domingo, 28 de junho de 2015



MAÇONARIA EM NÚMEROS (20 Ago 2011)


Fabio Cyrino, M.I., 33º REAA
Harmonia e Concórdia 3522 – GOB/ GOSP

Neste 20 de Agosto, quando comemoramos no Brasil o dia do Maçom (mesmo com o equívoco que a data representa) seria mesmo um dia a ser comemorado? Que importância para a sociedade profana, especialmente a brasileira, a Maçonaria hoje em dia representa? Não estaríamos vivendo numa suave indolência, um dolce far niente, na pior interpretação da expressão, vivendo dentro da ilusão de que representamos algo de importante na constituição de nosso meio?

Podemos, para iniciar um estudo mais aprofundado posterior, analisar alguns dados estatísticos proporcionais e absolutos referentes à Maçonaria mundial reconhecida, da qual fazemos parte.

Hoje há 190 Obediências regulares espalhadas pelo mundo que fazem parte do grupo denominado “reconhecido”, grupo este encabeçado pela Grande Loja Unida da Inglaterra e do qual o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas dos Estados de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro fazem parte. As demais Grandes Lojas Estaduais brasileiras não possuem o amplo reconhecimento mundial, muito menos os Grandes Orientes Independentes.

Deste modo, podemos analisar os seguintes dados:

Das 190 Obediências regulares espalhadas pelo mundo, 172 delas possuem publicamente divulgados os números que as compõem com relação ao número de Lojas e de Obreiros. Essas 172 são as principais em números de obreiros e lojas; as 18 restantes são Obediências de pouca representatividade localizadas principalmente no continente africano e as recém fundadas Obediências do Leste Europeu que a partir da queda dos governos socialistas estão tentando se reorganizar naqueles países.

A Obediência com o maior número de Lojas e Obreiros é a Grande Loja Unida da Inglaterra (237.923 Obreiros e 7.945 Lojas, com uma média de 30 Obreiros por Loja); seguid a pela Grande Loja da Pensilvânia (EUA) (114.447 Obreiros e 432 Lojas, com média de 265 Obreiros por Loja); Grande Loja de Ohio (EUA) (106.870 Obreiros, 512 Lojas, média de 209 Obreiros por Loja); Grande Loja do Texas (EUA) (92.420 Obreiros, 873 Lojas, média de 106 Obreiros por Loja) e em 5ª posição, o Grande Oriente do Brasil (71.577 Obreiros, 2.605 Lojas e média de 27 Obreiros por Loja).

As três últimas da relação são a Grande Loja da Eslováquia (60 Obreiros, 3 Lojas, média de 20 Obreiros por Loja); a Grande Loja da Ucrânia (57 Obreiros, 3 Lojas, média 19 Obreiros por Loja) e a Grande Loja do Congo (55 Obreiros, 3 Lojas, média 18 Obreiros por Loja).

Essa é uma análise realizada sobre os números absolutos encontrados, uma simples listagem de quantos somos, e que produzem na verdade uma falsa ideia de que somos grandes pela quantidade de pessoas que se encontram em nossas Colunas. Mas há outra forma de se analisar esses dados que é o de se verificar a % de Maçons que há em cada país ou região em função do número de habitantes que neles existem. Será que a estatística se repetiria?

A Obediência com o maior representatividade frente à população de sua região ou país é a Grande Loja do Maine (EUA) (19.968 Obreiros e 185 Lojas, com uma média de 108 Obreiros por Loja), pois ela representa aproximadamente 1,503% da população daquele estado norte-americano; seguida pela Grande Loja da Virginia Ocidental (EUA) (22.078 Obreiros e 139 Lojas, com média de 159 Obreiros por Loja), representando 1,187% da população do estado; e pela Grande Loja de Vermont (EUA) (6.685 Obreiros, 88 Lojas, média de 76 Obreiros por Loja) e 1,075% da população. As Obediências menos representativas são a Grande Loja da Rússia (418 Obreiros e 22 Lojas, com média de 19 Obreiros por Loja), representando 0,0003% da população do país; a Grande Loja do Reino do Marrocos (80 Obreiros e 5 Lojas, com média de 16 Obreiros por Loja), representando 0,0002% da população do país; e a Grande Loja da Ucrânia (57 Obreiros e 3 Lojas, com média de 19 Obreiros por Loja), representando 0,0001% da população do país.

As primeiras cinco Obediências do critério anterior ocupam as seguintes posições: a Grande Loja Unida da Inglaterra ocupa a 40ª posição, representando 0,44% da população do país; a Grande Loja da Pensilvânia (EUA) ocupa a 7ª posição, representando 0,921% da população do estado; Grande Loja de Ohio (EUA) ocupa a 6ª posição, representando 0,932% da população do estado; Grande Loja do Texas (EUA) ocupa a 46ª posição, representando 0,368% da população do estado; e o Grande Oriente do Brasil ocupa a 109ª posição, representando 0,038% da população do país.

Em números relativos as quatro Grandes Lojas Estaduais Brasileiras reconhecidas ocupariam uma posição de maior relevância em suas regiões que o GOB na totalidade do país: a Grande Loja do Espírito Santo na 70ª posição, representando 0,195% da população do estado; a Grande Loja do Mato Grosso do Sul na 83ª posição, representando 0,097% da população do estado; a Grande Loja de São Paulo na 97ª posição, representando 0,051% da população do estado; e a Grande Loja do Rio de Janeiro na 100ª posição, representando 0,046% da população do estado.

Se analisarmos o número de maçons por país e sua porcentagem com relação à população, encontramos os seguintes números:

O país com maior número relativo de maçons é a Islândia com 0,845% da população do país sendo maçons regulares, com 3.409 maçons dentro de uma população de 403.367 habitantes; seguida pela Irlanda com 0,665% da população do país sendo maçons regulares, com 41.239 maçons dentro de uma população de 6.197.100 habitantes; pela Escócia com 0,632% da população do país sendo maçons regulares, com 32.984 maçons dentro de uma população de 5.222.100 habitantes.

Os Estados Unidos da América é o país com o maior número de maçons regulares, com 0,478% da população do país sendo maçons regulares, com 1.476.341 maçons dentro de uma população de 308.745.538 habitantes, organizados nas diversas Obediências em cada um dos estados daquele país.

Os 10 primeiros países em números de maçons em função de sua população coincidentemente são os países que apresentam excelentes posições no índice de IDH (índice de desenvolvimento humano) adotado pelas Nações Unidas, ou seja:


        Nº             N^º                                                       MÉDIA         POPULAÇÃO     % SOBRE
OBREIROS   LOJAS  OBEDIÊNCIAS     PAIS     OBREIROS          DO PAÍS        POP. DO PAÍS
    LOJAS                  
       3.409              18        Grande loja       Islândia          189                    403.367               0,845% 
     41.239         1.117        Grande loja       Irlanda             37                  6.197.100              0,665% 
     32.984         1.064        Grande loja       Escócia            31                  5.222.100              0,632% 
          200                9        Grande loja       Mônaco           22                       35.986               0,556% 
1.476.341       12.953        Grande loja       EUA              114              308.745.538               0,478% 
   237.923         7.945        Grande loja      Inglaterra          30                54.016.290              0,440% 
   143.137         1.792        Grande Loja     Canadá             80                34.552.000              0,414% 
     18.900              63        Grande loja      Noruega          300                  4.979.900              0,380% 
       9.051            266        Grande Loja     N.Zelândia       34                  4.393.500               0,206% 
       8.034            103        Grande Loja     Dinamarca       78                  5.564.219               0,144% 

Fica então a questão: o grau de desenvolvimento desses países, nos campos educacional, cultural, econômico, político e social, refletiria também a participação da Maçonaria na organização da sociedade profana? Ou estes números seriam apenas uma coincidência estatística? O Brasil e os países com baixo desenvolvimento educacional, cultural, econômico, político e social são os que estão na outra ponta desta relação. Também seria apenas uma coincidência?

