domingo, 28 de junho de 2015



A Serpente e Reais Origens da Maçonaria


Philip Gardiner

Tradução – José Antonio de Souza Filardo M.´. I.´.

Abraão o pai israelita da humanidade e Hiram dos maçons, são um só e o mesmo, e ambos estão baseados nos adoradores de serpentes com antecedentes da Naja Indiana ou deidade serpente. Uma grande afirmação, mas algo que não estou sozinho ao fazê-lo.

Flavius Josephus disse em sua História dos Judeus:

“Estes Judeus são originários dos filósofos hindus, seu nome Calani foi dado pelos indianos”.

Megastenes, enviado à Índia por Seleucus Nicator, também disse que os Judeus eram chamados de “Kalani” e que eles eram uma tribo indiana.

Clearcus de Soli disse: “Os judeus descendem de filósofos da Índia. Os filósofos são chamados de Calanianos na Índia e na Síria de Judeus. O nome de sua capital é muito difícil de pronunciar. Ela é chamada de Jerusalém”.

Se Abraão como pai da raça judia é, portanto uma figura lendária na Índia, então que é ele? E ele existiu realmente? Chegou a hora de incomodar os tradicionalistas.

A personagem óbvia para um Abraão indiano é Brahma (A-Brahma) que tem uma consorte e irmã chamada Saraisvati [1] que é surpreendentemente semelhante ao nome da esposa bíblica de Abraão – Sarai. Na verdade, diz-se que Abraão aprendeu seu ofício em Ur (a ‘Ur dos caldeus’ na Bíblia que se diz ser na antiga Suméria), que é muito próxima à fronteira da Pérsia, estando na rota para a Índia.

Também é um fato que o nome de Brahma se espalhou por toda esta área, tanto que os Persas até o adotaram com uma de suas deidades. Assim, exatamente na área onde se diz que Abraão aprendeu seu oficio sacerdotal, é exatamente a área em que o Brahma indiano estava se espalhando e sendo reverenciado. O que mais podemos encontrar dentro desta área dos Caldeus?

Os Caldeus eram chamados de Kaul-Deva e eram uma casta sacerdotal vivendo, entre outros lugares, no Afeganistão, Cachemira e Paquistão. (Kaul-deva significando Calani Brilhante, daí estes eram os iluminados Brilhantes, um grupo que remonta à antiga Suméria, e descrito em meu livro Os Iluminados).

Assim, Abraão/Brahma aprendeu seu oficio entre os Caldeus, que eram uma casta sacerdotal relacionada com o sub-continente indiano e eram os sacerdotes brilhantes ou almas iluminadas. Com relação a isto então, Abraão era simplesmente um título dado ao alto sacerdote ou Senhor da seita de Brahma. Mas, se, como no antigo Egito, ele precisava espelhar a vida dos deuses, então ele também precisava de uma esposa/irmã. O fato de que Saraivaty era tanto a consorte quanto irmã de Brhama, também está relacionado com a narrativa bíblica de Abraão.

“Mas ela na verdade é minha irmã. Ela é a filha de meu pai, mas não filha de minha mãe; e ela se tornou minha esposa”.(Gênesis 20:12.)

O mesmo padrão de Gnose oculta se tornaria mais tarde parte do mito de Maria/Jesus. As complexas reviravoltas que modernos escritores como Dan Brown em o Código Da Vinci parecem ter criado para explicar a natureza aparentemente peculiar do relacionamento de Jesus com Maria a mãe e Maria Madalena são realmente surpreendentes. Na verdade é muito simples.

Como Sarai é Saraisvati, ela também é Isis, a maior das deusas egípcias. Maria também é uma duplicata de Isis. Você vê Isis era consorte de Osisiris, daí o papel de esposa. Ela era, portanto, a mãe de Horus, o Salvador – daí a mãe de deus. Mas Horus era Osíris reincarnado e assim Isis também era sua irmã. Maria a Mãe, Maria Madalena a amante/consorte e Maria de Betânia a irmã eram realmente e verdadeiramente os aspectos ocultos de uma tradição gnóstica muito mais antiga que não tem absolutamente nenhum elemento literal! As três Marias são na realidade três aspectos de um princípio feminino – a trindade feminina.

Naturalmente, podemos nos encontrar em dificuldade aqui, pois em nenhum lugar é declarado que Maria de Betânia era irmã de Jesus. Mas, diz-se que Maria de Betânia era a irmã de Lázaro, a quem Jesus levantou dos mortos, ou mais pertinentemente era Jesus, que se levantou entre os mortos.

Você vê em mitologia egípcia, era o papel do filho de Deus e Salvador, Horus, levantar seu pai, Osíris, dos mortos e em um certo sentido ressuscitar, assim como Horus era Osíris ressuscitado.

Entretanto, Lázaro e Osíris são nomes distintamente diferentes e, portanto, não podem ser relacionados. Quão errado é isso, entretanto, embora exista muito debate sobre a etimologia exata, muitos acreditam que existe um vínculo comprovado. Como?

A designação egípcia antiga para Osíris era Asar ou Azar. Agora, quanto os egípcios falavam de seus deuses, eles os indicavam com “o” e assim ele teria sido “o Azar”. Este termo “o” também significava Senhor ou Deus, como a palavra grega para deus The-os ou Theos. Uma das formas hebraicas para deus era El e era aplicada a seus muitos deuses, por exemplo, El-shaddai ou El-hoim. Assim, quando os escritores hebreus incluíam Osíris em seus mitos eles o colocavam como El-Azar. O Senhor Osíris. Isto, na tradução latina foi mudado para El-Azar-us. Este uso do “us” era a maneira como nomes masculinos terminavam na linguagem romana. Na verdade em árabe Lázaro ainda é grafado com El-Azir, daí faltando o “us”. Assim temos agora El-Azar-us, que se reduziu para Lazarus. Dessa forma, o Egípcio ou deveríamos dizer um mito muito mais antigo se torna a verdade literal do registro bíblico.

Horus, portanto, levantou “El-Asar-us” ou “El-Osiris” dos mortos, exatamente como o Cristo levantaria “Lazarus”. A própria história é uma alegoria do deus-sol Osíris sendo renascido, mas, no entanto nos dá o marcante fato de que Maria de Betânia como irmã de Lazarus, era em realidade literária e esotérica, a irmã de Jesus.

E assim, como achamos que Jesus e Maria eram, na realidade, baseados em uma mitologia egípcia muito mais antiga, que remonta até mesmo à antiga Suméria, também achamos que a história de Abraham e Sarai não é diferente. No Corão (6:75) encontramos que o pai de Abraham era chamado Azar (Osíris) e assim Abraão era Horus, exatamente como Jesus era Horus. Em seguida, também descobrimos (Lucas 16:22-25) que o próprio Lázaro descansava no seio de Abraão, assim como Osíris como deus manco, repousava nos braços de seu filho ressuscitado.

E foi este Abraão, este Brahma ou Osíris, que se diz ter gerado os Filhos de Israel. Vamos dar uma olhada nos filhos de Abraão e ver se podemos revelar a linhagem oculta da serpente ou segredos da serpente que encontramos em outros lugares no Graal da Serpente.

O filho de Abraão, Ismael, com Hagar sua serva, também teve filhos que viveram na Índia, ou Havilah (terra de serpentes), como está no Gênesis. Ambos filhos famosos de Abraão, Ismael e Isaac têm nomes que remetem à adoração daquela deidade serpente hindu, Siva [2]

Ismael é Ish-Maal em Hebraico, e em Sânscrito, Ish-Mahal significa ‘Grande Siva.’ Isaac é Ishaak em Hebrew, e Ishakhu em Sânscrito, que significa ‘Amigo de Siva.’ Mais surpreendente de tudo é o próprio nome de Abraão, que poderia significar que Abraão era nada mais que um Rei Naga Ab Ram, que significa realmente ‘serpente adorada.’

Hiram, o famoso construtor maçônico e bíblico de Templos era Ahi-Ram e, chegou a hora de dar uma olhada nesta personagem mítica.

Hiram e o Templo

Hiram de Tiro, of filho de mãe judia e um pai fenício é creditado com a decoração do fabuloso Templo de Salomão. Diz-se que ter sido o “filho de uma viúva da tribo de Naftali … ele fundiu dois pilares de bronze” 1 Reis 7:13-15.

O padrão da Tribo de Naftali, de acordo com a tradição judaica é uma serpente ou basilisco, e isso poderia ter vindo da estadia judaica no Egito, conforme declara a tradição judaica que Naftali era o irmão de José escolhido para representar a família ao Faraó. Diz-se também que Hiram era um filho da Tribo de Dan (Crônicas, 11) e mesmo a tribo de Dan tem um emblema que era a serpente e o cavalo. Bárbara Walker, na Enciclopédia de Mitos e Segredo da Mulher observa:

“Escritores do Antigo Testamento não gostam dos Danitas, a quem chamavam de serpentes (Gênesis 49:17). Não obstante, eles adotaram Dani-el, ou Daniel, um deus fenício da adivinhação, e o transformaram em um profeta hebreu. Seus poderes mágicos eram como aqueles dos Danitas emanando da Deusa Dana e suas serpentes sagradas… Daniel não era um nome pessoal, mas um título, como o Celta”.

Aqui temos uma conclusão distinta, de que o Daniel da Bíblia está relacionado exatamente com a mesma deusa Danu ou Dana da Europa Celta e que esta deusa está conclusivamente relacionada com serpentes neste caso o signo astrológico serpens conforme adorado pelos Danitas. Também temos confirmação de que o povo judeu coletou seu sistema de crenças daqueles ao redor deles. Até aí, como pudemos reunir, eles mesclaram crenças da Índia, Egito e agora Fenícias em seu próprio sistema em evolução.

De acordo com o livro de Crônicas, este filho de Dan, Hiram, era um homem esperto, dotado de entendimento e hábil no trabalho com ouro, prata, latão, pedra e madeira. Credita-se a ele também certas ferramentas que podiam quebrar pedras. De acordo com o livro dos Reis, o templo foi preparado em pedra antes que fosse trazido ao local sendo algo como um edifício pronto ou pré-fabricado. Foi dito que nem martelo nem machado ou qualquer ferramenta de ferro foi usada no edifício. Então, como foi construído? Pelo menos simbolicamente?

Bem, em Exodus, Moisés é instruído a construir um altar ao Senhor sem ferramentas, ou ele o poluiria, e parece ser o mesmo simbolismo utilizado aqui na construção do tempo. De acordo com ensinamentos rabínicos, a pré-fabricação foi realizada pelo Shamir, um verme ou serpente gigante que podia cortar pedras. Não diferente de crenças Nórdicas e Celtas onde o Valhalla e Camelot foram construídos com o fogo do dragão. De acordo com relatos islâmicos de Rashi e Maimonides, o Shamir era uma criatura viva. Isto é dificilmente provável, a menos que entendamos esta criatura como sendo nós mesmos. Na verdade, o que é mais provável é que a idéia da sabedoria do “verme” (que evoluiu da palavra “orm” para serpente) ou serpente, Shamir, era usada na construção do Templo simbólico do homem – uma crença Gnóstica. [3]

Fantasiou-se que aquela Naga ligada à serpente escapou de sua terra e alcançou esta sabedoria profunda e aparentemente arquitetural fora de lá. Esta vinculação dos princípios esotéricos e subjacentes de auto-iluminação manifestados aqui em simbolismo arquitetural eventualmente deu origem à moderna Maçonaria.

Os ‘deuses arquitetos’, como Thoth ou Hermes estão fortemente ligados à sabedoria da serpente, como descobrimos no Graal Serpente. Outras referências também ligam Shamir à serpente, tais como o Testamento de Salomão, que a chama de uma “pedra verde” como O Tablete de Esmeralda [4], que obviamente oferece mais evidência de Shamir ter sido sabedoria de serpente.

Voltando a Hiram, descobrimos que o nome Hir-Am significa realmente ‘cabeça exaltada do povo’: (hir= cabeça, exaltado, Am=povo) e está intimamente relacionado com Abraão (Ab Hir Am).

Mas, ele também tem outro significado mais revelador.

Ahi-Ram na verdade significa ‘serpente exaltada’. Assim, em qualquer dos significados, Hiram era a ‘cabeça exaltada’ ou ‘serpente’, ambos significados sendo primordiais pra a descoberta da evolução do culto da serpente e crenças religiosas subjacentes – a mistura dos opostos dentro da própria cabeça, conforme demonstrado em O Graal Serpente.

