segunda-feira, 29 de junho de 2015


NOSSOS IRMÃOS, OS ESSÊNIOS

A Comunidade essênia


                                                                                   Autor: João Anatalino – Recanto das Letras

Há utopias sonhadas e utopias tentadas. Umas assumem feições políticas, outras se mantém no terreno da religião. Algumas são apenas sonhos de filósofos, que jamais saem do papel. Nesse rol alinhamos as Utopias renascentistas de Thomas Morus e Cidade Mágica do Sol, de Tommaso Campannela.

A Maçonaria é uma utopia filosófica e seus cultores, não raras vezes, tem influenciado na vida prática dos povos. Seu envolvimento com a política é muito mais estreito do que com a religião, embora muitas vezes seja confundida com uma, justamente pelo fato de incorporar em seus catecismos diversos motivos temáticos e litúrgicos inspirados por seitas religiosas, algumas inclusive, anteriores ao Cristianismo.

Uma das seitas que muito influenciaram a Maçonaria, em sua face espiritualista, foi a seita dos essênios, cuja organização, estrutura, doutrina e prática de vida a coloca na categoria de uma utopia politico/religiosa.

Os essênios constituíam uma comunidade místico-religiosa formada por iniciados nos mistérios da religião hebraica. Seus membros acreditavam ser detentores do verdadeiro conhecimento sagrado, aquela sabedoria que Deus comunicara aos primeiros homens e que desaparecera da terra após o dilúvio. Muitos escritores de orientação espiritualista os fazem herdeiros dos atlantes, atribuindo-lhes diversos conhecimentos iniciáticos, que a eles teriam sido repassados por mestres egípcios.

Duas das tradições legadas pelos essênios á História do pensamento místico, tradições estas que são aproveitadas no simbolismo maçônico de vários graus superiores, são a idéia do Homem Universal e o mistério ligado ao verdadeiro significado do Nome de Deus. Tanto a mística do Filho de Deus que se faz Filho do Homem para redimir a humanidade pecadora, quanto o poder que se encerra no Inefável Nome de Deus foram tradições desenvolvidas pela doutrina essênia e repassadas á tradição da Cabala. Pela Cabala elas entraram na Maçonaria e tornaram-se simbolismos utilizados para veicular ensinamentos morais no catecismo das Lojas de Perfeição e Capitulares, e nos graus filosóficos das Lojas do Kadosh.[1]

Quem eram os essênios

Entre os judeus, os essênios podem ser considerados uma espécie de sociedade secreta, de caráter religioso, cujos membros discordavam da orientação imprimida á sua religião. Formando uma verdadeira Fraternidade, eles se afastaram do convívio social e desenvolveram uma espécie muito particular de comunidade, que na verdade, tinha um objetivo bem definido: preparar uma nova sociedade de eleitos de Deus, que seria a herdeira da Nova Aliança, quando o Messias viesse ao mundo.

Nesse sentido, eles desenvolveram um complexo sistema religioso de cerimônias de iniciação, semelhante ao das seitas iniciáticas do antigo Egito e da Grécia Clássica. Exigiam juramentos solenes de obrigações fraternas e um estrito silêncio sobre suas práticas, crenças e tradições, ao mesmo tempo que inculcavam na cabeça de seus adeptos uma filosofia de vida que muito se aproximava das seitas ascéticas da época, particularmente os cristãos.

As pesquisas mais recentes sobre os documentos essênios encontrados em Qumrân, localidade próxima ao Mar Morto, em 1948, revelaram que suas doutrinas tinham uma grande semelhança com aquelas pregadas por Jesus, o que levou muito autores a considerá-los como inspiradores dos cristãos.
A idéia que se fazia dos essênios, a partir de informações extraídas de escritores antigos, como Philo de Alexandria, por exemplo, que já no século I da era cristã confessava a influência que deles teria recebido, era a de que eles constituíam uma comunidade de magos, grandes conhecedores de segredos da natureza, detentores de uma sabedoria muitas vezes milenária, oriunda, talvez, de uma civilização desaparecida.

Por força de tais informações, os essênios sempre foram envolvidos por uma aura de misticismo e mistério. Porém, com as descoberta dos pergaminhos do Mar Morto, uma nova luz foi lançada sobre essa interessante comunidade, que sobreviveu por mais de dois séculos em condições políticas muito adversas, graças á prática de um tipo muito peculiar de Irmandade.

Síntese histórica

A comunidade essênia foi fundada por um personagem misterioso, referido na sua literatura ora como Mestre Perfeito, ora como Mestre Verdadeiro. Não se sabe quem foi realmente esse personagem singular, mas acredita-se que tenha sido um sacerdote levita, que revoltado com a corrupção do clero israelita da época, (início do século II a. C.), retirou-se para a clandestinidade, arrastando com ele um vasto contingente de seguidores, insatisfeitos com os rumos que a religião vinha tomando em Israel.

Uma ligeira síntese histórica ajuda a fazer uma idéia daqueles tempos. No século II a C., Israel fazia parte do chamado mundo helênico, pois desde o século IV a C. a Palestina tinha sido incorporada ao império persa, o qual por sua vez, fora conquistado por Alexandre Magno entre 326 e 323 a C.

Após a morte de Alexandre, seu império foi dividido entre seus generais. A parte correspondente á Síria e Palestina ficou com Antioco, que estabeleceu a sede de seu governo na Síria. Por volta do início do século II a C. reinava na Síria um de seus descendentes, chamado Antioco Epifanes.

O historiador Flávio Josefo nos dá uma idéia do ambiente que reinava em Israel naquela época. Naquele tempo Israel era governado por uma casta sacerdotal, que além de orientar os rumos da sua política, também era responsável pela manutenção da pureza da religião de Israel. Mas essa casta só se preocupava em manter seus privilégios, submetendo-se ás pressões e influências estrangeiras, permitindo a opressão politica e econômica do povo e tolerando que sua religião fosse contaminada pela idolatria dos cultos gregos e egípcios, que os exércitos de Alexandre haviam espalhado por todo o Oriente.[2]
Os israelitas sempre foram muito ciosos a respeito de sua religião. Muitos preferiam morrer a adorar ídolos estrangeiros ou violar os preceitos da Torá. Essa situação, que existiu durante toda a época da dominação helênica, e se prolongou durante a ocupação romana, não raramente ensejava motivos para a eclosão de sangrentas revoltas.

Durante a época de Jesus, essa situação não se modificara, como se pode perceber no seu magistério. Jesus fazia ferrenha oposição á classe sacerdotal da sua época, conforme se lê nos Evangelhos. Essa classe, composta pelos escribas, fariseus e saduceus, interpretava a lei em seu próprio beneficio e lançava sobre os ombros do povo cargas insuportáveis, “que nem com um dedo queriam levantar”, como ele dizia. 

Na verdade, os escribas e fariseus que “se sentavam” na cadeira de Moisés e lançavam “cargas insuportáveis” sobre os ombros do povo, faziam parte de uma classe que, desde a conquista helênica, preferira se aliar aos dominadores ao invés de defender suas próprias crenças e tradições. Com isso não concordavam os “puristas”, os ortodoxos, os cultores da idéia de uma religião isenta de qualquer influência pagã. Esses “puristas” julgavam ser o culto á deuses estrangeiros, a maior das ofensas que se podia fazer a Jeová. Entre esses grupos de puristas, estavam os zelotes e os essênios.

O Mestre Verdadeiro

Um desses homens “puros” foi, sem dúvida, o chamado Mestre Verdadeiro, que fundou a comunidade essênia. No inicio do século II a C., o sacerdócio era exercido pela família de Matatias, um rabino da tribo de Levi, famoso por suas posições de defesa intransigente da lei mosaica. O rei sírio Antioco Epifanes, desejando quebrar a resistência israelita, quis implantar em Israel o culto a Zeus Olímpico. Com essa intenção, invadiu o santuário do Templo de Salomão em Jerusalém, colocando no altar do Santo dos Santos uma estátua daquele deus. Os israelitas não suportaram a violação do mais sagrado dos seus locais, e comandados por Judas, o filho mais velho do sacerdote Matatias, iniciaram a rebelião que ficou conhecida como a Revolta dos Macabeus.[3]
Foi durante a Revolta dos Macabeus que um grupo de israelitas ortodoxos fugiu de Israel e se instalou na chamada “Terra de Damasco”. Liderados pelo chamado Mestre Verdadeiro (talvez o próprio Matatias, ou ainda um dos filhos), sua intenção era praticar a verdadeira religião de Israel, na sua pureza primitiva.[4]

O Mestre Verdadeiro, além de líder de invulgar talento, revelou-se profeta, legislador e poeta de excelente qualidade, a se julgar pelos hinos que compôs.
Durante todo o período de dominação helênica, o núcleo de reação judaica se concentrou em dois grupos: Os essênios e os zelotes. Quanto aos zelotes, o interesse para este estudo é secundário, tendo em vista que eles permaneceram principalmente no terreno militar. Foram eles, inclusive, que forneceram os combatentes que, nos anos 67-70 d.C., sustentaram uma guerra sem quartel contra as tropas romanas.

Já os essênios, conforme se percebe na literatura recuperada através dos pergaminhos do Mar Morto, pregavam uma resistência ora política, ora espiritual. Essa resistência estava sempre conexa com a idéia de um herói, um Messias, que libertaria Israel do domínio estrangeiro e renovaria a Aliança daquele povo com Deus.


Chamando-se a si mesmos de “convertidos, penitentes, pobres, justos, santos, eleitos, etc”, os essênios diziam que o seu grupo era a verdadeira Israel, aquela nação cujo modelo Deus teria transmitido a Abraão como grupo e realizado através de Moisés como nação. Acreditavam que por ocasião da fuga dos israelitas do Egito, Deus teria transmitido a Moisés a verdadeira sabedoria, a qual ele teria depositado na Arca da Aliança, segredos esse que Moisés não revelou no Pentateuco, mas transmitiu oralmente aos sacerdotes mais antigos da tribo de Levi.[5] Esse era um dos segredos que os essênios julgavam-se depositários, e por conta dessa sabedoria eram capazes de realizar muitos prodígios, inclusive curas milagrosas e intervenções nos poderes da natureza.[6]
Acreditando que a maioria dos ensinamentos bíblicos havia sido escrito em código, eles desenvolveram uma interessante forma de interpretação do Livro Sagrado, que certamente deve ter servido de inspiração para os rabinos que desenvolveram a grande tradição da Cabala.

A organização dos essênios

Os essênios fundaram uma verdadeira Fraternidade, com características de sociedade secreta. Para se tornar membro dela era preciso que o neófito fosse portador de três atributos básicos: ser israelita, inteligente e disciplinado. Exigia-se do candidato um juramento para com a Irmandade e para consigo mesmo, no qual ele se comprometia a submeter-se á disciplina da Ordem e a perseguir os objetivos pelos quais se tornara membro dela.[7] Em principio, o iniciado deveria viver na comunidade durante um ano antes de tornar-se membro efetivo. Após esse período, ele se tornava um “numeroso ou sectário pleno”, ocasião em que deveria juntar seus bens aos da comunidade.[8]

O objetivo da comunidade era não só preservar a pureza dos fundamentos da religião israelita, mas principalmente preparar um Messias, um líder que fosse capaz de libertar o povo de Israel da influência estrangeira e reconstituir depois, o reino de Deus sobre a terra. Toda sua organização e o conjunto da sua doutrina eram dirigidos para esse objetivo.

Não só o Messias deveria ser preparado, porém. Quando o seu reino fosse instalado, ele iria necessitar de “quadros” para governar. Assim, toda a rígida disciplina da Fraternidade era orientada também para a produção de “juízes, guerreiros e administradores”, enfim, todo o “staff” necessário para a administração da nova sociedade que seria fundada com a sua vinda.
Na infância, e até os 20 anos, o iniciado era instruído no Livro da Meditação e nos Preceitos da Aliança; a partir dos 20 anos, passava a viver na Comunidade dos Irmãos e podia casar-se. A partir dos 25 anos poderia ocupar cargo na Congregação; com 30, ser juiz e liderar grupos. Todo esse processo era realizado mediante uma análise de mérito, onde se avaliava a “inteligência e perfeição de conduta” do iniciado, pois como previam as Regras da Irmandade, todos os homens estavam sendo treinados para formar a elite que governaria o reino que seria instalado pelo Messias.