É algo que precisamos analisar com grande reflexão e clareza para definirmos o grau de atuação de nossa Instituição dentro de um plano maior pelo bem de nossas nações.




47º Problema de Euclídes

Como esquadrejar o esquadro ***


Tradução José Antonio de Souza Filardo M.´. I .´.



O 47º Problema de Euclides, também chamado de 47ª Proposição de Euclides, assim como o Teorema de Pitágoras é representado por 3 quadrados.

Para o maçom especulativo, o 47º Problema de Euclides pode ser um pouco misterioso. Muitos livros maçônicos simplesmente o descrevem como “Um amor geral pelas Artes e das Ciências”. No entanto, deixar sua explicação como isso seria a omissão de um tema que é muito importante … não só do luz da teoria de Pitágoras, mas do Esquadro Maçônico.

Conta-se que Euclides, (o Pai da Geometria), que viveu várias centenas de anos depois de Pitágoras, trabalhou muito duro para resolver a equação 3:4:5 … e quando ele resolveu, gritou “Eureka!” .. . que significa “Encontrei!”. Ele então sacrificou uma hecatombe (oferta de sacrifício a deus de até 100 bois ou gado).

Ahhh … mas, é muito mais do que apenas a equação 3:4:5. A matemática é a chave para a compreensão do seu significado mais amplo e universal.

O Teorema de Pitágoras, também conhecido como o 47º Problema de Euclides ou 3:4:5:

“Em qualquer triângulo, a soma dos quadrados dos dois lados menores (catetos) é igual ao quadrado da hipotenusa”. (a hipotenusa de um triângulo reto… o que é a “perna” mais longa… ou o lado 5 do 3:4:5).

O Triângulo Reto, abaixo, mostra os lados de 3, 4 e 5. O ângulo criado entre os 3 (lado) e de 4 (lado) é o ângulo reto do esquadro.

Um pouco mais tarde, quando começarmos a construí-lo, (com estacas e cordas), você colocará suas estacas nos 3 cantos deste triângulo retângulo.


O quadrado de 3 é 9.

O quadrado de 4 é 16. A soma de 9 e 16 é 25. (25 representa a hipotenusa).

A raiz quadrada de 25 é 5.

Portanto, a equação é escrita: 3:4:5:

Quando escrever o quadrado dos 1ºs quatro números (1, 4, 9 e 16), vemos que, subtraindo cada quadrado do seguinte, ficamos com 3, 5 e 7.

Ok, vamos tentar.

1, 4, 9, 16

4-1 =3

9-4 = 5

16-9 = 7

3:5:7: Estes são os degraus na Maçonaria. Eles são os degraus da Escada Caracol que leva à Câmara do Meio, e eles são o número exigido de irmãos que constitui o número de mestres maçons necessário para abrir uma loja de:

Mestres: 3

Companheiros: 5

Aprendizes: 7

Estes são os números sagrados.

OK, fique comigo agora … a matemática mais importante acabou.

A essência do Teorema de Pitágoras (também chamado de 47º Problema de Euclides) é sobre a importância de se estabelecer um alicerce arquiteturalmente verdadeiro (correto) com base na utilização do esquadro.

Porque isto é tão importante para os Maçons especulativos, que só tem um esquadro simbólico e não o esquadro real (a ferramenta) de um maçom operativo?

O 47º Problema de Euclides é a equação matemática (o conhecimento) que permite a um Mestre Maçom:

“Esquadrejar seu esquadro quando ele fica fora de esquadro.”

…Eu ouvi isso! Você está dizendo a si mesmo: “Por que isso é tão importante para MIM no mundo de hoje … a menos que eu seja um carpinteiro? A casa de materiais de construção fica logo ali na esquina. ”

Como Criar um esquadro perfeito usando o 47º Problema de Euclides

O conhecimento de como formar um esquadro perfeito, sem a menor possibilidade de erro tinha a maior importância na arte de construir a partir desde o tempo dos Harpedonaptae, (e antes). Harpedonaptae, literalmente traduzido, significa “esticadores de corda” ou “amarradores de corda” do Egito antigo (muito antes do Templo de Salomão ser construído).

Os Harpedonaptae eram especialistas em arquitetura que eram chamados para lançar os alicerces dos edifícios. Eles eram altamente qualificados e utilizavam a astronomia (as estrelas), assim como cálculos matemáticos, a fim de traçar ângulos retos perfeitos para cada edifício.

No museu de Berlim há uma escritura pública, escrita em couro, que remonta a 2.000 A.C. (muito antes do tempo de Salomão), que fala sobre o trabalho destes esticadores de cordas.

Historicamente, a pedra angular de um edifício era colocada no canto nordeste do edifício. Por que no nordeste?

Os antigos construtores primeiro definiam as linhas do Norte e do Sul através da observação das estrelas e do sol … especialmente da o Estrela do Norte, (Polar), que eles acreditavam naquele tempo ser fixa no céu.

Só depois que estabelece uma linha do Norte – Sul perfeita, eles podiam utilizar o esquadro para estabelecer linhas Leste e Oeste perfeitas para suas fundações.

O 47º Problema de Euclides estabelecia estas verdadeiros linhas Leste e Oeste, de modo que os esticadores de corda pudessem determinar um ângulo de 90 graus perfeito em relação à linha Norte / Sul, que eles tinham estabelecido usando as estrelas.

Se você quiser executar isto sozinho, é realmente muito fácil … e depois de obter as partes necessárias, seria uma grande peça de arquitetura instrutiva a ser apresentada à sua loja.

As instruções são mostradas abaixo, mas é mais fácil seguir as instruções de forma passo-a-passo (com um barbante e hastes à mão) do que apenas lê-las, para uma completa compreensão.

Melhor ainda, imprima os itens número 1 a 4, abaixo e, em seguida, prepare suas hastes e seu barbante.

Quando terminar, como Euclides, (que se supõe fosse um Mestre Maçom), você também, provavelmente irá gritar “Eureka!”, … exatamente como eu.

O 47º Problema de Euclides

Ao contrário dos Harpedonaptae, você não tem como estabelecer o verdadeiro Norte e o Sul … a menos que você use uma bússola. Mas uma bússola não é necessária para esta demonstração.

No entanto, você SERÁ CAPAZ de criar um esquadro perfeito … apenas com paus e barbante, exatamente como os nossos antepassados fizeram.

Você precisará de 4 estacas finas que sejam fortes o suficiente para enterrar em solo macio, 40 polegadas (1 metro) de barbante e um marcador de tinta preta. Na verdade, qualquer comprimento serve, mas esse tamanho é muito manejável.

Quanto maior a fundação que o Maçom pretendia construir, naturalmente, mais longa a sua corda (barbante) teria de ser.

1. Coloque sua 1ª estaca deitada no chão de modo que uma ponta aponte para o norte e a outra para o sul.

2. Em seguida, tome um barbante (é muito mais difícil se você usar corda) e ate nós a cada 3 polegadas (7,62 cm). Isto irá dividir a corda em 12 divisões iguais.

Amarrem as 2 extremidades da corda (este é o seu 12º nó) … novamente … lembre-se que de um nó até o outro deve haver 3 polegadas (7,62 cm). As divisões entre nós devem ser exatas e iguais, ou não vai funcionar.

O comprimento total de seu barbante é 36 ” ou 91,44 cm . Depois de você ter amarrado o nó das pontas, pode cortar o excesso do barbante.

Se tiver mais de 8 cm de barbante à esquerda ou menos de 8 cm de barbante à esquerda, você precisará medir o seu comprimento entre nós para certificar-se de que são iguais.

