia, Baviera, Hesse e as principais áreas da França.

As Grandes Lojas de Maçons na Alemanha recebiam o apoio da Igreja e da Monarquia. O Imperador Maximiliano revisou o congresso maçônico de 1275, em Straßburg e proclamou a sua proteção ao ofício. Entre 1276 e 1281, Rudolf I de Habsburgo, um rei alemão, tornou-se membro da Bauhütte ou Loja de St. Stephan. O Rei Rudolf foi um dos primeiros não-operativos, também chamados membros livres ou especulativos de uma Loja maçônica.

Os estatutos dos Maçons na Europa foram revisados em 1459 pela Assembleia de Ratisbonne (Regensburg), a sede da Dieta Alemã, cuja revisão preliminar tinha ocorrido em Straßburg sete anos antes. As revisões descreviam a exigência de testar Irmãos estrangeiros, antes de sua aceitação nas Lojas, através de um método de saudação estabelecido (aparentemente internacional ou europeu).
A primeira assembleia geral de Maçons na Europa ocorreu no ano de 1535, na cidade de Colônia, na Alemanha. Ali, o bispo de Colônia, Hermann V, reuniu 19 Lojas maçônicas para estabelecer a Carta de Colônia, escrita em latim. As primeiras Grandes Lojas dos Maçons estiveram presentes, o que era costume na época, e incluíam a Grande Loja de Colônia, Straßburg, Viena, Zurique e Magdeburg. A Grande Loja Mãe de Colônia, com o seu grande mestre, era considerada a principal Grande Loja da Europa.

Após a invenção da imprensa, os Maçons (Steinmetzen) da Alemanha, reuniram-se em Ratisbona, em 1464 e imprimiram as primeiras Regras e Estatutos da Fraternidade de Cortadores de Pedra de Straßburg (Ordnung der Steinmetzen). Estes regulamentos foram aprovados e sancionados pelos Imperadores sucessivos, tais como Carlos V e Ferdinando.

O monge alemão Martinho Lutero e seu protesto contra as injustiças e hipocrisias da Igreja Católica, em 1517, deram origem ao protestantismo. Isto liberalizou algumas das Lojas maçônicas da época. A Catedral de Straßburg tornou-se Luterana, em 1525 e muitas outras a seguiram.

Em 1563, os Decretos e Artigos da Fraternidade de Canteiros foram renovados na Loja Mãe, em Straßburg, no dia de S. Miguel. Estes regulamentos demonstram três elos importantes com a Maçonaria moderna. Em primeiro lugar, os Aprendizes eram chamados de “livres”, na conclusão do serviço a seu Mestre, o que, sem dúvida, é a origem da palavra Freemason ou “Franco-Maçom”. Em segundo lugar, a natureza fraternal da Loja era retratada em uma série de regulamentações, tais como o atendimento aos doentes, ou a prática de ensinar um Irmão sem cobrar, nos termos do artigo 14. Em terceiro lugar, os Maçons utilizavam um aperto de mão secreto como meio de identificação.

Dois artigos do regulamento indicando estes pontos são:

“Nenhum Mestre ensinará um Companheiro por dinheiro.

XIV. E nenhum artesão ou Mestre aceitará dinheiro de um colega para mostrar ou ensinar-lhe qualquer coisa relacionada com Maçonaria. Da mesma forma, nenhum Vigilante ou Companheiro mostrará ou instruirá qualquer um por dinheiro a talhar, conforme dito acima. Se, no entanto, alguém desejar instruir ou ensinar outro, ele pode muito bem fazê-lo, uma mão lavando a outra, ou por companheirismo, ou para assim servir ao seu Mestre.

LIV. Em primeiro lugar, cada Aprendiz, quando tiver servido o seu tempo, e for declarado livre, prometerá à Ordem, pela verdade e sua honra, ao invés de juramento, sob pena de perder o seu direito à prática da Maçonaria, que ele não divulgará ou comunicará o aperto de mão e a saudação de pedreiro a ninguém, exceto àquele a quem ele pode justamente comunicá-las, e também que ele não escreverá coisa alguma sobre isso”.

As regras de Straßburg estipulavam que a entrada na Fraternidade era por livre vontade e indicava claramente os três graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, na Fraternidade Maçônica alemã. Elas exigiram que se fizesse um juramento e que os pedreiros se reunissem em grupos chamados ‘Kappitel’ (Capítulo). As regras instruíam os Maçons não ensinar Maçonaria a não-Maçons.

Está claro que as Lojas ou Grandes Lojas Maçônicas alemãs existiam antes da formação da Grande Loja de Inglaterra, em 1717. Assim como o uso de apertos de mão secretos, o uso do termo “livre” e sua aceitação de não-operativos. O uso de alegoria e simbolismo em camadas, que torna exclusivo o sistema maçônico fraternal, também era evidente nas Lojas alemãs da época, conforme mostrado nas esculturas de pedra e estilos arquitetônicos das igrejas e mosteiros que eles construíram.
Tradução: Mestre Instalado José Antonio de Souza Filardo 




terça-feira, 19 de março de 2019


TRAÇADO E IMPLEMENTAÇÃO DO QUADRO DE LOJA NO R.E.A.A

O Quadro de Loja sobre a Prancha de Traçar

Um dos símbolos que tem verdadeira preponderância nas pesquisas sobre o Grau de Aprendiz Maçom no Rito Escocês Antigo e Aceite é sem dúvida o Quadro de Loja.