Também se acreditava que Hiram (de acordo com David Wood em seu livro, Gênesis) seria descendente de Caim, via Tubalcaim, de quem se dizia ser o único sobrevivente da “raça superior” após o dilúvio.

Supõe-se que a raça fosse chamada Elhim (povo da ‘serpente feroz’) ou os “iluminados’, também conhecidos como ‘povo da serpente’. Esta história deriva-se de um texto conhecido como E ou Elohim de cerca de 750 b.C. e também deu origem às histórias dos Arquitetos Dionisíacos – eles mesmos também ligados aos Maçons.

Não admira que os pilares de Hiram estivessem intimamente relacionados com a adoração da serpente. Rosslyn e especialmente um de seus pilares de templo falsos, como agora temos conhecimento, está envolvido com o simbolismo de serpentes, não apenas como uma relação direta com os mitos nórdicos de Yggdrassil, com sua serpente coleante, mas, no limite, como símbolos do poder religioso da serpente gnóstica.

Nos Rolos Secretos descobertos por Andrew Sinclair, uma das imagens mais importantes é a visão de uma grande serpente enrolada sob os degraus do templo, com um corroa, uma picareta e uma pá, como se apontasse para a escavação do templo em si.

Existe uma lenda que pode apoiar as descobertas de Andrew Sinclair e que ele não menciona.

Esta lenda oriental nos conta como a Rainha de Sabe foi atraída por Hiram e que o Rei Salomão ficou com ciúmes, tanto ciúme, na verdade, que ele planejou a morte de Hiram. Metal derretido usado para fundir um “mar de fogo” seria usado para matar Hiram, mas ele foi salvo pelo “espírito” de Tubalcaim, seu ancestral, que está ligado à adoração da serpente – ele foi, portanto salvo da morte pela serpente. Hiram atirou sua “jóia” em um poço profundo, mas foi então morto pelos assassinos de Salomão com uma pancada na cabeça. Diz-se que três mestres mais tarde encontraram seu corpo r o veneraram. A jóia foi encontrada e colocada em altar triangula, que Salomão então tinha erigido em um cofre secreto sob o tempo. (Josephus, Antiquities V111, 3:4) Qual era a jóia deste construtor que causava tanta veneração? Fosse o que fosse, cavaleiros cruzados, mais tarde, disfarçados de Cavaleiros Templários supostamente cavaram furiosamente sob o templo para descobrir. Naturalmente, acredita-se que os templários desenterraram outros itens, eles e outros, tal como São Bernardo, que teria localizado ali a Arca da Aliança. Pode ser, naturalmente, que mesmo isto seja linguagem simbólica e gnóstica – a eterna busca de nossa própria divindade.

Após estas duvidosas escavações, tanto os Templários quanto os Cistercianos sob São Bernardo cresceram em imensa fortuna. Grandes construções foram realizadas por toda a Europa e ocultando simbolismo secreto da serpente, e todos usando as habilidades arquiteturais descobertas durante suas viagens pelo Oriente Médio. O maior de todos, entretanto, é o simbolismo que foi trazido de volta com eles, e que invadiu a cultura européia como um vírus contagioso, filtrando-se em e sobre nossos edifícios e obras de arte, e mantendo viva uma tradição antiga para que nós a descobríssemos um dia.

Os Pilares de Hiram, ocos e não literais, se tornaram pilares gêmeos dos Maçons que, eles mesmos, como Moisés e a serpente emergente, emergiram dos Templários. Estes pilares, que se diz serem ocos e conter manuscritos secretos que nos recordam as supostas descobertas dos manuscritos de Rennes Lê Chateau, também considerados como encontrados dentro de um pilar. Na verdade, eles contêm um segredo, mas não um que possa ser tocado com a mão.

Agora é hora de dar uma olhada em outra fonte externa sobre os maçons modernos, para ver se existe alguma influência paralela – os Arquitetos Dionisíacos que mencionamos acima.

Historiadores maçônicos dizem que estes deram origem a suas guildas. Um grupo secreto ou sociedade secreta com doutrinas eram considerados por Manly P. Hall (em Masonic, Hermetic, Quabbalistic & Rosicrucian Symbolical Philosophy) semelhantes aos Maçons. Pensa-se que eles tenham sido grandes construtores, lembrando a idéia dos grandes Nagas arquiteturais que escaparam da Índia.

Supostamente, esta sociedade secreta, sob Hiram Abiff, que construiu o Templo de Salomão e erigiu os grandes pilares de latão vistos agora como Boaz e Jakin na Maçonaria. Eles também eram conhecidos como os Collegia Romanos e diz-se que tinham vagado como os Maços Medievais, construindo lugares fantásticos como o Templo de Diana em Efesus (John Weisse, The Obelisk and Freemasonry.).

Weisse também destaque que os Collegia influenciaram os esforços de construção islâmica que mais tarde se tornariam um ponto crucial na arquitetura européia ocidental após os cruzados, e possivelmente via influência dos Collegia sobre os Templários, entre outros.

Também se achava que estes Collegia eram conhecidos antes dos Romanos na Grécia, e dizia-se que tinha adorado Baco serpente. Considerando a fascinação maçônica com os Druidas, é pouca surpresa que o infame historiador e arqueólogo Willian Stukley acreditasse que eles tivessem sido os construtores de Stonehenge e outros monumentos antigos. Muitos escritores maçônicos adoram associar-se aos Druidas e descobrimos que eles “tinham alta veneração pela Serpente. Seu grande deus Hu era tipificado por aquele réptil”.(George Oliver, Signs and Symbols, Macoy Publishing New York.).

Se for verdade que os Arquitetos dionisíacos e os gregos adoradores de Baco/Dionísio e os Collegia romanos estão entre os originadores da Maçonaria, então é altamente provável que eles estivessem ligados também aos Druidas adoradores da serpente que também eram conhecidos como Adders ou Serpentes. Eles eram, na verdade, uma amostra tardia do culto mundial da serpente, o mesmo que aquele da Índica, Egito e outros lugares, que tinham, todos, habilidades fantásticas de construção e mantinham segredos das verdadeiras e ocultas tradições gnósticas. Hoje, ainda podemos ver uma remanescente deste grande culto arquitetural, adorador de serpente e secreto nos maçons. Como destaca George Oliver, “A Serpente é universalmente estimada como um símbolo legítimo da Maçonaria” e agora vemos que sua história é mundial, e se diria mantida justificavelmente viva entre os maçons iniciados.

Philip Gardiner é o autor de The Serpent Grail, Gnosis: The Secret of Solomon’s Temple Revealed and The Shining Ones.
http://www.world-mysteries.com/PhilipGardiner/serpent_sword_pg.htm#Articles

Notas: 
Brahma é a força vital sutil ou o próprio espírito e Saraisvati era o Rio da Vida. Ver The Wonder that was India por A. L. Basham, Fontana Ancient History, 1967. 
Mahadeva, um dos nomes de Siva, com freqüência é representada com uma serpente enrolada no pescoço, braços e cabelo. Sua consorte, Parvati é representada da mesma forma. Bhairava, o Avatar de Siva, senta-se sobre uma serpente enrolada cuja “cabeça se levanta acima da dos deuses.” Conforme Hyde Clarke & C. Staniland Wake in Serpent and Siva Worship, Siva é o mesmo que Rudra, o curador, e é chamado de Rei das Serpentes. Ele é retratado com uma guirlanda de crânios, simbolizando o tempo medido em anos, a mudança das eras. Ele á chamado, algumas vezes, de Nagabhushana Vyalakalpa ou “tendo serpentes ao redor do pescoço” e Nagaharadhrik ou “usando colares de serpentes”, e também Nagaendra, Nagesha ou “Rei de Najas” é também conhecido como Nakula, o “mangusto” que significa alguém que é imune ao veneno da serpente. 
Ver Gnosis: The Secret of Solomon’s Temple Revealed por Philip Gardiner a ser lançado em 6 de Março por Radikal Books. 
A palavra Esmeralda vem do Grego, smaragdos, que simplesmente significa ‘pedra verde’ embora verdadeiras esmeraldas fossem populares por bem mais que 4.000 anos. Cleópatra, a famosa Rainha do Egito que morreu mordida por uma áspide, gostava delas mais que qualquer outra gema. Ela tinha minas de esmeralda próximo a Aswan. A esmeralda é encontrada em protetores peitorais judeus e é usada como Talismãs indianos. Os espanhóis a roubaram durante a conquista da América do Sul e os Incas a tinham em alta veneração. Diz-se que cura febres, epilepsia, lepra, disenteria, oftalmia, hemorragia, problemas do fígado e mordidas de animais venenosos. Também se dizia que “cegava” serpentes. 

O Tablete de Esmeralda é um resumo de pensamento alquímico – existente em Árabe e Grego – e principalmente tendo raízes em alquimia romana e grega, especialmente de Hermes – trazendo assim à mente que ela deve ter-se originado de alguma fonte como os Arquitetos Dionisíacos ou os Collegia romanos.

Um dos primeiros registros de sua existência é do século 8, trabalho árabe. Alguns relacionam a esmeralda ao Sacro Catino de Gênova, o suposto Santo Graal, que se diz ter estado na posse da Rainha de Sabá, que era feito de vidro verde ou de esmeralda.

Acredita-se que um médico chamado Galienus, que a chama de Mesa de Zaradi recuperou o tablete de Hermes Trimegistus. Muitos acreditam que Galienus seja o cirurgião Galen, mas outros acreditam que seja uma tradução errada de Balinas (Apolônio de Tiana). Se for este o caso, então o Tablete de Esmeralda da grande deidade da serpente, Hermes, viria diretamente do sábio eu visitou os reis Naga (serpente) da Índia e Cachemira, e que se diz ter vivido por muito tempo.

O termo Zaradi deriva da palavra ‘caverna subterrânea’ ou ‘câmara’ e se refere a um domínio “do outro mundo”, possivelmente o Submundo Xamânico.

Outros povos que se diz terem descoberto o Tablete são igualmente incorporados à história da serpente. Alexandre o Grande e Zara (Sarah) a mulher de Abraão que se diz tê-la tomado das mãos de Hermes logo após o dilúvio.




MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA
ABORDAGEM HISTÓRICA



Hercule Spoladore –Loja de Pesquisas Maçônicas “BRASIL”-LONDRINA-Pr.


Se abordarmos a história da Maçonaria Contemporânea, sem perquirir a respeito de suas origens, não poderemos chegar a um consenso analítico final razoável.

Os homens da cavernas, talvez mesmo antes de dominarem o fogo, inicialmente solitários e agressivos, por uma questão de necessidade e sobrevivência, tornaram-se seres gregários, pois querendo ou não, sempre dependeram da cooperação dos demais componentes de suas tribos ou clãs.

Deixando as cavernas tornaram-se nômades para depois tornarem-se sedentários se agrupando em pequenos vilarejos, vilas cidades, metrópoles etc. 

Para construir os locais onde pudessem habitar apareceu no decorrer do tempo quem os construísse, surgindo desta forma, os primeiros profissionais ainda que rudimentares dedicados à construção.

Se formos abordar o complexo e intrincado surgimento da Maçonaria no mundo, teremos que, em suas raízes destacar o importante papel das associações de construtores, bem como analisar como aconteceram os fatos sociais que deram origem à Maçonaria, e posteriormente ao Cooperativismo e mais recente, aos atuais Sindicatos, entidades estas que pelo menos em fase inicial de sua existência tiveram muito em comum, ou seja a necessidade conseqüente do trabalho para subsistir, do auxílio mútuo e cooperação, vindo daí a relação empregados/patrões; reis/súditos, escravos/senhores.

Depois, dentro do seu próprio contexto histórico cada qual destes segmentos seguiu seu caminho.

Este fenômeno social de gregarismo se aplica a toda a humanidade, e é inerente à raça humana. Simplesmente é assim. 

Inicialmente havia cooperação e camaradagem, sintetizando mais um sentimento de agrupamento, para depois os grupos passarem a se organizar, em associações de defesa e proteção visando interesses mútuos, especialmente nas profissões, mas também em outras atividades.

Entretanto, é no estudo da história do Império Romano que nos vem maiores indícios da “pré-história” da Maçonaria Operativa. Numa Pompilio(714 a 67l) A C, rei de Roma, sempre citado na literatura maçônica, por ter construído vários templos inclusive o de Janus, criou os “collegia fabrorum” dos quais foram criados os “coleggia constructorum”. Deduz-se, segundo alguns autores, porem sem provas definitivas, que estes colégios foram as sementes das futuras Lojas Maçônicas Operativas, mas não da Maçonaria tal qual a conhecemos hoje (1).Numa Pompilio regulamentou a profissão de construtor, e também a organização dos cultos já que estes colégios eram impregnados de forte religiosidade ainda naquela época politeísta, e cita-se que também sob seu reinado, Roma teria sido urbanizada e as construções tiveram um grande desenvolvimento.