Sua corda agora, tem forma circular e tem 12 nós e 12 divisões iguais entre os nós. (veja o Triângulo Retângulo, novamente, abaixo)


Nota: Os Maçons Operativos antigos usavam corda; no entanto, porque muito do comprimento da corda é consumido pelo nó; se você usar corda, terá de usar uma peça mais longa, medir cada divisão, amarrar o seu nó, e, em seguida medir sua próxima divisão de 3 polegadas antes de cortar o comprimento de corda, ao invés da marcação toda a corda enquanto ela está esticada para então atar os nós.

3. 2. Finque sua segunda estaca no chão ou perto do a ponta da estaca Norte ou Sul e ate um nó na estaca. Estique 3 divisões afastando-se em qualquer direção (9 polegadas) e finque a 3ª estaca no chão. Em seguida, fique a 4ª estaca no nó entre a 4ª parte e a 5ª divisão (12 polegadas).

Isso força a criação de um triângulo retângulo 3:4:5:. O ângulo entre 3 unidades e 4 unidades é, necessariamente, um esquadro ou ângulo reto.

4. Agora, mova suas estacas 3ª e 4ª até se tornarem um ângulo reto (90 graus) em relação à estaca posicionada na linha Norte / Sul.

Parabéns! Você agora não só tem a capacidade de enquadrar seu esquadro, mas de estabelecer um marco geometricamente correto para a sua nova fundação!

No entanto, o uso do 47º Problema de Euclides não termina aqui…

Aqui está o resto da história …

O Quadragésimo Sétimo Problema de Euclides no Mundo Atual

Com este simples equação geométrica 3:4:5 de como criar um ângulo reto de 90 graus:

1. O homem pode alcançar no espaço e medir a distância das estrelas … em anos-luz!

2. Ele pode fazer levantamento de terra, marcar fronteiras e construir toda e qualquer coisa sobre a Terra.

3. Ele pode construir casas, igrejas e edifícios, e com o conhecimento desta simples equação … ele pode começar a escavar em lados opostos de uma montanha e cavar um túnel reto através do centro dela … que se encontram exatamente no centro!

4. Ele pode navegar pelos oceanos e ser capaz de se localizar no meio da água (sem terra à vista) … E também é capaz de calcular até onde ele chegou, e quanto mais ele tem que viajar!

O 47º Problema de Euclides, também conhecido como a 47ª Proposição de Euclides … ou Teorema de Pitágoras ensina cada um de nós a não ser apenas amantes gerais das artes e das ciências, mas a se maravilhar com o conhecimento com o qual você pode tomar um pedaço de corda e 4 estacas … e ser capaz de encontrar o seu caminho de casa … a partir de qualquer local na Terra, no mar ou nos céus.

O 47º Problema de Euclides representa um símbolo tão perfeito da maçonaria … englobando tanto arte quanto a ciência, que o simples conhecimento dele exige uma reverência estonteante à qual só podemos curvar nossas cabeças em reverência à perfeição, a universalidade e a infinita sabedoria daquilo que nos foi dado por Deus.

Com o conhecimento desta simples equação geométrica, (fornecida pelo 47º Problema de Euclides), a palavra “Eureka!” quase empalidece em expressar a competência fundamental com que o nosso Criador nos equipou!

…E tudo começa por simplesmente aprender a esquadrejar o esquadro.

Oh !…, e uma última coisa que você também aprendeu (mas pode não ter percebido ) …

Esta é a razão pela qual os antigos esquadros de carpinteiro eu você viu ou ouviu falar tem uma perna mas longa. Suas “pernas” foram criadas usando a parte “3” e “4” da equação 3:4:5 (o 5 é a hipotenusa), utilizando o 47º Problema de Euclides. As “Pernas” de comprimento igual em esquadros modernos são technologia relativamente “nova” …


Agora, dê uma outra olhada no símbolo maçônico do 47º Problema de Euclides, acima. Você verá que o quadrado no canto superior esquerdo mede 3 unidades em cada um dos seus lados; o quadrado no canto superior direito mede 4 unidades em cada um dos seus lados e o quadrado de baixo mede 5 unidades em cada um dos seus lados.

Você pode ver agora o triângulo retângulo (espaço branco no meio), que é cercado pelas 3 “caixas”.

Deste dia em diante, quando você vir esta imagem gráfica denotando o 47º Problema de Euclides, … este símbolo maçônico, ele não parecerá apenas 3 caixas pretas com aparência estranha para você. Você verá a equação 3:4:5 e o esquadro (ângulo reto) dentro deles, e saberá que você tem o poder de esquadrejar seu esquadro *** dentro de sua própria Câmara do Meio.

…E ESTE é o resto da história!

http://www.masonic-lodge-of-education.com/47th-problem-of-euclid.html

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*** N.doT. – Esquadrejar o esquadro (“square the square”) em inglês tem mais ou menos o mesmo sentido que desbastar a pedra bruta em português.


A TRAIÇÃO DOS COMPANHEIROS- MAÇONARIA

João Anatalino

O grau de Companheiro, na tradição maçônica, é o chamado grau da traição. Isso porque foram três Companheiros que assassinaram o Mestre Hiram, o arquiteto do Templo de Salomão e protótipo do maçom perfeito. O porque desse crime nunca foi bem explicado pelos exegetas das tradições maçônicas. São muitas as interpretações que buscam a explicação para esse curioso drama que marca a passagem do companehiro para mestre. Uma delas é aquela extraída da tradição da Cabala, e envolve a chamada familia de Cain, que segundo aquela antiga tradição mística judaica, é uma metáfora que significa o conflito existente entre o bem e o mal, plantado na alma humana quando ocorreu a rebelião dos anjos, liderada pelo Arcanjo Lúcifer.

Na Loja de Companheiros todos já ouviram o nome Tubalcain. É uma palavra de passe. Na Bíblia esse nome corresponde a um tataraneto de Cain, filho do patriarca Lamec. Ele é tido como sendo um grande artesão das artes metalúgicas. Por isso, na tradição maçônica mais antiaga ( dos maçons operativos) Tubalcain é o representante de todos aqueles que trabalham com as mãos e Hiram o representante daqueles que trabalham com o intelecto. Hiram simboliza também o comando, enquanto Tubalcain é o operário. Um representa a técnica, outro a ciência. Dessa forma, a querela entre o Mestre do comando e os Mestres da execução, que acabou se transformando em tragédia, com o assassinato do primeiro pelos segundos, reflete o conflito entre o Criador e seus Demiurgos (ou espíritos delegados, na tradição gnóstica). 

Na tradição gnóstica, Deus “pensa” o universo e seus Demiurgos o constroem. A dado momento esses “anjos de luz” tornam-se rebeldes e passam a reivindicar do Criador uma posição semelhante á dele. Essa é a Rebelião de Lúcifer, a que se refere a Bíblia. É um conflito que está presente em praticamente todas as tradições religiosas dos povos antigos. Esse foi o conteúdo trabalhado na alegoria do Mestre Hiram, e explica seu assassinato pelos Jubelos. Esse é, na verdade, o segredo do grau de Companheiro.