Existem algumas teorias interessantes sobre as origens dos Quadros de Loja, conhecidos em inglês como Tracing Boards e em francês como Tableaux de Loge. O I∴ Francês Roger Dachez, reconhecido por sua pesquisa a nível acadêmico sobre a Maçonaria, no seu trabalho de pesquisa chamado “Tracer le Tableau de Loge?” (Traçar o Quadro de Loja?) diz-nos que “a sua verdadeira origem é muito difícil de determinar como o é de muitos dos símbolos maçônicos, já que as referências mais abundantes em relação a esta iconografia, aparecem em meados e finais dos anos de 1730 e inícios de 1740, sendo estes desconhecidos e inexistentes nos textos Normativos, Divulgativos, Regulamentares e Catecismos Escoceses entre 1696 e 1715“.

Do ponto de vista operativo, pretende-se que a Quadro de Loja seja a evolução moderna das Tabelas, Cavaletes ou suportes medievais nos quais o Mestre da Obra trabalhava os seus planos de construção. Por outro lado, o I∴ R. Meekren, no volume de A.Q.C. nº. 61 escrito em 1948, apresenta uma teoria mais interessante sobre as origens dos Quadros de Loja:

“Se tomarmos a tradição insistente e universal entre os maçons de que as Lojas – em algum tempo vago no passado longínquo – se formavam ao ar livre, no alto de uma montanha ou em algum vale profundo (…) o traçado que delimitava o espaço daquela reunião ao ar livre, poderia ter sido convertido na forma da Loja, no Quadro de Loja“.

O que sabemos com certeza é que a partir de 1740 em França e em Inglaterra, a documentação sobre o Quadro de Loja é abundante, extensa e sobretudo diferente em cada Rito.

O traçado do Quadro de Loja é e tem sido, uma tradição fundamental que tem as suas origens desde os Antigos Maçons Operativos. A prerrogativa era exclusiva para os Mestres, que faziam os traços do Plano do Trabalho, com giz, carvão ou gesso no chão e posteriormente em Placas de Ardósia ou Cavaletes, com o objectivo de que as tarefas na Obra fossem corretamente expressas numa Matriz da Loja Primitiva ou Celestial.

O traçado do Quadro de Loja constitui um elemento indispensável para a Abertura e o desenvolvimento ritualístico dos trabalhos do R∴ E∴ A∴ A∴, já que a sua presença estabelece o Influxus Spiritualis (Influência Espiritual) dos símbolos da Ars Regia (Arte Real), Ars Tectônic (Arte Tectônica) e Ars Sacerdotalis (Arte Sacerdotal) aí expressa; definindo o Spatium Sacrum (Espaço Sagrado) através do Logos (Verbo Manifesto) da Architecturae Sacrae (Arquitectura Sagrada), despertando nos irmãos se reuniram, a ideia do Simbolismo Construtivo do Ser Humano numa linguagem encriptada (criptografia).

O traçado do Quadro de Loja renova e recorda o simbolismo fundamental referente à instrução no Caminho Iniciático para cada um dos Três Graus Azuis ou “Simbólicos”.

A sua localização central na Loja, exibe os principais símbolos devem decorar a Loja nos Graus de Aprendiz, Companheiro e até na Câmara do Meio dos Mestres Maçons.

O I∴ Experto dobra-se sobre o joelho direito e com um giz branco, faz os traços que correspondem a cada Grau, no fundo negro da Prancha de Traçar.

Quadro de Loja no Grau de Aprendiz, no R∴ E∴ A∴ A∴

Analogamente ao traçado do Quadro de Loja da Maçonaria de Tradição Operacional, existe o uso de gravuras em tecido e tabelas ou placas de loja impressas, que são utilizáveis ​​na Tradição 

Especulativa. Segundo o I∴ Yasha Beresiner nas suas Masonic Tracing Boards (Pranchas de Traçar Maçônicas), as primeiras oito e mais importantes gravuras conhecidas, são assinadas pelo alemão Reigens, cujo nome aparece no topo delas e que foram publicadas pela primeira vez em 1746. Estas foram atribuídas erradamente na Assemblée de Nouveaux Franc-maçons (Nova Assembleia de Franco-maçons) ao autor francês anti maçom Louis Travenol, que era mais conhecido pelo pseudônimo Leonard Gabanon. Estas gravuras são as primeiras representações artísticas disponíveis que mostram a posição do Modelo Ideal do Templo Maçônico no centro dele. Neles, os irmãos são mostrados com aventais e chapéus, em pé e em volta de uma tela decorada com numerosos símbolos maçônicos.

Estas ilustrações artísticas geralmente explicam os aspectos de nossos Rituais, que não foram preservados por palavras escritas, mas sim transmitidos oralmente, graficamente e directamente. Muitos dos primeiros desenhos gravados em tela ou na Prancha de Traçar eram sempre feitos pelo Tiler ou Tyler. A palavra ladrilhador vem do francês tailleur “cortador” e, consequentemente, é chamado Tuilleur em francês e Tyler ou Tiler em inglês. Em latim tegere “telhador”, significa na Loja de Arte Operativa; o Irmão artesão que cobre com telhas e fecha a construção, escondendo o interior e sendo o guardião dele. É na Maçonaria Especulativa, o que conhecemos como o Irmão Cobridor, Guarda Interno ou Guardião do Templo.

Na implementação do Quadro de Loja, o próprio irmão Beresiner da Loja de Pesquisa A.Q.C. 20176 de Londres diz:

“Os primitivos desenhos no piso feitos pelo Tyler (G∴ T∴) deixavam muito a desejar. Entre a má qualidade dos símbolos utilizados, e a confiança no talento e dedicação do Tyler (G∴ T∴), os Irmãos contemporâneos começaram a temer que estranhos pudessem reconstruir os detalhes dos desenhos apagados. Isto levou aos primeiros traçados em tecido com a delimitação de desenhos de símbolos e emblemas”.