Em função desse objetivo, os essênios desenvolveram uma organização eclesiástica, uma organização militar e uma organização judiciária. Os juízes seriam em número de dez, eleitos periodicamente entre os Irmãos com idade entre 25 e 60 anos; após os 60 deixariam a função; um sacerdote com idade mínima de 30 anos e máxima de 60, “detentor de todos os segredos dos homens e conhecedor de todas as línguas faladas na terra”, seria o juiz supremo da congregação judiciária.

Quanto á ordem militar, entre 25 e 30 anos, o irmão poderia ocupar funções de intendente; entre 30 e 45 podia-se ser cavaleiro, entre 45 e 50 oficial de campo, e entre 50 e 60, comandante de campo. Havia também um Conselho Superior da Comunidade, do qual participavam “os homens de renome”. Esses homens eram escolhidos por suas virtudes, seu desempenho nas funções administrativas ou militares, ou dotes sacerdotais.

Esse Conselho constituia uma espécie de Parlamento, que por sua vez era controlado por um Colégio composto de doze irmãos e três sacerdotes, “perfeitos em tudo o que é revelado em toda a lei, para praticar a justiça, a verdade, o direito, a caridade afetuosa e a modéstia de conduta, uns em relação aos outros, guardar a fé sobre a terra, com uma disposição firme e um espírito constrito, para expiar a iniquidade entre aqueles que praticam o direito e sofrem a angustia da provação e para se conduzir com todos na medida da verdade e da norma no tempo”[9]

A doutrina dos essênios

Os essênios eram ascetas que desprezavam os prazeres dos sentidos e a acumulação de bens. O tesouro comum só devia ser utilizado para prover as necessidades mais estritas. Um essênio, ao entrar para a comunidade, devia votar “ódio eterno aos homens da fossa por seu espírito de entesouramento. Ele deixará para a Irmandade seus bens e a renda do trabalho de suas mãos, tal como um escravo em relação ao seu amo, e tal como um pobre diante do que lhe tem domínio. Mas ele será um homem pleno de zelo para com o preceito e cujo tempo é destinado ao dia da vingança”.[10]

Dessa forma, todo membro, ao ingressar na Ordem, tinha que entregar a ela todos seus bens. Esse regime de comunhão foi observado também pelos primeiros cristãos, como se observa nos Atos dos Apóstolos, e o desprezo pelos bens materiais constituía um dos pontos mais altos da doutrina ensinada por Jesus. [11]

Acima de tudo, porém, os membros da seita deviam observar e estudar a lei mosaica. A lei devia ser cultuada, pois a comunidade era, mais que tudo, “a casa da lei”. Isso explica também o fato de Jesus, não obstante ser considerado pelos judeus como um reformador da lei mosaica, sempre concitou seus discípulos a segui-la. E no conceito de observação á lei, estava o respeito aos rituais e celebrações estabelecidas pela religião, bem como os cuidados com a higiene corporal.

Para os essênios, a Gnose divina que Jeová revelara á Moisés não fora exposta nos cinco livros do Pentateuco. Era uma sabedoria secreta que consistia no conhecimento do Nome Verdadeiro de Deus, na prática do direito justo, e no aprendizado dos comportamentos necessários para se atingir a perfeição.
Os essênios acreditavam que no homem coexistiam dois espíritos. Um presidia o bem o outro presidia o mal. O presidente do bem era o Príncipe da Luz e o do mal o Príncipe das Trevas, chamado Belial ou Satã. Nesse sentido, o mundo seria um campo de batalha dividido entre esses dois princípios.[12]

Para eles, o mal não podia ser vencido simplesmente pela ação humana. Era necessária a intervenção divina, o que ocorreria quando o Messias começasse seu ministério. Escolher entre o bem e o mal não era uma opção humana. Deus elegia seus escolhidos, mas mesmo os escolhidos podiam ser desviados para o mal. Para os não escolhidos não havia possibilidade de opção para o bem. Os escolhidos eram aqueles que Deus reuniu na “Congregação”, ou “Casa da Verdade”. Esses eram os ”Filhos da Luz”. Essa era uma diferença entre os ensinamentos essênios e cristãos, pois Jesus, ao contrário dos essênios, advogava um livre arbítrio para os homens, no sentindo de que estes podiam escolher entre o bem e o mal. Para os essênios essa escolha era feita por Deus.Por outro lado, todos aqueles que aderiram á cultura estrangeira, desprezando a Aliança, eram “filhos das trevas”.

O combate entre o bem e o mal

A idéia de um combate entre trevas e luz, na verdade, não é originária dos essênios. Foi tomada de empréstimo aos antigos egípcios, que já viam no psicodrama de Osíris e Seth uma luta entre esses dois princípios. Mais tarde os persas desenvolveram essa mesma idéia, identificando o Deus Marduc como o deus da luz e Arimã como deus das trevas. 

Entre os povos antigos sempre se acreditou que tudo que existe no universo é produto da reação interativa entre dois princípios contrários, que podem ser o espírito e a matéria, o bem e o mal, a verdade e a mentira, a luz e as trevas, etc. Na história da humanidade, uns assumem o papel de um deus do bem outros do deus do mal. Segundo essa concepção, tudo, na sociedade humana, é produzido pela reação á ação que um dos lados provoca no outro. Essa idéia, bastante antiga também aparece em tempos modernos, fundamentando o materialismo dialético desenvolvido por Karl Marx, que faz na luta entre o capital e o trabalho o motor da História. [13]

No caso dos essênios, eles assumiram o papel dos filhos da luz e retiraram-se para as terras de Damasco para não serem corrompidos pelos filhos das trevas, e ali, separados do mal, preparar uma reação contra a ação deles. Os filhos da luz, quando ocorresse o triunfo, seriam vingados de todos os males que os filhos das trevas lhes havia infringido. E mesmos aqueles que estivessem mortos ressuscitariam para participar do conflito final entre os defensores dos dois princípios, ocasião em que o mal, por fim, seria vencido.[14]

O Messianismo

Uma das mais interessantes concepções essênias foi a alegoria do Homem do Céu e o Homem da Terra. Delas derivou-se outra figura que ficou conectada á pessoa de Jesus Cristo, com o enigmático título de Filho do Homem.
A figura do Homem do Céu, como bem lembra Schonfield, é de inspiração persa. Ele representa a figura do deus Mitra, que por sua vez é uma projeção de Aura-Mazda, o Deus reconhecido como sendo o principio da luz. Esse deus, segundo as tradições persas, assume forma humana e habita entre os homens. É interessante verificar que os persas tinham em Mitra uma espécie de mediador, ou salvador da humanidade, papel esse que Jesus viria a assumir entre os cristãos.

O Mitraísmo, tal como as religiões do Egito, Pérsia e Mesopotânea, era uma religião solar. O sol era sempre representado como aquele que permite a vida na terra. Mitra era o representante solar, cujo nascimento se comemorava no dia 25 de dezembro. Nesse dia se pagava tributo ao sol, pelo sacrifício de um cordeiro, cujo sangue redimia aqueles que nele se lavavam.

As analogias existentes entre o Mitraísmo e o Cristianismo são notórias. Os próprios líderes da Igreja cristã ficaram estarrecidos com tais semelhanças, pois eles achavam que sua crença era original e os mistraístas as copiavam, por inspiração do demônio. Tanto que proibiram qualquer referência ao Mitraísmo nos trabalhos desenvolvidos pelos escritores cristãos. São Justino, no século II, acusa os praticantes dos mistérios de Mitra de “imitar propositadamente os ritos cristãos’ por inspiração do demônio, e Tertúlio, o patriarca da Igreja, na mesma época, denuncia os praticantes desse culto, dizendo que “o demônio, através do mistério de seus ídolos, imita até a parte principal dos mistérios divinos. Mitra marca com seu sinal a fronte de seus soldados; ele celebra a oblação do pão; oferece uma imagem da ressurreição, apresentando ao mesmo tempo a coroa e a espada (...)” [15]

O Messias, um deus solar

A religião solar dos persas exerceu profunda influência no espírito místico dos essênios. Na tradição judaica, o mundo também havia sido criado a partir do surgimento da luz.[16] O sol era o símbolo da vida, o evento a partir do qual Deus criara os seres viventes. Flávio Josefo diz que os essênios “não faziam nada, nem pronunciavam qualquer palavra antes do nascimento do sol. A ele ofereciam determinadas orações, que somente os iniciados sabiam, e que se presumiam ser muito antigas. Essas orações imploravam pelo nascimento do sol”.[17]
Daí o desenvolvimento da idéia, presente em alguns escritos essênios, de que o Messias era um “ Ser de Luz”, vindo do sol para libertar o mundo do mal, representado pelas trevas. Esse “libertador” era o Homem do céu, identificado mais tarde como o Adão-Luz dos gnósticos mandeanos e o Metátron das lendas rabínicas.[18]

De acordo com essênios, o mal só poderia ser vencido pela intervenção divina, através de um enviado de Deus á terra. [19] Esse mensageiro era o Messias. Entre os judeus sempre houve polêmica sobre o que seria esse personagem. Para alguns, ele seria um sacerdote que estabeleceria dogmas definitivos a respeito da religião. Para outros, ele seria um rei que libertaria o povo de Israel de todas as opressões, estabelecendo um reino eterno de liberdade , harmonia e ordem.

Na visão dos essênios esse personagem se dividia em três atributos, e não se chegou a um consenso entre os historiadores, se eles pensavam em três personagens diferentes ou apenas um, que integrasse todas essas facetas. O “Escrito de Damasco” fala de um Messias Rei, (Messias leigo), um Messias Profeta e um Messias Sacerdote. Para os fariseus, seita a qual pertencia a maioria das autoridades israelenses, o Messias seria um rei que viria precedido por um Messias Sacerdote.

Jesus e João Batista

Para os essênios, entretanto, apenas o Messias Sacerdote seria o verdadeiro enviado de Deus, pois assim lhes teria ensinado o profeta Malaquias. A fórmula repetia a história de Moisés, que teria sido o sacerdote, e Josué, que teria sido o guerreiro. Mais tarde essa fórmula foi apropriada pelos doutrinadores cristãos que viram em Jesus o Messias que continha em si ambos os atributos, de guerreiro e sacerdote, enquanto João Batista seria o profeta.

Não é sem razão, portanto, que muitos historiadores, e uma expressiva maioria de escritores de orientação espiritualista acreditam que tanto Jesus Cristo quanto João Batista eram essênios. A própria crônica da vida de ambos parece confirmar essa tese. João Batista era um asceta que vivia rigorosamente de acordo com as regras daquela Irmandade; sua pregação ocorreu na mesma região geográfica em que a comunidade de Qumrâm se desenvolveu e suas visões se assemelham sobremaneira ás visões essênias.