Segundo a compilação feita por Ambelain, esse conto cabalístico seria o verdadeiro significado da Lenda de Hiram, o fundidor das colunas do Templo do Rei Salomão. Na verdade essa era uma lenda divulgada pelos cainitas,seita cristã gnóstica do século IV da nossa era, que foi montada a partir de uma interpretação cabalística dos textos bíblicos. Cremos ter sido essa alegoria que os chamados “maçons aceitos”, de origem rosacruciana, adaptaram para os rituais maçônicos de elevação ao terceiro grau simbólico. É no desdobramento dessa lenda que se assentam o simbolismo que faz de Hiram, o Mestre assassinado e regenerado em cada maçom que é exaltado á mestria, o ponto central da escatologia maçônica.
É, portanto, uma lenda que cheira, claramente á heresia, tendo em vista as tradições bíblicas que fazem de Cain um assassino, um símbolo do crime e do mal. Nela, ao contrário, Cain aparece como arauto da ciência, do saber, do conhecimento, e Adonai, o Senhor, nas tradições bíblicas, é, na verdade, inimigo do homem, pois quer mantê-los nas trevas da ignorância. 
O nome de Hiram, nas tradições cainitas, está conectado com a ciência, com o conhecimento dos segredos da natureza, com a energia que transforma os metais. Ele conhece, domina o fogo, transmuta os elementos. É uma lenda que serve tanto ás tradições alquímicas, cuja obra consiste na obtenção da pedra filosofal, sintetizando o processo pelo qual a natureza produz os elementos químicos, como á Cabala, prática esotérica que busca o segredo do universo através da síntese do número, (que corresponde ao Verdadeiro Nome de Deus); serve também ás tradições iniciáticas antigas, que procuram a integração dessa energia numa união final com Deus, o Principio Criador do universo; por fim, atende igualmente aos próprios anseios dos filósofos iluministas, religiosos ou não, que acreditavam na construção de uma sociedade justa e perfeita através de uma educação orientada para a prática das virtudes éticas e morais, já que para isso, era preciso criar um espírito novo, livre de preconceitos, dogmas e vícios deformadores do caráter humano( um renascimento cultural).
Tudo isso equivalia a uma “depuração” da alma pelos mesmos processos utilizados pelas sociedades iniciáticas. Os “homens novos” que dái resultariam ergueriam “templos á virtude e cavariam masmorras ao vicio”, construindo uma sociedade ideal, semelhante ás utopias sonhadas pelos filósofos.

OS JUBELOS

A lenda diz que surgiram três Companheiros invejosos e ambiciosos, que á força, quiseram arrancar de Hiram a palavra misteriosa que só os Mestres sabiam. Seus nomes eram Jubelo, Jubelas e Jubelum, claramente corruptelas dos nomes Jubal e Jabel, irmãos de Tubalcain, segundo a Bíblia. Eles trabalhavam como operários de segunda classe no Templo de Salomão. Pretendiam ascender ao mestrado na arquitetura sem ter cumprido os trabalhos e provas necessários para essa elevação. Assim, tentaram conquistar pela violência aquilo que só o mérito lhes poderia conferir. Emboscando o Mestre, cercando as três portas do Templo, os Jubelos exigem que o Mestre lhes dê a Palavra Sagrada. Hiram nega-se e tenta escapar. Com os instrumentos de trabalho, a régua de ferro, o esquadro e o malho, os Jubelos ferem o Mestre, sucessivamente, na garganta (calando-lhe a voz), no peito, (ofendendo-lhe o coração), e na cabeça, ( destruindo-lhe a razão). 

Após o crime tratam de fazer desaparecer o cadáver. Levam-no para o Monte Líbano e o enterram, fugindo depois, temerosos da conseqüência do seu ato. Salomão, notando a falta do seu arquiteto - chefe, envia três Mestres á sua procura. Nada encontrando, despacha outros nove, os quais topam com um local onde a terra tinha sido recentemente removida. Desconfiados, começam a remover a terra e logo encontram ali enterrado o corpo do Mestre Hiram. Marcam o local com um ramo de acácia e retornam para avisar o Rei Salomão. Trazido o corpo para o canteiro de obras do Templo, Salomão e seus Mestres lhe prestam as devidas homenagens e o fazem sepultar com as cerimônias ritualísticas apropriadas.

O termo Jubelos, como se disse, é uma designação que provavelmente foi inspirada nos descendentes de Cain, citados na Biblia, Jubal e Jabel, como já se disse anteriormente. Não conhecemos nenhuma outra tradição ligada a esses nomes, razão pela qual só podemos deduzir que tal inspiração só pode ser proveniente de associações com os personagens acima citados, que aparecem na variante gnóstica da Lenda de Hiram. 

O significado esotérico desse crime é aquele já referido, inspirado no Sepher-A-Zhoar. Os Jubelos são os rebeldes que se julgam os verdadeiros construtores, e querem, a todo custo ser ombreados aos seus superiores. Representam, simbolicamente, a Rebelião de Lúcifer, já que este, segundo a tradição cabalística, rebelou-se contra o Senhor porque queria que lhe fosse reconhecido o status de construtor,dado aos arcanjos chefiados por Miguel, mas não ao seu grupo.(1) Assim, na tradição maçônica, esses anjos rebeldes, que deram origem á estirpe de Cain, só poderão ser redimidos através do processo escatológico que representa o Drama de Hiram.

Mais importante que a interpretação esotérica desse drama, porém, é o significado moral dessa alegoria.O assassinato do Mestre Hiram simboliza a morte do homem pela violência e a ignorância dos tiranos. Com efeito, implantada a tirania, a primeira violência que se pratica contra o amante da liberdade é calar a sua voz, impedindo que ele se expresse. Depois, violenta-se-lhe o coração, ferindo- lhe os sentimentos, procurando destruir sua honra, seu nome, sua família, sua auto-estima, ao mesmo tempo que se lhe retira todo tipo de liberdade; por fim silenciam-no totalmente, ou pela ameaça da eliminação física, ou pelo próprio cumprimento da ameaça. Esse é o golpe fatal, na cabeça, que tira para sempre a razão, embora, como o Hiram da lenda, o homem assim violentado sempre ressurja, muito mais forte na razão que defendeu e no exemplo que deixou. Nessa alegoria está o cerne do catecismo maçônico, como o quiseram figurar seus elaboradores, egressos que eram de uma era de obscurantismo, tirania e violência contra o espírito humano. 
Esse episódio foi desenvolvido principalmente no catecismo preparado por Samuel Pritchard, denominado Massonry Dissected,de 1730. Ali se diz que o Templo de Salomão foi construído em sete anos e meio, mas seu remate foi perturbado pelo infausto acontecimento que foi a morte violenta do Mestre Hiram Abiff, o qual foi enterrado no interior da Loja, perto do templo. Essa lenda consta também dos Primeiros Catecismos Maçônicos já de uma maneira mais detalhada. 

A TEORIA DAS GUNAS

Uma outra analogia que pode ser feita com relação aos Jubelos e a morte do Mestre Hiram é a teoria védica das gunas. Literalmente, guna significa corda, e pode ser entendida como os modos pelos quais a psique humana é construída, em cada encarnação, para amarrar-nos á matéria.
Existem três gunas, ou cordas, que nos prendem ao mundo de maya (a matéria). São elas a Sattva (a guna da bondade), a Rajas (a guna da paixão) e a Tamas ( a guna da ignorância). O quanto estamos amarrados a uma delas é ditado pelo nosso modo de viver nas encarnações anteriores. Assim, um homem de vida dissoluta, entregue á preguiça, ás drogas, enfim, um homem de escasso desenvolvimento espiritual está amarrado ao modo de Tamas, a guna da ignorância. Por sua vez, um homem amarado á materia pela guna Rajas é um homem que só vive pelas paixões, pelo desfrute, pelos prazeres materiais. Todavia, o homem nessa condição já apresenta um certo desenvolvimento espiritual, pois a ânsia pelos prazeres, pelo reconhecimento, pelas riquezas, pelo prestigio social, despertam nele uma preocupação com a própria honra, com a aquisição de um certo refinamento intelectual, uma certa educação etc. Essa preocupação, se devidamente desenvolvida e orientada, possibilitará que ele renasça ao modo de Sattva, que é o modo da bondade, do conhecimento, da busca da elevação espiritual. Essa é a ultima etapa do desenvolvimento humano, porém não garante uma superação do processo kármico. O homem Sattva, se acreditar que atingiu um estágio de perfeição pode tornar-se por demais arrogante e pretencioso e, ao invés da superação natural que essa fase proporciona, involuir.
Ultrapassadas, entretanto, essas três etapas, o homem poderá iniciar o seu processo de purificação definitiva, livrando-se da Sansara, que é o longo processo de nascimentos e mortes, ou repetidas transmigações de um corpo para outro, a que a jiva (mente) é submetida no seu processo de desenvolvimento. 