Em 1725 um divulgação anónima Maçónica intitulada “Diálogo entre Simon e Felipe”, refere-se ao uso Quadros de Loja desenhadas com materiais diferentes do pano: os desenhos no solo são descritos como “emblemas de prata ou estanho muito fino localizado na posição da Loja”. Daí a ideia de usar no chão, tecidos mais duráveis, em vez de desenhos simples no chão ou gravações em estanho. Agora, os emblemas eram permanentemente fabricados com mais arte do que a que Tyler (G .: T∴) poderia ter conseguido. Em cada reunião, o Quadro de Loja estampado em tecido sobre o chão, era desenrolada diante do Venerável Mestre, que no final o guardava.

Várias dissertações foram ilustradas com pinturas francesas, que mostram o plano do Templo da Loja, que muitas vezes são decorados com uma infinidade de emblemas e símbolos. Estas gravuras em tecido derivam das práticas enquanto Usos e Costumes das Lojas Francesas do momento, além de serem a fonte das Pinturas que se seguiram depois, em evolução..

CONCLUSÕES

Durante o Rito da Abertura dos Trabalhos, o Irmão Experto traça ou estende no centro do Templo o chamado ” Quadro de Loja “, bem no meio do tapete quadrangular do Pavimento de Mosaicos de proporções 3-4-5 e delimitada pelos Três Pilares do Templo (as Três Luzes Menores) Sabedoria, Força e Beleza. Por sua vez, o Encerramento dos Trabalhos ocorre instantes após o Quadro de Loja ser apagado ou recolhido.

O acto ritualístico de desenho ou colocação do Quadro de Loja constitui essencialmente a sacralização do Templo, no Ritual de cada um dos Graus Azuis chamado “Simbólico”. Constitui o terceiro plano; o material, a ser executado e o primeiro a ser removido.

O Quadro de Loja também é conhecido como a Prancha de Traçar, quando o irmão Experto que é um Mestre Maçom, desenha os elementos simbólicos de estudo e investigação do simbolismo essencial para cada grau.

O Quadro de Loja inclui uma síntese visual de formas geométricas que impregna a memória do Maçon, o que faz com que o processo de reconhecimento dos elementos simbólicos seja cada vez mais eficaz.

O ensino Iniciático inclui o conjunto de símbolos que englobados num Espaço Sacralizado, forme uma verdadeira transmissão de uma Influência Espiritual; Recordando que cada símbolo dentro deste grande emblema tem um duplo aspecto de instrução, Moral e Espiritual.

Frater Levithian
Bibliografia
Rituales Tradicionales Formulados de los Grados Azules del R∴ E∴ A∴ A∴
Yasha Beresiner, Masonic Tracing Boards, Trabajo de la Logia de investigaciones Ars Quatur Coronati 2076 de Londres.
Dachez, Roger. Investigación (tableau de loge) “Tracer le tableau de loge?”. Blog: http://pierresvivantes.hautetfort.com/

segunda-feira, 18 de março de 2019

POR QUE O GADU É SEMPRE REPRESENTADO COM UM COMPASSO? VOCÊ SABIA?


Tradução J. Filardo

por Hervé HOINT-LECOQ


As instruções em perguntas e respostas são prolíficas sobre o uso do compasso na Maçonaria. A origem deste uso é dita bíblica e muitas ilustrações medievais a atestam. Mas por que o GADU é então representado com um compasso?

Então, todos nós temos em mente essas ilustrações de Deus, geômetra, posando com um compasso para traçar o mundo. Esta imagem vem de uma tradição iconográfica que remonta ao século XIII, graças a uma suposta encomenda da mãe de Saint Louis* de várias Bíblias ilustradas para a Rainha Blanche de Castela (conhecida como a Bíblia de Viena, codex 2554 alto à esquerda) e seu marido Luís VIII (a chamada Bíblia moralizada de Viena – codex 1179 no alto à direita), para Marguerite de Provence (Manuscrito de Toledo, canto inferior esquerdo) e Saint Louis (conhecida como Bíblia OPL – Oxford Paris Londres por causa de sua dispersão entre essas cidades – canto inferior direito).

Sobre essas representações das chamadas bíblias “moralizadas” (uma expressão que data do primeiro quartel do século XV para descrever as ilustrações comentadas de passagens do Antigo Testamento), podemos assim ver Deus o Criador em seu trono, sob jovens traços, o associando a Jesus, com o compasso sobre o cosmos, em uma moldura com quatro lobos apoiados por quatro anjos.

Para entender a razão, precisamos voltar à Bíblia, precisamente em Provérbios 8, tratando da sabedoria e, mais precisamente, Provérbios 8.25 a 31: “Antes que as montanhas fossem estabelecidas, Antes que as colinas existissem, eu nasci; Não havia ainda feito nem a terra, nem o campo, Nem o primeiro átomo da poeira do mundo. Quando ele organizou os céus, eu estava lá; Quando ele desenhou um círculo na superfície do abismo, Quando ele fixou para as nuvens acima, E as fontes das profundezas jorraram com força, Quando Ele deu um limite ao mar, Para que as águas não transbordassem, Quando eu coloquei as fundações da terra, eu estava trabalhando com ele, e eu fazia diariamente suas delícias, brincando constantemente em sua presença, brincando sobre o globo de sua terra e encontrando a minha felicidade entre os filhos do homem.”