Os “collegiati” no ano 65 A.C. teriam sido dissolvidos por um senatus consulto por apresentar uma ameaça ao patriciado romano. O trabalho dos “collegiati” também decaiu em função do trabalho escravo e a importação de produtos oriundos do vasto império romano.

As legiões romanas nas suas conquistas, destruíam tudo, mas levavam os “collegiati”, ou seja os construtores, para reconstruir o que fosse destruído.

Entretanto, existem trabalhos de autores maçônicos que contestam a existência dos “collegia fabrorum”, bem como que Numa Pompilio teria sido rei de Roma, já que não existem fontes primárias que comprovem este fato.

Todavia, se seguirmos as citações de outros autores maçônicos, estes “collegiati” teriam existido, eles teriam se espalhado por todos os territórios romanos, inclusive os conquistados, sendo que muitos desapareceram, porem outros permaneceram e participaram da trajetória histórica na arte da construção em direção à Maçonaria Medieval. 

Depois vieram os Mestres Comacinos (2)que surgiram em Como na Lombardia, que eram arquitetos construtores e hábeis escultores, sendo reconhecidos e regulamentados profissionalmente pelos reis longobardos pelo édito de Rotari em 634 D.C. e Liutprando em 713 D.C. Estes Mestres foram responsáveis pela Arte Romântica, que precedeu a Arte Gótica.

Já em plena Idade Média, antes de aparecer a Maçonaria Operativa ou Maçonaria de Ofício, entrando em evidência a Arte Gótica, quando começaram a ser construídos muitos conventos igrejas catedrais e palácios, neste período foram importantes as Associações Monásticas principalmente constituídas pelos Beneditinos e Cistercences, que eram clérigos, experientes projetistas e geômetras, excelentes oficiais na arte de construir. Dominaram o segredo da construção por muito tempo, o qual ficou inicialmente restrito aos conventos.

Diz-se que os termos “Venerável Mestre” e “Venerável Irmão”(3) já eram usados pelos abades do século VI, e que nós os maçons atuais, os emprestamos, aliás como praticamente tudo na Maçonaria foi trazido de fora, isto é, copiado.

E assim os Monásticos com seus conhecimentos monopolizaram por longo tempo a arte de construir guardando para a sua Agremiação, os seus segredos.

Entretanto eram obrigados a contratar profissionais leigos, pois a demanda cada vez maior de construções e serviços secundários assim o exigia. Estes profissionais foram aprendendo com estes clérigos e com o tempo em face da decadência da fase Monástica, constituíram as Confrarias Leigas.

Entretanto, ressalte-se que influência destes clérigos foi muito grande pois infundiram ensinamentos importantes na arte de construir, bem como princípios religiosos nas escolas e oficinas de arquitetura. Sabe-se que cada Corporação de Construtores tinha o seu Santo padroeiro (4), isto na Maçonaria Operativa que era totalmente católica, a qual recebeu por esta razão forte influência do clero. Os Beneditinos (Ordem de São Bento fundada por São Bento em 529 D.C. e os Cistercences os monges de Císter- França -( fundada em 1098 pelo abade De Molesme) são considerados por vários autores como os ancestrais da Maçonaria Operativa, (5) 

Seguindo-se o rumo da história, juntamente com as Ordens Militares e Religiosas, vieram as Guildas as quais influíram muito nas tradições maçônicas. As Guildas eram associações que surgiram no Norte da Europa e se estabeleceram principalmente na Inglaterra, Alemanha e Dinamarca e em outros países. Eram associações inicialmente religiosas, mas que a partir do século XII se constituíram em associações profissionais fraternas, verdadeiras confrarias de defesa de auto proteção de seus sócios. 

Os novos participantes destas confraria eram obrigados a um juramento (6) alem de pagar uma jóia (7),coletavam dinheiro para auxílio mútuo, amparo às viuvas (8) e despesas funerárias. 

Interessante frisar que a palavra Loja (9) surgiu pela primeira vez em um documento emitido por uma destas corporações em l292, servia para designar o local de trabalho ou mesmo como sinônimo de Guilda. Não se dedicavam somente às construções.

Os componentes das Guildas reuniam-se em banquetes (10) e pleiteavam reformas políticas e sociais. Como estes costumes não eram bem vistos pela Igreja, e nem pelos reis, era comum elas adotarem nomes de monarcas ou de santos que consideravam como seu padroeiro ou patrono, para escapar a vigilância da Igreja e dos governantes.

No século XII, na Alemanha surgiu a Corporação dos Steinmetzer que eram conhecidos por serem escultores e entalhadores de pedras ou canteiros e que não se dedicavam exclusivamente á arte Gótica, porem trabalharam em muitas catedrais deste estilo de construção. O canteiro esquadreja e trabalha na escultura da pedra bruta.


Os Steinmetzer tomaram grande impulso através do seu famoso arquiteto Erwin, natural de Steinbach. A Convenção de Estrasburgo, dos Canteiros foi convocada por ele em 1275 para terminar uma importante catedral em arenito rosa existente naquela cidade. A fachada é ornamentada até hoje, com lindas estátuas representando virtudes e vícios (virgens loucas e virgens prudentes). À Convenção compareceram os principais arquitetos ingleses, alemães e italianos e de outros países. Nesta Convenção foram adotados os sinais, palavras e toques usados para identificação secreta membros da Confraria, (11) diga-se de passagem pela primeira vez, pelo menos pelo que está registrado oficialmente. É bem provável que outras Corporações usassem suas próprias senhas.

Ainda no século XII surgiu a Franco-Maçonaria ou Ofícios Francos, (12) a qual era constituída de pedreiros-livres ou franco-maçons e que deixaram marcada sua influência de forma indelével na Maçonaria atual. Os franco-maçons puderam se dar totalmente à sua arte, pois eram trabalhadores privilegiados, porque estavam isentos de impostos, eram construtores categorizados, tinham livre trânsito, isto é, não ficavam presos numa mesma região à disposição de seu nobre senhor e alem disso eram muito respeitados. O termo franco significava liberdade total, livre de qualquer tipo de servidão ou compromisso, a não ser o de criar e construir.

Mais ou menos a partir do século XV nasceu na França um tipo de agremiação de operários cristãos itinerantes, a Corporação dos Companheiros (Compagnonnage) e que teria sido fundada pelos Cavaleiros Templários. Eles iam de cidade em cidade, solicitando trabalho e prestavam assistência mútua. Não era permitido ingresso na organização senão após um tempo de aprendizado e também eram recebidos através de um cerimonial.(13) Eles construíram no Oriente Médio durante as Cruzadas, fortificações, cidadelas, especialmente pontes e obras de defesa militar. Ao voltarem às suas pátrias, construíram obras civis, igrejas e catedrais. Estas organizações duraram muito tempo e desapareceram por completo no início do século XIX com nascimento da grande indústria e do sindicalismo.

Interessante que estas Corporações de Oficio se tornaram importantes em função da arte gótica que nasceu na França e se notabilizou na Alemanha e outros países e que durou cerca de trezentos anos. A Renascença viria e suas conseqüências se fizeram sentir tanto na arte gótica como no monopólio das Corporações das construções das fraternidades maçônicas que dominavam as construções góticas, cujas edificações mais importantes, as catedrais, já estavam todas construídas. Não havia mais o que construir neste estilo.

Este fato ocasionou a decadência das Corporações e já no século XVII, podemos notar que o povo europeu já estava preferindo o estilo clássico romano que era mais alegre que o austero estilo gótico. Assim a arte da construção teve que sair das mãos dos franco-maçons e se tornar um apanágio de outros operários construtores que não faziam parte da Confraria.

As Corporações que sempre foram de certa forma perseguidas por vários governos, agora o eram também até pela Inquisição. Os chamados régulos e também os Jesuítas não admitiam os segredos das Confrarias e das Agremiações Corporativas.

Estas Corporações viriam com o tempo a serem dissolvidas.

Foi mais ou menos nesta fase da história que as fraternidades maçônicas operativas foram obrigadas a aceitar outras pessoas que não estavam ligadas construção, muito embora há muito já as estivessem aceitando. O primeiro maçom “Aceito” que se tem provas foi John Boswel, que era um lorde e que ingressou numa Confraria em 08.06.1600 como maçom aceito, não profissional na Loja da Capela de Santa Maria em Edimburgo, na Escócia. Esta aceitação passou a ser comum, em virtude da decadência das corporações admitindo-se sábios, filósofos, naturalistas, artistas, antiquários, nobres, militares, comerciantes, escritores e pensadores marcando assim uma grande transformação na Ordem. Estes “Aceitos” trouxeram novas concepções e contribuições para as agremiações, porem a transformaram radicalmente. Inclusive, segundo alguns autores, os Rosacruzes foram os que mais contribuíram para a filosofia maçônica, já que muitos destes primeiros “Aceitos” eram Rosacruzes.


No início do século XX, mais precisamente em 1909 um escritor de nome Charles Bernadrin do Grande Oriente da França consultou 206 obras e selecionou 39 opiniões diferentes à respeito das origens da Maçonaria. Hoje é possível que o número de opiniões esteja aumentado. Alguns autores dão ênfase a uma possível origem da Maçonaria nos Templários. Entretanto está provado que foi uma tentativa do Cavaleiro de Ramsay que foi o idealizador desta teoria, talvez tentando dar uma procedência mais nobre à Ordem encobrindo desta forma, a origem humilde nos trabalhadores da construção. Ainda, até a presente data existem algumas Lojas Operativas na Europa.

A Maçonaria Operativa faz alusões aos Old Charges, cerca de l40 a l50 manuscritos antigos, os quais não fazem quaisquer referências à templos, aos hermetistas, templários, rosacruzes, não citam o sentido simbólico das ferramentas, não é citada a Bíblia, não se fala em ocultismo, esoterismo alquimia, cabala etc.. Era uma maçonaria francamente católica. E as Lojas eram constituídas dos chamados “Maçom livre em Loja livre”.

Estes documentos não citam os famosos landmarques, tais como os conhecemos hoje. Se lermos as mais variadas classificações de landmarques, as quais estimam em mais de sessenta, veremos que elas nada mais são que cópias dos estatutos das referidas Corporações, quer de Construtores quer das Guildas, cujos artigos foram copiados e adaptados à Maçonaria depois de l7l7, tendo muito pouco a ver a nossa atual Maçonaria. Compulsando as cópias dos manuscritos inseridos nos Old Charges. entre os quais o mais conhecido é o “Poema Régio”, sempre encontramos uma provável origem através de uma palavra, um sinal, um costume, uma cerimônia um objeto uma ferramenta que os maçons antigos usavam e que emprestamos para nós, e demos um simbolismo próprio.

Verdade seja dita, se analisarmos com cautela e sem predisposições, veremos que a Maçonaria Operativa tem menos a ver com a Maçonaria Moderna ou Especulativa do que se propala em muitas publicações maçônicas.

Foi uma Ordem que se sobrepôs à outra, adotando seu nome, seus costumes, suas lendas, suas alegorias, seus sinais, suas palavras, a sua estrutura já pronta, porem modificando-a quase que totalmente e revestindo-a de valores simbólicos modificados.

Os maçons se reuniam em tabernas, cervejarias, hospedarias e nos adros das igrejas. Não existiam templos. Estes locais de encontro tinham mais uma função social e de comemoração. O primeiro templo (Freemason’s Hall) só foi construído em l776 em Londres. Aliás, este templo foi ornamentado com as cinco Ordens de Arquitetura, de inspiração do grande escritor e o primeiro professor de Maçonaria, o inglês Willian Preston, tido como o primeiro maçom a dar o sentido simbólico às ferramentas de pedreiro, ligadas à construção, tal qual as conhecemos hoje.