A analogia da teoria das gunas com o simbolismo dos três Jubelos da Lenda de Hiram é que, no processo de desenvolvimento do espírito humano, as três gunas tem sido consideradas os três traidores do homem. A submissão da alma humana a uma delas a condena sempre a um nascimento em condição inferior. Ó objetivo de toda e qualquer disciplina de aperfeiçoamento espiritual deve ser a superação dessas três modalidades de gunas, transcendendo-as, liberando a mente de suas influências, para poder elevar-se acima das fatalidades kármicas. Note-se que o desenvolvimento do Drama de Hiram nos graus superiores do Rito Escocês tem justamente essa finalidade. Procura-se primeiro o reconhecimento da própria morte da “consciência”, representada pelo Mestre Hiram, depois busca-se descobrir, prender e justiçar seus assassinos, para, somente após sua destruição, adquirir a sabedoria que liberta. E ai, de posse da Gnose libertadora, está o irmão apto a procurar a Palavra Perdida, chave da vida e do conhecimento. 

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(1) Na tradição da Cabala, cada classe de anjo tem uma função na construção do universo. 

ESTE TEXTO FOI PUBLICADO NO LIVRO "CONHECENDO A ARTE REAL", PUBLICADO PELA MADRAS ED. SÃO PAULO, 2007.

João Anatalino



A (Verdadeira) Primeira Grande Loja


A FORMAÇÃO DA PRIMEIRA GRANDE LOJA DE MAÇONS
ALEMANHA 1250

Pelo Ir.´. Henning A. Klövekorn
Tradução José Antonio de Souza Filardo M .´. I .´.

Com a difusão do cristianismo por toda a Alemanha e a exigência de que bispos romanos erguessem catedrais, os colégios Maçônicos na Alemanha prosperaram. Geralmente designado como Steinmetzen ou Canteiros, estas fraternidades maçônicas levantaram igrejas e catedrais por toda a Europa continental. A sociedade de canteiros tinha dentro de si uma grande variedade de classes e ocupações. Estas incluíam Steinmaurer ou assentadores de pedras, Steinhauer ou cortadores de pedra, bem como Steinmetzen, uma palavra derivada de Stein ou pedra e Metzen, um derivado da palavra Metzel ou entalhador, uma arte mais detalhada e refinada que os cortadores de pedras. A construção de Bauhütten ou lojas situadas junto às igrejas em construção serviu como estúdio de projeto, local de trabalho e quarto de dormir.

Um dos mais antigos registros de lojas maçônicas se encontra na cidade alemã de Hirschau (agora Hirsau) no atual estado de Baden-Württenberg. As lojas Maçônicas instituídas na cidade de Hirschau no final do século 11 trabalhavam sob a ordem beneditina da Alemanha, e foram as primeiras a estabelecer o estilo gótico de arquitetura.


As Armas dos Franco Maçons da Alemanha

Já em 1149, as primeiras Zünftes alemãs ou sindicatos de pedreiros se desenvolveram em Magdeburg, Würzburg, Speyer e Straßburg. Em 1250, a primeira Grande Loja dos Maçons formou-se na cidade de Colônia (Köln), [i] Alemanha. A Grande Loja foi formada como parte do imenso empreendimento para erguer a catedral de Colônia.

O primeiro congresso maçônico ocorreu na cidade de Straßburg, na Alemanha no ano de 1275. Ela foi fundada pelo Grão Mestre Erwin von Steinbach. Este também foi o primeiro uso registrado do símbolo dos maçons, o compasso e o esquadro. Embora Straßburg fosse considerada a primeira Grande Loja de seu tempo, outras Grandes Lojas maçônicas já haviam sido fundadas em Viena, Berna e a acima mencionada de Colônia; estas foram chamadas Oberhütten ou grandes lojas. Diversos congressos maçônicos foram realizados na cidade de Straßburg, incluindo os anos 1498 e 1563. Nesta época, as primeiras Armas de Maçons registradas na Alemanha foram registradas representando quatro compassos posicionados em torno de um símbolo do sol pagão, e dispostos em forma de suástica ou roda solar ariana. As Armas Maçônicas da Alemanha também exibiam o nome de São João Evangelista, santo padroeiro dos maçons alemães.

A Oberhütte (Grande Loja) de Colônia, e seu grão-mestre, era considerada a cabeça das lojas maçônicas de toda a Alemanha do norte. O grão-mestre da Straßburg, na época uma cidade alemã, era chefe de Lojas Maçônicas de todo sul da Alemanha, Francônia, Baviera, Hesse e as principais áreas da França.

As Grandes Lojas de Maçons na Alemanha recebiam o apoio da Igreja e da Monarquia. O Imperador Maximiliano revisou o congresso maçônico de 1275 em Straßburg e proclamou a sua proteção ao ofício. Entre 1276 e 1281, Rudolf I de Habsburgo, um rei alemão, tornou-se membro da Bauhütte ou Loja de St. Stephan. O Rei Rudolf foi um dos primeiros não-operativos, também chamados membros livres ou especulativos de uma loja maçônica.

Os estatutos dos maçons na Europa foram revisados em 1459 pela Assembléia de Ratisbonne (Regensburg), a sede da Dieta Alemã, cuja revisão preliminar tinha ocorrido em Straßburg sete anos antes [ii]. As revisões descreviam a exigência de testar irmãos estrangeiros antes de sua aceitação nas lojas através de um método de saudação estabelecido (aparentemente internacional ou europeu).

A primeira assembléia geral de maçons na Europa ocorreu no ano de 1535, na cidade de Colônia, na Alemanha. Ali, o bispo de Colônia, Hermann V, reuniu 19 lojas maçônicas para estabelecer a Carta de Colônia, escrita em latim. As primeiras grandes lojas dos maçons estiveram presentes, o que era costume na época, e incluíam a Grande Loja de Colônia, Straßburg, Viena, Zurique e Magdeburg. A Grande Loja Mãe de Colônia, com o seu grande mestre era considerada a principal Grande Loja da Europa.

Após a invenção da imprensa, os maçons (Steinmetzen) da Alemanha, reuniram-se em Ratisbona em 1464 e imprimiram as primeiras Regras e Estatutos da Fraternidade de Cortadores de Pedra de Straßburg (Ordnung der Steinmetzen). Estes regulamentos foram aprovados e sancionados pelos Imperadores sucessivos, tais como Carlos V e Ferdinando.

O monge alemão Martinho Lutero e seu protesto contra as injustiças e hipocrisias da Igreja Católica em 1517 deram origem ao protestantismo. Isto liberalizou algumas das lojas maçônicas da época. A Catedral de Straßburg tornou-se Luterana em 1525 e muitas outras a seguiram.

Em 1563, os Decretos e Artigos da Fraternidade de Canteiros foram renovados na Loja Mãe em Straßburg no dia de S. Miguel. Estes regulamentos demonstram três elos importantes com a Maçonaria moderna. Em primeiro lugar, os aprendizes eram chamados de “livres” na conclusão do serviço a seu Mestre, o que sem dúvida é a origem da palavra Freemason ou “franco-maçom”. Em segundo lugar, a natureza fraternal da loja era retratada em uma série de regulamentações, tais como o atendimento aos doentes, ou a prática de ensinar um irmão sem cobrar, nos termos do artigo 14. Em terceiro lugar, os maçons utilizavam um aperto de mão secreto como meio de identificação.

Dois artigos do regulamento indicando estes pontos são:

“Nenhum Mestre ensinará um companheiro por dinheiro.