Entendemos então por que, nessas primeiras representações, Deus não é o velho de cabelos grisalhos que agora imaginamos (visto que ele é à imagem dos homens que manuseiam o instrumento), mas também por que essa ferramenta de Geômetra sempre revestida nos operativos, como mais tarde entre os especulativos de tal importância: este círculo traçado sobre o abismo, portanto, coloca o compasso como a primeira ferramenta da Criação. Justificando assim seu lugar no Volume da Lei Sagrada.

sábado, 16 de março de 2019



UMA INICIAÇÃO NO PARAÍSO PERDIDO - OS FRANCO-JARDINEIROS

Tradução J. Filardo



Muitas vezes se sublinha com razão quanto a Maçonaria e seus costumes estão relacionados à cultura social britânica. Assim, a forma de uma Loja recorda a organização em duas “colunas” do Parlamento Britânico. No início do século XVIII, a Maçonaria Moderna apareceu em meio a muitos outros clubes, associações e círculos com os quais compartilha mais de um uso. No século XIX, esse modo tipicamente britânico de “estar juntos” também florescerá nas “sociedades amistosas”: Foresters, Búfalos, Sheperds, Oddfellows… Ao desenvolver lendas e simbolismos específicos, essas “sociedades fraternais” emprestam muito à Maçonaria. Uma delas, no entanto, distingue-se pela sua idade e pelo seu carácter muito particular: os Jardineiros Livres (os Franco-Jardineiros)

A primeira característica da sociedade dos franco-jardineiros é a sua antiguidade, pois a primeira evidência de sua existência remonta ao século XVII … na Escócia! Seus inícios são portanto quase contemporâneos aos da Maçonaria e suas raízes mergulham no mesmo solo. O registro da “Fraternidade de jardineiros de East-Lothian” abre no dia 16 de agosto de 1676 por um regulamento em quinze artigos. A Fraternidade conduz seus trabalhos no honrado bairro real de Haddington, a cerca de trinta quilômetros a leste de Edimburgo. Em 1677, ela já tem sessenta e seis membros.

Seus primeiros membros são menos jardineiros profissionais do que pequenos proprietários de terra, notáveis do campo e da pequena nobreza local, em termos mais familiares os “Aceitos”. É uma época em que o gosto pela arquitetura renascentista leva a um interesse constante pela arte do jardim. Interesse demonstrado pelo livro de John Reid (1655-1723), The Scot Gard’ners (Os jardineiros escoceses), publicado em 1783. As primeiras atas contêm principalmente apelos à importância da “Caixa [de solidariedade]” e a assiduidade dos membros. Mas também há injunções para a melhoria moral e a honra dos franco-jardineiros. A segunda “loja” de franco-jardineiros, cujos arquivos deixaram traços, se abre em 1715, em Dunfermline, cerca de vinte quilômetros ao norte de Edimburgo, do outro lado do estuário de Forth.

No final do século XVIII, havia também franco-jardineiros em Bothwell, Cambusnethan e Arbroath. O sucesso da maçonaria atraiu os notáveis e os franco-jardineiros eram encontrados especialmente entre jardineiros, profissionais e amadores esclarecidos. Eles organizavam trocas de sementes e de estacas e estarão na origem das primeiras exposições florais.
Se nada se sabe sobre o ritual dos francos-jardineiros no século XVII, a existência dele é atestada já em 1726. No século XVIII, as atas indicam que os candidatos foram “devidamente admitidos e recebidos membros da Fraternidade, tendo recebido a palavra e segredo”. Originalmente, parece haver apenas um grau, mas posteriormente, sob a influência da Maçonaria, a Ordem tem três graus: aprendiz, companheiro (jornaleiro) e mestre. Seu emblema é … o esquadro e o compasso sobre os quais se coloca a “faca de enxerto”.

Os únicos rituais que chegaram até nós são os da década de 1930, que, no entanto, podemos pensar que, se foram enriquecidos e desenvolvidos, fazem parte da continuidade dos usos anteriores. De um modo muito natural, em um contexto britânico e protestante, os rituais tomam emprestada a maior parte de seu material da Bíblia. Esta apresenta vários jardins que fornecem as referências das cerimônias. Começando com o paraíso terrestre criado pelo “Grande Jardineiro do Universo”: “Yahweh plantou um jardim no Éden” e “Yahweh tomou o homem e o colocou no Jardim do Éden para cultivá-lo e mantê-lo” (Gênesis II-8 e II-15). Depois do dilúvio, “Noé começou a cultivar a terra e plantou videiras” (Gênesis, IX-20). Antes de sua prisão, Jesus orou no jardim do Getsêmani (Mateus, xxvi-36).

Mas, a partir de 1800, os franco-jardineiros orientarão principalmente suas atividades em direção à solidariedade e gradualmente se transformarão em uma sociedade de ajuda mútua. No século XIX, profundamente transformada, essa versão mutualista de franco-jardineiros encontra um grande sucesso. Centenas de lojas serão criadas em todo o Império Britânico. No entanto, a partir da década de 1950, a ascensão do estado de bem-estar removeu o objetivo principal das “sociedades amistosas” e as lojas de franco-jardineiros passarão por um declínio irreversível. No final do século XX, restavam apenas três lojas: Bristol, no Caribe e na Austrália! Suficiente, no entanto, para que a continuidade seja assegurada no momento em que essa fraternidade singular desperta um interesse renovado.

Para ir mais longe: Robert LD Cooper, Os Franco-jardineiros, introdução às origens e história de uma Ordem desconhecida, Éditions Ivoire-Clair, Bagnolet, 2000, 124 p.

UM TEMPLO PARA NÃO DEIXAR NENHUM MAÇOM DE FORA!

Por Jean-Michel Mathonieère
Tradução J. Filardo

Desde o século XVIII coexistiram na França duas instituições que são frequentemente confundidas: A Maçonaria e o Companheirismo (Compagnonage). Assemelhavam-se mas não se misturavam.