Quanto a Jesus, é certo que pregava uma doutrina que muito se aproximava daquela veiculada por eles. Acresça-se a isso a fama de “milagreiro” que sempre acompanhou a sua saga. Essa fama também era associada aos essênios, cujos conhecimentos de medicina eram considerados fantásticos.
Há muitas outras aproximações que podem ser feitas acerca do fenômeno Jesus e a seita dos essênios. Laperrousaz cita, entre outras, o fato de Jesus ser levado pelo demônio a um deserto para ali ser tentado. Esse deserto tem sido identificado como a solidão que os essênios impuseram a si mesmo. Da mesma forma, o deserto onde Jesus teria sido levado é situado no local onde os Pergaminhos do Mar Morto foram encontrados. [20]

Também o fato de Jesus ter recrutado seus primeiros discípulos na região próxima a Qumrâm provoca muita especulação. Jean Daniélou, citado por Laperrousaz, releva ainda o fato de Jesus celebrar a ceia na véspera da Páscoa, o que mostra que ele seguia o calendário essênio e não o calendário judeu tradicional.[21]

Para muitos autores, os Pergaminhos do Mar Morto demonstram, de maneira insofismável, que os fundadores do Cristianismo eram, de fato, oriundos da seita dos essênios. Isso explicaria a presença de algumas lacunas do Novo Testamento, bem como certas questões enigmáticas a respeito da vida, da doutrina e do magistério de Jesus, que nunca foram explicadas a contento pelos exegetas dos evangelhos canônicos

.Explicaria também a origem do gnosticismo, doutrinas que impregnaram de tal forma o primitivo cristianismo, levando a Igreja de Roma a promover uma verdadeira cruzada contra esses chamados “heréticos” da nova religião.
“Levando-nos a conhecer o meio imediato em que surgiu o Cristianismo”, escreve Danielou, “as descobertas de Qumrâm resolvem um número considerável de problemas que a exegese não chegava a solucionar: a origem de João Batista, a data da Páscoa, a origem da hierarquia, o vocabulário de João, a origem do gnosticismo. É provável que a utilização do conjunto de documentos, as comparações que geram, aumentem ainda de forma expressiva o número dos enigmas resolvidos. Por conseguinte, pode-se dizer que essa descoberta é a mais sensacional já feita”.[22]

A influência dos essênios

Diversos centros comunitários dos essênios se desenvolveram a partir do século II a.C. Algumas tradições se referem á aldeia de Nazaré, onde Jesus foi criado, como sendo um centro dessa comunidade. Sabe-se que entre eles desenvolveu-se também a prática mística, bastante antiga, aliás, de usar roupas brancas e não cortar os cabelos. Acreditava-se, com base em antigas tradições, que nos cabelos estava a essência do elo que liga Deus aos homens. Esses homens consagrados a Deus eram chamados de “nazarenos”. Sansão é descrito na Bíblia como sendo um desses homens, e Jesus teria sido criado numa aldeia de “nazarenos”.

Os essênios eram também conhecidos pelos seus conhecimentos de medicina. No Egito, a sua comunidade era conhecida como “Os Terapeutas”. Acreditava-se que possuíam conhecimentos que se assemelhavam a poderes mágicos. Tais conhecimentos provinham de fontes muito antigas, provenientes talvez, de uma civilização extinta. Eram também mestres na escrita criptográfica e no uso do simbolismo para transmitir seus conhecimentos. O uso de pseudônimos aparece frequentemente em sua literatura. Títulos como “Mestre Verdadeiro”, “Mestre da Justiça”, “Sacerdote da Iniquidade”, “Leão da Ira”, “Tempo da Promessa”, etc, eram expressões por ele desenvolvidas para mascarar pessoas e fatos, evitando assim a repressão das autoridades seculares. Escreviam palavras invertendo a ordem das letras, misturavam alfabetos de diferentes línguas, inventavam eles mesmos alfabetos.

Os essênios e a Maçonaria

Não somente os primeiros cristãos devem grande de sua doutrina aos essênios. Também muitas das seitas gnósticas se inspiraram em sua doutrina, as quais, em maior ou menor parcela, tiveram influência no desenvolvimento das tradições maçônicas, principalmente nos chamados graus Rosa-Cruzes, onde se desenvolveu a lenda de Ormus.[23]

É fácil perceber a relação que a doutrina professada por aqueles místicos judeus tem com a Maçonaria, em sua face espiritualista. Os Obreiros da Arte Real também acreditam na construção de uma sociedade justa e perfeita, fundamentada no mérito e no trabalho árduo, aliado á disciplina e no respeito ás tradições. Essa sociedade um dia já existiu e pode ser recuperada. Os essênios acreditavam nisso, e por isso julgavam-se guardiões dessa sabedoria perdida, que só poderia ser repassada aos seus iniciados.

A analogia é evidente. A própria organização do currículo maçônico guarda certa identificação com o sistema adotado por aqueles ascetas. Através de um sistema de ensinamentos morais o catecismo maçônico forma, simbolicamente, uma plêiade de guerreiros, juízes, sacerdotes e outros próceres, destinados á edificar, defender e conservar o que de melhor existe na cultura da humanidade.[24]

Os essênios acreditavam que eram detentores de segredos iniciáticos de grande relevância, tal como os maçons. Não é que a Maçonaria, enquanto sociedade formalmente instituída, seja guardiã de segredos dessa ordem. Aliás, nem acreditamos que tais segredos existam no repertório da cultura humana existente, seja do presente, seja do passado. O que há são leis naturais que a razão humana ainda não logrou entender e por isso as cataloga no conceito de sobrenatural. Entender o processo pelo qual essas leis são formadas e como atuam, constitui a verdadeira sabedoria. 

Na verdade, no cerne dessa ideia está um processo pedagógico de ensinamento. É que a fórmula pela qual esse conhecimento de nível superior, que permite ao homem entender o processo pelo qual a natureza trabalha e as sociedades são construídas e mantidas, só pode ser deduzida através de um método que seja capaz de integrar uma iniciação, uma ritualística e uma prática de vida. Essa foi a formidável intuição dos essênios e a sua grande realização. Eles eram os guardiões da tradição hebraica, na sua forma mais pura. Não é suficiente pensar uma filosofia. É preciso vivê-la para que ela não se torne apenas uma distração mental. As mesmas verdades que eles intuíram já haviam passado antes pela sensibilidade dos sacerdotes de Heliópolis, que a desenvolveram no conceito, ao mesmo tempo religioso e sociológico da Maat, e pelos iniciados nos mistérios antigos, persas e greco-romanos, que os utilizavam como forma de educação superior de suas elites.

Alegorias maçônicas inspiradas pelos essênios

É originária dos essênios, como já nos referimos, a idéia de que é preciso a formação de um Homem Universal, reflexo terrestre do Homem do Céu, perfeito em conhecimento e obras, pleno de virtude e em harmonia com Deus, pois que ele é o herdeiro da Nova Aliança. Não é por acaso, portanto, que nos graus superiores da Maçonaria, correspondentes ás Lojas de Perfeição e Lojas Capitulares, se insistirá tanto na alegoria da Arca da Aliança, na prática da verdadeira justiça, no exercício das virtudes que fazem um homem justo e perfeito em todos os sentidos.

Outra tradição cultivada na Maçonaria, que tem nos essênios a sua fonte, é aquela que se relaciona com a Procura da Palavra Perdida. Essa Palavra Perdida não é outra coisa senão o Verdadeiro Nome de Deus e o seu significado sagrado, que os essênios reverenciavam como sendo o “ Segredo dos Segredos”. [25]

O reencontro com essa sabedoria perdida teria o condão de conferir ao seu possuidor a totalidade do conhecimento do universo e faria dele um ser superior. Essa crença animou a especulação dos cabalistas durante séculos e os maçons a adotaram como alegoria para simbolizar a aquisição da Gnose, que é a meta última e definitiva dos praticantes da verdadeira Arte Real. Por isso é que a influência desses antigos irmãos, “Filhos da Luz”, não pode ser desprezada em qualquer estudo que se faça sobre a cultura maçônica.

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NOTAS

[1] Capítulos(Lojas de Aperfeiçoamento) e Kadosh (Lojas de Ensino Sagrado), são títulos designativos das reuniões maçônicas dos graus mais avançados, dos graus 14 ao 33 do Rito Escocês.

[2] Flávio Josefo- Antiguidades dos Judeus- Livro II, Kleger Publications- Londres, 1976

[3] Cf. Primeiro Livro dos Macabeus, A tribo de Levi, desde os tempos do patriarca Jacó, havia sido estabelecida como guardiã das tradições religiosas do povo de Israel.

[4] A “Terra de Damasco” é o local conhecido como Qmran, próximo ao Mar Morto, onde existem muitas cavernas, as quais os essênios transformaram em moradias.

[5] Conforme se lê em Êxodo, 10:26, Deus manda Moisés colocar na Arca “o testemunho que Eu lhe der.”

[6] Como os milagres realizados por Jesus, relatados nos Evangelhos. Essa seria uma prova de que Jesus, se não era egresso da colônia essênia, pelos menos era partidário de sua doutrina e conhecia os seus segredos

.[7] Tradição também adotada na Maçonaria.

[8] Costume adotado pelos primeiros cristãos e pelas Ordens iniciáticas medievais, especialmente os Templários.

[9] Regras XXII- E.M. Laperoussaz- Os Pergaminhos do Mar Morto

[10] Idem, Regra XXIV- Foi observado também nas Regras redigidas por São Bernardo de Clairvaux para a constituição dos Cavaleiros Templários.

[11] Flávio Josefo, escrevendo acerca dos essênios, diz que eles desprezavam as riquezas, e que a comunidade de bens que observavam era realmente admirável.” Os essênios”,. diz aquele autor, “ mantem entre eles uma lei, segundo a qual, todos os novos membros admitidos á seita fazem, por si mesmos, confisco de seus haveres em favor da Ordem; resultando daí, que em parte alguma se verá ali, seja a miséria abjeta, seja a desordenada abastança. As posses do individuo se juntam ao existente cabedal comum e eles todos , como verdadeiros irmãos, se beneficiam, por igual, do patrimônio coletivo.”

[12] Ideias que também foram esposadas pelos maniqueístas e pelos cátaros.

[13] Karl Marx acreditava que era a forma pela qual os homens ganhavam a vida que determinava o seu modo de pensar. Assim, as transformações na ordem material determinavam as transformações de ordem ideológica. Como as transformações materiais dependiam da forma como as sociedades se organizavam para produzir, a cultura da humanidade dependia das técnicas de produção. Essa é a razão de a Maçonaria, no ritual de um de seus graus filosóficos, evocar as teses marxistas, como objeto de estudo.
[14] Essa crença foi magistralmente desenvolvida pelo autor do Apocalipse.

Nesse estranho e enigmático livro, escrito á maneira essênia, o autor desenvolve a alegoria da luta entre os filhos da luz contra os filhos das trevas, identificando os primeiros com os cristãos fiéis e os segundos com seus perseguidores. Veja-se que a Maçonaria do Rito Escocês muito se vale do simbolismo do Apocalipse para desenvolver alguns dos seus mais importantes graus filosóficos. A tradição maçônica muito se utiliza do simbolismo contido na luta entre a luz e trevas. O próprio maçom muitas vezes, é chamado de" filho da luz".

[15] Hugh Schonfield- A Odisséia dos Essênios, pg. 178

[16] “Disse Deus: faça-se a luz; e fez-se a luz. E viu Deus que a luz era boa; e dividiu a luz das trevas. E chamou á luz dia, e as trevas noite; e da tarde e da manhã, fez-se o dia primeiro.” Gênesis, 1:3

[17] Flávio Josefo- Antiguidades dos Judeus, pg 243

[18] Um dos mais importantes graus da Maçonaria do Rito Escocês (o 28º) é dedicado ao Mitraísmo. Esse é mais um vínculo entre as tradições maçônicas e os essênios, que conservaram e desenvolveram essas tradições, por si sós, denotativas de um profundo conteúdo espiritualista.

[19] A tradição messiânica em Israel, no entanto, é fundamentalmente, uma idéia dos fariseus. É bom não esquecer que os fariseus formavam uma casta sacerdotal, puritana e fundamentalista, que chamavam a si mesmos de perushins, que quer dizer “distinguido”. Formavam uma espécie de Confraria religiosa, semelhante a uma sociedade de pessoas selecionadas entre a elite judaica, que socorriam uns aos outros, praticando ainda a filantropia, promovendo a educação religiosa do povo e exercendo o poder político através do Sinédrio, uma espécie de Senado, cujos membros eram eleito entre eles e os Saduceus, outra Confraria semelhante á dos fariseus. Os fariseus assemelhavam-se, em muito á moderna Maçonaria. E da mesma forma, sendo uma sociedade de homens, não conseguiu evitar que a corrupção se instalasse em seu meio, como se nota nos Evangelhos cristãos
.
[20]Regras XXII- E.M. Laperoussaz- Os Pergaminhos do Mar Morto.

[21] Idem, pg. 56

[22] E.M. Laperrousaz- Os Manuscritos do Mar Morto, pg. 176 a 180

[23] Referência aos graus filosóficos, ligados principalmente á tradição templária.