XIV. E nenhum artesão ou mestre aceitará dinheiro de um colega para mostrar ou ensinar-lhe qualquer coisa relacionada com maçonaria. Da mesma forma, nenhum vigilante ou companheiro mostrará ou instruirá qualquer um por dinheiro a talhar, conforme dito acima. Se, no entanto, alguém desejar instruir ou ensinar outro, ele pode muito bem fazê-lo, uma mão lavando a outra, ou por companheirismo, ou para assim servir ao seu mestre.

LIV. Em primeiro lugar, cada aprendiz quando tiver servido o seu tempo, e for declarado livre, prometerá à ordem, pela verdade e sua honra, ao invés de juramento, sob pena de perder o seu direito à prática da maçonaria, que ele não divulgará ou comunicará o aperto de mão e a saudação de pedreiro a ninguém, exceto àquele a quem ele pode justamente comunicá-las, e também que ele não escreverá coisa alguma sobre isso” [iii].

As regras de Straßburg estipulavam que a entrada na Fraternidade era por livre vontade e indicava claramente os três graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre na fraternidade maçônica alemã. Elas exigiram que se fizesse um juramento e que os pedreiros se reunissem em grupos chamados ‘Kappitel’ (Capítulo). As regras instruíam os maçons não ensinar Maçonaria a não-maçons.

Está claro que as lojas ou grandes lojas maçônicas alemãs existiam antes da formação da Grande Loja de Inglaterra em 1717. Assim como o uso de apertos de mão secretos, o uso do termo “livre” e sua aceitação de não-operativos. O uso de alegoria e simbolismo em camadas, que torna exclusivo o sistema maçônico fraternal, também era evidente nas lojas alemãs da época, conforme mostrado nas esculturas de pedra e estilos arquitetônicos das igrejas e mosteiros que eles construíram.


A partir da página Web http://www.klovekorn.com:

O 99º of Freemasonry apóia a teoria de que a semente da Maçonaria moderna, não estava ligada aos Cavaleiros Templários ou à maçonaria inglesa, mas originou-se com as instituições maçônicas da Alemanha, que por sua vez, tinham recebido os seus conhecimentos maçônicos de organizações maçônica mais antigas. Esta afirmação é suportada através de sete pontos principais de prova.

Que o Manuscrito Régio, o mais antigo texto maçônico (reconhecido) sobrevivente na Grã-Bretanha, faz referência aos quatro mártires coroados, que estão inequivocamente relacionados com a lenda dos maçons sob o Sacro Império Romano de Nação Germânica, uma tradição maçônica que teve origem na Alemanha e não na Grã-Bretanha.

A existência e o mais antigo uso registrado do esquadro e compasso ( sinal fraternal da Maçonaria) nas Armas dos Corpos Maçônicos Alemães.

A existência de instituições maçônicas altamente organizadas (Steinmetzen) na Alemanha no século 13, tais como a Grande Loja (Oberhütte) de Straßburg e Köln, e diversas lojas maçônicas subordinadas, que não só trabalhavam em pedra, mas também incluíam ensinamentos alegóricos maçônicos dentro de suas guildas.

A eleição de um Grão-Mestre dos Maçons no século 13 e a criação de graus de aprendizes, companheiros e mestres pedreiros na Alemanha no século 12 e anteriormente.

O estabelecimento de Estatutos e Regras impressos da Ordem Maçônica na Alemanha antes da criação de estatutos maçônicos escritos na Grã-Bretanha.

A inclusão de membros não-operativos (ou especulativos), tais como o Rei Rodolfo I em lojas maçônicas na Alemanha no século 13.

A primeira exigência em grande escala registrada de que lojas maçônicas utilizassem um método secreto de saudação e de ‘aperto de mão’.

O 99º of Freemasonry também analisa o uso do compasso e esquadro como símbolos alegóricos morais de maçonaria em obras de arte dentro da cultura alemã do período, mais uma prova da filosofia maçônica dentro da cultura alemã e da Europa continental neste período.

Embora muitos maçons tenham sido condicionados a aceitar que as origens da Maçonaria partem da Inglaterra ou da Escócia, pois as grandes organizações maçônicas modernas atuais estão profundamente interligadas dentro desta área geográfica, o 99º of Freemasonry lança nova luz sobre a história maçônica, e insta, se não inspira os leitores a olhar para o continente europeu como a grande semente da Maçonaria.

Clique em CONSTITUIÇÃO DOS MAÇONS DE STRASBURG – 1459 para fazer o DOWNLOAD


[I] Rebold, Emmanuel & Fletcher, Brennan J (Ed), História Geral da Maçonaria na Europa – com base em documentos antigos relativos a, e monumentos erguidos por esta fraternidade, desde a sua fundação no ano 715 aC até o presente momento, Cincinnati, publicado pela Geo. B Fessenden 1867, reimpressão por Kessinger Publishing EUA.

[Ii] Naudon, Paul, A História Secreta da Maçonaria – Suas Origens e Conexões com os Cavaleiros Templários. EUA. Traduzido por Jon Graham. Inner Traditions, Rochester, Vermont, Copyright 1991 de Editions Dervey, Tradução para Inglês- copyright 2005 por Inner Traditions International. Originalmente publicado em francês sob o título “Les origins de la Franc-Maçonnerie, Le sacre le métier, Paris. ISBN 1-59477-028-X, pag 6. pag 174.

[Iii] Gould, Robert Freke, A História da Maçonaria, suas antiguidades, símbolos,Constituições, Costumes, etc. Volume 1 T.C. & E. C. Jack, Grange Publishing Works, Edinburgh, pag. 122.






O DNA da Maçonaria – As Companhias de Libré


Companhia de Libré
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
Tradução – José Antonio de Souza Filardo

As 108 companhias de libré são nominalmente associações comerciais com base na Cidade de Londres, quase todas conhecidas como “Venerável Companhia dos” profissionais ou profissão relevante. As companhias medievais de libré se desenvolveram originalmente como guildas e eram responsáveis ​​pela regulamentação de suas atividades, controlando, por exemplo, salários e condições de trabalho. Até a Reforma , elas estavam intimamente associadas a atividades religiosas, nomeadamente de apoio a capelas e igrejas e à realização de cerimônias, principalmente dramatizações de mistérios.

Algumas companhias de libré continuam a ter um papel profissional de hoje (por exemplo, os Escrivães admitem membros provectos dessa profissão, a Venerável Sociedade dos Farmacêuticos concede qualificação de pós-graduação em algumas especialidades médicas, e a Venerável Companhia dos Cocheiros de Carruagens Hackney é composta por aqueles que passaram “o conhecimento” e são motoristas de táxi licenciados de Londres). Outras Companhias de Libré tornaram-se puramente fundações de caridade (Por exemplo, os Fabricantes de Arcos ). A maioria das companhias de libré, particularmente aqueles formadas nos últimos anos, são organizações essencialmente sociais e beneficentes. As companhias de libré ativas desempenham um papel importante na vida social e na rede social da cidade de Londres, e têm uma longa história de mecenato cultural, e controle da Corporação da Cidade de Londres (Que ainda funciona como uma Autoridade Local, com amplos poderes de governo local).

Após o Fabricantes de Leques terem se estabelecidos em 1709 (e posteriormente recebido uma libré em 1809), nenhuma nova companhia formou-se por mais de 100 anos, até os Mestres Navegantes em 1926 (libré em 1932). As companhias posteriores a 1926 são chamados companhias de libré modernas.
Formada em 1999, a Companhia de Profissionais de Segurança tornou-se uma companhia de libré em 19 de Fevereiro de 2008, quando o Tribunal de Representantes da Corporação da Cidade de Londres aprovou o Pedido de Libré. Nos últimos anos, muitas profissões (tais como advogados e contabilistas) estabeleceram novas guildas, com o objetivo obter uma libré e a mais recente é a de consultores fiscais (formados como uma guilda em 1995 e obtiveram libré em 2005). A partir de 2008 existem dois corpos antigos, a Venerável Companhia dos Clérigos de Paróquia e A Companhia dos Meteorologias e Faroleiros que, por razões históricas, são reconhecidas Companhias da Cidade sem Libré, enquanto que três outras guildas (Companhia de Educadores, Profissionais de Relações Públicas e Especialistas, Negociantes e Colecionadores de Arte) pretende obter uma concessão de libré.