Se alguém pode notar traços da influência maçônica sobre as compagnonnages desde o século XVIII, é, de toda forma, depois de 1789 que este fenômeno assumirá uma escala que aumentará durante as primeiras décadas do século XIX. As razões para isso são muitas, no mais das vezes passivas – a maçonaria oferecendo em relação a todos por suas divulgações de modelos fascinantes de ritos, lendas e iconografia simbólica – às vezes ativas – maçons, sejam eles companheiros ou não, desejam ardentemente trazer mais luz aos obreiros. 
A criação da União Compagnonnique em 1889 marca o ponto culminante dessa influência sobre as Compagnonages. Resultante das ideias pacifistas propagadas por Agricol Perdiguier e da fusão de sociedades de benefícios mútuos, especialmente de origem em Lyon, esta sociedade reunia companheiros pertencentes às três antigas famílias rituais: “filhos” de Mestre Jacques, do Pe. Soubise e de Salomão, cujas lutas muitas vezes sangrentas explodiam frequentemente nas estradas do Tour de France. Para afastar os ressentimentos antigos entre os ritos a reunir, os fundadores, muitos dos quais são os mais influentes também são maçons (este é particularmente o caso de Lucien Blanc, o primeiro presidente da UC), optam por um ritual único em que eles desejavam “trazer de volta a compagnonage aos seus verdadeiros princípios tradicionais, e restaurar as verdadeiras e importantes iniciações em sua antiga e respeitável pureza.” Este ritual de recepção tem como objetivo “trazer de volta a nossa sublime e bela instituição à via de onde ela nunca deveria ter se desviado, fazendo de todos os artesãos uma verdadeira família de irmãos que, de mãos dadas, caminharão daqui em diante, pelo caminho do progresso para a conquista de um destino melhor, ajudando a sociedade ao desenvolvimento da civilização”. Sua leitura mostra que este é um decalque quase idêntico ao ritual do aprendiz maçom.
Esse tipo de empréstimo não era novo, no entanto: alguns companheiros haviam copiado páginas inteiras de rituais maçônicos no início do século XIX. Isso é o que permitirá que essa reforma se imponha facilmente, porque não apresentou uma ruptura maior em relação aos rituais praticados nas últimas décadas, pelo menos nos filhos de Mestre Jacques e os de Salomão. Além disso, ao fazê-lo, antecipando uma ideia comum hoje em dia, os pioneiros da UC imaginam que estão apenas restaurando os rituais de companheirismo que a Maçonaria de alguma forma se apoderou ilegalmente, via aceitação de burgueses nas lojas operativas britânicas.
Entre os testemunhos mais passivos dessa influência maçônica sobre a jovem União Compagnonnique, optei por ilustrar uma litografia intitulada “O templo dos Companheiros”, publicada em 1889 por um dos fundadores daquela sociedade, Alphonse Fardin (1859- 1929), vulgo Normand, o Bem-Amado do Tour de France. Recebido companheiro sapateiro do Dever em 1876 em Bordeaux, Fardin é o delegado dos companheiros sapateiros du Devoir durante o congresso da Federação Compagnonnique de todos os Deveres reunida em 1889, durante a qual ela será transformada na União Compagnonnique (é certamente para esta ocasião que ele editou esta litografia). Poeta e cancioneiro, publicou também, entre outras obras, uma coletânea de canções, romances e poemas dos companheiros intitulada O Conciliador (Paris, editora Veuve Vert, 1893), onde ele proclama, em seu prefácio, que “unidos, seremos fortes e invencíveis”, enquanto promete trabalhar até seu último suspiro pela prosperidade da União Compagnônica.
Se desde Avignonnais la Vertu (Perdiguier), apoiada por Vendôme la Clef des Coeurs (Piron) e Joli-Coeur de Salernes (Escolle), as canções dos companheiros constituem a ponta de lança dos companheiros pacifistas para semear e ancorar nas mentes facilmente aquecidas por sentimentos mais fraternos, a imagem do companheiro não é deixada de fora, graças principalmente ao desenvolvimento da litografia que permite a reprodução rápida e econômica de desenhos. Fardin assume, assim, de certa forma, a sucessão editorial e militante de Agricol Perdiguier, falecido em 1875, publicando canções e essa litografia.

Além da referência aos três fundadores dos Deveres, representados unidos no centro do frontão, este templo finalmente tem como companheirista apenas seu título e os textos, criptografados ou não, que vêm ocupar cada superfície disponível, incluindo a lista de todas as cidades onde as sociedades de companheirismo da época estão presentes. Para o resto, pelo seu estilo geral, sua arquitetura imponente, seu vasto pavimento de mosaico e seus detalhes simbólicos, é totalmente de inspiração maçônica. Uma vez mais, o fenômeno não é novo: a partir do início do século XIX, as duas colunas J e B, bem como o frontão estão amplamente presentes nas imagens dos companheiros. Mas é, no entanto, a primeira vez, me parece, que a impressão propriamente companheira é tão fraca. Adolphe Fardin nos legou um templo para não deixar um maçom do lado de fora! Em todo caso, não demorará muito para que a União Compagnonnique aceite em seu seio o ofício de pedreiro-construtor, que os companheiros talhadores de pedra das antigas sociedades sempre se recusaram a admitir no Dever.

Para ir mais longe
Jean-Michel Mathonière, Interferência entre especulativos e operativos franceses nos séculos XVIII e XIX, SFERE (Sociedade Francesa de Estudos e Pesquisas sobre o Escossismo), volume XIV (seminário de 26 de novembro de 2016).

Publicado na revista FM-Franc Maçonnerie


CHRISTOPHER WREM. CONTROVÉRSIAS SOBRE SUA PARTICIPAÇÃO NA MAÇONARIA



Extraído do blog O Prumo de Hiran (Luciano Rodrigues)

A medida que a pesquisa histórica sobre a maçonaria avança, levantamos dúvidas antigas sobre temas que já nos pareciam consolidados, afinal quanto mais informações, mais questionamentos e quanto maior a rigorosidade do método de pesquisa, mais nos é exigido a comprovação de fatos. Para que sejam criadas as histórias e formar uma “linha do tempo”, trabalhar com o material que temos acesso, formatando assim um cenário plausível.