[24] Daí os títulos adotados nos altos graus da Maçonaria, tais como Cavaleiro do Sol, Grande Comendador do Templo, Grande Inspetor Inquisidor, Sublime Príncipe do Real Segredo, etc
.
[25) Note-se que Jesus jamais pronunciou o nome de Deus, e proibiu, inclusive, seus discípulos, de fazê-lo. Designava-o sempre por “Pai”. Entre os essênios, o Inefável Nome de Deus era uma tradição do mais alto valor iniciático


MAÇONARIA- O SIMBOLISMO DA INICIAÇÃO

A atração do ritual


                                                                                            Autor: João Anatalino - Recanto das Letras


É inegável a atração que o espírito humano tem pelos chamados ritos de passagem. Na verdade, todos os grandes acontecimentos da nossa vida, se não são marcados por algum tipo de ritual, eles perdem o seu valor emocional e são facilmente esquecidos.

Dessa forma, o ritual funciona como uma âncora que fixa em nosso sistema neurológico os fatos marcantes da nossa existência, razão pela qual, quanto mais exuberantes, exóticos e interessantes forem, mais impressionam o espirito daqueles que são submetidos a ele. 

Alguns exemplos de rituais de passagem são o batismo, a comunhão, a festa da debutante, o casamento, o trote da faculdade, e principalmente o último e definitivo, que é o funeral. 

Os amantes que ritualizam seus momentos de romance tem mais chance de prolongarem seus relacionamentos do que aqueles que não o fazem. Refeições á luz de velas, comemorações de datas importantes, noites de amor com teatralizações, são tipos de ritualização que tem o caráter de ancorar o amor com mais força do que o mero relacionamento diário e o compartilhamento de uma vida em comum.

De qualquer forma, todo processo ritualístico está vinculado á algum tipo de iniciação, na qual a pessoa está passando de uma etapa á outra, em sua vida. Nesse sentido, o ritual de iniciação também é um arquétipo de compartilhamento coletivo, que tem sido cultuado por toda a humanidade, em praticamente todos os tempos, pois esse comportamento já foi recenseado em todas as civilizações, desde as mais antigas á mais modernas. 

O ritual de iniciação

A iniciação se define como o ingresso de um noviço em um determinado sistema de conhecimento, ou em um processo de aculturação no qual ele deixa uma etapa da sua vida para ingressar em outra. Em se tratando de conhecimento é uma forma de eliciar os sentidos da pessoa que participa do ritual para o conteúdo da sabedoria que se quer transmitir; em se tratando de cumprir etapas da vida, o que se pretende é marcar essa passagem com o registro psicológico de um fato, que doravante será a marca do seu novo status. É o que acontece com a criança batizada, que passa a fazer parte de uma comunidade religiosa, com uma adolescente que participa de um ritual de debutantes, que deixa, por assim dizer a sua condição de criança para se tornar uma jovem mulher, do jovem que participa do trote da sua faculdade para mostrar a sua condição de universitário, da pessoa que faz uma festa de casamento para mostrar á sociedade a sua condição de casado, etc. [1]


Assim, não são somente as sociedades secretas, ou as instituições religiosas, que se valem da tradição iniciática para recepcionar novos membros nos seus quadros. Muitos grupos laicos também usam variantes desse instituto em seus rituais de recepção e elevação dos seus associados. Também em certos clubes de serviços e algumas empresas, é uso comum algum tipo de ritual de iniciação na recepção de novos membros ou colegas de serviço. 


Porém, é na liturgia das religiões que o rito iniciático encontra a sua maior aplicação. Toda religião têm o seu ritual de admissão, que se configura como sendo uma forma bastante peculiar de o grupo recepcionar o novo membro, compartilhando com ele o espírito da egrégora que se forma naquele momento singular da sua vida.[2]

O batismo como ritual de iniciação

O exemplo mais comum de um ritual de iniciação é o batismo. Através desse ato ritual, o neófito é admitido no sistema de crenças da religião em ele está sendo iniciado. Por isso, o batismo, na maioria das religiões, se reveste de pompa e cerimônia, sendo o ato litúrgico da mais alta importância no cerimonial que a ela se atrela. 

Toda religião tem uma forma de batismo como ritual de iniciação o sistema de crenças por ela professado. O catolicismo é, talvez, a religião que vincula á esse rito de passagem a maior carga de significação.

Na religião católica há três sacramentos indispensáveis: o batismo, a comunhão e a crisma, que são rituais representativos da comunhão entre o católico e a divindade patrona dessa religião, ou seja, Jesus Cristo. Embora esses três sacramentos sejam importantes do ponto vista litúrgico, o batismo é o mais significativo, pois sem a realização desse primeiro e fundamental ato não é permitida a realização dos dois seguintes.

O batismo representa uma verdadeira iniciação á religião católica. Os demais são ritos de passagem de uma condição á outra. Embora nem todos os católicos de coração e espírito se submetam á todos esses ritos, eles continuam, ainda hoje, sendo muito importante para aqueles que professam essa crença.
Entre os evangélicos o batismo é uma opção que deve ser escolhida pelo adepto quando ele, finalmente, se convence da sua fé nos preceitos da religião que vai adotar. Então, conforme o ritual, que consiste, na maioria das seitas, na imersão do adepto na água, á semelhança do que João Batista fez com Jesus e com os crentes que aderiam á sua doutrina, o neófito é batizado perante os fiéis e passa a fazer, efetivamente, parte da congregação. [3]

Embora tenha sido popularizado pelos cristãos, a partir do ato simbólico realizado por João Batista com Jesus, o batismo é um ato ritual anterior ao surgimento do cristianismo. Esse termo vem do grego "βαπτισμω" (baptismō) que significa "imergir". Ele já era utilizado pelos judeus, em tempos anteriores ao cristianismo, como ato ritual destinado a purificar os indivíduos em diversas ocasiões em que estes se comunicavam com a divindade, ou praticavam algumas ações consideradas sacras pela sua religião. A prática de imergir os seus adeptos em água, como símbolo da sua purificação foi institucionalizada principalmente entre a seita dos essênios, e dessa fonte o costume foi absorvido pelos cristãos, pois embora não haja concordância com a informação veiculada por alguns autores, de que Jesus era adepto da seita dos essênios, não parece haver dúvida de que João Batista, o iniciador de Jesus, o era, dado a semelhança da doutrina que ele pregava com aquela defendida pelos chamados “filhos da luz”.[4]

Na religião islâmica não existe um ritual de batismo como ato litúrgico praticado num templo, mas sim um comportamento específico que caracteriza a iniciação do jovem muçulmano nos mistérios da religião. A palavra de Deus, na forma de um azan(versículo do Alcorão recitado na forma de um salmo, contendo os fundamentos da religião do Islã) deve ser dito no ouvido do bebê. Depois, raspa-se o cabelo da criança, o qual é pesado, e o valor correspondente ao seu peso, em prata, distribuído aos pobres

. 
Durante essa cerimônia, o nome do bebê deve ser escolhido. Nessa ocasião, as famílias que têm posses podem realizar o cerimonial do akika, que é uma espécie de banquete ritual, do qual participam parentes e amigos próximos, que consiste no consumo de um carneiro em ágape. Esse ritual simboliza os animais que Abraão sacrificou em lugar do seu filho Isaque, de acordo com a história relatada em Gênesis 22.13.[5]

Já no judaísmo, a cerimônia de batismo inicial é bastante ritualizada. Essa ritualização, que consiste principalmente na circuncisão, segundo se lê na Bíblia, teria sido instituída por Abraão, por instrução de Deus. Com efeito, lê-se em Gênesis,17:10:11“ Todos os homens entre vós sereis circuncidados. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio, como sinal da aliança entre mim e vós.” Segundo ainda o texto bíblico, o próprio Abraão tinha noventa e nove anos de idade quando se circuncidou.[6]

A circuncisão tornou-se o principal ritual de iniciação do judaísmo, sendo ainda hoje praticado pelos naturais desse povo, em relação a todas as crianças do sexo masculino, as quais devem circuncidadas perante uma assembleia de dez homens, ocasião em que também recebe um nome. Quanto ás meninas, o ritual consiste em apresentá-la junto aos membros da sinagoga, e dar-lhe um nome. 
A iniciação religiosa, porém, dá-se aos treze anos para os meninos e aos doze para as meninas. Essa cerimônia, chamada bar-mitzvá, para meninos, ou bat-mitzvá, para meninas, é a ocasião em que eles são chamados a ler a Torá pela primeira vez perante os membros da sinagoga.[7]

No budismo a iniciação se dá em um ritual chamado ordenação leiga, que é quase sempre desenvolvido na fase adulta. Geralmente, o neófito é preparado durante um ano, no qual lhe é ensinado os fundamentos da religião. Depois, o iniciando passa por uma cerimônia na qual recebe, de um mestre que lhe foi indicado, ou de um superior do templo em que vai se ordenar, um novo nome e a indicação da sua ordem na linhagem de Buda. Como o budismo é uma religião metafísica, não existe nela a idéia de unidade entre a divindade e o adepto, pois para os budistas todo ser humano já possui em si mesmo os atributos que o conduzem ao um estado de beatitude. Esse estado de beatitude consiste na natureza de Buda, ou seja, a capacidade de atingir a iluminação. E esse estado pode ser atingido através de uma conduta específica na vida pessoal e na prática da liturgia ritual que a religião prescreve para os seus adeptos.

O batismo nas sociedades iniciáticas

Nas sociedades iniciáticas, o batismo se confunde com o ritual de iniciação. Aqui sempre se pressupõe a existência de um Mistério, no qual o neófito vai ser admitido. Difere, pois, das religiões oficiais, cujas doutrinas são abertas e não necessitam de uma linguagem particular para que dela se possa participar.
Essa é uma diferença fundamental entre uma sociedade iniciática e uma igreja oficial. Nesta última qualquer pessoa pode entrar e assistir suas reuniões, embora nem sempre possa participar de todos os ritos oficiais. Não há, propriamente, um Mistério a ser compartilhado apenas pelos membros da congregação, ao passo que nas sociedades iniciáticas, esse é o elemento fundamental que a distingue.

Mistério (do grego mystérion) é um termo que vem do verbo myéin, que significa calar. Assim, o termo mýstes se aplica a tudo que se fecha, e por derivação temos o místico, (mystikós), que se refere a quem conhece e guarda os Mistérios. E por derivação, também, temos o termo myesis, que designa os ritos que se ligam a essas tradições, ou seja, o que chamamos de iniciáticas.
Em latim temos as palavras initiare e initiato, para indicar o ato de iniciação em si, e aquele que é iniciado. Assim, a iniciação se define como sendo o primeiro passo em um caminho que tem a pretensão de levar o iniciado a uma sabedoria de grau superior, que lhe possibilitará conhecer o verdadeiro sentido da vida. E para que isso seja possível, o iniciado precisará enfrentar o mistério da morte, como primeiro e fundamental conhecimento, para que ele possa seguir nessa senda. Morte e renascimento espiritual constituem, portanto, o fundamento de toda iniciação onde crenças de fundamento espiritual estejam envolvidas. 

Rituais de iniciação são elementos arquetípicos que habitam na fauna inconsciente da humanidade desde priscas eras. Derivam de intuições humanas sobre a possiblidade da existência de uma vida além-túmulo, intuições essas que já estavam presentes nas civilizações pré-históricas, como atestam as escavações arqueológicas feitas em sítios onde habitaram vários grupos dos chamados homens de Neanderthal, tidos como antecessores doHomo sapiens que deu origem á nossa espécie. Em suas sepulturas há uma clara intenção ritual na forma como os mortos eram sepultados, a indicar que esses nossos ancestrais mais remotos já cultivavam algumas crenças na existência de vida após a morte.