A Maçonaria caminhava neste trajeto, se transformando dia a dia com o mundo também se modificando e evoluindo. Na Inglaterra que foi o berço da Maçonaria Moderna existia uma famosa cervejaria “O Ganso e a Grelha”, onde se reuniam os franco-maçons, inicialmente esta Corporação só constituída por profissionais de ofício, a partir de l703, começou a receber os “Aceitos” indistintamente de todas as classes sociais, fazendo com que houvesse uma profunda reforma na organização. Um dos líderes dos “Aceitos” o pastor protestante Desagulliers conseguiu reunir quatro lojas cujos nomes soam um tanto estranhos para nós, no nosso tempo, tais como a “Macieira” a “Coroa” a já conhecida"O Ganso e a Grelha” e o “Copázio(Taça?)(14) e as Uvas”. Estas quatro Lojas no dia 24.06.l7l7 se reuniram e fundaram a Grande Loja de Londres, surgindo daí o sistema de submissão a um Grão- Mestre que hoje conhecemos muito bem. Criaram assim a primeira Potência ou Obediência maçônica no mundo. Haviam até então apenas dois graus, sendo que em l725 foi criado o grau de Mestre finalmente incorporado nos Rituais a partir de l738. E a recém inventada Lenda de Hiran levaria muitos anos para se consolidar e ter a versão que tem hoje, que aliás, é a definitiva. 

Inicialmente a Grande Loja de Londres não foi bem aceita na Inglaterra.

A partir deste ponto a Maçonaria seguindo a libertação que o Século das Luzes trouxe ao mundo, foi um verdadeiro cadinho de experiências culturais e ritualísticas. A Inglaterra ordeira e rígida em suas tradições manteve como mantém até hoje apenas os três graus simbólicos, a França como o seu perfil latino e ousado proporcionou uma enxurrada de graus, criando os Graus Superiores, e alem dos ritos tradicionais, criou uma série de outros ritos, alguns exóticos e mágicos. A Alemanha e outros países inicialmente acompanharam a França neste festival de graus e ritos, porem a Alemanha depois resolveu enxugar o que tinha de exagero. De qualquer forma neste século foi criada a base da Maçonaria Moderna ou Especulativa tal qual conhecemos hoje a partir da Maçonaria Operativa.

Abordar uma Instituição como a Maçonaria não é fácil. Ela é a pátria das contradições e dos paradoxos. Ela não é uma religião, muito embora muitos Irmãos pensem que ela o seja, e ainda para confundir ela se reúne em templos já que os mesmos dão idéia de igreja. Nos ensina a crer num Ente Superior, na imortalidade da alma e propaga que não é dogmática. Ela adotou o modelo republicano, que aliás, ajudou a criar e lutou por ele, contendo os três poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, funcionando como se fosse um pais dentro de outro, porem, sem território. Mas onde deveria existir uma democracia plena, onde as constituições das Potências deveriam democraticamente ser obedecidas, freqüentemente com raras exceções, são manipuladas por uma cúpula, que exerce um poder monárquico e despótico.

Temos inúmeros templos ociosos nas cidades onde existem mais de quatro ou cinco Lojas. Cada Loja quer ter o seu templo, onerando os Irmãos, quando poderiam ser reunir várias Lojas num mesmo templo e usar o potencial de uma nova construção para uma entidade assistencial, ou escola. Não temos a representação política que deveríamos ter.

Nossas sessões estão anacrônicas e desatualizadas. Num mundo competitivo onde a instrução e a informação tem um valor absoluto de sobrevivência das instituições, uma sessão maçônica que dura em média duas horas, com a quase totalidade de sua duração gasta em problemas administrativos de pouca importância, relega a instrução e a informação a respeito da Ordem a um segundo plano, quando ela deveria tomar todo tempo que assim é perdido, com assuntos de interesse tais como filosofia, história, ritualística liturgia, legislação, estudo da Política e do Bem Social como ciências etc..

A Maçonaria Contemporânea fragmentou-se em inúmeras Potências ou Obediências cada qual se proclamando autônoma, legítima, verdadeira, regular e legal sendo que o relacionamento entre elas é muito complexo e chega até ser estranho, visto que o valor imensurável que dão a um fator chamado regularidade, escapa à análise lógica e coerente de um maçom inteligente, servindo esta malfazeja regra de um complicador no entendimento fraternal destas Potências entre si. Felizmente as Lojas-Bases entenderam que o caminho não é bem esse e todos maçons se recebem e se abraçam como verdadeiros Irmãos, as vezes ignorando determinações superiores.

Felizmente, talvez por obra e graça do Grande Arquiteto do Universo a Essência da Iniciação ou seja a mensagem iniciática que envolve todo o maçom permaneceu intata.

Alguma coisa realmente na Maçonaria parece que deu certo, uma delas é o seu ecletismo, outra é o respeito que os Irmãos nutrem entre si, quer como fraternos, quer em suas idéias, respeitando assim os princípios da Dialética em que, mesmo não concordando com elas, aceitam ouvi-las e analisa-las, porem desde que fiquem tão somente no campo das idéias, porque se tratar da disputa de poder maçônico, muda-se completamente o paradigma, chegando até respeitáveis Irmãos aos mais baixos degraus das provocações mútuas, especialmente quando este poder atinge a vaidade de cada um.

A Maçonaria tem dois tipos básicos de adeptos, os místicos e os documentais. Ambos se respeitam mutuamente, porem divergem entre si, com relação ao fato dos maçons documentais se basearem em documentos antigos e autênticos, nas fontes primárias de pesquisas, enquanto que os místicos têm outra linha de pensamento totalmente baseada no esoterismo, alguns até exagerando e se tornando mistificadores.

No Brasil temos uma Maçonaria pobre e somos completamente amadores quando desejamos tratar de filantropia. Já os EE.UU. administram muito bem esta parte, mantendo hospitais, asilos e entidades filantrópicas etc.

Tivemos até a presente data no mundo, cerca de 300 ritos mais ou menos, sendo que no momento no mundo ainda 54 estão vigentes, sendo 08 no Brasil.

O Brasil possui cerca de l50.000 maçons, sendo que a Grandes Lojas Brasileiras tem mais ou menos l900 Lojas, o Grande Oriente do Brasil mais ou menos o mesmo número e a Comab cerca de 750 Lojas.

No mundo existem cerca de 7.000.000 de maçons sendo 5.000.000 nos EE.UU. e cerca de l.200.000 na Inglaterra.

Enquanto na Inglaterra a principal atividade da organizada Maçonaria Inglesa é o encontro fraterno, o “clubing” que os ingleses tanto adoram, na França a Maçonaria é francamente político-social, no Brasil na grande maioria de suas Lojas é um misto de esoterismo, gnosticismo , cabala, alquimia, e religião, onde lendas, crendices, enxertos, invenções e “achismos” fazem parte de um sincretismo que tornam a Ordem diferente de outros países, esquecendo-se que a maior meta da Maçonaria é a político social.


Ao enfocar a Ordem desta maneira, não estamos tentando denegri-la. Pelo contrario, estamos dando um brado de alerta, pois precisamos acordar e nos adaptar ao século que estamos vivendo, onde os progressos científicos, culturais e sociais estão influindo em todas as Instituições, e que quem não se redimensionar não sobreviverá. 

A Maçonaria tem a necessidade urgente de procurar adaptar-se a um novo modelo, pois poderá correr o risco de não sobreviver nos próximos cem anos, o que em realidade não acreditamos que aconteça, pois ela já passou por crises importantes, mas sempre teve a felicidade de ser salva por maçons notáveis, de mentes claras transparentes e inteligentes que acudiram a Ordem em tempo. Estamos aguardando estes Guardiões. 

Que venham logo..

NOTAS.

(01) Primórdios, início, idéias iniciais de agrupamentos de profissionais da construção.
(02) Mestres da construção e operários reconhecidos por éditos reais.
(03) Termos usados atualmente nas Lojas para designar o Mestre da Loja, o Venerável, ou mesmo tratamento entre Irmãos.
(04) Maçonaria de São João, Santo Padroeiro como hoje é conhecido.
(05) Teobaldo Varoli Filho os considera como ancestrais da Maçonaria Operativa.
(06) Juramento, parte integrante da ritualística maçônica atual.
(07) Importância que todo novo adepto paga ao ser admitido na Loja.
(08) Refere-se atualmente ao “Tronco das Viúvas” conhecido como Tronco de Solidariedade.
(09) Loja. Do germânico leubja, do francês, lodge. Local onde se reúnem os Irmãos.
(10) A Maçonaria atual se reúne também em almoços, jantares, e banquetes, aliás existe até o Banquete Ritualístico, criação do Rito Francês ou Moderno.
(11) Oficialmente os Steinmtzer criaram na Convenção de Etrasburgo os toques, sinais e palavras. Todavia, sabemos que toda Corporação tinha a sua própria maneira de se reconhecer.
(12) Franco-Maçonaria, a verdadeira Maçonaria Operativa, que serviu de base à Maçonaria Moderna tal qual a conhecemos.
(13) As demais Corporações também exigem um cerimonial próprio para a recepção do novo adepto. Acresça-se que a Maçonaria atual enriqueceu a cerimônia com procedimentos de forte caráter simbólicos, espirituais e culturais tentando induzir o novo adepto a descobrir o seu duplo EU.
(14) “Copázio e as Uvas” ( copo grande, coparrão copaço) parece ser a tradução mais adequada de “Rummer and Grappes” que o termo usadíssimo na Ordem, “taça”. Imaginem aqueles rudes franco-maçons ingleses, naquelas tabernas às tardes após o árduo trabalho diário, tomando suas bebidas em taças? É pouco provável.

Londrina/agosto/200l
Hercule Spoladore
LOJA DE PESQUISAS MAÇÔNICAS “BRASIL”


AS QUATRO BORLAS


Tradução: S.K.Jerez

As Quatro Borlas pendentes nos cantos da loja são símbolos operativos importantes raramente explicados adequadamente na maçonaria especulativa.

Um antigo símbolo operativo

Os Quatro Borlas, que são mencionadas perto do final da instrução sobre o painel do primeiro grau em vários rituais, são ornamentos importantes do loja. Eles são de grande antiguidade e seu simbolismo merece mais explicações. Na verdade, o simbolismo das Quatro Borlas, que tem suas origens na maçonaria operativa, é de grande importância e sua omissão de muitos rituais, ou apenas uma breve referência a ele em outros rituais, é surpreendente. Em épocas anteriores, freqüentemente eram dadas explicações sobre a origem e o significado simbólico profundo dos Quatro Borlas, mas hoje em dia elas são mencionadas tão raramente que muitos maçons, se não a maioria, não têm conhecimento de seu significado.

Referências em rituais modernos

Provavelmente a mais conhecida referência às Quatro Borlas, e que é muito semelhante às menções encontradas em muitos outros rituais ingleses e escoceses e em alguns rituais irlandeses e seus derivados em todo o mundo, é essa, que foi tirada do Ritual de Emulação Inglês:

” Pendente nos cantos da Loja estão quatro borlas, destinadas a nos lembrar das quatro virtudes cardeais, a saber: Temperança, Fortaleza, Prudência e Justiça, a totalidade das quais, nos informa a tradição, era constantemente praticada pela maioria de nossos antigos irmãos “.

A parte final desta citação é o único indício da origem operativa das Quatro Borlas e seu significativo simbolismo. Embora a referência às quatro virtudes cardeais deva estimular o pensamento construtivo, nenhuma explicação é dada sobre a associação das borlas com os cantos da loja e não há razão aparente para elas estarem lá. Além disso, como a parte final desta citação foi omitida de muitas versões do ritual, a origem e significado das Quatro Borlas tornou-se ainda mais obscura.

No Ritual A. S. MacBride escocês menciona-se as Quatro Borlas Douradas relacionadas aos ornamentos da loja na explicação doplano ou painel da loja, o que é uma citação bem breve. Muitos dos rituais americanos e vários ingleses, irlandeses e escoceses não incluem instruções amplas sobre o painel da loja, mas descrevem muito do respectivo simbolismo em uma série de deveres. No Moderno Ritual Escocês a primeira instrução sobre os painéis da loja termina com a seguinte declaração, que é um pouco incomum e provavelmente tem suas origens nos rituais de algumas lojas da Europa:

“Você vai ver que o nosso tapete tem uma Moldura de Mosaicos, que representa a divina proteção que envolve a humanidade, enquanto as quatro borlas, que ornamentam seus cantos, denotam prudência, temperança, fortaleza e justiça.”

Antes de explicar as origens operativas dos Quatro Borlas, seria oportuno considerar a instrução sobre a painel da loja de primeiro grau incluída no Ritual Inglês Revisado, que foi originalmente escrito durante os anos 1800, e que tem estado sob revisão contínua desde então, recebendo elogios de muitos irmãos ilustres. Em quase todos os seus aspectos, este ritual é de fato uma bela exposição dos ritos e simbolismos da maçonaria especulativa, mas o seguinte trecho, relevante para a questão das Quatro Borlas e que é citado a partir da sexta edição impressa em 1962, traz à luz alguns dos equívocos sobre o assunto:

“As duas extremidades da Loja, de frente solidariamente para o Leste e o Oeste verdadeiros, e os dois lados, de frente para o Norte e o Sul, indicando assim, respectivamente, os quatro pontos cardeais da bússola, representam para nós as quatro virtudes cardeais, ou seja, Temperança, Fortaleza, Prudência e Justiça.”