Todo maçom que já estudou o início da maçonaria “especulativa” na Inglaterra, já ouviu falar do famoso arquiteto chamado Christopher Wren e do seu trabalho após o grande incêndio de Londres em 1666. A sua participação na maçonaria já foi contada e escrita por diversos autores, como um maçom operativo que participou deste período de transição e/ou evolução para a especulativa.

O motivador do texto a seguir é a dúvida sobre a real participação de Christopher Wren na maçonaria. Neste intuito, analisaremos alguns documentos antigos no que tange ao famoso arquiteto.

Quem foi Christopher Wren?

Sir Christopher Wren é, sem dúvida, o arquiteto mais célebre da Inglaterra; para os maçons, há muito tempo atrás, também se diz que ele era um irmão.


Os contemporâneos afirmaram claramente que ele havia se tornado um maçom e, no entanto, muitos escritores consideram isso pouco mais que uma fábula.

Contudo, as evidências revelam que há um erro fatal na forma como os historiadores abordam a história das origens do Ofício, e apresenta o relato da participação pretendida por Wren sob uma nova perspectiva.

Após o Grande Incêndio de Londres, em 1666, a cidade foi reconstruída pela primeira vez em pedra, e por toda uma geração, Londres parecia ser o quintal dos construtores.

Além de cinquenta e uma novas igrejas, o matemático e astrônomo Sir Christopher Wren, também foi contratado para projetar uma nova catedral para substituir aquela catedral medieval destruída pelo fogo.

Em 1675, após uma série de rejeições repentinas, seu projeto recebeu aprovação real e a pedra fundamental foi colocada, iniciando a construção.

A catedral levou cerca de trinta e cinco anos para ser concluída e, com o avanço do trabalho, o antiquário John Aubrey, registrou em seu diário que em 18 de Maio de 1691, Wren foi feito um Maçom.

“Naquele dia … … uma grande convenção na Igreja de São Paulo da Fraternidade de Maçons Aceitos, onde o Sr. Christopher Wren foi adotado como irmão …”

A declaração de Aubrey foi posteriormente copiada para os registros da Royal Society, da qual Wren era membro fundador (presidente de 1680 a 1682); Wren não fez objeção a essa história.

John Evelyn registrou uma história semelhante e após a morte de Wren em 1723, vários jornais se referiram a ele como “aquele digno maçom”.

Mais tarde, seu neto escreveu que “quando o filho de Sir Christopher Wren colocou a última pedra da lanterna (1) em 1708, foi … na presença de um excelente artesão, Sr. Strong, seu filho e outros Maçons Livres e Aceitos que foram empregados na execução da obra”.

Significativamente, o filho Christopher Wren, também chamado Christopher, é conhecido por pertencer à Old St.Paul´s Lodge e de ter sido o Mestre da loja em 1729.

A partir de 1691, aquela loja reuniu-se na taverna “O Ganso e a Grelha”, onde a primeira Grande Loja foi formada em 1717, de acordo com James Anderson.

O “excelente artesão” a que ele se refere era o mais antigo pedreiro de Oxforshire, Edgard Strong, um empreiteiro muito importante no trabalho da catedral. Edgard Strong pertenceu a uma loja “Livre e Aceita” que se reunia na taverna “The Swan” (O cisne) em East Street, Greenwich.

Claramente, a chave para entender nossas origens aparece nas palavras “Livre e Aceito”. Deve-se notar que uma falsa distinção foi feita, consagrada em nossos rituais, entre maçons operativos e especulativos; no século XVII o termo “especulativo” nunca foi usado, o termo foi mencionado pela primeira vez em 1755 e se referia a pedreiros “livres e aceitos”.

O que exatamente essas palavras significam?

Maçons Livres e Aceitos

O termo freemason emergiu no final do século XIV, na Inglaterra, como corrupção de “freestone masons”, e desde então há vestígios da “irmandade” ou “Company of Masons” (Companhia dos maçons).

Em 1654 eles mudaram seu nome para “London Company of Masons” por razões que não são claras. No entanto, os artesãos continuaram individualmente usando o termo “freemason” no século XVIII.

O termo Aceito, no entanto, é o mais difícil de ser situado.

Havia três formas de admissão para todas as empresas de Londres; servidão, patrimônio e redenção. A servidão era garantida após o aprendizado; patrimônio significa que alguém poderia se juntar a um membro da família; e a redenção denota que a associação foi obtida comprando-a.

Curiosamente, a única Companhia que tinha uma categoria adicional de membros era a Companhia dos Maçons, e isso foi chamado de “Aceitação”.

Entre 1630 e 1677, os registros da Companhia identificam 13 nomes daqueles “aceitos”, todos eles artesãos experientes. Um em particular, Nicholas Stone foi Mestre da Companhia duas vezes e foi o Mestre Maçom do Rei na época em que foi aceito.

Depois de 1677, não há menção dessa prática misteriosa nos registros da Companhia.

Cinco anos depois, o antiquário Elias Ashmole registrou uma relação sedutora em seu diário. Ele escreveu que, em 10 de março de 1682, recebeu uma convocação para comparecer a loja no dia seguinte, no Masons Hall, em Londres, sede da Companhia dos Maçons.

“ … Eu fui e foram admitidos à Sociedade de Maçons, Sir William Wilson, Capitão Borthwick, Sr. William Woodman, o Sr. William Gray, Sr. Samuell Taylour & Sr. William Wise. Eu era o Companheiro mais antigo entre eles (35 anos desde que fui admitido). Os próximos Companheiros nomeados estavam presentes ao meu lado. Sr. Thomas, Sr. Shorthose, Sr. Rhomas Shadbolt Esquire de Waindsford, Sr. Willian Stanton. Nós jantamos na Taverna Media Luna em Cheapside, em um Jantar Nobre preparado a cargo dos Novos Maçons Aceitos”.