Destarte, já na alvorada das primeiras civilizações da época histórica, iremos encontrar os ritos iniciáticos como uma prática constante, ligadas ás crenças professadas por esses antigos povos. Com o desenvolvimento dessas civilizações essas tradições alcançaram um alto nível de sofisticação, e os ritos que originalmente tinham um aspecto religioso, passaram a compor uma importante função sociológica na cultura desses povos. Incorporou-se a eles uma mística própria, no sentido de destacar certos membros do grupo social, como compartilhantes de um “segredo”. No fundo, tudo isso nada mais era do que uma formulação que visava criar uma elite intelectual e política, pois não havendo, nessas antigas civilizações, um saber universal institucionalizado, cabia á religião oficial do país a criação de umkitch cultural que servisse de elemento de ligação entre esses “eleitos” da divindade, os quais, sendo detentores do “saber secreto”, deveriam ser, naturalmente, os guias da nação. [8]

Nascia, assim, a face política dos ritos iniciáticos. Enquanto isso, ela ia também ganhando terreno como fórmula de distinção social, aplicável aos grupos econômicos que iam se desenvolvendo dentro da sociedade. Profissionais das mais diversas atividades começaram a adotar a mística da iniciação para a admissão de novos membros, e a utilizar sua liturgia também nos rituais de passagem de grau. Iremos, destarte, encontrar essa tradição sendo praticada pela grande maioria das escolas filosóficas da antiguidade. Nessas instituições, o costume de compartilhar a vida social, as relações pessoais e o próprio conhecimento apenas com os companheiros do mesmo grau, bem como o desenvolvimento de uma linguagem particular para o reconhecimento dessa condição, feita de toques, sinais, símbolos e outros elementos de passe passou a ser uma marca distintiva delas, uma linguagem do grupo, propriamente dita.

O desenvolvimento dos ‘Mistérios’ 


Todas as grandes civilizações da antiguidade desenvolveram seus Mistérios como forma de preservação de conhecimento e distinção de seus quadros sociais. Assim, iremos encontrar nas civilizações do Egito, da Mesopotâmea, da Índia e da China, rituais de iniciação elaborados com extrema sutileza. Na Grécia, por exemplo, as iniciações eram processos já incorporados no próprio sistema político e social das cidades-estado, que as patrocinava e administrava, como parte das suas tradições. Não se tratava apenas de uma liturgia aplicada no campo das coisas sagradas, mas também nas organizações sociais de caráter laico, como as escolas filosóficas e as corporações obreiras. Pitágoras, por exemplo, bem como Tales de Mileto e Epicuro, administravam suas escolas como se fossem verdadeiras sociedades iniciáticas. 

O rito iniciático, como se disse, é um elemento arquetípico compartilhado pelo inconsciente coletivo da humanidade desde os tempos mais remotos. Mesmo entre as mais primitivas tribos indígenas da África, América e Oceania, sempre se encontrará em suas culturas algum ritual de iniciação, ou de passagem, a simbolizar as etapas da vida do indivíduo, nas suas conquistas sociais ou espirituais. Os quatro arquétipos do psiquismo humano, segundo as tradições desses povos, que são o guerreiro, o xamã, o visionário e o sábio, são ecos dessa tradição longínqua, nas quais a intuição dos povos mais ligados á natureza nos dão uma formidável lição de sabedoria.[9]

A iniciação maçônica 

Na maçonaria é o caráter esotérico do ritual que impressiona o espírito do iniciado, pois nele se manteve o simbolismo dos antigos cerimoniais que celebravam os chamados Mistérios. É nesse sentido que o neófito é submetido á uma “morte ritual”, representada pela sua imersão na “câmara das reflexões”, onde ele encontra todos os símbolos dessa passagem pelo mundo dos mortos, experiência que ele terá que enfrentar para renascer, glorioso, para a luz que a maçonaria irá lhe conferir.

Como bem viu Mircea Eliade, todas as provas iniciáticas, de uma maneira geral, resumem um processo escatológico que simboliza a morte e o renascimento do homem, seja em que sistema de crenças for. É uma intuição que deriva das próprias características da natureza, que passa por ciclos de morte e ressurreição, anualmente, simbolizados pelas estações do ano.[10]

Esse fato foi observado por James Fraser em sua obra clássica “O Ramo de Ouro”. Nessa obra ele associa os ritos de iniciação praticados pelos povos antigos com os ciclos de produção da natureza, e daí a derivação que se faz, em termos simbólicos, para uma imitação anímica desses processos. Fraser mostra que os mitos da criação, em todas as lendas antigas que versam sobre esse tema, têm uma mesma estrutura arquetípica. Então ele conclui que a própria humanidade, e as sociedades que nela se formam, desenvolvem alguma noção psíquica desse processo e acabam criando alegorias, mitos, lendas e rituais que se destinam, de alguma forma, a recompô-los. Explica-se, dessa maneira, que a grande maioria das sociedades antigas tenha desenvolvido uma mitologia que utiliza a figura de um deus, ou um heroi morto, que é regenerado por processos miraculosos, semelhante ao que a terra faz com a semente que nela é lançada.[11]

Esse tema estava presente em todas as antigas iniciações, desde os Mistérios de Ísis e Osíris, praticados pelos egípcios, quanto nos Misterios Eleusinos dos gregos.[12] E aparece, como vimos, também na doutrina do cristianismo, nos chamados Mistérios Cristãos, que se refere á Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Á iniciação representa, portanto, uma participação simbólica do neófito nesse processo regenerativo que a divindade, através da natureza, ensina ao homem. Ao praticar o ritual de iniciação, o homem, por imitação, penetra no âmago desse processo.

A iniciação maçônica, conquanto seja conduzida com elementos místicos, herdados dos Antigos Mistérios gregos e egípcios, na verdade ela é uma corruptela dos costumes adotados pelos grupos praticantes das artes e ofícios que, na Idade Média, os usavam para recepcionar em seus quadros novos membros por eles admitidos. 

Nesse sentido, vinculado ao caráter esotérico que lhe foi impregnado, a iniciação maçônica se reveste de um caráter simbólico que significa que o neófito maçom que está sendo admitido como aprendiz está, na verdade, sendo admitido em uma “ profissão moral” que lhe permitirá construir “templos á virtude e cavar masmorras ao vício.” Essa é a função do maçom como “pedreiro da construção universal.” 

É nesse sentido que lhe são aplicadas as provas simbólicas que acontecem durante a cerimônia de iniciação. Elas consistem principalmente em “viagens” de integração junto aos quatro elementos da natureza (água, terra, fogo e água), que são reminiscências de antigos rituais. Em seguida lhes são informadas algumas obrigações e posturas que ele deverá assumir como maçom e indagado se ele tem disposição e condições para honrar essas obrigações. Essas disposições faziam parte dos regulamentos observados pelos profissionais da antiga maçonaria operativa. Só após cumpridas toda essa liturgia poderá o iniciando fazer o seu juramento como maçom, cumprindo assim a tradição de toda sociedade iniciática, que é compartilhamento de um “segredo” ritual que dali para a frente lhe será comunicado aos poucos. Por isso é que, antes de neófito receber a “Luz” da iniciação, ele deve ser conservado vendado e no escuro, pois até então ele ainda é um profano.[13

Cumprida todas essas etapas, o iniciando torna-se de fato um iniciado, recebendo, em presença dos Irmãos, a “Luz” da maçonaria, após o que ele é revestido com o avental do Aprendiz e está em condições de receber as suas primeiras instruções.

Eis assim, cumprida a tradição iniciática, que na maçonaria ainda encontra, nos diversos ritos e liturgias que desenvolvidos, o ideal dessas antigas manifestações do espírito humano. Eles representam, como diz Van Gennep, a “porta de ingresso” do neófito, na sua passagem do mundo profano para o mundo sagrado.[14]

Daí em diante, cada elevação de grau implicará num “rito de passagem”, na qual o iniciado subirá uma escada que lhe permitirá penetrar na esfera mais sutil do conhecimento universal, que consiste na Geometria Sagrada, ou seja, aquela segunda a qual o Grande Arquiteto do Universo constrói o mundo. [15] 

[1] Observei entre os irlandeses, por exemplo, o costume dos noivos percorrerem as ruas da cidade, ou do bairro onde moram, após a celebração do casamento, saudando os moradores e conhecidos, para que todos tomem conhecimento da sua nova condição.

[2] Egrégora, do Egrégora, (do grego egrêgorein) significa velar, vigiar. A teoria da egrégora fundamenta-se na existência das entidades denominadas egrégoros, que são centelhas de energia espiritual manifestadas pela mente das pessoas congregadas em estreita união, e na crença de que elas podem influenciar os acontecimentos no mundo físico.

[3] Na imagem, o profeta João batizando Jesus no rio Jordão. Foto Videoteca Católica.

[4] “Filhos da Luz” era o título que os essênios atribuíam a si mesmos, em oposição aos “Filhos das Trevas”, que eram aqueles que se opunham á sua doutrina.

[5] O ágape é uma antiga cerimônia, na qual o clã compartilha uma refeição ritual. Era, e ainda é, uma cerimônia praticada pela maioria das famílias de origem oriental. Um dos exemplos mais famosos de um ágape é a refeição pascal praticada pelos judeus e a famosa última ceia de Jesus com seus discípulos. A maçonaria também tem os seus ágapes, que consiste na prática do “banquete ritual”, e também nos chamados “copos d’agua”, ceias realizadas depois das reuniões da Loja.

[6] Gênesis, 17:24

[7] Provavelmente é a esta cerimônia de iniciação que o evangelista Lucas se refere quando narra a aventura do adolescente Jesus, aos doze anos, em Jerusalém, quando segundo sua informação, ele se perde de seus pais e é encontrado junto aos doutores da lei, na sinagoga do templo. Foi nesse ato que o menino despertou o seu espírito missionário, o que justifica as misteriosas palavras que disse aos seus pais quando estes o interpelaram: “ Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu pai? E eles não entenderam o que ele disse.” Lucas, 2:49

[8] Na imagem Cena do documentário Pep Cahoc – Um Rito de Iniciação. Foto: Raissa Ladeira. Mostra um ritual de iniciação à vida espiritual que meninos e meninas da tribo dos Krahô, são submetidos quando entram na adolescência.
9. Vide, a esse respeito, o notável trabalho da professora Angeles Arrien, publicado sob o título de “O Caminho Quádruplo”, publicado pela Ed. Agora, São Paulo, 1997. Vide também a nossa obra PNL para a vida diária- O Poder dos Arquétipos, publicada pela Madras São Paulo, 2013, que trabalha com o mesmo tema, associando-a com as técnicas desenvolvidas pela PNL (Programação Neurolinguística.), 

[10] Mircea Elíade- Iniciaciones Misticas- Ed. Taurus, Madri, 1958

[11] George James Fraser, o Ramo de Ouro, Zahar Editores, São Paulo, 1986.
[12] Sobre os Mistérios Eleusinos e os Mistérios Egipcios e sua conexão com a Maçonaria, veja-se a nossa obra “Tesouro Arcano”, publicado pela Ed. Madras, 2013.

[13] Fundem-se, nesse processo, os rituais praticados pelos antigos pedreiros medievais com aqueles praticados pelos iniciados nos antigos Mistérios das sociedades iniciáticas. Misto de esoterismo e prática corporativa, o ritual maçônico de iniciação é, ao mesmo tempo, um compromisso de ordem quanto uma profissão de fé.

[14] Vann Gennep- Ritos de Passagem, Ed.Vozes, Petrópolis, 1974.

[15] A noção de que o conhecimento sagrado se obtém subindo uma escada graduada é contemporânea das primeiras civilizações. Na imagem acima, o patriarca Jacó contempla, em sonho, uma escada que vai do céu á terra, na qual anjos sobem e descem. É a famosa “Escada de Jacó”, uma das principais alegorias maçônicas. Foto: Enciclopédia Barsa.

domingo, 28 de junho de 2015


A DESCOBERTA DO GENE COHEN (GENÉTICA)



por Rabino Yaakov Kleiman

Tradução José Antonio de Souza Filardo M .´. I.´.

Introdução

De acordo com a tradição judaica, o status de cohen foi primeiro conferido à Aarão, irmão de Moisés, e seus descendentes em perpetuidade (Êxodo 28:1, 2–4). Durante os quarenta anos em que os israelitas até a construção do Templo, os cohanim serviram como sacerdotes no tabernáculo, oferecendo sacríficios e fazendo as bençãos sobre o povo, tendo os levitas como seus auxiliares. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cohen )

A tradição judaica baseada na Torah é de que todos os cohanim são descendentes de Aarão, o Cohen original. A linha de cohanim é patrilinear: foi passada de pai para filho sem interrupção desde Aarão, por 3300 anos, ou seja, mais de 100 gerações.