Além disso, a falta de conhecimento sobre o assunto é destacado na nota de rodapé no ritual relativo à passagem, que diz:

“A alusão às vezes feita às Quatro Borlas é enganosa; muito poucas, Lojas, se houver, têm tal coisa, e elas não se prestam a qualquer propósito útil se é que o tinham. Em nenhum lugar é dado a elas qualquer significado simbólico.”

É notável que as crenças erradas e, na verdade, a falta de entendimento que estas duas passagens refletem com relação a um aspecto fundamental do simbolismo maçônico, não tenha percebido e corrigido por tão longo tempo, especialmente porque não é muito difícil buscar as informações corretas.

Antes de explicar as origens operativas dos Quatro Borlas, seria apropriado considerar outros cordões e borlas frequentemente retratados em painéis da loja e em torno do pavimento mosaico, que se referem aos cuidado protetor da divindade e os laços de união da Fraternidade. Embora a origem e o simbolismo desses cordões e borlas não sejam os mesmos que os das Quatro Borlas, eles já estavam em uso antes do advento da maçonaria especulativa moderna e os dois simbolismos são freqüentemente confundidos. Explicações abrangentes do simbolismo das cordas e borlas circundantes são dadas em vários rituais antigos do continente europeu, pelo menos os elementos dos quais ainda são explicados em seus catecismos.

O cordão ondulado e as borlas

Alguns painéis de loja do primeiro grau eram emoldurados dentro de um cordão ondulado contínuo que era amarrado nos quatro cantos e terminado com suas duas borlas penduradas nas extremidades. Em lojas francesas este arranjo do cordão é chamado de la dentelée houppe, que significa “a borla dentada” e é descrito como “um cordão formando nós de ‘amor-fiel’”. O velho ritual francês explica que o cordão deveria lembrar a todos os maçons que os laços que os unem devem aproximá-los, independentemente das distâncias que podem separá-los. Em lojas alemãs, o cordão ondulado de nós é chamado die Schnur von Starken Faden, que significa “um cordão de fios fortes”. O antigo ritual alemão também explica que o cordão simboliza o vínculo fraterno pelo qual todos os maçons estão unidos.

Também relevante para esta discussão são os comentários do Dr. John I. Browne na Master Key, que estabelece os elementos das instruções Prestonianas. Ele diz que o cordão ondulados e as franjas fazem alusão ao “especial cuidado da Providência que tão alegremente nos rodeia e nos mantém dentro de sua proteção, enquanto nós, com justiça e com retidão conduzimos nossas vidas e ações pelas quatro virtudes cardeais em divindade”. Traduções alternativas para o inglês de dentelée são “serrilhada” e “indentada”, de onde a “orla dentada” foi derivada. Por outro lado, “ tesselated[1]” não é um equivalente de houppe, mas vem do latim Tessella, que é o diminutivo do também latim tessera que significa ” um pequeno ladrilho ou azulejo de quatro lados”.

A partir do exposto, fica evidente que a “orla dentada ou em mosaico” de triângulos negros e brancos, que normalmente rodeia o pavimento mosaico no chão da loja e também painel do primeiro grau, não é a mesma coisa que o cordão de nós ondulado e borlado que representa a proteção divina que envolve a humanidade. A “moldura mosaica ou indentada” também não é o mesmo que os laços que unem os membros da fraternidade e que devem aproximá-los. Como mencionado anteriormente, a moldura mosaica ou indentada moderna é essencialmente um ornamento que alude à esfera celeste de nossa existência. No entanto, as borlas retratadas nos quatro cantos da maioria dos painéis do primeiro grau, que entre outras coisas é uma representação da sala da loja, realmente se referem às quatro virtudes cardeais.

As origens operativas das Quatro Borlas

Todos os maçons especulativos estão ou deveriam estar cientes de que, simbolicamente, eles têm por objetivo encontrar as respostas para suas perguntas no centro, que é o ponto dentro de um círculo a partir do qual todas as partes da circunferência são igualmente distantes. O ponto dentro de um círculo é um hieróglifo antigo e sagrado que se refere à divindade. É um símbolo de importância suficiente para merecer uma contemplação profunda, mas bastará agora dizer que as respostas encontradas no centro são aquelas estabelecidas de acordo com os decretos da divindade. Muitos maçons especulativos podem não estar cientes de que, através dos tempos, todas as estruturas religiosas significativas e outros edifícios imponentes foram criados a partir do centro, porque tais estruturas devem ser estabelecidas considerando adequadamente a posição que irão ocupar na sociedade civilizada na qual desempenharão um papel essencial. Pretende-se, portanto, que sua posição e forma reflitam sua importância e seu significado. Assim, em tempos antigos, um templo, muitas vezes foi localizado no local de um santuário mais antigo, local de oferendas, local sagrado ou pedra memorial. A catedral também tem sido muitas vezes erguida no local de uma estrutura religiosa mais antiga ou de uma sucessão de estruturas como a abadia de York, para perpetuar a santidade do lugar. Por esta razão, geralmente, era considerado importante que os centros das antigas e novas estruturas fossem os mesmos.

Na época operativa, quando a localização do centro de uma estrutura tinha sido decidida, o primeiro dever do mestre pedreiro era estabelecer o ponto central da estrutura no terreno. Chamava-se a isso de bater o centro. Ele, então, iria determinar a necessária orientação do edifício por um método apropriado e configurá-la no chão. Edifícios sagrados geralmente eram obrigados a facear ou o leste ou o nascer do sol no solstício de verão. Caso se necessitasse que a orientação fosse de leste a oeste, o primeiro passo seria determinar a verdadeira linha norte-sul com precisão, a partir da qual a verdadeira linha leste-oeste poderia ser estabelecida. No hemisfério norte, ou o norte poderia ser determinado pelo avistamento da estrela polar à noite, ou o sul poderia ser definido pela marcação da direção do sol ao meio-dia em qualquer um dos equinócios. Como não há nenhuma estrela polar no hemisfério sul, para determinar o norte é necessário marcar a direção do sol ao meio-dia em qualquer um dos equinócios. Em ambos os hemisférios a orientação correta no solstício de verão pôde ser verificada por meio de observação direta do nascer do sol naquele momento.

No hemisfério norte a verdadeira linha norte-sul pode ser determinada através do lançamento de um fio de prumo sobre o ponto central estabelecido e, em seguida, pelo alinhamento de outros dois fios de prumo com a estrela polar e com o fio de prumo sobre o ponto central, sendo que os outros dois fios de prumo devem ser colocados a distâncias convenientes, fora dos limites norte e sul do edifício. A linha norte-sul pode, então, ser definida no chão, esticando uma linha entre os dois fios de prumo exteriores, passando pelo ponto central. A verdadeira linha norte-sul, em ambos os hemisférios, pode ser determinada em cada equinócio, observando a sombra do sol cerca de duas horas antes do meio dia até cerca de duas horas após o meio-dia. Quando dois ou, de preferência, três arcos concêntricos de comprimento suficiente forem marcados no chão, usando a linha de uma baliza[2] que foi estabelecida no ponto central, ergue-se no ponto central uma haste perpendicular de altura suficiente. Os vários pontos onde o fim da sombra do sol apenas toca cada um dos arcos, quando a sombra recua e, novamente, quando a sombra avança, são, em seguida, marcados no chão. A linha do ponto central até o ponto sobre cada arco, que corta a distância entre os dois pontos naquele arco, onde a sombra do sol apenas toca o arco, indica a verdadeira linha norte-sul. É desejável a utilização de vários arcos consecutivos nesta observação, no caso de o sol esteja encoberto justamente quando a ponta da sombra iria tocar o arco, bem como para confirmar a precisão das várias observações. Também é desejável realizar a observação em três dias consecutivos, incluindo um dia antes e um dia depois do equinócio.

Uma vez determinada a verdadeira linha norte-sul, era estabelecida com precisão, no terreno, por meio de uma linha passando pelo ponto central, a partir da qual o verdadeiro eixo leste-oeste também seria marcado no chão. A linha leste-oeste pode ser estabelecido a partir da linha norte-sul, com o auxílio de três hastes longas com os comprimentos de três, quatro e cinco unidades, com as quais um triângulo retângulo pode ser formado. Para testar-se precisão, triângulos retângulos devem ser estabelecidos tanto à esquerda quanto à direita da linha leste-oeste e o procedimento deve ser realizado tanto para o leste e como para o oeste da linha norte-sul. Ao montar os triângulos, era costume colocar o lado de três unidades de comprimento contra a linha norte-sul, de modo que o lado de quatro unidadesde comprimento indicasse a linha leste-oeste. Um método mais preciso de definir a linha leste-oeste é a utilização de duas balizas, que são criadas em dois pontos sobre a linha norte-sul e que são equidistantes do centro e o mais distantes possível. As linhas das balizas são, então, estendidas o suficiente para que cruzem a linha leste-oeste, onde, por precisão, seu ângulo de interseção deve ser de aproximadamente um ângulo reto. Para se verificar a precisão este procedimento deve ser realizado tanto para o leste e para o oeste da linha norte-sul. Se realizado corretamente, a linha entre os dois pontos onde as linhas das balizas se cruzam é a linha leste-oeste, que deve passar pelo ponto central.

Quando o ponto central do edifício e os dois eixos principais que passam pelo ponto central tinham sido estabelecidos, o passo seguinte era estabelecer os quatro pontos de um retângulo para delinear os quatro cantos do componente principal do edifício. Ao definir uma catedral, por exemplo, são estes quatro pontos que definem os cantos da nave. A configuração de componentes auxiliares, como os transeptos e a sala do capítulo, normalmente poderia ser adiada até o momento adequado da sua construção. Os eixos da nave e os transeptos da abadia de York e de muitas catedrais em estilo gótico se cruzam no ponto central da estrutura, mas esta convenção nem sempre é adotada. Por exemplo, a Catedral de Salisbury tem dois transeptos, embora o eixo do transepto principal não passe pelo ponto central. Na França, o plano da nave e dos transeptos em algumas catedrais tem a forma de uma cruz latina. As três formas tradicionais de templos são o quadrado, o quadrado- oblongo nas proporções de dois para um, e o quadrado-templo nas proporções três para um, como o templo de Salomão, em Jerusalém. Apesar dos principais componentes das estruturas religiosas serem predominantemente retangulares, outras formas são também utilizadas. Elas incluem o octógono, adotado para a maioria das casas de capítulos ligados a igrejas e catedrais, que foram geralmente construídos no estilo usado pelos Cavaleiros Templários. O octógono também foi usado com frequência em igrejas bizantinas. O círculo foi adotado para o panteão construído em Roma por Adriano como o templo dos deuses, que agora é a igreja de Santa Maria Rotonda. Às vezes houve uma combinação entre um interior circular e um exterior de forma quadrada ou octogonal, ou, ocasionalmente, de formato ainda mais complexo.

Os pontos estabelecidos para localizar os quatro cantos do principal componente do edifício foram também estabelecidos a partir do ponto central. Isto foi conseguido através da fixação de uma baliza no ponto central, a partir do qual uma linha do comprimento requerido pode ser estendida para cada um dos quatro cantos sucessivamente. A direção de cada uma destas linhas diagonais era uma função da forma do componente principal do edifício. Era um dos deveres do mestre pedreiro determinar os direções necessárias, que ele então estabelecia com referência aos eixos norte-sul e leste-oeste que tinham sido estabelecidos através do centro. As diagonais eram estabelecidas utilizando as três longas hastes, cada uma dos quais era adequadamente graduada para permitir que os ângulos fossem medidos tendo como referência os eixos principais do edifício. O método é semelhante ao usado na definição do eixo leste-oeste do eixo norte-sul, exceto que o triângulo em ângulo reto formado pelas três hastes era rotacionado tanto quanto o necessário. Tendo marcado os quatro cantos, a precisão do retângulo era verificada através da comparação das medidas das duas extremidades com as medidas dos dois lados. Quando as quatro marcas de canto tinha sido estabelecidas, estacas perpendiculares distintamente marcadas eram criadas perto delas, chamando a atenção para a sua localização e protegendo-as contra danos acidentais. Cordões ou fitas coloridas suspensas distinguiam as estacas marcadas, da mesma forma como hoje são usadas estacas pintadas ou estacas com bandeiras coloridas ​​para indicar importantes marcas de levantamentos topográficos.