Ashmole aqui refere-se a uma “loggia” da “Irmandade de maçons” ou “de Maçons Aceitos”, a que pertencia há trinta e cinco anos.

Isso se refere claramente à sua própria iniciação em Warrington, em outubro de 1646, e indica que as duas lojas pertenciam à mesma irmandade, as evidências sugerem que a loja de Warrington também fazia parte dos “Aceitos”.

Uma análise da história contradiz essa visão e produz resultados fascinantes

Sir William Wilson, um renomado maçom, esculpiu a estátua do rei Carlos II na catedral de Lichfield. Não se sabe muito do capitão Richard Borthwick, mas William Woodman também foi membro da Sociedade dos Maçons e mais tarde pertenceu ao Horn Tavern Lodge em Westminster.

William Gray, Samuell Taylour e William Wise também eram membros da Companhia, o último, filho do Mestre.

Ainda mais revelador é a composição da loja em si: Thomas Wise, Mestre Mason do Rei e Mestre da Sociedade de Londres, acompanhado por John Shorthose e William Stanton, os Vigilantes da Loja neste ano.

Thomas Shorthose era um Past Master que foi “aceito” em 25 de janeiro de 1650 e o resto da loja incluía um Past Master e dois Past Vigilantes. Sabe-se que todos eram maçons operativos que trabalhavam com Sir Christopher Wren.

Uma falha de conhecimento

Essa análise expõe um erro fatal profundamente enraizado na erudição maçônica: é errado dizer que os maçons aceitos não eram artesãos, quando na verdade a “aceitação” parece ter admitido tanto os artesãos altamente qualificados, quanto aos Senhores/nobres, em algum tipo de corpo exclusivo.

Portanto, é altamente provável que Wren não estivesse em contato com essas tradições, mas que os artesãos buscassem ativamente seu patrocínio. Além disso, o Mestre da Companhia dos Maçons em 1691 foi John Thompson, cuja oficina trabalhou para Wren, e que, como o registro do Diário de Ashmole, foi membro da Loja de “Aceitos” nove anos antes.

Embora não se saiba em que consistia a “Aceitação”, é evidente que Ashmole conhecia o termo “pedreiro livre” (freemason) como se referindo aos artesãos.

Em 1672, ele registrou em um livro sobre a Ordem da Jarreteira, como a abóbada do Coro em Windsor foi executada por dois “pedreiros livres” (freemasons) em 1508.

Em uma publicação mais antiga de Elias Ashmole, Theatrum Chemicum Britannicum de 1652, há um relato ainda mais intrigante: o volume de texto alquímico, que incluía o Ordinall de Alchemy, de Thomas Norton, escrito em 1747. Significativamente, Norton tentou dissuadir as pessoas não qualificadas na arte misteriosa da alquimia e cita uma série de profissões artesanais, incluindo os maçons como “os Senhores que amam esta profunda filosofia”.

É impossível conceber que Ashmole não tenha apreciado as implicações do texto: ele havia sido um “maçom” por vários anos e tinha profundo amor pela alquimia.

Com o estabelecimento da ciência moderna, tal como a Royal Society, da qual Wren e Ashmole eram membros fundadores, os aspectos físicos da alquimia começaram a formar a base da química. No entanto, seu foco espiritual na transformação do indivíduo, através de um processo de morte e renascimento simbólico, permanece na obscuridade.

Isso ocorreu apesar do fato de que, em uma reputada Royal Society, cientistas como Robert Fludd e Sir Isaac Newton procuraram incansavelmente o fabuloso elixir, a pedra filosofal, frequentemente descrita como uma Fênix e comparada ao Cristo ressuscitado.

Curiosamente, no topo do lado sul da Catedral de St. Paul há um nicho com uma fênix, simbolizando o renascimento da catedral após a conflagração do fogo.

É talvez revelador que este foi o trabalho de um perito escultor de Wren, Caius Gabriel Cibber (que era filho de um maçom) e herdou sua oficina do maçom Nicholas Stone, que havia sido admitido pelos Aceitos em 1638.

Então, se lembrarmos que as cerimônias maçônicas mais antigas são datadas antes da pretensa iniciação de Wren e que esses ritos foram centrados em noções veladas de morte e renascimento, teremos dado um passo à frente para entender as origens e o significado de nossa Arte.

Royal Society

A busca nos arquivos da Royal Society lançou novas informações em relação à alegação de que Sir Christopher Wren havia sido iniciado na Maçonaria em Londres em 8 de maio de 1691.

Tal afirmação é apoiada por uma nota manuscrita, acrescentada ao manuscrito de John Aubrey, “Naturall Historic of Wiltshite”, de 1685, agora mantido pela Biblioteca Bodleiana de Oxford. O manuscrito tem duas partes, arquivado como MS. Aubrey 1 e MS. Aubrey 2

Na segunda parte há um breve relato da Maçonaria:

“Sir William Dugdale me disse há muitos anos, que na terceira parte da época de Henrique (o rei), o Papa deu uma Bula ou diploma (escrito em cima, uma patente) a uma companhia de arquitetos italianos (escrito acima, Maçons) para viajar por toda a Europa para construir igrejas, o que levou à Fraternidade dos Maçons (escrito acima, maçons aceitos).

Eles agora são uns e outros por certos sinais e marcas e palavras de reconhecimento: e continuam até hoje. Eles têm várias lojas em vários países para sua recepção: e quando um deles cai em desgraça, a irmandade o ajuda. O modo de sua adoção é muito formal e com uma promessa de sigilo”.

A página à esquerda dessa relação foi deixada em branco e sobre ela, em algum momento posterior, três notas foram adicionadas a mão por Aubrey.