O Dr. Karl Skorecki estava assistindo às cerimônias certa manhã. A Torah foi removida da arca e um Cohen foi chamado para a primeira leitura. O Cohen chamado naquela manhã, em particular, era um visitante: um judeu de origem Sefardita. Seus pais eram do Marrocos. Skorecki também tinha uma tradição de ser um Cohen, embora de origem Ashkenazi. Seus pais eram nascidos na Europa Oriental. Karl (Kalman) Skorecki olhou para as características físicas do Cohen sefardita e analisou suas próprias características físicas. Eles eram significativamente diferentes em estatura, cor de pele e cor de cabelo e olhos. Ainda assim, ambos tinham uma tradição de serem Cohanim – descendentes diretos de um homem – Aarão HaCohen.

O Dr. Skorecki pensou, “De acordo com a tradição, este Sefardita e eu temos um ancestral comum. Esta linha poderia ter sido mantida desde o Sinai, e durante o longo exílio do povo judeu? “ Como cientista, ele pensou, esta alegação poderia ser testada?

Sendo um nefrologista e pesquisador do mais alto nível na Universidade de Toronto e no Rambam-Technion Medical Center em Haifa, ele estava envolvido nas descobertas em genética molecular que estão revolucionando a medicina e as aplicações recém desenvolvidas de análise de DNA aplicada ao estudo de história e diversidade de população.

Ele considerou uma hipótese: se os Cohanim são descendentes de um homem, eles deveriam ter um conjunto comum de marcadores genéticos – um haplótipo comum – com o de seu ancestral comum. Em nosso caso, Aarão HaCohen.

Um marcador genético é uma variação na seqüência de nucleotídeos do DNA, conhecida como mutação. As mutações que ocorrem dentro de genes – uma parte do DNA que codifica uma proteína – geralmente causam um mau-funcionamento ou doença, e é perdido devido a seleção em gerações sucessivas. Entretanto, mutações encontradas nas chamadas “regiões não-codificadas” do DNA tendem a persistir.

Uma vez que o cromossomo Y, além dos genes que determinam a masculinidade, consiste quase inteiramente de DNA não-codificado, ele tenderia a acumular mutações. Uma vez que ele é passado de pai para filho sem recombinação, a informação genética em um cromossomo Y de um homem que vive hoje é basicamente a mesma que seus ancestrais masculinos antigos, exceto quanto às raras mutações que ocorrem ao longo da linha hereditária. Uma combinação destas mutações neutras, conhecidas como haplótipo, pode servir como assinatura genética da ancestralidade masculina de um homem. As genealogias maternas também estão sendo estudadas por meio do m-DNA (DNA mitocondrial) que é herdado somente da mãe.

O Dr. Skorecki fez então contato com o Professor Michael Hammer da Universidade de Arizona, um pesquisador-líder em genética molecular e pioneiro em pesquisa de cromossomo Y. O Professor Hammer utiliza análise de DNA para estudar a história de populações, suas origens e migrações. Sua pesquisa anterior inclui trabalho sobre as origens dos Índios Nativos Americanos e o desenvolvimento do povo japonês.

Foi realizado um estudo para testar a hipótese. Se havia um ancestral comum, os Cohanim deveriam ter marcadores genéticos em freqüência mais alta que a população judaica em geral.

No primeiro estudo, conforme relatado no conhecido jornal de ciência britânico, Nature (Janeiro 2, 1997), foi solicitado a 188 judeus do sexo masculino que contribuíssem com algumas células da bochecha de onde foi extraído o DNA para o estudo. Foi solicitado a participantes de Israel, Inglaterra e América do Norte que identificassem se eles eram Cohen, Levitas ou Israelitas, e que identificassem seus antecedentes familiares.

Os resultados da análise dos marcadores de cromossomo Y dos Cohanim e não-Cohanim foram realmente significativos. Um marcador particular (YAP-) foi detectado em 98.5% dos Cohanim, e em uma porcentagem significativamente mais baixa em não-Cohanims.

Em um Segundo estudo, o Dr. Skorecki e associados reuniram mais amostras de DNA e expandiram sua seleção de marcadores de cromossomo Y. Solidificando suas hipóteses do ancestral comum dos Cohen, eles descobriram que uma seqüência particular de seis marcadores cromossomais foi encontrada em 97 de 106 Cohens testados. Esta coleção de marcadores veio a ser conhecida como Haplótipo Modal Cohen (ou CMH, em inglês) – a assinatura genética padrão da família de sacerdotes judeus. As chances de estas descobertas ocorrerem por acaso é maior que uma em 10.000.

A descoberta de um conjunto comum de marcadores genéticos tanto em Cohanim Ashkenazi e Sefarditas no mundo inteiro, indica uma origem anterior aos desenvolvimentos separados das duas comunidades ao redor do ano 1000 da Era Cristã. O cálculo de data baseado na variação das mutações entre Cohanim hoje, produz um período de 106 gerações desde o ancestral fundador, cerca de 3.300 anos, o tempo aproximado do êxodo do Egito, a época em que viveu Aarão HaCohen.

O Professor Hammer esteve recentemente em Israel para a Conferência Judaica do Genoma. Ele confirmou que suas descobertas são consistentes de que mais de 80 por cento de Cohanin auto-identificados têm um conjunto comum de marcadores. A descoberta de que menos de um terço de judeus não-Cohen que foram testados possuem estes marcadores não é surpresa para os geneticistas. O judaísmo não é definido geneticamente. Outros cromossomos-Y podem entrar no pool genético judeu através de conversão ou através de um pai não-judeu. O status de judeu é determinado pela mãe. A condição de membro da tribo segue a linha paterna.

Cálculos baseados na alta taxa de semelhança genética dos Cohanim atuais resultaram na mais alta taxa de “certeza de paternidade” jamais registrada em estudos genéticos de população – um testemunho científico de fidelidade familiar.

Estudos genéticos mais amplos de diversas comunidades judaicas atuais mostram uma notável coesão genética. Os judeus do Irã, Iraque, Yemen, África do Norte e Ashkenazim Europeus todos se agrupam a outros grupos Semitas, com sua origem no Oriente Médio. Uma origem geográfica comum pode ser vista para todos os grupos judeus mais comuns estudados.

Esta pesquisa genética refutou claramente a acusação que já foi atual de que os judeus Ashkenazi não estão relacionados com os antigos Hebreus, mas que seriam descendentes da tribo Kuzar – um império Turco-Asiático anterior ao 10º Século que se teria convertido em massa ao judaísmo. Os pesquisadores compararam a assinatura de DNA dos judeus Ashkenazi à assinatura de DNA de povos de origem turca, e não descobriram qualquer correspondência.

Em seu Segundo trabalho publicado na revista Nature (Julho 9, 1998), os pesquisadores incluíram uma descoberta inesperada. Aqueles judeus do estudo que se identificavam como Levitas não demonstraram um conjunto comum de marcadores como ocorreu com os Cohanim. Os levitas se agruparam em três agrupamentos, um deles com o CMH. De acordo com a tradição, os Levitas também deveriam mostrar uma assinatura genética de um ancestral comum patrilinear.

É interessante notar que a tribo de Levi tem uma história de falta de quantidade. O censo de BaMidbar mostra ser Levi uma das menores tribos. Após o exílio babilônico, os Levitas deixaram de retornar em massa a Jerusalém, embora fossem instados por Ezra HaSofer a fazê-lo. Eles foram, portanto, multados por perder seus direitos exclusivos ao maaser (espécie de dízimo). Embora estatisticamente os Levitas devessem ser mais numerosos que os Cohanim, hoje na sinagoga é comum ter um minyam (mínimo de dez homens para celebração) com um excesso de Cohanim, e ainda faltar um levita. Os pesquisadores estão agora concentrando os esforços no estudo da composição genética dos Levitas para aprender mais sobre sua história durante a Diáspora.

Usando o CMH como assinatura de DNA dos antigos Hebreus, os pesquisadores estão realizando uma caça de genes judeus ao redor do mundo. A busca das tribos perdidas, seja as 10 tribos perdidas bíblicas que foram expulsas de Eretz Yisrael pelos Assírios, ou outros judeus, hebreus ou “povos escolhidos” não é nova. Usando os marcadores genéticos dos Cohanim como medida, estes arqueólogos genéticos estão usando pesquisa de DNA para descobrir vínculos históricos ao povo judeu.

Muitos Cohanim individuais e outros se aproximaram dos pesquisadores para serem testados. A política dos pesquisadores é que a pesquisa não é um teste de indivíduos, mas um exame da família ampliada. Ter o CMH não é prova de que alguém é um Cohen, porque o lado da mãe também é significativo para determinar o status de Cohen. No momento, não existem ramificações halakitas desta descoberta. Ninguém é certificado ou desqualificado devido a seus marcadores de cromossomo Y.

A pesquisa, que começou com uma idéia na sinagoga, mostrou um claro relacionamento genético entre Cohanim e sua linhagem direta a partir de um ancestral comum. As descobertas da pesquisa suportam as afirmações da Torah de que a linha de Aarão passaria para a história. Que nossa tradição da Torah é apoiada por estas descobertas deve ser um reforço para os Cohanim e para todos aqueles que sabem que a Torah é a verdade e que Deus certamente mantém suas promessas.

Que possamos logo ver os Cohanim em sua celebração, os Levitas em sua plataforma no templo e os Israelitas em seus lugares.


A presença de Clérigos Católicos na Maçonaria



João Evangelista Martins Terra, S.J.

Para mostrar que, apesar dessas normas, não há absolutamente nenhuma incompa­tibilidade entre a Igreja e a maçonaria, os folhetos de propaganda maçônica trazem infalivelmente este argumento: até bispos, padres e frades entraram na maçonaria. E citam o conde de Irajá, bispo do Rio de Ja­neiro; Dom José Joaquim de Azeredo Coutinho, bispo de Olinda, que eram maçons; Cônego Januário, Frei Caneca, Frei Sampaio, Frei Montalverne e outros que entraram na maçonaria.

Não é preciso negar esse fato. Mas im­porta explicá-los no seu contexto históri­co. Por que eles entraram na maçonaria? Quais intuitos levaram a maçonaria a alici­ar para suas fileiras bispos e padres? E, so­bretudo, é preciso ver que tipo de padres ela conseguiu atrair.

Todos os nomes dos bispos, padres e fra­des por eles citados são geralmente do início do século passado, quando, em muitos meios políticos, predominava a idéia da Independência do Brasil. A própria maço­naria de então foi fundada no Brasil com finalidades pronunciadamente políticas. Algumas lojas de Pernambuco foram fun­dadas por padres, como a loja ou academia Areópago, fundada pelo carmelita Arruda Câmera, em 1801; a Loja do Paraíso ou Loja Suassuna, fundada pelo padre João Ribeiro. Ora, esses frades ou padres quase nada sabiam ou não se interessavam pelas doutrinas maçônicas; o que queriam eram ambientes secretos onde discutir suas ide­ologias liberais ou idéias revolucionárias. As lojas de Pernambuco e da Bahia, lá pelo anos 1810, como também as do Rio, pelo anos de 1820, eram de fato centros políti­cos, que “tramavam” a independência. Até as publicações maçônicas insistem neste particular. O maçom Adelino Figueiredo Lima, no seu livro Nos Bastidores do Mis­tério (Rio, 1954, p. 137), ao falar da funda­ção do Grande Oriente, escreve: “E encer­rou-se a sessão sob o juramento solene de que a nova potência maçônica independente tinha um fim específico a cumprir: fazer a independência do Brasil“. E não faltaram então padres e frades patriotas e políticos que alimentavam o mesmo ideal. Aliás, a Revolução de 1817 não é conhecida como a revolução de maçons, mas como a revo­lução dos padres.

Além disso, Frei Caneca, Frei Sampaio, Cônego Januário e outros foram, talvez, excelentes patriotas e hábeis políticos, mas não se pode por isso dizer que fossem tam­bém sacerdotes disciplinados e religiosos exemplares. Identificam-se os ideais polí­ticos desses padres com os ideais políticos da maçonaria de então, que, ao menos no Brasil, ainda não manifestara provas de anticlericalismo. E, para conseguir a inde­pendência, conjugaram suas forças. Não como sacerdotes, mas como políticos, ape­sar de sacerdotes, tornaram-se maçons.