As Quatro Borlas pendentes dos quatro cantos da Loja que são mencionados nas instruções sobre o painel do Primeiro Grau, estão diretamente relacionadas com os métodos utilizados pelos mestres pedreiros operativos ao definir os quatro cantos do edifício e ao implantar os cantos em cantaria. A relação entre as Quatro Borlas e o ambiente fora do edifício é imediatamente evidente a partir da descrição anterior dos métodos utilizados, mas a sua relação com a construção do edifício pode não ser tão evidente. Ao construir os cantos das linhas edifício prumo eram suspensas a partir de suportes de madeira, adjacente aos cantos, para garantir que os cantos fossem perpendiculares, bem como corretamente localizados com relação aos demais pontos de canto estabelecidos. As linhas eram também esticadas entre as linhas de prumo relevantes nos cantos, para garantir que as paredes seguiriam as linhas corretas e assegurar que os cantos estavam no esquadro e perpendiculares. As Quatro Borlas também aludem às linhas de prumo, que foram colocadas nos cantos do prédio durante a construção.

Em tempos operativos as Quatro Borlas que eram suspensas nos quatro cantos do alojamento representavam guias, que foram destinados a ajudar um maçom para manter uma vida justa e correta, de onde derivou a referência para as quatro virtudes cardeais que, tradicionalmente, são temperança, fortaleza, prudência e justiça. Em lojas modernas especulativas esses Quatro Borlas, representando respectivamente a temperança, fortaleza, prudência e justiça, nesta seqüência, deve começar no canto sudeste, que está ao lado esquerdo do Venerável Mestre, em seguida, avançar no sentido horário em torno do recinto da loja. Hoje em dia borlas não são uma característica comum em templos maçônicos, mas geralmente são representados apenas pelo nome de uma das quatro virtudes cardinais em cada canto. Em alguns templos maçônicos o nome é mostrado em uma decoração representando uma borla ligado a um cordão curto, que às vezes é incorretamente retratado como um laço. Em outros templos as únicas representações das borlas são aquelas que aparecem nos cantos do painel do primeiro grau. Como mencionado anteriormente, os cordões e borlas que são muitas vezes incorporadas à orla dentada em torno do pavimento mosaico, têm uma origem diferente, mesmo que em alguns rituais digam que representam as Quatro Borlas.

Antes de considerar em que os cantos as Quatro Borlas teriam sido suspensas em um alojamento operativo, seria oportuno rever o que as quatro virtudes cardeais significam. Em linguagem atual temperança sugere moderação ou mesmo abstinência; fortaleza implica coragem no sofrimento; prudência transmite uma impressão de cautela e justiça implica em reconhecer o que é certo. Embora todas essas definições reflitam características importantes que são relevantes para os princípios estimados em maçonaria, eles não abraçam todas as facetas da importância da conduta maçônica. Por exemplo, na temperança da maçonaria requer o exercício de cautela no pensamento, julgamento, sentimento, expressão, ação e realização em todos os aspectos da vida e do trabalho. A prática da temperança devem estar estreitamente aliada à firmeza, o que implica coragem moral, bem como coragem física, o que exige que um maçom prossiga no caminho que ele sabe ser o certo, mesmo que ao fazê-lo encontre problemas imprevistos e que o resultado não seja o que ele havia previsto. Mesmo assim, a busca do curso de ação correto deve ser sempre temperada com prudência, que envolve o uso do bom senso e da boa aplicação da razão e da lógica. No senso comum a justiça implica na interpretação estrita da lei, mas no seu sentido mais amplo, deve refletir o maior bem para a comunidade como um todo. Na justiça maçônica está sempre aliada com a misericórdia. É por isso que, em muitas versões da instrução sobre o painel do primeiro grau, a referência às quatro virtudes cardeais são seguidas imediatamente por uma declaração semelhante à seguinte passagem citada do Ritual de Emulação Inglês:

“As características distintivas de um bom maçom são virtude, honra, e misericórdia, e que elas possam sempre ser encontradas no peito de um maçom. ”

Neste contexto, misericórdia implica que a justiça por si só é insuficiente, mas que ela deve ser temperada pela misericórdia se for para alcançar um resultado equitativo. Por definição, misericórdia significa indulgência para com quem está sob o poder da pessoa, mas em um sentido paralelo, é considerado algo bom que é derivado de Deus. A virtude e a honra são corolários importantes da misericórdia. Virtude significa bondade, moralidade e probidade, e também significa muitos atributos de honra, que por sua vez significa honestidade, integridade, retidão e justiça.

As Quatro Borlas em lojas operativas

Como as lojas operativas eram orientadas na mesma direção do templo de Salomão em Jerusalém, que é o inverso de lojas especulativas modernas, a entrada para o alojamento era no leste e o mestre sentava no oeste. Para evitar possíveis confusões, na discussão a seguir será feita referência à posição dos oficiais na loja, e não aos pontos cardeais. Lojas Operativas tinham um Mestre, um Primeiro Vigilante e um Segundo Vigilante que tinham uma localização relativa entre si, exceto pela orientação da bússola, da mesma forma que as estações dos oficiais em lojas especulativas modernas. Em lojas operativas havia também um quarto oficial, o Superintendente de Trabalho, cuja localização era do lado oposto ao do Segundo Vigilante. Nesta explicação sobre a localização e o simbolismo das Quatro Borlas pendentes dos cantos do alojamento, assume-se que todos esses quatro oficiais ficam sentados de frente para o centro do alojamento.

A borla no canto do lado direito do Mestre deve representar justiça e a do seu lado esquerdo deve representar temperança. A razão para isso é que, quando governa seu alojamento e administra sua força de trabalho, o Mestre deve fazê-lo com justiça que, no entanto, deve ser temperada com misericórdia, de modo a garantir que não só o cliente obterá o serviço que está pagando, mas também que os seus trabalhadores vão receber os devidos pagamentos. A borla no canto do lado direito do Superintendente do Trabalho deve representar prudência e a do seu lado esquerdo deve representar justiça. Tal como o seu Mestre, a quem ele representa, o Superintendente do Trabalho deve ser prudente na utilização de sua força de trabalho e dos materiais, para que o Mestre esteja devidamente servido; mas ele também deve garantir que os homens sejam tratados com justiça, para que eles recebam os proventos a que têm direito.

Os dois Vigilantes são os oficiais que exercem controle direto sobre os trabalhadores, sob a supervisão imediata do Superintendente do Trabalho. A borla no canto do lado direito do Administrador Sênior deve representar fortaleza e a do seu lado esquerdo deve representar prudência. A razão para isso é que, como o oficial que exerce o controle direto sobre os trabalhadores enquanto estão no trabalho, ele é responsável por superar as muitas dificuldades que inevitavelmente afligem o trabalho, o que exigirá a máxima firmeza de sua parte. Ao mesmo tempo, deve exercer o seu controle sobre o emprego dos homens e do uso de materiais com a máxima prudência, para proteger o bem-estar dos homens e, ao mesmo tempo garantir que a execução da obra não seja penalizada. O Segundo Vigilante, cujo dever é ajudar o Administrador Sênior, é o oficial principal responsável pelo bem-estar dos homens, especialmente quando eles estão em repouso e descanso. A borla no canto do lado direito do Segundo Vigilante deve representar temperança, em alusão à forma pela qual o descanso deve ser sempre conduzido. A borla ao lado esquerdo do Segundo Vigilante deve representar fortaleza, porque ele deve personificar Hiram Abif cuja fortaleza deve ser sempre imitada por todos os maçons.

In, O Esquadro e o Compasso – Em busca da Maçonaria

por W. M. Don Falconer PM, PDGDC



sexta-feira, 26 de junho de 2015



FREDERICO II, REI DA PRÚSSIA E OS ALTOS GRAUS DO REAA


Assim como a maçonaria simbólica é regida pela Constituição de Anderson, os Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA o são pelas Grandes Constituições de 1786. Ainda que muito importantes, as Constituições de 1786 não foram redigidas por Frederico II da Prússia, conforme se demonstrará a seguir.

Causa espanto verificar que, no Brasil, uma grande parte dos maçons dos Altos Graus, por falta de conhecimento de história maçônica, continua ainda acreditando e “jurando de pés juntos” que as Constituições de 1786 foram elaboradas pelo rei prussiano. Pensam, erroneamente que, por constar nos rituais do REAA, Frederico tenha criado e legitimado as Constituições de 1786. Isto, ipso facto, transforma-se em artigo de lei e de crença inabalável.

Um fato ponderável e concorrente para essa mitologização foi a certeza que os EEUU, à época em que se criaram os 33 graus, não eram nenhuma potência maçônica, como vieram a se tornar posteriormente. Necessitavam, portanto, de um forte aval para legitimar o Supremo Conselho de Charleston para que não caísse no ridículo. Seria como se fosse hoje a Nigéria pretendesse criar um novo rito para a maçonaria mundial. Nada melhor, então, que um rei europeu, um déspota esclarecido, com nítida simpatia pela maçonaria, tornar-se o autor das Constituições de 1786.

Vejam-se então, os autores do primeiro time maçônico e tudo que tiveram a dizer sobre a propalada e ridícula assertiva de ser Frederico II da Prússia, o autor das Constituições de 1786.

Em primeiro, George von Kloss (1787-1854), conhecido como o “pai da crítica histórica da franco-maçonaria” mundial e maior historiador maçônico alemão, que qualifica, na sua obra Geschichte der Freimaurerei in Franckreich (História da Franco-maçonaria na França) [ed. Damstadt, 1852, pag. 409] “as Constituições [1786] e as leis como uma grande mentira da Ordem”.

Joseph Grabriel Findel [1828-1905], discípulo de Kloss, na sua História General de la Francmasoneria (in Dicionário Enciclopédico de la Masoneria, tomo IV, Editorial del Valle de México, México, 1977, pag. 338), citando documento expedido pela Grande Loja-Mãe Nacional “Os Três Globos Terrestres” de Berlim, diz que “depois de um maduro exame das peças etc., depositadas nos arquivos, crê-se, sem mais, aderir ao manifesto e declarar apócrifas tais constituições e leis porque:

I) O rei Frederico II, o Grande, não dirigiu nem comandou uma participação direta pessoal nos trabalhos maçônicos, nos sete anos depois de sua recepção de 1739 a 1744...

II) Em 1762, a última campanha da Silésia absorveu por completo a atenção do rei, e a primeiro de maio de 1786, nos últimos anos de sua vida, e sobretudo nos últimos meses antes de sua morte (17 de agosto de 1786), atormentado pela gota, caduco e fatigado da vida, permaneceu no seu castelo de Sans-Souci, em Potsdam sem ir a Berlim.

Segundo os dados oficiais mais seguros, o grande rei foi a Berlim, em 09 de setembro de 1785, quando visitou sua irmã, a princesa Amélia; apeou em seu palácio, passou a noite no estabelecimento de águas minerais e assistiu, na manhã seguinte – 10 de setembro – às manobras do corpo de artilharia. De Wedding, onde se situava o campo de manobras, o rei voltou à Potsdam. Jamais retornou a Berlim, porque depois de passado o inverno, em meio a cruéis sofrimentos, os médicos não tiveram dúvidas sobre o terrível término da enfermidade, até o mês de janeiro de 1786. O augusto enfermo voltou, em 17 de abriu, ao castelo de Sans-Souci, onde padeceu ainda, mais quatro meses, morrendo como um mártir.

III) É, por conseguinte, falso que o rei Frederico, o Grande, tivesse reunido em 1º de maio de 1786 um Grande Conselho em seu palácio de Berlim para regular os altos graus. A maneira de operar e de pensar deste nobre príncipe impede de que se creia que, no final de sua carreira, pudesse ocupar de coisas que considerava vãs e fúteis ninharias.

IV) Os relatos concernentes à época em questão e conservados nos arquivos da Grande Loja-Mãe Nacional não apresentam traço algum dos documentos maçônicos citados acima, nem de um Grande Conselho em Berlim.

Fiquem de lado os alemães e busque-se suporte no maior historiador maçônico inglês – Robert Freke Gould [1836-1915], ex-venerável da Loja de Pesquisa Quator Coronati de Londres. Na sua monumental obra (The History of Freemasonry, vol. III, Thomas C. Jack, London, 1887, pag. 128) afirma que...”temos as Grandes Constituições em 18 artigos. De acordo com a lenda, o jovem Pretendente transferiu sua suprema autoridade em maçonaria para Frederico, o Grande, que no seu leito de morte em 1786, revisou as regulamentações transformando os 25 graus em 33, e revestiu com sua autoridade pessoal, o Supremo Conselho dos 33. Autores que me antecederam, pouparam-me o tormento de provar que tudo isso é uma ficção... e que os 33 graus nunca apareceram na França até que De Grasse-Tylli os introduzisse. As Constituições de 1786 foram, sem dúvidas, fabricadas na América e assim, provavelmente, também, as de 1762.