Uma dessas notas diz respeito à Maçonaria e pode ser lida:

“Memorando, neste dia (18 maio de 1691), sendo segunda-feira após domingo de Rogativas houve uma grande convenção da Fraternidade de maçons aceitos na Igreja de St. Paul onde Sir Christopher Wren foi adotado como um irmão, e Sir Henry Goodric … De la Torre e outros & houveram reis que pertenceram a esta Sociedade”.

John Hamill, em 1986, em seu livro “The Craft” foi mais cauteloso, concluindo que a possibilidade existia, mas que “não foi comprovado”.

Como pode ser visto, o texto pode ser adaptado a diferentes graus de veracidade. Para entendê-lo, é necessário rever a história do manuscrito de John Autrey.

O manuscrito de John Aubrey

John Aubrey (1626-97) foi um dos membros fundadores da Royal Society e aparece registrado na lista de Fellows (Companheiros) em 20 de maio de 1663.

Em 1685, ele escreveu seu “Naturall Historic of Wiltshire”, nunca publicado, mas preservado como um manuscrito. Sem dúvidas, a Royal Society que admirava seu trabalho, e considerando o valor que teria para os seus membros, ordenou que se fizera uma cópia e fosse guardada nos arquivos da sociedade para que os membros não precisassem viajar para Oxford para consultas.

O Dr. Michael Hunter, em sua biografia de John Autrey, escreveu:

“… Acima de tudo, a Royal Society teve a honra de John Aubrey transcrever seu Naturall Historic of Wiltshire em 1690-1, em um gesto único e extraordinário para mostrar sua estima, que custou a soma considerável de sete libras” (832,65 libras a preços atuais).

Essa cópia foi feita pelo secretário da Royal Society, Mr. B.G. Cramer que iniciou a tarefa em 1690 e completou em meados de 1691 e é mantido nos arquivos da Royal Society como MISC. MS 92 e consiste em 373 páginas.

Quando Cramer recebeu a ordem de fazer a cópia, Aubrey teve a oportunidade de fazer acréscimos e emendas e supervisionou a inclusão no novo texto.

Isto é indicado por uma breve nota, a mão de Aubrey adicionada à página 124, da segunda parte do manuscrito original: Aubrey escreve, referindo-se a um panfleto impresso em tela ao qual havia sido adicionado:

“Sr. Cramer! Sobre este Tratado em tela, transcreva apenas a apresentação do Grande Júri em Brewton em Somersetshire “.

Quando Aubrey escreveu o manuscrito original, ele usou apenas a primeira metade de cada página, consequentemente, uma página em branco apareceu à esquerda de cada um com o texto à direita.

Portanto, pode-se supor que todas as mudanças feitas para o propósito da nova cópia de Cramer foram incluídas na nova cópia, embora não haja certeza.

Poderíamos dizer que foi assim. Em sua cópia, Cramer incluiu o seguinte no corpo principal do texto:

“Memorando, neste dia (18 maio de 1691), sendo segunda-feira após domingo de Rogativas houve uma grande convenção da Fraternidade de maçons aceitos na Igreja de St. Paul onde Sir Christopher Wren foi adotado como um irmão, e Sir Henry Goodric … De la Torre e outros & houveram reis que pertenceram a esta Sociedade”.

Pode-se aceitar, então, que Aubrey, Wren e a Royal Society concordaram com seu agregado, citando a iniciação de Wren na Maçonaria, e parece razoável aceitar que se trata de uma afirmação verdadeira.

John Aubrey era amigo íntimo de Sir Christopher Wren, ambos pertencentes à Royal Society, Wren foi membro fundador da Royal Society e serviu como seu presidente no período de 1680-2.

Ele permanecia ativo na Sociedade em 1691, a data da cópia de Cramer.

Alguns sugerem que talvez Wren tenha tentado que eles o iniciassem, mas naquele dia era impossível que ele tivesse participado.

No entanto, em 18 de maio de 1691, a data de iniciação e o texto adicional relativo à Maçonaria, Cramer pode ter trabalhado em páginas mais antigas de sua cópia.

Levando em conta que a data está escrita no dia em questão, e que Cramer copiou a página em uma data posterior após os eventos, não houve tempo suficiente para modificar o texto e refletir qualquer variação dos eventos.

Que isso não tenha sido feito, fala de uma boa evidência de que Wren não perdeu sua “adoção”. Em conclusão, uma vez que nenhum desses homens se opôs a essa afirmação, nem a alterou antes de sua cópia, pode-se aceitar que o que realmente aconteceu, aconteceu.

Podemos confiar, então, que Sir Christopher Wren foi iniciado na Maçonaria em 1691.

Devemos agradecer aos bibliotecários e seus assistentes da Biblioteca Bodleiana e da Royal Society por sua ajuda em disponibilizar este manuscrito para nós.

VISTA INTERNA DA CATEDRAL DE ST. PAUL EM LONDRES

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1.Lanterna é uma pequena torre com janelas, normalmente circulares, que está localizada no topo de alguns edifícios, geralmente terminando em um telhado ou cúpula, para fornecer luz e, às vezes, ventilação.
2. Rogativas – Procissão pública para implorar a Deus a cura de uma grave necessidade.

Bibliografia

– Bernard Williamson & Michael Baigent. Sir Christopher Wren e a Maçonaria: Novas Evidencias, Ars Quatuor Coronatorum, 109 (1996).

– Diário de Elias Ashmole, 1682.

– John Hamill & R. A. Gilbert, Freemasonry, A Celebration of the Craft (1992).

– Elias Ashmole, Institutions, Laws and Ceremonies, of the Most Noble Order of the Garter (1672)

– Elias Ashmole, Theatrum Chemicum Britannicum (1652).

– Matthew Scanlan, Nova luz sobre Sir Christopher Wren (2001).

Luciano Rodrigues e Rodrigues

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