Convém notar que entre o bispo Azeredo Coutinho (1802) e D. Marques Perdigão (1830) a diocese de Olinda esteve pratica­mente acéfala durante 30 anos. O 13º bispo de Olinda, D. Frei José da Santa Escolástica, eleito em 1802, não veio a Pernambuco, o 14º bispo, D. Frei José Ma­ria de Araújo, eleito em 1804, só chegou a Pernambuco em dezembro de 1807, para falecer logo em seguida. O 15º bispo, D. Frei Antônio de São José Bastos, eleito em 1810, nunca veio a Pernambuco, morrendo em 1819 no Rio, sem conhecer a sua diocese; o 16º bispo, D. Frei Gregório José Veigas, eleito em 1820, não chegou a to­mar posse da diocese, morrendo em Lis­boa; o 17º bispo, D. Tomás de Noronha, eleito em 1823, só foi confirmado bispo de Olinda em maio de 1828, resignando em agosto do ano seguinte, entregando o bis­pado ao cabido. O 18º bispo, D. João da Purificação Marques Perdigão, eleito em 1829 e confirmado em 1831, encontrou a diocese num estado deplorável.

Durante 30 anos sem bispo, clero e religiosos estavam habituados à anarquia. Esse período foi a época das revoluções, revoluções de padres, em grande parte ordenados fora da diocese e não encardinados. Alguns deles, como o célebre Pe. Roma, cujo nome real era José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, nascido no Recife, que professou entre os frades carmelitas de Goiana, de onde fugiu para Portugal e depois para Roma, onde diz que foi ordenado pessoalmente pelo Papa Pio VII, retomou ao Recife onde teve dois fi­lhos, foi enviado pelo governo provisório de 1817 à Bahia para levantar o povo em favor da causa revolucionária, e foi fuzila­do na Praça da Pólvora na Bahia.

O autor de Os Mártires Pernambucanos o classifi­ca como apóstata (G. Vilar de Carvalho, A liderança do clero nas revoluções republi­canas – 1817-1824, p. 76.) Mas historia­dores de grande peso, como E. Vi1hena de Moraes, põem em dúvida seu caráter sa­cerdotal, afirmando que “nem sequer se sabe ao certo se chegou realmente ao presbiterado” (O Patriotismo e o Clero no Brasil, Rio, 1929, p. 24). De fato, não foi encontrado nenhum documento que ateste sua ordenação. Essa era a situação do clero secular e regular na época das revoluções pernambucanas.

Quando D. João da Purificação Marques Perdigão chegou a Olinda, todo o país, de sul a norte, estava envolto nas revoluções e insurreições ocorridas no período das Re­gências Trinas de 1831 a 1835, que no Norte receberam o nome de Guerra dos Cabanos ou Cabanada. Foi a intervenção enérgica e pacificadora do bispo de Olinda, D. Perdigão, que, por meio de suas pastorais, em que fazia importantes exortações ao clero e aos fiéis, procurando convencer os liti­gantes de que deviam iniciar um período de paz, que logrou pôr termo à Cabanada, em 1835.

Convém notar ainda que nessa época e até mesmo durante todo o Império, os pa­dres e políticos não se sentiam adstritos, em consciência, às leis da Santa Sé, que con­denavam e interditavam a maçonaria, visto que o regalismo reinante na época se nega­va a dar-lhes seu “necessário” Benepláci­to, para obterem força de lei.

Além disso, nesses inícios, a maçonaria incipiente não se tinha ainda inserido nas estruturas do poder e não se tinha revelado anticlerical. Foi somente durante o Segun­do Império que ela logrou o poder ministe­rial e militar. Quase todos os Ministros e Governadores de Estados foram copiados pela maçonaria. Mais ainda, a maçonaria tinha-se infiltrado em quase todas as con­frarias e irmandades da Igreja e pretendia dominar o próprio poder eclesial. Em Olinda, o próprio Deão, Joaquim Francis­co de Faria, Vigário Capitular que, em duas vacâncias, tinha sido governador da Diocese, teve de ser suspenso pelo bispo por causa da sua recusa em desligar-se da maçonaria.

Revoltado, ele liberou, como vimos, a insurreição dos maçons contra os jesuítas, cujo colégio foi assaltado e destruído; contra o jornal católico “União”, cuja tipografia foi destroçada, e contra a re­sidência do bispo, que só não foi invadida porque na última hora surgiu uma proteção policial.


O DNA da Maçonaria – A companhia dos Maçons


REVISTA TEXTO & TEXTS EDITOR-CHEFE J.FILARDO

A Companhia de Maçons foi constituída na época medieval como uma guilda mercantil da cidade de Londres, para regular a qualidade dos edifícios de pedra na cidade.

Existem mais de 100 Companhias de Libré da Cidade, entre as quais a Companhia de Maçons está classificado 30º lugar em ordem de precedência. Ela tem associações estreitas com muitas dessas Companhias de Libré, especialmente aquelas relacionadas com a indústria da construção. A Companhia de Libré dos Maçons também tem uma relação peculiar, mas especial com os Mercers, os Cooks e os Broderers companhias chamadas “As Companhias Associadas” com relação ao financiamento do desenvolvimento de Londonderry na Irlanda do Norte.

A partir da Página da História você notará que sua sorte tem aumentado e diminuído ao longo dos séculos e ela não é mais uma guilda mercantil, um papel que foi assumido pela Stone Federation da Grã-Bretanha.

A Companhia foi constituída com o objetivo de regulamentar o ofício de cantaria para que as normas pudessem ser mantidas e recompensadas. Os registros mais antigos disponíveis de regulamentação são datadas de 1356 e foram emitidos pelo Tribunal de Vereadores da Cidade de Londres.

Cota de Armas

Em 1472, uma Cota de Armas foi recebida sob Carta-Patente.

Carta Constitutiva Real

Só em 1677 a Companhia foi formalmente constituída por Carta Constitutiva Real sob o Selo do rei Carlos II dando-lhe poder para controlar o trabalho dos pedreiros nas cidades de Londres e Westminster e sete deles a partir delas. Para ver uma cópia da Carta Constitutiva clique aqui .

Naquele tempo, os poderes de controle da Companhia começaram a ser corroídos pelo afluxo de pedreiros vindos das províncias, necessários para ajudar na reconstrução de Londres após o grande incêndio de 1666.

Contudo, a Companhia, através dos seus membros foi responsável ao longo dos anos pela construção de um grande número de edifícios notáveis em pedra, o mais famoso dos quais é, provavelmente, a Catedral de São Paulo. Thomas e Edward Strong, ambos Mestres da Companhia, foram os mestres de obra, juntamente com outros membros proeminentes da Companhia, sob o comando de Sir Christopher Wren.

O PRESENTE

A Companhia de Maçons é uma das menores Companhias de Libré da Cidade com cerca de 150 membros, comparado à média de cerca de 225 e em algumas Companhias de Libré modernas, com mais de 600 membros. Para informações sobre outras companhias de Libré da cidade de Londres clique aqui.

Estamos crescendo – A Companhia revisou recentemente o crescimento do número de seus membros definindo como alvo 175.

Organização – A companhia é dirigida por um Tribunal de Assistentes chefiado por um Venerável e dois Vigilantes eleitos anualmente. A administração executiva está sob o controle de um Funcionário nomeado. A participação na Libré está disponível aos candidatos, de preferência ligados à indústria da construção ou à City de Londres. Veja Associação e Sociedade.

As principais atividades da Companhia são orientadas para promover a arte da cantaria e o apoio a instituições de caridade em geral, e para tal, a Companhia administra duas instituições de caridade.

O Fundo Craft, oferece suporte para aprendizes e treinees na arte da cantaria (corte de pedras).

Através do Fundo de Caridade de Maçons, a Companhia faz doações para causas beneficentes mais gerais relacionadas tanto com a City de Londres quanto a causas nacionais mais amplas. Para saber se podemos ajudar sua causa, vá até nossa páginaCritérios de Caridade.

A Companhia também apoia o esquema de beneficencia conjunta das Companhias Associadas.

O FUTURO

A Companhia se dedica ao seu programa de treinamento no uso de pedra natural para fins de construção, e buscará ampliar o nível atual de patrocínio de alunos, tanto em volume quanto em níveis de habilidades a serem atingidos.

Em 2007, ela lançou o Prêmio Duque de Gloucester para incentivar profissionais de cantaria e artesãos de toda a Inglaterra a continuar a desenvolver suas carreiras através do reconhecimento de sua contribuição para a arte da cantaria. Estes novos prêmios foram lançados no The Natural Stone Craft Awardsem Outubro de 2007.

Em comum com outras Companhias de Libré da City of London, a Companhia manterá suas antigas tradições e continuará a assumir a sua parte, no governo da Cidade.

Para mais informações, por favorcontacte o Funcionário

Não é a Maçonaria Simbólica

Existem algumas evidências de que o movimento original da Maçonaria Especulativa no país, se não no mundo, teve origem na época medieval a partir desta Companhia de Maçons, além, talvez, de outras guilds de pedreiros construtores no país e na Europa.

Os pedreiros, construtores de nossas grandes catedrais e igrejas uniam-se em guildas ou corporações para praticar o que eles chamavam de “arte operativa” da maçonaria. Eles eram uma elite que podia viajar livremente entre as cidades para praticar sua “arte”, ao contrário dos servos que eram cuidadosamente controlados e restritos. Daí o termo “pedreiro livre” ter entrado em uso e lojas da fraternidade foram se formando.

Mas, no século XVIII, a natureza da Maçonaria tinha mudado, e as lojas começaram a aceitar membros que não eram pedreiros e assim elas se tornaram lojas “especulativas” e não mais “operativas” e ao longo dos dois séculos e meio seguintes, as lojas se afastaram completamente do ofício da cantaria, a não ser pelo fato de fazer referência às ferramentas e artefatos de trabalho dos pedreiros em alguns de seus rituais.

Hoje não há ligação direta entre a Companhia de Maçons e a Maçonaria.





O DNA da Maçonaria – Os Clubes de Cavalheiros


Tradução José Antonio de Souza Filardo

http://en.wikipedia.org/wiki/Gentlemen%27s_club

Um clube de cavalheiros é um clube privado só para membros de um tipo originalmente criado por e para a classe alta Inglesa no século XVIII, e popularizada pelos homens e mulheres ingleses de classe média-alta no final do século XIX. Hoje, alguns são mais abertos sobre a questão de gênero e status social dos seus membros. Muitos países fora do Reino Unido têm clubes de cavalheiros de destaque.

Nos Estados Unidos, o termo clube de cavalheiros é frequentemente utilizado como um eufemismo para clubes de strip tease, uma tendência cada vez mais comum também no Reino Unido, tais como as cadeias Stringfellows e Spearmint Rhino que usam o termo neste sentido.


Conteúdo
1 História
 Status Atual
2.1 Reino Unido
2.2 Índia
2.3 Estados Unidos
2.4 Austrália
2.5 África do Sul
3 Peculiaridades da condição de membro
4 Veja também
5 Referências
6 Leitura adicional

História


Os clubes originais eram estabelecidos na região West End de Londres. Ainda hoje, a área de St. James’s ainda é, por vezes, chamada ‘clubland”. Os Clubes assumiram o papel ocupado pelas casas de café no século 18 em Londres até certo ponto, e chegaram ao auge de sua influência no final do século 19. Os primeiros clubes, tais como o White e o Boodle’s eram altamente aristocráticos, e proporcionavam um ambiente privado, onde se realizavam jogos, que ainda era ilegal fora de estabelecimentos exclusivos para membros.

O século 19 trouxe uma explosão na popularidade dos clubes, especialmente em torno da década de 1880. Em seu auge, Londres tinha mais de 400 estabelecimentos. Essa expansão pode ser explicada em parte pela grande amplitude da emancipação nosAtos de Reforma de 1832, 1867 e 1885. A cada vez, centenas de milhares de homens tornavam-se capazes para o voto, e era comum que sentissem que haviam sido elevados ao status de cavalheiro – assim, eles procuravam um clube. Os clubes existentes, com limites rígidos em relação ao número de membros e longas listas de espera, eram geralmente cautelosos com estes membros potenciais recém-emancipados e, assim, essas pessoas começaram a formar seus próprios clubes. Cada um dos três grandes Atos de Reforma corresponderam a uma expansão ainda maior dos clubes, assim como expansão da emancipação 1918.