Como a infantaria inglesa não é muito forte no REAA, dê-se atenção à infantaria escocesa antes da apresentação da infantaria pesada francesa. Conforme o rito – a palavra escocesa – apesar de ter sido fundado na França, durante muito tempo instigou-se os escoceses a escreverem algo sobre o tema. Na década de 50, Robert Strathem Lindsay, Grande Secretário Geral do Supremo Conselho para a Escócia do REAA escreveu uma obra prima “O Rito Escocês para a Escócia” (The Scottish Rite for Scotland, W. & R. Chambers Limited, 1958, pag. 55) com o “imprimatur” do Supremo Conselho. Como não poderia deixar de acontecer, o trabalho toca no “affaire” Frederico e as Constituições: “Fisicamente, Frederico poderia ter assinado as Constituições em 1º de maio de 1786. Mas por que ele faria isso? Na ocasião pressentia que sua prolongada, fatal e dolorosa doença estava perto do fim e sua mente estava inteiramente tomada pela preocupação de como prevenir a divisão da Prússia após sua morte. ...Não teria sido mais natural que o sobrinho favorito de Frederico, treinado por ele e que era, ao contrário de seu tio, pessoalmente interessado e ligado aos “Altos Graus”, ter introduzido o REAA na Prússia? Nem ele se agregou ao rito e muito menos seu tio, pois o rito só foi introduzido na Alemanha aproximadamente 200 anos após a morte de Frederico. ... Pesquisas têm sido realizadas em Berlim para se encontrarem evidências das Grandes Constituições ou alguma menção sobre o colóquio do Supremo Conselho do Grau 33 supostamente realizado no dia 1º de maio de 1786 quando, de acordo com as Grandes Constituições, o próprio Frederico estaria presente, e o resultado é zero.

Agora, a artilharia francesa para discutir a lenda. Destaca-se Paul Naudon, o maior historiador maçom (GLNF) francês do REAA, com o seu clássico História, Rituais e Cobridor dos Altos Graus Maçônicos (Histoire, Rituels et Tuileur des Hauts Grades Maçonniques, Dervy Livres, Paris, 1984). Na página 153, afirma que “pesquisas têm sido realizadas em Berlim para encontrar os traços de uma reunião do Supremo Conselho do Grau 33 que teria sido realizada no dia 1º de maio de 1786 e na qual Frederico II estaria presente. O resultado foi nulo”. Após analisar várias impropriedades de datas, pessoas, referências e intitulações nobiliárquicas, Naudon notou que chamou “Frederico de Frederico II Guilherme II” e logo em seguida de “Nosso ilustre irmão Frederico de Brunswick”. O erro desta vez é bem flagrante. Acrescentado ao precedente, sublinha nitidamente que Frederico II não poderia ter aprovado tal texto e que este não seria obra de maçons alemães, que jamais cometeriam tais equívocos (pag. 156)”. Outro fato convenientemente notado é “o da possibilidade de nomear quatro inspetores gerais não-cristãos significando a porta aberta aos judeus (p.160)” ... pois “esta admissão de judeus na Ordem Maçônica teria sido inconcebível na Alemanha na época de Frederico – (e ela só aconteceu nos meados do século XIX), como também na França antes da Revolução e mesmo antes da organização oficial do culto e da Concordata de 1801 (p. 161)”. Conclui, finalmente, que “os oito novos graus e a hierarquia dos 33 graus nasceram na América. A Europa os ignorou até a fundação do Supremo Conselho de França em 1804 (p. 163)”.

René Le Forestier (1868-1951), maçonóloco, germanista e o maior historiador francês dos iluminados Bávaros e da maçonaria ocultista e templária afirma, peremptoriamente, no seu erudito livro “A Franco-maçonaria Templária e Ocultista nos séculos XVIII e XIX (La Franc-Maçonnerie Templière e Occulstist au XVIII e XIX siècle, vol I, La Table, D´Emeraude, Paris, 1987, pag. 287) que “muitos graus franceses foram colocados arbitrariamente sob a patronagem de Frederico II, que tinha feito parte da maçonaria na sua juventude, e a tolerava nos seus domínios, mas que não tinha mais assistido a nenhuma sessão desde a sua ascensão ao trono.

O historiador e bibliotecário da Grande Loja de França – Albert Lantoine [1869-1949] - no primeiro tomo de sua trilogia “História da Franco-maçonaria Francesa “Histoire de la Franc-Maçonnerie Française – La Franc-Maçonnerie chez ele, vol I, Slatkine Reprints, Genève-Paris, 1981, pag. 247) no capítulo “O Grande Frederico ou o Deus da Fábula” apresenta os seguintes argumentos contra a lenda: “...sua atividade maçônica (e esta palavra atividade não deve ser entendida como assiduidade) não durou mais que 7 anos (1738-1744). Aliás a participação de Frederico II nos trabalhos e desenvolvimento da Ordem foi criteriosamente estudada pelos alemães – existe uma biografia copiosa sobre a questão – mas todos, apesar de diferindo em alguns pontos, são unânimes em desligar sua memória da criação dos “Altos Graus” ... “que ideia bizarra, além do mais, que esse prussiano fanático de sua nação – e como! – ter passado seus famosos poderes aos americanos em lugar de os transmitir simplesmente a Frederico-Guilherme, seu filho primogênito? (p. 250)” e termina dizendo: “como uma tal lenda se infiltrou entre os maçons? (p. 254)”.

Pierre Chevalier, maçonólogo, falecido em1998, no seu História da Franco-maçonaria Francesa (Histoire de la Franc-maçonnerie Française, vol II, librarie Arthème Fayard, Paris, 1974, p. 65) pergunta: “que pensar das Grandes Constituições de 1786 falsamente atribuídas a Frederico II e pelas quais se passou dos 25 graus do Rito de Perfeição para os 33 do REAA? “... “mas parece também que o REAA seja uma criação feita na América. Seriam os irmãos John Mitchel, Frederico Dalcho (um médico de origem prussiana e aqui se explica a referência a Frederico II) e alguns outros, dos quais vários israelitas, os fundadores do primeiro Conselho, em Charleston, em 1801”.

Finaliza-se a artilharia francesa com Alex Mellor [1907-1988] da GLNF, no seu Dicionário da Franco-maçonaria e dos Franco-maçons (ed. Martins Fontes, São Paulo, 1989, p. 98) cujo verbete Constituições (Grandes) reza o seguinte: “o documento célebre intitulado Grandes Constituições de 1786 e atribuído a Frederico II, rei da Prússia, que teria, assim, dado a sua carta histórica ao REAA, foi longa e minuciosamente estudado pelos eruditos. Admite-se, hoje, que o documento é apócrifo”.

Por último, mas não menos importante, referir-se-á o que a prata da casa brasileira diz sobre o assunto:

Nicola Aslan no seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia (vol. II, Editora Artenova, Rio de Janeiro, 1974, p. 438), no verbete Frederico II, o Grande [1712-1786], diz o seguinte: “a ratificação da Constituição do Supremo Conselho do REAA, no dia 01 de maio de 1786, por Frederico II da Prússia, não passa de uma invenção do Irmão Frederico Dalcho, que a lançou no seu discurso de 08 de dezembro de 1802.

Este foi completamente desmentido pela “Grande Loja Mãe Nacional dos Três Globos Terrestres de Berlim, em carta datada de 17-08-33 dirigida ao Irmão Marconnay, de Nova York, em resposta à solicitação que este maçom lhe fizera, em sua correspondência de 25-05-1833, a respeito daquele monarca no Rito Escocês. Naquela data 01-05-1786, Frederico estava no seu castelo de Potsdam, atacado de gota, caduco e absolutamente cansado da vida. Faleceu três meses e meio depois, em 17 de agosto de 1786. ”

Castellani do seu clássico “O Rito Escocês Antigo e Aceito” (Cadernos de Estudos Maçônicos nº 04, ed. Trolha, Londrina, 1988, p. 24) é bastante enfático: “E foi nos Estados Unidos que surgiu a maior empulhação, o maior logro da história do escocesismo: a invenção de que os Altos Graus (e, em suma, a própria Ordem “escocesa”) fora crida pelo rei da Prússia, Frederico II. Na realidade, aos 25 graus criados pelo Conselho dos Imperadores, os maçons americanos, sob, provavelmente, a inspiração de Morin, acrescentaram mais oito, criando o sistema dos trinta e três graus. Reunidos, então, na cidade de Chaleston, no Estado da Carolina do Sul, fundaram a 31 de maio de 1801, o primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês, concentrando em suas mãos todo o poder administrativo sobre os Altos Graus. Esse Supremo Conselho só se tornou conhecido pelo restante da maçonaria mundial, a partir de 04 de dezembro de 1802, quando expediu uma circular comunicando o fato, enaltecendo o sistema dos 33 graus e atribuindo a sua organização – em maio de 1786 – ao rei Frederico II da Prússia. Se isso houvesse, realmente, acontecido nessa data que é a da publicação, segundo os americanos, da Constituição e dos Regulamentos do Supremo Conselho – é, no mínimo estranho que só se tivesse conhecido o fato em 1802...

Apesar da documentação, essa versão não tem a mínima credibilidade entre os bons autores maçons, sendo refutado por homens como Findel, Lindsay, Marconnay, Rebold, Thory, Ragon, Clavel e Cordier...

Desta maneira, tanto as “Constituições, Estatutos e Regulamentos”, quanto os “Novos Institutos Secretos e Fundamentais da Muito Antiga e Venerável Sociedade dos Antigos Maçons Livres Associados, ou Ordem Real e Militar da Franco-Maçonaria, de 1º de maio de 1786, atribuídos a Frederico, devem ser vistos como documentos históricos do escocismo, mas de autoria dos criadores do primeiro Supremo Conselho do mundo e com data posterior à que consta dos documentos, pois, vale repetir, se uma inovação tão grande como essa já ficava totalmente organizada na Europa, em 1786, porque ela permaneceria oculta e ignorada até 1802, sendo necessário que os norte-americanos revelassem aos europeus a sua existência?

O golpe mortal dos brasileiros na lenda viria com o livro de Kurt Prober – Frederico, o Grande e a Maçonaria (ed. Maçônica “A Trolha”, Londrina, PR, 1988, p.58) ao dizer que: “não seria completo esse estudo, assim mesmo ainda lacunoso, se não houvesse um comentário sobre a autenticidade discutida da Grande Constituição de Frederico II de 1/05/1786, lamentavelmente ainda hoje considerada legítima, especialmente pelos Supremos Conselhos “Latinos” – Estou me referindo aos Supremos Conselhos Regulares, e isto depois de ter ficado comprovado há mais de século e meio, que se trata de uma história muito mal contada. E entre nós, mesmo depois de eu ter publicado um vasto comentário no meu livro: “História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil (vol. I – 1832/1927 – p. 5/16).

Na realidade e mesmo na prática, seria irrelevante se esta Grande Constituição seja de 1786 ou de 1801/1802, pois as duas são praticamente iguais, variando apenas na tradução do original escrito em francês. Ou seria em “inglês” e depois traduzida para o “francês”?

Faço esse comentário, pois se deve dar a Cesar o que é de Cesar – (Caesar quae sunt Caesaris) e que não deve haver a mais ligeira dúvida que Fridericus Rex... não foi o autor da mesma, e nem a poderia ter assinado, senão vejamos:

A – O rei tinha aversão aos Altos Graus, considerava-os ocos e para os vaidosos;

B – Nunca possuiu ele “qualquer Alto Grau”;

C – Durante mais de seis meses antes de falecer, em 17/08/1786, o rei estava acamado e entrevado, e dizem os contemporâneos – Umnachtet – o que corresponde ao nosso “Anuviado”, ou seja, incapaz de coordenar bem os fatos. Quer dizer que este estado vinha de pelo menos fevereiro de 1786;

D – Em 1786 não existia, em Berlim, nenhuma “Residência Real”, pois desde 1747 residia o rei em Sans-Souci, em Potsdam, então uma vila distante de Berlim mais de 25 km.