Conteúdo 


Governança

As companhias de libré são dirigidas por um Mestre (conhecido em algumas companhias como Primeiro Vigilante ou Bailio), alguns Vigilantes (que podem ser conhecidos como Superior, Médio, Baixo ou Locatário), e um Tribunal de Assistentes, que elege Mestre e os Vigilantes. O diretor operacional da companhia conhecido como o Caixa.

Os membros geralmente caem em duas categorias: homens livres e homens de libré . A pessoa pode se tornar um homem livre, ou adquirir a “liberdade da companhia”, atendendo aos critérios da companhia: tradicionalmente, a pessoa pode ser admitida por “patrimônio”, se qualquer um dos pais foi um “homem de libré” da companhia; por “servidão”, se serviu o número necessário de anos como aprendiz da companhia, ou por “redenção”, se pagar uma taxa. (A companhia pode também votar para admitir indivíduos como homens livres honorários). Os homens livres geralmente progridem para se tornarem homens de libré por meio de voto do tribunal da companhia. Historicamente, só os homens de libré podiam participar na eleição do Lorde Prefeito da Cidade de Londres , os xerifes , e os outros funcionários tradicionais da cidade.

Sedes ou Salões de Libré

Muitas companhias ainda tem um salão, onde os membros e seus convidados podem se divertir e onde os negócios da companhia são realizados. Entre as primeiras companhias conhecidas que tinham sedes eram os Mercadores Alfaiates e Joalheiros no século 14, mas nem os seus salões, nem de outras companhias originais permaneceram; os poucos sobreviventes do Grande Incêndio, juntamente com muitas reconstruções, foram destruídos durante os bombardeios da II Guerra Mundial . Hoje, apenas cerca de 40 companhias têm sedes em Londres, que estão normalmente disponíveis para eventos empresariais e sociais, tais como reuniões comerciais e da sociedade e jantares, a mais antiga Sede sobrevivente hoje é a da Venerável Sociedade dos Farmacêuticos, datada de 1672. Companhias que não possuem sua própria sede normalmente pede emprestada uma das instalações de outras companhias para ocasiões sociais, ou compartilham instalações em base semipermanente, como a Venerável Sociedade de Fabricantes de Óculos, compartilhando a sede parcialmente com os Farmacêuticos. Uma companhia de Libré (o Vidraceiros) tem sua sede na margem sul do rio Tâmisa na Ponte de Londres, e está tecnicamente fora da Cidade de Londres.

Precedência
Em 1515, o Tribunal de Vereadores da Cidade de Londres definiu uma ordem de precedência para as quarenta e oito companhias de libré então existentes, que era baseada no poder econômicas ou político das companhias. As doze primeiras companhias de libré são conhecidas como as Grandes Doze Companhias de Libré da City . Existem hoje 108 companhias de libré, algumas de formação recente, assim a Ordem de Precedência às vezes é revista.

Os Alfaiates e os Peleteiros sempre disputaram sua precedência, assim uma vez por ano (na Páscoa ) eles trocam o sexto e sétimo lugares entre si. Essa alternância é uma das teorias para a origem da frase “a seis e setes“, como o Mestre dos Mercadores Alfaiates tem afirmado várias vezes, embora a primeira utilização da frase pode ter sido antes que os Alfaiates e Skinner decidissem alternar suas posições. [1] Ambas as companhias foram fundadas antes do nascimento de Chaucer, que foi uma das primeiras pessoas a usar a frase, por isso ela pode ser datada de antes dele.

3.1 Lista de Companhias de libré, na ordem de precedência

1. The Worshipful Company of Mercers (Comerciantes em Geral)
3. The Worshipful Company of Drapers (Comerciantes de Lã e Tecidos)
6. The Worshipful Company of Merchant Taylors (Alfaiates) (alterna-se com os Peleteiros)
7. The Worshipful Company of Skinners (Peleteiros) (alterna-se com os Alfaiates)
11. The Worshipful Company of Vintners (Comerciantes de Vinho)
17. The Worshipful Company of Barbers (Barbeiros, cirurgiões e dentistas)
22. The Worshipful Company of Armourers and Brasiers (Fabricantes de Armaduras e artigos de latão)
23. The Worshipful Company of Girdlers (Fabricantes de cintos e bainhas de espadas)
27. The Worshipful Company of Cordwainers (Trabalhadores em Couro)
29. The Worshipful Company of Curriers (Fabricantes de Couro)
33. The Worshipful Company of Founders (Metalúrgicos)
36. The Worshipful Company of Coopers (Fabricante de Barril)
38. The Worshipful Company of Bowyers (Fabricantes de Arcos)
39. The Worshipful Company of Fletchers (Fabricantes de Flechas)
41. The Worshipful Company of Joiners and Ceilers (Carpinteiros e Marceneiros)
44. The Worshipful Company of Scriveners (Escrivães e Notários)
46. The Worshipful Company of Plaisterers (Profissionais de Gesso)
48. The Worshipful Company of Broderers (Profissionais de Bordado)
49. The Worshipful Company of Upholders (Profissionais de Estofamento)
51. The Worshipful Company of Turners (Torneiros)
55. The Worshipful Company of Farriers (Fabricantes de ferraduras e veterinários de cavalos)
56. The Worshipful Company of Paviors (Pavimentadores de Estradas)
57. The Worshipful Company of Loriners (Fabricantes de Arreios)
58. The Worshipful Society of Apothecaries (Médicos e Farmacêuticos)
63. The Worshipful Company of Feltmakers (Fabricantes de Chapéus)
70. The Worshipful Company of Pattenmakers (Fabricantes de Tamancos)
74. The Worshipful Company of Gold and Silver Wyre Drawers (Fabricantes de Fios Trançados para Uniformes)
78. The Honourable Company of Master Mariners (a primeira das companhias no século XX)

3.2 Companhias da Cidade Sem Concessão de Libré


Ambas não têm a intenção de se candidatar à Libré devido ao antigo status e costume.

Uma guilda reconhecida pelo Tribunal de Vereadores como uma ‘Guilda de Londres” solicita ao Tribunal para se tornar “uma companhia sem libré.” Após um período de alguns anos, a Companhia pede ao Tribunal o status de Libré, altura em que ela adota o nome de “Venerável Companhia ” dos ….
3.3 Outras guildas visando obter uma concessão de Libré

A Natureza da Maçonaria


José A. Filardo M.´. I.´.

Em nossa série de artigos e pesquisas publicadas na Revista, procuramos esclarecer as influências e antecedentes da formação da Instituição que conhecemos hoje como Maçonaria.

Primeiro, em https://bibliot3ca.wordpress.com/a-verdadeira-primeira-grande-loja/ procuramos mostrar o que era aMaçonaria Operativa na Europa, como o principal elemento que informa nossa estrutura e simbologia.

Depois, mostramos o que eram as Guildas inglesashttps://bibliot3ca.wordpress.com/607-2/ também chamadasCompanhias de Libré.

Depois, particularizamos uma das guildas – A guilda dos Stonemasons – https://bibliot3ca.wordpress.com/o-dna-da-maconaria-a-companhia-dos-macons/ vez que tudo indica ter sido nela que nossos fundadores se basearam para estruturar a nova instituição.