Muitos desses novos clubes mais “inclusivos” se provaram tão relutante quanto seus antecessores ao admitir novos membros, quando a liberação foi ainda mais ampliada.

Um número crescente de clubes se caracterizava pelo interesse dos seus membros na política, literatura, esporte, arte, automóveis, viagens, países em particular, ou alguma outra atividade. Em outros casos, a ligação entre os membros era pertencerem ao mesmo ramo das forças armadas ou ter uma história na mesma escola ou universidade. Assim, o crescimento dos clubes oferecia um forte indicador do que era considerado uma parte respeitável do ‘Establishment’ da época.

No final do século 19, qualquer homem com uma reivindicação idônea do status de “cavalheiro” podia eventualmente encontrar um clube disposto a admiti-lo, a menos que seu caráter fosse desagradável de alguma forma, ou ele era “unclubbable”, ou seja, indigno de pertencer a um clube (aliás, uma palavra usada pela primeira vez por Samuel Johnson). [1] Este passou a incluir os profissionais que tinham de ganhar o seu rendimento, tais como médicos e advogados.

A maioria dos cavalheiros tinham apenas um clube, que correspondia estreitamente ao seu comércio ou identidade política e social que ele sentia ser mais definida dele, mas algumas pessoas pertenciam a diversos; membros da aristocracia e os políticos eram particularmente susceptíveis de pertencer a vários clubes. O número recorde de adesões, acredita-se ter sido com Earl Mountbatten, que tinha dezenove anos na década de 1960.

Espetáculos públicos, tais como apresentações musicais e afins, não eram uma característica desse tipo de clube. Os clubes eram, de fato, “segundas casas”, no centro de Londres, onde os homens podiam relaxar, misturar-se aos amigos, jogar salão de jogos, comer alguma coisa e, em alguns clubes podia até pernoitar. Eles permitiram que homens de classe alta e da alta classe média com rendimentos modestos gastassem seu tempo em ambientes imponentes; os clubes mais ricos eram construídos pelos mesmos arquitetos que construíam as melhores casas de campo da época, e tinham os mesmos tipos de interiores. Eles também eram um retiro conveniente para os homens que desejavam fugir de suas relações femininas. Muitos homens passaram grande parte de suas vidas em seus clubes, e era uma característica comum a jovens recém-formados que se mudavam para Londres pela primeira vez, viver em seu clube durante dois ou três anos, antes que pudessem dar-se o luxo de alugar uma casa ou apartamento.

As mulheres também começaram a estabelecer seus próprios clubes no final do século XIX, por exemplo, o Ladies’ Institute e oLadies’ Athenaeum. Eles se provaram muito populares na época, mas apenas um, The University Women’s Club sobreviveu até nossos dias como um estabelecimento de mesmo sexo.

Até a década de 1950, os clubes também eram fortemente regulamentado nas salas abertas para não-membros. A maioria dos clubes continha uma única sala em que os membros podiam jantar e receber não-membros; presumia-se muitas vezes que todo o círculo social deveria estar dentro do mesmo clube.

Os requisitos da classe relaxaram-se gradualmente ao longo dos séculos 19 e 20. Além disso, a partir dos anos 70 algumas clubes de sexo único abriram-se para ambos os sexos, como convidados e como membros, em parte para ajudar a manter os níveis de adesão.

Status Atual
Embora os clubes de cavalheiros tradicionais já não sejam tão populares e influentes como eram originalmente, muitos tem visto um ressurgimento significativo de popularidade e status nos últimos anos. Alguns clubes mais importantes ainda mantêm as distinções que são muitas vezes indefinidos e raramente explicadas àqueles que não preenchem os seus requisitos de adesão. Depois de alcançar o topo de uma longa lista de espera, há uma possibilidade real de receber bola preta; espera-se que o proponente se demita, uma vez que ele não conseguiu retirar o pedido de seu candidato indesejável.

Os clubes de cavalheiros hoje existem em todo o mundo, principalmente na Comunidade de Países britânicos e nos Estados Unidos. Muitos clubes oferecem hospitalidade recíproca a membros de outros clubes quando estes viajam.

Na Grã-Bretanha e em particular em Londres, há uma continuidade entre os clubes de cavalheiros originais e os clubes mais modernos, mas, ao contrário, são clubes de membros privados tais como o Groucho Club, Soho House e Home House. Todos oferecem serviços semelhantes, tais como comida, bebida, ambiente confortável, aluguel de espaço e acomodação em muitos casos. No entanto, nos últimos anos, o advento de trabalho móvel (usando telefone e e-mail) colocou pressão sobre os clubes tradicionais de Londres, que desaprovam e, muitas vezes proíbem o uso de celulares e desencorajam laptops. Uma nova raça de clubes privativos orientados para negócios, por exemplo, o One Alfred Place e o Eight em Londres, ou o Guild em Barcelona, ​​combinam o estilo, comida e bebida de um clube privado contemporâneo com as conveniências de negócios de um escritório.

Reino Unido
Há, talvez, cerca de 25 clubes de cavalheiros tradicionais em Londres, notadamente do The Arts Club até o White’s. Muitos outros clubes estimáveis ​​(tais como os iate clubes) têm um carácter específico que os coloca fora do normal, ou pode ter sacrificado sua individualidade em favor do interesse comercial de atrair um número suficiente de membros, independentemente de seus interesses comuns. (Veja o artigo no clube para uma discussão mais aprofundada dessas distinções.) O clube de cavalheiros mais antigo em Londres é o White’s, que foi fundado em 1693. [2]

Em Londres, a discussão de comércio ou negócio não é normalmente permitida em clubes de cavalheiros (outros clubes são projetados especificamente para negócios e permitem celulares e laptops), mas um número cada vez maior de pessoas na política e nos negócios aluga instalações de clubes no Reino Unido e em todo o mundo para debates e conferências sobre assuntos atuais. Por exemplo, o Commonwealth Club em Londres conta com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo e o ex-primeiro-ministro australiano John Howard como pessoas influentes que ali falaram. A utilização desses estabelecimentos para a discussão e debate público, no entanto, está em sua infância, pois muitos dos maiores e mais estabelecidos clubes fazem cumprir rigorosamente as suas normas sobre tais matérias.

Clubes semelhantes existem em algumas cidades mais importantes fora de Londres, nomeadamente o Liverpool Athenaeum, The Clifton Club, Edimburg’s New Club, o St. James’ Club em Manchester e o Ulster Reform Club de Belfast. O Athenaeum Club de Liverpool, na Church Alley, foi fundado em 1797 pelo colecionador de arte e reformador social William Roscoe e amigos. Sua famosa biblioteca contém muitos livros raros e fascinantes. Proprietários (sócios) e convidados também relaxam-se na sala de imprensa e no restaurante. Há muitos grupos de interesse que se reúnem no clube. O Clifton Club, em Bristol foi fundado em 1818 e ocupa um imponente edifício em uma das ruas mais exclusivas da cidade. Ele continua a ser um dos clubes mais prestigiados e socialmente exclusivos fora de Londres. Guernseynas Ilhas do Canal tem um clube de cavalheiros fora do Reino Unido, The United Club fundado em 1870.

Índia

A Índia tem vários clubes de cavalheiros na maioria das principais cidades, incluindo Nova Delhi, Mumbai, Shimla, Calcutá,Chennai, Hyderabad, Bangalore, etc. Tal como no Reino Unido, estes foram iniciados por agentes do Raj britânico e também pela aristocracia e intelectuais indianos. Embora a maioria destes clubes, incluindo o Gymkhana, o India International Centre e os clubes de campo agora aceitem legalmente membros de ambos os sexos, há alguns clubes que mantêm uma política de associação exclusiva do sexo masculino. A maioria dos clubes está localizadas em áreas antigas e caras de velhas cidades e têm listas de espera de 20 a 30 anos e mais para a adesão. Ganhar a adesão a um desses clubes é considerado um sinal de “ter chegado lá” pela elite indiana, uma vez que isso mostra a riqueza, as conexões políticas e sociais e, muitas vezes um pedigree familiar. A maioria dos clubes de cavalheiros na Índia são instituições de caridade registradas ou empreendimentos sem fins lucrativos, mas desde a década de 90, vários clubes iniciados por promotores imobiliários e empresas com sucesso social limitado.

Estados Unidos


A maioria das grandes cidades nos Estados Unidos tem pelo menos um clube de cavalheiros tradicional. Os clubes de cavalheiros são mais presentes, porém, nas cidades mais antigas, como New Orleans e em toda a Costa Leste em New York City (que tem o maior número de clubes de destaque), Filadélfia,Boston e Washington, DC. Alguns clubes americanos têm relações recíprocas com os clubes mais antigos de Londres, entre si e com outros clubes ao redor do mundo. Os mais antigos clubes americanos datam do século 18, o State em Schuylkill, na Filadélfia, fundado em 1732, é sem dúvida o mais antigo clube na América do Norte, [2] o Old Colony Club, em Plymouth, Massachusetts, fundado em 1769, é também um dos mais antigos clubes de cavalheiros na América do Norte. O Yale Club of New York City compreende uma sede de 22 andares e mais de 11.000 membros do mundo inteiro é o maior clube de cavalheiros em todo o mundo. [3]

Austrália

A Austrália tem diversos clubes de cavalheiros, incluindo o Commonwealth Club (Canberra), Australian Club – um separado em Sydney e outro em Melbourne, o Melbourne Club, o Adelaide Club, o Union, University & Schools Club (Sydney), o WA Club, o Weld Club (Perth), o Athenaeum Club (Melbourne; recebeu o nome em homenagem ao seu correspondente em Londres), o Savage Club (Melbourne), The Tasmania Club (Hobart), o Newcastle Club (Newcastle), Tattersalls Club (Brisbane), o Brisbane Polo Club (sediado na tradicional sede Naldham House no centro do bairro financeiro central), o Royal Automobile Club of Australia (Sydney) e o Royal Automobile Club of Victoria (Melbourne). O Canberra Club, Newcastle club, Brisbane Polo Club, o Kelvin Club em Melbourne, o Royal Automobile Club da Austrália (Sydney) e os Royal Automobile Club de Victoria(Melbourne) permitem que mulheres sejam membros plenos.

África do Sul

A África do Sul é o lar do Rand Club no centro da cidade deJohanesburgo, o Cape Town Club [1] o Owl Club em Cape Towne o Durban Club, fundado em 1852 e que vem funcionando ininterruptamente desde a sua criação. [2]

Peculiaridades da condição de membro

Alguns clubes têm exigências para adesão altamente específicas. Por exemplo, o Caledonian Club em Londres exige “ser de ascendência escocesa direta, isto é, traçar a descendência de pai escocês ou mãe, avô ou avó” ou “ter, na opinião do Comitê, a associação mais próxima possível com a Escócia.” O Travellers Club, desde sua fundação em 1819, excluiu qualquer membro que não tenha cumpriu um requisito muito específico de viagens. A Regra 6 do estatuto do clube declara que “Ninguém pode ser considerado elegível para o Travellers Club, que não tenha viajado fora das ilhas britânicas, até uma distância de pelo menos 500 milhas de Londres, em uma linha direta”. [4] O Yale Club é típico de clubes universitários: é aberto a todos que tenham uma conexão com a sua universidade, neste caso a Universidade de Yale. O Reform Club impõe aos seus membros em potencial atestar que teria apoiado a Lei da Reforma de 1832, enquanto alguns membros do East India Club devem ter frequentado uma de suas escolas públicas filiadas.

Veja também


Referências

1) Oxford English Dictionary Provavelmente 1764
2) a b Whitaker’s Almanack 2008 . A & C Black. 2008 - p. 649. ISBN 9780713685541.
4) Outras Leituras
5) “Club men of New York: their occupations, and business and home addresses”, New York : The Republic press [etc.], 1893. Cf. starting at p. 39.