E – Não existia em Berlim nenhum Grande Conselho do Rito Escocês, só se sabendo da existência (...provavelmente já adormecido durante o auge da atividade da “Estrita Observância” ...) de um Capítulo Clermont, fundado em 17/09/1760. E finalmente,

F – Desde 1744, o rei nunca mais participou de nenhuma atividade maçônica. 

Nestas condições é totalmente apócrifa a Constituição de 01/051786.

Bom, pelo menos, com os últimos autores não se tem a desculpa de que escreveram em língua estrangeira.

À guisa de conclusão convém salientar que o Congresso de Laussane, em 1875, produziu uma nova versão das Grandes Constituições de 1786 tentando escoimar alguns erros históricos, principalmente os relativos a Frederico II. Assim, o artigo 16, reza o seguinte: “São e permanecem revogados os artigos XII, XIII e XIV das Antigas Constituições.

Nas Constituições de 1786, o que reza o Art. XII? Simplesmente o seguinte: “O Supremo Conselho exerce todos os soberanos poderes maçônicos de que sua augusta majestade Frederico II, rei da Prússia, era revestido, e quando for conveniente protestar contra as patentes de deputados inspetores, como ilegais, enviar-se-ão informações disto a todos os Supremos Conselhos do mundo”.

Laussane, enfim, não quis ficar com esse passivo histórico em sua consciência e o revogou, mas parece que a notícia, infelizmente, ainda não chegou ao Brasil dos Altos Graus do REAA.

Espera-se que este pequeno artigo ajude a esclarecer ao mundo maçônico do REAA que as Grandes Constituições de 1786 não foram redigidas por Frederico II, rei da Prússia, e que tudo não passou de uma lenda inventada pelos norte-americanos no início do século passado. Das lendas, podem se tirar belíssimas lições de sabedoria, mas a verdade histórica deve prevalecer numa maçonaria madura que se propões a iluminar o século XXI.

(Ir.´. Willian Almeida de Carvalho)
















“I. N. R. I.”


No princípio era a palavra (verbo). A palavra estava com Deus e a palavra era Deus. Este (verbo) estava no princípio com Deus e todas as coisas por ele foram feitas. Sem ele nada do que foi feito, foi feito. João 1.1:3

O primeiro capítulo do Evangelho de São João, nos narra como o Verbo sendo uma extensão, ou parte da natureza ativa de Deus, toma parte da essência de si mesmo, e com suas próprias “mãos” forma tudo quanto existe. Mas não sendo consistente com isso, encarna sua própria criação habita entre nós. 

ORDO AB CHAO – a tradição cabalística explica que no início da criação Deus criou um espaço finito dentro de si, deixando resíduos de matéria primordial no caótico e imóvel. O espaço finito foi cercado pelo infinito. Em seguida, Deus emitiu uma palavra e se conta que foi seu nome e esta palavra penetrou e reverberou no espaço primordial, como um raio luminoso ou espada flamígera, gerando o movimento e a vida, como as ondas dos Elohins, os construtores da aurora do novo amanhecer do universo manifesto.

Conta a tradição que esta palavra foi revelada a Adão, Enoch, Abraão, Moisés e Aarão. E que em algum momento no tempo se perdeu. Desde então, grupos, ordens e fraternidades mística, esotéricas e ocultistas tentaram e tentam encontrá-la. O poder desta palavra é tão grande que poderia construir e destruir universos.

O Príncipe Rosa Cruz tem meta buscar esta palavra perdida e acredita-se que esta palavra é a sigla I.N.R.I., que PAPUS diz que é o mesmo como ‘HIRAM” ou IHVH. Ensinaram-lhe vários significados, tais como:

1. INSTRUM NECARE REGES IMPIOS – É justo matar os reis malvados.

2. IGNEM NATURA REGENERANDO INTEGRAT – Regenerando-se, a natureza, mantem a integridade do fogo.

3. INTRA NOBIS REGNUM DEI – O reino de Deus está dentro de nós.

4. IN NECI RENACOR INTEGER – Na morte se renasce intacto e puro.

5. JESUS NAZREUS REX IUDEORUM – Jesus de Nazaré Rei dos Judeus.

6. IAMININ. NOUR, RUACH, IEBSCHAH – Água, Fogo, Ar e Terra, em hebreu.

7. IGNE NATURA RENOVATUR INTEGRA – A natureza será integralmente renovada pelo fogo.

As possíveis respostas, em minha opinião, que mais se aproximam do propósito da palavra são as de números 6 e 7, que estão fortemente relacionadas com o nome IHVH em hebreu, cujas letras tem uma relação com os quatro (04) mundos da formação da Cabala e os quatro elementos de que é constituído o Universo. A resposta 7 nos fala do processo da meditação transcendental e da contração do Universo no final dos tempos de volta ao “Pai” , quando os quatro mundos emanados de Deus e que estão representados por cada uma dessas letras se contrairá à primeira letra IOD, em hebreu, que é um símbolo do fogo, o ar e palavra de Deus que deu início à vida no Universo manifesto.

“Eu os batizo na agua, porém virá um mais poderoso que eu, de quem não sou digno de desatar a correia de sua sandália; Ele vos batizará com o Fogo do Espírito Santo” Lc. 3:16.

João, o Batista, se vestia com peles de camelo, símbolo da matéria e da animalidade. Cristo, o Deus Solar é o símbolo fogo da consciência e da alma do homem.

Nós não podemos e nem há poder no mundo fora de si mesmo, que possa iniciá-los no “ulterrimo”[1] segredo do Grau 18. No silencioso santuário de seu íntimo cintila essa luz e só você, unicamente você, pode, com esforço e vontade inquebrantável penetrar até esse lugar” “O Grau 18 ensina ao Maçom o caminho luminoso de retorno e lhe proporciona as ferramentas dos Cavaleiros Rosa Cruz para que possa limpar o seu caminho e plantar, porém cada qual tem que fazer isso no silêncio e na solidão.

A palavra perdida habita dentro de nós e sua busca é pessoal, não é possível encontra-la através das palavras escritas, do que se ouve ou até mesmo pelo intelecto objetivo, e menos ainda através de terceiras pessoas. É necessário fazer uma introspecção a mundos internos do ser e voltar fonte consciente do homem.

A maçonaria é em essência Esotérica, e esta natureza ou condição não se alcança apenas na forma especulativa, mas operacional. Aqueles cuja mentalidade não consegue alcançar o mundo subjetivo e abstrato do espírito e que estão sempre procurando desqualificar aquilo que seus sentidos físicos ou racional, ou lógico, ou materialista não podem compreender. A liturgia do Grau 18 lhes sugere alguns exercícios no campo mental e espiritual e apresenta uma seção de “exercícios e práticas” e outra de esoterismo. Continuo dizendo que o maçom deve encontrar a palavra perdida ou o verbo criador que é ele mesmo, ou seja, sua verdadeira entidade, seu ego. Para tanto deve alcançar sua iniciação transcendental. Estas últimas palavras falam que é necessário transcender a materialidade de tudo que nos rodeia e do nosso próprio “eu objetivo”, olhar para os mundos sutis e internos do UM, nossa verdadeira identidade, espírito ou alma, o IOD que nele habita e isso não alcançará através de palavras escritas, faladas ou pensadas, nem pela intelectualidade racional e lógica, porque esta a temos formado em nosso dia a dia no universo tridimensional e material que nos rodeia. “Porque graças a esta denominação das ideias ABSTRATAS, alcançadas por meio do Verbo, pode o homem desenvolver seu raciocínio.

Nos fala sobre a ação, como qualquer ato físico, emocional, intelectual e espiritual. “A ação é a aplicação do raciocínio às manifestações de energia”. Sim, a energia potencial que se converte em força pela ação. O maçom deve procurar também a ação nos mundos internos, onde a alma também deve executar e transcender a objetividade e a materialidade do corpo físico. Esta é a INICIAÇÃO TRANSCENDENTAL que a liturgia menciona, quando a alma cobra consciência de si mesma, e O HOMEM SE VOLTA CONSCIENTE DE SEUS DOIS MUNDOS, O MATERIAL E O ESPIRITUAL.

Cláudio Bristol em seu livro “A Magia de Pensar” nos diz: “Assim como a mente consciente é a fonte do pensamento, o inconsciente é a fonte do poder”. Muito provavelmente, a mente da alma é colocada no inconsciente do homem, porque desde que nascemos e dedicamos toda nossa atenção ao aspecto racional objetivo, e a mente espiritual da alma é esquecida na obscuridade do sótão do inconsciente através da identificação com o ego da personalidade do nosso cotidiano... É preciso resgatá-lo e devolvê-lo à luz do consciente da ação dos dois mundos. “IN MOBIS REGNAN ILE” o. Ser regulador encontrado em todos os humanos, e que nos mostra que Deus em cada um de nós. Os templos de Deus na terra são os corpos humanos, e em cada um deles se encontra, como uma projeção sua, um mestre cuja mente está embebida na MENTE CÓSMICA, um mestre cuja alma e vida são alma e vida de Deus.

Vários escritores sobre Maçonaria, como Aldo Lavagnini, frequentemente menciona a Cabala e o Tarô, porém são poucos ou quase ninquém os que falam sobre estes temas em minha Loja. A sexta carta do Tarô de Rider, “OS AMANTES” que se localiza entre Tiphareth (Beleza) e Hod (esplendo, Glória), onde o homem representa a Mente Objetiva a qual só pode ver o Anjo ou a “Mente Cósmica” e o “Sol” símbolo do Deus Único, refletida nos olhos da mulher, que representa a mente subconsciente...a “Mente da Alma”.

Concluo sem terminar:

“A palavra perdida, que se diz ser o nome de Deus, não é possível, porque Deus sendo o todo, ter nome o individualizaria separando-o do resto do Universo. NO entanto, por meio das quatro letras que é o mesmo que I.N.R.Í. nos dá “luz” sobre alguns mistérios, como o Tetragrama de Pitágoras, e o “Seen Hammephorash” o nome explicado de Deus compostos de 72 (setenta e duas) letras, o Anjo da Criação. Papus em seu livro se estende e vai mais fundo sobre o assunto.

A palavra como o homem e o universo são vibrações. Cada órgão, tecido, ou célula, cada sentimento, emoção e pensamentos tem sua própria nota vibratória que somadas geram uma única nota, cujo ritmo, frequência, e harmonia, alguns dizem que dita a atividade do coração.

A palavra perdida, “vibração” e origem da vida, NO HOMEM É SUA PRÓPRIA ALMA, a qual impõe ordem, harmonia, vitalidade e existência dentro de seu próprio universo, o corpo humano, a qual forma parte da alma cósmica e que por sua vez impõem ordem e harmonia no Universo inteiro.

Na medida em que o homem se identifica e seja uma projeção mais nítida de sua própria alma, a qual por sua vez é uma projeção da alma cósmica e do G.´.A.´.D.´.U.´. nesta mesma medida será a harmonia, saúde e perfeição manifesta em si mesmo.

Aqueles que encontram a palavra perdida são aqueles que se submeteram à iniciação transcendental. Esta é a revelação do mistério da exaltação ao terceiro grau da Maçonaria, onde o membro eleito está subindo da morte do seu caixão, o corpo físico, e quem ressuscita é a ALMA EM PLENITUDE DE COSNCIÊNCIA E FACULDADES. Este é o momento em que a ROSA abre suas pétalas no centro da CRUZ, dando seu aroma para o resto da árvore (madeiro). Este é o noivo e a noiva do Cantar dos Cantares do Rei Salomão, a rosa de Sarón e o Lírio dos Vales, que quando consumido o matrimônio na noite nupcial, engendram a Emmanuel, o homem iluminado que se reencontra com sua própria originalidade e divindade.

Ai de vocês, peritos na Lei, porque se apoderaram da chave do conhecimento. Vocês mesmos não entraram e impediram os que estavam prestes a entrar

“"Ai de vocês, peritos na lei, porque se apoderaram da chave do conhecimento. Vocês mesmos não entraram e impediram os que estavam prestes a entrar!"

Fraternalmente,

Lazaharo Hael.
Revista Fenix News – Edição de março de 1991

Tradução:
José Roberto Cardoso.









[1] Ulterrimo – Átomo  Ulterrimo - A Luz da Criação, pois o átomo ultérrimo é o fundamento da Criação Divina. O Átomo Ultérrimo está em toda parte, neste planeta. Penetra em tudo a todo mínimo instante. Dá Forma a Tudo. Movimenta-se com a velocidade da luz e, o que já foi descoberto e intriga os Cientistas da Física Quântica, perfaz um átomo químico que nãoexiste de verdade. Revista Fenix Neus.