Em nossas pesquisas, entretanto, topamos com uma informação crucial sobre o ambiente político da época que pode ter determinado a constituição da primeira grande loja e sua difusão a partir dai – O Riot Act de 1715. https://bibliot3ca.wordpress.com/dna-da-maconaria-por-que/

Controle social

Em nosso post sobre o Riot Act, desenvolvemos a teoria de que a Maçonaria representou uma reação ao ambiente opressivo e ditatorial existente na época que submetia os cidadão britânicos à ameaça de pena capital caso se reunissem.

Quem dera…

É preciso lembrar e ter em mente que a Inglaterra, desde 1533, com um breve intervalo no reino de Maria Stuart (1553 – 1558) era um país protestante e é lícito afirmar que os reverendos Desagulliers e Anderson gozavam de prestígio junto a Casa de Hanover. Também não se pode esquecer a tensão existente entre católicos e protestantes, o que fazia da religião uma expressão de divergências políticas, uma vez que os Jacobitas eram católicos e os Hanoverianos protestantes.

O Riot Act de 1715, medida draconiana não estabelecia exceções. Simplesmente suspendeu o direito de reunião e provocou uma situação de opressão a que os ingleses não estavam acostumados. E, naturalmente, o descontentamento aumentou.

Acresça-se o fato de que a situação que provocou a edição do Riot Act perdurou pelos próximos 30 anos, até que os Jacobitas finalmente perderam força e se conformaram.

Mas, como fazer para legalizar o direito de reunião de forma limitada e somente entre escolhidos?

Os estrategistas da Coroa logo acharam uma saída brilhante. Uma organização disciplinada na qual a discussão política e religiosa estava proibida. Como alternativa, oferecia discussões sobre o sexo dos anjos e outras discussões importantíssimas sobre simbolismo e tradição esotérica, que mudavam o rumo da conversa e satisfaziam o anseio dos ingleses pelo direito de reunião.

Isso transforma os pastores protestantes Desagulliers e Anderson em agentes de um governo que oferecia uma liberdade limitada à parcela pensante da sociedade inglesa.

Moldaram a instituição a partir de uma tradição de longa data, aMaçonaria Operativa que na Inglaterra eram as Companhias de Libré https://bibliot3ca.wordpress.com/607-2/ herdeiras da fase operativa das guildas; eles formataram o espaço de reunião com base na estrutura do plenário da Câmara dos Comuns (dando com isso, a sensação aos maçons de que participavam de importantes discussões)


Planta da Casa dos Comuns no Parlamento Britânico

e agregaram uma instituição caríssima dos ingleses – O Clube de Cavalheiros – que surgira havia pouco tempo (1693),

Gentlemen 

da qual aproveitaram o sistema de votação com bolas pretas e brancas e a regra da admissão exclusivamente masculina.

“Não podemos mais duvidar que as Lojas Maçônicas que surgiram em 1717 eram nada mais que um novo tipo de Clube: o livro das Constituições afirma que os novos iniciados encontravam em uma loja um relaxamento seguro e agradável do intenso estudo ou pressa dos negócios, sem política ou partido.” (Cramer, B. – The Origin of Freemasonry – AQC vol 2, p. 106)

Através da proibição da discussão de política e de religião nas lojas eles desarmaram os espíritos e “enquadraram” os descontentes ou potencialmente descontentes, evitando assim o agravamento da crise jacobita.

Também parece ter sido a agenda deles sabotar a igreja católica, pois eram protestantes hanoverianos. Atacaram simultaneamente os dois pontos mais importantes do ambiente político de seu tempo, a Política e a Religião.

A reação jacobita surgiu por meio do conflito entre Antigos e Modernos. Esse conflito, embora se desse em termos de divergências ligadas à constituição maçônica e o aspecto da religião dos maçons, ele mascarava os interesses de Protestantes e Católicos. O recuo dos Modernos foi evidentemente um recuo tático que alavancou a difusão da nova instituição.

Não tardou também a reação da Igreja Católica à evidente intenção da nova instituição de combater o obscurantismo e o domínio da igreja sobre a sociedade da época. Há que se considerar que do ponto de vista papal, a Inglaterra fugia totalmente do controle da Igreja desde Henrique VIII (1533) e a maçonaria era uma ameaça enorme à sua autoridade. Precisava impedir sua difusão entre os seus clientes.

O Papa Clemente XII, em 1738, emitiu a bula papal que excomunga os católicos que se tornem membros da Maçonaria. Esta sentença é válida até nossos dias, apesar dos alienados maçons americanos e alguns ingleses se apegarem à carta do Cardeal Sepe que tentava relativizar a excomunhão e pretendem que a maçonaria americana não se enquadra na hipótese da bula, visto que não conspira contra a Igreja. Mas, diversos papasreiteraram a excomunhão, inclusive o atual Benedito XVI.

A esperança dos maçons que professam o catolicismo é vã. A excomunhão nunca será levantada, pelo simples fato de que a igreja tem como dogma a infalibilidade papal, e a revogação de uma bula significaria admitir que o Papa Clemente XII estava errado.

Igreja e Maçonaria são, de fato, duas faces da mesma moeda. Uma tem o dogma da infalibilidade papal e a outra tem o Landmark #25 de Mackay, segundo o qual nada pode ser mudado na instituição.

Mas, há uma diferença fundamental. A Maçonaria é a igreja sem a superstição e procura salvar o corpo físico humanidade usando a razão, enquanto que a santa madre diz querer salvar a alma manipulando o medo e usando a ignorância.

Assim, a Igreja continua controlando a sociedade através do confessionário, enquanto a Maçonaria o faz através do comportamento dos maçons e das lojas e aumentando seus quadros com o recrutamento da elite dominante da sociedade. São duas instituições complementares que o Establishment utiliza para o controle social. Aqueles que fogem ao controle da Santa Madre Igreja e se refugiam na Maçonaria são igualmente controlados.

Os agentes da Coroa Inglesa que montaram a Maçonaria procuraram deixa-la o mais abrangente possível, cobrindo assim toda uma gama de preferências religiosas e assegurando seu domínio.

Eram homens de seu tempo, mas demonstraram uma extraordinária perspicácia.

Não ousaram, todavia, realizar o que somente mais tarde os franceses – tradicionais iconoclastas – fizeram: dispensar a divindade. Para os ingleses – e eles estavam absolutamente corretos em sua análise – um ateu não pode ser maçom. E a razão é muito simples: se alguém é capaz de negar o limite máximo, será capaz de negar qualquer coisa. Logo, é um indivíduo livre e incontrolável. Não serve para a maçonaria. Ela precisa de conformistas.

Um exemplo recente (1929) desse controle social é evidenciado pelo texto sobre a loja New Welcome 5139, publicado em http://fm4cats.wordpress.com/apendice-2-a-loja-new-welcome-n%C2%BA-5139/.

Em resumo, trata da criação de uma loja especialmente para membros do Partido Trabalhista inglês, porque o Grão Mestre – o Príncipe de Gales – era de opinião que os membros e funcionários do partido estavam recebendo bola preta em seus pedidos de ingresso na Maçonaria.

Até ai, tudo bem, uma oportunidade está sendo oferecida a quem dela precisa e lhe está sendo negada.

O que fica interessante é o final do texto do Irmão Sir Rockliff:

“Além disso, os promotores sentem fortemente que a Maçonaria exerceria uma influência estabilizadora (“como cidadãos do mundo”) sobre aqueles que são trazidos para dentro dela e ajuda a tornar inoperante qualquer influência perturbadora que possa existir no trabalho em fábricas e em outros lugares.

Os homens que compõem a principal associação de lojas do exército e da marinha pertencem às classes industriais, e eles fizeram um juramento de fidelidade.

Espera-se imbuir em seus colegas civis o mesmo espírito de lealdade por meio da Loja da Cidadania”. (Grifos meus)


(Nota: Loja de Cidadania foi o nome inicialmente dado à loja e posteriormente mudado para New Welcome.)